quarta-feira, 20 de março de 2019

PORTUGAL ISOLA-SE NO TOPO DA CLASSIFICAÇÃO


 Com a vitória sobre a Suíça com ponto de bónus, Portugal, com menos um jogo, coloca-se em primeiro lugar da Classificação Geral e, assim e dados os adversários que lhe faltam defrontar — R. Checa e Lituânia — amplia a sua expectativa de disputar o play-off de acesso ao Rugby Europe Championship. Play-off para o qual já está definida a Alemanha, que ficou em último lugar na tabela do Championship que já terminou.

Do jogo não vale a pena falar. Foi um jogo contra uma equipa fraca e onde os jogadores portugueses não estiveram isentos de erros e desperdícios apesar dos sete ensaios marcados. No fundo, um jogo sem qualidade competitiva e que não serve de preparação técnica, táctica ou psicológica para jogos de melhor nível.
Actual Classificação do Rugby Europe Trophy

segunda-feira, 18 de março de 2019

CARTA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA FPR

[carta enviada aos dois candidatos à presidência da FPR]

Meus Caros Amigos

Estou, como já vos transmiti, muito preocupado com a actual situação do nosso Rugby. Quer por razões desportivas — a qualidade e competitividade deixam muito a desejar como demonstra a nossa presença na 3.ª divisão europeia — quer por razões éticas — gastámo-nos na ideia propagandística dos valores que pretendemos únicos do Rugby e atingimos níveis comportamentais inadmissíveis como diversos tipos de violência dentro e fora do terreno-de-jogo ou insultos a uns e outros, comportamentos desadequados, ameaças e desrespeitos constantes a árbitros e aldrabices intoleráveis com falsos preenchimentos de documentos e trocas de identidades. Ou seja, a nossa comunidade rugbística atingiu um tal ponto desportivo negativo que é urgente alterar o rumo das coisas para que possamos encontrar novos patrocinadores, para que o respeito social pela modalidade seja real e para que resultados objectivos e visíveis surjam com a presença permanente dos valores do Desporto, garantindo assim, para além do desenvolvimento do rendimento desportivo, a construção de uma melhor integração social e adequada cidadania ás responsabilidades para que nos voluntariamos.

Na actual situação — em que a perda de posições nas instâncias internacionais não nos permite a obtenção sustentada dos apoios necessários ao nosso desenvolvimento qualitativo — e até que seja possível a organização e formatação da modalidade de acordo com os princípios da ética e competitividade desportivas, é necessário encontrar soluções que, detectando os nós da organização, permitam agir de forma a garantir um compromisso global da comunidade rugbística portuguesa que, em unidade de acção, permita articular o Rugby com os desenvolvimentos internacionais da modalidade e com as preocupações e regras do sistema desportivo nacional e internacional. 

Penso que a melhor solução para enfrentar a situação muito complicada que atravessamos consiste em não permitir o desenvolvimento de uma qualquer oposição que se possa servir do facto de haver vencedores e vencidos eleitorais, mantendo essa desunião como plataforma agregadora de meros interesses e assim impedir a construção do caminho da reabilitação.

A vossa disponibilidade para se candidatarem à direcção da FPR representa um acto de coragem e altruísmo que reconheço e agradeço e que demonstra a vossa preocupação pela melhoria da modalidade para que outros possam usufruir dos prazeres e transformações que ela possa proporcionar. 

Assim sendo, apelo à vossa vontade e à clara noção de responsabilidade que vos move para que se juntem numa mesma única lista que, para além de fazer — melhorando a imagem social do Rugby — uma demonstração pública que é possível colocar acima dos interesses distorcidos que muitas vezes surgem colados à actividade desportiva, o superior interesse da modalidade e das suas responsabilidades públicas. O Rugby português e a sua imagem ganhariam com isso.

Juntos, com a experiência federativa de um e a capacidade de inovar na área da comunicação e do marketing bem como o conhecimento do jogo do outro, poderão estabelecer as condições necessárias para que a FPR possa cumprir as obrigações desportivas de utilidade pública que lhe competem. E colocar o Rugby português no patamar que o qualifique.

A junção das vossas vontades irá, estou certo, possibilitar a união que garantirá que divergências de opinião ou ideias diferentes se mostrem com a dignidade que a 
cidadania exige e que não se acobertarão, enquanto entrave, na comodidade de uma qualquer plataforma de oposição.

Renovo o apelo: juntem-se numa mesma lista! 

O Rugby português agradecerá e todos nós que temos uma vida ligada à modalidade, vos ficaremos gratos e, não receio afirmá-lo, estaremos disponíveis para a ajuda que for entendida como necessária.

Com amizade e na esperança da vossa união numa única lista que garanta a conjugação das vontades numa missão colectiva de engrandecimento do Rugby português, um grande e oval abraço do
João Paulo Bessa

(Treinador de Rugby do III Grau e Membro da Comissão Consultiva de Treinadores do Comité Olímpico de Portugal)

GALES NUM DIA INESQUECÍVEL

Excelente vitória de Gales numa tripla de se lhe tirar o chapéu  — Torneio das 6 Nações, Grand Slam, Triple Crown a que se acrescenta a novidade do 2.º lugar no ranking da World Rugby. Cinco vitórias seguidas em cinco jogos em casa e fora é um feito que exige uma equipa coesa e consistente. Não se ganha um Grand Slam por sorte mas por eficácia defensiva e atacante.
Gales marcou 10 ensaios e sofreu 7 para conseguir uma quota de pontos marcados de 64% e garantiu que as suas capacidades ofensivas eram suficentes com as 837 placagens numa taxa de sucesso de 89%. Ou seja e como primeira lição desta tripla: os campeonatos ganham-se marcando mais pontos do que o adversário — o que tem como consequência garantir que a defesa é suficiente para garantir que o adversário marcará menos. E Gales garantiu isso, não se mostrando nada preocupado em que a sua quota de pontos marcados demonstrasse uma enorme superioridade em relação aos seus adversários. Conseguir resultados positivos, ganhar, é tudo que uma equipa precisa para ganhar campeonatos.
A segunda lição desta notável conquista diz respeito à existência de um capitão à altura às circunstâncias e Alun-Wyn Jones foi esse capitão. E um grande capitão não é apenas aquele que fala com o árbitro durante o jogo, tão pouco aquele que dirige estratégica e tacticamente a equipa, tomando decisões — postes ou maul penetrante? — que têm importância no resultado final do jogo ou que, pela sua atitude e exemplo, arrasta companheiros para conseguir a melhor e mais capaz prestação competitiva da sua equipa. Um capitão é muito mais do que isso, representa, dentro e fora do campo, antes, durante e depois do jogo a Cultura que formata a sua equipa. E o galês Alun-Wyn Jones, um exemplar guerreiro, tem essas características como mostra a fotografia abaixo. Um exemplo modelar de capitão.
Por decisão dos responsáveis irlandeses a cobertura do Principality Stadium não foi fechada. E   choveu bem em Cardiff.

Quando tocaram os hinos — emocionante um tradicional “Hen Wlad Fy Nhadau (Old Land of My Fathers)” com o coro das bancadas dirigido, do centro do campo, pelo regente da banda — chovia a bom chover. Um miúdo transportava a bola de mão dada com o capitão. Alun-Wyn Jones percebeu o seu desconforto com a chuva que caía, tirou o blusão, cobriu o rapaz e continuou a cantar o hino com o fervor de uma última vez.

Terceira lição: uma equipa técnica, formada por Warren Gatland e Shaun Edwards, que os jogadores respeitam e que é muito capaz na motivação  — “aproveitem esta oportunidade que pode não surgir outra vez” — na estratégia, na táctica e na técnica. Como ficou demonstrado no ensaio marcado e que abriu o caminho da vitória.

O rugby é um desporto colectivo de combate e deve, por isso, subordinar-se aos princípios estratégicos do combate. Sun Tzu dizia: “o desconhecimento do local de combate por parte do inimigo fá-lo preparar-se para um possível ataque em vários locais, forçando-o a distribuir as suas forças por vários pontos, enfraquecendo-se.”, Clausewitz afirmava que “a surpresa é o princípio mais eficaz para obter a vitória” a que se junta a voz do treinador defensivo galês, Edwards, para lembrar que “os grandes jogos são definidos por tácticas, não por ideais”. E assim foi...
...a partir de um maul penetrante dentro dos 22 adversários seguiram-se duas penetrações próximas para avançar e aproximar da área de ensaio irlandesa, obrigando os defensores a tomar decisões.

Assim, o formação Conor Murray teve que avançar para a linha defensiva do lado fechado — questão de igualar atacantes — e o defesa Rob Kearney teve que tomar a decisão de também subir para cobrir a introdução na linha atacante do lado aberto do defesa galês, Liam Williams. Qualquer destes dois defensores ficou assim sem possibilidades de garantir a cobertura da área de ensaio e, com estas acções e movimentos da equipa atacante, o terreno da área dos cinco metros e da área de ensaio ficou livre de defensores e o preciso pontapé curto de Ascombe permitiu ao lançado Hadleigh Parkes, apoiado por Jonathan Davies, captar a bola para fazer o ensaio. Depois foi ver uma permanente e organizada pressão defensiva, com os jogadores a avançar lançados para a corrida de conquista da linha de vantagem e impedir assim encadeamentos adversário, levando-os a cometer as oito penalidades que permitiram as seis penalidades transformadas em dezoito pontos. Em todos os casos o resultado de um treino objectivo e adequado aos propósitos estratégicos previamente determinados. Um dia inesquecível para os galeses e seus adeptos.


Em Roma, a França não deu qualquer espaço para melhorar a desconfiança dos seus adeptos num Mundial vitorioso enquanto que a Itália, mostrando uma enorme falta de maturidade, deixou fugir a vitória que lhe retiraria a Colher de Pau.

Em Twickenham, a enorme surpresa. Chegando ao intervalo a vencer por 31-7, a Inglaterra apanhou o susto da época ao ver os escoceses marcarem mais cinco ensaios para, se colocarem, a cinco minutos do fim, a vencer 38-31. Valeu para diminuir o embaraço inglês um ensaio de George Ford aos 83’ para acabar num inesperado empate de 38-38. Uma festa de onze ensaios.

Daqui para a frente e em termos de jogos-teste, restam-nos um Championship do outro lado do mundo e alguns jogos de preparação para alimentar as expectativas do Mundial do Japão.







sexta-feira, 15 de março de 2019

PORTUGAL FAVORITO CONTRA A SUIÇA



Neste jogo contra a Suiça e apesar de ser fora, Portugal é favorito. E é favorito porque sim — porque tem mais experiência, porque tem hábitos competitivos internacionais mais elevados, porque
 tem melhores resultados — e porque o histórico o coloca em posição superior do ranking da World Rugby — 9 lugares de diferença. De acordo com o histórico, sabendo-se que estas previsões valem o que valem, Portugal ganhará por 7 pontos de diferença.Vitória que não lhe permitirá ainda, seja por que margem for, subir no ranking e ultrapassar a Namíbia.
A Suíça, com uma derrota (Holanda) e uma vitória (R. Checa), está a procurar organizar o seu rugby — com cerca de 5000 federados —de forma a torná-lo internacionalmente mais competitivo. Para já tem nos 23 seleccionados, 14 jogadores habituados ao rugby francês dos campeonatos de nível secundário  — o que obrigará a atenções redobradas por parte dos seleccionados portugueses. Concentração, disciplina  e empenho são os ingredientes necessários para juntar uma décima vitória às anteriores — tantas quantos os jogos disputados  — nove vitórias. Vitória que é, naturalmente, necessária para as pretensões portuguesas de acesso à divisão superior do Championship europeu.


quinta-feira, 14 de março de 2019

6NAÇÕES - PREVISÕES PARA A ÚLTIMA JORNADA

Tudo se vai decidir na última jornada: vencedor do Torneio, vencedor do Grand Slam, vencedor da Triple Crown e Colher de Pau. E só Gales tem a possibilidade — para o que lhe basta vencer o jogo, em Cardiff, contra a Irlanda — de conseguir a tripla. A Itália tem, em Roma e se derrotar a França, a  possibilidade, embora mantendo o último lugar, de evitar a Colher de Pau.
As probabilidades, como se pode ver no quadro, são muito pouco assertivas para o jogo de Gales — a australiana QBE e o seu super computador consideram que as probabilidades são de 50%, acabando por considerar que os irlandeses terão vantagem final. Nos outros dois jogos, ingleses e franceses carregam todo o favoritismo.
Com estas expectativas todas pela definição do vencedor final, o próximo sábado vai ser de sofá. E o Gales-Irlanda será de primeira escolha. 
Como se comportará a defesa galesa perante as simples mas muito eficazes combinações irlandesas? E qual das duas equipas melhor aproveitará o jogo ao pé? — a excelente novidade galesa de que Liam Williams poderá jogar, poderá também fazer a diferença. E nos maul-penetrantes quem levará a melhor: a excelente organização defensiva do bloco avançado de Gales ou as poderosas combinações do bloco irlandês? Jogo de todas as apostas e a não perder.
Em Twickenham, na tradicional Calcuta Cup, a Inglaterra que já saberá o resultado do Principality Stadium, dará uma demonstração daquilo que realmente vale o seu colectivo se o jogo for apenas para cumprir calendário. Mesmo estando sempre em jogo o prestígio da taça em disputa anual com os escoceses, se Gales tiver vencido em Cardiff, os jogadores ingleses demonstrarão, pelo grau de atitude posta em campo, o nível qualitativo da coesão da sua equipa e, portanto, o grau de pretensões objectivas para o próximo Mundial.
Como se vê pelo quadro abaixo, a vitória no Torneio está dependente dos resultados. Se Gales ganhar, fica o caso arrumado; se perder, a vitória no Torneio dependerá do resultado que Irlanda e Inglaterra tenham conseguido — o que dá uma voz à Escócia que tem neste jogo a possibilidade de demonstrar que não pretende continuar a ser mero figurante do mais alto nível internacional e, assim, marcar posição nas mudanças que se discutem para o futuro da modalidade.
Um fim‑de‑semana rugbísticamente em cheio!
QPM- quota de pontos marcados; %V- percentagem de vitórias





terça-feira, 12 de março de 2019

6NAÇÕES - RESULTADOS DA 4.ª JORNADA

As vitórias da 4ª jornada do 6Nações foram as esperadas e vão proporcionar uma última jornada de grande expectativa.

Se Gales ganhar o jogo em Cardiff contra na Irlanda, consegue um três em um: vencedor do Torneio com Grande Cheléme e a Triple Crown. Se perder, Inglaterra ou mesmo a Irlanda — tudo dependendo dos resultados conseguidos — podem ser vencedores do Torneio. No jogo de Roma a luta entre franceses e italianos para evitarem a “colher de pau” — último lugar só com derrotas. Três jogos decisivos e todos em sequência a partir do meio-dia-e-meia de sábado.

O Escócia-Gales teve duas partes distintas, a primeira de absoluto domínio dos galeses, a segunda com a Escócia a plantar-se no meio-campo galês e a obrigá-los a elevadas 160 placagens para defender o seu castelo. Mas o jogo deixou marcas e os galeses não poderão agora contar com a segurança da rectaguarda de Liam Williams para o jogo de sábado — e s irlandeses sabem usar o jogo ao pé. Para Gales uma primeira parte a demonstrar poder e precisão e uma segunda a mostrar a capacidade de Edwards na organização e preparação defensiva galesa — uma bom exame para sábado.

Os ingleses não tiveram dificuldades em derrotar os italianos. Pode até considerar-se que depois dos treinos controlados de Oxford com a Geórgia tiveram outro treino mais próximo do jogo para preparar o jogo da Calcuta Cup contra escoceses.

Contra uma equipa francesa que parece ter desaprendido de jogar, a Irlanda — que nunca tentou qualquer penalidade aos postes —marcou dois ensaios de se lhes tirar o chapéu. No segundo da uma dobra — com que Saxton gosta de desequilibrar defesas — mas que o facto de Ringrose lhe ter entregue a bola, rodando-a pela sua frente e mostrando-a ao adversário, fez com dois defensores franceses chocassem entre si e deixassem aberta uma avenida por onde Sexton circulou até ao ensaio.

Tão bonito de ver que a sua vista aérea o transformou numa obra-prima. No quarto a garantir ponto de bónus, uma elaboração superior com a magia de Joe Schmidt que colocou o ponta Earls no início de um alinhamento para receber, por dentro, um passe de uma espécie de peel-off e explorar o intervalo que os defensores franceses deixavam ao partirem demasiado cedo e rápido sobre o abertura irlandês. Uma maravilha de análise, de preparação e execução. E os franceses, por mais que jornalistas e antigos jogadores falassem de uma hipótese de estratégia que iria permitiria surprender os irlandeses, não conseguiram mais do que o disfarce de dois ensaios nos cinco minutos finais, mantendo no ar a mesma dúvida: com que capacidade competitiva se irão apresentar no Mundial do Japão?

Neste mesmo fim-de-semana as series dos Sevens continuaram em Vancouver, no Canadá. E não correram nada bem para as pretensões portuguesas: os espanhóis jogaram o suficiente para vencer a Nova Zelândia — são agora os 11º do ranking das World Rugby Sevens Series e nossos concorrentes à qualificação europeia para os Jogos de Tóquio. Por outro lado, a Inglaterra perdeu uma posição para os vencedores do Torneio de Vancouver, a África do Sul, e está fora dos quatro primeiros lugares o que poderá vir a colocar a Grã-Bretanha como mais um concorrente ao lugar europeu juntamente ainda com a França, a Irlanda, a Rússia, a Itália e a Alemanha...

domingo, 10 de março de 2019

GANHOU-SE E PRONTO: ESTÁ FEITO!


Ganhou-se e pronto: está feita a obrigação!... e subimos uns lugares no ranking.
Mas é bom que não nos deixemos enganar, a Holanda é apenas uma típica equipa da III divisão europeia a quem faltam conhecimentos tácticos, capacidades técnicas e que tem demasiados balofos no pack que, naturalmente, não duram o jogo todo. No final, o seu treinador mostrava-se contristado com a falta de aproveitamento das oportunidades mas satisfeito com a actuação dos seus jogadores...
Pode perguntar-se: se a equipa holandesa é assim tão fraca como a considero, como é que estava 3 lugares acima de Portugal? Porque nesta matéria o ranking é neutro e preocupa-se apenas com a tradução em pontos dos resultados obtidos entre duas equipas que não estejam separadas por um intervalo superior a 10 pontos. E Portugal jogou, perdendo e por isso diminuindo os seus pontos de ranking, contra duas equipas superiores (a Roménia no play-off da Championship e a Namíbia na janela de Novembro) enquanto que a Holanda se limitou a acumular pontos nos jogos da sua III divisão. Situação que se pode verificar com o facto de, no início da época, Portugal se encontrar no 24.º lugar com com 58,30 pontos enquanto que a Holanda estava no 27.º lugar com 56,52 pontos — diferença que não alteraria a previsão, embora por dois pontos de jogo, da derrota de Portugal a jogar em Amsterdam. Ou seja, o ranking tem um óbvio significado permitindo relacionar o histórico comparativo entre equipas mas está longe de ser a melhor das bases para prever um resultado.
Voltando ao jogo...
A selecção portuguesa começou a jogar com um forte vento pelas costas. O que recomendava — para mais com áreas de ensaio de 22 metros de profundidade — o uso do jogo-ao-pé para conquistar terreno e criar a pressão suplementar sobre o três-de-trás adversário (e é preciso qualidade elevada para que não haja erros) pela proximidade da linha-de-ensaio. Nada disso se viu trocado que foi pelo jogo de passes sem adaptação ás condições atmosféricas, num erro táctico indesculpável a que se juntaram erros técnicos na relação passador/receptor que fizeram perder dois ensaios feitos. Ao intervalo, em vez de um jogo resolvido, um 6-0 demasiado curto e perigoso para enfrentar uma equipa com o vento a favor. Valeu que a equipa holandesa não mostrou as competências para o fazer e, também e por erros tácticos evidentes, não conseguiu marcar no início da segunda-parte quando teve uma série de sequências a palmos da linha-de-ensaio portuguesa mas que se limitaram, numa situação de mais fácil defesa, ao pick-and-go resvés do agrupamento. E pelo menos mais um ensaio feito para Portugal, foi deitado fora por incapacidade técnico-táctica.
De bom para Portugal o primeiro ensaio — de Rodrigo Marta — que demonstrou na prática aquilo que se sabe: a aceleração para receber o passe com alteração do ângulo de corrida é a situação que melhor permite explorar qualquer intervalo entre os defensores. E assim foi feito, explorando mas sem continuidade, a fragilidade defensiva holandesa com os defensores a apresentarem-se demasiadas vezes com a linha-de-ancas orientada para fora.
A vitória portuguesa — e o ranking não tem a ver com a qualidade do jogo mas, repete-se, com o resultado — permitiu arrecadar 1,40 pontos e conquistar 4 lugares, passando para o 23.º lugar e colocando a Holanda no 27.º lugar. Mas podia ter sido melhor não fora uma disparatada e desnecessária indisciplina de Rebelo de Andrade que, já no final do jogo (82’), levou cartão amarelo e na falta subsequente viu a Holanda marcar o ensaio que diminuiu a diferença para menos de 15 pontos de jogo com a consequente perda de 0,70 pontos que nos colocaria em cima da Namíbia. 
Mas não vale embandeirar em arco e considerar que os resultados são muito bons e que traduzem um extraordinário trabalho de desenvolvimento. Porque o jogo demonstrou bem as dificuldades e incapacidades do rugby português. Impõe-se, portanto, reserva.
A experiência demonstra que vencer todos os jogos da Trophy — como tem a ontecido nos últimos anos — não garante coisa alguma para o jogo mais importante da época, o play-off de acesso ao Championship. A subida, para que o rugby português possa singrar e desenvolver-se competitivamente, é necessária e decisiva — sem resultados capazes, sem um programa competitivo ascendente, não haverá apoios. E o jogo de rugby em Portugal tenderá ao apagamento. Pelo que haverá que rever competições e conceitos: conceitos técnicos e tácticos, composições, comandos e responsabilidades.
No início de Abril haverá eleições e exige-se à nova direcção eleita que coloque e desde logo a sua preocupação na Selecção Nacional, dando-lhe condições para poder encarar o play-off com condições de êxito.

[nota: o jogo Holanda-Portugal foi realizado num terreno-de-jogo em de relva artificial. Ao contrário do que se passa na ignorância caseira, a nenhum jogador foi proibida a utilização de pitões de alumínio. Porque desde que de acordo com os regulamentos da World Rugby estão autorizados em tido o mundo.]

sábado, 9 de março de 2019

PORTUGAL JOGA A 1.ª ETAPA DA SUBIDA NA HOLANDA

De acordo com o histórico dos jogos efectuados e dos adversários defrontados ao longo dos anos de que resulta o ranking da World Rugby a Holanda terá, no final do jogo deste desafio a contar para o European Trophy e a disputar em Amsterdão em campo de relva artificial, a vantagem de oito pontos de jogo e, portanto e se assim for, será a vencedora. Previsões, portanto.

E se a Holanda vencer Portugal adiará por mais uma época, porque não se prevê, nos adversários que os holandeses ainda terão, qualquer possibilidade de derrota, o acesso ao Championship da divisão europeia principal, tão desejado como necessário, ficará mais uma vez adiado.

Significa que o XV de Portugal não tem hipóteses de vencer o jogo? Não, significa que, para vencer, os internacionais portugueses terão que “fazer das tripas coração” e ter “alma até Almeida”. Porque os holandeses com vitórias sobre a Polónia (49-0) e a Suiça (36-15) não serão presa fácil. Apesar de um campeonato desequilibrado com 12 equipas e com uma diferença pontual de 43 pontos entre o 1.º e o último classificados, estão rodados e apresentam jogadores nascidos em países de nível cultural rugbístico elevado.

A nossa selecção é jovem e não utiliza os portugueses que jogam em clubes estrangeiros e que são de reconhecida categoria — só Lima, castigado por razões conhecidas, não está objectivamente disponível. Sendo o que é, jovem e sem hábitos competitivos que lhe garantam a coesão competitiva necessária para encarar a cena internacional, entrega ao seu adversário principal uma possibilidade de vantagem que de outra forma não teria. E agindo assim o rugby português parece colocar-se à espera de um qualquer milagre que o coloque no caminho que já conheceu, isto é, de resultados e importância desportiva reconhecidos. O que exige, mais do que nada, vitórias. Lutemos portanto, dentro e fora do campo, por elas.

O XV inicial (com os números para que sejam reconhecíveis na transmissão que se poderá ver no site da Rugby Europe pelas 12:15 de hoje) será o seguinte:
1. João Vasco Côrte-Real (CDUP); 2. Nuno Mascarenhas (Cascais); 3. Francisco Bruno (Direito); 4. José D’Alte (Agronomia), 5. Jean Sousa (Montauban); 6. Salvador Vassalo © (Cascais); 7. João Granate (Direito); 8. Vasco Baptista (CDUL); 9. João Belo (CDUL); 10. Jorge Abecasis (CDUL); 11. António Cortes Monteiro (Agronomia); 12. Tomás Appleton (CDUL); 13. Rodrigo Freudenthal (Belenenses); 14. Rodrigo Marta (Belenenses); 15. Manuel Cardoso Pinto (Diock).
e terá como suplentes: 
16. Filipe Granja (CDUP); 17. João Moreira (Agronomia); 18. José Rebelo de Andrade (Agronomia);19. Sebastião Villax (CDUL); 20. Martim Cardoso (Agronomia); 21. Vasco Ribeiro (Agronomia); 22. Manuel Marta (Belenenses); 23. José Conde (Alcobendas).

No quadro que se apresenta em baixo mostra-se a origem clubística — em números — destes jogadores que formam a Selecção Portuguesa de Rugby e a sua relação com a pontuação classificativa do principal campeonato português.

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