sábado, 2 de dezembro de 2017

UM JOGO DE TRIPLA


Por erro nos Pontos resultantes a tabela inicial foi alterada posteriormente
Apesar de jogar em casa Gales não é favorito e, para ganhar, terá que estar ao seu melhor nível. Procurando adaptar-se à forma de jogar contemporânea em que a adaptação se mostra mais importante do que o cumprimento de estruturas ou planos, Gales tem,  no entanto, mostrado uma ineficácia preocupante - nos recentes jogos de Novembro apenas conseguiu a média de 1,7 ensaios por jogo apesar da maior posse de bola. Existem - vêem-se - tentativas de jogar diferente mas tudo se perde em falhas técnicas - parece que os jogadores não dominam as técnicas necessárias para criar um jogo expansivo e capaz de rapidamente se adaptarem ao que se desenrola na sua frente. Se isto parece ser verdade também pode ser que seja apenas a falta de coesão do colectivo num modelo que é novo. Até porque, para quem já viu jogar os Scarlets, a ideia que se fica das capacidades técnicas dos jogadores galeses é boa e capaz de um jogo vibrante e espectacular. Veremos o que teremos este sábado.

A África do Sul, apesar da vitória sobre uma França longe dos seus melhores momentos, tem sobre si o peso da enorme derrota contra a Irlanda (38-3) que tentará fazer esquecer. Procurando igualmente um tipo diferente de jogo que baseava na força dos seus avançados e na capacidade de choque dos seus jogadores os seus maiores trunfos, os sul-africanos têm também encontrado dificuldades para garantir a eficácia do seu jogo.

Jogo de tripla, terá no factor público um dos elementos de superação - e sabemos como é o apoio da multidão que estará no Principality Stadium...

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

SPORTING CP NA I TAÇA IBÉRICA FEMININA DE RUGBY

A equipa feminina de Rugby do Sporting CP na I Taça Ibérica, Madrid 2017
Pelos inícios de 1500, Duarte Pacheco Pereira, avisava no seu Esmeraldo de Situ Orbis que “a experiência, que é a madre das cousas, nos desengana e de todas as dúvidas nos tira”. E foi apenas este saber de experiência feito que faltou à equipa de rugby feminina do Sporting Clube de Portugal para acrescentar à história de ter participado na disputa da I Taça Ibérica de Rugby Feminino a possibilidade da sua conquista.
Com apenas três jogadoras - a capitã e centro, Isabel Osório, a Nº8, Maria Heitor e a pilar neozelandesa Leilani Perese - com conhecimentos sustentados do jogo de XV, as jogadoras leoninas mostraram uma notável capacidade, pelo pouco tempo de treino dedicado, de adaptação demonstrando duas coisas: que existe capacidade para o desenvolvimento do rugby de XV feminino e que o “Tens” não corresponde a qualquer forma adequada de passagem do “Sevens” para o XV.
Habituadas ao “Sevens” e a alguns jogos de “Tens” - esse mero modelo de “Sevens” fisicamente menos exigente - as jogadoras do Sporting, acusando a falta de hábito nas transformações estratégicas e tácticas que diferenciam o XV das outras variantes, tiveram naturais dificuldades nalgumas áreas de jogo como na defesa do terreno sobre jogo-ao-pé adversário (dois ensaios foram assim sofridos), na continuidade do jogo sem passagem pelo chão (quando o conseguiram a sua conquista territorial foi evidente), nas linhas de corrida defensivas e ofensivas da 3ª linha, na necessidade de retirar rapidamente a bola dos pontos de quebra (nos “Sevens” ou “Tens” a vantagem desta rapidez, pela sobrevalência da “posse”, é relativa) ou ainda na capacidade de recorrer eficazmente ao jogo-ao-pé ofensivo e defensivo quer, no primeiro caso, porque os espaços se apresentam no XV de forma diferente, quer, no defensivo, por falta do comprimento necessário por falta do recorrente hábito - não se passa a época a treinar um gesto técnico de que pouco se necessita...
A equipa feminina do Sporting assentou a estratégia da sua preparação construindo sobre aquilo que melhor sabiam fazer - como exemplo o facto de nos alinhamentos só haver praticamente lançamentos curtos - procurando assim as adaptações necessárias para execuções que pudessem surpreender as adversárias no jogo de XV. Estes propósitos tiveram por base o sistema de organização de 2-4-2 que permitia tirar todo o partido das notáveis capacidades de penetração das pilares Tânia Semedo e Leilani Perese. E assim foi, com a conquista territorial a mostrar-se muito positiva numa continuidade com muitos metros de transporte de bola conseguidos através do movimento de diversas jogadoras que, com recurso ao “passe-em-carga” (off-loads), mantinham o objectivo de avançar e conquistar território. Terá aqui faltado a audácia de menor aceitação da passagem pelo chão ou uma maior rapidez de retirada da bola para tirar todo o partido dos desequilíbrios conseguidos - facto compreensível por se tratar de um risco demasiado elevado para os hábitos competitivos que conhecem…  
Se em relação à defesa as jogadoras leoninas mostraram grande capacidade de eficácia - com placagens de fazer levantar estádios - a participação do Luís Pissarra elevou a fasquia para a adoção do 2x1 defensivo que permitiu até algumas recuperações de bolas que não estariam nas melhores expectativas. Nas formações ordenadas - fase onde poderiam, pela óbvia falta de hábitos, ter maiores problemas - a ajuda dos avançados masculinos do CDUL (que desde logo se mostraram disponíveis) veio possibilitar às avançadas leoninas a oposição adequada aos arranjos necessários para que o colectivo pudesse responder ao maior traquejo das avançadas espanholas. E as respostas no campo e no dia da final foram as melhores.
Perdendo por 4 ensaios contra 3 (2 de Júlia Araújo  e 1 de Lani Perese) nos 27-15 finais, a equipa feminina do Sporting teve um comportamento exemplar numa demonstração de capacidades, vontades e dignidade que possibilitaram uma atitude competitiva de elevado nível - reconhecida aliás pela equipa adversária, seus dirigentes e público espectador presente.
Foi pena, repete-se, não ter sido possivel conquistar a I Taça Ibérica mas é bom lembrar que o Olimpico de Pozuelo é a equipa campeã de um país que, na componente feminina, esteve presente, em Sevens, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e, em XV, nos Mundiais Femininos de 2017. Portanto pertencente a um mundo que nós embora qualificados, por pura obra e graça de um qualquer algoritmo, no 15º lugar do Ranking Feminino da World Rugby com 64,00 pontos, desconhecemos por completo ao não termos qualquer competição feminina de XV e nos limitarmos a fazer de conta que preparamos o futuro.
A minha participação, enquanto Conselheiro Técnico desta equipa liderada por Nuno Mourão, neste grupo de elevado grau de coesão - foi notável a maneira como incluiram a recém-chegada neozelandesa e Maori, Lani Perese, aceitando que fosse ela a fazer, na sua língua natal, os votos de Acção de Graças antes das refeições - foi muito interessante e, naturalmente, obrigou-me - para garantir o cumprimento do conceito de que “a estratégia pode apresentar-se como brilhante mas é a sua execução que a define” - a voltar às acções de campo com tudo o que elas têm de demonstração do acerto e da eficácia. Foram uns dias muito agradáveis junto a um grupo de jogadoras muito interessadas e empenhadas em garantir a boa imagem da camisola que envergam. Uma experiência que ficará na memória e que a medalha que me ofereceram não deixará esquecer.   

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

RESULTADOS INTERNACIONAIS DE 25 DE NOVEMBRO DE 2017



Com jogos internacionais para todos os gostos, o fecho das digressões de Novembro trouxe um resultado surpreendente - a vitória da Escócia sobre a Austrália por números dificilmente previsíveis - e outros resultados inesperados como a vitória do Chile sobre a Alemanha - que equipe alemã terá alinhado face às diversas contestações e ameaças de greve? - bem como o volume, 39 pontos de diferença para uma previsão de 17, da vitória espanhola sobre o Brasil que, lembre-se, foi recente vencedor da Bélgica.
A Georgia terá passado um mau bocado contra os USA (21-20 com falhanço da transformação do ensaio americano aos 77') mas, com a vitória, mantém a sua pretensão para se juntar ao patamar superior e o Tonga. ultrapassando, ao vencer a Roménia, as expectativas, conseguiu um resultado - vitória em casa do adversário - de boa qualidade e ultrapassou a Itália no posicionamento do ranking WR. Itália que, aliás, demonstrou as suas enormes dificuldades contra o peso da África do Sul e coloca de novo em duvida as suas capacidades para garantir o equilíbrio competitivo no nível das Seis Nações. 
E a França? Todos nos lembramos da surpreendente vitória do Japão, no WC 2015, sobre a África do Sul mas muito poucos apostariam na possibilidade de, em casa adversária - o artificial da U Arena próximo do Arco da Defesa em Paris - conseguir outro resultado diferente de uma derrota por números reduzidos. Este empate, sendo um excelente resultado para os nipónicos, confirma o mau momento por que passa o rugby francês que parece, com a enorme introdução de jogadores de outras culturas, ter desaprendido as bases que fizeram a sua referência internacional.
A vitória da Nova Zelândia em Cardiff - pese a longa época e eventuais cansaços - veio demonstrar a evidência: são a melhor equipa do mundo e têm a melhor formação existente de jogadores - cada um que chega mostra-se melhor do que o outro... 
Para fecho da "janela" internacional falta apenas o Gales-África do Sul do próximo sábado com a curiosidade de perceber se as modificações procuradas no jogo galês se mostram, finalmente, eficazes - mesmo se 5 dos recentes Lions continuem, por lesão, a ficar de fora.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

PREVISÃO DE JOGOS INTERNACIONAIS


Dos jogos do Tiers 1, um Escócia-Austrália que pode acabar com qualquer resultado embora a Rugby Vision atribua apenas 38,5% de favoritismo aos escoceses, um Itália-Africa do Sul, um Gales-Nova Zelândia e um Irlanda-Argentina que, embora com vencedores prováveis definidos à partida, enchem o fim-de-semana de bom e interessante Rugby.
Com excepção do Roménia-Tonga - probabilidades de 56,7% do Rugby Vision para vitória do Tonga e ao contrário da previsão do XV CONTRA XV que prevê a vitória da Roménia - e do Namíbia-Uruguai - praticamente 50% da cada lado, todos os outros jogos têm vencedor previsível.
Para espectadores o Escócia-Austrália e o Gales-Nova Zelândia devem ser os pratos fortes deste fim-de-semana. O primeiro por poder vir a ser de resultado final imprevisível e o segundo porque - para além do fervor do ambiente galês do Principality Stadium - vale sempre a pena ver jogar a melhor equipa do mundo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

RESULTADOS DOS JOGOS INTERNACIONAIS


Num fim‑de‑semana com diversas decisões arbitrais dificilmente consensuais - mesmo com recurso ao vídeo-árbitro o resvés foi tal que não se tornou fácil - os melhores resultados pertenceram ao Canadá e Brasil que, com vitórias fora contra adversários com melhor pontuação no ranking, conseguiram subir 2 lugares no ranking. O Uruguai foi também um dos vencedores da jornada ao derrotar - contra as previsões que propunham a sua derrota - a Namíbia por um inesperado 56-32.
O País de Gales, apesar de uma equipa pouco habitual, ao derrotar a Geórgia apenas por 6 pontos fez um dos piores resultados ainda por cima deixando no ar muitas dúvidas sobre a situação que levou o árbitro a decidir por formações ordenadas não disputáveis. No mesmo campo dos resultados inesperados a Irlanda não conseguiu uma vitória por mais de 3 pontos de jogo contra Fiji.
O pior resultado pertenceu no entanto à Bélgica que derrotada em casa pelo Brasil perdeu 3 lugares no ranking sendo agora a 29ª classificada, seguida pela Alemanha e Moldávia que perderam dois lugares cada uma, tendo a primeira perdido com os USA por números inesperados - 29 pontos de diferença - e a segunda que, embora com uma derrota normal contra a Polónia, se viu ultrapassada pelo Paraguai e Tunísia.
A Holanda também faz parte do grupo dos vencedores da jornada ao vencer, fora, a Suíça.
A Inglaterra, a Rússia, a Argentina, Japão e Portugal - que correspondeu ao esperado com uma vitória sem problemas contra um adversário recém-chegado à terceira divisão - conseguiram os resultados mais amplos da jornada. Na vitória conseguida, Portugal dispôs de 68 bolas utilizáveis com as quais ultrapassou 18 vezes a Linha de Vantagem (26%) de que resultaram 6 ensaios (33%) numa boa relação ultrapassagem da LV/marcação de ensaios mas com um enorme desperdício de utilização das bolas conquistadas.
A França, de novo derrotada, terá - mais uma vez - percebido que a sua forma de jogar está longe das qualidades e necessidades para se bater com os primeiros da tabela
No topo continua a Nova Zelândia que, no passado dia 16 de Novembro, contemplou 8 anos no primeiro lugar do ranking

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PORTUGAL-R. CHECA E OUTRAS PREVISÕES



Apesar de ser uma equipa mais habituada a outras "andanças", o nível de pontos de ranking que distancia as equipas de Portugal e da República Checa - e que são muito motivados pelas duas últimas derrotas portuguesas e pelo facto da R. Checa - embora ao nível da 4ª divisão europeia - ter vencido todos os encontros em que participou (recentemente derrotou a Polónia) - confere uma previsão de vitória para Portugal por uma diferença de 13 pontos. O que é uma vantagem razoável.
A troca de lugares no ranking World Rugby apenas poderá acontecer numa improvável vitória checa por mais de 15 pontos de diferença.
Havendo diversos jogos a ser disputados este fim-de-semana a possibilidade de subida de Portugal no ranking é difícil determinar, mas dada a diferença pontual para o 24º - HongKong - por melhor que o resultado seja a selecção portuguesa deve manter o seu lugar actual. Num jogo que conta para duas competições - RE Trophy e apuramento para o Mundial 2019 - a vitória tem notória importância e representará um aconchego de oxigénio nas nossas pretensões.


A previsão dos resultados internacionais - em vitórias e por diferenças de pontos - é apresentada na tabela acima e onde se prevêem apenas três derrotas das equipas que jogam em casa. E duas delas por uma diferença de pontos tão pequena - 3 pontos - que qualquer resultado pode acontecer. O mesmo se passa aliás com algumas vitórias que mostram resultados tradutores do equilíbrio competitivo entre as duas equipas adversárias.

Fim-de-semana rugbístico em cheio onde não vai sobrar tempo para ver jogos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

USO ABUSIVO DOS BARBARIANS


O Barbarian Football Club, clube de convites cuja única exigência consiste na qualidade do jogador e do seu comportamento, nasceu em 1890 e tem como lema o conceito do Reverendo W.J.Carvey que jogou pelo clube em 1896: o rugby é um jogo para cavalheiros de qualquer classe mas não para maus desportistas seja qual for a sua origem. Em 1979, procurando imitar o conceito britânico,  nasceu o Barbarian Rugby Clube - os French Barbarians - que teve em Jean-Pierre Rives um dos seus fundadores que definiu a sua essência como uma filosofia, um espírito. Espírito de liberdade e de fraternidade que se traduz numa maneira de ser e de se comportar. Ataque e risco são os seus princípios do jogo e os jogadores que pode convidar estão circunscritos ao Top 14 francês e, como os originais Baa-baas, mantém a tradição do uso das meias do clube de cada jogador como equipamento oficial.


No início desta época a direcção da Federação Francesa de Rugby, comandada pelo sr. Laporte,. decidiu definir a equipa dos Barbarians Franceses como a 2º equipa federativa. O que e de acordo com a definição da World Rugby significa que qualquer jogador que faça uma jogo oficial pelos Barbarian Franceses ficará vinculado, em termos internacionais, à Federação Francesa de Rugby. Ou seja: não poderá representar outro país em termos de competições internacionais.

Ora esta posição, violando os princípios que nortearam o nascimento destes clubes de convites - parece ser um truque - reles, aliás! - para "prender" jogadores estrangeiros que jogam em França uma vez que - e bem! - a Federação francesa decidiu - à semelhança da lei existente em Portugal - que a presença nas selecções francesas só seria possível para cidadãos franceses, não se aplicando portanto a lei da federação internacional dos 36 meses de residência.

Assim, na versão francesa e pelo sim pelo não, "convida-se" um jogador para os Barbarians Franceses e garante-se que o seu futuro fica, desde logo, controlado pela estrutura federativa francesa. O que se traduzirá num evidente prejuízo para os países que vêem na colocação dos seus jogadores no campeonato profissional francês uma vantagem para o seu desenvolvimento competitivo internacional. E, no fundo, o interesse sobrepõe-se aos valores!

O antigo internacional francês e adepto incondicional do espírito Barbarian, Jean-Pierre Rives, veio a terreiro denunciar a quebra dos valores do clube pela federação francesa neste utilitário recurso de "selecção B". Veremos o que dirá a "casa-mãe" britânica por esta abusiva utilização de um nome que tem um significado muito próprio no mundo do rugby internacional.

A não ser que se junte ao formal "o que parece, é" a interesseira postura trumpiana dos factos alternativos.

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