Que dizer de uma competição desportiva que para definir o vencedor espera até ao último momento da última jornada? A resposta é que se trata de uma super competição que tem os seus adeptos agarrados às bancadas e aos ecrãs das televisões até ao último momento. Neste Super Saturday de 3 jogos marcaram-se 29 ensaios com 933 placagens tentadas das quais 118 foram falhadas numa taxa de sucesso de 89% e com 421 vezes de ultrapassagens da linha-de-vantagem. Uma festa de bom rugby com grande intensidade e do princípio ao fim.No Irlanda-Escócia que colocava o vencedor com hipótese de, dependendo do resultado dos franceses, vencer o Torneio e com uma das duas equipas com possibilidades de conquistar a Triple Crown por vitórias sobre as outras três equipas britânicas pode imaginar-se a determinação com que os jogadores se entregaram ao jogo. E foi um jogo muito interessante que vale a pena ver e mesmo rever. Porque com um domínio territorial de 51% para os vencedores e com o resultado final com uma diferença de 22 pontos, pode-se aprender muita coisa sobre a estratégia e tácticas do jogo. No final do jogo os irlandeses, como o devem fazer muito poucas vezes, apoiavam os ingleses na esperança de uma vitória que lhes desse o título — e à medida que o jogo ia correndo muitas saúdes de Guiness na mão se fizeram, com certeza, ao ecrã da televisão que transmitia o jogo de Paris.
No Gales-Itália o que estava em causa era perceber se a melhoria das capacidades que as equipas vinham demonstrando era sustentável. E se Gales manteve a demonstração da sua capacidade defensiva como já o tinha feito contra a Escócia, conseguiu ainda mostrar eficácia atacante e vencer um jogo depois de 3 anos de derrotas sucessivas no Torneio. E para além da vitória ficará na memória um soberbo drop de Edwards de alguns 45 metros. As bancadas de Cardiff agradeceram e prepararam-se para os festejos da vitória. Aos italianos não restou mais do que o saberem que não ficariam em último lugar da classificação…
Que jogão o França-Inglaterra! Boas jogadas, boas surpresas, muita expectativa mas com um erro brutal que demonstra uma enorme falta de respeito pelos espectadores — quer os em directo quer os televisivos. Que raio de ideia foi aquela de usar camisolas que mal se distinguiam? Porque eram idênticas às que foram utilizadas há 120 anos no 1º jogo entre ambos?! Como nenhuma comemoração deve pôr em causa os direitos das pessoas, bastaria comemorar utilizando os equipamentos até ao final dos hinos e depois serem trocados (lembram-se do CDUP-CDUL?) por camisolas com cores distinguíveis quer por espectadores com boa capacidade de visão quer pelos espectadores daltónicos. A falta de respeito é inadmissível — e foi autorizado pela Rugby Union e Rugby Europe.
Com 4 ensaios (espantoso!) marcados pelo supersónico Bielle-Biarrey construídos com três assistências de Dupont e uma de Ramos, tiveram permanentes alterações (foram sete) de comando do resultado — no final do 1º quarto com 14-7 para os franceses, ao intervalo estava 24-27 para os ingleses para à entrada do 4º quarto do jogo se atingiram 38-39 favorável aos ingleses. à entrada dos 5 minutos finais o marcador definia 45-39 para os franceses mas aos 78’ os ingleses passam para o comando com 46 pontos. Mas enquanto em Dublin o entusiasmo crescia, os franceses não desistiam e com a sua atitude conquistadora obrigaram os ingleses à falta — cometeram duas que embora a transmissão televisiva não fizesse qualquer repetição, elas existiram e foram uma placagem-alta de Davison ou Chessum e um Toque-para-a-frente Deliberado de Itoje — e Ramos fez, com o seu acerto habitual, o resultado final de 48-46.
Como final de um muito bom 6 Nações este Super Saturday foi uma grande homenagem ao Rugby num dia a recordar.