segunda-feira, 20 de novembro de 2017

RESULTADOS DOS JOGOS INTERNACIONAIS


Num fim‑de‑semana com diversas decisões arbitrais dificilmente consensuais - mesmo com recurso ao vídeo-árbitro o resvés foi tal que não se tornou fácil - os melhores resultados pertenceram ao Canadá e Brasil que, com vitórias fora contra adversários com melhor pontuação no ranking, conseguiram subir 2 lugares no ranking. O Uruguai foi também um dos vencedores da jornada ao derrotar - contra as previsões que propunham a sua derrota - a Namíbia por um inesperado 56-32.
O País de Gales, apesar de uma equipa pouco habitual, ao derrotar a Geórgia apenas por 6 pontos fez um dos piores resultados ainda por cima deixando no ar muitas dúvidas sobre a situação que levou o árbitro a decidir por formações ordenadas não disputáveis. No mesmo campo dos resultados inesperados a Irlanda não conseguiu uma vitória por mais de 3 pontos de jogo contra Fiji.
O pior resultado pertenceu no entanto à Bélgica que derrotada em casa pelo Brasil perdeu 3 lugares no ranking sendo agora a 29ª classificada, seguida pela Alemanha e Moldávia que perderam dois lugares cada uma, tendo a primeira perdido com os USA por números inesperados - 29 pontos de diferença - e a segunda que, embora com uma derrota normal contra a Polónia, se viu ultrapassada pelo Paraguai e Tunísia.
A Holanda também faz parte do grupo dos vencedores da jornada ao vencer, fora, a Suíça.
A Inglaterra, a Rússia, a Argentina, Japão e Portugal - que correspondeu ao esperado com uma vitória sem problemas contra um adversário recém-chegado à terceira divisão - conseguiram os resultados mais amplos da jornada. Na vitória conseguida, Portugal dispôs de 68 bolas utilizáveis com as quais ultrapassou 18 vezes a Linha de Vantagem (26%) de que resultaram 6 ensaios (33%) numa boa relação ultrapassagem da LV/marcação de ensaios mas com um enorme desperdício de utilização das bolas conquistadas.
A França, de novo derrotada, terá - mais uma vez - percebido que a sua forma de jogar está longe das qualidades e necessidades para se bater com os primeiros da tabela
No topo continua a Nova Zelândia que, no passado dia 16 de Novembro, contemplou 8 anos no primeiro lugar do ranking

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PORTUGAL-R. CHECA E OUTRAS PREVISÕES



Apesar de ser uma equipa mais habituada a outras "andanças", o nível de pontos de ranking que distancia as equipas de Portugal e da República Checa - e que são muito motivados pelas duas últimas derrotas portuguesas e pelo facto da R. Checa - embora ao nível da 4ª divisão europeia - ter vencido todos os encontros em que participou (recentemente derrotou a Polónia) - confere uma previsão de vitória para Portugal por uma diferença de 13 pontos. O que é uma vantagem razoável.
A troca de lugares no ranking World Rugby apenas poderá acontecer numa improvável vitória checa por mais de 15 pontos de diferença.
Havendo diversos jogos a ser disputados este fim-de-semana a possibilidade de subida de Portugal no ranking é difícil determinar, mas dada a diferença pontual para o 24º - HongKong - por melhor que o resultado seja a selecção portuguesa deve manter o seu lugar actual. Num jogo que conta para duas competições - RE Trophy e apuramento para o Mundial 2019 - a vitória tem notória importância e representará um aconchego de oxigénio nas nossas pretensões.


A previsão dos resultados internacionais - em vitórias e por diferenças de pontos - é apresentada na tabela acima e onde se prevêem apenas três derrotas das equipas que jogam em casa. E duas delas por uma diferença de pontos tão pequena - 3 pontos - que qualquer resultado pode acontecer. O mesmo se passa aliás com algumas vitórias que mostram resultados tradutores do equilíbrio competitivo entre as duas equipas adversárias.

Fim-de-semana rugbístico em cheio onde não vai sobrar tempo para ver jogos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

USO ABUSIVO DOS BARBARIANS


O Barbarian Football Club, clube de convites cuja única exigência consiste na qualidade do jogador e do seu comportamento, nasceu em 1890 e tem como lema o conceito do Reverendo W.J.Carvey que jogou pelo clube em 1896: o rugby é um jogo para cavalheiros de qualquer classe mas não para maus desportistas seja qual for a sua origem. Em 1979, procurando imitar o conceito britânico,  nasceu o Barbarian Rugby Clube - os French Barbarians - que teve em Jean-Pierre Rives um dos seus fundadores que definiu a sua essência como uma filosofia, um espírito. Espírito de liberdade e de fraternidade que se traduz numa maneira de ser e de se comportar. Ataque e risco são os seus princípios do jogo e os jogadores que pode convidar estão circunscritos ao Top 14 francês e, como os originais Baa-baas, mantém a tradição do uso das meias do clube de cada jogador como equipamento oficial.


No início desta época a direcção da Federação Francesa de Rugby, comandada pelo sr. Laporte,. decidiu definir a equipa dos Barbarians Franceses como a 2º equipa federativa. O que e de acordo com a definição da World Rugby significa que qualquer jogador que faça uma jogo oficial pelos Barbarian Franceses ficará vinculado, em termos internacionais, à Federação Francesa de Rugby. Ou seja: não poderá representar outro país em termos de competições internacionais.

Ora esta posição, violando os princípios que nortearam o nascimento destes clubes de convites - parece ser um truque - reles, aliás! - para "prender" jogadores estrangeiros que jogam em França uma vez que - e bem! - a Federação francesa decidiu - à semelhança da lei existente em Portugal - que a presença nas selecções francesas só seria possível para cidadãos franceses, não se aplicando portanto a lei da federação internacional dos 36 meses de residência.

Assim, na versão francesa e pelo sim pelo não, "convida-se" um jogador para os Barbarians Franceses e garante-se que o seu futuro fica, desde logo, controlado pela estrutura federativa francesa. O que se traduzirá num evidente prejuízo para os países que vêem na colocação dos seus jogadores no campeonato profissional francês uma vantagem para o seu desenvolvimento competitivo internacional. E, no fundo, o interesse sobrepõe-se aos valores!

O antigo internacional francês e adepto incondicional do espírito Barbarian, Jean-Pierre Rives, veio a terreiro denunciar a quebra dos valores do clube pela federação francesa neste utilitário recurso de "selecção B". Veremos o que dirá a "casa-mãe" britânica por esta abusiva utilização de um nome que tem um significado muito próprio no mundo do rugby internacional.

A não ser que se junte ao formal "o que parece, é" a interesseira postura trumpiana dos factos alternativos.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

RESULTADOS INTERNACIONAIS


De acordo com as previsões dos valores de pontuação do Ranking da World Rugby, o melhor resultado do fim-de-semana foi o da Itália que para além de ter surpreendido ao vencer o jogo contra uma equipa, Fiji, melhor qualificada, conquistou mais 20 pontos do que a previsão - de derrota por 11 pontos, venceu por 9 pontos de diferença.

O segundo melhor resultado pertenceu à Irlanda que, em casa mos já com previsão de vencedora, ultrapassou em 28 pontos a previsão inicial, aumentando a segurança do seu 4º lugar. no ranking A Alemanha, com uma vitória sobre o Brasil por mais de 16 pontos do que o previsto, fez também um excelente resultado (lembre-se que o Brasil derrotou recentemente Portugal por 25-21 e que, no último jogo realizado com os alemães, Portugal perdeu por 50-27).

As vitórias da Geórgia, Austrália e AllBlacks estiveram dentro do esperado. No jogo França-AllBlacks percebeu-se, nesta 11ª derrota consecutiva contra os neozelandeses, a distância a que os Bleus ainda se encontram do topo mundial - principalmente se atendermos a que os neozelandeses se terão limitado a cumprir o essencial da tarefa.

A Inglaterra limitou-se a vencer - num jogo, aliás, muito pouco interessante - deixando no ar que o caminho que Eddie Jones pretende para vencer o Mundial de 2019 ainda tem ... muito caminho. Os Argentinos - falhando 4 penalidades e uma transformação no total de 14 pontos! - mostraram-se com os defeitos a que recentemente nos tem habituado - falta de profundidade atacante (precisaram de 30 fases para conseguir o ensaio de consolação em cima do tempo final do jogo!).

Gales, apesar das boas intenções de uma nova forma de jogar, não conseguiu ultrapassar, averbando a 13ª derrota consecutiva contra estes adversários, os australianos. Falta ainda adesão global ao novo modelo e coesão à equipa. Veremos se a sequência dos jogos deste Novembro trarão alguma novidade em termos de eficácia competitiva. Para já fica a curiosidade da diferença - técnico-táctica  e pontual - que conseguirão demonstrar no próximo jogo contra a Geórgia.

O pior resultado de todos foi sem dúvida o da Escócia que, com 10 lugares e 12,8 pontos de intervalo para os seus adversários, venceu a Samoa por apenas 6 pontos de diferença num jogo com 11(!) ensaios mas em que, pela diferença pontual de ranking, não estavam em causa - aliás como no Geórgia-Canadá, Inglaterra-Argentina ou França-AllBlacks - pontos de ranking .

Como curiosidade diga-se e a propósito da eterna discussão sobre a importância da posse da bola no jogo de XV, que os vencedores Inglaterra (37%), Austrália (49%), Escócia (46%), Irlanda (46%) e AllBlacks (43%) tiveram menos posse de bola do que os vencidos. A questão coloca-se cada vez mais no facto de a real importância estar, não na capacidade de posse da bola, mas sim no capacidade do USO da bola. Ou seja: ter a bola é importante - com ela podem-se marcar pontos e o adversário não; mas muito mais importante é a eficácia da sua utilização, a capacidade de transformar em pontos a posse da bola. A posse da bola não é para levar a bola a passear pelo campo, a posse da bola é para a colocar na área de ensaio adversária. E nisso, os AllBlacks - a posse da bola tem como objectivo marcar ensaios -  dão, mesmo quando jogam apenas o suficiente, lições a reter.

sábado, 11 de novembro de 2017

PREVISÕES DE RESULTADOS

Os números negativos significam derrota da equipa da casa
(a 1ª Tabela apresentada tinha um erro nos valores do 
Canadá que já se encontram emendados nesta versão)

Estes são os valores formais da previsão da diferença de pontos dos resultados dos jogos internacionais deste sábado.

O seu principal significado consiste em valorar o resultado de cada equipa pela aproximação ou distanciamento do resultado previsto - quanto maior a diferença, se a vitória estiver de acordo com a proposta, em relação ao previsto, pior o resultado do derrotado e melhor o do vencedor; quando menor for a diferença e mantendo-se a condição da previsão da vitória, melhor o resultado do derrotado e pior o do vencedor. Naturalmente que os excelentes resultados são traduzidos pela inversão da previsão de vencedor e vencido.

Foram utilizados - ao contrário, por exemplo da RugbyVision que tem valores próprios para o ranking - os valores da pontuação do ranking da World Rugby.

Embora Gales tenha por norma um muito fraco conjunto de resultados no primeiro jogo da "janela de Novembro" - de 2002 para cá apenas ganhou à Roménia e perdeu com todos os outros do Tier 1 - e as dificuldades que tem apresentado contra equipas do Hemisfério Sul sejam reais - desde 2002 apenas 7 vitórias em 33 jogos contra os 4 grandes sulistas - penso que as alterações introduzidas na equipa traduzem um conceito de jogo diferente, mais interessante e mais eficaz - o conceito de dois aberturas que bem serviram tacticamente os Lions está lá - e, naturalmente, tenho esperança - quase convicção - que Gales não perderá com a Austrália.

Cymru am byth!


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

ELOGIO DA FORMAÇÃO NEOZELANDESA


O Barbarians-All Blacks traz-nos sempre à memória o ensaio - O ENSAIO - marcado no jogo de 1973 e que muitos consideram o melhor de sempre: Phil Bennett, estreante nestas andanças, apanhou uma bola chutada do campo neozelandês e que viu saltar quatro vezes e a cerca de 5 metros dos seus postes, lembrando o conselho de Carwyn James antes do jogo - Vai lá para dentro e joga como sabes, joga de acordo com o que tiveres na frente como fazes no clube - fintou 4 all-blacks e passou longo para JPR Williams que, "engravatado" pelo neozelandês Bryan Williams, ainda assim passou a bola a John Pulin que a passou a John Dawes que a entregou a Tommy David que, como bom terceira-linha, garantia o apoio interior e que, naquilo que hoje se chama um off-load, obrigou Derek Quinell a uma difícil recepção - e já estavam ultrapassados os 10 metros do campo adversário... - e que, procurando o exterior para entregar ao  ponta Bevan, viu aparecer a seta Gareth Edwards - que lhe berrava em galês "dá-me!, dá-me!" - para correr toda a área dos 22 e mergulhar na área de ensaio. Soberbo! Foram 95 metros de avanço, apoio, continuidade e pressão - pelo número de jogadores disponíveis numa constante organização de losangos para opção de passes. Sete jogadores envolvidos (6 galeses e um inglês) para 24 segundos de magia de um Rugby que vale a pena ver vezes sem conta. Inesquecível! Um tratado, uma maravilha que nos faz sempre pensar que deveríamos, todos, jogar assim.

Nessa altura, já lá vão 44 anos, a superioridade técnica e táctica do Norte - principalmente através dos jogadores que constituíram a então notabilíssima equipa do País de Gales - era evidente. Phil Bennett ao contar hoje porque decidiu lançar o contra-ataque mostra à evidência essa superioridade táctica: Poderia ter chutado calmamente para fora mas pensei "Quando é que os adversários relaxam mais? é quando nos obrigam a recuar para a nossa linha de ensaio e estão a pensar para eles próprios "Eles vão chutar para fora.". E ao aproveitar a oportunidade, impondo a sua tremenda técnica de side-step, iniciou o melhor ensaio de sempre. E os companheiros, em simultâneo e como contam hoje, pensaram: "ele não vai chutar, ele vai atacar - tenho que me recolocar!". E assim fizeram para garantir a continuidade do movimento de um jogo memorável com vitória, por 23-11, dos Barbarians.

Este último Barbarians-All Blacks do sábado passado mostrou-nos o contrário. Mostrou que a qualidade do jogo na Nova Zelândia é muito superior à dos outros países. O conhecimento táctico do jogo é notável, simultâneo - todos lêem a mesma coisa ao mesmo tempo - e permite a percepção colectiva da oportunidade.

No jogo, que os All-Blacks venceram por 31-22, jogaram, dos 46 jogadores que formaram as duas equipas, 33 (23+10) jogadores neozelandeses a que se juntou Kieran Read como "garrafa de àgua". O que representa uma demonstração da qualidade da formação e competição interna neozelandesa.

Baseada no passar e receber e no conhecimento do jogo - Game Sense é o recurso do ensinamento formativo - consideram que o ensaio é o objectivo principal, a razão do uso da posse da bola e a finalidade do jogo - Graham Henry explicou em tempos recentes essa ideia aos internacionais argentinos que se confessaram vantajosamente surpreendidos. A partir desta base são desenvolvidos, com o rigor necessário, os mais diversos gestos técnicos a que se junta uma cultura táctica que irá permitir a sintonia colectiva em cada momento do jogo : todos a lerem o mesmo e ao mesmo tempo. E assim conseguem, com competições equilibradas internamente e ao longo de todo o tempo de desenvolvimento dos jogadores, criar equipas de alto nível competitivo.

Num dos primeiros ensaios do jogo (15') favorável aos Barbarians - marcado pelo neozelandês George Bridge a passe de outro neozelandês, o terceira-linha Steven Luatua - o antigo abertura internacional inglês Stuart Barnes, comentou na Sky Sports: "nem precisou de olhar, ele sabia que o companheiro ia aparecer ali... são os dois neozelandeses...". Está tudo reconhecido, a formação neozelandesa, ultrapassando o mero ensino e desenvolvimento técnico que é a normalidade nos outros países, garante a coesão. Durante o percurso formativo neozelandês os jogadores aprendem a importância da Linha de Vantagem e da sua conquista, do reconhecimento de uma oportunidade pelo desequilíbrio que souberam ler no posicionamento defensivo da equipa adversária e aprendem ainda que devem estar mentalmente disponíveis para responder às propostas do companheiro portador da bola que é considerado o líder momentâneo a seguir e a apoiar, numa perspectiva de tudo procurar fazer para manter a bola viva, alinhando visões, conceitos e exigências na procura da eficácia colectiva. Com o jogo baseado na continuidade do movimento - os jogadores movem-se e posicionam-se de acordo com o movimento da bola e com a colocação dos adversários - os jogadores neozelandeses aprendem, desde cedo e para além de reconhecerem na velocidade de execução e de acção uma arma de excelência, as vantagens da evasão sobre a colisão, procurando entregar a bola antes ou ainda na fase de contacto - off-load - mas procurando o chão apenas quando se apercebem, por falta de apoio suficientemente próximo, ser essa a melhor maneira de garantir a posse da bola... para reiniciar a continuidade do movimento no tempo seguinte e tão rápido quanto seja possível. E assim constroem, tratando de desenvolver ao longo dos anos o domínio das técnicas das fases de conquista, a melhor e mais sustentável equipa do mundo.

O jogo de sábado mostra-se como exemplo vivo daquilo que a formação de jogadores deve seguir. O que significa que a formação e desenvolvimento, nomeadamente a portuguesa, devem aprender e utilizar os processos e métodos neozelandeses, esquecendo os métodos das escolas de velha guarda que, no fundo, no fundo, se limitam a esperar que os talentos ressaltem - a boa escola francesa perdeu-se no tempo e o próprio Didier Retière reconhece a necessidade da alteração urgente dos métodos. A Nova Zelândia, com pouco mais de 4,5 milhões de habitantes, sabe que é através da qualidade do desenvolvimento técnico dos seus jogadores que pode ombrear e ultrapassar os outros países do mundo rugbístico - e a qualidade significa rigor, rapidez e exigência na execução técnica, acerto nas decisões tácticas, domínio e preponderância do colectivo e assertividade na atitude.

Porque a vida nos ensina que a quantidade, por si, não garante qualquer qualidade; mas que a qualidade, essa sim, garante quantidade. E se queremos mais jogadores, tratemos de garantir a sua qualidade para que possam, pelas capacidades que demonstrem e pelos resultados que atinjam, atrair mais outros.

A descrição do ensaio de 1973 foi feita, para além das imagens, com a ajuda do The Guardian    

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

PITÕES E RELVA ARTIFICIAL








Jogo da 9ª jornada, último sábado, do TOP14 francês entre o Oyonnax - USO - e o Castre no campo de relva artificial do Estádio de Charles-Mathon.
Os uso de pitões de alumínio é evidente...

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

PROIBIR PITÕES DE ALUMÍNIO?!

Os famigerados pitões de alumínio que dão cabo da relva artificial. Será?!
A Federação Portuguesa de Rugby enviou para os clubes - julgo que para todos, mas não confirmei - uma determinação a proibir o uso de pitões de alumínio em campos de relva artificial, demonstrando um óbvio abuso de poder numa manifestação de absoluta ignorância. Porque a Federação não tem conhecimentos técnicos para determinar sobre o assunto e a sua capacidade de homologação exige respeito pelas exigências normativas!

Qual é o problema do uso de pitões de alumínio sobre relva artificial? Nenhum desde que cumpram o Regulamento 12 da World Rugby, responde (a meu pedido) o Director Comercial das SIS Pitches, empresa fabricante e instaladora, por exemplo do anterior e actual campo do Saracens Football Club - clube inglês de rugby de alto nível competitivo que joga no Allianza Park. Em 2010 quando se preparava para colocar o primeiro 3G do rugby inglês, dizia o seu presidente Nigel Wray: "A relva artificial pode muito bem ser o futuro do rugby. Foi aprovada pela IRB e pela RFU e as últimas evidências sugerem que permitirá um jogo mais rápido, mais seguro e mais divertido." E não consta que tenham proibido os pitões de alumínio... mas sabe-se que, desde 2015, foram duas vezes campeões ingleses e duas vezes campeões da Europa.

Também não consta que o francês US Oyonnax - 1º clube francês a montar, em 2015, um campo de relva artificial, tenha proclamado qualquer proibição. E também não consta que todos os outros campos de relva artificial onde se joga rugby tenham a proibição dos pitões de alumínio. Proibição que demonstra, para além de outras coisas, ignorância desportiva. Se não, vejamos.

As Leis do Jogo de Rugby autorizam que o jogo se realize em relva artificial desde que esta cumpra o Regulamento 22 do World Rugby (alínea b) da Lei 1.1). Compete à FPR a homologação dos campos (artigo 43º do Regulamento Geral de Competições 2017/2018) uma vez respeitado o já referido Regulamento da World Rugby ou respeitando requisitos e condições definidos pela FPR. Definições que se encontram no Regulamento de Homologação de Campos e que dizem respeito às dimensões do terreno-de-jogo e à sua orientação mas nada estabelecem sobre a tipologia de piso.

Ou seja: o rugby português pode ser disputado em campos de relva artificial que cumpram o Regulamento 22 da World Rugby. Como aliás qualquer jogo de rugby em qualquer parte do mundo. E é esse constrangimento que a FPR deve assegurar na sua homologação, garantindo campos adequados ao jogo de rugby.
O pitão regulamentar de acordo com a Rugby World 

Definida a única restrição, passemos aos pitões e ao Regulamento 12 que os define na sua formatação (não fala em materiais): um diâmetro de contacto mínimo de 10mm para uma altura máxima de 21 mm. Ou seja: por um lado um limite de altura que permita a tracção e a estabilidade em condições adequadas à modalidade e, por outro, o diâmetro mínimo que garanta a segurança do contacto impedindo perfurações.

E cumpre-se assim a regra evidente: o que não fere a pele humana também não perfura a tela ou corta filamentos da relva artificial.

Lembre-se ainda que compete aos árbitros - por óbvias razões de segurança - verificar, como estabelece a Lei 4.5 - o estado dos pitões das botas, garantindo assim que tudo está em conformidade com as Leis do Jogo.

Com a facilidade de obter pitões de 15, 18 e 21mm enroscáveis e em alumínio, os jogadores podem escolher a dimensão que, para um dado campo, pode tornar a relação atleta/piso mais confortável. Limitando-se portanto a jogos de pitões e à sua troca eventual e não tendo que utilizar dois pares de botas.

Com uma altura máxima de 21mm e quando comparada com as botas normalmente utilizadas pelo futebol - a FIFA tinha, antes do aparecimento das "laminas", um limite de altura de 13mm - verifica-se que os 8 mm de diferença marcam a distância das necessidades de movimentos entre as duas modalidades. No Rugby há necessidade, para além dos equilibrados e transmissões de esforço da corrida, de garantir a tracção no empurrar das formações ordenadas ou espontâneas, nos mauls ou placagens. Ou seja, a necessidade de "estabelecer presa" de uma é muito maior do que da outra.

Estas diferenças não podem ser reduzidas à igualdade por mero capricho. O uso de pitões de borracha ou de solas moldadas não produz a aderência necessária que o jogador necessita nos seus movimentos individuais ou colectivos. O que significa uma maior tendência a lesões, uma maior insegurança. Ou então um afrouxamento das técnicas adequadas com as péssimas consequências daí resultantes. O que significa que os primeiras-linhas ou estabelecem um pacto de não-agressão ou aumentarão os riscos de colapso com o consequentes aumento do risco de lesões graves. Tudo porque alguém decidiu proibir esse enorme papão dos pitões de alumínio...

Porque surge então esta moda proibitiva? Porque, num país de domínio futebolístico tudo se mede pelos ditames do futebol - a menor altura habitual dos seus pitões terá levado a cortes poupadores com uso de combinações desajustadas dos materiais que compõem o tapete artificial e como também pouco se usam pitões de alumínio, meteu-se tudo no mesmo saco e disfarçamos o mau resultado técnico acusando a vontade devoradora do alumínio. Cheguei a ler, de um ilustrado fornecedor, a justificação do ano que, sensibilizado, transcrevo: não se pode utilizar pitões de alumínio porque, sendo de enroscar e podendo estar mal enroscados, pode prender alguma fibra e causar a queda do atleta ...  E foi na facilidade desta armadilha que caiu a Federação - sem nenhuma vantagem para o Rugby, para o jogo ou para os jogadores. Pelo contrário!
Estes malandros a dar cabo de um relvado artificial...que irresponsabilidade...
que mania esta de empurrarem e de precisarem de agarrar os pés ao chão... 
Há uns anos (2012) e a pedido da direcção da FPR da altura, elaborei um parecer DO USO DE PITÕES DE ALUMÍNIO EM RELVA ARTIFICIAL, que concluía assim:
  1. Não há prova conhecida, nem científica, nem empírica, que os pitões de alumínio [se de acordo com o Regulamento 12 da WR] deteriorem um campo de relva artificial mais do que quaisquer outros. A questão está na adequação às regras definidas e à necessária fiscalização que competirá aos próprios jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros.
  2. A homologação de um campo para uma prática desportiva implica resposta material adequada às exigências do desporto que pretende servir. A prioridade pertence ao desporto e são os materiais que devem adequar-se e adaptar-se às características do jogo. Não o contrário.
  3. Assim a proibição de uso de pitões de alumínio não faz qualquer sentido, porque:
    • a sua considerada capacidade de deterioração da superfície de relva artificial não passa de um mito urbano idêntico aliás às apontadas ao comportamento da superfície em relação aos campos de relva natural;
    • as características técnicas do rugby - e lembra-se que a superfície deve estar suficientemente húmida para garantir quer o abaixamento da temperatura, quer a menor abrasividade - exigem que os seus jogadores consigam a "presa" - com capacidade equilibrada de tracção e estabilidade - necessária nos seus apoios para a expressão das suas capacidades. O recurso a botas com solas e pitões que entendem melhor se adequarem às suas capacidades ou estilo é um direito que não pode ser posto em causa;
    • colocaria nos relvados artificiais mais um anátema de desconforto sem qualquer sentido e prejudicial às vantagens económicas da sua utilização - os jogadores das equipas não residentes em campos de relva artificial teriam, por exemplo, de se municiar de "outras" botas; 
    • as referências a cumprir têm como limite e norma o que se encontra estabelecido nas Leis do Jogo, Regulamentos e outros documentos emanados das autoridades que têm competências para o efeito. 
terminando a RECOMENDAR
  1. aos clubes e seus dirigentes:
    • Que não aceitem contratos de termos de garantia com imposições que não estejam de acordo com as normas técnico-desportivas.
  2. aos clubes, dirigentes, treinadores, jogadores e familiares:
    • Que sendo o campo em relva artificial uma nova instalação com características particulares e diferenciadas dos campos de relva natural são exigíveis novos comportamentos - uma nova cultura de utilização - de que são exemplo:
      • a utilização das botas destinadas aos jogos apenas nas áreas de pavimento adequado e adjacentes ao campo com o objectivo de não deteriorar pitões e solas;
      • colocação de revestimento adequado nos percursos balneários/campo e zona de suplentes.
  3. aos treinadores e árbitros
    • Sensibilização dos treinadores para as vantagens de controlo do uso das botas e para - à semelhança do conseguido nos pavilhões - a sua exclusiva utilização no terreno de jogo e áreas demarcadas, tendo como objectivo a sua prolongada adequação à Lei 4.3. 
    • Sensibilização dos árbitros para a absoluta necessidade de cumprimento das Leis 4.3 e 4.5 com o objectivo de garantir a integridade física de jogadores e defender a qualidade do campo de relva artificial.
Apesar do Parecer continuar nos arquivos federativos foi ignorado e nem sequer serviu para levantar uma dúvidazinha aos magníficos decisores. E a única diferença existente de então para cá diz respeito à significativa melhoria das técnicas de fabrico, montagem e instalação - a relva artificial actual está melhor do que era - e a imposição da proibição é, portanto, um disparate - porque se os campos não aguentam o desgaste eventualmente provocado pelos pitões de alumínio que garantem a segurança da absolutamente necessária tracção e estabilidade, então não servem para suportar jogos de Rugby e não devem estar homologados uma vez que a segurança da integridade física dos jogadores é uma responsabilidade prioritária.

Pois é: o pensar para decidir anda pelas ruas da amargura...

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

RUGBY FEMININO DO SPORTING EM PARIS

Sporting no feminino a atacar as Pink Rockets
O XV feminino do Sporting deslocou-se neste último fim-de-semana a Paris para jogar contra o Stade Français - as "PINK ROCKETS" - num jogo que teve na sua organização a mão de Arthur Gomes, português que foi internacional pela França, e que terminou 17-10 favorável às parisienses.

Pouco sei ainda do jogo para além do resultado e da muita chuva, mas percebo que um resultado destes - ponto de bónus defensivo - entre uma equipa que tem a sua maior experiência nos "sevens" e outra que joga XV e que foi vice-campeã de França Federal Feminina em 2016 é bom e demonstrou em campo aquilo que percebi nos treinos: as jogadoras do Sporting têm um notável espírito de lutadoras - autênticas Leoas - e apresentam uma notável atitude e coesão colectivas - o elevado nível de comunicação que utilizam é bem prova disso.

As dificuldades são ainda muitas - não é nada fácil passar do Sevens ao XV principalmente sem competição interna - e o próprio Arthur Gomes o constatou: "Isto é uma equipa de 7 a jogar XV..."

A convite do Rafael Lucas Pereira e do Nuno Mourão, treinador, participei na preparação deste jogo ajudando na área da formação ordenada. A passagem de FO de 3 para 8 traz novos problemas e obriga a novas aprendizagens, exigindo muitas horas de trabalho e a experiência de jogos. Embora as horas fossem curtas e a falta de jogos uma realidade, o excelente espírito de entrega, de vontade de absorção de conhecimentos, de gosto pelo jogo, tornaram a minha experiência no campo muito interessante, compensadora e, espero, útil.

Pelo menos pelo resultado conseguido, as perspectivas para a Taça Ibérica estão num bom patamar. O que aumentará o entusiasmo das jogadoras e, pelo desafio que representa, trará a continuidade da evolução.

Estou com enorme curiosidade de ver o filme do jogo de Paris.  

terça-feira, 10 de outubro de 2017

FEDERAÇÃO vs. SPORT CLUB DO PORTO

Como muitos dos membros da comunidade rugbística portuguesa também eu tive acesso aos mails trocados entre o Sport Clube do Porto e a Federação Portuguesa de Rugby.
Do lado do Sport pude ler sobre a sua indignada exigência por não ter sido consultado em questões desportivas que lhe diriam directamente respeito e, como resposta e do lado da Federação, um documento indigno de uma instituição de utilidade pública desportiva. De facto, não respondendo a nada a Federação fez - mesmo que a responsabilidade directa seja do seu Presidente - aquilo que não deve: responder com comentários insidiosos e desadequados, fazendo passar por razão dixotes mascarados de palavras de libra.
O Sport Clube do Porto nasceu em 1904, tem 32 modalidades activas com 4.531 atletas e 8.267 associados, com 2 atletas olímpicas (Londres 2012, Zoe Lima; Rio de Janeiro 2016, Filipa Martins na Ginástica) e 3 internacionais da equipa feminina de Rugby de Sevens de Portugal- Daniela Correia, Catarina Ribeiro, Elsa Santos - para além de ter sido um dos clubes iniciadores do Rugby na cidade do Porto - foi campeão do Porto em 1931. É, portanto, um clube com uma longa história de serviços distintos prestados ao Desporto - dos diversos galardões é um dos poucos clubes a quem foi atribuído o Troféu Olímpico.
O Sport Club do Porto  foi o meu primeiro clube desportivo - miúdo ainda ia aos jogos de Andebol de 11, no campo da Bela Vista, ver o meu pai jogar com a companhia - íamos no mesmo carro - do Bé Costa Pereira, antigo jogador de Rugby do CDUP, que também ia ver o seu pai (o notável Zé Manel) jogar. Sou Padrinho, convidado pelo Nuno Gramaxo, do Rugby do Sport Club do Porto e tenho, naturalmente, uma muito particular estima pelo clube.
Ao ler a resposta federativa fiquei - para além de muito mal impressionado com o desnorte - profundamente chocado e sentido: uma Federação não trata - não pode tratar - desta forma desabrida e mal educada um clube que é seu filiado…

 … porque não são termos nem processos que, na obrigação de valorizar o Desporto, se usem!   

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

DE QUE NOS SERVEM ESTAS IDEIAS?

Começou o Campeonato Nacional de Primeiro Escalão Competitivo Sénior - o CN1. Não sendo a designação de grande felicidade, tem a vantagem (enorme, diria eu) de ter deitado fora a designação de Divisão de Honra, permitindo assim a clareza da segunda divisão deixar de ser conhecida por Primeira Divisão.
O Campeonato começou mas não começou bem - jogos sem árbitros por faltas de pagamentos anteriores (o actual regulamento no ponto 1 do seu  Artigo 10º, indica que são os clubes da CN1 que têm a seu cargo as despesas referentes à arbitragem), continuidade dos desequilíbrios com todos os jogos a terem vencedores por 15 ou mais pontos - com mais de 15 pontos de diferença o vencedor, no ranking da World Rugby, é majorado 1,5  vezes - e dois dos jogos a mostrarem a enorme diferença entre o nível principal e secundário.
Sendo estranha a fórmula encontrada para reduzir o 1º nível de 10 para 8 equipas - aumentar para 12 para reduzir a 6 na presente época e chegar a oito na próxima época - não será também a solução mais eficaz para garantir o equilíbrio competitivo da próxima época.
Aliás a fórmula encontrada tem um perigo evidente! Porque permite recursos pouco desportivos e sem garantia de sustentabilidade actual e futura. Definindo que os dois primeiros classificados de cada uma das três séries formarão a CN1 desta época, acrescentando para a próxima - 2018/2019 - duas equipas, fica estabelecido que equipa que consiga agora o seu apuramento, ficando até ao 2º lugar de cada série, terá garantida a manutenção no Primeiro Escalão na época 2018/2019. Ou seja, a exigência competitiva desta época situa-se na disputa das curtas séries da Fase de Apuramento, tornando-se diminuta na Fase Regular porque uma equipa que perca a possibilidade de atingir um dos quatro lugares não tem qualquer necessidade de garantir o seu desenvolvimento competitivo. E assim sendo - e porque a Fase de Apuramento termina a 2 de Dezembro - pode surgir um factor distorcivo: recurso a jogadores estrangeiros durante este curto período - e apenas nele - para garantir a qualificação. Porque o resto já não conta ou conta muito menos.
Não satisfeito com esta possibilidade distorciva, o Regulamento do Primeiro Escalão Competitivo (RPEC) impõe mais. 
Começa desde logo, ignorando a prática federativa vigente desde 2010, por permitir que treinadores de Grau II possam ser responsáveis por equipas de 1º nível. Existindo, na lista da FPR, 54 treinadores certificados com o Grau III, abrir ao grau técnico inferior representa uma absurda menor exigência de conhecimento, experiência e capacidades para os responsáveis coordenadores e supervisores do treino das equipas de élite do rugby português. Principalmente se o objectivo é o de conseguir - será? - resultados internacionais que nos coloquem de novo no patamar a que pretendemos pertencer. Pergunta-se: faz então algum sentido permitir a diminuição da qualidade técnica dos treinadores das equipas onde actuam os jogadores seleccionáveis para a principal equipa nacional representativa? 
Há anos a FPR teve que responder em Tribunal pelo facto de considerar - em defesa das selecções nacionais - que, cada equipa, não poderia ter, em simultâneo e no campo de jogo, mais do que três jogadores não seleccionáveis por Portugal. Do Tribunal veio a apreciação que nada de ilegítimo existia nesta obrigação. Obrigação que, em documento da responsabilidade de um grupo de trabalho nomeado pela Secretaria de Estado do Desporto e Juventude para estudar a questão da protecção das selecções nacionais e datado de 2011, foi assim caracterizada: “Um bom exemplo disso é o caso da Federação Portuguesa de Rugby. As equipas poderão utilizar jogadores estrangeiros, em número indeterminado, mas não mais de três em simultâneo em campo […]”
Vá lá saber-se porquê, tudo mudou com as decisões da direcção da FPR* que agora, definindo em três alíneas, permite um número ilimitado de jogadores de origem comunitária ou equiparados, um número de 4 jogadores não seleccionáveis em simultâneo em campo para 6 nos 23 lugares da folha de jogo, obrigando apenas a 6 jogadores formados localmente em simultâneo no campo (que, por casualidade, podem também ser estrangeiros por não terem a nacionalidade portuguesa) e permitindo 10 nas folhas de jogo. Ou seja: qualquer equipa se pode apresentar para um jogo com, pelo menos, 13 jogadores estrangeiros e não seleccionáveis - lembre-se que a nossa legislação, ao contrário de diversos países, exige a nacionalidade portuguesa para a representação nacional, ficando assim anulada qualquer decisão temporal determinada pela World Rugby. Repita-se que os jogadores formados localmente não têm, necessariamente, de ser portugueses, isto é, seleccionáveis. Não se percebe a vantagem mas vêem-se, à vista desarmada, as desvantagens...
Para além de abrir a porta ao prejuízo das selecções nacionais portuguesas e ao eventual comando desportivo interno pela capacidade financeira, abre-se ainda - numa altura em que aumenta o conhecimento da manipulação de resultados desportivos - a porta a uma entrada de estrangeiros - provavelmente a preços convidativos - que, mesmo se comunitários, podem não ser mais do que paus mandados dos diversos e clandestinos sistemas de apostas. E não se diga - com aquele ar costumado de que pertencemos a outro imaculado mundo - que “Isso não acontece no Rugby!”. Porque os relatórios policiais europeus dizem outras coisas…
Portanto esta nova época não começa da melhor maneira com um regulamento (RPEC) que estabelece:
  • um campeonato com uma fase de Apuramento de tal maneira curta que os resultados desportivos podem ser distorcidos; 
  • uma fase Regular - rapidamente passada a quatro interessados e onde apenas estará em disputa o 1º lugar - de pouca competitividade;
  • um desnecessário abaixamento técnico pela permissão de treinadores de Grau II enquanto responsáveis pelas equipas da élite rugbística portuguesa;
  • uma imposição de pagamento aos árbitros por parte dos clubes de que não se vê resultados mas se notam consequências;
  • uma excessiva permissão de jogadores estrangeiros que podem, assim, criar problemas às selecções nacionais seniores para além de poderem tornar-se num gasto desmesurado que irá criar óbvios problemas financeiros à área de desenvolvimento dos clubes...se não representarem perigo maior.
… e a distorção desportiva pode ser ainda maior ao colocar, no poderio financeiro e não na sustentabilidade da formação desportiva, a chave do sucesso. O que nada augura de bom para o desenvolvimento do rugby português!…
… que corre o risco de retorno aos tempo das trincheiras.  E o futuro, que parece ali, passa a longínqua miragem.  
* Curiosamente, mas anacronicamente face ao que agora pretendem, este conceito prevalece no actual regulamento da Taça Europcar Challenge.   

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

SEM ÁRBITROS NÃO HÁ JOGOS DESPORTIVOS

Desde miúdo que percebi a importância dos árbitros nos jogos desportivos. Nas nossas futeboladas de cinco-contra-cinco depressa percebemos que nomeando um árbitro ganhávamos tempo de jogo e, portanto, de divertimento. Porque, quando não havia árbitro, o tempo consumido em discussões para concordar com o ser ou não falta representava, no final, um enorme espaço de paragem no futebol que nos entusiasmava.

De facto o árbitro é fundamental.

Não só para que não haja desperdícios no tempo útil como também para garantir igualdade de tratamento e equidade de interpretações. E quanto mais o jogo se aproxima do Desporto de Rendimento, mais o árbitro é necessário.

E quanto melhores forem os árbitros, melhor será a prestação competitiva dos jogadores e das equipas. O que significa que na estrutura federativa cabe aos árbitros um papel tão importante como aos jogadores na componente de formação, retenção e captação e um desinvestimento em qualquer destas três áreas da arbitragem constitui um problema sério e real para o rugby.

No aspecto da captação e sabendo-se - como se sabe das coisas da vida - que é a qualidade que atrai a quantidade - e não o contrário - é necessário saber criar as condições para que a arbitragem possa ter qualidade. O que se consegue, mantendo um ambiente saudável e cooperativo.

Parece que não é isso que se passa no nosso espaço federativo. Devido a dívidas - com muitos árbitros a não verem o reembolso das suas despesas de deslocação - e, principalmente, a conversas de surdos de que o recente documento federativo se mostra como exemplo, a arbitragem do rugby português está decidida a fazer valer os seus pontos de vista. O que significa que não haverá árbitros para a grande maioria dos jogos.

E sem árbitros qualificados - isto é, se for seguida a velha regra de procurar alguém que arbitre de acordo com as duas equipas adversária - a fiabilidade das provas competitivas ficará em causa. 

A falta de árbitros nos jogos dos campeonatos federativos é grave e colocará em causa a competição e os seus resultados.

Ou seja, o rugby português, mesmo que se usem efeitos propangadísticos seja de que natureza forem, está numa crise grave que pode criar fissuras difíceis de ultrapassar.

A fórmula de ultrapassagem da situação é simples e conhecida: diálogo sério, cooperação e ouvidos e mentes abertas ao dizer dos outros.

A concha é o pior dos conselheiros e a ideia de que o poder pode mais é a pior das posturas.

domingo, 24 de setembro de 2017

ERRO DE PALMATÓRIA!

As recentes alterações das Leis do Jogo - Leis Experimentais 2017 - têm como objectivo simplificar o jogo, diminuir a confusão de jogadores e espectadores e aumentar a continuidade da utilização da bola. Iniciadas a partir de 1 de Agosto passado ainda não existem dados suficientes de julgamento mas, por aquilo que se tem visto nos jogos dos diversos campeonatos europeus - no hemisfério sul só entram em vigor a partir de 1 de janeiro do próximo ano - tudo tem corrido sem queixas ou atrapalhações de maior.
Um das alterações diz respeito - um pouco à semelhança do que já aconteceu, embora com pouca duração, quando se experimentou o inicio de fora de jogo mal a placagem estivesse consumada - à formação do ruck após placagem. Naturalmente que, sem placagem, continua a existir a velha regra de um-contra-um em contacto e com a bola no chão e no meio deles.
A nova lei experimental que vem substituir a anterior sobre o ruck - Lei 16 -  reza assim: 
Um ruck começa quando pelo menos um jogador está em pé e sobre a bola a qual se encontra no chão (placado, placador). Neste momento criam-se as linhas de fora de jogo.  Um jogador de pé pode tentar, com as suas mãos, apanhar a bola desde que o faça imediatamente. Com a chegada de um jogador opositor deixa de se poder usar as mãos. 
De acordo com a normal interpretação - Lei 11.2 Jogador colocado em jogo por acção de um companheiro de equipa - os jogadores que se encontrem em fora-de-jogo após a criação das respectivas linhas e que, paralelas às linhas de ensaio, passam pelo último pé quer do jogador placado, quer do placador, só têm uma possibilidade (Lei 11.2(a)) de deixar de estar em fora-de-jogo: regressarem, sem qualquer tentativa de interferência, obstrução ou avanço sobre a bola ou adversários, ao lado do seu campo e para trás da linha de fora-de-jogo (Lei 16.5); aí chegados podem então participar, de novo e plenamente, nas acções do jogo. E isto é assim porque como define a Lei 16: Quando tem lugar um ruck, o jogo geral termina. O que significa que quando está formado um ruck são as leis deste domínio que comandam a acção, definindo que um jogador deve recuar para trás da linha que passa pelo último pé dos companheiros integrados no ruck, podendo então e através da porta juntar-se-lhe, ligando-se, ou manter-se ao largo. De qualquer outra forma estará fora-de-jogo e sujeito a penalizar a sua equipa com um pontapé de penalidade.
O chefe dos árbitros, Allain Rolland, a explicar as novas Leis
Tudo parecia estar a andar bem. Houve documentos explicativos, árbitros mais conhecedores a demonstrar e foram feitas as decomposições necessárias para que se pudessem perceber as situações críticas que determinam a existência ou não de faltas.
Neste caminho em que tudo parecia percebido e que estava a começar a permitir aos treinadores descobrir e experimentar tácticas adequadas à nova exploração das situações, surgiu - num programa da responsabilidade da World Rugby e emitido muito recentemente pela Sport TV - um filme sobre a placagem e as linhas de fora-de-jogo - que, acrescentando coisas àquelas que se podem ler nos documentos oficiais, veio lançar uma enorme confusão e destruir o trabalho anterior de clarificação. Porque, para além da oficialização World Rugby, tinha como explicador o “chefe mundial” dos árbitros, o irlandês Alain Rolland. Ou seja, uma autoridade inquestionável…
…que, no entanto, cometeu um erro de palmatória!
Nesse filme que pode ser encontrado no Youtube (ver aqui a partir dos 7:32 minutos) o árbitro Allain Rolland ao pretender explicar as acções permitidas e proibidas da nova lei do ruck, ignora a determinação de que, a partir do início de um ruck - Lei 16 repete-se - deixa de se considerar haver jogo geral e resolve puxar da Lei 11.3 - Jogador reposto em-jogo por acção de um adversário para declarar que os jogadores em fora-de-jogo (os jogadores de azul na foto) serão postos em jogo se o adversário portador da bola a passar, pontapear ou correr 5 metros com ela.  
Ou seja: um disparate! Porque, para além do erro metodológico apresentado, não faria qualquer sentido alterar uma lei para garantir a impossibilidade de repetição do comportamento dos italianos - não criar contacto no ruck e, assim, impedir a criação de linhas de fora-de-jogo - no último 6 Nações para permitir o mesmo ou pior - com a interpretação de Rolland qualquer treinador indicaria aos seus jogadores que não se retirassem da posição de fora-de-jogo para esperar uma acção do adversário que os pusesse em jogo e assim lhes desse vantagem de intervenção.
A única coisa desta pedaço da intervenção - que se não for imediatamente anulada pela World Rugby irá criar enormes confusões - é o entendimento que faz sobre a cobertura da bola, obrigando ao avanço de um pé para lá da bola o que garante uma posição mais estável para suportar o embate de qualquer adversário que venha ao contacto e que, julgo, permitirá melhor quer a árbitros, quer a jogadores, uma noção mais exacta do momento de início do ruck. Mas a exigência de voltar a recuar o pé para apanhar a bola não passa de outro disparate - ignorando até o 1º princípio fundamental do jogo de Avançar Sempre!. Este vídeo veio opor à clareza pretendida desta fase do jogo uma enorme confusão - como irão os árbitros por esse mundo fora proceder? Cada um à sua maneira? 
No final de tudo isto o que espanta é a saída certificada de um vídeo com este erro de palmatória. 
Que organização é esta?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

APRENDER NAS DERROTAS

Que se aprende mais com as derrotas é um conceito muito espalhado no meio desportivo. Que, se contextualizado, tem a sua razão de ser - ninguém acha que, para aprender, o melhor é perder... - mas considera-se que a euforia da vitória nem sempre permite analisar convenientemente as fraquezas da equipa. 
Este conceito permite, pelo menos, perceber que, apesar da derrota, existe sempre uma busca de futuro. E que a vida desportiva se baseia numa constante de oportunidades que devem ser aproveitadas - com o necessário treino de melhoria e adaptação.
Sob este ponto de vista, a recente derrota com o Japão deixou-nos factores de aprendizagem que nos devem permitir ampliar conceitos e gestos técnicos ou mesmo modificar hábitos desajustados.
O maior problema da equipa Sub 20 de Portugal esteve na formação-ordenada onde se percebeu não existir a coordenação e domínio técnicos necessários para transformar os oito jogadores numa unidade síncrona e capaz de equilíbrio na disputa da bola. Como parece óbvio, houve uma enorme ignorância - ou mesmo irresponsabilidade - ao não considerar a necessidade de garantir as condições de treino específico de uma componente de jogo complexa, dura e especial - é muito, muito difícil atacar atrás de uma formação-ordenada batida. E o jogo, tratando de marcar ensaios, exige que se garanta a possibilidade de avançar no terreno. 
A lição que daqui se retira é evidente: não é possível menosprezar componentes do jogo e o seu treino específico tem que se considerado sempre que o resultado - como acontece no Desporto - seja o elemento essencial a atingir.
Por outro lado e num ambiente terrível de água e lama, o jogo ao pé teve uma importância decisiva no percurso do jogo - conquistar terreno, afastando-o da área defensiva de ensaio para garantir a cobertura de erros naturais naquele estado de tempo e terreno. E os jogadores portugueses mostraram a sua deficiência neste aspecto quer técnica, quer táctica - deficiências que se notam nos diferentes escalões etários portugueses e que exigirão formas diferentes e mais exigentes de ensino e treino.
Tecnicamente os pontapés não têm a profundidade que deveriam ter - são curtos. E também não têm a direcção necessária, parecendo não resistir á atracção posicional dos defensores - cada pontapé deve criar um problema aos receptores, retirando-os da sua zona de conforto e não facilitando-lhes a vida ao dar-lhes tempo e espaço. Por lado ainda, a altura dos pontapés não era a mais adequada ao tempo necessário á chegada dos perseguidores - e sempre que os japoneses foram pressionados mostraram enormes dificuldades na resolução das situações. E esta incapacidade técnica criou uma incapacidade táctica que facilitou - e porventura entregou - a vitória ao Japão.
 Mas o maior erro táctico - porque se mostrou incapaz de interferir na estratégia - mostrou-se na opção dos pontapés que não tiraram partido nem dos pontos fortes da equipa nem das condições climatéricas. De facto a equipa portuguesa mostrou-se com grande qualidade de conquista nos alinhamentos - foi um dos seus pontos fortes. Nas condições climatéricas que existiam, o objectivo deveria ser - aumentando assim a pressão - o de colocar o jogo o mais próximo possível da linha de ensaio adversário. A conjugação destes dois pontos - aumentar a pressão e vantagem nos alinhamentos - deveria ter conduzido à opção de chutar as bolas para fora, criando um problema de complicada solução para os jogadores japoneses. Nesta situação a entrega do lançamento seria irrelevante e as vantagens valeriam o risco. Ficará a experiência.
As raparigas de Portugal Sub18 a comemorar a vitória sobre os USA
Noutro campo, as raparigas Sub-18 de Portugal foram reconhecidas pela Rugby Europe como "confirmação de um sólido talento" pelo resultado conseguido - 4º lugar - no Women's U18 Sevens European Championship enfatizando a vitória sobre os Estados Unidos - finalista da época anterior - por 7-0. De facto as jogadoras portuguesas, treinadas pelo João Catulo, foram notáveis - principalmente se tivermos em conta o nível do nosso desporto feminino quando comparado com o de outros países adversários. E destes jogos também se podem tirar algumas ilações. A primeira e mais visível será a necessidade de grande melhoria no jogo-ao-pé e a segunda diz respeito à capacidade de passe. 
De facto, não tendo as nossas representantes femininas grande velocidade de deslocamento - basta verificar as marcas dos nossos recordes de velocidade com os outros países adversários - é absolutamente necessário garantir a velocidade e eficácia dos gestos técnicos para poder estabelecer os desequilíbrios necessários. Assim sendo, o passe - rapidez do movimento e da velocidade da bola bem como a direcção e correcta recepção - é factor fundamental para a melhoria competitiva portuguesa (esta situação de melhoria do passe aplica-se a todas as categorias de ambos os géneros).

No caso das raparigas estão lá as características necessárias de atitude, coesão e solidariedade colectivas ou capacidade de luta. Agora é treinar o que deve ser treinado e melhorar as condições competitivas internas...

domingo, 17 de setembro de 2017

57-0 COM 8 ENSAIOS!!!

Porque são os All-Blacks a melhor equipa de rugby do mundo?
Porque têm uma superior cultura do jogo! Sabem, colectivamente, reconhecer as oportunidades e tomar, colectiva e individualmente, as decisões adequadas à situação e são capazes de recorrer, sem atrasos, à ferramenta que melhor soluciona o problema que enfrentam.
Cultura táctica e domínio técnico são as qualidades-chave - aprendidas desde o início da sua formação - que permitem aos neozelandeses desequilibrar qualquer jogo e tirar o máximo partido de erros ou falhas - provocados ou não - do adversário. Altura em que, qual matilha, se lançam sobre a presa mostrando o "instinto de predador" necessário à conquista desportiva.

Nesta "barrela" imposta aos sul-africanos, os All-Blacks ultrapassaram, mais uma vez, as médias de 2010-16 em jogos do 1º escalão reunidas pela The Economist, com 11 rupturas, 550 metros percorridos, perdendo apenas um lançamento nos seus 14 alinhamento, conquistando 5 ao adversário e não perdendo qualquer introdução própria nas 7 formações-ordenadas mas conquistando 4 aos sul-africanos. Demonstrando uma óptima capacidade defensiva de 82% com 102 placagens efectivas, os neozelandeses não sofreram quaisquer pontos - e os sul-africanos apenas se podem queixar de um falhanço brutal do seu chutador no início do jogo... porque quanto ao resto - bolas perdidas ou passes errados - teve na pressão neozelandesa a principal responsável para o que a capacidade física e o nível técnico sul-africano não tiveram solução.
O que é espantoso nestes All-Blacks é a sua preocupação constante e contínua de superação - deles próprios, da sua equipa e do adversário. Nunca abrandam e têm no rolo compressor a melhor imagem da sua acção. Facto que os torna muito difícil de derrotar.
Os seus princípios são simples, são os de sempre: atacar sempre, apoio, continuidade e pressão. E chegam lá considerando que a posse da bola tem um claro objectivo - marcar ensaios! - e um propósito permanente - ultrapassar a linha de vantagem para garantir a superioridade numérica e o aumento do espaço livre de defensores. O que, para além da necessária cultura táctica , exige um desenvolvido treino de passar e receber a bola. Coisa que procuram desde a iniciação 
Dadas as características dos jogadores portugueses há anos que me interrogo do porquê de não recorrermos aos conceitos neozelandeses da iniciação/formação para os adaptarmos ao ensino dos nossos jogadores, deixando de lado a actual escola francesa - que apenas deve voltar à nossa atenção quando houver claro retorno ao french flair - e as formas inglesas que se destinam a jogadores com outro perfil morfológico senão cultural. Procurar imitar os neozelandeses na técnica de passe e recepção, na leitura do jogo ou nas relações colectivas independentemente dos sectores de organização da equipa a que pertencem, poderia fornecer trunfos às equipas portuguesas nas suas disputas com adversários do nível com o qual nos pretendemos confrontar.
Ou seja e como diz Eddie Jones, transformar desvantagens em vantagens.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

FALTA DE RESPEITO E ÓBVIA INCOMPETÊNCIA

RESPEITO é um valor do Desporto, difundido entre adversários e companheiros em cada acção técnico-táctica de confronto ou superação e que faz parte dos valores citados pela World Rugby no seu principal livro sobre o jogo.
Mas RESPEITO foi o que não houve na sequência da decisão tomada ao dar por terminado o jogo da final entre Portugal e o Japão. Não houve RESPEITO pelos jogadores, treinadores e restantes envolvidos directamente no jogo.
E houve falta de RESPEITO, não por o jogomter sido dado por concluído mas porque não foram tomadas as devidas cautelas numa situação climática agreste mas mais do que previsível em tempo útil - no dia 29 de Agosto, dia do Portugal-Uruguai, choveram 23mm de água em Montevideo, no dia da final choveram 24mm... E falta de RESPEITO por negligência, ou seja: ninguém da organização quis saber ou se preocupou com a possibilidade das condições climáticas darem mais cabo do campo do que em tempo seco e continuaram com a marcação seguida de 4 jogos - em Portugal, em 2015, os jogos da última jornada do Trophy foram distribuídos pelo Estádio Universitário e pelo Jamor, não fosse o diabo tecê-las. Em Montevideo o diabo teceu-as... ou seja, a Organização falhou! Porque, incompetente, não previu.
Para maior espanto de tudo isto surgem as declarações do Presidente da World Rugby, Bill Beaumont, que depois de elogiar a vitória do Japão diz que "Trata-se de pouca sorte de Portugal, que jogou muito bem para se qualificar para a final, mas a segurança dos jogadores é prioritária e dadas as circunstâncias a decisão de terminar o jogo foi a mais correcta." para iniciar os agradecimentos à Organização uruguaia. Sobre os erros organizativos verificáveis na última jornada, nada! Sobre a necessidade do estabelecimento de novas regras para evitar um acesso ao mundial U20 Championship sem a totalidade dos jogos cumpridos, moita!
De facto, não estando em causa a decisão de terminar o jogo antes do seu fim regulamentar - se fosse responsável pelo Torneio e perante a visível situação teria ficado pela 1ª parte - mas sim a possibilidade, sem qualquer estranheza, de uma equipa desportiva poder aceder a uma classificação competitivamente superior com violação óbvia do princípio da equidade que rege as competições desportivas. E isto é inadmissível!
Se podemos concordar com o facto de que as condições logísticas dificultavam o reinício ou repetição do jogo no dia seguinte, existem outras soluções que seria obrigação da World Rugby considerar. Como sejam:
1 - se fosse entendido que o jogo deveria ser disputado por jogadores nas mesmas condições etárias que estiveram em vigor neste U20 Trophy 2017: a) Realização do jogo até 31 de Dezembro de 2017 e sob a responsabilidade técnica e económica da World Rugby em:
i) local a designar - campo neutro - a distância equivalente de fusos horários e horas de voo;
ou
ii) local a sortear entre Portugal e Japão.
2 - se fosse considerado que o jogo deveria ser disputado com jogadores que tivessem condições etárias para disputar os campeonatos sub-20 do próximo ano:
a) realização de jogo - com o mesmo tipo de responsabilidades da World Rugby para a equipa que fosse derrotada - de qualificação de acesso no mesmo local mas 5 dias antes do início do U20 Championship 2018 - a equipa qualificada ficaria a disputar o torneio enquanto que a derrotada voltaria a casa.
Como nada disto é complicado, caberia a Beaumont uma palavra de reflexão, não se deixando enrolar nos movimentos da sorte como justificação de um resultado que tem óbvias e importantes consequências. Para que a tristeza dos jogadores portugueses tivesse, pelo menos, a compensação de saberem que a sua situação teria obrigado a alterações para um futuro próximo. Assim... foram apenas e anti-desportivamente prejudicados.
E que organização é esta - para mais elogiada - que coloca o jogo a horas tais que a falta de iluminação capaz não permitiria - fosse qual fosse a forma - o desempate de uma final eventualmente empatada? Apostaram tudo no prognóstico?
Mas, neste imbróglio em que a selecção portuguesa de U20 se viu metida, uma pergunta me assalta desde que percebi a surpresa que a decisão provocou: então os dirigentes não leram o livro do torneio? Não sabiam que era assim? E se sabiam, não tentaram nada junto do Director de Torneio para diminuir os jogos no campo da final? E que o jogo começasse mais cedo?...
... falta de respeito e óbvia incompetência!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

NÃO PERDER, MOSTRAR QUALIDADES...MAS PERDER

Num campo que mais parecia a preparação para uma batalha da Guerra dos Tronos do que um espaço de competição desportiva, Portugal ficou em segundo lugar - que representa o 14º lugar mundial - no World Rugby U20 Trophy 2017. E o que parece uma proeza de vulto é, afinal e por irresponsabilidades, uma oportunidade perdida. Oportunidade de uma vida para a maioria dos jogadores que, por categoria etária, a não vão poder repetir.
Chovia a cântaros, havia lama e água por tudo quando eram lados de meia-dúzia de ilhotas de cor esverdeada e nada estava próprio para realizar uma final possível de ver por toda a parte que se quisesse aproximar de um computador e sintonizar o streaming da World Rugby - com tempo assim, de chuvada a potes, que raio de ideia terá tido a organização para realizar quatro jogos num mesmo terreno? Deixá-lo impraticável?! 
Foi o que aconteceu… e o jogo que se viu foi o de trinta jovens jogadores a tentarem dignificar um momento para o qual se tinham batido durante uma época. Mas de jogo, de rugby, quase nada. E o pior…
…o pior é que o jogo foi dado e bem por terminado - decisão do Director do Torneio a que o árbitro teve de dar cumprimento - face às péssimas condições que o terreno apresentava e que punham em causa a segurança física dos jogadores - já pensaram o que poderia acontecer a um jogador enfiado numa poça de lama e água sob o peso de uma molhada de companheiros e adversários? Já aconteceu e então não houve passagem pelo hospital… 
Jogo terminado antes do tempo - 27’ da 2ª parte com 14-3 favorável aos japoneses— sem se saber qual poderia ser o resultado final. E, assim, com o Japão qualificado para estar presente no Mundial Sub 20 do próximo ano e os portugueses a terem que percorrer de novo o mesmo caminho da qualificação. Não é justo, é devastador… mas é a vida! 
Os jogadores portugueses, seniores sub-20 anos, mostraram-se capazes e representam uma garantia de futuro - desde que haja as responsabilidades necessárias para executar a preparação adequada ao nível de rendimento que estes torneios implicam. Pode até dizer-se que quando se tratou do torneio europeu uma visão mais economicista se poderia justificar - pouco dinheiro, poucas ilusões, pouca preparação - uma vez que não era muito provável que a equipa portuguesa pudesse chegar a qualquer lado. Mas derrotaram a Holanda, a Roménia e a Espanha e, vencendo o torneio, qualificaram-se como representantes europeus para este Mundial B que apuraria o novo 12º contentor para o Mundial do próximo ano. Com esta provas dadas - provas evidentes de categoria - a porca deveria ter torcido o rabo. Por responsabilidade e respeito deveriam ter sido feitos os esforços necessários para garantir a preparação capaz que permitisse que Portugal pudesse disputar o acesso à prova mundial do próximo ano. No entanto nada de positivo foi feito e, na senda de outros desleixos, foi deitada fora mais uma oportunidade de afirmação internacional. 
Porque Portugal, mesmo assim e contando apenas com o esforço, atitude e competência dos seus jogadores e as capacidades e conhecimentos do seu treinador-principal, Luís Pissarra, e do seu adjunto, António Aguilar, mostrou que poderia ter ganho o torneio, qualificando-se para o Mundial do próximo ano! E dentro do campo todos se mostravam crentes - via-se no empenho que punham - na possibilidade de virar o resultado. Mas uma injustiça nunca vem só...
O campo estava impraticável e não era possível jogar um rugby que não dependesse do acidente. Mas mesmo assim os jogadores portugueses, para além de uma notável atitude lutadora - que aliás foi seu apanágio durante todo o torneio - mostraram capacidades técnicas apreciáveis. Foram esplêndidos nos alinhamentos (quem diria?), estiveram bem no ataque à linha defensiva faltando apenas o apoio - o que se consegue com tempo de treino e competição - em linhas de convergência para criar as rupturas que levam aos ensaios - mas com aquele terreno e sem os hábitos, como seriam possíveis? 
Onde as falhas mais se notaram foi no jogo-ao-pé e nas formações ordenadas. Jogo-ao-pé - pecha de sempre do rugby português - que encontrou sempre as mãos de um adversário quando - mais ainda nas condições existentes - deveria ter encontrado espaços livres que atrasassem a resposta adversária - os japoneses tiveram enormes dificuldades sempre que a pressão chegava em tempo. Formações ordenadas que, sufocantes, retiraram a possibilidade de lutar pela vitória - o ensaio que fez a diferença foi de penalidade sobre uma formação-ordenada... E assim aconteceu porque o bloco dos avançados portugueses não mostrou o domínio técnico suficiente para se opor neste tipo de combate. E a pergunta surge com a naturalidade que a sua resposta não atinge: porque não houve possibilidade de treino específico para este importante sector do jogo? Porque não foi acautelado, tratando-se de uma participação internacional deste elevado nível?
E se tivesse havido o cumprimento das responsabilidades para uma preparação adequada quem sabe qual o resultado desta final?
Estar colocado entre as vinte melhores equipas mundiais é estar inserido no Desporto de Alto Rendimento que tem regras próprias de organização, preparação e treino. E que não são as mesmas dos grupos de bons rapazes que usam os jogos para se divertirem e terminar, conjuntamente, a beber uma cervejas. O mundo Alto Rendimento é outro e tem outras exigências.

E uma de duas: ou se pretende estar na sua esfera, cumprindo as regras desportivas e organizacionais que permitem aspirar a resultados exigentes e de categoria internacional sem deixar escapar as oportunidades ou, escolhe-se outra forma de vida e não se pensa mais nisso! Acabando o faz-de-conta!
... ... ...
Tudo somado só um final: parabéns à selecção de Portugal Sub-20 e ao seu corpo técnico. Foram formidáveis - suplantaram de forma notável um desrespeito para terem agora que suplantar um outro - na demonstração de que há um futuro possível para o Rugby português. Desde que surja a mudança que o alinhe pelas exigências do Desporto de Alto Rendimento. 

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