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domingo, 17 de março de 2013

FRACO JOGO, FRACO RESULTADO

"Joga-se de acordo com os pontos fortes e fracos do adversário", Graham Henry

Não arriscámos, empatámos. Num péssimo jogo, de baixa nível de ambas as equipas, lembrei-me do conceito americano sobre o empate: desportivamente não faz sentido. Claro: uma série de pessoas a fazer um enorme esforço durante uma data de tempo, para terminar tudo na mesma forma em que começou. Um desperdício, portanto.

Ainda não fiz todas as contas - nem sei quando me apetecerá fazer - para perceber se este empate representa o desastre ou o prolongar da esperança. Mas que diabo! Como é que estas duas selecções, a mostrar o que mostraram hoje, pretendem estar presentes no Mundial de 2015?

De uma forma geral e visto o que viu, pode perguntar-se: que se espera para utilizar a Península Ibérica como espaço para criar, para os jogadores de ambos os países, competições que os aproximem do mais alto nível. O tempo é, embora já tardio, agora. Deixar correr vai custar muito mais à capacidade competitiva de ambos os países ibéricos.

Uma outra pergunta não pode deixar de ser feita: tendo nós um sistema de treino da Formação Ordenada reconhecido nos países europeus avançados da modalidade, como é possível que sejámos tão fracos neste domínio do jogo?

Começamos o jogo a ver o que a coisa iria dar e deixámos os espanhóis construir a confiança que tinham presa por arames - o que lhes permitiu, mesmo na mediocridade de que deram provas, aguentar o resultado até ao fim. Deste jogo, mas já visível nos jogos anteriores, há uma ilação a retirar para memória futura: não são os sistemas que ganham jogos mas sim a eficácia na utilização da bola. E ter a posse da bola e deitá-la fora com pontapés incapazes de criar qualquer problema à defesa adversária, não é forma de chegar à vitória - pelo contrário constitui uma demonstração de receio e de incapacidade. E só os confiantes chegam à vitória. Porque é preciso ter confiança e saber fazer colectivo para não deixar fugir vitórias nos últimos minutos.

Vejam-se os italianos. Há quarenta anos fiz parte da selecção portuguesa que empatou 0-0 com eles em Pádua e que perdeu em Lisboa por oito pontos de diferença. Na vitória de Coimbra, de bengalas, pude participar, a convite do seleccionador Pedro Cabrita, no antes e depois da vitória. Como responsável pela Selecção Nacional vi a equipa ser derrotada, em 1986 e em Jesi, por dois pontos com um ensaio, que nos daria a vitória, marcado na má linha no final do jogo. Hoje a que distância estamos? Muito grande se olharmos para os jogos realizados por ambas as equipas. Notável jogo, com a mão superior do francês Jacques Brunuel, que fizeram os italianos - a cada conquista da bola correspondia uma utilização eficaz com o objectivo claro de, criando enormes dificuldades à defesa irandesa, marcar pontos. O movimento e a continuidade foram constantes que permitiram o ataque à linha de vantagem. E assim, com o jogo positivo de criação e continuidade de acções, venceram França e Irlanda. E venceram bem, a jogar bem, a entusiasmar quem viu.

Contrariamente ao que os resultados de Novembro poderiam fazer parecer, Gales voltou - e só não foi uma enorme alegria pelo resultado português - a ganhar o 6 Nações. Num jogo formidável de constante, defensivo e ofensivo, avanço no terreno - jogo que deve guardar-se para quando houver necessidade de saber como se constroem vitórias - liquidaram a poderosa equipa inglesa. Sem margem para dúvidas.

Os galeses passaram por uma baixa, numa crise onde tudo parecia jogar-se ao contrário. Com trabalho - muito, com certeza - deram a chamada "volta por cima" e mostraram retornar ás capacidades que se lhes reconhecem. Venceram e convenceram! Um bom exemplo para Portugal, para os seus jogadores e treinadores, para reflectirmos sobre formas e conceitos do jogo, focalizando naquilo que importa - os princípios fundamentais do jogo - e, com trabalho adequado, voltarmos ao nível competitivo que considerámos ser o que pretendemos.

Mas não se chega lá por obra e graça de um qualquer mero desejo... só com trabalho com objectivos suportados na devida cultura táctica.

sábado, 16 de março de 2013

QUEM ARRISCA, GANHA

Que importa que na teoria a Espanha seja dada como favorita com doze pontos à maior? Que importa, aliás, que o jogo seja em Espanha? Que importa seja o que for quando a única consolação que resta nesta época internacional é ver Portugal ganhar?

Como nos vamos habituando noutras modalidades, deixamos tudo para o fim, apostando num sabe-se lá o quê que tem o sortilégio de nos proteger. E vivemos estes jogos de coração na mão, no equilíbrio de uma corda bamba, num jogo duplo de suspense e objectividade.

Já se sabe: só interessa a vitória. E como consegui-la?

Embora não devamos levar muito a sério o saco espanhol de 60 pontos conseguidos na Geórgia, (porque, como já sabemos da experiência, significa pouco sobre as suas possibilidades) esse resultado pode ajudar-nos se, marcando primeiro, obrigarmos os espanhóis a correr atrás do resultado. O fantasma de Tiblisi pode então levá-los à precipitação e ao erro aproveitável. E assim, de desconfiança em desconfiança, de pressão em maior pressão até à derrota final como resulta do corolário da Lei de Murphy: quando a pressão aumenta sheet happens!

Para que isto seja possível, para que a vitória seja real, é preciso que cada jogador mostre a confiança necessária - em si próprio com transmissão aos companheiros - para que a equipa possa correr os riscos necessários que a marcação de pontos exige. Ou seja que o XV de Portugal seja o agente criador de acções, deixando o espaço da reacção para o adversário. O que significa que Portugal deve assumir o papel de equipa atacante e obrigar a Espanha ao papel de defensores.

O que exige confiança, muita confiança. E a sorte dos que porfiam.




segunda-feira, 11 de março de 2013

DESPERDIÇAR PERSPECTIVAS

"O jogo de rugby é isto: ganhar a corrida pela conquista da Linha de Vantagem."
Graham Henry, treinador campeão mundial 2011.

Não choveu e Portugal perdeu. Rima e é verdade. Perdemos.
E de novo deitamos fora oportunidades. Três jogos em casa e duas derrotas é o que levamos. Muito pouco para chegar ao pretendido Mundial de 2015 e demasiado em exigências para os outros jogos que se aproximam.
A Russia, dados os resultados, é um adversário directo - ambos lutamos pelo 3º lugar e perder em casa como perdemos é muito mais pesado do que as aparências: perdemos quatro pontos que os russos marcaram a que se junta a perda de mais quatro que não marcamos; perdemos um possível ponto de bónus a que se junta o que os russos marcaram. Ou seja, só nos resta uma hipótese para continuar na corrida: vencer na Russia no próximo ano, conquistando cinco pontos, colcando igualdade entre nós e indo buscar pontos aos mais fortes. Possível mas muito difícil.
Neste jogo fizemos o que temos apresentado: demasiados erros e muita incapacidade de uso eficaz da posse da bola - valeu-nos ainda quem sabe (Samuel Marques) como se jogam faltas próximas da área de ensaio adversária. Na defesa fomos desastrosos, esquecendo os princípios colectivos e deixando cada um defender-se como podia. Jogamos longe daquilo que é necessário para este nível internacional.
Erros, incapacidades e decisões desadequadas - se os pontapés-a-seguir estavam a criar problemas à defesa russa porque não fizemos deles uma constante até que o pânico tomasse conta da sua última linha defensiva. Porque é que, em vez disso, insistimos no já clássico e nada surpreendente modelo de conquista e imediata perfuração no corredor central? (por jogar assim e mesmo com toda a sua capacidade física, a Inglaterra ia sendo surpreendida pela Itália...).
Esta derrota tem resultados óbvios: de conceito, de treino, de escolhas. E o esforço de muita gente merece mais.
Os russos mostraram-nos como se deve, contemporaneamente, interpretar o jogo: ataque permanente à Linha da Vantagem; construção do apoio axial; capacidade de decisão na defesa em subida imediata ou no deslizar de acordo com a relação numérica defesa/ataque; ataque à bola em velocidade; capacidade de manutenção do movimento da bola. E assim ganharam, jogando mais e melhor do que nós. Surpreendendo até.
Resta-nos a exigência de uma vitória - em que um ponto de bónus não será despisciendo - em Santiago de Compostela, contra a Espanha. E repensar métodos, sistemas e escolhas para reconstruir uma equipa capaz de chegar ao Mundial. Na próxima época não haverá peras doces em qualquer ds jogos.

[nota: apesar das dificuldades de apuramento não faz sentido desistirmos do XV e colocarmos toda a carne no assador Sevens. Por três razões: ainda não está, embora esteja mais difícil, tudo perdido para a qualificação mundial e temos, segunda razão, que ganhar, na pior das hipóteses, o número suficiente de jogos para que não desçamos de divisão; por último mas não menos importante, os actuais jogadores de sevens já mostraram do que são capazes e, sendo geridos com atenção, humildade e responsabilidade, garantirão a manutenção no objectivo fundamental das World Series.]

sexta-feira, 8 de março de 2013

GANHAR OU GANHAR




Amanhã a Selecção Nacional só tem um resultado possível: ganhar! E ganhar seja com boas ou piores maneiras no que respeita à qualidade do jogo. Trata-se apenas de uma possibilidade: ganhar! Sem mé, nem contra-mé. Ganhar!
Porque só assim poderemos continuar a manter a chama viva da esperança na presença no Mundial de 2015.
Os valores do ranking da IRB "dão-nos" a vitória - por três poucos pontos, mas dizem-nos mais favoritos do que os russos.O que significa que não se está a pedir o exagero de toda a sorte dos deuses para sair vencedor de Taveiro. Que chove, que não é o melhor terreno, que é um azar dos diabos, que vamos ter dificuldades a jogar à mão, a abrir o perimetro de jogo. Que seja! que seja um azar, um isto ou um aquilo mas que transforme cada um dos jogadores portugueses num valente e invencível guerreiro que só desiste depois da vitória garantida no apito final do árbitro.
Que se jogue ao pé, conquistando território e retirando conforto - encostando-os à linha de ensaio - ao sistema defensivo russo. Que cada momento de proximidade à área adversária se traduza em pontos no bornal. Que cada momento de aproximação crie o pânico aos nossos adversários, retirando-lhes espaço de segurança da reorganização por falta de terreno nas costas.
Como dizia Sun-Tsu: ser invencível depende da própria pessoa, derrotar o inimigo depende dos erros do inimigo. Ou seja: atitude conquistadora, de antes quebrar que torcer, a provocar a pressão necessária à desorganização adversária. E confiança, muita confiança! Tornando a chuva um aliado.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

GANHAR ASSIM NÃO CHEGA

"A vida está cheia de oportunidades e temos que pensar em aproveitá-las." Luís Figo, El Mundo, 17/2/2013

VITÓRIA!

Conseguimos a vitória e o alívio das bancadas. Nos últimos minutos, o fantasma das derrotas dos jogos anteriores pairou sobre todos nós.

Valeu a vitória, desvaleu o jogo. Vá lá, cumpriu-se o necessário mas sem glória.

O jogo foi muito mau e Portugal deitou fora uma excelente oportunidade para se recompôr e preparar-se animicamente para o resto da prova. E perdeu também a possibilidade de conquistar um ponto de bónus atacante, acabando por ceder um ponto de bónus defensivo que entregou à Bélgica. Porque a verdade é esta: a Bélgica não pertence a este campeonato e só com a sorte de todos as estatuetas de Manneken Pis é que rasgará o bilhete de ida-e-volta. O XV belga não passa de um conjunto destruidor e com algum capacidade de combate, mas não joga.

Está aliás muito longe da mitologia com que nos foi pintado : uma primeira-linha poderosíssima - nem com truques o conseguiu demonstrar; uns centros irrequietos e bons atacantes da linha - nada vi que ultrapassasse o trivial. São de facto uma equipa normalíssima e sem nível capaz (escapa apenas o irrequieto formação).

Mas quando se usa a força contra a força em vez de utilizar a inteligência contra a força, deixa-se que a equipa menor pareça eficaz. E foi isso que Portugal fez: jogou com pouca inteligência, não se adaptando ao que tinha na frente, jogando pela sebenta, longe da linha de vantagem e permitindo que a defesa belga deslizasse e tapasse o espaço exterior numa constante relação de superioridade numérica - o ensaio do Appleton é perdido assim.

Infelizmente Portugal mostrou uma enorme falta de cultura táctica, insistindo nas mesmas previsíveis acções, com fácil espera da defesa próxima belga: quem é que se lembrou das constantes saídas de nº8 ainda por cima sobre uma FO instável? Como é que não existe mais nada na bagagem da equipa para lidar com penalidades próximas dos 5 metros: nem uma jogada rápida para tirar partido de um recuo dos adversários para dentro da área de ensaio? E as linhas atrasadas não têm nada a dizer em primeiro-tempo? Contra a Bélgica?!

A velocidade e a variedade são os ingredientes necessários para criar problemas ao adversário, retirando-os da zona de conforto e provocando os desequilíbrios necessários para abater a sua resistência. Os sistemas são a zona de recuo quando tudo parece correr mal e é preciso uma plataforma de segurança. Mas o jogo de uma equipa que pretende vencer assenta na exploração daquilo que nos surge na frente: usando a capacidade de leitura, explorando intervalos, usando o apoio axial - o ensaio de Gales contra a Itália é uma excelente demonstração de tudo isto: mindtry como refere Wayne Smith.

A arbitragem teve momentos de desastre absoluto. Embora possa haver queixa pela falta de marcação de ensaio de penalidade, também se deve lembrar que nunca marcou as entradas para dentro do nosso pilar - que não foram tão poucas assim. Mas verdade, verdadinha, o homem não percebia nada das questões da primeira-linha e passou o tempo todo a rezar para que aquilo passasse depressa. Tudo sem falar no delegado ao jogo - um também romeno - que com o seu brilhante conhecimento das Leis do Jogo deixou os belgas jogarem cerca de vinte minutos com outro pilar para o inicial descansar - uma vigaricezinha comandada pelo treinador francês a que não será estranha a conhecida aliança franco-romena que conheço desde há anos. E tudo se passou na frente de um alto representante da IRB que, como sempre, se limitou a impôr a opinião soberana da anglofilia: só à quarta falta é que é ensaio (muitos outros dizem três, mas a pergunta impõe-se como tantas vezes: onde é que isso está escrito e com acesso universal?). O resto dos comentários tinha aquele ar paternalista habitual: no fundo acham que somos uns ignorantes esforçados.

Mas não foi por causa da arbitragem que não fizemos explodir o jogo: foi por nossa culpa, pura e simplesmente! Porque não quisemos jogar e ficámos à espera que o sistema o fizesse por nós. E para a tarefa que temos para chegar ao Mundial de 2015, seria bom que alguma coisa mudasse. Porque o sistema não chega.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

À VITÓRIA!

O Portugal-Bélgica deste sábado só tem um resultado possível: vitória de Portugal. E pouco importará se o jogo fôr bonito ou feio, de grande ou pouco domínio, de maior ou menor dificuldade: Portugal tem que ganhar. Ponto, carreto, linha! E não vale a pena dissertar muito sobre a importância da vitória que, sendo fácil de perceber, vai desde a manutenção do caminho aberto para o Mundial de 2015 até às portas abertas dos patrocínios.

Jogando em casa, Portugal é o favorito, não por muitos pontos de diferença - 4 pontos é o que mostra a teoria de utilização dos pontos do Ranking IRB - mas favorito de qualquer maneira.

E mais favorito será se marcar cedo. Logo na abertura do jogo para tranquilidade da equipa e das bancadas.

Em termos de ranking - que não será o mais importante nesta altura - se Portugal vencer, ultrapassará a Bélgica e subirá alguns lugares. Mas mais importante, muito mais importante, seria a vitória com a marcação de 4 ensaios para obtenção de um ponto de bónus.

Aos jogadores portugueses pede-se a maior e melhor entrega com disponibilidade e descernimento para o combate e imposição de uma superior velocidade e ritmo de jogo. No fundo, obrigando a níveis em que a superior experiência portuguesa destas andanças possa estabelecer a diferença. A bancada lá estará para ajudar!

Só a vitória nos interessa, vamos á vitória!


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