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terça-feira, 8 de abril de 2014

PERDER JOGOS GANHOS

O realismo necessário aos treinadores fá-los encarar com muita atenção o aviso: as derrotas ensinam, as vitórias escondem. Neste mesmo sentido avisa Bernardinho, o treinador brasileiro campeão do Mundo e Olímpico de voleibol, com a necessidade de evitar as armadilhas do sucesso. Distrações a que as vitórias nos podem levar.
É um facto: das derrotas, porque o entusiasmo das vitórias, retirando lucidez, mascara muita coisa, se pode aprender e perceber a causa, a verdadeira causa, das coisas. Para que seja verdadeiro o conceito de John Wooden, prestigiado treinador americano de basquetebol: pode-se ganhar, perdendo.
O rugby português, depois das recentes derrotas em quinze e sevens, deve analisá-las, percebê-las e utilizá-las para, atingindo a causa das coisas, poder evoluir e avançar para resultados competitivos positivos. De forma objectiva. Sem preconceitos ou ilusões. Sem lamúrias ou desenganos que não fazem campeões.
Os factos são estes: nos dois últimos jogos de quinze ou sevens a equipa de Portugal era vencedora: ao intervalo contra a Espanha em quinze, apostava-se, nas bancadas, numa diferença de trinta pontos; contra a França, em sevens e em Hong Kong, a vitória esteve segura até ao último segundo. Porque perdemos? Como foi possível deitar fora vitórias adquiridas? Que conjugação de factores transformaram as vitórias em derrotas? Que podemos aprender com isto? Que partido podemos tirar dos erros para emendar caminho e acertar na estrada do sucesso? Não fomos suficientemente ambiciosos? Ou fomo-lo demais? Não tivemos determinação suficiente num e noutro caso? Ou, pura e simplesmente, aliviamos cedo de mais e não respeitamos o adversário?
Sempre que ouço falar em espírito de equipa, em solidariedade colectiva, lembro-me dos irlandeses: oriundos de países diferentes, com religiões diferentes, não serão, provavelmente, os melhores amigos do mundo no seu dia-a-dia fora do campo de jogo. Mas dentro de campo ninguém deixa um companheiro para trás, todos se batem por um e pelo outro, por uns e pelos outros. Vivem e articulam-se no que chamam o fighting spirit. Solidariamente e garantido um todo maior do que a soma das partes. Soubemos nós fazer o mesmo no tempo em que entregámos a vitória? 
Primeira questão a aprender ou, melhor dizendo, a reaprender: ser empenhadamente solidários, ser uma equipa de mais quebrar que torcer, 
Suficiente, não! mas um bom princípio que exige humildade, conhecimento dos limites e capacidades de cada um e de todos e reconhecimento que um desporto colectivo de combate como é o rugby se resolve com o nós resultante de subordinados eus.
Cito Murray Kinsella: "Pouco importa quem é o treinador, quem quer que seja o presidente  e pouco importa a sorte que nos acompanha, se uma equipa não tiver a habilidade suficiente, não ganharão jogos". É para este campo, para o campo das habilidades - dos skills - que temos de olhar. E o passe e a placagem são essenciais, são técnicas básicas, são habilidades fundamentais. Sem as quais o jogo não é possível.
E nós portugueses passamos mal - temos dificuldades em estabelecer uma sólida relação passador-receptor: fixar adversários, passe na frente, abrir linhas de passe, entrar no passe, receber lançado numa panóplia de cumplicidades de linhas de corrida a surpreender adversários.
Placamos pior: muito braço em vez de ombros, preocupação demasiada com a bola em vez de ter o derrube do portador como objectivo - aliás só existe, legalmente, placagem se houver derrube do portador da bola - incapacidade de placagens ofensivas. Ao que deverá juntar-se um profundo conhecimento da interpretação internacional das Leis do Jogo - fazemos demasiadas faltas - nomeadamente no jogo no chão. E, na realidade, são os árbitros que definem o correcto, não os jogadores ou treinadores...
O nosso jogo ao pé, segunda prioridade mas de total importância, falha táctica e tecnicamente: cria poucos problemas ao adversário e é curto para conquista sustentada de terreno.
E depois destes gestos fundamentais há toda uma cultura táctica que tem que se traduzir no ataque, na conquista de terreno, impondo os nossos pontos fortes aos fracos dos adversários. Com bola e sem bola. "O rugby é isto: ganhar a corrida pela linha de vantagem", define Graham Henry o treinador All Black campeão do mundo. E essa corrida diz respeito a todos, de forma organizada, empenhada e articulada. Solidariamente.
Tudo isto, que temos falhado, resolve-se no treino. Transformando os treinos em espaços de prática e de repetição - "Repetição, repetição, repetição. Não quero saber quão bons se julgam os seus jogadores, eles não serão com certeza suficientemente bons.", como diz Eddie Jones, australiano e agora treinador do Japão - com objectivos claros de melhorar pontos fracos em diagnósticos permanentes de referência com o avanço do adversários - benchmarking, diz-se.
O salto qualitativo - com o pensamento longo em 2019 e o próximo em ultrapassar, no ranking IRB, a Espanha (será ela, não nós, quem estará presente em Junho na Tiblisi Cup com os Jaguares, Itália Emergentes e Geórgia) - que necessitamos, exige reflexão nas formas como vamos treinar os jogadores dos nossos principais clubes e como vamos enquadrar os jovens talentos nas Academias. Programadamente e com objectivos claros.
Reflexão, pensamento e criatividade, precisam-se. Com humildade na procura das soluções.

segunda-feira, 17 de março de 2014

BALDE D'ÁGUA GELADA

Ainda sinto arrepios! Com 18-6 ao intervalo e 21-6 logo no início da segunda-parte tudo parecia ter o caminho único da vitória. Mas o caminho, numa espécie de castigo da mistura de deslumbramento com desfoque dos objectivos essenciais - a quem ninguém soube pôr termo - mostrou-se agreste e terminou em derrota.
Como foi possível? Como foi possível tornar um jogo ganho - ao intervalo o pensamento na bancada era que a diferença das duas equipas se iria traduzir em cerca de trinta pontos finais - numa derrota, numa desilusão...
... e afinal o último jogo de António Aguilar e João Correia ficará - espero mesmo que fique! - na memória, mas pelas piores razões: perder um jogo que estava ganho!
O que se terá passado?
Entre outras, esquecimento de coisas elementares: de que uma competição de alto rendimento tem regras inalteráveis, que o diabo está nos pormenores, que num desporto de combate não há adversários meio enterrados e apenas mal enterrados, que uma vitória desportiva só existe quando o árbitro termina o jogo, num conjunto de elementaridades a conhecer e a utilizar. E que uma equipa é mais, tem que ser mais, do que a soma dos seus membros.
É verdade que - não matando, mas moendo -  a expulsão (acertada) de Kevin da Costa, obrigou a selecção portuguesa a jogar durante uma hora, contra a meia-hora da mesma situação para a Espanha, com 14 jogadores. Mas mesmo assim, não existiam dúvidas: a selecção espanhola não tinha capacidades para a portuguesa. E durante quase uma hora foi assim, os portugueses dominaram, jogaram como queriam, marcaram e colocaram-se a 15 (quinze!) pontos da Espanha. E num repente, com a saída por lesão de Julien Bardy aos 50', Portugal deixa de jogar e entrega os trunfos todos à Espanha (ver estatística de pontos no meu XVcontraXV).



Vivíamos das rupturas de Bardy - de que resultaram os dois ensaios - provavelmente também do seu comando e exemplo na linha defensiva. A sua saída atirou-nos para aquilo que não percebíamos que estava a acontecer - que éramos uma equipa desarticulada, sem norte e sem cola. Deslaçada. Num repente, os espanhóis perceberam isso, que os estávamos a deixar respirar. 
Veja-se como: pontapé de penalidade dentro do nosso meio-campo - o treinador através do director de equipa gritou: palos! palos!. Os jogadores espanhóis ignoraram-no, chutaram para fora, alinhamento, maul dinâmico e ensaio de penalidade. De um possível 21-9 passaram a um real 21-13. E começaram a viragem... Por um desrespeito feito de orgulho. De recusa na entrega.
Esqueceu-se a equipa portuguesa que há uma exigência de tenacidade, como terá acontecido na Batalha Real que gostámos de citar, que transforma os momentos de possíveis em reais. 
Perdido o jogo, perdidos dois lugares no ranking do IRB, perdida a confiança que ligava adeptos e equipa, o que se pode fazer? O que se deve fazer?
Rever o que foi feito durante a época, o que foi feito para e em cada jogo, que atitude houve antes, durante e depois de cada jogo. De que força era feita a procura da vitória. E, claro, ver e rever cada jogo para retirar de cada um os erros, tornando-os em lições transformadoras.
E, naturalmente, pensar e repensar estrategicamente a nossa organização rugbística num quadro em que os nossos adversários directos se profissionalizam e elevam o seu nível competitivo. Sendo, em Portugal, a profissionalização uma enorme dificuldade pelas parcas receitas possíveis - lembre-se as falhadas tentativas das ligas profissionais de basquetebol e andebol - outras soluções têm que ser encontradas para nos conseguirmos manter num bom nível de competição desportiva internacional. Para o que será também necessário encontrar formas organizativas que articulem actividades desportivas de alto rendimento com actividade escolar e enquadramento de carreira profissional pós-competição. Ou seja, que o sistema desportivo de alto rendimento, articulando estruturas e instituições, proporcione a vida de atletas necessária à superação desportiva com garantia de futuro pós-competição. 
(texto publicado no Público/P3/Raguebi em 17/3/2014)

sexta-feira, 14 de março de 2014

A INTELIGÊNCIA DO COMBATE

Os jogos entre Portugal e Espanha são sempre, dentro do especial que são já os jogos internacionais de rugby, muito especiais. Porque somos vizinhos, porque nos medimos uns aos outros, porque nos lembra más vizinhanças com feitos e desgraças de outros tempos. Mas a memória histórica recente - no resultado de jogos anteriores - e a memória antiga - a das batalhas e das lutas pela independência - estão sempre presentes. E por isso é natural que Aljubarrota - feito único na vontade de independência - surja na conversa. Até porque gostamos de saborear essa vitória conseguida em inferioridade numérica - com inteligência, destemor e vontade.
Também eu, enquanto treinador da selecção nacional, usei a imagem de Aljubarrota para, em linguagem de balneário, motivar os internacionais portugueses.
E faz sentido utilizar Aljubarrota porque é uma boa imagem de uma estratégia inteligente recheada de tácticas eficazes que levaram ao objectivo final da vitória.
Num tempo em que se entende, cada vez mais, a estratégia como uma articulação em rede em vez de uma sequência de nós, para mim, o mais interessante de Aljubarrota é a proximidade a rede que a montagem inteligente da estratégia proporcionou na relação com as tácticas utilizadas. O que é, desde logo, uma boa lição para um jogo colectivo de combate que é organizado para a conquista de terreno. 
Para além da boa memória histórica para que serve a Batalha Real de Aljubarrota num jogo de rugby entre Portugal e a Espanha?
Em Aljubarrota tudo terá começado, ao contrário do que era habitual e que correspondia ao código da cavalaria da época, com um convénio onde se decidiu "não fazer prisioneiros" - a inferioridade numérica não permitia "gastar" homens na deslocação e guarda da nobreza adversária capturada. A isto se seguiram diversas manobras e uso de terrenos - as "covas de lobo" e o encaixe das lanças no chão - para impedir uma frente de ataque alargada à cavalaria adversária. Entre espaço estreito, espécie de cavalo à vez, e a vontade de não não ser atrapalhado com tarefas secundárias, pode pensar-se no susto - pelo aumento exponencial do risco (uma coisa é passar uns anos de cativeiro até que o resgate seja pago, outra muito diferente é ver a morte diante dos olhos) - que os nobres da cavalaria inimiga terão enfrentado com o consequente aumento da pressão que, naturalmente, terá desorganizado as forças do enorme e poderoso inimigo, forças essas a que, entretanto, se juntava a brutalidade massiva do fogo aéreo de flechas e virotões que mais ainda faziam para a separação e desarticulação dos sectores do exército espanhol.
Valeu-nos ainda neste heróico combate o facto do Mestre de Alcântara, que no terreno comandava a ala direita do exército espanhol, nunca ter lido SunTzu. Que, à falta de melhor táctica, decidiu cercar - sem deixar qualquer hipótese de fuga como manda o mestre chinês - a carriagem real onde estaria D. João. Cercados, sem hipótese de fuga, só havia uma forma: combater de tal maneira por cada palmo de terreno e de corpo que o inimigo, por impotência, desistisse. E assim se venceu, epicamente, em inferioridade numérica. 
De que nos pode servir a inteligência táctico-estratégica de Aljubarrota para este jogo contra a Espanha para além de mostrar que com inteligência, criatividade, fazendo uso de experiências passadas e com muita coragem é possível vencer mesmo em condições de aparente fragilidade? Desde logo por já aí se mostrar que a continuidade do movimento - a rede - é mais eficaz que a sequência permanente de reinício - os nós. A que a impossibilidade de "parar para pensar", se somarmos a pressão da execução em velocidade, dará as vantagens necessárias à vitória. E se ainda dispusermos de usos de bola que possam surpreender pela criatividade colocada na sua execução, a tarefa de marcar pontos pode ser facilitada.
Mas desenganemo-nos: a equipa espanhola vai bater-se até ao limite das suas forças. Para o que, para que se imponham, os jogadores portugueses vão necessitar do exemplo combativo dos sitiados da carriagem real, realizando as placagens ofensivas que não "fazem prisioneiros" num constante uso do instinto do predador - o killer instinct - que no desporto de Alto Rendimento é apanágio dos vencedores.
A experiência dos 13 jogos internacionais já realizados esta época tem de vir ao de cima e ser factor de vitória ao permitir o à-vontade para correr os riscos necessários. De forma inteligente e combativa. Como em Aljubarrota...
... e para deixar nas nossas memórias o último jogo internacional do António Aguilar e do João Correia.
(Publicado 14 de Março no Público/P3/Râguebi)




terça-feira, 11 de março de 2014

CUMPRIR PRINCÍPIOS

Perder por mais de quinze pontos de diferença no resultado significa, na classificação do ranking IRB, retirar, ao somatório até então obtido, uma vez e meia o número de pontos de ranking de uma derrota por diferença mais próxima. Perder por sete ou menos pontos permite, nesta Taça Europeia das Nações, conquistar um ponto de bónus na tabela classificativa.
A derrota portuguesa em Sochi, contra a Rússia, foi por diferença superior a quinze pontos e não conseguiu ponto de bónus. Tudo prejuízo dir-se-ia.
À entrada do jogo - primeiro quarto - dois ensaios consentidos; no segundo quarto uma recuperação de dez pontos que deixava no ar a visibilidade de uma vitória. Na volta do intervalo, à entrada do terceiro quarto, encaixe de três ensaios e tudo desbaratado. Depois e apesar de um ensaio no último quarto do jogo (a 14 minutos do final) também não houve a lucidez - ou a capacidade - para procurar um pontapé de ressalto ou impor uma penalidade para reduzir a diferença, reduzindo assim os pontos de ranking a perder. Ou seja: com dois inícios de jogo desgraçados, deitamos tudo a perder e fomos de reacção curta.



Curiosamente - maneira simpática de o referir -  Portugal é, das seis equipas do Grupo 1A, aquela que conquistou - 1 apenas - menos pontos de bónus. O que, mais do que demonstração de dificuldade - é sempre muito difícil no nível internacional - para marcar quatro ensaios, significa incapacidade de reagir ao domínio do adversário, de vender cara cada derrota, de ser antes quebrar que torcer. Sabe-se: hoje os pontos de bónus são essenciais para definir classificações finais e têm que ser impedidos e conquistados. E a sua acumulação demonstra também o poder e o carácter de uma equipa.
Essencialmente a derrota portuguesa tem por base a diferença na concepção táctica da placagem e na aplicação do primeiro princípio fundamental do jogo: avançar. Placar não é agarrar, é derrubar, criando as condições que possibilitem a recuperação da bola. E para isso é preciso, também aqui, avançar. AVANÇAR SEMPRE! é o objectivo fundamental de uma equipa, de qualquer jogador. E aqui esteve o primeiro factor da derrota: os portuguesas placaram a receber; os russos placaram ofensivamente - e daqui uma diferença essencial na produção do jogo com consequências no uso da bola e na conquista da bola. Como se diz na gíria, Portugal jogou no "pé de trás" enquanto a Rússia se apoiou no "pé da frente". Uns recuando, outros avançando. Ou seja, uns recebiam bola ou adversário sob pressão, outros recebiam bola e adversário criando a pressão - o quarto princípio fundamental do jogo - que lhes permitia o ciclo virtuoso de encadear a continuidade do movimento - o terceiro princípio - criando, por sua vez, nova pressão e garantindo assim a continuação da vantagem táctica conseguida.

Para vencer a Rússia, Portugal precisaria de velocidade na circulação da bola, atacando a linha de vantagem, procurando intervalos e obrigando os russos a defenderem cada um por si. Recuando, perdeu-se a capacidade para utilizar a velocidade - e neste desporto colectivo de combate, recuar no primeiro embate estabelece uma progressão geométrica ao longo das linhas de ataque e defesa que, no final, diminuem as possibilidades de recuperação. Aliás esta questão de perceber que a velocidade é o elemento que permite impor o jogo - há defesa para tudo excepto para a velocidade, diz-se - mostra-se afastada do entendimento do jogo português: mesmo nas conquistas categóricas dos alinhamentos - e algumas houve - a bola só era passada para o formação quando o saltador punha os pés no chão, dando assim toda a vantagem de recomposição à defesa colectiva adversária. Porquê? Porque a enorme incapacidade de surpreender nas jogadas de circulação de bola? Porquê esta incapacidade de impor jogo, mesmo quando se consegue o domínio territorial?
São os russos muito mais fortes que os portugueses? Nem por isso; são, claro!, bem constituídos mas não foi por aí que a coisa se desfez. Os russos foram melhores em todos os sectores do jogo, foram mais disciplinados na táctica e estratégia que decidiram, entregaram-se mais, bateram-se melhor, apareceram mais vezes lançados para receber a bola, foram colectivamente mais coesos e... ganharam!
Falta agora a Espanha e exige-se a vitória. Construída com orgulho de vestir a camisola da selecção nacional e com a responsabilidade de representar a comunidade rugbística portuguesa.



sábado, 8 de março de 2014

TRAZER UMA VITÓRIA DE SOCHI

Não fora a derrota em casa - que sem os crassos erros defensivos cometidos (os portugueses sofreram 4 ensaios para marcar só um) poderia ter tido diferente desfecho - e um mais que consentido empate em Espanha - o jogo estava no fim e o resultado era favorável a Portugal - e o equilíbrio entre os XV russo e português seria ainda mais visível na tabela classificativa. De facto e apesar da distância de 7 pontos favorável à Rússia, as duas equipas encontram-se próximas quer no ranking IRB - dois lugares de diferença e menos de 1,5 pontos de distância - quer nos diversos indicadores da classificação geral.
E se Portugal aparece com menor capacidade de marcação de ensaios equilibra-se, por outro lado, com a superior na capacidade defensiva que demonstra.


No entanto, o facto da Rússia jogar em casa - em Sochi, local dos Jogos Olímpicos e Parolímpicos de inverno - entrega-lhes, naturalmente, o favoritismo. O que até pode não ser mau para as perspectivas portuguesas.
O XV de Portugal pode, desde que haja elevada atitude competitiva em todos os seus jogadores e que não haja qualquer tipo de desistência qualquer que seja a marcha do resultado, sair vencedor. E assim manter de pé a hipótese de jogar o Mundial.
Fácil, nunca é nem vai ser. Mas é possível vencer. Principalmente se o bloco avançado - por recuo ou por faltas - não ceder na formação ordenada. E se a equipa for capaz de garantir velocidade na disponibilidade das bolas nos pontos de quebra. Quebras que devem ser consideradas como meros e fugazes momentos de concentração dos defensores adversários e não como paragens de recomeço do jogo. Porque a equipa russa tem dificuldades na reorganização colectiva em movimento, Portugal deve apostar tudo na continuidade do movimento, introduzindo velocidade na libertação da bola e no tempo de apoio. Para o que se torna essencial atacar a linha de vantagem para impedir o deslizar dos defensores e permitir a manutenção de corredores laterais libertos.
E se é exigível esta velocidade para que a defesa russa permita exploráveis desequilibrios, será a concentração competitiva colectiva que poderá fazer com que as armas de que os portugueses dispõem se transformem em eficazes criadoras dos pontos necessários à construção da vitória.
Embora Geórgia e Roménia já se encontrem qualificados para 2015, esta série B do 6 Nações - como na gíria toda a gente chama a este campeonato - está ao rubro, podendo levar até à última jornada a decisão do terceiro lugar - que dará a possibilidade de acesso ao Mundial - e da equipa que descerá de divisão.
Mas, para que assim seja, Portugal terá que ganhar em Sochi! 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

QUE PODE FAZER PORTUGAL?

O XV de Portugal cumpriu, em Bruxelas, a sua obrigação: ganhou à Bélgica e não lhe permitiu qualquer "ponto de bónus". Assim, conseguida uma diferença de 5 pontos (mais um ponto, em caso de empate, por melhores resultados entre ambos - duas vitórias) sobre os belgas, a selecção portuguesa afastou o fantasma da descida e pode ainda - se a sorte dos deuses da ovalândia o proporcionar - sonhar com a hipótese de participação no Mundial 2015 em Inglaterra. E o que é preciso para isso?
Uma necessidade absoluta: por um lado, Portugal tem que ganhar - contra a Rússia e Espanha - os dois jogos que lhe faltam; por outro, que a Rússia perca os também dois jogos que lhe faltam - contra Portugal e Bélgica. 
Com as duas vitórias, Portugal conseguirá 8 pontos que, sem qualquer ponto de bónus, lhe permitirão atingir 18 pontos, ficando assim dependente do resultado do jogo da Rússia em Bruxelas. Ficando tudo dependente de uma combinação favorável de pontos de bónus e diferença de resultado com a Rússia (Portugal perdeu em casa na 1ª volta por 31-23), podendo chegar até à diferença de marcados e sofridos. Enfim, hipóteses ainda há mas, infelizmente, já não dependem só de nós - a falta de resultados positivos na época passada será a causa principal mas, como se sabe, não vale a pena chover no molhado. E Portugal pode ganhar à Rússia? Não sendo fácil, jogando em Socchi, pode. 
A Rússia, ao contrário da Geórgia e Roménia, pertence à nossa área de competição e, se olharmos para a relação ensaios marcados/ ensaios sofridos, confirmaremos que a Rússia, embora tenha marcado o dobro dos nossos ensaios, não se tem mostrado brilhante na segurança da sua área (os gráficos podem ser vistos no XVcontraXV). O que significa hipóteses, mas que exigem, nestes quinze dias de intervalo, alterações substantivas de muitas das coisas que se viram em Bruxelas.
E se a vitória é saborosa e nos deixa o descanso necessário para olhar a continuidade e adaptação das políticas de desenvolvimento do rugby doméstico, não podemos deixar de olhar e ver os inúmeros riscos que corremos sem qualquer necessidade. Que poderia ter posto em causa - não fora as incapacidades quer da equipa belga, quer do seu chutador - uma vitória que o passado e o presente do rugby português exigiam. 
Sejamos claros: uma equipa que se candidata a pretendente para uma presença no Mundial não pode cometer, num jogo desta importância, os erros que se viram em Bruxelas. Erros que resultaram de indisciplina colectiva, de displicência individual ou despropósitos tácticos.  
Dos factos do jogo fica que a Bélgica marcou pontos no primeiro quarto e por aí se ficou (ver quadro no XVcontraXV). Mas a selecção portuguesa proporcionou-lhe diversas hipóteses para que não fosse assim com uma excessiva dose de faltas - numa delas, sobre uma formação ordenada a 5 metros da linha de ensaio adversária, deitando fora a oportunidade e deixando o adversário respirar sem esforço, noutras, permitindo tentativas aos postes que poderiam ter colocado problemas graves na marcha do marcador; mas também por displicência individual como faltas por "irritação", dez metros perdidos interrompendo a pressão portuguesa e aliviando a ocupação territorial para terminar em dois cartões amarelos não admissíveis num jogo desta responsabilidade. E que dizer, logo à entrada do jogo, do despropósito de escolha de uma formação-ordenada dentro do nosso meio-campo por troca com um pontapé de penalidade? Demasiada descontração ou, simplesmente, focagem desproporcionada? De tudo isto ressalta uma evidência que tem que ser rapidamente alterada: a selecção portuguesa não cumpre os princípios fundamentais do jogo.
Se os dois ensaios "deitados" fora traduzem falta de reacção que proporcione o APOIO necessário, continua a ser exasperante o demasiado tempo de libertação da bola nos rucks, interrompendo a CONTINUIDADE, dando vantagens à defesa e dificultando ou liquidando as manobras atacantes.
Durante o período do jogo de 13 contra 15 as aparências parecem dizer que os jogadores portugueses se baterem de forma heróica - embora não sendo totalmente assim, deve referir-se a qualidade demonstrada: conseguiram criar a pressão necessária, diminuindo o espaço, para provocar os erros belgas. Mas a realidade, sem pretender beliscar a preciosa vitória, foi que a Bélgica se mostrou uma equipa ainda demasiado débil para jogar ao nível do Grupo A1. E aceitá-lo desde já, alterando o que se deve alterar, é o primeiro passo para poder ganhar na Rússia. E manter a porta aberta...

sábado, 22 de fevereiro de 2014

BOM COMEÇO...

O fim-de-semana rugbístico começou da melhor maneira: vitória de Gales sobre a França por 27-6. Naquilo que pode ser uma boa lição para o que devem fazer os jogadores portugueses no confronto com a Bélgica, Gales superiorizou-se e definiu o caminho da vitória através de duas armas: rapidez na disponibilização da bola nos reagrupamentos e defesa agressiva a ir buscar os adversários e conquistar a linha de vantagem. Do primeiro factor resultou que a defesa francesa nunca pôde subir e foi obrigada a correr lateralmente não conseguindo contrariar a velocidade de reciclagem; do segundo factor resultou a possibilidade de recuperação de bolas quer no chão, quer obrigando o francês portador da bola a permanecer de pé sem possibilidade de libertar a bola. 
Se os jogadores portugueses, no jogo importantíssimo com a Bélgica, souberem e conseguirem libertar rapidamente a bola dos pontos de reagrupamento, toda a rudeza belga se dispersará e não formará um colectivo eficaz. Por outro lado, se em vez da defesa de espera forem capazes de avançar e construirem uma defesa ofensiva, os jogadores portugueses conseguirão com certeza recuperar bolas em situação de vantagem tal que as possam transformar em pontos.
As formações ordenadas foram um desastre - a mess, classificou o árbitro Alain Rolland. Cedo percebendo as suas enormes dificuldades a primeira linha francesa utilizou um truque ao qual nem sempre - como foi o caso na maioria destas vezes - foi percebido pelo árbitro: encaixando com a linha de ombros mais baixa que a linha de ancas, os pilares franceses derrubavam a formação ordenada com o ar infantil de que tinha sido um acaso... e de vez em quando ganharam uma falta.
Mais uma vez os franceses mostraram o desinteressante rugby - o rugby do french flair parece definitivamente enterrado - que os interesses que envolvem o seu Top14 provocam: choque mais choque mais choque. E só na segunda-parte, pela entrada do formação Maxime Machenaud que deu maior velocidade às bolas libertas de rucks, foi possível ver ataques de circulação que as tentativas de penetração mal preparadas e para mal dos pecados de Saint-Andre, acabavam por tornar ineficazes. E tendo sido a defesa galesa mais agressiva do que a inglesa, os franceses nem disfarçar conseguiram... Excelente vitória de Gales!
Depois deste bom início de fim-de-semana espera-se esta tarde uma cereja no topo do bolo: a vitória de Portugal!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O QUE VALE A BÉLGICA?

O jogo deste sábado com a Bélgica é de grande importância para Portugal. Ganhando, Portugal, no mínimo, ficará com a tranquilidade da manutenção neste Grupo A1 da Taça Europeia das Nações - teoricamente a Espanha, que Portugal receberá a 15 de Março próximo, não ganhará nenhum jogo até lá nem tão pouco conseguirá pontos de bónus defensivos. Perdendo, Portugal ficará dependente, para além de mais uma vitória - Rússia fora, Espanha em casa - do resultado de terceiros, nomeadamente no que diz respeito a pontos de bónus.
Faltam três jornadas e na classificação geral do Grupo, Portugal tem 7 pontos (1 vitória, um empate e um ponto de bónus), a Espanha tem 10 (1 vitória, 2 empates e 2 pontos de bónus) e a Bélgica 6 (1 empate e 4 pontos de bónus). Ganhando, Portugal passará para 11 pontos, voltando a ocupar a 4ª posição, voltando a 21º do ranking e dificilmente ficará em posição classificativa de descida de Grupo. Por tudo isto, a importância do jogo de sábado - nele se joga o futuro.
E Portugal pode ganhar à Bélgica? Pode e vai ter que o fazer. Pelo que se escreveu e pela sua maior qualidade técnico-táctica. E não haverá problema desde que os jogadores portugueses entrem no terreno de jogo com a atitude que as circunstâncias impõem. Dispostos a vencer, focados no domínio territorial, na pressão, placando ofensivamente e utilizando a bola de forma adequada ao posicionamento defensivo adversário. E utilizando a velocidade, conquistando sempre terreno, jogando na cara da defesa.
A selecção portuguesa está na 22ª posição do Ranking IRB com 58,88 pontos enquanto que a Bélgica se encontra na 28ª posição com 55,39 pontos. Uma distância com algum significado, portanto. Demonstrada aliás na vitória portuguesa  da primeira-volta por 18-12 com dois ensaios marcados contra nenhum dos belgas.
Mas não vai ser fácil. A Bélgica, sendo inferior aos portugueses em termos de capacidade técnica e táctica é uma equipa muito rude e lutadora, mostrando-se difícil, portanto, para estabelecer a diferença. E desta postura são demonstrativos - tem um ponto de bónus ofensivo por marcar, embora perdendo, 4 ensaios à Rússia - os três pontos de bónus defensivos por derrotas por menos de oito pontos. Em termos de ensaios, Portugal só conseguiu marcar 4 nos sete jogos efectuados e a Bélgica marcou 8. Mas uma vantagem para Portugal nesta segunda-volta: tal como os belgas, não marcamos qualquer ensaio mas sofremos 5 contra os 7 sofridos pela Bélgica.
Nada vai ser fácil e para vencer será preciso muito mais do que a presença em campo.
Na análise teórica que se pode fazer dos jogos efectuados até este confronto - ver gráficos no meu "XV contra XV" - é nos quartos ímpares, iniciais, que a Bélgica tem demonstrado mais dificuldades - um ensaio marcado contra 7 sofridos. O que parece indiciar dificuldades de "entrada" em jogo por parte dos belgas. No último quarto - os célebres 20 minutos finais que se diz marcarem a diferença - os dois ensaios conseguidos contra a Rússia disfarçarão debilidades mas também demonstram capacidade de luta e uma atitude competitiva a salientar: energia física e mental para correr atrás do prejuízo. E os resultados gerais mostram-no: uma derrota em Bruxelas - embora em estado de batalha campal - com a Geórgia por quatro pontos de diferença; um empate, também em Bruxelas com a Espanha, a vinte-e-um pontos.
Num jogo, repete-se, de grande importância para o rugby nacional, aos jogadores portugueses pede-se, seguindo o conselho de um ilustre treinador desconhecido "o resultado não importa nada, o que importa é ganhar!", que tragam os pontos da vitória. Para o que necessitarão de uma postura de combate, de antes quebrar que torcer, de firmeza focada na vitória. Estrategicamente, impondo - através de jogo-ao-pé eficaz - o domínio territorial para permitir montar a pressão necessária que leve os belgas a cometerem erros defensivos ou a fazerem faltas. Ou a serem obrigados a jogar a bola dentro do seu campo. Porque uma coisa parece ressaltar do que se conhece das duas equipas: os jogadores portugueses são mais capazes se forem capazes de utilizar o rugby de movimento, atacando o espaço, atacando a linha de vantagem. Fazendo circular a bola e obrigando os belgas a terem que se desmultiplicar defensivamente e, por inexperiência competitiva deste nível, cometerem os erros que permitirão marcar os pontos necessários à vitória portuguesa. Que, convém, tenha a diferença que não permita ponto de bónus belga. Não vá o diabo tecê-las.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

PORTUGAL-GEÓRGIA


A Geórgia marcou o mesmo número de pontos (17) em cada uma das partes mas em 12', após uma hora de jogo - dos 60' aos 72' - marcou a diferença. 

ROMÉNIA-PORTUGAL



A Roménia marcou 87% dos seus pontos no meio-tempo do centro.

sexta-feira, 8 de março de 2013

GANHAR OU GANHAR




Amanhã a Selecção Nacional só tem um resultado possível: ganhar! E ganhar seja com boas ou piores maneiras no que respeita à qualidade do jogo. Trata-se apenas de uma possibilidade: ganhar! Sem mé, nem contra-mé. Ganhar!
Porque só assim poderemos continuar a manter a chama viva da esperança na presença no Mundial de 2015.
Os valores do ranking da IRB "dão-nos" a vitória - por três poucos pontos, mas dizem-nos mais favoritos do que os russos.O que significa que não se está a pedir o exagero de toda a sorte dos deuses para sair vencedor de Taveiro. Que chove, que não é o melhor terreno, que é um azar dos diabos, que vamos ter dificuldades a jogar à mão, a abrir o perimetro de jogo. Que seja! que seja um azar, um isto ou um aquilo mas que transforme cada um dos jogadores portugueses num valente e invencível guerreiro que só desiste depois da vitória garantida no apito final do árbitro.
Que se jogue ao pé, conquistando território e retirando conforto - encostando-os à linha de ensaio - ao sistema defensivo russo. Que cada momento de proximidade à área adversária se traduza em pontos no bornal. Que cada momento de aproximação crie o pânico aos nossos adversários, retirando-lhes espaço de segurança da reorganização por falta de terreno nas costas.
Como dizia Sun-Tsu: ser invencível depende da própria pessoa, derrotar o inimigo depende dos erros do inimigo. Ou seja: atitude conquistadora, de antes quebrar que torcer, a provocar a pressão necessária à desorganização adversária. E confiança, muita confiança! Tornando a chuva um aliado.


domingo, 10 de fevereiro de 2013

VITÓRIAS PRECISAM-SE

Porque é que as equipas portuguesas de rugby entram nos jogos internacionais de forma desconcentrada e à espera que aconteça não se sabe bem o quê?

Este fim-de-semana, quer na Geórgia, quer em Las Vegas contra Fiji, as selecções nacionais de XV e VII entraram a "olhar para ontem" e sofreram de imediato ensaios. Depois, embora equilibrando o jogo e mostrando que poderiam jogar de igual para igual, correram sempre, com o avanço oferecido, atrás do resultado. Perdendo ambos os jogos e colocando-nos em posição difícil para os objectivos perseguidos, neste deixar fugir oportunidades por entre os dedos.

Nunca se pode ter a certeza porque os factores são diversos e a sua conjugação depende de diferentes aspectos, mas apetece dizer: se Portugal tivesse jogado contra a Roménia com a mesma atitude com que jogou em Tbilisi, teria vencido o jogo de Lisboa. Observação que leva a nova pergunta: porque é que ficamos sempre com a sensação que a atitude colectiva de combate dos jogadores quando jogam "fora" é superior à atitude que mostram em casa?

A pressão que os Lobos realizaram contra a Geórgia foi boa e muito mais eficaz do que a conseguida contra a Roménia - subiram mais e impediram, ao contrário do jogo anterior, que os adversários conquistassem a "linha de vantagem" e criassem o apoio com facilidade - conseguindo assim organizar a defesa para além da placagem. Também a decisão de disputar os alinhamentos de responsabilidade adversária foi eficaz e permitiu significativo roubo de bolas ... que assim fosse também nos nossos lançamentos. Mas o facto é este: continuamos sem plataformas - formações ordenadas e alinhamentos - que nos permitam bases sólidas de ataque. Principalmente as formações ordenadas não têm atingido o nível mínimo exigível para a prestação internacional, dando óbvias vantagens aos adversários quer na utilização da bola, quer no campo psicológico. As FO dependem de duas áreas: técnica e atitude. Sendo ambas colectivas, têm um número de regras e conceitos que devem ser assumidos por cada um e utilizados em conjunto - o "pack" de Portugal tem o peso necessário e a sua composição não fica a perder perante os adversários: porque é que recuamos?! E sem boas conquistas - simultaneidade de bola e terreno - não há bom ataque. E o jogo fica limitado à aparência de sermos parceiros.

Se a derrota contra a Roménia é explicada pelo treinador nacional por desconcentrações finais, o que se passou na Geórgia, deitando fora um ponto de bónus defensivo, leva a pensar que este aspecto, sendo mais do que uma casualidade, tem que ser trabalhado e controlado - a derrota com a Espanha no Sevens de Wellington sofreu do mesmo mal... Principalmente porque, como os resultados mostram, se trata de um Grupo equilibrado em que os jogos se ganham nos pormenores. E a qualificação dependerá deles.

O próximo jogo é em casa e contra a recém-promovida Bélgica. Pelos resultados, ambos em Bruxelas, conseguidos - derrota contra a Geórgia por uns reduzidos (13-17) e empate (21-21) com a Espanha - o jogo irá exigir um empenho absoluto por parte dos jogadores portugueses. Qualquer deslumbramento ou "olhar do cimo da burra" - como aconteceu no jogo contra o Uruguai nos Sevens dos USA que acabou por relativizar a excelente vitória sobre a Inglaterra - será desastroso pelos riscos que comportará. Porque é impensável outro resultado que não a vitória.

[à margem
Os árbitros franceses para o Geórgia-Portugal não chegaram ao jogo. Terão, devido ao mau tempo, ficado em Munique. Azar?! Nem por isso. Principalmente falta de respeito dos organizadores da competição pelas equipas envolvidas. Trata-se de uma competição - a segunda da Europa - que qualifica para o Mundial e que não pode ser tratada como um recreativo jogo particular - que não existe na tradição do Rugby uma vez que os jogos internacionais são oficiais e contam para o posicionamento no Ranking IRB e com as consequências - positivas ou negativas - que daí resultam. Os resultados e a credibilidade desta competição têm importância no acesso a patrocínios e não são assim irrelevantes. Fica portanto a pergunta: porque é que os árbitros se deslocam em cima da hora impedindo o recurso a alternativas que não sejam o recurso a "ir buscar árbitros à bancada"? (o caso, o regulamento determina que seja utilizado um dos árbitros-assistente nomeado e que é da "casa"). Porque é que não viajam mais cedo?]


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