quarta-feira, 11 de março de 2026

LOBOS NA FINAL

Os Lobos, ao vencerem Espanha por 26-7, conquistaram a presença na Final da Men´s Rugby  Europe Championship 2026, onde defrontará a Geórgia que venceu a Roménia por 53-30.

Embora se esperasse um jogo de grande equilíbrio competitivo, não foi isso de aconteceu — a Espanha anão tinha marcado nenhum ponto até aos 65 minutos e com Portugal a conseguir nesse período 23 pontos. Ou seja e com menos de 1/4 de jogo para jogar a Espanha — inesperadamente, mantinha-se a zero, mostrando uma muito inesperada incapacidade que tinha como principal razão o objectivo de, a cada conquista de bola, limitar o seu movimento a uma adivinhável colisão directa, ignorando qualquer hipótese de manobra que pudesse desequilibrar a defesa portuguesa e procurando chegar ao chão tão rápido quando possível — evitando a perca de bola para formação-ordenada — para recomeçar de novo em colisões e pretendendo garantir assim uma continuidade do movimento a tracejado que é uma forma que dá vantagens aos defensores como demonstrou a capacidade defensiva portuguesa. Repare-se que os Leones, apesar de terem ganho 109 rucks só obrigaram nas 205 paragens realizadas pelos portugueses — a, de acordo com a definição das Leis do Jogo, 46 placagens. Ou seja, com 62% de posse a ultrapassagem espanhola da linha-de-vantagem foi quase nula e traduziu-se em apenas 7 rupturas com a grande maioria delas dentro do seu próprio meio-campo. E Portugal com apenas 38% de posse, conseguiu marcar 2 ensaios e explorou bem a indisciplina espanhola que “ofereceu” 4 penalidades transformáveis 

O Homem-do-Jogo, Rodrigo Marta, marcou os dois ensaios portugueses, demonstrando uma excelente capacidade de domínio das situações que defrontava com a boa sequência análise-decisão-acção que lhe permitiu em ambas as vezes verticalizar o ataque ao intervalo — então o 2º ensaio, numa bela jogada colectiva, demonstra uma notável capacidade sequente da referida tríade.

A verem os Lobos a derrotarem os Leones estiveram, ombro-a-ombro, Tomaz  Morais, Dídio Aguiar, Vasco Lynce, Pedro Lynce e João Paulo Bessa, cinco antigos internacionais e treinadores que conquistaram 10 Campeonatos Nacionais e 6 Taças Ibéricas com 4 destes terem ainda sido Seleccionadores Nacionais de Quinze com dois a terem sido também Seleccionadores Nacionais de Sevens.                                        (Foto de Inês Morais).

Mas não se pense que os Lobos fizeram um bom jogo — aliás exploraram mal as vantagens que foram tendo jogo fora, nomeadamente na utilização do jogo-ao-pé em que, chutando por 36 vezes (os espanhóis chutaram 17), tomaram decisões desnecessárias, entregando directamente a maior parte das bolas aos adversários — apenas uma vez um chuto curto explorou o enorme espaço que os espanhóis deixavam entre o seu meio-campo e o três-de-trás. Outras vezes o apoio nem sempre se posicionou de acordo com a situação que enfrentavam, baseando-se muito num jogo  lateralizado.

É claro que o mais importante era a vitória e essa foi conseguida — PARABÉNS! — mas é preciso um jogo mais de acordo com o modelo de jogo-de-movimento para defrontar a Geórgia. Esperemos que nesta semana seja possível corrigir esses pontos que têm mais a ver com os campos psicológicos, de atitude ou de exigência, do que com a técnica. Que a estratégia se corrija e possa comandar a visão da equipa.


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