quinta-feira, 30 de junho de 2011

ERRO DOS ÁRBITROS OU DO SISTEMA?

Já tinha acontecido na última final do campeonato nacional entre Agronomia e Direito. Agora, situação similar aconteceu no Blues-Waratahs em jogo dos Qualifyings para as meias-finais do Super 15.

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E passa-se assim em quase todos os jogos: os jogadores que estão à frente do seu companheiro chutador não recuam no terreno de acordo com o que define a Lei 11.4 – Jogador fora-de-jogo sujeito à lei dos 10 metros e interferem ilegalmente no desenrolar do jogo, prejudicando o seu desenvolvimento. E os árbitros, a terem que ver muita coisa ao mesmo tempo nem sempre se dão conta desta obstrução táctica.

O que se passou em ambos os jogos citados foi o seguinte: bola pontapeada para fora e os jogadores que se encontravam a menos de 10 metros da imaginária linha paralela às linhas de ensaio não recuaram e intervieram no lançamento – ou no seu impedimento – rápido da bola. E se no jogo do Super 15 os eventuais danos se limitaram – e não é pouco – ao ganho de terreno forçado, na final do campeonato nacional a consequência influenciou o resultado final.

A questão: está em falta o jogador companheiro do pontapeador que se encontra a menos de 10 metros do ponto de cruzamento da bola e que, tirando partido do seu não recuo interfere na possibilidade de lançamento rápido da bola?

Dir-se-á que a bola saiu do terreno de jogo – está morta – e portanto que, estando o jogo parado, os jogadores que estavam em fora-de-jogo terão deixado de estar e poderão participar – a partir da posição ilegal em que se encontravam – na sequência que reinicia o jogo.Será?!

A Lei 11.4 diz que O jogador fora-de-jogo deve imediatamente recuar para detrás desta linha imaginária e enquanto o faz, não deverá fazer obstrução a qualquer adversário”. Ou seja, o jogador em causa tem que recuar imediatamente após, infere-se, a bola ter sido pontapeada. Por outro lado a mesma Lei 11 no seu ponto 9Permanecer em posição de fora-de-jogo, define claramente: Um jogador que permanece em posição de fora-de-jogo sem tentar recuar para se recolocar em-jogo, e deste modo impede a equipa adversária de jogar a bola, está a tomar parte no jogo e, por isso, deverá ser penalizado.

Sendo um norma comummente aceite que não se pode tirar partido de posição ilegal – basta pensar na não aceitação do conceito usual de benefício do infractor – o posicionamento em fora-de-jogo, mesmo que a bola tenha saído do terreno-de-jogo e possa ser considerada morta – que aliás só acontece quando a bola toca no chão ou similar - irá impedir o uso da possibilidade de lançamento rápido e, consequentemente, retirar as vantagens que daí poderiam resultar – o que significa que lidamos também com uma forma que poderá ser considerada como jogo desleal.

E vendo a Lei 10 – Jogo Ilegal/Anti-jogo. (a) Infracções intencionais: É ilegal para qualquer jogador cometer deliberadamente um acto desleal ou infringir intencionalmente qualquer Lei do Jogo, resulta no seu ponto 10.5. Sanções: (a) Qualquer jogador responsável por uma infracção à Lei 10 deve ser avisado, ou advertido e suspenso temporariamente do jogo. E como tal e de acordo com a interpretação que venho fazendo, a falta em causa deverá ser punida – para além do respectivo pontapé de penalidade – com um cartão amarelo e suspensão de 10 minutos.

A situação poderá não ser evidente, mas parece-me, de acordo com a letra e o espírito das Leis do Jogo – e os valores que norteiam o jogo – que se tratará de falta. A não ser que se pretenda juntar outra falha grave – refiro-me ao facto do toque na bola que resulte de um pontapé colocar em jogo, em nítido benefício do infractor, um jogador companheiro do pontapeador que esteja em fora-de-jogo – ao sistema de leis que rege o jogo.

Um pedido de rulling à IRB parece ser a forma mais razoável de se chegar a uma conclusão para melhoria e universalidade dos critérios da arbitragem. A Federação poderia fazê-lo.

domingo, 26 de junho de 2011

ATITUDE

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A ÉPOCA DE PORTUGAL


Naquilo que foi da sua directa responsabilidade - os pontos de ranking conseguidos em cada jogo pelo resultado obtido - os Lobos portugueses perderam no total e em relação ao início da época 0,60 pontos, aproximando-se, no entanto e sem os ultrapassar, da Rússia e da Namíbia. Apesar dessa aproximação fomos perdendo espaço com a Geórgia cada vez mais longe, a Roménia a começar a fugir e a Espanha a aproximar-se.


Depois do não apuramento para o Mundial da Nova Zelândia, Portugal perdendo pontos para os adversários com quem disputa as provas e qualificações, viu ainda a aproximação da Espanha que, mostrando que o seu mau tempo já terá passado - veja-se também o que começam a conseguir nos Sevens - parece estar próxima de se juntar ao grupo, reduzindo assim o espaço de classificação, apertando portas e obrigando a atenções e cuidados superiores na procura de um lugar no Mundial de 2015.


No campo do posicionamento no ranking e que traduz a relação que depende não só dos próprios resultados, mas também dos conseguidos entre as outras equipas nos jogos-teste que disputam, a posição de Portugal melhorou em termos globais - ganho de um lugar - mas sem compensar a saída do grupo dos vinte primeiros do ranking da IRB que já tinha conseguido atingir. Saída que foi consumada com a recente derrota, contra a Namíbia, no único jogo-teste deste mês de Junho e que, pelo que representava, deveria ter sido encarado sem a facilidade das lembranças das vitória de Novembro e da semana anterior sobre os Jaguares. Não estando presentes no Mundial, a manutenção da vigésima posição no ranking com os resultados que implicava, teria mais importância no posicionamento internacional do que as aparências imediatas possam mostrar.

Se não se pode dizer que a época internacional tenha sido má, também não se pode pensar que foi boa. E é bom perceber que se terá ficado bastante áquem das normais espectativas que os próprios jogos de Novembro alimentaram sendo bom procurar compreender até que ponto a construção do calendário não terá tido grossas responsabilidades no não crescimento dos resultados internacionais. Como se diz em linguagem desportiva: para se ser campeão podem-se cometer erros, mas nunca repeti-los. É o caso do calendário, não é repetível.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

OPORTUNIDADE PERDIDA

A derrota dos Lobos, não sendo propriamente uma surpresa – a proximidade de pontuação no ranking IRB, embora atribuindo favoritismo a Portugal, admitia a lógica de qualquer resultado – foi, no entanto, um mau resultado com apenas uma vantagem: os vinte melhores qualificados do ranking vão estar no próximo Mundial o que, como furo de marketing, deixa imaginar o sorriso de satisfação dos dirigentes IRB…

E nem começou mal a selecção portuguesa – movimentou-se bem, circulou a bola, manteve a continuidade através de boas e adequadas linhas e ângulos de corrida, facilitando linhas de passe e o ensaio de João Correia foi um excelente exemplo da aproximação que o rugby português deve desenvolver (formação incluída!) se pretender obter resultados internacionais sustentados.

O pior foi o resto: faltas escusadas – espanta-me sempre a convicção da ignorância (estilo: não fiz nada, o árbitro é que não percebe nada disto!) – erros técnico-tácticos impossíveis – acabar de marcar para deixar cair uma bola e entregar de mão beijada a posse e o território e permitir o alimento ao adversário; não ser capaz, por falta de técnica, de impedir um ensaio de penalidade numa formação ordenada, mais faltas escusadas, um último lançamento no último alinhamento deplorável e um, ás tantas, certo deslace do colectivo. Pareceu falata de pulmão, mas o que fez falta a Portugal foi o treino da prática competitiva: aquela que é necessária para jogar ombro a ombro no espaço internacional onde pretendemos situar-nos. A que cria hábitos de decisão, de utilização das técnicas adequadas aos momentos  precisos, da correcta atitude nas circunstâncias de cada momento.

Como diz o corolário que retiramos da Lei de Murphy: quando a pressão aumenta, o disparate aparece. E para o evitar só há uma forma: criar os hábitos de adaptação necessários. O que em Desporto significa habituar os jogadores a permanentes níveis elevados de competição. E não vale a pena chorar no molhado de outros jogadores (a mania dos titulares e o capote das desculpas) não terem estado presentes. A oportunidade perdida começou a desenhar-se muito mais cedo – com a desadaptação do calendário às regras competitivas necessárias. O Alto Rendimento não se compadece – verdade reconhecida – com análises e decisões amadoras feitas na base do interesse imediato e de perna curta.

As derrotas ensinam mais – até o dr. Louçã o sabe – do que as vitórias. Esta derrota – uma boa oportunidade deitada fora para deixar na memória dos dirigentes internacionais qualquer brilho fora daquele com que vão voltar da Nova Zelândia – deve ensinar alguma coisa à organização do rugby português, obrigando, nas análises e decisões, ao profissionalismo de uma estratégia alinhada pelos objectivos.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

GANHAR À NAMÍBIA

A vitória sobre Los Jaguares argentinos estará na memória de todos quando os Lobos entrarem no campo para o jogo com a Namíbia. Derrotados pelos romenos, os africanos precisam de garantir uma vitória que lhes abra melhores perspectivas para o próximo Mundial onde se encontram numa série de muito difícil sucesso – qualquer que seja a perspectiva pela qual pretendam medir o seu grau. E não vão fazer-nos a vida fácil...

O XV de Portugal inicia o jogo – que atribui pontos para o ranking IRB – como favorito e com o intervalo favorável de 1,38 pontos. Uma vitória abriria este intervalo para uma vantagem de 3,10 pontos capaz de cobrir, mesmo com o bónus pontual que o Mundial confere na atribuição de pontos de ranking, qualquer surpresa que possa lá surgir – aí, as derrotas, pela distância aos adversários, não retirará pontos aos namibianos.

A vitória dos Lobos pode consolidar o 20º lugar para o pós-Mundial – neste sentido o jogo de logo à tarde é o mais importante desta nossa participação na Nations Cup
.
As vitórias transmitem confiança, sabe-se. A vitória sobre os argentinos deve dar aos jogadores portugueses a confiança necessária para acreditarem nas capacidades da equipa e se lançarem num jogo de movimento – movimentando-se de acordo com o movimento da bola – que permita o recurso a linhas e ângulos de corrida menos tradicionais e mais surpreendentes. Com mais confiança, o jogo de passes, menos imediatamente penetrante e mais criador e procurador de intervalos, pode, se bem apoiado, provocar desequilíbrios que permitam a continuidade do avanço territorial e o aumento das dificuldades defensivas. O jogo de logo é uma óptima oportunidade para os Lobos se soltarem e se mostrarem uma matilha indomável de movimentos inesperados e de permanentes alterações de processos.

Não bastando a conquista da bola e sendo essencial a sua boa e eficaz utilização, o jogo de hoje pode permitir o retorno da circulação inteligente e adaptada da bola e jogadores, voltando a colocar no topo das prioridades do jogo português a continuidade do movimento como processo de construção de vitórias.

sábado, 11 de junho de 2011

PORTUGAL VENCE JAGUARES

No Dia de Portugal, a excelente defesa do XV de Portugal nos últimos minutos do jogo garantiu uma óptima e inesperada vitória – 25-21 - sobre Los Jaguares da Argentina – equipa treinada por Daniel Hourcade um dos responsáveis pela presença de Portugal no Mundial de 2007 – na 1ª jornada do Nations Cup 2011 a disputar na Roménia. Do resumo visto notou-se o equilíbrio conseguido pelos avançados portugueses frente aos seus adversários directos – empatando até na construção de ensaios: um para cada lado. Com boa disciplina – muito superior à dos argentinos que terão feito muitas faltas -  e um excelente início de jogo o XV de Portugal iniciou da melhor maneira os três jogos que tem que disputar nesta Nations Cup 2011.

Pedro Leal no Portugal-Los Jaguares

sexta-feira, 10 de junho de 2011

TREINAR A VANTAGEM DO AMARELO

O cartão amarelo, ao suspender o jogador faltoso durante dez minutos – o designado sin-bin – proporciona à equipa não faltosa uma vantagem numérica que não pode ser desperdiçada e que se deve traduzir na marcação de pontos.

O exemplo contrário aconteceu no recente Highlanders-Force do Super 15, onde o abertura australiano, James Stannard, foi suspenso com um cartão amarelo por, em falta, ter evitado um possível ensaio adversário. Incapazes de tirar partido da superioridade numérica, os neozelandeses, não marcando pontos, viram o resultado inverter-se no final do jogo e sairam derrotados pela diferença correspondente ao ensaio evitado.

Cada vez mais, e este exemplo serve para essa reflexão, as equipas têm que estar preparadas para saber como enfrentar estas situações. O que significa que é preciso encontrar as armas tácticas a explorar nestes casos e treinar a sua utilização. Sob pena de se deixar que a falta compense...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

SEVENS, ÉPOCA e JOGOS


HSBC SEVENS 2010/2011

Os resultados da selecção portuguesa de Sevens foram, esta época, muito fracos. Uma análise com atribuição de pontos até à Shield mostra Portugal com a pior prestação global dos países europeus que, connosco, procuram um lugar de acesso aos Jogos Olímpicos de 2016. Não é novidade que a entrada para os Jogos levaria ao crescimento das equipas dos países que têm, na cultura olímpica, a maior motivação para o desenvolvimento desportivo. Já o escrevi há tempos (ler aqui). E ainda faltam a Irlanda – concorrente garantida – a Itália e a Roménia.

A prenda, do acesso aos Jogos, dado aos países emergentes pela IRB não saiu muito bem – já também o escrevi (ler aqui). Porque parece terem esquecido a elementaridade das coisas: quem define os jogos é o Comité Olímpico Internacional; os exemplos de outras modalidades colectivas existem e os cinco anéis representam os cinco continentes. Ou então sabiam tudo isto e não o quiseram transmitir…

Para a eventual qualificação de Portugal existem problemas – como se estes não fossem poucos – que ultrapassam os resultados. Numa distribuição directa por continentes, Portugal terá uma enorme dificuldade de conseguir a qualificação – o máximo seriam três equipas se houvesse o impensável prejuízo da Oceânia onde residem as melhores equipas de Sevens.

E há ainda o problema do Grã-Bretanha: junta ou separada?

A Grã-Bretanha, aglutinando a Inglaterra, o País de Gales e a Escócia é o sócio do Comité Olímpico Internacional e assim se representa nos Jogos. Os sócios das Federações Internacionais são os países do Grã-Bretanha – e por isso assim se representam em campeonatos da Europa e do Mundo.

Até agora a Grã-Bretanha não tem estado representada em Jogos Olímpicos nas modalidades colectivas mas tal vai acontecer no London 2012. Autorizados pelas Federações Internacionais, a Grã-Bretanha apresentar-se-á nas modalidades colectivas com atletas seleccionados das home nations,  dos seus três países. As razões são óbvias – os Jogos realizam-se na cidade capital do Reino Unido.

Vai ser o mesmo para o Rio de Janeiro de 2016? Se fôr, se a IRB assim o autorizar, se os países assim o entenderem, há uma vantagem para os outros países europeus que pretendem garantir o acesso aos jogos. Mas o rugby olímpico perde impacto com a falta dos países britânicos e a rivalidade que provocam.

Por outro lado o pós-Londres pode encerrar um capítulo, um ciclo – chegámos até aqui, realizámos os Jogos, desenvolvemos o desporto interno, equilibrámos forças, está na hora de cada um voar sozinho. Nos tempos actuais esta posição tem força interna e não é de desprezar – o que, aumentando a quantidade e qualidade de adversários, significará dificuldades acrescidas para a qualificação portuguesa.

A tradição dos anéis olímpicos tende para a representação por continentes mas diversas modalidades desportivas, sem fugir à representação continental, apurando seis ou sete países – o organizador, o melhor de cada continente (5), o campeão do mundo – deixam cinco a seis lugares para a qualificação dos melhores restantes. Como acontece no voleibol, no basquetebol ou no andebol. O que melhoraria as hipóteses de equipas como Portugal.

Havendo um problema de número na Europa – mais pretendentes que lugares e havendo a possibilidade do apuramento continental de equipas mais fracas – os dirigentes portugueses deveriam procurar, numa estratégia conjunta com parceiros europeus que também pretendam possibilidades de acesso aos Jogos, convencer as autoridades rugbísticas e olímpicas à adaptação de modelos idênticos a outras modalidades, abrindo assim maiores possibilidades às hipóteses de qualificação dos países europeus. Não esquecendo, nessa preocupação, dois factores fundamentais que marcarão os próximos tempos: que acabou o bom tempo nos Sevens e que haverá o Mundial de XV em 2015 – imediatamente antes do Rio de Janeiro de 2016.

domingo, 5 de junho de 2011

DEZOITO VEZES CAMPEÃO

Ganhando na final do Top 14 ao Montpellier por 15-10, o Toulouse venceu pela décima-oitava vez o campeonato de França.

O jogo, com supremacia constante das defesas sobre a previsibilidade dos ataques – os ataques aos intervalos nunca criaram a necessária instabilidade defensiva - terá sido a mais fraca das grandes finais europeias da época e, como gozo de espectador, não passou de um jogo de emoção limitada aos adeptos dos dois clubes.

O novo campeão deitou fora muito jogo, com erros impensáveis para uma equipa cheia de experientes internacionais e permitiu ao Montpellier – depois de uma época notável sob o comando de Galtier - mostrar-se quase campeão mas a deixar-se morrer na praia: no minuto final dispôs de uma penaltitouche, de uma formação-ordenada a 5 metros e, ainda, de uma penalidade para marcar o ensaio que daria o prolongamento – faltou-lhe capitanato (Ouedraogo, um esforço notável, já tinha saído esgotado e demasiado massacrado no muito que jogou). Faltou-lhes experiência, maturidade, serenidade para garantir a eficácia do gesto final...

Mesmo falhando o inexplicável, a experiência da equipa de excelência de Guy Novés garantiu a grande ovação ao cair do pano. Dezoito vezes... é obra.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PERSPECTIVAS IRLANDESAS

"Há um conjunto de talentos bem treinados a desenvolver-se. Eles saem das academias numa condição incrível. É muito bom para o rugby irlandês e com certeza que irá obrigar os mais velhos a manterem-se preparados.”
Paul O’Connell, internacional irlandês, capitão do Munster,
referindo-se às perspectivas para o Campeonato do Mundo.

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