Portugal venceu o Torneio de Sevens de Cracóvia, conquistando o título de campeã da World Rugby HSBC Sevens Challenger e, assim, apurando-se para o torneio de acesso às Sevens Series.
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quarta-feira, 16 de abril de 2025
terça-feira, 23 de julho de 2019
NUM TEM-TE-NÃO-CAIAS TALVEZ HONGKONG
Classificando-se em 4º lugar na etapa de Moscovo e vencendo a segunda etapa de Lodz, a Alemanha é — pasme-se! — a nova campeã europeia de Sevens.
Nas suas duas participações no Sevens Grand Prix a selecção portuguesa, com dois sétimos lugares não foi propriamente brilhante. Fazendo jogos aceitáveis, quedou-se no total de 12 jogos por 4 vitórias e 8 derrotas com uma Quota de Pontos Marcados de 43%. Melhor fez, com um 4º lugar no Olimpic Qualifier.
Com quatro objectivos para a época que agora terminou,
- Classificação até ao 12º lugar no Torneio de Hong Kong da Sevens World Series;
- Classificação até ao 9º lugar no Torneio de Moscovo do Rugby Europe Sevens Grand Prix para participar no Men Sevens Olimpic Qualifier;
- Classificação nos três primeiros lugares do Men Sevens Olimpic Qualifier para apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (1º lugar) ou para apuramento da Repescagem Olímpica (2º e 3º lugares);
- Classificação nos três primeiros lugares, depois de retiradas as equipas “residentes” do Sevens World Series, no Rugby Europe Sevens Grand Prix para acesso ao Qualifier de Hong Kong com o objectivo de acesso ao Sevens World Series,
a selecção portuguesa de Sevens conseguiu atingir dois — o segundo e o quarto.
Vale-nos assim a classificação — se se mantiver o número de três equipas europeias — para o Qualifier de Hong Kong, única forma de atingir o World Series Sevens que, se assim for, deve ser o grande objectivo da variante para a próxima época.
Nas suas duas participações no Sevens Grand Prix a selecção portuguesa, com dois sétimos lugares não foi propriamente brilhante. Fazendo jogos aceitáveis, quedou-se no total de 12 jogos por 4 vitórias e 8 derrotas com uma Quota de Pontos Marcados de 43%. Melhor fez, com um 4º lugar no Olimpic Qualifier.
Com quatro objectivos para a época que agora terminou,
- Classificação até ao 12º lugar no Torneio de Hong Kong da Sevens World Series;
- Classificação até ao 9º lugar no Torneio de Moscovo do Rugby Europe Sevens Grand Prix para participar no Men Sevens Olimpic Qualifier;
- Classificação nos três primeiros lugares do Men Sevens Olimpic Qualifier para apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 (1º lugar) ou para apuramento da Repescagem Olímpica (2º e 3º lugares);
- Classificação nos três primeiros lugares, depois de retiradas as equipas “residentes” do Sevens World Series, no Rugby Europe Sevens Grand Prix para acesso ao Qualifier de Hong Kong com o objectivo de acesso ao Sevens World Series,
a selecção portuguesa de Sevens conseguiu atingir dois — o segundo e o quarto.
Vale-nos assim a classificação — se se mantiver o número de três equipas europeias — para o Qualifier de Hong Kong, única forma de atingir o World Series Sevens que, se assim for, deve ser o grande objectivo da variante para a próxima época.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
EM LODZ A OLHAR HONG KONG
Nesta 2.ª etapa do Rugby Europe Sevens Grand Prix a disputar em Lodz, na Polónia, estão em causa, somando as pontuações dos dois torneios, diversas qualificações para além do título de Campeão da Europa: os dois ou três primeiros classificados finais (ainda não está definido o número final que será definido em Agosto) para além das cinco equipas que disputam o Sevens World Series, terão acesso ao Qualifier para o Mundial de Sevens; os três primeiros qualificados finais, retirando as cinco equipas que disputam o SWS, terão acesso à Qualificação de Hong Kong onde o primeiro classificado entrará para o grupo dos “residentes” do SWS; o primeiro classificado final, retirando as cinco equipas que disputam o SWS, será convidado a disputar os torneio de Paris e Londres. Enfim, muitos interesses em jogo a dominarem as expectativas...
A selecção portuguesa tem como adversários, este sábado e no Grupo A, a Espanha (10:00), a França (12:45) e a Roménia (15:52).
A tarefa que se coloca à equipa portuguesa não é fácil. Principalmente na procura do 1º lugar dos não “residentes” para o qual a diferença de 6 pontos para a Alemanha a nada ajuda. Mas a classificação para o acesso ao Qualifier de Hong Kong — que deve ser o objectivo principal desta prestação competitiva — é perfeitamente possível.
A selecção portuguesa tem como adversários, este sábado e no Grupo A, a Espanha (10:00), a França (12:45) e a Roménia (15:52).
A tarefa que se coloca à equipa portuguesa não é fácil. Principalmente na procura do 1º lugar dos não “residentes” para o qual a diferença de 6 pontos para a Alemanha a nada ajuda. Mas a classificação para o acesso ao Qualifier de Hong Kong — que deve ser o objectivo principal desta prestação competitiva — é perfeitamente possível.
terça-feira, 16 de julho de 2019
GRÃ-BRETANHA GARANTE LUGAR NOS JOGOS OLÍMPICOS
A Grã-Betanha, medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, será, pela vitória da Inglaterra no Torneio Europeu de Qualificação Olímpica, o representante da Europa nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. A França e a Irlanda foram as equipas apuradas para a prova de repescagem que se disputará em Junho do próximo ano. Tudo normal, portanto.
Tudo normal excepto a violação dos princípios desportivos cometida pela Rugby Europe nas regras que definiu para acesso ao Torneio de Qualificação Olímpica de sua responsabilidade. O Desporto de Rendimento, com as suas dimensões de resultado e superação sempre presentes, exige o máximo de equilíbrio possível entre os competidores. Por isso existem as diversas categorias com o objectivo de garantir que as equipas presentes em cada uma das competições estão, do ponto de vista de capacidades competitivas, tão próximas quanto possível umas das outras. Proporcionando assim competições sem vencedores antecipados ou derrotados permanentes. Havendo sempre a possibilidade de troca entre a pior equipa da divisão superior e a melhor da divisão imediatamente inferior.
Mas aderindo ao populismo da moda e, repete-se, violando os princípios elementares que definem o Deporto de Rendimento, a Rugby Europe decidiu que só se apurariam nove equipas das doze que constituem a sua I Divisão (Rugby Europe Sevens Grand Prix), juntando duas equipas — Lituânia e Ucrânia — da II Divisão (Rugby Europe Sevens Trophy) e uma terceira — Hungria — da III Divisão (Rugby Europe Sevens Conference). Ou seja: qualificaram-se equipas sem o valor desportivo de outras que ficaram de fora como a Polónia e a Roménia, estabelecendo-se um óbvio desequilíbrio — a Lituânia marcou 9 ensaios (metade do conseguido pela Rússia que se qualificou em 9º lugar), a Ucrânia marcou 7 e a Hungria 3... O que faz logo do sorteio uma situação de desigualdade!
A selecção de Portugal, apesar do fraco primeiro dia, tirou o melhor partido destes desequilíbrios e, vencendo por 47-0 a Hungria, conseguiu, apesar das duas derrotas contra a Itália (!) e a França, classificar-se como melhor 3º lugar e apurar-se para os quartos-de-final da Cup. Aí, num belo jogo, conseguiu, ao vencer a Espanha — que fez um World Series de boa qualidade — atingir a meia-final e garantir, no mínimo, a disputa do 3º/4º lugar para apuramento para a Repescagem Olímpica.
Com um jogo mais verticalizado do que habitualmente mas continuando a circular a bola muito longe da linha de vantagem — o que permite um fácil “deslizar” defensivo com a consequente eliminação da superioridade numérica anteriormente conseguida — o sevens português, com o seu 4º lugar na classificação final, mostra-se preparado para conseguir a qualificação necessária na próxima etapa do europeu Grand Prix Series — embora tendo que, imperativamente, ultrapassar os 6 pontos de diferença de classificação para a Alemanha — para ser convidado para os Sevens de Londres e Paris da próxima época. E se assim for, classificando-se simultaneamente para Hong Kong, o primeiro objectivo de encontrar condições para retornar ao World Series ficará atingido
Tudo normal excepto a violação dos princípios desportivos cometida pela Rugby Europe nas regras que definiu para acesso ao Torneio de Qualificação Olímpica de sua responsabilidade. O Desporto de Rendimento, com as suas dimensões de resultado e superação sempre presentes, exige o máximo de equilíbrio possível entre os competidores. Por isso existem as diversas categorias com o objectivo de garantir que as equipas presentes em cada uma das competições estão, do ponto de vista de capacidades competitivas, tão próximas quanto possível umas das outras. Proporcionando assim competições sem vencedores antecipados ou derrotados permanentes. Havendo sempre a possibilidade de troca entre a pior equipa da divisão superior e a melhor da divisão imediatamente inferior.
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| Tabela final da classificação da Qualificação Olímpica europeia |
A selecção de Portugal, apesar do fraco primeiro dia, tirou o melhor partido destes desequilíbrios e, vencendo por 47-0 a Hungria, conseguiu, apesar das duas derrotas contra a Itália (!) e a França, classificar-se como melhor 3º lugar e apurar-se para os quartos-de-final da Cup. Aí, num belo jogo, conseguiu, ao vencer a Espanha — que fez um World Series de boa qualidade — atingir a meia-final e garantir, no mínimo, a disputa do 3º/4º lugar para apuramento para a Repescagem Olímpica.
Com um jogo mais verticalizado do que habitualmente mas continuando a circular a bola muito longe da linha de vantagem — o que permite um fácil “deslizar” defensivo com a consequente eliminação da superioridade numérica anteriormente conseguida — o sevens português, com o seu 4º lugar na classificação final, mostra-se preparado para conseguir a qualificação necessária na próxima etapa do europeu Grand Prix Series — embora tendo que, imperativamente, ultrapassar os 6 pontos de diferença de classificação para a Alemanha — para ser convidado para os Sevens de Londres e Paris da próxima época. E se assim for, classificando-se simultaneamente para Hong Kong, o primeiro objectivo de encontrar condições para retornar ao World Series ficará atingido
quarta-feira, 26 de junho de 2019
ADAPTAÇÃO AO MUNDO DOS SEVENS
“Treina-se como se joga” é o aforismo que os treinadores utilizam para balizarem os procedimentos de treino das suas equipas e que determinam a metodologia que deve estar directamente relacionada com a forma da competição. Ou seja: que tem que haver, durante os tempos de treino uma adaptação às necessidades da competição que são estabelecidas pela recolha de dados que o jogo determina. Daí a importância do conhecimento dos horários e sequências de jogos bem como das estatísticas para que se possa responder ao padrão de uma determinada competição: que intervalo entre jogos quanto tempo útil de jogo, quantas formações-ordenadas, quantos alinhamentos, quantas placagens, quantos pontapés, etc. etc.? E também perceber quais os momentos críticos de uma competição.
No RE Womens Trophy realizado em Lisboa no passado fim-de-semana, a selecção portuguesa feminina teve 4 vitórias e 2 derrotas com 23 ensaios marcados e 3 sofridos numa quota de pontos marcados de 87%. Mas no final, apesar destes bons resultados quedou-se — embora subindo dois lugares em relação à 1ª etapa — em 5º lugar. E porquê este 5º lugar? Porque foi derrotada no jogo errado - o primeiro jogo do segundo dia da competição, perdendo por 7-0 com a República Checa. Na classificação final do somatório das duas etapas, a selecção feminina de Portugal classificou-se, com 20 pontos, no 6º lugar. Com esta classificação a equipa portuguesa não conseguiu subir à Championship da próxima época e ficou fora do acesso ao apuramento olímpico. Mas as suas prestações foram interessantes e promissoras, necessitando de melhor adaptação à competição para obter os resultados necessários à subida.
A selecção masculina, no RE Sevens Championship de Moscovo classificou- se em 7º lugar, cumprindo o objectivo de apuramento para a Qualificação Olímpica que se realiza no segundo fim‑de‑semana de Julho, conseguindo também 4 vitórias e 2 derrotas, mas marcando 18 ensaios para 20 sofridos. E com uma derrota estrondosa — e pouco aceitável — no também primeiro jogo do segundo dia, perdendo com a Alemanha por 45-0.
Parece portanto existir uma óbvia falha na adaptação de qualquer das equipas demonstrada nas duas derrotas no primeiro jogo do segundo dia. Isto é, @s jogador@s portugues@s não estão preparad@s para estar nas melhores condições atléticas e psicológicas no jogo de horário matinal — aquele que define o grupo de classificação final — do segundo dia da competição depois do desgaste de três jogos do primeiro dia.
Não sendo um problema específico português — muitas equipas já passaram por ele — existem soluções que provaram a sua eficácia para garantir que “jogar como se treina” significa jogar ao melhor nível possível. Dois dias seguidos com treinos matinais — 9:00 horas* — com grande intensidade e placagem real incluída, resultou com outras equipas. Aplique-se!
E comece a pensar-se que o planeamento do Sevens deve ser quadrienal, garantindo assim que a acumulação de hábitos e adaptações conseguidas pel@s jogador@s tem utilidade, sem esquecer os mundiais, para os apuramentos olímpicos vindouros.
[* No meu temoo de jogador e quando Pedro Cabrita era treinador da selecção nacional tive muitos treinos às 6 e meia da manhã na “estância de madeiras” - campo do SL Benfica no Campo Grande. Embora o horário dos treinos se devesse a questões de ordem logística, o facto facilitou a adaptação aos jogos do campeonato nacional de clubes que eram, então, pelas 11 da manhã...]
No RE Womens Trophy realizado em Lisboa no passado fim-de-semana, a selecção portuguesa feminina teve 4 vitórias e 2 derrotas com 23 ensaios marcados e 3 sofridos numa quota de pontos marcados de 87%. Mas no final, apesar destes bons resultados quedou-se — embora subindo dois lugares em relação à 1ª etapa — em 5º lugar. E porquê este 5º lugar? Porque foi derrotada no jogo errado - o primeiro jogo do segundo dia da competição, perdendo por 7-0 com a República Checa. Na classificação final do somatório das duas etapas, a selecção feminina de Portugal classificou-se, com 20 pontos, no 6º lugar. Com esta classificação a equipa portuguesa não conseguiu subir à Championship da próxima época e ficou fora do acesso ao apuramento olímpico. Mas as suas prestações foram interessantes e promissoras, necessitando de melhor adaptação à competição para obter os resultados necessários à subida.
A selecção masculina, no RE Sevens Championship de Moscovo classificou- se em 7º lugar, cumprindo o objectivo de apuramento para a Qualificação Olímpica que se realiza no segundo fim‑de‑semana de Julho, conseguindo também 4 vitórias e 2 derrotas, mas marcando 18 ensaios para 20 sofridos. E com uma derrota estrondosa — e pouco aceitável — no também primeiro jogo do segundo dia, perdendo com a Alemanha por 45-0.
Parece portanto existir uma óbvia falha na adaptação de qualquer das equipas demonstrada nas duas derrotas no primeiro jogo do segundo dia. Isto é, @s jogador@s portugues@s não estão preparad@s para estar nas melhores condições atléticas e psicológicas no jogo de horário matinal — aquele que define o grupo de classificação final — do segundo dia da competição depois do desgaste de três jogos do primeiro dia.
Não sendo um problema específico português — muitas equipas já passaram por ele — existem soluções que provaram a sua eficácia para garantir que “jogar como se treina” significa jogar ao melhor nível possível. Dois dias seguidos com treinos matinais — 9:00 horas* — com grande intensidade e placagem real incluída, resultou com outras equipas. Aplique-se!
E comece a pensar-se que o planeamento do Sevens deve ser quadrienal, garantindo assim que a acumulação de hábitos e adaptações conseguidas pel@s jogador@s tem utilidade, sem esquecer os mundiais, para os apuramentos olímpicos vindouros.
[* No meu temoo de jogador e quando Pedro Cabrita era treinador da selecção nacional tive muitos treinos às 6 e meia da manhã na “estância de madeiras” - campo do SL Benfica no Campo Grande. Embora o horário dos treinos se devesse a questões de ordem logística, o facto facilitou a adaptação aos jogos do campeonato nacional de clubes que eram, então, pelas 11 da manhã...]
quinta-feira, 13 de junho de 2019
NÃO HÁ RESULTADOS SEM EXPERIÊNCIA
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| Foto FPR |
E que lições pode o rugby português retirar deste resultado?
A equipa mostrou boas capacidades, jogando um sevens vertical, atacando a defesa para a concentrar ou utilizar os intervalos com a constante intenção de, no mínimo, ultrapassar a linha de vantagem, mantendo a posse da bola em passes curtos permitidos pela muito atempada convergência do apoio, numa demonstração de bom conhecimento das questões tácticas que se colocam ao jogo. E marcou, numa média superior a 4 por jogo, 25 ensaios! E a equipa, pelo que jogou, não merecia esta classificação de 7.º lugar. Então o que falhou?
Falhou o rugby português que não mostra preocupações efectivas de adaptação ao programa internacional, não dando às jogadoras as necessárias condições de adaptação e experiência.
Em Portugal jogam-se os sevens femininos em torneios de um só dia, o Trophy ou o GPS jogam-se em dois com a agravante de o jogo que acaba por definir o grupo de classificação final — quatro primeiros, de 5.º a 8.º, de 9.º a 12.º — ser o primeiro encontro do segundo dia e que é realizado de manhã. E têm as jogadoras portuguesas hábitos competitivos que lhes permitam encarar este modo de competição com natural à-vontade? Não, não têm! E não há resultados sem adaptação e ajuste às competições que se vão disputar. Tão pouco sem experiência.
Mas, para pioria da situação, há ainda o juntar à competição interna de Sevens uma competição de Tens, essa coisa que não é nem carne, nem peixe e que em nada ajuda ao desenvolvimento competitivo do rugby feminino português — as provas internacionais são de sete ou de quinze, não de dez... De facto, ao reduzir em 300m2 a área por jogadora, transforma-se este Tens num “sevens menos intenso” que, só por ignorância, pode ser dado como preparador do acesso ao “quinze” — porque lhe falta a essência da aproximação a duas unidades essenciais e que se mostram fulcrais no moderno jogo a quinze: a terceira-linha e o três-de-trás.
Portanto dois aspectos se mostram absolutamente de alteração necessária em todo o processo de acesso internacional do rugby feminino português: a adaptação da competição interna, aproximando-a do modelo internacional*, a que se deve juntar a participação em provas externas de dois dias; o acabar com os torneios de Tens pelo menos para as melhores equipas onde jogam as potenciais internacionais portuguesas.
A esta reorganização táctica deve juntar-se uma visão estratégica que permita a adequada preparação para possível acesso às competições marcantes do panorama internacional: campeonatos do mundo e Jogos Olímpicos.
Assim, a escolha de jogadoras deve ser feita em tempo útil que possibilite a preparação também em tempo útil para os ciclos mundiais e olímpicos, garantindo um tempo disponível para permanência na equipa ajustado e evitando, tanto quanto possível, a transformação por mudanças do núcleo central das equipas em contra-ciclo.
A actual equipa, embora e naturalmente com falta de experiência, mostrou qualidades para uma boa participação internacional. Com o mundial daqui a 2 anos (2022) e o Jogos de Paris em 2024, bom seria que a generalidade dos responsáveis do rugby português mostrassem saber planear atempadamente e com uma eficaz visão de médio prazo o futuro desta selecção feminina.
[* nada impede a realização de torneios internos de dois dias se, por exemplo, apenas se considerar que a presença nos dois dias se destina às 2/3 equipas que constituem a base da selecção nacional enquanto que as restantes equipas seriam divididas por cada um dos dois dias, minorando-se assim a questão da carestia da presença.]
segunda-feira, 10 de junho de 2019
BÁRBARA VALENTE ARBITRA FINAL DO TROPHY DE BUDAPESTE
A árbitro Bárbara Valente, em nova demonstração da qualidade da arbitragem portuguesa, apitou, em Budapeste, a final da 1.ª etapa — disputada entre a Alemanha e a Roménia (20-7) — do Sevens Trophy Feminino 2019.
domingo, 2 de junho de 2019
PAULO DUARTE APITA FINAL DO PARIS SEVENS
A classe de Paulo Duarte está demonstrada com esta nomeação para a final do Paris Sevens, último torneio da World Series de 2019 que teve como vencedor final a equipa de Fiji seguida pelos Estados Unidos, Nova Zelândia e África do Sul e que constituem o grupo de equipas directamente classificadas para os Jogos Olímpicos.
Pela primeira vez um português esteve - no terreno-de-jogo - numa final da World Series e as possibilidades de um árbitro de rugby português estar presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio aumentam substancialmente.
Pela primeira vez um português esteve - no terreno-de-jogo - numa final da World Series e as possibilidades de um árbitro de rugby português estar presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio aumentam substancialmente.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
MUITO PARA ALTERAR
Houve uma melhoria substancial na prestação competitiva da 4ª etapa do Grand Prix Series em relação às demonstrações competitivas das anteriores etapas.
Sendo a razão principal a maior coesão da equipa - não houve estreias e já havia, portanto, algum enraizamento - que provocou uma importante alteração de atitude, quer frente aos adversários quer de uns para com os outros com uma maior entreajuda colectiva. Mas houve também - e disso são os melhores resultados consequência - alterações na forma de jogar.
Ao contrário das outras etapas, nesta etapa de Exeter os jogadores portugueses sempre que tinham a bola “atacavam” a defesa, obrigando o defensor a preocupar-se, mais do que tudo, com o seu próprio corredor e a gastar depois mais energia - o deslize tem que ser feito a maior velocidade - quando precisava de desmultiplicar a sua defesa. Com esta forma de jogar, para além do cumprimento dos princípios e da geometria do jogo, há muito maiores hipóteses de explorar, em tempo útil, possíveis erros defensivos porque, jogando em cima, as hipóteses de romper a linha defensiva são maiores e mais difíceis de recuperar - os intervalos são mais difíceis de fechar e o espaço de penetração é superior. E ainda, ao contestar mais a defesa, possíveis erros nos movimentos dos adversários tendem a aparecer também em maior número.
Por outro lado e no que diz respeito à defesa, os jogadores portugueses mostraram bem a nítida preocupação de derrubar o portador da bola, procurando colocá-lo o mais rapidamente possível no chão - isto é, placando o portador da bola uma vez que só existe placagem se portador da bola e placador forem ao chão. Esta diferença provocou a possibilidade de mais recuperações de bolas mas, acima de tudo, permitiu que defesa colectiva se reorganizasse sem recuar demasiado, permitindo assim que a pressão sobre os atacantes fosse mais constante e, eventualmente, mais eficaz.
No entanto e apesar das melhorias e do 4º lugar conseguido, ainda há muito para fazer, para construir e para desenvolver e que não se compadece com a forma como a participação portuguesa foi preparada. De facto tivemos, em Exeter e comparativamente - como mostram os gráficos - com os adversários que obtiveram 50% de vitórias nos 6 jogos, a pior percentagem de quota de pontos marcados na relação da totalidade de pontos - 40% contra 49% da Espanha e 47% da Alemanha - e a pior diferença de pontos marcados/sofridos (-40 pontos que nos colocaram na 10ª posição entre os presentes no torneio inglês) de todos os 4º lugares do GPS dos anos de 2016 e 2017. O que demonstra, nas dificuldades da eficácia ofensiva e defensiva - marcamos ensaios a menos (porque usamos mal a bola ou porque não conquistámos as suficientes) e sofremos ensaios a mais (porque cometemos erros de coordenação da linha ou porque lemos mal os movimentos) - a distância a que nos encontramos do acesso a Mundiais e Jogos Olímpicos. Situação que apenas se resolve com determinação e visão estratégica dos dirigentes federativos e clubistas.
É aliás uma pena que os jogadores não sejam treinados/ensinados o suficiente nas questões técnico/tácticas individuais de maneira a que sejam suficientemente eficazes perante as situações que enfrentam. Fábio Conceição, por exemplo, mostra todas as condições para ser um caso sério no Sevens mundial mas a quem falta ainda um conjunto de ferramentas para poder ser um adversário temido e não ser trabalhado/ensinado é um desperdício desportivo que não é aceitável - os jogadores devem ter o direito de ser ajudados a atingir o máximo das suas capacidades. E as dele são elevadas.
Como também se percebe só de olhar, os Sevens exigem uma cada vez maior capacidade física que não é possível atingir apenas com os treinos. O que torna essencial a realização de torneios antes do GPS para garantir, para além da necessária coesão, consistência e experiência, a condição física que possibilite a constância de resultados e se assim não for por forma a garantir as classificações pretendidas.
Porque, de outra maneira e se assim não for, ficaremos sujeitos aos altos e baixos de uma sorte e de um azar. Dependendo mais dos outros do que de nós próprios.
terça-feira, 18 de julho de 2017
OPORTUNIDADE DESTROÇADA
O quarto lugar conseguido pela selecção portuguesa de Sevens na 4ª e última etapa do Grand Prix Series disputado em Exeter - à frente dos já apurados para o Mundial 2018, Inglaterra e França e dos pressupostos adversários directos Espanha, Alemanha e Geórgia - veio demonstrar uma evidência: se preparada de forma adequada, a equipa portuguesa tinha todas as condições para uma participação competitiva de acordo com os objectivos desportivos pretendidos de acesso a Hong-Kong e/ou entrada na corrida ao Mundial de 2018.
Infelizmente a falta de visão e a existência, até, de preconceitos sobre a variante por parte dos responsáveis da modalidade a que a comunidade rugbística assistiu sem preocupações, tornaram impossível o cumprimento da missão portuguesa. E o resultado disso viu-se na posição final: um 8º lugar sem honra nem proveito.
O facto é este: foi por decisões erradas e falta de interesse da administração da modalidade - nomeadamente colocando o Portugal-Brasil de relativa importância num patamar que não merecia e que, apesar da desonrosa derrota, não teve quaisquer consequências no modelo seguido - e não por erros cometidos dentro do campo que Portugal não conseguiu melhor do que a 8ª posição num “europeu” que, à partida, lhe permitiria chegar bem mais longe. O que é grave, porque irresponsável, para uma área do Desporto de Rendimento onde, mais do que tudo, contam os resultados.
Esta falta de responsabilidade tem ainda duas consequências também graves:
- diz-se que “o jogo de rugby pertence aos jogadores”, conceito que alerta para qualquer tomada de assalto que o possa desvirtuar e que coloca o jogador no centro da modalidade, como seu foco essencial de atracção. Quer isto dizer que todas as acções realizadas ou decisões tomadas devem ter sempre em atenção os jogadores e as consequências que os afectem uma vez que são eles que melhor expressam o interesse desportivo. Por isso e como exemplo, a introdução de “amarelos”, as preocupações sobre as concussões, a simplificação das regras para que haja uma perfeita compreensão das ilegalidades do jogo ou o aumento do valor dos ensaios - o momento mágico para que “vivem” os jogadores. No caso da participação portuguesa no europeu de Sevens - conhecida desde que os Sevens se organizaram - as decisões tomadas nunca tiveram em qualquer atenção os jogadores que poderiam estar envolvidos nos Sevens nem tão pouco o interesse desportivo da modalidade - que ultrapassa e muito o jogo dos pequenos interesses que estão sempre presentes. Foram decisões ou não-decisões (não)tomadas.
- sabe-se, porque vem nos livros, que o “respeito” é um dos cinco valores exigidos para a prática do rugby. Ora as decisões (não)tomadas não tiveram qualquer respeito pelos jogadores. Que são amadores, que não recebem e que têm na possibilidade de participar em grandes provas - World Rugby Sevens Series, Mundiais ou Jogos Olímpicos - a recompensa para os seus sacrifícios. E esse respeito não existiu, deixando-se que tudo fosse tratado com o ardiloso livre arbítrio de uma qualquer zona de conforto.
O Alto Rendimento exige uma gestão precisa e rigorosa com uma estratégia simples, clara e determinada. Os objectivos desportivos devem ser precisos, motivadores e adequados às capacidades da equipa e capazes de serem atingidos por mais do que uma via por necessidade de respostas a imponderáveis. E estarem sempre suportados por um apoio constante que facilite os caminhos a percorrer.
A selecção portuguesa de Sevens mostrou que tinha os jogadores com as técnicas e o conhecimento táctico necessário para se bater até ao fim pelos resultados pretendidos. Mas nunca se viu envolvida por uma estratégia motivadora ou eficaz e os seus dirigentes deitaram fora uma oportunidade irrepetível para relançar uma carreira internacional decisiva para garantir os retornos necessários à continuidade do desenvolvimento.
E o Desporto de Rendimento não vive de penas ou de remorsos… vive de factos transformados em resultados.
sábado, 15 de julho de 2017
SAFOS! E O FUTURO?
Está feito! Desta já nos safamos e não desceremos de divisão!
Com uma diferente atitude - positiva, agressiva, resiliente, apostada na vitória - os jogadores determinaram os resultados necessários para a manutenção nesta última etapa do Grand Prix
Mas esta boa nova não retira os erros monumentais que foram feitos na área da variante e que nos levaram à situação lamentável de termos estado a lutar pela manutenção. Conforme previsão atempada e a vitória contra a França, os resultados da Inglaterra ou a falta de comparência da Escócia, demonstraram à evidência, as equipas já apuradas para o Mundial de 2018 não iriam apresentar equipas constituídas pelos melhores jogadores mas iriam aproveitar a ocasião para dar experiência a novos jogadores. E isso significava que haveria - como se viu - uma diminuição do número de adversários acima do nosso nível normal, aumentando assim as nossas possibilidades para recuperar as posições internacionais perdidas e poder conquistar, nomeadamente, um lugar para Hong-Kong com o objectivo - única forma de conseguir uma posição competitiva internacional capaz de o fazer concorrente ás grandes provas mundiais como o Mundial e Jogos Olímpicos - de voltar a disputar as World Sevens Series.
Com uma diferente atitude - positiva, agressiva, resiliente, apostada na vitória - os jogadores determinaram os resultados necessários para a manutenção nesta última etapa do Grand Prix
Mas esta boa nova não retira os erros monumentais que foram feitos na área da variante e que nos levaram à situação lamentável de termos estado a lutar pela manutenção. Conforme previsão atempada e a vitória contra a França, os resultados da Inglaterra ou a falta de comparência da Escócia, demonstraram à evidência, as equipas já apuradas para o Mundial de 2018 não iriam apresentar equipas constituídas pelos melhores jogadores mas iriam aproveitar a ocasião para dar experiência a novos jogadores. E isso significava que haveria - como se viu - uma diminuição do número de adversários acima do nosso nível normal, aumentando assim as nossas possibilidades para recuperar as posições internacionais perdidas e poder conquistar, nomeadamente, um lugar para Hong-Kong com o objectivo - única forma de conseguir uma posição competitiva internacional capaz de o fazer concorrente ás grandes provas mundiais como o Mundial e Jogos Olímpicos - de voltar a disputar as World Sevens Series.
Uma perneciosa falta de visão e de conhecimento sistémico da variante fizeram-nos vir escada abaixo. A preparação, descuidada e ligeira, sem condições deste Grand Prix Series, retirou-nos uma oportunidade de renascer perante um futuro cada vez mais difícil - a integração da variante no movimento olímpico acabou de vez com ideia de brincadeira de final de época para a colocar num patamar de exigências onde só o rigor, o trabalho desportivo e um cada vez maior conhecimento técnico, táctico e científico podem traduzir resultados positivos. Dados aos quais e sob o manto parolo de predestinados, pouco ou nada ligamos.
E agora não resta outra hipótese que não seja a de esperarmos pela definição estratégica dos responsáveis da modalidade... Que pensam fazer?
quinta-feira, 6 de julho de 2017
SEVENS FORA...NADA!
As aparências podem iludir mas os resultados não.
E nos Sevens - o Grand Prix Sevens, vulgo “Europeu” - os resultados são a evidência do que muito mal vai no rugby português.
Este ano de 2017 era muito importante para a reclassificação dos sevens portugueses. E haveria algumas facilidades que poderiam ajudar: classificando para o Mundial teria equipas a competir que, por já classificadas por resultados anteriores, não se apresentariam na máxima força mas apresentariam jogadores da área do desenvolvimento para lhes permitir alguma rotação e garantir competitividade interna para a melhor constituição da equipa para o Mundial de 2018. E foi isso que se viu na Inglaterra, na França, na Escócia - que nem se apresentou - ou Gales. Por outro lado, com a Russia e a Espanha já qualificadas como equipas residentes no Sevens World Series, a luta por um lugar para o “qualifying” de Hong-Kong estava reduzida à Irlanda, Alemanha e Geórgia uma vez que a aposta da Itália ainda não parecia absoluta. Neste quadro, um dos lugares para o Mundial e a possibilidade Hong-Kong poderia ainda ser uma hipótese.
A Portugal, naturalmente, interessaria poder estar presente em Hong-Kong quer para lutar pelo acesso ao Sevens World Series quer para um mínimo de competição de nível mais elevado que lhe permitisse iniciar da melhor maneira o percurso de classifucação para os Jogos de 2020 no Japão.
É claro que haveria que contar com a substancial melhoria que as diversas equipas - motivadas pelo factor olímpico - têm vindo a mostrar. O que significava ser necessário um cuidado assinalável na preparação. Até porque há existência de resultados nesta variante corresponde - para além da inexistência de custos nas viagens e estadas competitivas - o recebimento de quantias nada desprezíveis vindas quer da World Rugby, quer do Comité Olímpico de Portugal.
Se assim se pensou - inclusive com a garantia que, após o jogo com a Bélgica, o sevens teria prioridade absoluta - pior se executou - não houve qualquer prioridade e deixou-se que as coisas corressem ao deus dará. E os resultados estão à vista e demonstram a incapacidade da equipa portuguesa e da sza envolvente para atingir um lugar de relevo. Ou seja: depois do erro estratégico que nos custou a presença na Sevens World Series - e como iremos lá voltar é a resposta para um milhão de euros - novos erros deitaram fora a melhor oportunidade que nos aparecerá nos próximos tempos (sabe-se de análises feitas: o ano de melhores oportunidades para conquistar posições em modalidades olímpicas é o ano pós-Jogos).
As nossas classificações, nas três etapas do GPS, foram de 6º, 11º e 12º para atingir um total de 13 pontos classificativos que nos colocam, a par da Bélgica, na penúltima posição do Europeu 2017. Isto é, do sonho de chegar a algum lado visível, ficamos apenas na tentativa de não baixar de divisão - a Polónia, último lugar com 4 pontos, por ser uma das organizadoras de uma das etapas não pode, por regulamento, baixar de divisão. Ou seja, estamos na corda bamba. ficando até dependentes de uma qualquer surpresa que a Polónia (felizmente apenas com 4 pontos) possa conseguir no último torneio.*
Com o deitar borda fora da prioridade prometida - má gestão, pior visão e entrega cómoda e irresponsável do comando generalizado das decisões a quem não mostra(ou) capacidades - a selecção portuguesa apresentou-se para o primeiro torneio, Moscovo, com 4 jogadores estreantes, em Lodz com, de novo, 4 estreias em 8 mudanças de jogadores em relação à etapa anterior e em Clermont com 2 jogadores a estrear em 7 mudanças em relação à etapa russa - em três etapas foram realizadas 10 estreias e um número elevadíssimo de alterações em relação à equipa utilizada na 1ª etapa. O que representa, obviamente, uma desconstrução daquilo que se quer construir. Ou seja, um erro de processo!
Sabe-se da demonstração de estudos científicos ser a coesão o factor essencial da construção de resultados desportivos positivos nas modalidades colectivas. Mais importante até que o valor do talento que possa existir que, não sendo devidamente integrado, se mostra pouco eficaz.
Ora a coesão da equipa depende do factor tempo, isto é, do tempo em que os jogadores actuam conjuntamente - e é evidente que uma equipa constituída desta forma pouco cuidadosa não pode ter a coesão necessária ao melhor comportamento desportivo no alto-rendimento.
Se a este facto juntarmos os maus hábitos competitivos internos ou as cada vez maiores dificuldades técnicas - nomeadamente por erros na formação - que patenteiam os jogadores portugueses, teremos o conjunto explicativo do nosso desaire. De facto o jogador português placa mal, tem dificuldades na precisão, rapidez e comprimento do passe, a que se juntam dificuldades de leitura que lhe impedem a necessária convergência para romper a defesa adversária. Para além disto sabemos que não dispomos de jogadores com elevada velocidade que possam estabelecer diferenças apenas pelo facto de haver espaço frontal desprotegido - facto que exige uma importante capacidade desmultiplicadora e de jogar “em cima”, do adversário, fixando-o e atrasando-o no seu deslizar.
Acresce ainda a estes factores uma outra necessidade: os jogadores portugueses têm vindo a ser formados - ou a isso fazem crer pelo seu comportamento - com a ideia de blocar, agarrando ao tronco e envolvendo os braços do portador da bola de forma a impedi-lo de a passar e até de garantir um maul sem progresso ou libertação da bola e assim recuperar, através da formação ordenada sequente, a sua posse. Bom, teoricamente interessante, possível de utilizar nas competições internas mas impossível de transportar para o nível internacional. Porque a nossa compleição física não nos garante qualquer vantagem nesta execução e, pelo contrário, permite que o portador da bola avance no terreno enquanto, simultaneamente, o apoio se vai aproximando, garantindo assim a posse da bola e a continuidade do movimento com a defesa, sempre a recuar e a não ter tempo de se organizar devidamente.
O objectivo dis jogadores portugueses ao nível internacional deve ser o de derrubar o portador da bola o mais rapidamente possível, isto é, placar efectivamente. A eventualidade, que existe, do placado conseguir um passe, para além do risco técnico que envolve, exige a rapidez e proximidade do apoio - nem sempre fácil, principalmente em Sevens - mas que não deve sobrepor-se ao facto de o jogador placado ser obrigado, imediatamente ao contacto com o chão, a largar a bola, abrindo assim uma oportunidade à sua recuperação. Obviamente que esta opção exige treino suficiente para que se não caia na armadilha da falta - mas feita com um mínimo de capacidade técnico-táctica permite, pelo menos, que a defesa se recoloque e que se apresente em superioridade numérica.
Perdida qualquer - por erros que roçam a negligência, repete-se - possibilidade de conseguir uma boa classificação - mesmo a vitória na última etapa não nos daria melhor do que um sexto lugar geral - resta-nos aprender e modificar processos e métodos. E, acima de tudo, desistir de pretender obter resultados diferentes com os mesmos procedimentos.
* Por não ter reconhecido ser a Polónia um dos países organizadores de uma das etapa do GPS, escrevi como se ainda contasse para a classificação final. Não conta, estamos em último lugar com a Bélgica e, portanto, a lutar para não descer.
* Por não ter reconhecido ser a Polónia um dos países organizadores de uma das etapa do GPS, escrevi como se ainda contasse para a classificação final. Não conta, estamos em último lugar com a Bélgica e, portanto, a lutar para não descer.
quinta-feira, 8 de junho de 2017
OPORTUNIDADE DEITADA FORA?
Com a entrada para os Jogos Olímpicos, o Sevens transformou-se e é hoje um jogo de grande competitividade e com cada vez mais competidores. Iniciado o seu processo de candidatura ao mundo olímpico, o Rugby de Sete deixou de ser um simpático divertimento de final de época no seguimento da sua tradição nascida em 1883 na cidade de Melrose na Escócia para começar com provas da dimensão do Campeonato do Mundo (1993) e da World Rugby Sevens Series (WRSS) (1999/2000) que lhe dão cada vez maior autonomia.
O factor Olímpico levou diversos países a darem um outro nível de atenção a esta variante - na Europa, a Espanha estabeleceu um programa que lhe permitiu a presença nos Jogos Olímpicos para além da entrada nas WRSS, enquanto que a Irlanda ou a Itália começam a aparecer, numa demonstração do seu interesse quer pela qualificação para o Mundial, quer para o acesso olímpico, com equipas mais capazes enquanto que a Alemanha e Geórgia desenvolvem programas com o mesmo objectivo de também acederem às principais provas mundiais. Portanto tudo se alterou de um ponto de vista de dificuldades competitivas e as qualificações, agora cada vez mais exigentes, obrigam a uma cuidada preparação, organização e visão.
No passado fim-de-semana, em Moscovo, os dados foram lançados na primeira das quatro etapas que constituem o Grand Prix Series (GPS) europeu, e que apura, para além das quatro equipas europeias já qualificadas - Inglaterra, Escócia, Gales e França - duas equipas para o Mundial de 2018 em S. Francisco e permite ainda o acesso ao torneio de Hong-Kong que garante ao seu primeiro classificado a possibilidade de se juntar na WRSS às seis equipas europeias que são residentes para 2018 - Inglaterra, Escócia, Gales, França, Rússia e Espanha.
Como é normal neste ano anterior ao Mundial, as equipas já qualificadas - a Escócia nem participa - apresentam equipas experimentais. Para o ano, em vésperas do Mundial, aproveitarão o GPS para a sua rodagem final e em 2019, contando para o apuramento olímpico, será a presença em força de todas as equipas que não se encontrem já apuradas pela qualificação no World Rugby Sevens Series.
A equipa de Portugal Sevens foi - por erros estratégicos óbvios que estabeleceram decisões desadequadas - afastada do núcleo das WRSS no ano de 2016, ficando a sua participação reduzida à possibilidade de alguns convites - que não existiram - e ao GPS. O que significa que, para sair desta posição, será necessário obter resultados que a possam qualificar para, no mínimo, poder estar presente em Hong Kong a lutar pela reentrada na WRSS. Sem o que, o nosso crescimento competitivo tenderá a estagnar.
Se a classificação para o Mundial é muito difícil, a classificação para Hong Kong - uma vez que a Espanha e a Rússia já não contam - mostra-se mais acessível. E claramente este deveria ser o objectivo mínimo da FPR para possibilitar condições para que o rugby português possa ter acesso aos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. Deveria ser um objectivo estratégico!
O Sevens internacional - desde que existam (como em tudo) resultados que o justifiquem - não é dispendioso. Por um lado porque as despesas de viajens e estadas são por conta da organização e, por outro, porque a World Rugby ainda financia boa parte da preparação. A estes valores junta-se ainda a comparticipação do Comité Olímpico de Portugal desde que a selecção portuguesa esteja em condições de fazer parte dos programas de preparação olímpica. Vistos estes dados, a preparação da equipa para este GPS de 2017 deveria ter sido muito cuidada por forma a garantir a classificação pretendida. E não foi: nem cuidada, nem atempada.
Estava estabelecido que após o jogo (de muito má memória, aliás) contra a Bélgica, que a prioridade de escolha de jogadores seria para o Sevens. Situação não cumprida por causa de um jogo contra o Brasil a realizar no mesmo fim-de-semana da segunda etapa (Lodz, Polónia) do GPS. Ora neste jogo contra o Brasil - com resultado “normal” de vitória de Portugal por 4 pontos de jogo de diferença - está apenas em causa a subida ou descida de um lugar (de 25º para 24º ou de 25º para 26º) com perda de 1,22 ou ganho de 0,78 pontos de ranking. Ou seja e dada a simultaneidade e a importância de nos Sevens estar em causa o momento adequado para um futuro maior, o “quinze” não deveria ter sido considerado prioritário! E deveria ter sido tomado em conta na devida importância estratégica!
Em Moscovo, Portugal classificou-se em 6ª lugar (10 pts) - pesem embora e apesar da igualdade entre vitórias e derrotas uns resultados que lhe permitiram uma diferença positiva de 14 pontos entre pontos marcados e sofridos. O que significa que um melhor cuidado na preparação e uma maior e mais ampla possibilidade de escolha de jogadores poderiam permitir uma maior conquista de pontos classificativos. Assim e logo à primeira, já entregámos aos nossos adversários para Hong-Kong, 10 pontos à Irlanda e 4 à Itália. Para alguma satisfação ficamos pela vantagem de 2 pontos sobre a Alemanha - finalista vencida pela Espanha no último apuramento de Hong-Kong - de 4 sobre a Geórgia.
O problema na continuidade da competição de Sevens está que - tanto quanto julgo saber - alguns dos jogadores que estiveram em Moscovo não farão a viagem a Lodz onde, no Grupo A, Portugal defrontará a Alemanha, a Polónia e a Irlanda. E os substitutos serã escolhidos do que resta dos que se deslocam a S. Paulo. O que parece não ultrapassar o regime do disparate.
Depois, claro, não há patrocinadores, não há financiamentos, não há possibilidades para sair do plano rasteiro em que nos encontámos. Pela simples razão que não há resultados! E se o Desporto vive de resultados, os patrocinadores gostam de se juntar a bons resultados! Simples e elementar.
sábado, 22 de abril de 2017
SEVENS E O FACTOR OLÍMPICO
O recente torneio da World Rugby Sevens Series de Singapura foi surpreendente com a vitória do Canadá que - imagine-se - derrotou na final os Estados Unidos. O Canadá, tendo atingido a final do Glasgow Sevens em 2014, venceu pela primeira vez enquanto que os Estados Unidos, tendo vencido o London Sevens de 2015, participavam em finais pela segunda vez. Mas a verdadeira surpresa foi o facto de - e julgo que nunca terá sido assim - duas equipas fora do TOP5 (terço superior das classificações) terem chegado à mesma final.
O Sevens com a entrada para os Jogos Olímpicos - e parece ter chegado para ficar definitivamente - alterou-se substancialmente e passou a ser uma preocupação desportiva generalizada. A cultura olímpica de muitos países tocou a rebate e as equipas do rugby reduzido dos mais diversos países - aumentando o número de opositores das tradicionais potências - passaram a ter preparações mais cuidadas, apertando-se assim as diferenças entre países e tornando os torneios altamente competitivos e, cada vez mais, com a possibilidade de vencedores inesperados. E assim sendo, o Sevens aumentará cada vez mais o interesse e impacto junto da generalidade dos espectadores adeptos da modalidade.
A Espanha é um bom exemplo resultante do factor olímpico. Equipa média que se viu afastada do núcleo central das World Series, arregaçou as mangas, definiu um programa competitivo e ajustado aos objectivos (estiveram até nas Ilhas Fiji onde deixaram marca pelo seu solidário comportamento de apoio às vitimas das inundações de 2016) e classificou as suas equipas feminina e masculina para os Jogos Olímpicos do Rio. Aproveitando o balanço, venceu agora o apuramento em Hong-Kong - derrotando na final a Alemanha - e no próximo ano pertencerá ao apetecido núcleo da World Series, garantido assim as condições competitivas necessárias para disputar um lugar nos Jogos do Japão.
E, neste quadro, o que se passa com Portugal? Afastado, por erro óbvio de visão estratégica, da World Series depois de ter falhado a possibilidade de disputar - ao contrário do conseguido pela equipa feminina - o torneio de Repescagem, o Sevens português masculino tem um difícil caminho de recuperação. Mas, caso o Brexit não estrague as coisas com eventual descontrução da Grã-Bretanha, a chegada da Espanha às World Series e a mais que provável manutenção da Russia - o Japão, com o apuramento garantido para os Jogos Olímpicos e apenas com a preocupação de construir uma equipa para o Mundial de 2018 não é de momento adversário capaz - a equipa portuguesa tem uma boa hipótese de conseguir a qualificação para a disputa do apuramento em Hong Kong 2018, tendo, para isso, de se qualificar no GPS Europeu no primeiro lugar, retiradas as 6 equipas que já se encontram qualificadas. No entanto e para além da Alemanha que tem investido muito na variante, Portugal terá ainda como adversários a Geórgia, a Itália, a Roménia ou a Irlanda. O que exigirá uma preparação cuidada e imediata.
E Mundial? Temos hipóteses de estar presentes?
Neste caso o apuramento fia mais fino. Apurados estão os oito semi-finalistas de Moscovo dos quais três são europeus: Inglaterra, Gales e Espanha. No final da World Series serão apuradas as 4 equipas melhores classificadas e que não estejam no primeiro grupo e prevendo-se que só dificilmente alguma delas seja europeia. Com os Estados Unidos também apurados como país organizador e dentro deste contexto, a Europa terá ainda dois lugares de classificação para os quais Escócia, Gales, Espanha, Alemanha, Geórgia, Roménia ou Irlanda serão os candidatos melhor preparados.
As dependências da clkassificação são muitas e os factores competitivos são muito exigentes. Assim e antes do mais um objectivo: conseguir lugar na prova de apuramento de Hong Kong - sem a possibilidade de disputar de novo o World Series a preparação necessária para acesso aos Jogos Olímpicos ficará muito, se não totalmente, prejudicada. Conseguido este primeiro objectivo restarão as contas finais para o eventual, mas muito difícil, apuramento para o Mundial 2018. Mas o primeiro e essencial degrau - para que os Jogos Olímpicos não sejam uma miragem e possam estar dentro das possibilidades - é a classificação para Hong Kong. O resto se verá depois...
sábado, 18 de julho de 2015
CARTA PARA O VII FEMININO DE PORTUGAL
Sei que não é fácil a vossa tarefa. mas sei também, porque conheço o vosso valor, que o vosso espírito guerreiro de antes quebrar que torcer vos vai permitir uma participação nesta Repescagem de Apuramento Olímpico Europeu de grande qualidade.
A vossa experiência não é tão grande quanta a de outras equipas mas a vossa vontade, o vosso sentido de responsabilidade, permitirá ultrapassar dificuldades e obstáculos.
O sonho com que encarámos as coisas em que nos metemos, nomeadamente os sonhos desportivos, passeiam nas nossas cabeças e é aí que começa a sua materialização. Sei que - e muito naturalmente - sonham com os Jogos Olímpicos, sonham em poderem estar presentes no Rio 2016. A materialização desse sonho está nas vossas mãos, na vossa capacidade colectiva de utilizar a bola e conquistar terreno, na vossa capacidade de marcar ensaios.
Tudo vai começar na decisão de não ceder terreno, de não falhar placagens, de serem assertivas, como aliás o são frequentemente. Tudo começa na vossa vontade de vencer.
Tudo - as transformações que nos fazem campeões - se encontra dentro da nossa cabeça. Ser capaz de transformar essas ideias meio soltas num factor de força convergente com as forças das companheiras constitui o primeiro passo para garantir a eficácia colectiva das acções, para tornar o todo superior à soma das suas partes. Traçando assim o caminho das vitórias que pretendemos.
A vontade, a determinação, a decisão atempada e a confiança nas vossas competências permitem-vos ir sempre um passo mais longe. E vocês, a jogar em Portugal, junto às vossas amigas e amigos, podem dar o passo que pretendem.
Joguem como sabem, confiem umas nas outras e não deixem que nada vos atrapalhe o querer que possuem.
Que os jogos vos corram bem, que marquem os pontos que precisam e que cada jogo tenha a alegria que nos conseguem transmitir.
Bons jogos, boas vitórias, bom divertimento!
João Paulo Bessa
São Jorge, Açores
Julho 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
ANALISAR, TRANSFORMAR E GANHAR
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| Posicionamento das equipas por etapas e Classificação Final do Europeu 2015 |
Não tendo começado da melhor maneira na 1ª etapa de Moscovo - 5º lugar com vitória na Plate - para uma equipa com pretensões de qualificação olímpica, a prestação competitiva portuguesa foi piorando - limitada a uma presença na meia-final da Plate (7º lugar) e uma vitória na Bowl (9º) - nas restantes duas etapas.
Por razões que se prendem com a última oportunidade de manter aberta a hipótese de acesso ao apuramento olímpico, é tempo de analisar o porquê dos fracos resultados e encontrar os meios e métodos de transformação das capacidades e eficácia da equipa para garantir as vitórias necessárias a, no mínimo, uma qualificação num dos três primeiros lugares da classificação geral e final do Torneio de Repescagem Olímpica Europeia de Lisboa.
É claro que houve problemas, que houve lesões - algumas até demasiado prolongadas - que impossibilitaram a utilização continuada dos mesmos jogadores, que houve factores externos - como clubes estrangeiros - que impuseram os seus interesses junto dos seus jogadores profissionais ou, ainda, factores inerentes a um país com um sistema desportivo desconjuntado e com errada interpretação do conceito de "Desporto para Todos" - como se fosse o mesmo correr no paredão de Oeiras ou no Centro de Alto Rendimento do Jamor - de que resulta um sub-sistema de Alto Rendimento desfasado e de que são consequência a impossibilidade de participação por exames ou por trabalho ou por qualquer outras razão sempre mais valorizadas do que as oportunidades únicas que o Desporto permite. Mas, dir-se-á, fazendo parte de uma actividade pouco dignificada - excepto para o ajuntamento das fotografias finais - de um país que trata o Desporto como uma mera estatística, deve ser um dado a ter em conta desde a partida. E, porque de nada vale chover no molhado, são sempre exigíveis esforços suplementares que permitam transformar o que fôr necessário para garantir a eficácia dos resultados. Esforços que serão a principal responsabilidade dos jogadores que vestem a camisola portuguesa.
Neste campeonato europeu as dificuldades da equipa passaram pelas fraquezas defensivas dos jogadores, pelas dificuldades, individuais e colectivas, de ultrapassagem da linha de vantagem e inconsequente convergência para chegar ao ensaio - 28 ensaios na 1ª etapa, 12 na 2ª e 16 na 3ª -, pelos momentos de indisciplina táctica individual ou colectiva, pelas dificuldades de adaptação às capacidades dos companheiros portadores da bola e até mesmo pelos injustificados individualismos num jogo que se pretende eminentemente colectivo - também aqui, no Sevens, a bola não pode ser passada para a frente... Se destes erros colectivos e individuais resultou pouca eficácia terá sido, pelo menos visto de fora, a atitude pouco consentânea com os objectivos pretendidos de chegar ao Rio 2016 e com o nível da competição em causa, a maior responsável pelo, desde logo, afastamento da luta pela classificação automática.
Desfocagem, atitude competitiva nem sempre no limite desejável, sentido colectivo pouco eficaz em momentos decisivos, decisões pouco assertivas e inadequação aos níveis e capacidades dos companheiros - tempo e distância de passe, tendências atacantes, linguagem corporal dos companheiros de equipa ou solidariedade de uns pelos outros (é para isso que se treina conjuntamente) - são aspectos que os jogadores terão de transformar para continuarem, após Lisboa, no caminho dos Jogos.
O sonho comanda a vida, escreveu o poeta Gedeão. E se assim é, o sonho - único e para alguns irrepetível - de poder competir nos Jogos Olímpicos deve comandar cada entrada em campo e cada momento de cada jogo. E como sonho mostrar a rota do caminho real, visto e revisto, vezes sem conta na eficácia pretendida.
Portugal, das equipas presentes em Lisboa, é a única com hábitos permanentes da prova maior de Sevens - a Sevens World Series - uma vez que apenas e por uma só etapa, a Bélgica e a Rússia lá estiveram. Ora esta experiência tem que traduzir uma superioridade natural nos resultados de cada encontro e nos resultados finais. Para o que bastará que a "cabeça" dos jogadores se formate para fazer apelo às condições técnicas e físicas de cada um e que compõem o ramalhete necessário para que o colectivo - a equipa de Portugal de Sevens - obtenha os resultados esperados. Como já o fizeram por algumas vezes e em momentos altos de superação. A oportunidade é única, exigente e motivadora. Estejam, jogadores do VII de Portugal, ao vosso melhor nível e sejam exigentes, responsáveis, lutadores e ganhadores!
Uma equipa capaz de empatar com a Nova Zelândia ou ganhar à Austrália como conseguiu esta época, que joga em casa e com apoio da comunidade rugbística portuguesa, não pode deixar-se levar por receios, por falta de confiança ou por qualquer tipo de desculpas. Uma equipa como a portuguesa, nas condições em que vai competir, tem a responsabilidade de garantir um único resultado: a classificação final num dos três primeiros lugares. Esta é, portanto, a hora de assumir as responsabilidades de jogadores internacionais. E a hora de mostrar o que querem e o que valem. Sem margem para dúvidas.
Que sejam suficientemente audazes para garantir a sorte dos vencedores.
sexta-feira, 5 de junho de 2015
OPORTUNIDADE DE UMA VIDA
Os jogadores portugueses de Sevens começam, neste sábado e com o início das etapas de apuramento europeu, o caminho real - nunca foi credível que pudessem classificar-se através da World Series - de qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de 2016. É o início do caminho da construção do sonho de estar presente, de ser actor, na maior festa desportiva mundial.
Por este mundo fora milhões de atletas sonham em estar presentes nos Jogos Olímpicos. Não é fácil e para a grande maioria deles não ultrapassará o sonho. Os portugueses da selecção nacional de sevens têm a possibilidade de depender deles próprios para ter acesso ao sonho que perseguem. É uma vantagem e terão possibilidades reais.
Não é fácil atingir os Jogos. De sete cães a um osso - são apenas, no caso do Rugby, onze as equipas que podem apurar-se para o Torneio Olímpico do Rio - as dificuldades das modalidades colectivas são sempre maiores do que nas modalidades individuais: não basta ser bom ou muito bom, é preciso que haja número qualitativamente suficiente para permitir os resultados colectivos necessários numa série de disputas competitivas muito exigentes. Mas têm possibilidades reais.
Mas têm possibilidades reais, pese embora a estruturação da competição imposta - apesar da contestação da Federação portuguesa - pela Rugby Europe. Resolveram fazer assim:
- considerando que o 2015 Sevens Grand Prix é o Campeonato da Europa, toda a equipa europeia classificada, como é normal, o pode disputar. Mas acontece que resolveram que este circuito europeu - três etapas: Moscovo, Lyon e Exeter - apuraria o seu melhor classificado para os Jogos do Rio. Mas se é de Apuramento Olímpico não deveria - como aliás está documentalmente estabelecido pela World Rugby - ter equipas já anteriormente apuradas a disputá-lo. Mas tem! Tem a Inglaterra e Gales (a Escócia não se inscreveu) que pertencem à Grã-Bretanha já qualificada por via, como anteriormente estabelecido, do Sevens World Series;
- como a presença da Inglaterra e de Gales só pode contar para o título europeu e não para classificação de apuramento para os Jogos, a Rugby Europe resolveu criar duas classificações paralelas: a do Campeonato Europeu classificando as 12 equipas presentes e a Classificação do Apuramento Olímpico que ordenará as dez equipas que pretendem aceder aos Jogos Olímpicos. Com este pormenor, embora diferentes, as duas tabelas utilizam os mesmos pontos classificativos conseguidos na etapa - ou seja as equipas que "não contam" podem ter uma importância decisiva no quadro final de apuramento. Porque, intrometendo-se na classificação e retirando pontos a outras equipas, podem abrir intervalos irrecuperáveis na classificação olímpica. O que significa que nestas três etapas não haverá cálculos diferentes do que o máximo esforço para ganhar tudo o que se puder. É luta sem quartel mas dependente de terceiros...;
- ainda não satisfeita com este arranjo, a Rugby Europa inventou mais: decidiu criar uma repescagem europeia a realizar em Lisboa - nas outras regiões nada existe semelhante. E por quê? Porque assim permitirá a possibilidade de classificação à Irlanda que se encontra a disputar a Divisão C europeia. Como?! Decidindo que o segundo classificado do Apuramento Olímpico ficará directamente apurado para a Repescagem Mundial, não tendo assim que se deslocar a Lisboa onde se encontrarão os oito sobrantes do Apuramento Olímpico Europeu a que se acrescentarão - porque cada prova desta natureza é obrigatoriamente realizada com 12 equipas divididas por três grupos - três equipas da Divisão A e - veja-se! - uma da Divisão B onde esperam que se encontre a Irlanda que, vencendo a Divisão C, poderá disputar este último lugar de acesso;
- a Repescagem de Lisboa, a realizar em Julho, apurará então três equipas para a Repescagem Olímpica Mundial onde se encontrarão, formando 16 equipas divididas por quatro Grupos, com a outra europeia anteriormente apurada, três equipas de África, três da Ásia, duas da América do Norte e Caraíbas, duas da Oceania e duas da América do Sul - embora o símbolo olímpico tenha cinco anéis representando os cinco continentes, no Rugby estão consideradas seis regiões - para apurar a última presença no Rio 2016.
Fácil!?
É uma oportunidade de uma vida poder estar presente nos Jogos Olímpicos. Disso terão consciência os jogadores portugueses que, para a garantirem, terão que actuar num nível muito superior ao que fizeram na Escócia e Londres e mostrarem ser capazes de se adaptarem às diversas e diferentes situações com que se irão confrontar.
Se a responsabilidade dos jogadores portugueses é grande - representam a comunidade rugbística nacional que se deseja ver como olímpica - superior será ainda a necessidade de uma elevada capacidade de resistência e assertividade, discernimento na adaptação às visões particulares da arbitragem e focagem permanente no melhor resultado - quanto melhor ficar classificado na tabela classificativa resultante do 1º dia de jogos, mais "fácil" será o primeiro jogo do 2º dia e mais possibilidades de subida na classificação final existirão. Aqui, na arbitragem e como já testemunhámos, tudo é possível: interpretações próprias de um ou outro árbitro ou mesmo determinações dos directores de arbitragem dos torneios que "decidem" de uma determinada interpretação das Leis do Jogo - sempre que isto sucede, lembro-me da máxima da Juíza do Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos, Sonia Sottomayor: A tarefa de um juiz não é fazer a lei, é aplicar a lei. Conceito que, se presente, retiraria de imediato qualquer pretensão de modificação ou abusiva interpretação e garantiria que o resultado final seria conseguido pela acção dos jogadores e não pelo apito dos árbitros.
Neste quadro a Portugal coube - com a vitória conseguida em Tóquio contra a Austrália - ajudar a qualificação directa da Grã-Bretanha e assim retirar um concorrente da porta de entrada dos Jogos. Os adversários principais neste Apuramento, para além de todos os outros que aparecerão bem preparados, serão a França e a Rússia - com a Espanha à espreita. Não sendo inacessíveis, permitem que o VII de Portugal tenha um foco ajustado no apuramento. Subindo a escada degrau-a-degrau, sem desfalecimentos, distrações ou julgamentos precipitados. Com confiança, abnegação, espírito de equipa. Uma dura prova, um desafio de campeões. Boa sorte!
sexta-feira, 8 de maio de 2015
SEVENS: UM FINAL À ALTURA DOS PERGAMINHOS
O facto de o Sevens se ter tornado modalidade olímpica com primeira presença nos Jogos do Rio 2016 transformou competitivamente nesta época o já tradicional Sevens World Series. E embora só os quatro primeiros qualificados tenham acesso directo ao Rio 2016, todas as outras equipas estão com os olhos postos nas qualificações regionais que qualificarão seis equipas restando um lugar a ser disputado numa repescagem mundial. E o SWS serve, naturalmente, de preparação para o objectivo de cada uma das equipas.
Pese o facto de Portugal não sonhar com qualquer dos quatro primeiros lugares da SWS faz, no entanto, parte do grupo de equipas que pretendem qualificar-se no apuramento regional ou, na pior das hipóteses, conseguir o apuramento através do torneio final de repescagem para o qual se qualificarão quatro equipas europeias.
Dito isto assim, tudo é compreensível e parece um processo sem qualquer tipo de dúvidas. Mas, no caso europeu e pelo facto de existir, em termos olímpicos, a Grã-Bretanha que engloba as equipas da Inglaterra, Escócia e Gales, as coisas não são nem fáceis, nem tão claras.
A Rugby Europe organiza o Grand Prix Series com três torneios - Moscovo, Lyon e Exeter - e, com o argumento de se tratar de um "Europeu", pretende - porque considera que é um direito inquestionável - que as equipas da Inglaterra, Escócia e Gales aí participem. O que parece correctíssimo.
E assim seria não fosse o facto de tudo levar a crer que a Inglaterra - muito graças à derrota imposta por Portugal à Austrália em Tóquio - se classificará num dos quatro primeiros lugares do SWS, classificando assim e conforme estabelecido anteriormente, a Grã-Bretanha.
Ora tendo a Rugby Europe considerado que o "Europeu" apuraria o primeiro classificado para o Rio 2016 - o caldo entorna-se aqui - a Inglaterra, a Escócia e Gales vão ter interferência directa numa classificação para a qual não contam por já estarem apuradas através da Grã-Bretanha. E há mais: o Rugby World é taxativo no seu documento sobre o Sistema de Qualificação - Jogos da XXXI Olimpíada - Rio 2016, escrevendo que os países já apurados não poderão participar nos torneios de qualificação regionais.
Lê-se e pensa-se: claro como água! os três países britânicos, apurada que esteja a Grã-Bretanha, não podem jogar os três torneios europeus de apuramento para os Jogos do Rio e assim já não haverá qualquer hipótese de interferência - um qualquer país, Portugal incluído, poderia ser afastado dos lugares de acesso aos Jogos por uma equipa que não conta para o campeonato e que, como se diz por cá popularmente, não deveria rachar lenha. O que, a acontecer, traduzirá um atentado aos princípios e ética competitiva desportiva que têm por base a igualdade de oportunidades.
No entanto e contrariando o que deveria defender, a Rugby Europe mantém a sua posição sustentada no designado "Europeu" de que os três torneios fazem parte - e apenas pretende dar cumprimento aos ditâmes da World Rugby ao não permitir a participação das equipas britânicas, num propositadamente inventado - é a minha convicção - Torneio Europeu de Repescagem que se realiza em Julho. Portugal não se mostra - e bem! - conformado e mantém a sua discordância, dando conta da sua posição às diferentes instâncias internacionais a exigir a reposição dos parametros ajustados aos valores desportivos.
Havia forma de resolver o problema? Claro! bastaria que não se misturasse - por causa da particularidade Grã-Bretanha - o "Europeu" com o apuramento olímpico, fazendo torneios diferentes para apuramentos diferentes. Mas assim, como pretendem, o campeão europeu, arguentarão, pode não ir aos Jogos Olímpicos... pode e da forma que a Rugby Europe propõe, também.
Entrementes ao sete de Portugal outras prioridades imediatas se colocam. Entrando para as duas últimas etapas do SWS, Glasgow e Londres, na 14ª posição e com mais 8 pontos do que o Japão que ocupa a 15ª e despromovível posição, Portugal tem que garantir os pontos capazes - o que exige, no mínimo, a vitória no primeiro jogo do segundo dia de competição - para o colocarem a recato da descida. E este, antes de qualquer preocupação do apuramento olímpico, é a missão imediata exigível aos jogadores e treinadores portugueses: garantir a presença na próxima época no Sevens World Series.
A uma equipa que já conseguiu, esta época, empatar com a Nova Zelândia - equipa com mais títulos conquistados na variante - e vencer a Austrália - equipa candidata a um dos quatro lugares de garantem o apuramento directo para o Rio 2016 - não se pode permitir qualquer receio por ter que ultrapassar este difícil final. Esses resultados demonstraram que o sete português tem condições para ombrear com os melhores e garantir os resultados necessários, pesem embora as dificuldades sistémicas que o desporto português não profissional apresenta e que têm, naturalmente, reflexos nesta equipa, na sua preparação e na sua expressão competitiva.
Sem quatro jogadores habituais - Diogo Mateus, Carl Murray, José Maria Vareta e Duarte Moreira - a selecção portuguesa contará com Pedro Bettencourt e José Lima, ambos a jogar em França, a que se junta ainda o experiente Gonçalo Foro e o jovem Tiago Fernandes, recente vice-campeão europeu de sevens em Sub-19.
Sem tarefa fácil aos jogadores portugueses exige-se que joguem de acordo com os pergaminhos de que gozam e que, com cabeça fria mas acções quentes, sejam capazes ter a atitude - essa pequenina coisa que provoca uma enorme diferença, como disse Winston Churchill* - capaz de aproveitar as oportunidades que o seu jogo de passes permite criar. E para isso será necessário a disponibilidade mental que permita o apoio permanente com convergência imediata sobre o portador da bola para que, ao invés da passagem pelo chão, seja possível a continuidade do movimento pelo jogo de passes. Se a estas capacidades de que já deram provas em mais do que uma ocasião - mas, diga-se, a que tem faltado a constância que permita a sustentabilidade de resultados - juntarem a necessária capacidade defensiva norteada pela resiliência individual de só ceder depois de colocar o adversário no chão, o sete de Portugal sairá destas duas últimas etapas em posição de retorno na próxima época. Que é o que esperámos!
* Passam hoje, 8 de Maio, 70 anos sobre a vitória dos Aliados que terminou com a barbárie assassina do nazismo alemão. Lembrar Winston Churchill é uma pequena justiça a todos aqueles que se bateram pela Liberdade.
sábado, 14 de dezembro de 2013
APARÊNCIAS
Seja pelo que fôr - formação escolar incluída - nós portugueses tendemos a privilegiar a aparência sobre a realidade dos factos. Esquecendo-nos até do aviso do dito popular de que as aparências iludem.
E assim e no caso achamos que, porque não trouxemos qualquer Taça ou porque não participamos em qualquer final, o recente resultado obtido pela selecção portuguesa de sevens em Port Elizabeth, na África do Sul, não foi bom.
Pelo contrário, foi bom porque, correspondendo aos objectivos pretendidos que não são mais do que garantir a manutenção no quadro das World Series, permitiu a conquista de pontos que nos distanciam do último lugar e da despromoção.
Ao contrário do que se possa pensar - como se pode confirmar na tabela que se publica - no Sevens World Series o que conta realmente é a Cup e a qualificação para a sua disputa. O resto, mesmo permitindo continuar a jogar e conquistar alguns pontos, é de menor valia. Veja-se: mesmo a Plate (segunda taça) e que só pode ser disputada por equipas que se tenham qualificado no primeiro dia para a disputa da Cup, corresponde apenas ao 5º lugar da tabela qualificativa final e a cujo vencedor são atribuídos quase metade dos pontos do vencedor da Cup. É portanto competitivamente melhor, mesmo se falham as luzes da ribalta, ser o derrotado do jogo 3º/4º do que o vencedor da Plate: arrecadam-se mais dois pontos! E são os pontos que garantem a importância das coisas...
A terceira taça, a Bowl, garante ao seu vencedor o 9º lugar com menos dois pontos do que o pior dos competidores da Plate. E a última taça, a Shield, qualifica em 13º o seu vencedor ao qual atribui apenas 3 pontos.
Portanto, a conquista de taças tem no cômputo geral e com a excepção da importância da Cup e ainda, pelas enormes dificuldades que exige ultrapassar, da prestigiante Plate, uma importância muito relativa. Como em todas as competições desportivas, também aqui nos Sevens, o que conta são os resultados traduzíveis em pontos. E se, na melhor tradição de permitir um agradecimento pela participação competitiva (e de mostrar patrocinadores...), existem outros prémios, esses não são objectivos desportivos principais e têm relativa importância. Porque é muito mais importante a qualificação para a disputa da Cup - com a garantia mínima do embolso de 10 pontos - conseguida, normalmente e na grande maioria dos casos, com duas vitórias no primeiro dia, do que trazer qualquer outro prémio como a Bowl ou Shield.
Na competição de alto rendimento as vitórias contra os fracos contam muito pouco e as derrotas contra os fortes são o caminho que leva a vitórias futuras. E é disto que trata a Sevens World Series.
As World Series não são competitivamente fáceis. Fora os três primeiros qualificados, o equilíbrio é enorme e qualquer jogo entre eles não tem resultado assegurado. Por isso a constituição dos grupos tem no sorteio uma parte principal das possibilidades: para Las Vegas nos Estados Unidos e porque a Inglaterra se portou mal na África do Sul - situação que nada nos interessa com vista às hipóteses de qualificação para o Rio 2016 - teremos um muito difícil grupo, acrescentando, para além do Uruguai, ingleses a samoanos numa luta tremenda pela qualificação para a disputa da Cup. Que é sempre, etapa a etapa, o objectivo do se7e de Portugal.
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