segunda-feira, 16 de março de 2026

LOBOS VENCEM O RUGBY EUROPE CHAMPIONSHIP



Ao vencer a Géorgia por 19-17, Portugal conquistou o Rugby europe championship 2026.

numa exibição marcada por uma muito boa prestação individual — foi pena que o colectivo das linhas atrasadas não se tivesse mostrado à altura das qualidades que lhe reconhecemos — e onde uma defesa resiliente, com uma atitude permanente de combate, elevado espírito de sacrifício, muito empenho e embora sofresse 3 ensaios contra apenas 1 marcado, conseguiu defender a linha de ensaio com 130 placagens num sucesso de 90% de eficácia. E fizeram um quase totalmente eficaz aproveitamento da indisciplina adversária, marcando 4 penalidades em seis diponíveis. 

Como se costuma dizer, uma final não se joga, ganha-se… e foi o que a equipa de portugal fez para Vinte e dois anos depois derrotar a geórgia e conquistar de novo o título. Parabéns, Lobos!



 


domingo, 15 de março de 2026

FRANÇA VENCEDORA DO 6 NAÇÕES 2026


 Que dizer de uma competição desportiva que para definir o vencedor espera até ao último momento da última jornada? A resposta é que se trata de uma super competição que tem os seus adeptos agarrados às bancadas e aos ecrãs das televisões até ao último momento. Neste Super Saturday de 3 jogos marcaram-se 29 ensaios  com 933 placagens tentadas das quais 118 foram falhadas numa taxa de sucesso de 89% e com 421 vezes de ultrapassagens da linha-de-vantagem. Uma festa de bom rugby com grande intensidade e do princípio ao fim.

No Irlanda-Escócia  que colocava o vencedor com hipótese de, dependendo do resultado dos franceses, vencer o Torneio e com uma das duas equipas com possibilidades de conquistar a Triple Crown por vitórias sobre as outras três equipas britânicas pode imaginar-se a determinação com que os jogadores se entregaram ao jogo. E foi um jogo muito interessante que vale a pena ver e mesmo rever. Porque com um domínio territorial de 51% para os vencedores e com o resultado final com uma diferença de 22 pontos, pode-se aprender muita coisa sobre a estratégia e tácticas do jogo. No final do jogo os irlandeses, como o devem fazer muito poucas vezes, apoiavam os ingleses na esperança de uma vitória que lhes desse o título — e à medida que o jogo ia correndo muitas saúdes de Guiness na mão se fizeram, com certeza, ao ecrã da televisão que transmitia o jogo de Paris.

 No Gales-Itália o que estava em causa era perceber se a melhoria das capacidades que as equipas vinham demonstrando era sustentável. E se Gales manteve a demonstração da sua capacidade defensiva como já o tinha feito contra a Escócia, conseguiu ainda mostrar eficácia atacante e vencer um jogo depois de 3 anos de derrotas sucessivas no Torneio. E para além da vitória ficará na memória um soberbo drop de Edwards de alguns 45 metros. As bancadas de Cardiff agradeceram e prepararam-se para os festejos da vitória. Aos italianos não restou mais do que o saberem que não ficariam em último lugar da classificação…

Que jogão o França-Inglaterra! Boas jogadas, boas surpresas, muita expectativa mas com um erro brutal que demonstra uma enorme falta de respeito pelos espectadores — quer os em directo quer os televisivos. Que raio de ideia foi aquela de usar camisolas que mal se distinguiam? Porque eram idênticas às que foram utilizadas há 120 anos no 1º jogo entre ambos?! Como nenhuma comemoração deve pôr em causa os direitos das pessoas, bastaria comemorar utilizando os equipamentos até ao final dos hinos e depois serem trocados (lembram-se do CDUP-CDUL?) por camisolas com cores distinguíveis quer por espectadores com boa capacidade de visão quer pelos espectadores daltónicos. A falta de respeito  é inadmissível — e foi autorizado pela Rugby Union e Rugby Europe.

Com 4 ensaios (espantoso!) marcados pelo supersónico Bielle-Biarrey construídos com três assistências de Dupont e uma de Ramos, tiveram permanentes alterações (foram sete) de comando do resultado — no final do 1º quarto com 14-7 para os franceses, ao intervalo estava 24-27 para os ingleses para à entrada do 4º quarto do jogo se atingiram 38-39 favorável aos ingleses. à entrada dos 5 minutos finais o marcador definia 45-39 para os franceses mas aos 78’ os ingleses passam para o comando com 46 pontos. Mas enquanto em Dublin o entusiasmo crescia, os franceses não desistiam e com a sua atitude conquistadora obrigaram os ingleses à falta — cometeram duas que embora a transmissão televisiva não fizesse qualquer repetição, elas existiram e foram uma placagem-alta de Davison ou Chessum  e um Toque-para-a-frente Deliberado de Itoje — e Ramos fez, com o seu acerto habitual, o resultado final de 48-46.

Como final de um muito bom 6 Nações este Super Saturday foi uma grande homenagem ao Rugby num dia a recordar.

sábado, 14 de março de 2026

SEIS GEORGIANOS FORA DA FINAL


 A Final do Men’s Rugby Europe Championship 2026 que se realiza no próximo domingo 15/Março está marcado desde já pelo facto de existir uma acusação — confirmada em investigação da WADA e World Rugby através da Operação OBSIDIAN— sobre 6 jogadores e 1 membro do staff georgiano de terem substituído amostras de urina em exames realizados fora da competição a que se juntaram falhas graves da agência antidopagem georgiana, nomeadamente realizando avisos prévios e tendo falta de monitorização e realização de falsificações. Daqui resultam sanções individuais sobre os jogadores envolvidos para além do impacto na reputação e integridade dos orgãos georgianos envolvidos mas não tendo impacto nos resultados obtidos desde então. E que consequências tem estes factos no jogo da final do próximo domingo entre a Geórgia e Portugal: que os jogadores envolvidos — dos quais se desconhecem os nomes mas que a autoridade responsável pela organização do jogo, a Rugby Europe, conhece — não poderão fazer parte da ficha do jogo mas nada impede  que a Final se realize e as questões em causa terão continuidade sob o poder judicial da World Rugby, Rugby Europe e Wada.

Quanto ao jogo a Geórgia é, de novo, a principal favorita à vitória final mas Portugal — se a equipa fôr capaz de conquistar o volume de bolas necessário à produção de um jogo-de-movimento que obrigará os georgianos a uma  organização a que não estão habituados. Para que esta estratégia seja possível é, no entanto, necessário que a condição física dos Lobos esteja à altura dos desafios que o combate exigirá e, nomeadamente, na capacidade de libertar a bola em tempo reduzido — menos de 3 segundos — nos rucks da sua responsabilidade.

Como se pode ver no quadro, a vantagem histórica competitiva da Geórgia dá-lhe a perspectiva da vitória por uma diferença favorável de 11 pontos — mas, dentro do campo, as questões podem alterar-se…Veremos e esperemos que os Lobos sejam capazes de chegar à vitória.

No jogo que disputa o 3º lugar, a Espanha apresenta-se, frente à Roménia, como favorita e com a vantagem de jogar “em casa”.

sexta-feira, 13 de março de 2026

DESCOBRIR O VENCEDOR DO 6 NAÇÕES


 Última jornada sem vencedor definido: se a Escócia ganhar à Irlanda ficará com 20 ou 21 (bónus) pontos e ainda terá direito à Triple-Crown por vencer as três equipas britânicas; se ganhar a Irlanda, para além também da Triple-Crown, somará 18 ou 19 pontos. Se a França, no designado “Crunch”, ganhar, depois do banho escocês, à Inglaterra, somará 20 ou 21 pontos. No entanto se a França ganhar com ponto de bónus, como quererá fazê-lo para mostrar que Murrayfield foi apenas um azar sem repetição possível e, graças à sua relação Marcados/Sofridos de 79 pontos, será a vencedora do Torneio. E resta um jogo que, embora não tire Gales do último lugar com a atribuição da colher-de-pau, será um enorme combate pela vitória com demonstração da melhoria competitiva quer de galeses quer de italianos que, depois da vitória sobre os ingleses, têm o papel de principais favoritos mas, num jogo que se disputa em Cardiff, os galeses tudo farão para, finalmente, chegarem à vitória, dando ao jogo uma enorme expectativa. E, é claro, o Irlanda-Escócia promete a qualidade do jogo-de-movimento que tem sido a qualidade de ambas e terá ainda a grande intensidade pela hipótese de vitória no Torneio de qualquer das equipas ficando a vencedora à espera do resultado posterior do França-Inglaterra.

Como os jogos se disputam todos no sábado, será mais um dia de sofá e olhos na televisão. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

LOBOS NA FINAL

Os Lobos, ao vencerem Espanha por 26-7, conquistaram a presença na Final da Men´s Rugby  Europe Championship 2026, onde defrontará a Geórgia que venceu a Roménia por 53-30.

Embora se esperasse um jogo de grande equilíbrio competitivo, não foi isso que aconteceu — a Espanha não tinha marcado nenhum ponto até aos 65 minutos e com Portugal a conseguir nesse período 23 pontos. Ou seja e com menos de 1/4 de jogo para jogar a Espanha — inesperadamente, mantinha-se a zero, mostrando uma muito inesperada incapacidade que tinha como principal razão o objectivo de, a cada conquista de bola, limitar o seu movimento a uma adivinhável colisão directa, ignorando qualquer hipótese de manobra que pudesse desequilibrar a defesa portuguesa e procurando chegar ao chão tão rápido quanto possível — evitando a perda de bola para formação-ordenada — para recomeçar de novo em colisões e pretendendo garantir assim uma continuidade do movimento a tracejado que é uma forma que dá vantagens aos defensores como demonstrou a capacidade defensiva portuguesa. Repare-se que os Leones, apesar de terem ganho 109 rucks só obrigaram nas 205 paragens realizadas pelos portugueses — a, de acordo com a definição das Leis do Jogo, 46 placagens. Ou seja, com 62% de posse a ultrapassagem espanhola da linha-de-vantagem foi quase nula e traduziu-se em apenas 7 rupturas com a grande maioria delas dentro do seu próprio meio-campo. E Portugal com apenas 38% de posse, conseguiu marcar 2 ensaios e explorou bem a indisciplina espanhola que “ofereceu” 4 penalidades transformáveis 

O Homem-do-Jogo, Rodrigo Marta, marcou os dois ensaios portugueses, demonstrando uma excelente capacidade de domínio das situações que defrontava com a boa sequência análise-decisão-acção que lhe permitiu em ambas as vezes verticalizar o ataque ao intervalo — então o 2º ensaio, numa bela jogada colectiva, demonstra uma notável capacidade sequente da referida tríade.

A verem os Lobos a derrotarem os Leones estiveram, ombro-a-ombro, Tomaz  Morais, Dídio Aguiar, Vasco Lynce, Pedro Lynce e João Paulo Bessa, cinco antigos internacionais e treinadores que conquistaram 10 Campeonatos Nacionais e 6 Taças Ibéricas com 4 destes terem ainda sido Seleccionadores Nacionais de Quinze com dois a terem sido também Seleccionadores Nacionais de Sevens.                                        (Foto de Inês Morais).

Mas não se pense que os Lobos fizeram um bom jogo — aliás exploraram mal as vantagens que foram tendo jogo fora, nomeadamente na utilização do jogo-ao-pé em que, chutando por 36 vezes (os espanhóis chutaram 17), tomaram decisões desnecessárias, entregando directamente a maior parte das bolas aos adversários — apenas uma vez um chuto curto explorou o enorme espaço que os espanhóis deixavam entre o seu meio-campo e o três-de-trás. Outras vezes o apoio nem sempre se posicionou de acordo com a situação que enfrentavam, baseando-se muito num jogo  lateralizado.

É claro que o mais importante era a vitória e essa foi conseguida — PARABÉNS! — mas é preciso um jogo mais de acordo com o modelo de jogo-de-movimento para defrontar a Geórgia. Esperemos que nesta semana seja possível corrigir esses pontos que têm mais a ver com os campos psicológicos, de atitude ou de exigência, do que com a técnica. Que a estratégia se corrija e possa comandar a visão da equipa.


sábado, 7 de março de 2026

VENCEDOR SÓ NA ÚLTIMA JORNADA


Nesta 4ªJornada do 6Nações 2026 houve resultados surpreendentes em bons jogos com características estratégicas-táctico-técnicas muito interessantes.

No Irlanda-Gales com um resultado previsível mas com uma diferença de pontos de jogo muito menor (10) do que a previsão (37) teve — numa relação de 4 para 2 ensaios —no entanto pontos de muito interesse e que merecem atenção: o ensaio do pilar galês Rhys Carre (1,91m para 129 kg) num fabuloso sprint depois de evitar uma placagem adversária por desvio e hand-off  (a rever!); as 209 placagens eficazes em 240 tentadas que faz do número da eficácia um recorde de jogo — até ao momento — neste Torneio de 2026.

Na espécie de 1ª final que foi o jogo de Murrayfield entre a Escócia e a França — lembre-se que se a vitória fosse francesa com ponto de bónus, haveria vencedor antecipado — que, com um total de 13 ensaios, teve um resultado que não é habitual com as 5 e 4 dezenas de pontos para um lado e outro (50-40!?, como é possível?). A França fez 165 placagens eficazes em 200 tentadas mas a Escócia com 127 rucks num sucesso de 100% , foi quem tirou o melhor partido do jogo no chão a que se juntou um sucesso de 93% de sucesso nos alinhamentos e 100% nas formações-ordenadas. A isto a França juntou 10 penalidades contra 4 dos escoceses numa vitória mais do que merecida. E assim a 5ª e última jornada será decisiva na determinação da equipa vencedora.

No último jogo da jornada o resultado menos esperado: vitória da Itália sobre a Inglaterra com 2 ensaios para cada equipa e com os ingleses com mais posse e domínio territorial (53%) e com mais 29 ultrapassagens da linha-de-vantagem mas a que as 103 placagens eficazes italianas chegaram como resposta. Olhando a totalidade das estatísticas a Inglaterra tem sempre valores superiores mas a elevada atitude de combate dos italianos, a sua velocidade de reorganização defensiva e de encurtamento do espaço de manobra, conseguiram neutralizar um eficaz uso da bola dos ingleses. Naturalmente que, no final do jogo, o Estádio de Roma “explodiu” de contentamento a denunciar uma enorme borga, noite fora na cidade romana.


sexta-feira, 6 de março de 2026

FIM-DE-SEMANA DE SOFÁ E RESTELO

No final desta 4º jornada, o 6Nações 2026 pode ter o seu vencedor definido se a França vencer a Escócia em Murrayfield com ponto de bónus. Caso a França não consiga os 5 pontos, o 6Nações terá a sua decisão na última jornada uma vez que a Irlanda, jogando agora com Gales e fechando em casa com a Escócia pode, matematicamente, atingir os 10 pontos necessários para um empate classificativo com os franceses, tendo então, para determinar o vencedor, de recorrer às regras de desempate pela seguinte ordem: 1) maior diferença de pontos entre marcados e sofridos (a França aqui com a larga vantagem de 89 pontos de diferença contra 10 da Irlanda); 2) número superior de ensaios marcados, incluindo ensaios de penalidade (18 ensaios franceses contra 10 irlandeses)  — dados que mostram a França como mais provável vencedor deste 6Nações 2026. Caso as equipas continuem empatadas depois da aplicação das regras de desempate, serão classificadas igualmente e partilharão o titulo.

Se o jogo de hoje, Irlanda-Gales, deverá ter um vencedor previsível, o jogo dar-nos-á a possibilidade de perceber se a melhoria galesa continua no bom caminho. Para amanhã teremos um Escócia-França que poderá decidir o título do actual torneio e um Itália-Inglaterra que também nos permitirá ver a continuidade da evolução italiana.


No domingo jogam-se as meias-finais do Europe Championship 2026 com um jogo fácil para a Geórgia que defrontará a Roménia (que Portugal derrotou por 44-7) enquanto que a Portugal, no Estádio do Restelo, cabe o difícil jogo contra a Espanha que exigirá dos Lobos uma demonstração de jogo-de-movimento com a preocupação de manter a bola viva — evitando, tanto quanto possível, a quebra da continuidade com idas ao chão — para, avançando, garantir a continuidade do movimento com o objectivo imediato de ultrapassagem da linha-de-vantagem e lembrando sempre que a manobra — feita de um permanente apoio adaptativo — precede a colisão procurando criar espaços que permitam quebras-de-linha. Num jogo que se prevê de grande intensidade, o factor-casa com o apoio que se prevê para o Restelo, poderá ajudar muito os jogadores portugueses a realizar a tarefa que todos pretendemos: atingir a vitória. Boa sorte!



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