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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EUROPEAN TROPHY: PORTUGAL-POLÓNIA


De acordo com os valores da pontuação do ranking da World Rugby, Portugal vencerá este jogo, em casa e a contar para o Rugby Europe Trophy, contra a Polónia por 16 pontos de jogo de diferença. O que lhe garantirá e se assim for, subir um lugar no ranking, ultrapassando a Alemanha que, apesar de pertencer à divisão superior, irá jogar fora, contra a Roménia e não deverá conseguir pontos positivos.
As vantagens de Portugal para este jogo são óbvias - nos resultados desde 2017 e no mesmo nível competitivo, tem 67% de vitórias contra 33% do seu adversário bem como 57% de quota de pontos marcados no conjunto de marcados e sofridos enquanto a Polónia tem o saldo negativo de apenas 37%.
Não se reconhecendo qualquer qualidade competitiva ao campeonato polaco, os jogadores portugueses não devem ter, técnica ou tacticamente, confronto problemático. E mesmo com uma competição interna que não se situa em plano elevado — como se pode verificar no gráfico abaixo, com dez jornadas completas, apenas três equipas podem ganhar o campeonato — os hábitos competitivos dos portugueses devem chegar para garantir a vitória.
Vitória que o passado das duas equipas determina e por números que não deixam margem para dúvidas sobre a diferença entre elas mas... no último jogo disputado também em casa, Portugal passou dificuldades e apenas venceu por uns acanhados dois pontos de diferença. 

 
Como curiosidade veja-se no gráfico acima a distribuição dos jogadores seleccionados pelos clubes da Divisão de Honra e as pontuações classificativas correspondentes. O maior número de jogadores — 5 —nos 23 que constituem a equipa pertencem a Agronomia e ao CDUL. O “capitão” será o Salvador Vassalo do Cascais.

segunda-feira, 26 de março de 2018

O QUE COMEÇA MAL...


Cumpriu-se a obrigação de ganhar. Foi o que valeu num jogo em que Portugal esteve muito fraco e eliminado da disputa do jogo de barragem até aos 73'. Começando a sofrer um ensaio aos 6' e mostrando debilidades defensivas, a equipa portuguesa começou a fazer-nos temer o pior. O que até não seria de admirar muito se olhássemos para a composição da equipa.
A COESÃO é dado como o factor mais importante para o sucesso de uma equipa em jogos desportivos colectivos. E um dos aspectos mais importantes para construir a coesão é o tempo que os jogadores somam a jogar juntos. E percebe-se esta exigência: só o tempo junto é que permite o mútuo conhecimento, o tipo de reacções, as manias, a forma de jogar, o tipo de passe em cada situação, etc. etc. E, na selecção constituída para este jogo, a linha de três-quartos nunca tinha jogado junta naquela distribuição de posições. E esse acréscimo de dificuldades trazido pela dessincronia entre os diferentes jogadores, causa enormes problemas quer na construção atacante, quer na solidez defensiva. Valeu-nos o facto da Polónia ser uma equipa com a ingenuidade típica da 3ª divisão e não se mostrar capaz de segurar uma vantagem de 10 pontos durante os últimos 30 minutos do jogo.
Na substituição, embora tardia, do médios iniciais com colocação dos dois médios habituais de Agronomia nas posições de construtores do jogo esteve, muito provavelmente, a mudança que possibilitou a chegada à vitória. Porque essa mudança aumentou a coesão da equipa!
E sem uma equipa coesa é sempre demasiado arriscado garantir as vitórias necessárias no nível internacional, onde, por mais desequilibrada que a competição seja - e este Trophy da Rugby Europe é uma prova muito desequilibrada com um Índice de Competitividade muito baixo e onde a quase totalidade dos resultados é previsível - tem sempre um nível superior aos hábitos internos em termos de pressão e de exigências tácticas.  
A selecção portuguesa conseguiu neste jogo o maior número de bolas disponíveis (118) deste campeonato. Mas também conseguiu a percentagem mais baixa de ultrapassagem da Linha de Vantagem de todos os jogos que fez nesta época.
De facto, os jogadores portugueses cometeram uma enormidade de erros - a grande maioria não-forçados - perdendo cerca de uma trintena de bolas, incluindo o desperdício de pontapés em movimento que caíam nas mãos de três-de-trás adversário. Felizmente que os polacos, dividindo assim os erros, também nos entregaram igual quantidade de bolas, nomeadamente em pontapés.
Muito mal se utilizou o jogo-ao-pé... Se com a novas leis do ruck - em que o defensor tem cada vez menos de envolver jogadores - a construção das linhas defensivas está facilitada, o jogo-ao-pé tem de ser cada vez mais utilizado como arma atacante capaz de encontrar espaços livres ou de criar novos. Mas para que assim seja, o jogo-ao-pé atacante tem que ser objectivo e ultrapassar o conceito de alívio, tendo que ser dado com condições efectivas de recuperação da bola - o velho "mostrem-me os números das vossas camisolas" do king Barry John continua a ser uma óptima máxima.
E como não é possível estar em dois sítios ao mesmo tempo, o jogo-ao-pé tem que ter o sentido táctico de saber dividir o três-de-trás adversário, obrigando-o a movimentar o pêndulo em tempo desconfortável - porque imposto - e criar-lhe problemas de decisão na ocupação da melhor posição no campo - se próximo da linha, se em defesa profunda. No entanto e em vez disso o jogo-ao-pé português limitou-se ao despacho e entregou praticamente todas as bolas nas mãos dos defensores, perdendo assim a iniciativa e dando tempo ao adversário. Que, repete-se mostrou a ingenuidade suficiente para não ser capaz de ganhar o jogo que teve na mão.
No que diz respeito ao jogo-de-passes, os jogadores portugueses também cometeram muitos erros, nomeadamente pela má colocação que impedia a entrada no passe ou pela falta de velocidade na recepção - e quando, num ou noutro momento, houve essa velocidade, falhou a sincronização. Valeu a lentidão de reorganização defensiva polaca para que a recuperação, se havia, não fosse eficaz.
E, falando em defesa, os portuguesas não foram suficientemente incisivos nas placagens, deixando-se ficar na comodidade da posição defensiva de "deixar entrar" o portador da bola e dando assim a oportunidade à manutenção da continuidade dos movimentos. E por isso o jogo esteve nas mãos dos polacos...
Agora a questão essencial é esta: como vamos preparar a equipa para o jogo de respescagem contra a Alemanha que só pode ter como objectivo a subida ao Championship da Rugby Europe? Aquilo que mostrámos ser capazes nestes dois últimos jogos contra adversários de fraco nível, não chega para assegurar a vitória - falta-nos intensidade, falta-nos visão táctica, falta-nos verticalidade no jogo. Como vamos fazer?

sexta-feira, 23 de março de 2018

GANHAR NA POLÓNIA É OBRIGATÓRIO


Base: Ranking World Rugby
Apesar de nunca ter ganho na Polónia - como se enfatiza no site da FPR - Portugal tem o dever de ganhar nesta visita. E por duas ordens de razões: a primeira porque a Polónia não é o que já foi; segunda, porque se Portugal quer aproveitar a oportunidade para subir à divisão principal da Rugby Europe e como está com um ponto de atraso em Relação à Holanda que já fez os seus cinco jogos, tem de ganhar - vá lá, a derrota com um ponto de bónus chega, mas ninguém deve jogar com esse objectivo.

Fonte: Rugby Europe
De acordo com o posicionamento e valor pontual do ranking da World Rugby, o resultado normal deste jogo deve ser uma vitória para Portugal por 10 pontos de diferença.
Fonte: Rugby Europe 
A distribuição dos jogadores seleccionados por clubes mostra-se no quadro acima: Direito e CDUL, com 9 jogadores na equipa inicial, dão o maior número de jogadores. Estranhamente corre nas redes sociais que Gonçalo Uva, com a mão partida (!), irá jogar o seu 99º jogo internacional. Espero que se trate de uma brincadeira...

quinta-feira, 15 de março de 2018

TOMEMOS NOTA E PREPAREMOS O JOGO-CHAVE



Só falta uma vitória - em jogo com a Polónia no próximo dia 24 - para que Portugal tenha nova oportunidade de acesso, num jogo que tudo leva a crer seja com a Alemanha, à RE Championship, a 2.ª divisão europeia.
Do recente jogo com a Moldávia resultaram de novo avisos: se queremos garantir a subida - fundamental para aumento da notoriedade da modalidade com o consequente melhor respiro financeiro - teremos que melhorar substancialmente a capacidade e eficácia de jogo da equipa, aumentando a qualidade de uso da bola, garantindo que a continuidade dos movimentos tenha objectivos de conquista territorial que desequilibrem defesas e permitam a marcação de pontos. Aparentemente assim terá acontecido até porque, com a diferença de pontos de jogo conseguida e o correspondente bónus de ranking, subimos um lugar no ranking - de 24º para 23º - da World Rugby. Mas terá sido mesmo assim quando não conseguimos o ponto de bónus ofensivo e que o 4º ensaio - lembre-se que na Rugby Europe o ponto de bónus só é atribuído pela diferença de 3 ensaios - só chegou no último momento do jogo? E para além do mais, sofremos dois ensaios de uma equipa que só tinha, até então, marcado 4 em três jogos. 
Contra o adversário mais fraco do grupo, Portugal não ultrapassou a mediania, perdendo tantas bolas - numa grande maioria de “erros não provocados” - quantas as ultrapassagens da linha de vantagem (30) e, num jogo sem grande intensidade, raríssimas vezes se mostrou capaz de ultrapassar o “de-chão-em-chão” de penetrações curtas, inócuas e de enorme lentidão que permitiram sempre a fácil recuperação de posições pela defesa moldava. Por outro lado e de novo se mostrou a estratégia portuguesa - traduzida quase sempre na mesma forma táctica - incapaz de “encurtar” a linha defensiva adversária, permitindo assim um maior facilidade defensiva.
Dito isto, será bom que não esperemos demasiado dos maus resultados conseguidos pela Alemanha e nos preparemos efectivamente para o jogo mais importante da época e, diria até, do futuro do nosso rugby. Ou seja, pela qualidade do que temos jogado temos que ter a noção clara que o que fazemos não chega. Ou jogámos efectivamente mais ou corremos o risco de deixar o resultado necessário depender da sorte dos deuses. Porque, por pior que possa parecer, a Alemanha tem já épocas de hábitos de jogo a níveis de intensidade superior às exigências dos jogos que Portugal tem efectuado.
No fundo, o que se exige é simples: deitar para trás das costas qualquer vaidade sobre os resultados conseguidos contra equipas de baixa qualidade e preparar efectivamente a equipa para um patamar superior.

Nas 6 Nações a grande surpresa foi a vitória da França e o mau jogo da Inglaterra que se mostrou, mais uma vez, incapaz de se adaptar às circunstâncias, não mostrando qualquer melhoria do “jogo no chão”, fazendo um somatório de faltas injustificável - e os adeptos ingleses perguntam-se onde encontrar um 7 que possa garantir a chegada aos pontos-de-quebra em tempo útil. 
Dois jogos muito bons de ver - Irlanda-Escócia e Gales-Itália - e que mostram a existência de uma melhoria qualitativa do Norte que abre o apetite para o Mundial do Japão Mas principalmente jogos que parecem significar o retorno do rugby de movimento onde a inteligência da manobra suplanta a colisão. 

quinta-feira, 1 de março de 2018

RESULTADOS DO TROPHY E 6 NAÇÕES

PORTUGAL - SUIÇA

O XV de Portugal com o resultado obtido não conseguiu atingir o patamar dos pontos de bónus porque, por um lado, não conseguiu garantir a necessária diferença de 3 ensaios e, por outro, não conseguiu a diferença de pontos de jogo superior a 15 pontos. O posicionamento de ambas as equipas no ranking da World Rugby, mantêm-se e Portugal está em 1º lugar - com mais 5 pontos do que a Holanda que se encontra em 2º lugar - no Rugby Europe Trophy.

6 NAÇÕES - 3ª jornada

A inesperada e surpreendente vitória da Escócia sobre a Inglaterra foi o melhor resultado desta 3ª jornada.
Com dois jogos muito interessantes, o já referido Escócia-Inglaterra e o Irlanda-Gales - Gales num tudo ou nada de último minuto perdeu-se, na procura de um 2x1 ganhador, numa intercepção - o 6 Nações de 2018 joga-se no equilíbrio das 4 equipas britânicas sendo agora a Irlanda a única equipa com possibilidades de conquistar o Grand Slam - o que, se acontecer, garantirá também a conquista da Triple Crown. 
Como curiosidade desta jornada lembre-se que à entrada dos 20 minutos finais do Itália-França o resultado estava em 14-10 favorável aos franceses e que Gales apenas teve 31% de posse de bola e 25% de ocupação territorial mas que lhe serviram, numa bela demonstração de eficácia de uso da bola, para marcar 3 ensaios. 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PREPAREM-SE PORQUE SÓ HÁ UM OBJECTIVO

Portugal-Suíça, bancada, Estádio do Vale da Rosa, Setúbal
Pode um jogo de fraca qualidade como foi este Portugal-Suiça deixar, para além do resultado, algo de positivo? Pode e este jogo vai ter que deixar.
Ganhou-se o jogo por um 31-17 enganador, sem conquista do segundo objectivo que seria o ponto de bónus nem tão-pouco o bónus do ranking por não termos atingido os 15 pontos de diferença. E o resultado é enganador porque, por um lado, a 20' do fim Portugal perdia por 17-13 e, por outro, porque os suíços se mostraram uma equipa sem experiência e capacidade táctica para segurar um resultado que lhes era favorável - chutar aos postes daquela distância contra o vento em vez de manter a pressão sobre o fim de campo português (lembre-se que tinham na formação ordenada uma vantagem), jogar rápida e atrapalhadamente uma penalidade em vez de, aí sim, ir aos postes - dando a sensação que o seu único conhecimento do jogo é passar a bola e fazer fases.
O que, no fundo, é o que Portugal faz: passa a bola, faz fases e mostra-se incapaz de usar a bola com eficácia - o ataque à linha de vantagem é feito à distância, com jogadores parados e deixando adivinhar sem grande trabalho o que se irá passar (local de penetração ou jogo ao largo permitindo a organização eficaz da defesa, facilitada aliás pela demora da disponibilidade da bola, num simples deslizar - Louis Rodrigues foi o único a saber tirar partido desse facto) anulando assim qualquer tentativa de encurtamento da linha de defesa.
Agronomia e CDUL com 4 jogadores e Direito com 3 no XV inicial
Saído de um campeonato pouco competitivo e de muito baixa intensidade com, repete-se, as duas melhores equipas dos últimos anos (CDUL e Direito) em más posições e maus resultados, o conjunto de jogadores portugueses selecionados não consegue ultrapassar um fraco nível exibicional, de pouca eficácia e com vulnerabilidades preocupantes. Em suma: pouco jogo com pouco discernimento.
O jogo português é, de facto, fraco, sem estratégia que se veja e com factores negativos em larga medida. A formação ordenada tem-se mostrado desastrosa, sem técnica colectiva capaz e sem a solidez necessária - e não se pode ganhar jogos a nível mais elevado sem uma FO segura e capaz! O jogo-ao-pé, pesem embora as excelentes qualidades técnicas de Louis Rodrigues, surge sempre sem uma estratégia que estabeleça a vantagem do seu uso - o pontapé mais objectivo do jogou pertenceu, mesmo no seu fecho, ao pilar Hugo Valente que recuperou a bola para marcar o ensaio final depois de um excelente sprint. Nos alinhamentos também não existe a necessária e constante sintonia entre lançador e bloco do saltador - para além, claro, da total falta de variedade, nomeadamente no tempo ou forma da continuidade do jogo. Falando em continuidade, por onde anda essa arma do jogo moderno que se chama terceira-linha? Quem recupera e quem transporta? O tempo de disponibilização da bola no jogo no chão é lento e possibilita a recolocação defensiva - e isto acontece por má técnica corporal dos jogadores na entrada em contacto e na colocação da bola (imitar a entrada em "atrelado" usada pelos irlandeses talvez nos desse uma vantagem significativa...)    
O principal objectivo desta época está em garantir a vitória no jogo de barragem que designará o  país que jogará no próximo Rugby Europe Championship da época 2018-2019. Todas as outras pretensões são evidentemente secundários e esta exige a conquista de mais três vitórias - duas mais do que esperadas contra a Moldávia e Polónia e outra contra o último classificado da série superior. E são para estas três vitórias que devemos preparar a equipa nacional e os seus jogadores. Usando os dois primeiros jogos como testes definitivos: de jogadores e de meios estratégicos e tácticos.
E se os holandeses já nos tinham chamado a atenção - a que parece nada termos ligado - estes suíços vieram dizer-nos claramente: a jogarem assim correm o risco de perderem o jogo que conta.
Quadro da SportTV
Dividindo a posse territorial, Portugal conquistou em fases estáticas 32 bolas de acordo com o quadro acima, no entanto teve 104 bolas disponíveis para ultrapassar apenas 28% das vezes a Linha de Vantagem de que resultaram 10% de (3) ensaios. O que quer dizer que andamos pelo chão vezes sem conta, deixando equilibrar o que anteriormente pretendíamos ter desequilibrado.
O jogo com a Suíça traduziu a menor eficácia dos jogos já realizados
Significa isto, se olharmos para o quadro acima, que batemos contra a parede demasiadas vezes - criando as designadas fases que, fundamentalmente, premeiam defesas - numa demonstração da existente enorme dificuldade para o uso eficaz da bola. E a interrogação pertinente e alicerçada nestes factos é fácil: que modelo de jogo temos? que modelo de jogo pretendemos ter? como vamos atacar a linha de vantagem?
O positivo que este jogo Portugal-Suíça pode deixar é lembrar-nos que existe um objectivo para o qual temos de encontrar uma resposta clara, objectiva e eficaz. Porque a questão central é esta: a jogar assim Portugal não se mostra capaz de garantir a desejada saída da 3ª divisão com subida à 2ª.
Que estratégia existe para a absolutamente necessária e adequada preparação da equipa? como se pensa atingir os níveis cruciais de transformação? Ou seja: como vamos chegar lá?

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

PREVISÕES: PORTUGAL-SUIÇA E 6 NAÇÕES


Portugal tem todas as condições para vencer o jogo de amanhã contra a Suíça. O resultado previsível deve mostrar uma diferença de 16 pontos, ou seja: Portugal tem a obrigação de ganhar, conquistando um ponto de bónus (vitória com diferença de 3 ensaios) e garantindo o bónus do ranking da World Rugby por garantir uma diferença superior a 15 pontos.


Nos 6 Nações as previsões do XV contra XV e da Rugby Vision igualam-se nos vencedores e diferem - como habitualmente por recorrerem a tabelas de pontos de ranking diferentes - no valor da diferença em pontos de jogo.
É claro que e muito embora os valores do ranking dêem a vitória à Irlanda, a vitória de Gales não está posta de lado. Ainda por cima pelo retorno de Dan Biggar que garantirá uma melhor ocupação territorial com a sua capacidade de jogo ao pé e de Leigh Halfpenny que juntamente com Liam Williams garantirão uma superior capacidade de captação das bolas no jogo aéreo que a Irlanda, pelas botas de Conor Murray e Jonathan Sexton, não deixará de tentar. Independentemente do resultado final, um belo jogo em perspectiva quer pelo equilíbrio entre as duas equipas que pelas suas capacidades atacantes.

sábado, 20 de maio de 2017

DIA DECISIVO

Desenho a dedo em iPad
Hoje é o dia decisivo para o rugby português, dia em que se espera que os Lobos se portem como uma alcateia capaz de sobreviver às piores circunstâncias.
Com uma vitória - seja por que números sejam - o rugby português voltará à divisão imediatamente abaixo das 6 Nações e defrontará no próximo ano a Geórgia, a Roménia, a Espanha, a Rússia e a Alemanha, retornando a uma dimensão de jogo que nos pode - saibámos organizarmo-nos de acordo com a exigência competitiva - permitir todos os sonhos, nomeadamente uma presença no caminho para o Mundial (sim, eu sei que graças à habilidade anti-desportiva da RE nós já estamos no caminho mundialista... que, no entanto, se aparenta mais com uma manobra de interesse eleitoralista do que com o objectivo de garantir que serão os melhores que estarão no Japão).
Bem, se ganharmos, o rugby português volta ao seu lugar e com aquilo que se vai procurando de ligação competitiva com os clubes espanhóis - que, aliás, tarda em decisões efectivas - renascem as possibilidades de uma competição interna que prepare os nossos jogadores para a competição internacional.
A análise através dos pontos do ranking da World Rugby mostra que a vitória pertencerá a Portugal por um ponto de diferença - o que é o mesmo que dizer que qualquer resultado será possível.

Para que se perceba a dificuldade do jogo que espera os portugueses é bom lembrar que as actuais pontuações das duas equipas resultam de circunstâncias particulares. Ou seja: a Bélgica, defrontando as equipas mais poderosas do Rugby Championship, só conseguiu derrotas e, naturalmente, só perdeu pontos; Portugal, jogando com as equipas mais fracas que disputam o Trophy, só obteve vitórias e, portanto, somou sempre pontos. O que explica, contando com a vitória de Novembro passado, contra a Bélgica por 26-21 - com os portugueses a não conseguirem quaisquer pontos na 2ªparte... - a diferença existente de 3,68 favorável a Portugal. Mas nada disto, por se basear no circunstancialismo de um ponto fraco do sistema, garante a necessária superioridade. O que significa que, mais do que tudo, seja preciso conquistá-la, deitando fora a nefasta esperança de queda do céu. Será preciso combater por cada bola, por cada centímetro do terreno e dar o corpo ao manifesto sempre que haja companheiros que precisem do mínimo de apoio.
Percebe-se, o jogo não será fácil para as hostes portuguesas. Com o peso ainda agravado de que uma derrota, mantendo a selecção portuguesa num grupo de fraco nível, não permitirá a melhoria competitiva para além de permitir ao futuro adversário de play-off uma adequada preparação. Oque torna o futuro mais sombrio e difícil.
Jogo de tudo ou nada? Quase! Porque as consequências da derrota para o rugby português serão altamente hegativas e exigirão uma reformulação que pode levar um tempo demasiado longo para responder em igualdade de circunstâncias aos adversários que não pararão o seu caminho de desenvolvimento.
E nós sem resultados que nos garantam os fundamentais patrocínios...
Lobos, o jogo de hoje não será fácil, mas como só a vitória nos interessa, espero que a vossa vontade e determinação de continuarem num quadro competitivo que vos aproxima dos melhores e vos permitirá a excelência da vossa superação garantá um final de sorriso e empatia entre vocês, jogadores, e nós, adeptos.
Lobos, entreguem a camisola que envergam numa melhor posição do que aquela em que a receberam!



quinta-feira, 16 de março de 2017

DE OLHOS NO JOGO DECISIVO

Num jogo que não pode - pela diferença notória de capacidades - ser qualificado de competitivo, o XV de Portugal, sem recorrer a qualquer dos seus membros da "armada profissional", venceu a Moldávia por 59-0 com a marcação de 9 ensaios. No entanto e pese a vitória e a diferença "de 15 ou mais pontos de jogo", Portugal não somou quaisquer pontos - porque, jogando em casa, tem uma diferença de dez ou mais pontos de ranking sobre o adversário - e o jogo serviu para pouco.

Dos nove ensaios marcados apenas um - o 3º - mostrou o caminho daquilo que devem ser as preocupações do modelo português: apoio e continuidade em velocidade, ataque aos intervalos, mudanças de ângulos de linhas corridas com passes em carga (off-loads) e rapidez na reciclagem e relançamento. A jogada começou no 1/2 campo de Portugal e teve 3 fases - qualquer delas sem paragem que permitisse a reorganização defensiva - com 3 ultrapassagens da Linha de Vantagem (verticalidade portanto e não jogo lateral) e 12 passes com a particularidade da equipa se encontrar com 14 jogadores. Mas foi a única genuína construção - o restante dos ataques bem sucedidos foram mais por culpas da (des)organização defensiva dos moldavos do que da construção portuguesa - porque, verdade seja dita, a Moldávia - basta saber a forma como constituiu a equipa - não tem qualquer nível competitivo no rugby. E houve ainda muitas falhas - sempre que a necessidade do jogo obrigava a acelerações eram visíveis as dificuldades técnicas de execução ou de abertura de linhas de passe eficazes - e demasiadas penalidades. Ou seja, sempre que se pretendia sair do conforto habitual que nos proporciona o nosso campeonato, havia falhas - como demonstra o facto de, na quantidade de posse da bola, ter havido apenas uma diferença de 10% - Portugal com 55% e a Moldávia com 45%.

Para além de picar o ponto no calendário, o jogo não serviu para mais nada - não por culpa da equipa portuguesa e dos seus jogadores mas porque o adversário a nada obrigou que preparasse a nossa selecção para maiores exigências. E era bom que não fosse assim. Porque desenganem-se aqueles que julgam que estamos a fazer uma época formidável: não estamos! Estamos apenas, se não deixarmos que o fumo da percepção se sobreponha à realidade, a fazer uma época normal plena de resultados esperados - 83%, conquistando, com as 6 vitórias conseguidas, 4 posições e 4,58 pontos de ranking -  com excepção do resultado contra a Bélgica em Novembro que, de acordo com a teoria, terá sido um resultado inesperado uma vez que a obrigação de vitória, por mais elevada pontuação no ranking e na altura, estaria do lado belga.


Mas a vitória tem, para além da pouca coesão mostrada pela equipa belga, uma explicação que retira o inesperado da situação: a Bélgica jogou, nas duas épocas anteriores, nesta mesma III categoria e, por isso, o seu nível estabeleceu-se alinhando por baixo; Portugal chegava com outros hábitos - anos da categoria acima - e outras capacidades. E a diferença foi, inicialmente, evidente, chegando para uma vitória por 26-21 mas com um último quarto de aflitos e sem marcação de pontos na 2ª parte. E a 20 de Maio vai ser diferente: a Bélgica com hábitos mais competitivos (mesmo se só com derrotas) e Portugal com um nível de hábitos mais baixo (mesmo se só com vitórias) e portanto com prováveis maiores dificuldades para suportar o ritmo de um jogo decisivo. O que significa a necessidade de criar condições que permitam uma presença ao mais alto nível das capacidades competitivas do colectivo da selecção portuguesa no provável jogo de barragem em Bruxelas. O que exige atenção e, muito provavelmente, alterações por forma a libertar jogadores das suas obrigações com os clubes.

O australiano Eddie Jones, treinador da Inglaterra, deixa o recado:"Podem jogar rugby pelo clube 365 dias por ano mas o rugby internacional é mais rápido, tem maiores acelerações, a velocidade de corrida é superior e é preciso recorrer a formas diferentes de treino para o rugby internacional". Este conceito, embora dirigido ao nível mais elevado da competição internacional serve, na sua relatividade, para qualquer dos níveis - o nível internacional é sempre superior ao nível competitivo interno. E é por isso que os jogadores portugueses sempre que necessitaram de acelerar cometeram erros técnicos - gestos desadequados - e tácticos - má posição, má linha de corrida ou mau tempo de chegada. E para o modificar é preciso tempo de treino disponível. Para bem do rugby português porque, como afirma o capitão, Seam Armstrong, da selecção alemã: "A única maneira para ter sucesso a curto-prazo [no desenvolvimento da modalidade] é ter uma selecção nacional que empurre e eleve o perfil da modalidade." Ou seja e ao contrário daquilo que o sistema desportivo português procura impôr: que se desenvolva a qualidade primeiro para poder atingir, posteriormente, a quantidade. Como é aliás procedimento normal em qualquer actividade que procura alargar a sua influência.

Agora falta apenas um jogo do grupo contra a Ucrânia que se tem mostrado como a mais fraca das equipas deste grupo - com 20% de quota de pontos marcados e 6 ensaios a favor contra 23 sofridos, contra 40% de quota de pontos marcados e 13 ensaios a favor contra 20 sofridos da Moldávia - e que nos deve preparar para o jogo mais importante da época a 20 de Maio - provavelmente contra a Bélgica a quem não se vê possibilidades de derrotar a Espanha em Madrid e em jogo que deve ser atentamente analisado - e libertarmos-nos de vez desta inacreditável III divisão da Rugby Europe. Porque estar aqui e nestas companhias, não nos serve, nem para o desenvolvimento, nem para aumentar a atractividade do nosso rugby.

Aliás a Rugby Europe tem, forçosamente, de olhar para o estado de não-competitividade destes grupos abaixo do Championship - não têm qualidade e provocam distorções óbvias no sistema de ranking. Não por o método adaptativo do ranking estar errado mas sim porque as competições são, para algumas equipas muito desequilibradas - e não basta a preocupação a exigir a abertura da porta do 6 Nações. É preciso, para que o rugby europeu se desenvolva competitivamente e não através de números de primária caça ao cheque, reformular muita coisa, utilizando leis e conceitos desportivos e não meros passos de marketing - como é possível considerar que uma equipa que, no ano em que se encontra na IV divisão europeia, pode, pelo menos no plano teórico, ter acesso ao Mundial? Só a brincar, só para obrigar a mais um jogo de resultado esperado, só para perder tempo sem ganhos para ninguém! Porque para desenvolver o interesse pelo rugby vale 80 minutos sem continuidade!

Como se pode ver no quadro seguinte, uma equipa como Portugal e na III divisão consegue, com as mesmas 4 vitórias, mais pontos de ranking do que equipas em níveis superiores. E no caso das últimas classificadas, a situação é idêntica: quanto pior o nível maior o número de pontos perdidos. Alguma coisa está mal e, repete-se, não é o método mas o desequilíbrio competitivo.

Ora esta situação e as suas consequências devem ser analisadas e servirem de base para as alterações necessárias, dando aos grupos um superior equilíbrio competitivo com as vantagens do aumento do interesse do público. Como aliás o desporto americano tem demonstrado ao longo dos anos.

Conclusão: O European Trophy é, ao nível do rendimento desportivo, um desastre e não ajuda nem ao desenvolvimento nem à atractividade do rugby português e, pelo contrário, contribuirá, se não lhe fugirmos, para a sua degradação e desinteresse. A ideia do rugby como convívio não é desinteressante desde que, como descobriram todas as principais potências rugbísticas, dentro do campo a qualidade dos jogadores e das suas acções se imponham. Como também se sabe, não há desenvolvimento sem resultados - a qualidade é prioritária sobre a quantidade como resulta da evidência de qualquer sucesso - e assim é necessário que ultrapassemos esta fase tão rápido quanto possível, isto é, que a Selecção de Portugal vença o jogo de barragem do próximo dia 20 de Maio. O que exige que sejam criadas as condições necessárias para que a equipa não perca esta oportunidade de relançamento. Porque o rugby português não resistirá muito tempo à manutenção na III divisão. 


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

DEVER CUMPRIDO

O vinte-e-três de Portugal, utilizando, sobre a maior corpulência dos adversários, a inteligência e capacidade técnica - conhecidas como armas vencedoras desde a vitória de David sobre Golias, fez o que lhe competia: ganhar por mais de 15 pontos de diferença - garantindo assim o máximo coeficiente na pontuação do ranking da World Rugby - e atingir o mínimo de 4 ensaios para garantir 1 ponto de bónus. Dever cumprido!
Com uma diferença de 25 pontos, o resultado de 35-10 ultrapassa o resultado previsto (16 pontos de diferença) e, ao creditar a partilha de pontos marcados em 75%, demonstra de forma indiscutível a superioridade portuguesa.
Ao contrário do que se poderia pensar, os avançados portugueses não tiveram qualquer problema no confronto com os seus adversários directos - nomeadamente nas formações ordenadas ou mauls penetrantes. O facto da Polónia ter a mais o equivalente a um jogador no seu bloco de avançados não lhe deu grande vantagem - apenas conseguiu, na meia-dúzia de tentativas, um ensaio no empurrão da formação com a bola transportada. Com uma falta absoluta de sincronismo, a formação polaca permitiu que a defesa conjunta dos avançados portugueses, numa clara demonstração que a coesão colectiva se sobrepõe à mera força, se superiorizasse na maior parte das situações. Ou seja, aquilo que se poderia temer da maior corpulência polaca não resultou em nenhum particular desgaste português.
Feito o jogo e a vitória com os resultados pretendidos, vale a pena olhar, sem entusiasmos desmedidos, para a produção portuguesa.
Contra uma defesa que não conseguia organizar a sua defesa profunda - não havia linhas defensivas de cobertura - os jogadores portugueses conseguiram encontrar os espaços de penetração que permitiram ultrapassar a linha de vantagem por diversas vezes para além daquelas que permitiram a marcação de 5 ensaios. Mas houve ainda muito desperdício: uns por individualismo escusado; outros por falhas técnicas pouco admissíveis e resultando em erros não forçados demonstrativos de menor consistência. Demonstrando assim a diferença a que ainda se encontra do nível que se pretende atingir.
A regra das coisas é simples: é da responsabilidade do jogador que apoia o portador da bola e enquanto jogador que não pode ser directamente pressionado ou incomodado, criar as melhores condições para a eficácia do passe que liga os dois jogadores. O que exige quer a abertura, através da adequação da velocidade, de uma linha de passe e ainda a aproximação ou distanciamento do portador da bola de acordo como a situação se apresente. Ou seja: as linhas de corrida dos apoiantes devem ser convergentes ou divergentes mas quase nunca paralelas. Ora os jogadores portugueses mostram grandes dificuldades na execução deste simples gesto técnico que depende  muito mais da atitude táctica competitiva do que de alguma especial capacidade técnica. Foram perdidos, para além daqueles desperdiçados por individualismos egoístas e vaidosos, alguns ensaios que construiriam um resultado condizente com o valor demonstrados pelas duas equipas no Jamor. E que colocaria, na relação com os restantes adversários, alguns pontos nos iiis.
A equipa da Polónia foi uma decepção e mostrou-se muito abaixo das capacidades de uma equipa com pretensões. As dificuldades competitivas demonstradas, podendo estar relacionadas com as dificuldades conhecidas para a realização de jogos e treinos, são demasiado visíveis para que possa ultrapassar uma mera vontade sem efeitos práticos. Mas, mesmo que tudo melhore, aquele modelo de jogo alicerçado numa visão sul-africana ultrapassada não os levará a qualquer lado significativo.
Quanto ao "quinze" de Portugal terá ainda, para que possa continuar a perseguir os objectivos a que se propôs, que alterar bastantes conceitos do seu processo. Começando desde logo por um aumento da intensidade dos seus treinos para permitir uma adaptação mais eficaz aos momentos cruciais do jogo e possibilitar o domínio dos tempos de posse de forma a que se traduzam na conquista de terreno e na conquista de terreno contra adversários de uma outra valia. E para que o jogo de continuidade possa ser mais eficaz exige-se uma muito maior velocidade de disponibilização da bola no jogo no chão. Tratando-se de uma manobra que tem que fazer parte do ADN da equipa - a sua corpolência pouco elevada obriga, para garantir a continuidade do movimento, a passar pelo chão em situações de impasse - é necessário garantir, ao contrário do que se passa na maioria dos momentos, que a bola seja disponibilizada ANTES da defesa adversária se recolocar. O que exige uma forma dustinta de encarar o jogo por parte dos médios, esses pautadores dos tempos e ritmos do jogo e responsáveis pela incerteza defensiva adversária.
Por outro lado, o jogo ao pé necessita de ser mais objectivo com propósito ofensivo mais claro para que seja possível transformar situações de jogo, alterando o campo de sujeição para dificuldades ao adversário. E a regra aqui também é simples: fazer funcionar o princípio da manta curta e explorar a área descoberta do adversário - porque uma estará sempre descoberta. O que implica melhorias na capacidade de leitura colectiva e sincronia na perseguição.
Tudo isto porque, de acordo com os resultados, a Holanda - próximo adversário - é superior a esta fraca Polónia.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

PORTUGAL É FAVORITO

Previsão: vitória de Portugal por 16 pontos de diferença

De acordo com o passado de cada equipa - uma, Portugal, vinda do European Championship (II divisão) e outra, Polónia, vinda da III divisão - com posições distintas no ranking da World Rugby - Portugal, 25º classificado e a Polónia no 32º lugar - a selecção portuguesa, para mais jogando em casa, apresenta-se como favorita e a análise da diferença da pontuação no ranking permite prevêr uma vitória por 16 pontos de diferença.
Mas será mesmo assim? Será que a história - onde se baseia a diferença de pontuação entre as duas equipas - irá prevalecer sobre a realidade?
De facto Portugal tem uma vantagem para além do hábito competitivo internacional mais elevado: tem, mesmo que competitivamente desequilibrado, um campeonato que tem tido o seu normal desenrolar enquanto que os polacos têm deparado com mau estado do tempo, o que lhes tem dificultado jogos e treinos. Ou seja, os portugueses têm, de momento, mais hábitos competitivos do que os polacos. E isso pode pesar na eficácia das oportunidades com que se deparem.
Para que possa vencer, a selecção portuguesa necessita de ter a inteligência colectiva para ultrapassar o maior poder, pelo menos estático, que a selecção polaca demonstra - veja-se o quadro do Índice da Compacticidade. Se o equilíbrio na capacidade de choque, vulgo colisões, parece existir no 1/2 campo, já no bloco de avançados a diferença favorável aos polacos parece evidente. Com um cinco-da frente português com menos 54 quilos de peso do que os polacos, a tarefa nas formações ordenadas será exigente e desgastante.
Principalmente se tivermos em atenção que o total do bloco de avançados polaco conta com o peso de mais um homem (92 quilos) - ou seja e simplificando: Portugal jogará um 8 contra 9 em cada formação ordenada. O que para além de constituir um enorme desgaste para os portugueses, poderá ainda e se houver qualquer quebra de concentração, tornar-se num foco de faltas para proveito do bom chutador que Piotrowicz Wojciech é - 17 pontos contra a Ucrânia. Para contrariar esta vantagem não resta mais aos avançados portugueses do que usarem o melhor da sua capacidade técnica com grande concentração colectiva em cada formação ordenada - e nas bolas de introdução portuguesa uma adequada sincronização será meio caminho andado para uma boa utilização da bola.
Analisando a compacticidade - gramas por centímetro da altura, correspondendo à capacidade física e traduzível na capacidade de choque - das duas equipas pode ver-se, para além do equilíbrio dos dois 1/2 campo, que no bloco avançado existem áreas críticas quer na 1ª linha - 316 contra 362 kg para alturas idênticas - quer no 5-de-trás - 508 contra 554 kg - com influência em qualquer maul pós-alinhamento próximo da área de validação portuguesa e a que acrescerá o recurso ao pilar direito de brutais 140 kg. No entanto o facto de Portugal poder contar nas suas fileiras com o mais alto jogador do alinhamento - Gonçalo Uva, 201 centímetros - pode permitir uma atitude pró-activa que contrarie a conquista polaca.
Para ganhar o jogo, Portugal terá de jogar, para além de uma demonstração de coesão e espírito de colectivo de combate - possível com o conhecimento mútuo dos jogadores em campo e por a equipa ser constituída por 11 jogadores que se dividem por duas equipas - com base na evasão, evitando colisões e atacando a linha de vantagem com linhas de corrida capazes de prenderem os defensores adversários e impedi-los de se desdobrarem defensivamente. Para que isto seja possível será necessário garantir muita rapidez - pensando um tempo antes no "o que fazer?" - na libertação da bola nas fases das formações expontâneas de jogo no chão. O que implicará uma predisposição dos médios para fluir o jogo.
Deve no entanto lembrar-se que, tendo ambas as equipas uma vitória no actual Trophy, a equipa polaca apresenta uma percentagem de 100% na partilha de pontos marcados enquanto Portugal atingiu os 76% - no total das três vitórias conseguidas no passado trimestre, a equipa portuguesa apresenta uma partilha de pontos marcados de 61% o que, mostrando dificuldades na tradução em pontos de algumas das vantagens conseguidas, demonstra maiores vulnerabilidades defensivas do que a Polónia. 
Dado o facto das dificuldades polacas para - ao que se sabe de ouvir dizer - garantir um ritmo de jogo adequado à participação internacional, o recurso a uma intensidade elevada por parte dos portugueses - procurando, em termos de resultado, abrigar-nos de difíceis vinte minutos finais - pode ser o trunfo que faça a diferença final num jogo de grande sacrifício individual e colectivo mas que, para as pretensões portuguesas de abrir caminho para o Mundial 2019, só pode terminar em vitória portuguesa.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

ALTO RENDIMENTO

Jogadores do XV da Polónia no hotel, hoje de manhã, antes de irem para o treino

O Desporto de Rendimento exige, sem margem para dúvidas, resultados e não se confunde com a utilização da palavra Desporto noutros campos onde o marketing, por razões de propaganda de interesses económicos ou políticos, impõe os padrões e pretende definir as regras. O Desporto tem regras próprias que exigem acções e comportamentos adequados.
Para que haja resultados é necessário uma articulação complexa mas constante de diversos campos que vão da organização do ambiente onde os atletas se movem até às questões científicas e técnicas que regem a expressão da modalidade.
Com o desenvolvimento global do Rugby, com o aumento das competições internacionais - o verdadeiro motor actual da modalidade - as modificações e consequentes exigências têm sido constantes na procura dos melhores resultados possíveis tendo em vista um permanente objectivo de chegar o mais alto possível.
Quer Portugal - na 25ª posição do ranking da World Rugby e com 56,96 pontos - quer a Polónia - na 32ª posição com 52,04 pontos - encontram-se na 3ª divisão europeia e disputam o Rugby Europe Trophy. Ambos querem um lugar ao sol no final da época que lhes permita sonhar com a hipótese Mundial 2019.
Por todo este aumento do interesse internacional o Rugby, como disse, mudou muito e nada é deixado ao acaso. Portugal e Polónia defrontam-se no próximo sábado e, para preparar o jogo, a equipa polaca chegou ontem à noite, domingo.
Desporto de Rendimento é outra coisa... e tem exigências que não se compadecem com visões românticas. Os polacos mostram já o ter percebido.

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