sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

PERCEBO MAL

Tenho uma enorme dificuldade em perceber a organização do rugby mundial. A World Rugby, a principal responsável pelo rugby mundial, criou uma regra — que pode ser consultada na Rugby World em “Colour Blindness and Rugby - Guidelines for selecting Team Kit Colours, July 2024” em defesa dos espectadores daltónicos que, pagando bilhetes ou assinaturas televisivas como quaisquer outros, têm todo o direito em assistir aos jogos, ao vivo ou em transmissão televisiva, nas melhores condições visuais possíveis. A mesma criação de capacidade de distinção através do uso de equipamentos com as cores adequadas permite que daltónicos possam ser jogadores e atingir mesmo os níveis internacionais de Alto Rendimento.  Nesse sentido foram definidas cores de equipamentos que, juntas, não permitem a diferenciação pelos daltónicos E aí está definido que os equipamentos das duas equipas em confronto têm que garantir que os daltónicos as distinguem claramente.

É portanto conhecido, como aliás a World Rugby mostra em exemplo fotográfico, que as camisolas vermelhas e verdes convergem, na visão dos daltónicos, para tons muito semelhantes e dificilmente distinguíveis

No entanto e apesar de toda a informação, a Rugby Europe pouco se preocupou que, na final de sua responsabilidade da Rugby Europe Super Cup 2025/2026 entre os Iberians e os Lusitanos (os portugueses perderam por 42-17 com 6-2 em ensaios) e “deixou” — numa absoluta falta de respeito pelos valores que dizemos defender —que o jogo se realizasse com os espanhóis a equipar com camisola vermelha e os portugueses com camisola verde. Como dizia o outro: “quem biu,biu, quem num biu, bisse”. Sigaaaaaa.

Aliás também não percebi a organização competitiva que a Federação estabeleceu para a elite do rugby português que, aliás e como os resultados demonstraram não teve o equilíbrio que uma elite exige (nota: vale a pena estudar o designado Sistema Suiço para perceber como se podem desenvolver competições equilibradas e de grande intensidade e que permitam a aproximação às necessidades da competição internacional). Feita uma competição desequilibrada, junta-se um calendário que estabeleceu aberturas prejudiciais à boa forma dos jogadores e equipas — porque há, em Fevereiro, o internacional Europe Championship, o intervalo para as equipas portuguesas será de mês-e-meio. Ou seja, assim feito, os clubes passarão a sentir-se prejudicados ao terem que libertar os seus jogadores para a selecção (como exemplo tivemos os Lusitanos que não puderam contar com alguns jogadores pretendidos porque os seus clubes não os “libertaram”, ou seja: houve jogadores que podem ter ou vir a ter a sua carreira internacional actual ou futura, prejudicada por falha organizativa que envolve federação e clubes.)

No entanto e apesar daquilo que pode ser considerado como erro organizativo por falha de princípios, surgiu uma acção federativa que merece aplauso: a Federação decidiu, tendo em atenção a meteorologia que se adivinha, anular a jornada das diversas categorias que se desenrolaria este fim‑de‑semana. Embora possa parecer uma contradição com a demonstrada necessidade de continuidade das competições não o é pelo simples facto de se tratar de uma medida de protecção, salvaguarda e integridade da segurança de jogadores e agentes da modalidade. E a segurança de praticantes e agentes constitui um valor fundamental do Rugby.

Portanto acertar a coerência de princípios e valores que norteiam a nossa modalidade Rugby com a organização competitiva é decisivo para o seu desenvolvimento e expansão.Continuemos pois com esta atenção.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

PREVISÃO DE DIFERENÇAS


 Com base nos valores dos pontos do Ranking da World Rugby que representam o posicionamento valorativo das equipas ao longo de muitos anos, é possível apontar uma previsão da diferença de pontos de jogo desta 1ª Jornada do Torneio da 6 Nações 20226 e do Europe Championship 2026

Assim se o Itália-Escócia aponta, pelo histórico das equipas, para escoceses como prováveis vencedores e que os ingleses vencerão o seu jogo contra galeses, quer o França-Irlanda, quer o Bélgica-Portugal mostram a possibilidade de jogos muito equilibrados e de vencedor não adivinhável.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

FINAL RUGBY EUROPE SUPER RUGBY

Amanhã, em Amsterdam pelas 15h00 com transmissão directa pela SportTV, joga-se a final do Rugby Europe Super Rugby entre os Lusitanos e os espanhóis Iberians. Não estando a Geórgia já presente na competição, pela sua qualificação para o nível superior, espera-se que os Lusitanos portugueses possam fazer da final uma boa oportunidade, vencendo os espanhóis, para obterem, pela primeira vez,  o título de Campeões. No entanto o jogo não será fácil até porque os jogadores espanhóis têm estado a competir numa prova com jogos mais equilibrados e portanto com uma intensidade a que os jogadores portugueses não têm estado habituados.

Neste mesmo dia, começa a fase final de Apuramento do Campeão Nacional e da fase final que definirá a equipa que descerá para o Campeonato Nacional da Divisão. No primeiro grupo jogarão as equipas que em cada um dos 3 Grupos de Qualificação se qualificaram nos dois primeiros lugares. Sem praticamente surpresas para além da meia-surpresa com a qualificação do S.Miguel que, com quatro vitórias, se qualificou à frente do CR Técnico que não conseguiu mais do que 2 vitórias…

Depois de 36 jogos disputados mas muito pouco equilibrados como demonstram os resultados, o começo da prova pode estar em perigo: em vez de adiamento oficial da jornada que se devia pelo que se conhecia — avisos não faltaram — do que iria resultar, numa questão evidente de segurança, da depressão “Ingrid” quer no perigo de deslocações, quer no perigo da utilização de campos. Deixou-se correr o tempo e ficou-se à espera das decisões de cada club. E assim, sabe-se lá…

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

BELENENSES CAMPEÃO IBÉRICO

O Belenenses FC venceu a Taça Ibérica ao derrotar S. Salvador por . Com um abraço oval os meus parabéns pela vitória

No TOP12, as principais equipas de cada grupo — SL Benfica, Belenenses, GDS Cascais, CDUL, GD Direito e São Miguel — e quando ainda falta uma jornada para terminar esta fase inicial de apuramento, já estão qualificadas para o grupo do título.  Agronomia, Técnico, CDUP e Académica, disputarão o grupo que definirá as descidas de divisão.

(foto resultados 5ª jornada)

(foto classificação 5ª jornada)

Este organização competitiva é, como já se demonstrou por diversas vezes, muito má, mesmo desastrosa ao não permitir constância de jogos equilibrados, mostrando demasiados vencedores “pré-determinados” e assim dificulta a evolução quer de jogadores quer das equipas. Não tendo visão de futuro, esta competição não serve o rugby português e os seus objectivos e, faltando-lhe intensidade em cada um dos jogos, estabelece no nível da selecção um desequilíbrio entre jogadores que o jogam e os portugueses que jogam em França, impedindo um colectivo coeso e com constante capacidade adaptativa.

Esta desajustada competição é demonstrada pelo resultado da análise Noll-Scully — algoritmo utilizado para demonstrar o nível de equilíbrio competitivo. E com os 1,84 determinados — o factor de equilíbrio é representado pelo valor 1.00 e tudo que seja acima de 1,50 mostra-se desastroso — fica claro que não existe competitividade adequada a uma prova de Alto Rendimento como deve ser o principal campeonato português.

Amanhã, 17 de Dezembro,  joga-se, a contar para a meia-final  da Rugby Europe Super Cup 2025/2026 e às 15h00 no Campo A do CAR Jamor em Lisboa. Espera-se, pesem as dificuldades, a vitória. 








segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

OS MEUS AGRADECIMENTOS



CARÍSSIMO PAULO DUARTE
Ao terminares a tua carreira de 20 anos de Árbitro de Rugby não quero deixar de te agradecer o que a tua qualidade fez pelo Rugby Português. Para além da tua participação no Circuito Mundial de Sevens a tua participação nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 — arbitrando o jogo para a atribuição da Medalha de Bronze feminina entre Fiji e Grã-Bretanha — a que se seguiram os Jogos Olímpicos de Paris em 2024, trouxeram enorme prestígio ao nosso Rugby. Por isso te agradeço de todo o coração e com profunda Amizade.O jogo de que tanto gostamos foi melhorado e tornou-se internamente mais conhecido graças à tua participação. Muito obrigado.

Sei que, apesar da reforma, o Rugby Português poderá contar com a tua experiência e conhecimento para ajudares a nossa Arbitragem a singrar os melhores caminhos.

Muito obrigado, Caro Paulo. Que o Rugby que nos uniu continue a ser a base do nosso espaço comum.
Grande Abraço Oval!

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

BOM 2026 e PAZ JUSTA

domingo, 28 de dezembro de 2025

O AMADORISMO INDESCULPÁVEL

 

SL Benfica, GDS Cascais e GD Direito, a duas jornadas do fim da fase de apuramento, já se encontram apurados
para o grupo principal da fase final.
 
Lá continua a nossa fase de apuramento com os resultados que demonstram a sua falta de competitividade — que o mesmo que é dizer “com a sua falta de interesse - demasiados jogos têm vencedor antecipado”—e que não tem vantagens nenhumas nem para vencedores, nem para vencidos. E isto, como organização fundamental de um federação que gere uma modalidade que estará, de novo, presente num Campeonato do Mundo, é erro grave!

E continuamos a comportarmo-nos de uma forma profundamente amadora — “na desportiva” como se diz para afastar responsabilidades — como se pode ver por exemplo recente. 

No jogo CDUL-CDUP as equipas entraram em campo com as suas cores habituais — azul-escuro no CDUL, verde-escuro no CDUP — que não permitiam a distinção entre jogadores. Embora com anuência do árbitro que chegou a referir que estava disposto a realizar assim o jogo, alguém, na linha lateral, chamava o árbitro e exigia a mudança de equipamento enquanto uma outra voz informava que, de acordo com o Regulamento, seria a equipa da casa, o visitado, a alterar o seu equipamento. O que sendo verdade representa um erro regulamentar sem nexo e que pertence ao tempo amadorístico — a equipa da casa terá maior facilidade de acesso a outros equipamentos como se não houvesse organização que permita saber de cor e salteado as cores (pelo menos) dos equipamentos principais e secundários de cada equipa que disputa o campeonato principal de uma federação que tem a sua principal selecção qualificada para disputar o próximo Mundial. Valeu na situação o facto da camisola do CDUP ser de duas faces e, invertendo-a, passando as cores das equipas a diferenciarem-se pelo habitual azul cdulista e um branco do CDUP. A alteração foi feita num instante, sem quaisquer discussões, tendo esta mudança sido feita do lado do visitante e que teve, também como alguém explicou, por base o facto de, quando no jogo do Porto na 1ª volta, ter sido o CDUL, visitante, a alterar o seu equipamento. Cumpriu-se assim a regra universal que impõe que todas as modalidades no nível do alto-rendimento, nomeadamente o rugby no Regulamento 15.18 da World Rugby, exijam a mudança do equipamento à equipa visitante em caso de conflito. O que está certíssimo porque se o factor casa é considerado uma vantagem, ela consiste, não pelo conhecimento dos buracos do terreno-de-jogo mas pelo facto de ter, normalmente, um maior número de adeptos apoiantes que QUEREM! ver a sua equipa com as SUAS cores, aquelas que eles levam no coração — a emoção faz parte do espectáculo desportivo e sem espectadores o desporto de alto-rendimento não existe... E é este direito elementar que OBRIGA a que seja a equipa VISITANTE a mudar as cores do equipamento. Pergunta-se então: sendo assim e sendo uma postura universal, porque é que a Federação Portuguesa de Rugby, mantém a versão desajustada e não altera o seu Regulamento Geral de Competições (art.º 75º)? — isto para não falar de todos os Regulamentos pertencerem à época passada… Mudança? Quando o fará? Porque espera?

Mas não é esta a única situação de incompetente amadorismo. Na apresentação semanal dos resultados da Divisão de Honra/ TOP12, NUNCA é apresentada a decomposição dos resultados. No rugby o valor final do resultado pouco representa para um elementar conhecimento do que se terá passado no jogo — o resultado foi construído através de ensaios ou por pontapés-de-penalidade? Saber se há ou não pontos-de-bónus que têm influência directa na classificação-geral é fundamental para dar ao adepto da modalidade uma ideia da classificação - que aliás deveria também surgir. De outra forma não se faz aproximar os adeptos. Mesmo saber o número de ensaios marcados, transformações realizadas, penalidades convertidas ou ressaltos conseguidos permite perceber a razão dos desempates classificativos que existam — se o primeiro elemento de desempate são as vitórias, o segundo é a diferença de pontos marcados/sofridos pontos, o terceiro e o quarto já tratam dos ensaios marcados no primeiro caso e a diferença de marcados/sofridos, no segundo caso. Ou seja, a apresentação da decomposição dos resultados é, no rugby, um factor decisivo — no mínimo dos mínimos definir pontos-de-bónus. 

Difícil? Não é! porque o MIDOL publica no jornal de 2ª feira a que assinantes têm acesso no domingo à noite, resultados desse fim-de-semana  com demonstração de pontos de bónus e uma classificação reduzida mas que permite conhecer a actualidade da situação. Portanto, difícil não é e representa apenas uma falta de organização federativa. O acesso aos dados dos resultados permitiria enviar para publicação nos jornais diários e assim demonstrar que existimos.

Aproveitemos a mudança de ano e faça-se de 2026 um ano de adaptação à organização necessária. 





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