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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

LUSITANOS XV, 15 - STADE FRANÇAIS PARIS, 48


Foi um interessante resultado conseguido pela equipa portuguesa nesta importante participação na Amlin Cup. E foi o de melhor resistência: ao intervalo havia um empate total, uma penalidade, um ensaio e uma transformação, num total de dez pontos para cada lado. Como no fim do jogo concordavam diversos jogadores: é com jogos destes que nos podemos habituar a níveis mais elevados e já estamos melhores. E é precisamente para isto, com este objectivo, que a Federação decidiu participar nesta competição, para permitir uma maior experiência aos jogadores que estão limitados à competitividade da nossa Divisão de Honra.
E muito se pode aprender destes jogos apesar da natural diferença de capacidades entre o Lusitanos XV e as equipas adversárias. Mas pode aprender-se e melhorar o futuro internacional.
Logo na primeira parte os parisienses - com alguns jogadores conhecidos da cena internacional - mostraram e aplicaram princípios essenciais da competição rugbística: quando se conquista terreno e entramos na área de 22 do adversário, só de lá saímos com pontos na bagagem. E fizeram por isso, criando a pressão necessário para que à equipa portuguesa não restassem senão uma de duas: sofrer um ensaio ou fazer falta. Os portugueses, menos experientes, também estiverem durante algum tempo na área de 22 adversária com alternâncias interessantes mas, embora com condições de continuar à procura de pontos, limitaram-se a deitar fora a oportunidade com uma tentativa de pontapé de ressalto sem sentido.
Francamente mau, por inofensivo, foi o nosso jogo ao pé, deitando fora bolas gratuitas recebidas do adversário e dando-lhes a borla de constantes contra-ataques que, a juntar à entrega de terreno - por má perseguição - nos colocavam em posição de grande dificuldade defensiva. Ao contrário do habitual no nosso campeonato em que o jogo-ao-pé é simplesmente usado como forma de alívio, o pontapé deve ser utilizado com propósito de colocar problemas ao adversário. E para isso mostra-se essencial o cumprimento de duas regras:  a primeira, de acordo com o princípio Barry John, estabelecendo que um bom pontapé obriga os adversários a mostrarem o número que trazem nas costas das suas camisolas; a outra, definindo que um bom pontapé é aquele que permite uma boa perseguição. E só assim vale a pena "largar" o controlo directo da bola que, na maior parte dos casos, custou bom esforço na sua conquista.
Problema, problema, surgiu na formação-ordenada - fase onde se pôde ver o ridículo do toquezinho do árbitro a autorizar a introdução. E não há como dizê-lo de outra forma: temos que trabalhar em muito maior profundidade quer a técnica, quer a atitude - que se mostradas uma ou outra vez não têm a continuidade necessária para a competição deste nível. E aqui, neste nível, não se conseguem bons resultados sem uma formação-ordenada resistente e capaz. Mas mesmo aqui alguma lição pode ser tirada - os parisienses usaram sempre o empurrão-de-oito-homens, quer na introdução própria, quer na adversária. 
Na próxima sexta-feira o já habitual jogo com os England Students terminará a preparação 
para os jogos da selecção de Portugal no importante "6 Nações B". Aí então  já poderemos ver que perspectivas nos deixam os jogadores portugueses depois desta excelente experiência proporcionada pelos seis jogos disputados na Amlin Cup.
Mau, seriamente mau, foi o facto de no Universitário de Lisboa se encontrarem mais adeptos franceses do que portugueses! Não se percebe como é que a comunidade rugbística portuguesa, dizendo-se amante da modalidade, não aparece para ver um dos melhores jogos de rugby que podemos ter em Portugal. Porque a hipótese de vitória era mínima? Porque se tratava de uma equipa de clube como adversária? Ou simplesmente porque não gostamos do jogo sem a pimenta da clubite? E mais uma vez quem diz gostar de rugby perdeu uma oportunidade. De ver rugby!

sábado, 11 de janeiro de 2014

LONDON IRISH, 79 - LUSITANOS XV, 3


 AMLIN CUP, 5ª jornada, fase de Grupos

domingo, 8 de dezembro de 2013

AMLIN CUP: FINAL 1ª VOLTA

No final da 1ª volta da Amlin Cup algumas estatisticas que - com o maior cuidado com que devam ser analisadas como avisa Wayne Smith - apesar do reduzido número de jogos, ajudam a tirar algumas ilacções sobre as capacidades dos portugueses.

O final da 1ª parte parece ser o mais difícil de suportar com uma óbvia melhoria com os London Irish que pode ter esgotado o Lusitanos XV para a segunda parte - sofreram 70% dos pontos - e para um final de jogo doloroso. No jogo com os italianos houve um nítido equilibrio em 3/4 do jogo mas uma notória incapacidade defensiva nos últimos 20 minutos da 1ª parte. Como evitar este "peso" pontual neste período?



Depois de apenas 4 ensaios marcados na 1ª volta dos 6Nações B, os portugueses não conseguiram marcar qualquer ensaio nos dois primeiros jogos da Amlin. Apesar dos dez ensaios contra o Brasil - uma óbvia obrigação que não define qualquer melhoria ou capacidade especal - o Lusitanos XV conseguiu, nos jogos de Novembro da Selecção Nacional, apenas 1 ensaio contra Fiji ou Canadá. A marcação de três ensaios contra os italianos de Prato significará que a equipa aprendeu a usar eficazmente a posse da bola? Saberemos pela continuidade.



Embora sem dados do jogo de Itália, verifica-se - numa clara demonstração da falta de competitividade interna - uma grande diferença entre as placagens falhadas pelo Lusitanos XV e pelos seus adversários. O que impede qualquer aproximação ao equilíbrio do resultado. A melhoria da capacidade individual e colectiva - com a necessária melhoria da cultura táctica - será fundamental para elevar eficazmente o patamar defensivo da equipa.

Veremos o que nos diz a segunda-volta e que desenvolvimento e crescimento, individual e colectivo, os jogadores portugueses conseguiram.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

CURVA DE APRENDIZAGEM

Ninguém nasce ensinado e é suposto que com a aprendizagem e com a experiência que daí resulta que os jogadores melhorem as suas capacidades e possam atingir os níveis desejados para a competição internacional.
Com o Lusitanos XV é dada uma oportunidade de crescimento competitivo aos jogadores portugueses que, se por um lado lhes permite perceber o que significa a dimensão do alto-rendimento também lhes oferece, por outro, a experiência necessária ao seu desenvolvimento individual e colectivo.
Algo disto se estará a passar como se viu no último jogo contra os London Irish por comparação com o jogo de Paris. Com resultados idênticos - derrota por sessenta pontos de diferença - o avolumar dos pontos deixa - se a tendência, com os resultados dos próximos jogos com os italianos do Cavalieri Prato, continuar a mostrar-se verdadeira  - algum optimismo sobre o crescimento e aprendizagem da equipa.

Analisando os pontos sofridos em cada jogo por quartos de vinte minutos, pode verificar-se que existe, do primeiro para o segundo jogo, uma melhor adaptação do Lusitanos XV de que resulta um final da primeira parte contra os London Irish com apenas 30% dos pontos totais sofridos contra os 57% de Paris.
Há, naturalmente e ainda, um longo caminho a percorrer para atingir o patamar competitivo do nível do alto-rendimento. 
Habituados a uma competição interna a que faltará elevação da sua dimensão competitiva, os jogadores portugueses sentem claras dificuldades na adaptação aos ritmos, velocidades e esforço físico exigido neste nível de rendimento desportivo.
Melhorando a sua capacidade defensiva colectiva na parte inicial do jogo, procurando não se deixar surpreender, os Lusitanos não conseguiram, no entanto e de acordo com o esperado, resistir ao aumento do volume de jogo dos londrinos e ao aumento do tempo útil de jogo - cronometrados 28' de bola em jogo, não contando portanto com as vozes da formação-ordenada que exigem esforço a metade da equipa - a que, para além da dimensão temporal das fases já de si desgastantes, não estão habituados. E quando o oxigénio começa a diminuir...

O maior problema das equipas portuguesas mostra-se na nossa incapacidade para marcar ensaios - somos a equipa que no actual 6 Nações B menos ensaios marcou! Ora a resolução deste problema, que tem causas que se conhecem - tempo de passe, passes em arco, lentidão de saída da bola nos reagrupamentos, incapacidade de manobra perante defesas deslizantes, jogo ao pé pouco eficaz e a não colocar pressão suficiente no adversário que, por isso, não é obrigado a desfazer sistemas defensivos, incapacidade de apoio eficaz nas penetrações com a errada tendência de jogar ao lado á espera de um passe que não vai chegar, a que se juntam entradas ao contacto e não aos intervalos - não dependem apenas do espaço selecção e dis seus treinos. E se há vantagem nestes jogos é também a de permitir que a comunidade rugbística nacional tenha oportunidade de comparar o estado das artes.
Embora se perceba que a equipa técnica que dirige as selecções seniores tenha procurado minorar estes problemas, percebe-se também que é no treino dos principais clubes que estes problemas encontrarão soluções. O que exige uma diferente filosofia para ganhar: não importando ganhar por ganhar, mas importando desenvolver para ganhar. O que, não se fazendo de um dia para o outro, paga os dividendos suficientes para ser garantia de futuro. 
E o rugby português, para sobreviver no mundo onde os resultados contam, precisa de ser capaz de dar um salto nas suas qualidades técnicas, tácticas e estratégicas.



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

AMLIN CUP

Vale a pena a participação na Amlin Cup? Vale! Mas não vamos ter derrotas por resultados de grande diferença? Muito provavelmente iremos. Então qual a vantagem?
A nossa participação não se pode medir pelos resultados que iremos conseguir esta época - é natural que não sejam sequer aproximados. Mas isso, a derrota por números elevados não tem grande importância: a nossa participação mede-se pelo crescimento competitivo dos jogadores que participarem no jogo.
Mas não é um salto muito violento, jogar contra profissionais dos melhores campeonatos da europa? Embora fosse mais equilibrado jogar esta "poule" com equipas da nossa série do 6 Nações como propôs à IRB o Raul Martins - só que não houve resposta positiva e a realidade é esta: ou jogas assim ou ficas cada vez mais longe. Mas convenhamos que não é coisa de outro mundo fazer estes jogos: é apenas enfrentar a vida num crescimento rápido de adulto. Como há uns anos atrás em que fui responsável por uma equipa que também disputou um europeu de clubes, é uma oportunidade enorme de comparar e aprender. Como foi nessa altura. Perdemos sempre mas aprendemos o suficiente.
Esta particiação é de facto uma oportunidade de medir as distâncias, de perceber quanto é preciso de trabalho, de treino, para atingir o nível internacional dos resultados que fazem sonhar.
Ganharão experiência os jovens jogadores portugueses: aprendendo que a subida em defesa, em vez da espera, torna mais fácil a tarefa; que o ataque apoiado aos intervalos, em vez da colisão contra o corpo mais próximo, é a melhor - quantas vezes a única - forma de ultrapassar a linha de vantagem e quebrar a linha de defesa.
E aprenderão mais: que o jogo ao pé para fora, se permite respirar uns momentos, volta à primeira forma do sufoco em pouco tempo; que na formação ordenada com a voz do árbitro a beneficiar infractores, só a blocagem dos joelhos consegue travar a vantagem do 8x7 para garantir a posse da  bola de forma que os três-quartos, se não podem jogar no-pé-da-frente, não jogarão no-pé-de-trás.
E ainda que o ataque se faz com jogadores lançados e com apoio axial a permitir o martelo que garante a quebra da linha defensiva e a possibilidade de manter a bola jogável.
No fundo, jogar a Amlin Cup é uma oportunidade para os jogadores de perceberem a diferença competitiva entre os jogos nacionais a que estão habituados e o rugby de nível internacional.
Os jogadores estarão em duros exames em cada um dos jogos mas a maioria deles vai ganhar com a experiência, construindo o estofo com se fazem campeões. E a selecção nacional também ganhará.
E talvez o campeonato nacional da Divisão de Honra também se transforme.
Amlin Cup?! Uma aposta a médio prazo... A pensar no Mundial de 2019.

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