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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

BELA VITÓRIA


Os Lobos conseguiram um óptimo resultado na Roménia, vencendo por valores superiores à previsão da diferença. E, jogando fora, ao conseguirem uma diferença superior a 15 pontos de jogo, Portugal conquistou os pontos suficientes para, ultrapassando Tonga, subir ao 15º lugar do ranking da World Rugby. Com a vitória, Portugal vence o seu Grupo B e irá defrontar a Espanha — 2ª classificada do Grupo A — na meia-final do European Championship.
Atingindo o intervalo com a vantagem de 10 pontos de jogo (20-10), os Lobos terminaram a vencer 49-24, marcando 6 ensaios, com 41% de posse de bola mas com 125 passes, contra 3 ensaios dos romenos.
Houve, nesta vitória, uma melhoria generalizada no jogo de movimento com mais jogadores  — apoio mais eficaz — a movimentar-se de acordo com o movimento da bola. De facto, uma brutal diferença em relação ao jogo que ditou a derrota contra a Bèlgica, e — deve reconhecer-se — o enorme tributo que, para isso, tiveram os dois médios — o abertura. Aubry e o formação Camacho (boa visão e excelente passe) — fazendo recordar o velho conceito “dêem-me um par de médios que vos dou uma equipa” — e que conseguiram manter o jogo movimentado com a velocidade e variedade necessárias para garantir o ataque à linha-de-vantagem e possibilitar a eficácia da nossa evidente superioridade, em velocidade e técnica, das linhas atrasadas portuguesas que obrigaram os romenos, por ter havido uma maior preocupação de ataque aos intervalos e menos preocupação para colisões, a falhar 31 das 89 placagens tentadas. Essa capacidade de rápida articulação permitiu que, embora com metade dos rucks conquistados do que o conseguido pelos romenos, fosse possível explorar os desequilíbrios anteriormente conseguidos. A melhoria da procura do ataque  — embora, para que a adaptação a cada situação se possa fazer da melhor forma, se tenha que trabalhar mais este aspecto para o sucesso em nível mais elevado — através de encadeamentos e penetrações no intervalo, rompendo a linha-de-defesa adversária, que proporcionaram a ultrapassagem da defesa numa mais rápida reciclagem da bola e movimentos muito interessantes pelo recurso a passes-em-carga (off-loads) que tornam a organização defensiva muito complicada.
A jogada que mostra o modelo de jogo que devemos — movimento, movimento, movimento —  seguir, procurando (e treinando) as bases que o permitem, está demonstrada num dos ensaios (ver aqui) conseguido por Lucas Martins aos  51’: Vasco Baptista (nº8) recebeu a bola de um ruck ainda dentro dos 22m da sua equipa e num 5-contra-2 passa, com salto, a bola a Camacho (9) que ataca o ombro exterior do último defensor já quase nos 15 metros do lado direito do campo. Com a aproximação do defensor interior na tentativa defensiva de equilibrar num 2-contra-2, Camacho percebe que tem um enorme intervalo para explorar na zona mais central e faz, variando a direcção, um passe-interior para Cardoso Pinto (15) que, bem lançado, explora o intervalo, ultrapassando a linha-de-vantagem e já sobre o meio-campo, joga-ao-pé para ulrapassar os dois jogadores que constituíam a última cortina-defensiva adversária. Na já dentro dos 22 adversários, Cardoso Pinto, tendo que disputar, no ar, a bola com o último defensor decidiu — e muito bem1 — tocar a bola para trás onde percebeu haver três companheiros em apoio contra apenas um outro defensor. A bola acabou por ser captada de novo, quase em linha com o poste direito e sobre a linha-de-22, por Vasco Baptista  que, correndo para fora, é placado, mas com um passe-em-carga, entrega a bola a Camacho que corre para o centro do terreno e, percebendo que, para defender a sequência anterior, os jogadores da última cortina defensiva tinham vindo ocupar a zona da direita do campo decidiu, num demonstração de conhecimento táctico do jogo uma vez que a circulação em passe iria possibilitar a reposição deslizante da defesa e sabendo que no corredor exterior esquerdo estariam, como consequência da organização atacante normal da equipa, um ponta e um terceira-linha (que no caso eram os dois irmãos Martins) contra não mais do que um defensor. E chutou em diagonal com Lucas Martins a captar a bola no ar, correr e marcar. Um espectacular ensaio que demonstra uma série de decisões concordantes com o sistema de movimento: linhas de ataque variáveis em adaptações imediatas ao movimento da bola, recepção da bola em velocidade apoio organizado e preparado para diversas situações, decisões tendo em conta o posicionamento de companheiros e defensores, confiança e determinação. Muito bom — mostrando a eficaz utilização dos principios do jogo: posse, avançar, continuar e apoiar para garantir pressão sobre a organização defensiva — e boa amostra do que é possível fazer com uma equipa coesa nos métodos e nos processos. 
Pena é que não seja possível utilizar esta equipa, pelos menos os dois médios, contra a Inglaterra A para possibilitar a adaptação a jogos de intensidade superior em todos os capítulos porque, com a expressão de jogo conseguido, é altura de testes de nível mais elevado para garantir a constância de resultados.
E pena é também o facto de não ter acesso a estatísticas completas e de qualidade para uma análise profunda…mas é o que há… 

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

VITÓRIA É DECISIVA



No jogo que Portugal vai realizar à Roménia para esta última jornada da fase de grupos do European Championship só a vitória interesssa. Qualquer outro resultado pode atirar-nos para o 3º lugar — a Bélgica é favorita no seu jogo em casa contra a Polónia —  e limitando-nos então à disputa do 5º lugar. 
Num jogo que nada terá de facilidades — o alinhamento romeno tem-se mostrado muito eficaz e a sua formação-ordenada tem também dado boas provas — os Lobos podem contar com o retorno do excelente  Nicolas Martins e ainda com David Wallis que viu, na 3ª feira passada, o Disciplinary Committee ilibá-lo do “cartão vermelho” que recebeu contra a Polónia permitindo assim que possa integrar a terceira-linha que contra a Bélgica — embora sem evitar a derrota — conseguiu realizar 35 placagens (o idêntico trio francês fez, na vitória contra a Escócia no 6 Nações, 42 placagens…).
A questão estratégica que se colocará aos quinze Lobos contra a Roménia será e eficácia da variabilidade do jogo, alterando as hipóteses de linhas de corrida convergentes e divergentes, jogo-ao-pé incisivo e, de uma importância fundamental para quem pretende expôr o “rugby-de-movimento”, que consiga uma elevada quantidade de tempos de reciclagem de bola nos rucks abaixo dos 3 segundos. Se conseguirem articular estas diversas formas, os Lobos conseguirão a vitória.
Na última jornada venceram todas as equipas que jogaram em casa, não necessariamente pela importância do facctor-casa mas porque se juntou a melhor pontuação do ranking com jogar em casa.  Se a tendência se mantiver, as meias-finais serão Geórgia-Roménia ou Bélgica dependendo dos resultados conseguidos (bónus, marcados-sofridos)  e Portugal-Espanha com a vantagem do jogo se realizar em casa portuguesa, juntando os dois factores mais vantajosos.
Se assim fôr, este torneio de pouca compatividade  terá para as principais equipas e finalmente, dois jogos que aproximam a sua intensidade do que é o habitual em níveis competitivos mais elevados.

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