Com esta bela vitória de 49-26 (20-14 ao intervalo) sobre a Rússia no belo estádio de Nizhny Novgorod, os Lobos, porque se trata do último jogo da 1ª volta que definirá o acesso ao Mundial 2023 e que haverá ainda alguns meses de preparação da 2ª volta, podem desfraldar bandeiras e passar um Verão divertido e tranquilo. Construiram uma boa e importante vitória que mantém acessível o acesso ao apuramento para o Mundial de 2023.
domingo, 18 de julho de 2021
BELA VITÓRIA! QUE ENTRE A FANFARRA!
sexta-feira, 16 de julho de 2021
A VITÓRIA DEPENDE DA ATITUDE, O RESTO TEMOS
segunda-feira, 12 de julho de 2021
ORA AÍ ESTÁ!
Já quase não me lembro de ter visto um XV de Portugal a entrar para um jogo com a determinação, focagem e coesão como vi neste jogo entre os Países Baixos v. Portugal. E até o receio, pela paragem excessiva dos jogos competitivos em Portugal, de que a selecção nacional não estivesse capaz de se apresentar na necessária capacidade física, ficou de imediato afastada.
A equipa portuguesa entrou objectiva, com a lição bem estudada e apostada — aprendendo com erros de anteriores inícios de jogos — em não se deixar surpreender. Pelo contrário, procurou desde logo surpreender. O que conseguiu e de tal maneira que aos 13’ minutos de jogo ganhava por 21-0 com 3 ensaios marcados.
Para além da atitude competitiva que permitiu desde logo demonstrar as diferenças entre uma equipa que diz pretender estar no próximo Mundial de 2023 e outra que demonstrou estar ainda muito longe de constituir uma equipa competitiva para este nível, houve interessantes aspectos técnicos e tácticos que demonstraram — pesem embora algumas distracções que permitiram os pontos adversários — a diferença.
sexta-feira, 9 de julho de 2021
A IMPORTÂNCIA DE UM JOGO
sexta-feira, 2 de abril de 2021
A INDISCIPLINA PAGA-SE
quinta-feira, 1 de abril de 2021
DO PESADELO INICIAL AO BOM PRENÚNCIO FINAL
Os primeiros vinte minutos dos Lobos foram um pesadelo: dois ensaios sofridos em penaltis-touche, dois cartões amarelos, 18’ com catorze jogadores e 2’ com 13 jogadores (o 2º ensaio espanhol foi marcado nesta altura) e demasiadas faltas a dar a possibilidade ao adversário para dominar a conquista de território. O fantasma do mal perdido jogo com a Roménia voltou a pairar na relva do CAR do Jamor. Outro desastre? Assim parecia com os 14-0 do primeiro quarto...
sexta-feira, 26 de março de 2021
UMA TAREFA VITORIOSA ESPERA-SE!
quarta-feira, 24 de março de 2021
A FRANÇA JOGA E GALES ESPERA: QUEM GANHA O TORNEIO?
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| Alun-Win Jones igualou, com 148, o número de internacionalizações de Richie McCaw mas tendo ainda 9 presenças nos Irish and British Lions |
sexta-feira, 19 de março de 2021
PARIS: GRAND SLAM OU TORNEIO PARA GALES OU ESPERANÇAS FRANCESAS NUMA VITÓRIA FINAL?
terça-feira, 16 de março de 2021
A FRANÇA NÃO PASSOU EM TWICKENHAM
O jogo de maiores expectativas do fim‑de‑semana, o Inglaterra-França e que tinha o aliciante de possibilitar, no caso de vitória francesa, uma "final" em Paris entre a França (falta-lhe ainda o jogo contra a Escócia) e País de Gales terminou, apesar dos franceses estarem à frente do resultado até aos 76', com a vitória inglesa num jogo muito interessante e que deve ter conciliado Eddie Jones com os adeptos ingleses. Quanto aos franceses ficam ainda com a possibilidade de, caso vençam os dois jogos que lhes faltam, Gales e Escócia, por resultados de diferença elevada — nomeadamente com pontos de bónus — poderem vencer o Torneio.
Noutro jogo interessante a Irlanda venceu a Escócia apesar dos escoceses terem marcado mais um ensaio (3-2) e terem tido um melhor registo defensivo — sucesso de 91% contra 83% irlandês. Mas os ingleses fizeram o costume, deixando a alma em campo até garantirem a vitória.
Em Madrid e a contar para o Rugby Europe Championship, a Geórgia — como se esperava e apesar do bom combate espanhol — venceu por 6 pontos de diferença, permitindo um ponto de bónus à Espanha.
PORTUGAL PERDE JOGO GANHO
É uma verdade desportiva tão reconhecida que é já um lugar-comum: um jogo só termina com o apito final do árbitro — veja-se o apuramento olímpico do Andebol português. E se os jogadores portugueses se esqueceram do dito contra a Geórgia, mostraram, contra a Roménia, que nada tinham aprendido e por isso, perderam.
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| Com esta derrota, Portugal perdeu 3 posições no Ranking da World Rugby |
A derrota da maneira que aconteceu, levanta diversas questões como falta de liderança, má preparação táctica, falta de entrosamento e perda de concentração competitiva. Perder assim um jogo que, ganho, nos colocaria com boas perspectivas de atingir o Mundial 2023, só é aceitável porque é a realidade... mas é dificilmente suportável!
E se no início do jogo parecia que não se tinha perdido com a Geórgia, porque se tinha aprendido: a formação-ordenada mostrava-se mais coesa e capaz de se opôr ao habitual poderio dos romenos, possibilitando a melhoria das outra fases de combate — infelizmente o final do jogo comprovou que não se aprendeu nada: dentro e fora do campo. E a desconfiança começou na mostra de teimosa estratégia para os alinhamentos — de novo se presenteava a bola ao adversário (agora com o truque de usar apenas dois (!!!???) nas bolas adversárias). Questão: num jogo em que a bola representa o motivo evidente do combate — posse que embora não garanta vitória (é a eficácia do seu uso que a pode garantir) diminui pelo menos as possibilidades do adversário — porque é que, numa fuga aos princípios, é então oferecida?! Que mensagem de conquista, de preserverança, de resiliência, de combate se pretende passar aos jogadores?
E se dizemos que a nossa vantagem é o jogo ao largo, porque não críamos as condições para que assim seja de uma forma mais constante, procurando a libertação e continuidade do movimento da bola em vez de procurar o chão? Ou procurar manobras — lembrando o ensinamento de Nun'Álvares dos idos trezentos — para atacar intervalos em vez de colisões directas. Ou porque não se vê uma estratégia de jogo-ao-pé que ultrapasse o alívio e se torne uma arma de ataque pelos problemas que impõe ao adversário?
Sendo a coesão colectiva o segredo das equipas vencedoras, ela só é possível se existir uma preocupação colectiva — uma cultura táctica comum — para criar e aceitar os meios que permitam atingir os objectivos pretendidos, diminuindo assim o stress, retirando dúvidas, aumentando a confiança e proporcionando o entrosamento para que cada um se bata por todos.
De novo as aparências pareciam credíveis — as estatísticas eram favoráveis com 52% de posse de bola, 51% de vantagem nos rucks, 96% de eficácia nas placagens e um 3-1 em ensaios a 10’ do fim — para colocarem Portugal como vencedor. Mas, no nível internacional, são os pormenores que determinam os vencedores e aqui se descrevem 7 momentos — 2 decisivos e 5 críticos — que documentam o que se escreve e demonstram — por erros e não acidentes — a perda do foco e a lenta e perturbadora fuga do resultado por entre os dedos.
1º MOMENTO DECISIVO, 32 minutos, resultado 10-9 — Penalidade favorável a Portugal no cruzamento entre a linha-de-22 e a linha-de-5 metros. Com o resultado em 10-9 foi decidido, em vez de chutar aos postes com vento favorável, pontapear para fora para criar um penalti-touche. Estaria tudo bem nesta demonstração de confiança não fosse o pontapé, perdendo-se a oportunidade, ter cruzado a linha-lateral-de-ensaio... entregando a bola à Roménia para um pontapé-de-22.
1º MOMENTO CRÍTICO, 73 minutos, resultado 27-14 — Formação ordenada perdida com penalidade. No alinhamento romeno sequente e dentro da área-de-22 portuguesa, a bola é recuperada, no corredor de 5 metros, por Tadjer que decide, sem qualquer nexo, pontapear a bola em vez de garantir a sua manutenção. Na sequência do movimento, ensaio no meio dos postes, a colocar o resultado em 27-21 e a dar o encorajamento aos romenos para os minutos finais.
2º MOMENTO DECISIVO, 76 minutos, 4 minutos de jogo informa o árbitro, resultado 27-21 — Pontapé de penalidade cerca de 1 metro dentro do meio-campo adversário e a cerca de 20 metros da linha lateral. Com o objectivo principal de manter a posse da bola para ganhar tempo e garantir a vitória, três decisões eram possíveis: tentar aos postes, conquistar terreno para um alinhamento ou jogar a bola com recurso a uma mini-unidade (aqui sim) organizando um máximo de “apanhar-e-avançar”.
Se a decisão de não chutar aos postes, por ser contra o vento, muito comprido e lateralizado
(cerca de 48% de probabilidades de sucesso) — embora a certeza de um pontapé a sair pela linha-de-fundo garantiria o gasto de 2 minutos dos sabidos 4’ existentes de jogo e com reposição feita com pontapé-de-22 — se compreende, a manutenção da posse da bola através de uma mini-unidade e consequentes “apanhar-e-avançar” seriam uma boa solução de gasto controlado do tempo. Decidiu-se pelo alinhamento e colocou-se a bola bem dentro da área-de-22 adversária — as condições estavam, embora com um risco maior, conseguidas para controlar o tempo. A decisão, a menos comprometida, mostrara-se capaz no ganho de terreno, havia que, para atingir o objectivo principal, eliminar o risco.
2º MOMENTO CRÍTICO, a 3 minutos do fim, informa o árbitro, resultado em 27-21— Num alinhamento que exigia não correr quaisquer riscos — a melhor solução seria saltador da frente seguido de maul para gastar tempo e pressionar o adversário, espreitando ainda qualquer possível oportunidade. Lançou-se comprido aumentando o risco, falhou-se o alvo e perdeu-se a bola e não se ganhou tempo...
3º MOMENTO CRÍTICO, a 2 minutos do fim, resultado 27-21 — Por erro romeno no manuseamento da bola — e por boa placagem de José Lima — Portugal consegue de novo posição favorável ao ganhar um novo alinhamento e de novo dentro da área-de-22 adversária. O propósito seria o mesmo: captar a bola e, criando um maul, aguentar o tempo necessário, mesmo passando por ruck e recorrendo ao "apanhar-e-avançar" para o jogo acabar. Mas os romenos conseguem a conquista da bola fazendo saltar o 2º homem do alinhamento enquanto que os portugueses saltavam com o 3º homem dando toda a vantagem ao adversário num erro elementar e inadmissível nesta fase do jogo. Pior, os avançados portugueses fizeram falta e com a penalidade entregaram a conquista de terreno de mão beijada aos romenos.
4º MOMENTO CRÍTICO, a 1 minuto do fim, resultado 27-21 — Alinhamento romeno com 5 jogadores a que os portugueses respondem, por visível opção táctica (não colocaram ninguém no corredor de 5 metros o que é falta!) com 2 elementos. Resultado: bola ganha de mão beijada e maul romeno que avançou até conseguir a penalidade — com cartão amarelo — que lhe possibilitasse um penalti-touche com que iria ganhar o jogo por 28-27.
5º MOMENTO CRÍTICO, início a 3 minutos de jogo e final a 1 minuto do fim do jogo — Cometendo 15 penalidades, a equipa de Portugal mostrou-se novamente muito indisciplinada e foi penalizada com 3 cartões amarelos — mais de 1/3 do jogo em inferioridade numérica — de que resultaram 10 pontos para os romenos (para além dos 6 directamente das penalidades).
Com esta derrota, o caminho pretendido de acesso ao Mundial 2023, complicou-se. Muito.
sexta-feira, 12 de março de 2021
AS POSSIBILIDADES DOS LOBOS SÃO REAIS
Não será fácil a tarefa dos nossos Lobos contra a Roménia neste sábado. Como indicam as contas feitas com base nos pontos do ranking da World Rugby das duas equipas: a vantagem de um ponto dada a Portugal indica o enorme combate com que terão de se confrontar. Mas a lembrança da vitória das Caldas da Rainha de Fevereiro de 2020 dará, com certeza, o ânimo necessário para atingir a importante vitória que manterá assim intactas as perspectivas de apuramento para o Mundial 2023.
Ou seja, como nas Caldas, a vitória é possivel — tanto mais que o bloco de avançados português com um peso de 884 kilos e com a correcção devida das fragilidades mostradas contra a Geórgia não deverá ter problemas para, no mínimo, impedir o domínio adversário. Necessário, para que a vitória aconteça, será o controlo mental das situações de combate pincipalmente no jogo no chão — isto é: disciplina precisa-se! — para que não se entregue de mão-beijada ao adversário qualquer oportunidade que lhe permita folga no resultado.
E que o movimento com a continuidade do apoio, permitindo explorar os corredores laterais em desequilíbio defensivo, faça o resto. Isto é: que nos permita a vantagem do resultado, obrigando os romenos a correr atrás do prejuízo... e sem deixar que qualquer indisciplina lhes proporcione o alimento da sobrevivência.
É claro que nos falta o apoio directo do público, perdendo-se assim algo da vantagem casa — na actual situação, os três jogos em casa da 1ª volta trazem pouca vantagem para Portugal — mas só há uma maneira de enfrentar a situação: atitude ganhadora, não cedendo um palmo, lutando por cada centímetro e aproveitando eficazmente todas as oportunidades... e os gritos de incitamento de cada casa chegarão ao Jamor.
Numa temporada muito difícil para manter os hábitos competitivos, só uma vontade colectiva coesa e perspectivada nos mesmos objectivos imediatos de cada jogada e nos objectivos estratégicos globais, pode garantir a vitória. Vamos a eles, Lobos! Não é nada que não tenha sido já feito... exige determinação e carácter!
Na 4ª jornada do 6 Nações, dois jogos — não parece a ninguèm que Gales, comandado pelo actual Príncipe de Gales, Alun Wyn Jones, vá ter problemas em Roma, limitando-se a usar o jogo como acerto para Paris — de grande expectativa: Inglaterra-França, no sábado e Escócia-Irlanda no domingo. Dois jogaços!
Em ambos os jogos se disputam lugares — as equipas de ambos os jogos estão encostadas uma à outra — e, no caso da França, que já pode contar com o formação Dupont, e que disputa a possibilidade de se manter na corrida pela vitória final do 6 Nações que já não vence desde 2010. De acordo com o posicionamento nao ranking de ingleses e franceses, o factor casa atribui a vitória, por 4 pontos que nada significam, à Inglaterra — o Rugby Vision confia mais e atribui 9 pontos para a vitória inglesa.
O Escócia-Irlanda, num jogo teoricamente muito equilibrado — os 3 pontos e 1 ponto de vitória que se prognosticam garantem todos os condimentos para um grande jogo de combate ao milimetro de terreno: a Escócia está a jogar bem e a Irlanda quer mostrar que nada perdeu das suas capacidades. Uma boa tarde de domingo para acabar o confinamento...
No Championship da Rugby Europe, a Espanha recebe a Geórgia que com o seu 12º lugar no ranking — a Espanha está em 17º — faz figura de favorita (e para Portugal seria bom que o fosse efectivamente) com um prognóstico de vitória por 4 pontos. O que significa que o jogo não tem vencedor antecipado e todos os resultados são possíveis.Aguardemos por domingo.
segunda-feira, 8 de março de 2021
BÓNUS PERDIDO, BÓNUS CEDIDO
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| Com esta derrota Portugal perdeu um lugar no RWR passando, por troca com a Rússia, para o 21º lugar |
Esta perda não importa nas contas das diferença de 5 pontos ou de 3 contra a Geórgia uma vez que o mais provável será acontecer o que tem acontecido quase sempre: a Geórgia terminar em primeiro lugar, sendo o Europe 1. Mas pode importar na disputa com as outras três equipas, Espanha, Rússia e Roménia pelo outro lugar de apuramento directo ou pela última hipótese de acesso pela Repescagem.
Olhando para o desenrolar do jogo, Portugal podia tê-lo ganho. Aparentemente sim, podíamos ter vencido a Geórgia — no entanto só nas aparências ou se os deuses nos tivessem protegido. Porquê assim? Porque para vencer a este elevado nível competitivo e para além da necessidade de cumprir os princípios básicos da boa defesa, de garantir os meios de conquista, posse e a boa utilização da bola, nos falta a experiência — essa “madre de todas as cousas” como ensina Duarte Pacheco Pereira — para conseguirmos dar o salto qualitativo que permita impôr uma estratégia que se mostre capaz de utililizar a criatividade como forma adaptativa aos fracos e fortes adversários. E para o cumprimento dessa estratégia não chega a atitude — e os jogadores portugueses, cada um por si, mostraram-na durante boa parte do jogo, começando pelas três excelentes captações aéreas de Rodrigo Marta — porque é necessário uma coesão colectiva que articule consistência, disciplina, arrojo. E, por isso, só na aparência tivemos o jogo na mão.
Faltou-nos consistência. Como habitualmente no jogo-ao-pé que, como nos habituam os jogos internos do campeonato português, se mostrou sempre mais de alívio — pela desapropriação voluntária da posse da bola numa entrega que nunca criou problemas ao adversário — e que teve a sua imagem mais infeliz nas falhadas tentativas de penalidades aos postes. Mas desde logo, retirando a confiança que era fundamental manter para fazer face aos conhecidos pontos fortes georgianos, a inconsistência ficou clara na formação ordenada onde nunca conseguimos constituir uma unidade capaz de impedir a vantagem adversária — e nesta fase do jogo não basta o equilíbrio — que tínhamos — do somatório dos pesos, mas é essencial o domínio técnico das posições e transmissões — coisa que não mostrámos possuir. E, desta diminuição nas formações ordenadas, resultou a máxima clássica: derrotados na FO, derrotados em todas as fases de combate. E foi isso que aconteceu nos “penalti-touches” que produziram quatro ensaios!
Já no anterior jogo do ano passado em Paris se tinha percebido a boa capacidade do bloco de avançados georgianos em se organizar em “maul” depois da conquista da bola no alinhamento. Também se viu que o facto de não disputarmos a bola não se traduzia em vantagem para a defesa do dinamismo da formação alta georgiana. E assim, tenho alguma dificuldade em perceber a vantagem de continuar com a mesma estratégia: não disputar a bola no alinhamento para procurar ganhar tempo de oposição de forças — o que nem sequer é verdadeiro, porque o trio de conquista da bola, já ciente da falta de oposição, prepara-se mais cedo e sem oposição para constituir a frente do triângulo e tem a entrega de bola, para o seu interior, mais facilitada. Muito bem: vamos admitir que a táctica podia ser experimentada... mas porque não foi alterada quando se percebeu que não resultava?... e assim, se a equipa portuguesa não conseguisse — como não conseguiu — uma vantagem substancial, a possibilidade de vitória era sempre uma aparência. Porque estava sempre dependente de um novo ou novos ensaios assentes numa força que se mostrava imparável e para a qual não mostrámos possuir soluções.
A primeira arma a utilizar para evitar os terríveis “penalti-touches” é constituída por uma evidência: não fazer faltas que permitam penalidades que coloquem alinhamentos próximos da linha-de-ensaio. Ou seja, é preciso disciplina! E não foi isso que se viu. E tal foi a indisciplina que o árbitro suspendeu — coisa que nunca tinha visto num jogo internacional — o capitão, Tomás Appleton, com um “amarelo”... Com o factor indisciplina a dominar os confrontos de combate, a aparência da possível vitória estava sempre dependente da sorte de um pontapé mais desconcentrado e, por isso, mais comprido do que o devido... Mas a segunda, analisada a ineficácia da primeira táctica utilizada, seria a sua alteração disputando as bolas — pelo menos aumentavam-se as possibilidades de evitar uma boa organização do “maul” — e o José Madeira parace ser homem talhado para a tarefa... pelo menos quando aos 50´decidiu disputar uma bola de lançamento adversário... conquistou-a!
Sem arrojo, sem explorar a criatividade de um jogo de movimento em apoio constante onde as nossas capacidades de manuseamento de bola possam ser exploradas, não conseguimos opôr-nos a equipas que fazem da força e da colisão a sua marca. E assim sendo, interrogo-me porque não fez parte da panóplia estratégica do jogo a conquista de terreno a partir das penalidades — que, aliás, já se sabia viriam a ser bastantes desde que houvesse uma pressão rápida — para, alargando o jogo e procurando, com os movimentos adequados, os corredores exteriores, tirando partido da rapidez de passe e de deslocamento das nossas linhas atrasadas. Aliás, das poucas vezes que alargámos o jogo viram-se as dificuldades defensivas georgianas. Onde ficou o arrojo da criatividade tantas vezes louvada?...
Sei bem que os finais de jogo em que se pretende segurar um objectivo — e naquele final o ponto de bónus estava, parecia, no bolso — já não há a clarividência necessária para que a articulação adaptativa da defesa corra da melhor maneira e consiga responder a movimentos estruturados. Talvez tenha sido o cansaço a principal causa da desastrosa defesa colectiva que originou o ultimo ensaio que nos roubou o ponto de bónus — que seria bem merecido, dadas as circunstâncias em que, por efeito da pandemia, o nosso rugby tem navegado. Mas não era precisa (ver foto) tanta desarticulação: jogadores a mais, com os três georgianos já no chão, juntos ao reagrupamento e com o 7 e 8 georgianos já deslocados e colocados para fazerem a jogada como tinham treinado. Pergunta: onde estavam os marcadores desses homens? que estavam a fazer junto do reagrupamento? Aberta a bola, o ensaio estava praticamente garantido — não havia defensores suficientes...Numa ocasião em que se exigia uma rápida capacidade de reorganização adaptativa — a scramble defense — para garantir um prémio mínimo, a desorganização foi a resposta. Por cansaço? talvez...
Se já se tinha visto no jogo de Paris o que valia o penalti-touche georgiano, esperei que tivessemos procurado outro tipo de resposta. Bem como também esperei que a resposta da nossa formação-ordenada se mostrasse mais capaz e acima de tudo que houvesse mais arrojo para deixar a criatividade das nossas linhas atrasadas fluir. Mas... deixámo-nos ficar pelas aparências. E a área do alto-rendimento vive de realidades.
Pelo menos que este jogo nos sirva de aprendizagem e que amplie a experiência dos intervenientes para que se possa usar com propriedade o aforismo de Nelson Mandella que o treinador campeão mundial (2003), Clive Woodward adoptou: Nunca perco, ou ganho ou aprendo!
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| O 5º ensaio - falta de marcação e atraso na reorganização defensiva |
sexta-feira, 5 de março de 2021
PORTUGAL NÃO É FAVORITO
A Geórgia é uma equipa bastante forte — 12º lugar do Ranking World Rugby — e apresenta no seu cartão de visita e desde 2000, 14 vitórias neste campeonato europeu. O que é obra e vem levantando alguma celeuma pelo facto do 6 Nações não permitir a troca de equipas, nomeadamente com a Itália.
Feitas contas com os pontos da classificação do ranking de ambas as equipas, o resultado final normal será uma vitória dos georgianos por 14 pontos de diferença — o último encontro entre estas duas equipas teve uma diferença de 15 pontos com um resultado de 39-24 favorável à Geórgia.
Nos últimos jogos efectuados pelas duas equipas, jogos do REC de 2020, 3 jogos da Autumn Nations Cup contra equipas do topo europeu e que resultaram em derrotas duras para a Geórgia e dois jogos contra o Brasil para Portugal, os georgianos apresentam uma vantagem de 6% no sucesso de vitórias e 4% na quota de pontos de jogo. O que demonstra a valia e capacidade deste adversário dos portugueses.
Portanto Portugal está longe de se apresentar como favorito neste encontro: os georgianos têm um historial de melhores prestações competitivas, têm mais experiência e têm, ao contrário do que acontecia no passado, uma boa capacidade de marcação de ensaios — apesar de terem ficado a zero contra a Inglaterra ou o País de Gales, conseguiram uma média de 4 ensaios por jogo (6 por jogo se contarmos apenas os jogos do REC).
Mas tendo um bloco de avançados com 6 jogadores com a experiência do jogo dos campeonatos franceses — José Madeira recebeu recentemente 2 estrelas do Midi Olympique — e com um experimentadíssimo formação como Samuel Marques — jogador do PAU do TOP14 e que é também um excelente chutador aos postes — Portugal pode equilibrar o jogo e conseguir um bom resultado. E se dizemos que a vitória é de uma enorme dificuldade, já o garantir a proximidade do resultado em menos de 8 pontos, sendo possível, seria — com o ponto de bónus obtido — o primeiro passo para uma classificação final que nos possibilitasse o acesso ao Mundial 2023. Daí que, seja qual for a marcha do jogo, a aproximação do resultado deve ser um objectivo permanente da resiliência da equipa e que, para além de permitir conquistar 1 ponto de bónus, pode, num momento afortunado, virar o resultado para uma surpresa. Porque, se apertados, os georgianos costumam ser suficientemente indisciplinados para fazerem penalidades úteis para o jogo português. E se os avançados portugueses forem capazes de garantir rapidez de disponibilidades da bola nos reagrupamentos, o serviço de Samuel Marques permitirá às nossas linhas atrasadas, desde que apostadas no jogo de movimento com combinações de apoio permanente que mantenham a continuidade, a possibilidade de surprenderem a defesa georgiana. Veremos — e é aqui que a experiência contará — se eles estarão pelos ajustes... mas, como é costume dizer-se, tentar não custa.
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