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domingo, 18 de março de 2012

EXIGÊNCIAS

Ao perder – em derrota fora de qualquer previsão – com a Ucrânia (33-35) e uma vez que a Alemanha – nem aqui nos ajuda! - perdeu em casa (29-30) com a Bélgica, Portugal perdeu um lugar no Ranking IRB e viu-se ultrapassado pelos belgas. A Ucrânia, por sua vez e com a inesperada vitória, subiu três lugares.

Descidas e subidas após jogos de 17 de Março
Pode falar-se de falta de experiência dos jogadores, pode dizer-se que este ano não conta. Pode dizer-se o que se quiser. Mas bom seria analisar porque foi assim. Dizem-me que foram erros defensivos a causa maior. É normal, a defesa colectiva se exige jogadores placadores, exige mais do que isso: exige habituação e experiência aos níveis para que é desafiada – exige prática quotidiana de elevada exigência em treino e competição.

E devemos pensar no real significado dos degraus que descemos por nos faltarem os principais. Pensar no porquê de tanta diferença e procurar e utilizar as soluções encontradas. Sem demoras. Porque o desenvolvimento qualitativo do rugby português não será possível se a potencialidade interna estiver tão longe das capacidades dos que jogam no estrangeiro – e mais tarde ou mais cedo a factura será terrível.

Valeu o Grand Slam de Gales! São de facto a melhor equipa europeia e a que joga um rugby mais interessante, sabendo utilizar muito bem os tempos de jogo com alterações de velocidade muito eficazes e aproveitando muito bem as oportunidades com que se encontra, Gales consegue uma produção de jogo entusiasmante. E no dia que o abertura volte à forma que já lhe conhecemos…

Mervyn Davies - Merv The Swerve -  o notável Nº8 da extraordinária equipa de Gales dos anos 70 e dos British Lions de 71 e 74, mereceu a homenagem. 

Quanto aos franceses, mantêm-se iguaizinhos ao que lhe vimos fazer no campeonato do Mundo. São, com o beneplácito dos árbitros, os maiores faltosos do mundo. Campeões mesmo! Seja em jogo no chão, atrasando a saída da bola numa bem escondida marginalidade, seja na subida defensiva sempre fora-de-jogo. E os árbitros deixam! Limitando-se a uns gestozinhos contemplativos…

… e é impossível jogar com as defesas em fora-de-jogo - no alto nível joga-se com um intervalo mínimo de espaço/tempo que, obrigando já a uma enorme capacidade técnica, envolve enormes riscos para desenvolver o ataque; imagine-se a vantagem que se entrega à defesa deixando-os ganhar um metro no fora-de-jogo. Trata-se de um privilégio inaceitável.

Mais do que tudo, mantendo os níveis disciplinares indispensáveis, a atenção sobre o fora-de-jogo deve ser ponto focal da arbitragem. Porque fará a diferença - para além da justiça desportiva que ignora - entre um bom e um mau jogo.

sábado, 17 de março de 2012

OUVIDO EM ODESSA, OLHO EM CARDIFF

Ganhando na Ucrania – qualquer que seja o resultado – Portugal subirá um lugar e ultrapassará o Chile. Mas não vai ser fácil – jogar fora com pouca experiência internacional nunca é fácil. Perdendo, voltamos à semana passada e dependeremos da Alemanha – também aqui?! – para que não sejamos ultrapassados pela Bélgica.

Não fora a saída de muitos dos internacionais para Hong-Kong ou a não deslocação de habituais franceses e o favoritismo seria todo português. Assim…será preciso uma enorme atitude com um grande coração de antes quebrar que torcer. Boa sorte!


Em Cardiff joga-se para o Grand Slam. Mais do que isso, joga-se para limpar a péssima lembrança do jogo das meias-finais do Mundial. Em casa, com um público fantástico, os galeses são favoritos – mas da França, utilizando o habitual lugar comum, tudo se pode esperar. Mesmo que á partida e para além do cinco-da-frente pouco se encontre que se possa impor a uma equipa galesa equilibrada, cheia de moral e com notáveis argumentos. Um deles: o poder – a quantidade de movimento - que produzem os três-quartos galeses. Para o contrariar e procurar perturbar a sua defesa em cunha, Saint-André fará alinhar Florian Fritz ao lado de Rougerie, colocando Fofana a ponta e fazendo sair Malzieu. Adivinha-se combate de chefes no centro do terreno... e a esperança francesa em boas recuperações.

O antigo ponta Shane Williams coloca (The Gardian) cinco pontos tácticos para a conquista do Grand Slam: dominar a formação-
ordenada; variar o ponto de ataque; impor o ritmo; anular a terceira-linha; manter o mesmo plano de jogo. Shan Edwards, o inglês treinador da defesa galesa, reconhecendo o tremendo impacto que o rugby tem no bem-estar da população do principado, diz esperar que o cinco-da-frente seja capaz, não só de cumprir o seu dever nas formações e placagens mas também “que sejam ainda capazes de fazer parte do processo de criação de desequilíbrios que o ataque possa explorar – e por explorar não falo de uma perfuração apenas mas de situações em que os jogadores de Gales se mostrem em superioridade numérica profunda”. Ou seja: Edwards pretende dos seus jogadores a mais valia da continuidade assertiva de movimento.

Ver por que zonas do terreno andarão os números mais baixos, notar as corridas das terceiras-linhas para perceber quem vence, chegando primeiro, em cada momento, analisar a rapidez da formação do apoio no centro do terreno, são as chaves para apreciar este jogo que promete um enorme desafio: de um lado o objectivo de uma conquista gloriosa; do outro a obrigação do orgulho ferido.     

Seja como for, corra lá como correr o jogo, o único resultado interessante – para mim, é claro! – é o da vitória de Gales. Cymru am byth!

sábado, 10 de março de 2012

O DIABO ESTÁ NOS PORMENORES

Um jogo com a Espanha é sempre um momento especial. Porque somos vizinhos, porque nos ensinaram que são o inimigo – de lá nem bom vento nem bom casamento – porque são aqueles que, a não ser a nado, temos que atravessar para chegar a qualquer outro lugar. Seja pelo que for, é sempre especial.

Pessoalmente como jogador nunca ganhei à Espanha – mas ganhei a diversos clubes espanhóis (uma das boas vitórias foi contra o campeão de Espanha, Arquitectura de Madrid, nas comemorações do 25º aniversário do CDUL que, nesta semana, comemora 60 anos).

Como treinador perdi quase sempre – empatamos uma vez. Mas também perdi por uma unha negra, por um diabo de um pormenor: porque alguém tido por bom jogador deixou, a segundos do fim, passar por um buraco de palmo junto á linha um espanhol para o ensaio da vitória; ou porque um juiz de linha português levantou uma incrédula bancada madrilena numa bandeirola a dizer que o ensaio do Hoffman tinha passado por fora do campo, ou ainda porque um australiano auxiliar decidiu que a resposta a um murro espanhol permitia um fácil pontapé debaixo dos nossos postes com três pontos sem esforço. Pormenores onde mora o diabo…

Ao nível de clubes, com o Cascais, estivemos bem no confronto: ganhamos duas Taças Ibéricas.

Se o jogo ibérico tinha sempre uma motivação especial, imagine-se a vitória!

O Portugal-Espanha de amanhã terá o mesmo sortilégio: especial e, na vitória, para a história.

O XV de Portugal, embora jogando em casa, não é, de acordo com a sua posição no ranking IRB, favorito – mas joga um papel de posicionamento futuro importante. Se ganhar (59,68) ultrapassará o Chile (59,52) mas corre o risco, perdendo e se a Bélgica vencer na Moldávia, de descer mais um lugar de ranking. Não vai ser fácil – 11 franceses do lado espanhol contra 5 do lado português – principalmente com morais distintas: do lado espanhol a moral das vitórias que suporta o risco, do lado português o aperto de cinco derrotas consecutivas que inibe. Mas um confronto ibério serve sempre para transcendências – e as alterações de Portugal podem ser uma moral extra - o que é que temos a perder? Veremos de quantos diabos se farão os pormenores do jogo e que resultado deixarão fazer.

quinta-feira, 1 de março de 2012

OUTRO MUNDO

Por mais que o sentimento de pertença nos imponha optimismos, a sustentabilidade desportiva necessária à manutenção dos lugares no ranking IRB não deixa enganar: a diferença entre a actual Geórgia e Portugal já é muito grande. Como se viu no jogo.

Com linguagem comum reduzida ao francês falado por grande parte dos jogadores, as diferenças de concepção do jogo e o estádio de desenvolvimento falaram outra língua e foram perceptíveis no desajustamento.

A Geórgia joga outro jogo, encontrando-se num estádio superior de desenvolvimento. E fê-lo notar dentro do campo. Logo na aplicação prática de um princípio fundamental: só se alarga quando se avança! E a Geórgia esteve sempre atenta a essa condicionante – pelo contrário os portugueses alargavam o jogo mal tinham uma bola (eficaz no sevens, completamente desajustado no XV) – provocando um enorme esforço à defensiva portuguesa.

Mas mostraram mais. Mostraram - atrevo-me a dizê-lo - uma surpreendente capacidade de manter a continuidade do jogo, aderindo à responsabilidade, sem hesitações, de apoiar o portador da bola e aceitando, para o melhor e pior, o seu comando táctico – o portador da bola serve para criar problemas à defesa adversária, os restantes jogadores têm a obrigação de garantir o apoio necessário à continuidade do movimento, abrindo linhas de passe, facilitando o avanço no terreno, criando indecisões defensivas, garantindo a posse da bola e permitindo, até, o brilho do companheiro. O que exige espírito de equipa, espírito de corpo, solidariedade: mais "nós", muito mais "nós", do que "eus". Na mira de construir um todo superior à soma das partes.

Mostrando todos os seus jogadores disponibilidade para o apoio que garantisse a continuidade do movimento, a Geórgia ainda se estabeleceu num nível superior – e já não falo na capacidade de “dar as costas” para facilitar a sequência da posse da bola sem passagem pelo chão – ao alternar as direcções do movimento da bola, jogando ora para dentro ora para fora, atacando os intervalos, numa alternância de ponto de encontro ataque/defesa que criou sempre grandes dificuldades à selecção nacional. Que, enquanto pode desmultiplicar-se, resistiu. Mas o que se via dentro do campo chamava a atenção para a diferença de pontos que se lia no ranking IRB: dois mundos.

E, se queremos ser seriamente competitivos, teremos que pensar estrategicamente em qual caminho percorrer – começando logo na formação (o texto do Tomaz Morais em A Bola de 5ª feira passada estabelece os princípios éticos) que deve alicerçar-se, desenvolvendo os métodos e processos, nas tendências que definirão o jogo daqui a cinco/dez anos. E a melhoria do quadro competitivo onde joga a nossa elite é - seja internamente, seja alargando à Ibéria, seja colocando os melhores jogadores em clubes estrangeiros - factor decisivo. Porque o tempo que nos escapa serve os nossos adversários.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

AS VITÓRIAS QUE INTERESSAM

Nem um nem outro são favoritos, mas podem ganhar.
Em Tblisi a Geórgia (15º IRB) é grande favorito - a diferença de pontos de ranking aproxima dos trinta pontos a diferença dos pontos de jogo -  no jogo com Portugal (24º IRB).  Depois da derrota contra a Espanha, a Geórgia fez 9 alterações (7 nos avançados) e faz jogar 5 jogadores do TOP 14 francês contra o nosso único Julien Bardy. Na equipa georgiana jogarão 11 jogadores de clubes franceses (mais um em clube inglês) contra 8 portugueses a actuar no estrangeiro. Derrotá-los não será tarefa fácil, mas é possível.
A vitória da Geórgia para além dos pontos que acrescentará à sua classificação do Europeu das Nações, nada trará para a sua posição no ranking IRB. Não sendo fácil, a vitória de Portugal traria, para além do prestígio e do clima de confiança que criaria para o próximo jogo ibérico, um bom pecúlio de pontos de ranking com a possibilidade de subir lugares. É uma boa oportunidade: adversário a jogar em casa com melhor pontuação. Vale o esforço.





Esforço (nunca virar a cara), coragem (pôr os olhos e seguir o exemplo de Bardy ajudará a autoconfiança de cada um), sentido do risco e sentido colectivo para criar um todo muito superior à soma de cada um para aproveitar eficazmente todos os desequilíbrios defensivos é a forma de poder equilibrar um jogo difícil do princípio ao fim. Não será fácil mas será possível.
No outro jogo grande do dia só faz sentido a vitória de Gales - claro que sei que estou a ser propositadamente faccioso mas há uma enorme razão que o pode disfarçar: o jogo de Gales é, sem margem para dúvidas, muito mais interessante do que aquele que a Inglaterra consegue produzir . Mas em Twickenham e pelo posicionamento no ranking, a Inglaterra é favorita mesmo com apenas 182 internacionalizações no campo contra 230 de Gales. Mas a vitória de Gales significará a Triple Crown e o passo de gigante para o próximo tira-teimas em terras francesas.



Ganhando Gales, ultrapassada a Inglaterra, atingirá a quarta posição do ranking mostrando-se como a melhor equipa do hemisfério norte - o que realmente é, qualquer que seja o resultado do jogo (adeptos são assim: nunca deixam, como canta Liverpoool, os seus caminharem sózinhos). Ás vitórias!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

ERROS

“Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos.”
Padre António Vieira (1608/1697)

Inexplicável a derrota 32-33 com a Rússia! Trinta e dois pontos marcados, quatro ensaios conseguidos, uma vantagem ao intervalo de 11 pontos, um desastre do início do segundo-tempo e derrota final por um ponto. Errol Brain, treinador principal e concordando que a entrega do resultado se fez no atípico início do segundo-tempo, aponta, numa mistura explosiva, três razões gerais para explicar a derrota: falta de concentração, demasiados erros individuais, não cumprimento do plano de jogo.

E como Portugal poderia ter ganho folgadamente... Ó se podia...

Porque não o fez? Porque teve demasiados “eus” em vez do obrigatório “nós”, pouca e curta equipa no esquecimento da obrigação dos grandes de fazer um todo superior à soma das partes. Porque falhou três-contra-um e três-contra-dois de escola, porque errou na defesa colectiva – nunca vi o recurso ao fixação-contorno (à francesa: cadrage-débordement) ser tão eficaz, para uma e outra equipa, no centro do terreno como neste jogo. E a entrada em campo para a segunda-parte deitou tudo a perder – perda de concentração num percurso demasiado longo para os balneários para um intervalo de apenas dez minutos? Tomaz Morais lembra o seu jogo contra a Roménia e as dificuldades que a distância criou na sua concentração (não tenho experiência nesta matéria, no meu jogo internacional no Estádio Nacional contra a Itália ainda não havia intervalo). Fica a nota para futuro.

“O que não se faz não existe.”, disse Vieira. Os acertos, os passes que não se fizeram, os pontapés que não se deram, as decisões que não se tomaram, não existem. Ou melhor, só existem no depois, na reflexão posterior, porque o antes dos momentos decisivos não nos trouxe o momento dos grandes jogadores mas sim o seu tempo desfasado a perder-se nas periferias do jogo individualista.

O que Portugal precisa é de uma equipa, um conjunto sólido de objectivos e vontades, de momentos sobre momentos entendidos como construção de uma vantagem final arrasadora dos adversários que nos defrontam. Uma equipa que seja muito mais do que o momento que a paixão de um Hino cria – é verdade, a paixão do Hino não cria uma equipa, cria um momento. Nada mais. O resto constrói-se em cada momento, tempo e espaço concreto.

Podíamos ter ganho, podíamos – mas isso pouco importa porque perdemos. E porque perdemos também já pouco importa o erro grosseiro da arbitragem que não atribuiu a Portugal um ensaio-de-penalidade sobre a meia-hora do jogo e na famigerada formação-ordenada em que, a escassos metros da linha de ensaio, Portugal perdeu a bola. Pouco importa porque perdemos mas teríamos ganho!


Foto da transmissão televisiva da SportTV

A formação-ordenada ainda está formada e em avanço no terreno, rodando ligeiramente para melhor garantir o destaque, e a bola – como se pode ver na foto tirada da transmissão televisiva – está ainda no seu interior e junto aos pés de Severino (nº8) que ainda não se destacou. Mas pode ver-se o nº 12 russo já com um pé dentro do terreno-de-jogo, ultrapassando a linha-de-ensaio e colocando-se em posição de fora-de-jogo. Sendo desta posição ilegal que o centro russo vai apanhar a bola, roubando-a à formação ordenada portuguesa que avançava, só há uma decisão possível de acordo com as Lei do Jogo: ensaio-de-penalidade! Coisa que não terá passado pela cabeça nem do árbitro, nem do árbitro auxiliar. Distraídos num erro imperdoável e com tremendo prejuízo para Portugal que, com a derrota, viu a sua pontuação do Ranking IRB baixar - de 59,07 para 57,91 - e ficar cada vez mais distante dos seus adversários directos – nomeadamente da Espanha (de 60,33 para 62,10) que, embora recheada de franceses que não deverão estar já disponíveis para o Mundial de 2015, cometeu a proeza europeia da jornada ao derrotar a Geórgia.     

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

EXCELENTE OPORTUNIDADE

Jogar em casa contra uma equipa equivalente, melhor qualificada, com mais pontos de Ranking IRB é uma excelente oportunidade que não se deve desaproveitar.

O Ranking IRB tem regras que o tornam muito interessante e com muito bom equilíbrio de interesses: quando a diferença entre as duas equipas ultrapassa, depois de somados os 3 pontos que representam o valor "casa", os dez pontos, só a equipa mais fraca é que pode, ganhando, marcar pontos. Ou seja, não há qualquer interesse em defrontar equipas fracas para ganhar com uma abada - não há qualquer vantagem pontual; só o risco de perder.

Com este tipo de filosofia de dar vantagens ao êxito do mais fraco e obrigações ao mais forte, o sistema da IRB equilibra, num dado intervalo, as diferenças e estabelece que jogar contra uma equipa melhor qualificada, com melhor pontuação, e vencê-la significa um bom roubo de pontos. Porque os pontos que um ganha são os mesmos que o outro perde.

O XV de Portugal (24º lugar com 59,07 pts), jogando em casa contra um adversário melhor qualificado - Rússia (20º lugar com 60,54 pts) - tem uma excelente oportunidade para ganhar pontos e subir no Ranking. Ganhando o jogo pode até subir três lugares - ultrapassando quer a Russia, quer o Chile (59,52 pts) e aproximando-se da Espanha (que não deve ter grandes hipóteses contra a Geórgia) que só será ultrapassada se πortugal vencer por 15 ou mais pontos.


O Portugal-Rússia de amanhã representa assim e como se pode ver no quadro, uma excelente oportunidade para os Lobos subirem no Ranking IRB e ampliarem a diferença para os países do terceiro terço.

Hipótese de classificação futura com vitória de Portugal e derrota da Espanha:

Espanha... 60,11... 21º
Portugal ... 59,92... 22º
(vencendo por 15 ou mais pontos, atingirá os 60,34 pts e chegará à 21ª posição)
Chile......... 59,52... 23º
Russia...... 59,27... 24º

A Geórgia, ganhando como se prevê, continuará na 14ª posição mas com 71,31 pts e, caso ganhe por uma diferença de 15 ou mais pontos, com 71,43 preparando o ataque à posição do Canadá.- equipa que só ultrapassará quando vencer um adversário de superior posição e pontuação, situação que não acontecerá neste Europeu das Nações.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

COMPETIR EXIGE EQUILIBRIO

O treinador de Portugal, Errol Brain, já tinha posto a mão na chaga: a competitividade do campeonato português não garante o ritmo competitivo necessário para o nível internacional. E foi essa falta de ritmo que impediu a adaptação dos jogadores portugueses e ditou a derrota contra os romenos.

As más condições de terreno e climatéricas tiveram influência na prestação dos jogadores portugueses? Sendo factores no mínimo desagradáveis – tenho ainda na memória um jogo, final da Taça Ibérica, de há mais de quarenta anos que joguei com o mesmo tipo de condições… - mas nada que prejudique mais uns do que outros. A grande maioria dos jogadores portugueses são cosmopolitas, não são meninos-de-coro, a maioria são ou foram profissionais habituados às mais diversas condições de jogo e treino e muitos deles são já conhecedores de muitos campos do mundo. Não terá, assim, sido esse factor a determinar a derrota.

Aliás aquele terreno – por mais paradoxal que pareça – permitiu que a equipa portuguesa iniciasse o jogo na sua zona de conforto: assentar o seu jogo na defesa, procurando a exploração do erro adversário (com dividendos no ensaio de Aguilar) ou de bolas soltas e das desorganizações colectivas adversárias, procurando ainda explorar o contra-ataque nas entregas do jogo-ao-pé adversário.

Fizemos figura de vencedores – todos acreditamos na possibilidade – até onde pudemos. Perdemos quando o desgaste do acompanhamento dos outros nos liquidou. Falta de ritmo, falta de nível competitivo, falta de hábitos contínuos do nível internacional onde competimos, foi o que foi. Mas, pode perguntar-se: então os jogadores que vêm de outros campeonatos com outros níveis, não resolvem esse problema?

Não, não resolvem porque há um princípio fundamental dos jogos colectivos que eles não conseguem fazer ultrapassar: uma equipa vale tanto quanto o seu elemento mais fraco. E portanto o que vai prevalecer no final é a desvantagem dos menos adaptados. E foi isso que se passou: a partir de determinada altura os romenos tomaram conta do jogo e a selecção portuguesa não mostrou mais capacidade de resposta – quantas vezes nos vimos a passar a linha-de-vantagem? E valeu-nos, deve referir-se, algumas incapacidades romenas sempre que pretenderam sair da área do seu ADN natural.

A conclusão a tirar deste jogo parece óbvia: da falta de bom nível competitivo interno resultam derrotas. Derrotas que nos colocam em cada vez pior posição. E mesmo podendo perceber-se que podemos jogar mais do que os romenos o facto, com os 59,07 pontos do Ranking IRB que contámos agora, é que estamos cada vez mais longe dos actuais 64,21 pontos da Roménia. E cada vez mais próximos dos membros do terceiro terço.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

EUROPEU DAS NAÇÕES 2010/11

No final do Torneio Europeu das Nações e apesar de ter ficado fora das promessas, Portugal ganhou – subiu um lugar no ranking e somou mais 0,87 pontos IRB. Não é muito mas é melhor que nada. E embora não tenha aproveitado a ocasião, como forma de garantir o 20º lugar, para se distanciar mais ainda do Uruguai – que ainda não jogou - conseguiu aproximar-se de dois adversários europeus – a Rússia (agora a 1,36 pontos de diferença) e da Roménia a quem ganhou 1,07 pontos. Perder, perder, foi para a Geórgia que nos conquistou 8,35 pontos e entrou para a casa maior das sete dezenas de pontos.

Portugal podia ter feito melhor, as duas derrotas souberam mal – uma porque esteve quase virada e a outra porque não faz (ainda hoje) qualquer sentido – mas acabou, pode dizer-se, por ter uma época internacional europeia aceitável.

sábado, 19 de março de 2011

UMA NOVA ATITUDE

Com dez lugares de diferença no ranking, com uma diferença de cerca de sessenta pontos em pontos sofridos, Portugal é totalmente favorito para este jogo com a Ucrânia que tem ainda um jogo contra a Roménia para realizar.

A diferença entre um e outro é tal que Portugal, em termos de ranking da IRB, não conquistará quaisquer pontos qualquer que seja o resultado conseguido. Apenas a Ucrânia - que, perdendo, também não perderá pontos - poderá conquistá-los se, contra todas as probabilidades, vencer o jogo.

O jogo de hoje, neste contexto, é a situação ideal para Portugal e os jogadores portugueses modificarem a imagem deixada com a derrota contra a Espanha: sem qualquer tipo de pressão - a ideia da conquista deste campeonato europeu foi chão que deu uvas - podem expressar as suas capacidades e voltar a ganhar a confiança necessária para o seu crescimento internacional, deixando no campo um resultado que demonstre a diferença rugbística entre as duas equipas que, teoricamente, se traduzirá numa vantagem entre 26 a 32 pontos de diferença.

Pontos IRB possíveis de acordo com o resultado do jogo

Com esta diferença de níveis o que se espera neste último jogo, é um jogo de carácter de Portugal, com a atitude adequada e a tradução do domínio em pontos e em capacidade de jogo. Enfim, um jogo divertido e agradável de ver.

quarta-feira, 16 de março de 2011

T-CUP

“Podemos deixar que este facto nos perturbe ou podemos aprender com ele”
in Red Dragon (2002, Bret Ratnel) fala de Jack Crawford (Harvey Keitel)

A sensação que fica de uma olhadela pelos resultados da selecção portuguesa no pós-Mundial de 2007 é a de que se dá mal com os jogos e adversários a quem deveria ganhar. Conseguiu excelentes resultados onde não se esperava, empatando em Tiblissi, ganhando em Bucareste para perder o ouro em Lisboa. E se já este ano, em Sotchi, venceu os russos, deixou-se apanhar no seu favoritismo pelos espanhóis. Parece, e pareceu muitas vezes, que a pressão de jogar em casa – em frente aos seus, com a obrigação de não os deixar mal – pesava toneladas para se tornarem mais soltos onde nada lhes era exigido. E se isso pode ser normal nas fases de crescimento de uma equipa, há um dia em que tudo tem que acabar: é a idade adulta.

O treinador campeão do mundo Clive Woodward encontrou – para definir com os seus jogadores a atitude pretendida – a mnemónica ideal: T-Cup (chávena de chá). A mnemónica tem ainda a vantagem de falar de uma coisa simples que se usa com facilidade e com a qual, principalmente os ingleses, convivem quotidianamente. T-Cup significa a decisiva atitude competitiva de Thinking Correctly Under Pressure* (pensar correctamente sob pressão) e que traduz a capacidade dos grandes campeões de enfrentarem os grandes e decisivos momentos sem se deixarem absorver negativamente pela envolvente. Coisa que, ao que aparentámos, não somos capazes de interiorizar. Que significa isto? Falta de treino competitivo para o discernimento sob pressão?

Como é que se pode preparar jogadores para pensarem bem nas mais diversas situações de jogo? Aumentando o nível e a complexidade dos treinos, aumentando o nível da competição onde estejam presentes, é a resposta possível.

Reconhecendo que o corolário de Murphy – “quando a pressão aumenta o disparate acontece” – é uma realidade, os campeões retornam ao seu elevado nível subordinando-se a trabalhar sempre para melhorar sempre; a não inventar; a voltar aos gestos, técnicos e tácticos, básicos. Os outros não.

As derrotas desta época foram de borla – não custaram idas ao Mundial ou descidas no ranking. O que significa que a lição dos erros, a aprendizagem necessária, pode ser feita sem grandes custos ou remorsos. O momento constitui assim uma oportunidade que não surgirá muitas vezes. O melhor é aproveitá-la: pensando o jogo e acordando nos caminhos necessários à prestação desportiva de alto nível.

O próximo jogo com a Ucrânia apresenta-se como uma boa oportunidade para conseguir, retornando com a humildade necessária às bases estratégicas, tácticas e técnicas que possibilitem reencontrar o sentido colectivo e solidário que define uma equipa vencedora.

*a partir de Yehuda Shinar

domingo, 13 de março de 2011

COMO FOI POSSÍVEL?


Ainda estava a rever os últimos minutos da excelente – notável mesmo – vitória da Itália sobre a França (22-21) e a pensar nas razões das incapacidades que o jogo francês vem mostrando – a mais provável: o medo de perder que resulta das consequências financeiras do sobe e desce do campeonato francês – quando recebi a notícia: 25-10, perdemos!

Como foi possível perder numa clara posição de favoritos e ainda por cima pela diferença de quinze pontos? Que se passou antes e durante para um descalabro destes? Que raio de atitude entrou dentro do campo – a que afirma que a construção da consistência de uma equipa se afirma na subida degrau-a-degrau ou a pretensiosa que se acha merecedora de um antes de o ser já o era?

Não vi o jogo mas leio 6 (seis!) penalidades convertidas pelos espanhóis – o que significa um desconchavo de faltas (aposto que no chão…) como resultado de uma desconcentração inadmissível. Ou demonstração de ignorância das Leis do Jogo? Ou ainda: incapacidade técnica de entrada ao contacto para garantir a libertação da bola e incapacidade táctica da tomada de decisão quer dos portadores, quer dos apoiadores? Qualquer delas, vistos os jogos anteriores e os jogos que por cá se fazem, não me admiraria.

Ao perder assim, perdemos também futuro – não o futuro dessa mania das grandezas que ainda achava que o objectivo do jogo seria o ponto de bónus para conquistarmos um título que tínhamos já deixado escapar (a final foi contra a Geórgia e, se estamos lembrados, perdemo-la), mas o futuro de poder contar com a Espanha para o desenvolvimento do nosso rugby, dos nossos melhores jogadores, num estádio competitivo superior. Com esta derrota a Espanha fará mais do que sempre fez: que não precisa de nós. E nós não teremos argumentos para apresentar vantagens ou alternativas. Porque do outro lado só temos mar.

sábado, 12 de março de 2011

VITÓRIA DO FAVORITO

Hoje à tarde em Madrid, Portugal tem a possibilidade de consolidar o 20º lugar do ranking IRB. Em jogo sempre de particular carisma, Portugal, mesmo jogando fora, é o favorito: vitória pela diferença de 3 a 7 pontos é o que se pode retirar das pontuações de cada uma das duas equipas e dos resultados conseguidos recentemente.

Portugal é mais equipa e tem mostrado maiores capacidades. Não se deixando surpreender pela tradicional fúria espanhola inicial, a selecção portuguesa trará de Madrid a vitória.

Pontos IRB em disputa

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

POR UM NADA...

…se perde, por um nada se ganha. E aquele pontapé que não subiu transformou-se no colapso do Estádio – último segundo, última oportunidade, o céu à vista e um tremendo nada.

Minutos antes, um três-contra-dois de escola a garantir uma oportunidade de excelência para resolver o jogo, foi pessimamente manobrada numa tomada de decisão de quem não tem treino nem qualidades para ser mais do que um finalizador. Momento de que ninguém se irá lembrar. Como pouco nos lembraremos da importância da incapacidade de conquista nos alinhamentos e da falta de soluções demonstrada. Ou a da decisão receosa de ir-aos-postes em vez do risco de um alinhamento em cima da área adversária suportado na vontade de ganhar para ficar na derrota de um ponto de distância. Na memória ficará, em vez de tudo isso, o pontapé que nos daria a vitória – como há quinze dias terá ficado junto dos seus o falhanço do chutador russo que nos garantiu a vitória por dois pontos. Um e outro nada entre vitória e derrota. Como se a estória de um jogo – esse enorme conjunto de decisões, erros, oportunidades, feitos – fosse apenas um pequeno nada. Mas ganha-se e perde-se, sabe-se, nos pormenores. E os pormenores portugueses foram maus. E quase ganhávamos…

A Geórgia até se pôs a jeito*. Mostrou-se um exemplo acabado de que velhos hábitos dificilmente se transformam – no treino que lhes vi mostraram-se muito mais interessantes, mais dinâmicos, mais movimentados. No jogo ficaram-se pelo papel de rolo compressor – usaram uma jogada treinada no ensaio – e só não perderam por acaso. Aliás, quem joga assim, quem mostra a total imperícia de utilização da enorme quantidade de bolas conquistadas, merece perder.

Porque não aconteceu? porque nós nada fizemos para ganhar, limitámo-nos, como lembra o poeta, a esperar acontecer e não saber que – quando? como? – riscos correr.
Depois das duas vitórias anteriores tudo parecia dever ser diferente. Porque foi assim?

A primeira razão: a Geórgia não é, hoje em dia, a Roménia ou a Rússia. Vale mais: tem outra experiência, outro traquejo mesmo quando, pela pressão envolvente, se limita ao jogo de afrontamento directo sem saídas de combate inteligentes.

Quando a pressão aumenta, os erros florescem. No campo desportivo o aumento de pressão, sem os hábitos de resposta adquiridos, é como se a Lei de Murphy tomasse conta de cada gesto. Tendendo ao exponencial se as coisas não estão convenientemente preparadas: e o quinze de Portugal não está convenientemente preparado para este outro nível de pressão. A maior parte dos seus jogadores não têm hábitos competitivos elevados – o nosso campeonato é fraco, fraquinho, de baixo ritmo, reduzido e sem competição capaz (as meias-finais em duas mãos é mais uma ajuda para não haver treino do agora-ou-nunca de que tratam os jogos internacionais) – e a montagem da equipa não me parece adequada.

Num jogo deste nível – a Geórgia é o 15º classificado do ranking IRB - os problemas já detectados em jogos anteriores tenderiam a ampliar-se. É fácil perceber que é um  risco desmedido utilizar jogadores em posições-chave que não têm – porque nunca tiveram ou porque já não têm – os hábitos necessários ao bom uso e desenvolvimento das situações. E o facto foi este: a equipa portuguesa não foi capaz de impor fosse o que fosse e viveu dos erros absurdos dos georgianos (se no Mundial as arbitragens não forem condescendentes com os mais fracos, não irão lá fazer nada). O que deu para disfarçar mas não para ignorar... estivemos sempre longe do controlo da vitória.

Perdeu-se uma enorme oportunidade – calendário favorável, sequência de vitórias – que, como lembra o provérbio, não voltará mais. Mas, assim sendo, também se pode dizer, trocando com a encolha de ombros, que se ganhou um enorme campo de análise sobre o rugby português, a sua condição, as suas perspectivas e estratégias, o seu futuro e a forma como o pretendemos desenvolver e posicionar – não perder esta oportunidade de pensar a realidade exposta neste jogo é uma exigência que não deve ser escamoteada com as mais que prováveis duas vitórias internacionais que se seguirão... O sinal está dado. 
*ironicamente pode dizer-se que o abertura georgiano (nº10) foi, pelo que destruiu do jogo da sua equipa, o melhor defensor português - demonstração feita com a entrada do nº22 para o seu lugar.
Com um abraço ao Miguel Carmo

sábado, 26 de fevereiro de 2011

RETIRAR PRESSÃO E JOGAR

Os jogos ganham-se no chão – diz-se. É portanto na capacidade de libertar rapidamente a bola ou de a recuperar depois de uma placagem e jogar de forma adequada ao posicionamento adversário que uma equipa garante a vitória. No Portugal-Geórgia pode estar aqui, nesta relação de forças, a chave para a percepção de quem ganhará. Equipas de algum equilíbrio – a Geórgia mesmo a jogar fora é, no entanto, a favorita – e que se conhecem razoavelmente, com capacidade de conquista das próprias bolas nas situações ordenadas, terão na gestão dos pormenores o traço da vitória.

Ganhando – o que será um excelente resultado – Portugal ficará com a possibilidade de conquistar a Taça Europeia das Nações e com a certeza que subirá – qualquer que seja o resultado Roménia-Rússia – pelo menos um lugar no ranking (ver quadro). Caso perca, Portugal manterá o actual vigésimo lugar – Uruguai e Namíbia não jogam, a diferença para a Espanha é grande e a classificação da Geórgia não penaliza demasiado a derrota (é esta uma das boas qualidades do ranking IRB que não trata os jogos da mesma maneira mas sim de acordo com as diferenças pontuais, não favorecendo vitórias óbvias nem desfavorecendo derrotas inevitáveis).

Distribuição de pontos IRB de acordo com os resultados
Com o bom tempo, o jogo de hoje pode ser um agradável espectáculo. Não será um jogo fácil para os portugueses que terão, nomeadamente em defesa, de articular bem o movimento colectivo, cortando espaços e impedindo o desenvolvimento do lançamento dos peso-pesados georgianos. Afastada pelas Leis do Jogo a dita placagem-à-portuguesa, o dois-em-um não tem vindo a funcionar mal – apenas levando tempo demais a colocar o adversário no chão e atrasando a eficácia defensiva.

Pelo que se sabe a Geórgia procura adaptar-se à main-stream do actual rugby internacional – não fugindo totalmente ainda ao jogo à volta do prato (zona um), já procura deslocar para as zonas centrais do meio-campo as suas zonas de penetração e contacto, procurando a posse da bola e o desenvolvimento de sequências por fases que, deslocando os movimentos de penetração, procuram provocar os desequilíbrios defensivos que favoreçam o movimento da bola e de jogadores – a equipa técnica irlandesa (com um australiano de permeio) não será estranha a esta preocupação.

Portugal pode ganhar? pode, mas essa possibilidade não deve tornar-se numa pressão suplementar. Fazer o seu jogo, correr os riscos necessários, explorar colectivamente as oportunidades, sem pressas, nem precipitações, manter a bola viva evitando contactos desnecessários e, no final, a vitória pode ser portuguesa.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PORTUGAL GANHA NA RÚSSIA

Portugal ganhou á Rússia por 21-19. Excelente vitória, superior à da semana passada porque fora e contra adversário com melhor qualificação no ranking IRB - a Rússia é 18ª e a Roménia 19ª. Com esta vitória Portugal consegue 63,81 pontos de ranking e consolida a sua 20ª posição.

E vão duas vitórias sobre dois mundialistas apurados para a Nova Zelândia e que foram nossos adversáriosa directos. A pertinência da pergunta ganha maior amplitude: porque que é que não nos conseguimos apurar?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

UM SÓ MÉDIO-DE-FORMAÇÃO?

O XV de Portugal leva apenas, nos seus vinte-e-três jogadores da lista oficial, um médio-de-formação. Não percebo.

Como é que para um jogo deste nível se aposta apenas num jogador que, ainda por cima, não é um permanente do lugar? Mas mesmo que esta liberdade poética – chamemos-lhe assim – seja admissível por qualquer razão que desconheço, a não ida de outro causa enorme estranheza. E se os russos fizeram o trabalho de casa, se leram a constituição da equipa? Repito: não percebo.

O médio-de-formação é, sabemos todos isso, uma posição-chave da equipa. Por ali passa o ritmo, a primeira boa decisão, a forma de ocupação, a rapidez que permite explorar qualquer sucesso conseguido nas sequências da continuidade do movimento. O passe – na rapidez e dimensão - a leitura sob pressão de tempo e espaço, são decisivos e exigem hábitos da posição. Apesar de gostar muito do Pipoca como jogador e pessoa, não me parece que a sua escolha para jogar a 9 seja uma boa nova. Mas pior nova é o facto de não haver outro jogador dedicado ao lugar sentado no banco. Não há mais nenhum? Não serviriam os que representaram as outras três equipas portuguesas do Final Four do campeonato nacional? Ou estão todos indisponíveis?

Não servindo ou não querendo, existem outros portugueses que jogam em França e que são bastante capazes de cumprir o lugar em causa como Emmanuel Rebelo do Dijon (Federal) que já jogou – e bem! – por Portugal ou Fábio da Silva do St. Ettienne que joga na PROD2 ou ainda Samuel Marques que joga no Pau (PROD2) e que assinou há dias um contrato de profissional e que já vi - e gostei - em vídeo. Porque não foram chamados?

Que ninguém perceba a fraqueza da equipa e que o desnecessário risco não se transforme num pesadelo...
Seja como for, qualquer que seja o resultado, Portugal manterá a vigésima posição – para subir mais um lugar necessitaria de vencer a Rússia por mais de quinze pontos e que a Roménia, naquilo que parece uma impossibilidade, perdesse com a Ucrânia. A Espanha com 58,03 pontos, faça que resultado fizer contra a Geórgia, não nos apoquenta e Uruguai e Namíbia não jogam. 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

GRANDE VITÓRIA

Uma vitória é uma vitória. E esta conseguida por Portugal sobre a Roménia é ainda melhor: é uma grande vitória – uma das poucas conseguidas nos últimos anos sobre adversário melhor qualificado no Ranking IRB (terceira em 23 jogos após o Mundial de 2007). Com esta vitória, Portugal passa para o 20º lugar da tabela, ultrapassando o Uruguai e ficando agora com 62,10 pontos. 
Um bom começo de ano.

Como foi também óptimo o começo do jogo – ainda os romenos não tinha tirado as dimensões ao campo e já estavam a perder por 10-0. Um atraso futebolístico para uma área sem guarda-redes provocado por uma pressão bem montada deu um ensaio ao oportuno Pedro Silva logo nos primeiros momentos e o mote para o que se iria ver. Um pontapé de 53 metros de Gardener garantia mais três pontos e fazia aumentar a confiança nas bancadas. A tarde prometia.

A distribuição ao pé de Gardener garantia uma boa ocupação de terreno e dava-nos abrigo nas costas; a defesa comportava-se em bom plano – quem tem Bardy tem muito. Duvidoso apenas a capacidade do 5-da-frente nas formações ordenadas. Aguilar marca novo ensaio e Frederico Oliveira dá nota do que sabemos dele e já tínhamos visto contra a Inglaterra – é um terrível finalizador (uma qualquer porta aberta basta mas seria bom que lhe ensinassem os movimentos surpresa que o rugby oferece) mas duvido que seja o criador que a selecção precisa como segundo centro. Ao intervalo a festa: 24-3 e a um passinho do ponto de bónus (novidade deste campeonato que se adianta ao 6 Nações).

Atitude – no movimento adequado de cada um; galhardia – no dar o corpo ao manifesto para parar os enormes romenos; valentia – exemplar num encontro aéreo entre o pequeno Pipoca e um brutamontes romeno. Tudo isto marcava a equipa portuguesa na primeira parte. Parafraseando em parte Stuart Barnes, a selecção portuguesa mostrava-se de raciocínio acutilante, rigorosa na execução e valorosa na acção.

O início da segunda parte também parecia assim lançado. Falta de hábitos competitivos para este nível, desconcentrações e ainda substituições que nada adiantaram permitiram o levantar de cabeça dos romenos – que não ganharam o jogo mas que nos fizeram perder dois pontos classificativos: o de bónus que não conseguimos e o de bónus que consentimos. Dir-se-á: mas ganhámos! Claro e uma vitória vale uma vitória! Mas deitámos fora uma enorme oportunidade de arrasar a Roménia e de nos posicionarmos claramente para jogar uma final com a Geórgia para conquistar o lugar que garante participação efectiva na janela internacional de Novembro.

A defesa esteve quase sempre bem – excepto no último ensaio sofrido – a garantir o conseguido pelo ataque que cumpriu melhor do que em jogos anteriores. Mas o recurso à passagem pelo chão para garantir a continuidade de posse e uso da bola, dando todas as vantagens à defesa, tem que ser revisto – a demora na reciclagem impede o aproveitamento do desequilíbrio criado e obriga a que tudo de reinicie. A que se acrescenta o facto do ataque à linha de vantagem, não sendo tão próximo quanto o possível e necessário, permitir que a defesa se readapte ao movimento atacante. Ou seja: passar pelo chão, demorar tempo na disponibilização da bola e jogar longe da linha de vantagem são factores que facilitam a vida dos defensores – o nível internacional exige mais. Como seja, e por outro lado, saber alterar a direcção dos movimentos – colocando dúvidas e desconfortos à defesa e evitando que se limite a correr para fora – para o que é necessário adaptar o posicionamento da linha em movimento de maneira a permitir o jogo para o interior em contra-pé (mais do que uma vez este recurso teria aberto auto-estradas na defesa romena…). Cada vez mais o nível internacional impõe a capacidade de decidir e executar no mínimo de espaço e de tempo – o treino e a formação têm que ter, cada vez mais, este aspecto em conta.

A arbitragem esteve bem. E para quem julgue que houve má interpretação no último ensaio romeno, cito, das leis em português publicadas em Agosto de 2008, a Lei 12 - TOQUE OU PASSE PARA DIANTE.”Definição. Toque para diante: Há toque para diante quando a bola segue para diante após um jogador ter perdido a sua posse ou, após um jogador a ter impulsionado ou batido com a mão ou braço, ou após ela ter batido na mão ou no braço de um jogador e ter tocado o solo ou outro jogador antes de ser controlada pelo mesmo jogador”.(sublinhado meu). Não houve portanto qualquer falta romena. O árbitro esteve bem. Pena, mas é assim.

Acabado o jogo e dada a forma como decorreu – mesmo com a recuperação romena – a pergunta não pode deixar de ser feita: o que vai fazer a Roménia ao Mundial? Questão que coloca outra e esta mais importante: porque é que nós, portugueses, não nos qualificamos para o Mundial da Nova Zelândia? Alguém se preocupou em analisar as razões – com os erros aprende-se, com o silêncio consente-se.

Gostei muito de ver os jogadores luso-descendentes que vestem a camisola do rugby de Portugal a cantar o Hino Nacional como se tivesse andado na nossa escola primária - eles gostam de estar connosco. Vê-se nas palavras que cantam.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

RUGBY EUROPEU EM MARCHA

Ano de Mundial e a Europa do rugby começa a mostrar-se este fim-de-semana. Das doze equipas que disputam o Torneio das Seis Nações e o Torneio Europeu das Nações, nove estarão presentes entre as vinte equipas que daqui a seis meses se apresentarão na Nova Zelândia. Como apresentação a Inglaterra foi arrancar (26-19) uma boa vitória a Cardiff e marcou pontos nas lojas de apostas das previsões mundialistas.
No Europeu, num outro nível, Portugal joga, em Lisboa, contra a Roménia em jogo onde não se esperam facilidades. Apurados para o Mundial, os romenos aparecerão na sua máxima força e não quererão deixar a sua preparação iniciada com uma derrota. Veremos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

D. SEBASTIÃO É UM MITO

A ansiada chegada de D. Sebastião numa manhã de nevoeiro para salvar o país do jugo castelhano não passa, como sabemos, de um mito. A necessidade de uma tábua de salvação para garantir a sobrevivência no mar alto e revolto só faz sentido se permitir a flutuação. Dito isto, também se sabe, da evidência dos desportos colectivos, que a derrota não é culpa de um só jogador como a vitória também não surge da capacidade única e individual. Vitórias e derrotas pertencem ao colectivo, à equipa. E as suas melhorias devem ser procuradas de acordo com as suas necessidades e com os adversários que se defrontam.

O jogo com a Roménia até começou bem: um pontapé de 58 metros como nunca se tinha visto em Portugal num jogo deste nível. Depois, como em sol de pouca dura, começaram os disparates numa sucessão de erros sistemáticos.

Tacticamente jogámos ao contrário – um amigo meu, comentava: há algo trocado, nós parecemos romenos e eles parecem nós! – atacando a linha defensiva no Canal 1, facilitando a vida aos seus pesados avançados. No fundo, em ataque ou defesa – aqui fechando demasiado – aproximamos sempre o jogo dos avançados adversários, atacando pelos seus pontos fortes e não procurando os seus fracos. Junto à linha de ensaio romena repetimos – ignorando uma das regras dos campeões de nunca os repetir - o mesmo erro cometido contra os georgianos: a insistência na passagem em força - procura egoísta de notoriedade, falta de comando táctico? - quando o espaço de circulação existia. Desfocados do jogo, nunca exploramos o enorme espaço deixado vazio atrás da defesa – esquecemos os pontapés rasteiros – não percebendo que a pressão e deslize defensivos da Roménia se baseavam no aumento do número de jogadores da linha (e, como se sabe, os jogadores são como os lençóis: se cobrem o pescoço, destapam os pés…). Jogamos 7 ou 8 minutos contra treze adversários e nada mudou – a sensação do exterior é que nem se reparou – tão pouco o uso da 3ª linha para saídas da formação ordenada... em algum sítio teriam de faltar os “amarelados”.

Claramente faltou-nos a inteligência do momento para perceber, reagir e adaptar eficazmente o colectivo às situações do jogo. Assim, a vitória romena surgiu com naturalidade. Merecidamente: jogaram mais, resolveram os poucos problemas que lhes criámos, utilizaram eficazmente as oportunidades. E defenderam bem, atacando a linha e desmultiplicando-se convenientemente.

É claro que a nossa não qualificação não aconteceu aqui: começou na primeira derrota com a Rússia – o nosso verdadeiro adversário numa análise fria e objectiva. Talvez até que a nossa não qualificação tenha começado numa ilusão de valor e capacidade que nunca atingimos e que a falta de competitividade interna nunca permitiria atingir a experiência necessária ao acompanhamento da melhoria dos adversários. Porque a realidade é esta: eles melhoraram, nós estacionámos. E o rugby português nunca pareceu querer ter uma grande perspectiva desta percepção... e assim deixámos que o rugby menor de georgianos ou russos atingisse a proximidade que lhes permitiu as vitórias e a qualificação.

E agora? Como vamos garantir o desenvolvimento futuro? Vamos procurar os meios competitivos para nos qualificarmos para 2015 ou vamos continuar a esperar que os lugares nos caiam do céu?

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