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sexta-feira, 2 de junho de 2023

COM A MARIA DO MAR TRÊS NOTÁVEIS RÂGUEBISTAS


A Assembleia da República decidiu editar o livro À DESCOBERTA DOS DIREITOS DAS CRIANÇAS da autoria de Odete Severino Soares, Rute Agulhas, Joana Alexandre e com ilustração de Maria João Lopes e onde se conta a história de 6 crianças — são todos menores de 18 anos — dos 11 aos 14 anos e da viagem na sua descoberta dos seus Direitos.
E como uma das personagens é a Maria do Mar, 13 anos, dita A Ponderada porque sempre preocupada em ser justa e em respeitar tudo e todos e que joga râguebi e sonha dar a volta ao mundo como jogadora profissional nada como trazer à apresentação do livro — feita, na Feira do Livro de Lisboa, pelo Deputado Alexandre Quintanilha, Presidente da Comissão de Educação e Ciência —  três jogadoras de râguebi de conhecido currículo — a árbitra internacional da World Rugby Maria Heitor, ex-jogadora internacional e que, como pretende a Maria do Mar, jogou dois anos em França onde foi, para juntar aos títulos portugueses, campeã nacional francesa e as jogadoras Maria Branco e Margarida Cunha (Guigui), ambas campeãs nacionais — para acentuar a presença do râguebi nesta preocupação de defesa da criança e do relembrar dos seus direitos.
Joana Alexandre🖋️Odete Severino Soares🖋️Margarida Cunha (Guigui)🏉Alexandre Quintanilha📃
Maria Heitor🏉Rute Agulhas🖋️Maria Branco🏉

quinta-feira, 14 de junho de 2018

GRANDE CONFIANÇA OU PURO DISPARATE?

Tenho enorme dificuldade em compreender os critérios que usa - quase escrevia, seja para o que fôr - a Rugby Europe. Agora encontram-se no seu site as duas classificações oficiais do 2018 Rugby Europe Championship e da 2019 Rugby World Cup Qualifier.

Na classificação final do 2018 Rugby Europe Championship — tabela verde acima — vemos que estão contabilizados 5 jogos por equipa correspondentes aos jogos efectuados esta época e que estiveram sujeitos às decisões tomadas por um Conselho Independente nomeado pela World Rugby.  Assim o último classificado foi considerado a Roménia que, por este facto, terá que defrontar Portugal no "jogo de barragem" em data ainda indeterminada. Portanto esta classificação serviu para determinar o primeiro classificado, a Geórgia — designada campeã — e o ultimo classificado. Nada tendo a ver, portanto, com o apuramento das equipas para o Mundial do Japão. 

Neste quadro azul, com classificação diferente do quadro verde superior, é que se estabelece a qualificação para o Mundial contando os resultados das duas voltas das épocas de 2016/2017 e 2017/2018, retirados os pontos dos jogos com a Geórgia uma vez que, pela sua prestação competitiva no Mundial de 2015, esta já se encontrava apurada. Retirados os pontos de classificação pelos erros cometidos pelas federações da Roménia, Espanha e Bélgica, verifica-se que a Rússia fica assim com o apuramento garantido e que a Alemanha, conseguindo (!!!) a segunda posição, será o adversário de Portugal no próximo sábado para apurar o adversário de Samoa.
Tudo isto parece certinho e sem problemas... mas como é possível contabilizar duas voltas da competição da Rugby Europe Championship se os componentes deste campeonato podem mudar todos os anos?
E se Portugal tivesse ganho à Bélgica no "jogo de barragem" da época passada como iria saber-se qual seria a sua posição? e se tivesse jogado e ganho à Alemanha como poderia ser apurado — com que pontos? — para continuar a disputar a possibilidade de apuramento para o Mundial.
Por sorte dos deuses deles, Portugal não venceu a Bélgica e as equipas foram, esta época, as mesmas da época passada. 
Não perceberão que não é possível considerar a pontuação de duas épocas quando existe a possibilidade de alteração das equipas em cada época?
Que diabo, não têm dedos nas mãos para contar?... ou são apostadores de grande confiança?
Se a proposta de duas voltas para determinar o apuramento para o Mundial pertenceu — como parece ter pertencido —à World Rugby, como é que a Rugby Europe foi na conversa e não explicou que as suas regras determinam a possibilidade de alterações dos competidores anualmente? Porque as duas classificações, mesmo se os deuses ajudaram, não são possíveis: ou uma ou outra.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

HOFFMAN É CAPA DE LIVRO DE LEIS


Rohan Hoffman, internacional português com 26 internacionalizações de 1996 a 2002 e árbitro internacional pela Federação Portuguesa de Rugby - primeiro jogo em 2008 - e pela Federação Australiana de Rugby tendo Tendo apitado o Super Rugby de 2013 a 2016.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

HISTÓRICA VITÓRIA

Frente ao haka neozelandês o Nº8 irlandês de homenagem a Anthony Foley

A Irlanda, com a formidável e histórica vitória sobre os All Blacks, interrompeu a gloriosa caminhada de 18 vitórias e veio demonstrar a regra universal do Desporto: não há invencíveis ou vencedores antecipados. Nem prognósticos infalíveis, razão natural - uma vantagem mas também um enorme problema - da existência das apostas desportivas.
Num jogo desportivo, tudo pode, da vitória à derrota, acontecer. E a Irlanda veio lembrar-nos esta realidade das coisas. É claro que para que isto seja assim, é necessário que exista equilíbrio competitivo. Ou seja: que as duas equipas adversárias pertençam ao mesmo nível competitivo. Porque se há modalidades desportivas onde um autocarro defensivo pode equilibrar argumentos, no rugby o equilíbro só é possível no confronto directo dos argumentos e, sem eles, não há artifício que valha. Para vencer é preciso jogar - não chega defender e esperar o milagre de um momento. 
A principal curiosidade do encontro de Chicago residia na verificação de como poderia a Irlanda apresentar um nível de coesão colectiva que a pudesse aproximar da equipa neozelandesa que acabava de vencer, com altíssimas demonstrações de eficácia, a Championship. Portanto, de um lado, uma equipa jogada, colectivamente habituada e onde os seus jogadores se conhecem uns aos outros como as suas próprias mãos - repare-se que o processo allblack assenta numa preparação levada a tal ponto que trazem jogadores no grupo (como é o caso do mais novo dos Barrett que não irá jogar nenhum dos jogos) apenas para que se habituem e ganhem a necessária experiência para poderem vir a integrar a equipa - e de outro uma equipa cuja último jogo tinha sido realizado em Junho em digressão à África do Sul. Poderia um jogo assim ter o equilíbrio necessário para que a vitória resultasse da maior coesão e melhor aproveitamento das oportunidades de uma ou outra equipa? Como iria fazer Joe Schmidt para pôr fim a 111 anos (cento e onze!) anos de 27 derrotas e um empate?
O jogo começou com os irlandeses a formarem um oito em frente ao haka allblack numa bonita homenagem a Anthony Foley, treinador do Munster, internacional e capitão da Irlanda, recentee precocemente falecido.
Não deve ser nada fácil jogar com os irlandeses e o seu fighting spirit traduzido num permanente antes quebrar que torcer. E como também são jogadores tecnicamente capazes - o Leinster venceu na época passada o Guiness Pro 12 (campeonato que reune 4 equipas irlandesas, 4 galesas, 2 escocesas e 2 italianas) e encontra-se em 1º lugar esta época - as dificuldades, como aliás já se tinha visto no último jogo entre ambas as equipas, aumentam.
Entrando mais determinados e tirando imediato partido de uma segunda-linha allblack remendada os irlandeses do também neozelandês Schmidt utilizaram e superiorizaram-se naquilo que hoje (Rob Howley dixit: ”A chave de um jogo internacional está, hoje em dia, na precisão do jogo-ao-pé") é um aspecto fundamental para possibilitar o aliviar da pressão das defesas e proporcionar espaços livres. E os irlandeses foram reis, por um lado, na batalha aérea que lhes permitiu garantir uma vantagem territorial de 6% e um constante ataque à linha de vantagem em passes à justa e na cara para marcar 5 ensaios contra 4 dos AllBlacks e, por outro, na placagem com 90% de eficácia nas 112 placagens tentadas. Se a pressão foi uma constante e retirou permanentemente espaço, controlo e tempo aos neozelandeses foi, segundo Schmidt, o carácter, mais do que a coesão, que garantiu a vitória.
Referia-se o treinador irlandês ao facto de não terem podido treinar o tempo necessário. No entanto a coesão irlandesa vem da existência, desde há anos, das suas 4 equipas regionais - Leisnster, Munster, Ulster e Connacht  - que disputam o Guiness Pro 12 e onde se concentram os melhores jogadores que depois irão formar a selecção nacional. Com esta política de concentração os irlandeses, para além de criarem hábitos de jogo a elevado nível, têm ainda a vantagem de muitos dos jogadores estarem habituados a jogar juntos na mesma equipa. Para o jogo com a Nova Zelândia os 23 jogadores seleccionados pertenciam ao Leinster (8 titulares e 5 suplentes), ao Munster (4 titulares), ao Ulster (3 titulares) e ao Connacht (5 suplentes). Tecnicamente preparados, fisicamente capazes e mentalmente adaptados, não terá sido muito difícil - mesmo com o pouco tempo disponível - para Joe Schmidt estabelecer a coesão necessária para garantir as suas capacidades em pleno. 
A vitória da Irlandaé, no fundo, resultado da estratégia federativa posta em campo vai para anos. Com cerca de 7 milhões de habitantes e cerca de 60 mil jogadores que formam 224 clubes que cobrem - demonstração de inegável cultura rugbística - todo o terrritório (República da Irlanda e Irlanda do Norte) de que resultam as 4 equipas regionais  que concentram os melhores jogadores e ainda com aquele que considero o melhor programa de formação de rugby - o Long Term Player Development (e pudemos ver a sua tradução prática no recente jogo contra a selecção portuguesa de Sub18) - a federação irlandesa tem conseguido desenvolver a qualidade do seu rugby e manter-se, com o seu 5º lugar no ranking mundial, como uma das potências mundiais da modalidade. E não há fronteira que o impeça.


terça-feira, 26 de julho de 2016

MAUL


Equipa de Portugal a festejar a conquista do 
título de Campeões da Europa de Futebol 2016 
após vitória sobre a França no Stade de France

MAUL - Lei 17.2 (f) - Um jogador não deve saltar para cima de outros jogadores participantes no maul
SANÇÃO: pontapé de penalidade.

domingo, 13 de março de 2016

SERAFIM MARQUES, o CORDEIRO DO VALE, faz 92 anos

Faz hoje, 13 de Março, 92 anos o Serafim Marques profissionalmente conhecido como Cordeiro do Vale - em homenagem, julgo, a um seu avô que teria usado esse nome nas também lides jornalisticas.
Jornalista do Diário Popular e da secção Desporto da Radio Televisão Portuguesa, Serafim tinha duas enormes paixões desportivas, o Atletismo e o Rugby.
No Rugby é um nome grande quer como membro de clube - iniciou-se em Agronomia mas foi no CDUL, que ajudou a singrar e a fazer o principal clube português - muitos dos dezanove títulos nacionais do clube são do seu tempo - que a sua participação como educador, formador, treinador ou dirigente se reconhece e admira, quer pelo seu papel de divulgador no Diário Popular e na RTP onde espalhou o conhecimento e o interesse pelo jogo nos seus categorizados comentários - diversas vezes ao vivo - no então Torneio das Cinco Nações. Todos os que temos idade para o ter ouvido devemos-lhe muito do conhecimento e amor pela modalidade que possámos ter. 
Conheci o Serafim - sempre o chamámos assim - depois de um jogo entre o CDUP, onde jogava e o CDUL, realizado no então Estádio 28 de Maio em Braga e onde o Xana Pinto Magalhães, então já padre, comentava de magafone na bancada, para ensinar e explicar as Leis do Jogo. Acabado o jogo, onde tive por adversário directo o meu amigo Vasco Lynce, camarada do Colégio Militar e companheiro da equipa de futebol com quem tinha ganho o campeonato lisboeta da Mocidade Portuguesa, veio ter comigo e disse-me: devias vir para o CDUL. Não satisfeito por o ter dito a mim, disse-o também aos meus pais e, um ano depois, estava na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a continuar Arquitectura e a jogar pelo CDUL onde fiz o resto da minha carreira rugbística.
E tive, para além do engº Pinto de Magalhães, o Serafim como treinador. Tinha uma paciência infinita para nos ajudar a trabalhar a técnica individual (é verdade, há mais de quarenta anos já se preocupava com a técnica e o treino individualizado). Comigo, sempre com o seu fato-de-treino azul, gastou horas para que o pé esquerdo se aproximasse da fiabilidade do direito e que a captação da bola no ar fosse garantida - chutava dezenas de bolas para cima de mim até entender que estava melhor do que ao início.
Sabia de Rugby - era adepto do rugby de movimento - e sabia comunicar o seu conhecimento. Passaram-lhe pelas mãos centenas de jogadores e muitos deles chegaram a internacionais. Chegou aos ouvidos de milhares de portugueses que aprenderam a ver Rugby com ele. É uma figura incontornável do CDUL e do Rugby português.

domingo, 3 de janeiro de 2016

A ESCOLHA MUNDIAL 2015 DO MIDOL

O Midol - o conhecido bi-semanário francês dedicado ao rugby e que se chama Midi Olympique  - elegeu o seu XV internacional de 2015.
Sem grande espanto, nove neozelandeses, recentes campeões mundiais, fazem parte da escolha. Surpresas serão - melhor dizendo: pouco habitual nas escolhas internacionais - o ponta argentino Santiago Cordero (já menos surpreendente o pilar, também argentino, Marcos Ayerza) e o talonador Shota Horie da equipa formidável do Mundial, o Japão. Com alguma surpresa pode falar-se também da escolha do "jovem" em terreno de veteranos, o sul-africano, o base de 23 anos Lood de Jager.

O XV MUNDIAL DE 2015 de acordo com a escolha MIDOL
E como não foi escolhido qualquer jogador europeu para esta equipa, seria interessante - num qualquer aniversário - organizar um jogo entre esta equipa e uma selecção europeia. 
Para além desta escolha a equipa do Midol escolheu os seis melhores jogos do ano de 2015. Para ver e revêr... e aprender.
Os melhores seis jogos de 2015 segundo o MIDOL

sábado, 27 de junho de 2015

PASSARAM JÁ 20 ANOS...








... e o rugby ajudou à mudança.

domingo, 10 de maio de 2015

A HOMENAGEM

Forever England by Shane Record, 2015


A Englands Rugby Comission encomendou ao pintor Shane Record o retrato dos internacionais ingleses que lutaram na I Guerra Mundial num quadro de 300x270 cm que tem por título Forever England, escolhido pelo pintor que o retirou do poema 'The Soldier' de Rupert Brooke e será pendurado em local proeminente do West Stand de Twickenham.
O quadro, a óleo, retrata a equipa inglesa de 1914 e lembra os seis internacionais que morreram na guerra pelo fundo cinzento onde o símbolo da rosa é colocado. Como era usado na época e os Barbarians mantêm como tradição, cada jogador tem as meias com as cores do seu clube.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

HÁ 40 ANOS

Não fosse lembrar-me que o meu amigo Dario gostava de bares e não se faria rogado a telefonar-me a "dar parabéns" a altas horas e teria, com aquele telefonema das 4 da manhã - hora a que nasci -, apanhado um enorme susto. Do outro lado da linha a voz suave e serena da minha amiga Maria João: "É agora! Liga o Rádio Clube! De que lado?", perguntei receoso de alguma aposta desesperada que, depois do 16 de Março, os duros do regime procurassem. "São dos nossos! passa palavra!"
Passei e entre saídas à proximidade do Rádio Clube Português a ver os soldados armados a perceber que estava dominado pelos revoltosos e as notícias da rádio e da televisão até ouvir: aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, preparei-me para ir até ao Carmo onde assisti ao que foi importante - a saraivada de balas no muro do quartel e a saída dos governantes depostos com as mais variadas peripécias pelo meio. Uma festa! A terminar e com os amigos de sempre e a horas mais de jantar do que outra coisa, acabámos na tasca do Galego a deitar abaixo um branco de estalo que o homem lá tinha numa comemoração única de aniversário. Que dia! 
No dia seguinte, o caminho indicava Caxias na exigência da libertação dos presos políticos.
Tínhamos jogo, a 27 de Abril e em Praga, contra a então Checoslováquia. Como se imaginará naquele início de malta na rua, numa anarqueirada louca, linda de morrer, naquela forma de ser, por dias, poder absoluto à moda de cada um, nunca mais me lembrei que havia jogo da Selecção com uma viagem pelo meio. Numa das passagens por casa - não havia telemóveis - um recado: não há jogo! o aeroporto está fechado.
Pronto, resolvido! o mundo estava na rua e abre-se na nossa frente! Mas guardei a camisola com o número 9 - é verdade, iria jogar a médio-de-formação - e ainda hoje a tenho na gaveta das memórias.
O CDUL, onde jogava e era capitão, não tinha um formação disponível e eu tive, capitão obriga, que ocupar o lugar. Treinei o suficiente e não me saí mal - fomos campeões nacionais e fui convocado para jogar, nessa posição, na selecção nacional. Por não ser esta a minha posição habitual e também pelas razões da sua não utilização, esta camisola 9 tem um valor especial. Está guardada e lembrar-me-á, para sempre, os momentos épicos e generosos do 25 de Abril.
Também não imaginei que esse inexistente Checoslováquia-Portugal seria - embora ainda tivesse sido convocado e nomeado capitão de equipa para a digressão a Inglaterra que uma lesão, num último treino, impediu - a minha última possibilidade de internacionalização. E foi assim porque surgiu a ignorância de uns mandantes federativos que, limitados à visão dos que, não conseguindo entender e resolver o presente, se refugiam nas fábulas do futuro, resolveram inventar: terminaram com a participação internacional sénior. Levamos, ao contrário do que acontecia  então nas mais diversas actividades do país, cinco anos a voltar à cena internacional sénior. E sete às competições da FIRA.
Ficou-me a camisola 9...


sexta-feira, 21 de março de 2014

CARLOS NOBRE (1940-2014)

A convite do Carlos Nobre a jogar pelo Benfica e na Luz contra equipa inglesa

Quando joguei, pelo CDUP, pela primeira vez contra o SL Benfica - a memória aponta-me o então Estádio Nacional - o Carlos Nobre já lá estava. Quando joguei pela primeira vez pela Selecção Nacional - no Barreiro, contra a Espanha em 1969 - também já lá estava.
Jogamos, um contra o outro e pelas nossas equipas, diversas vezes - fomos até adversários directamente próximos: ele e eu a médios-de-formação. E uma e outra vez até jogámos juntos pelo Benfica - eu como convidado (dele, claro). No rugby português, o Carlos Nobre é uma das suas figuras incontornáveis. O seu falecimento só nos torna mais pobres e mais fracos.
Foi sempre um membro destacado do rugby nacional, internacional por 21 vezes, lutador, consistente, duro, correcto e sempre leal, foi jogador de talento para qualquer posição - onde fosse preciso lá estava -  mas, principalmente e pelo amor à camisola, um destacadíssimo membro do rugby do Sport Lisboa e Benfica. Que aliás, muito lhe deve - dizer que às vezes andou com a casa às costas, não deve ser exagero.
Gostava tanto do Benfica e tanto de ganhar que um dia, treinava eu o Dramático de Cascais - num jogo decisivo para o título nacional e que se disputava na Luz - fui surpreendido pelo encurtamento da largura do campo: era bom de ver, a superioridade do Benfica estava no pack avançado, a nossa, nas linhas atrasadas, na sua velocidade e capacidade de envolvimento, nada como encurtar a largura do campo e obrigar ao confronto, à colisão e evitar a evasão. Ao chegar, fiquei siderado com a manobra táctica - como era possível?! No final do jogo, a vitória pendeu para o Cascais... Ficámos, como sempre, bons amigos. Quando lhe falava nisso, ria-se num quase comprometimento infantil.  
O prazer do Rugby ligou-nos sempre.
Até sempre, meu caro Carlos Nobre.

quarta-feira, 19 de março de 2014

VALDEMAR LUCAS CAETANO (1931/1997)

Quando voltei ao Porto, em 1965, tinha acabado de sair do Colégio Militar onde tinha sido capitão da equipa de futebol e tínhamos vencido o campeonato da Mocidade Portuguesa. Naturalmente que fui jogar futebol, entrei no Incana equipa que jogava o campeonato de amadores do Porto. E todos os sábados da época tínhamos jogo pelos campos pelados da cidade, contra equipas de bairros ou de sítios. 
Os meus amigos com quem me encontrava no Orfeu desafiaram-me: o rugby é que era, tens que experimentar. Jogavam no CDUP, fui com eles ao Oporto Cricket & Lawn Tennis Club para um treino. Explicaram-me: a bola passa-se para trás, pode-se agarrar e derrubar o portador da bola e... desenrasca-te! Durante meses joguei futebol ao sábado e rugby ao domingo.

O quinze do CDUP  de Valdemar Caetano (gabardina branca)
O meu primeiro treinador foi Valdemar Caetano. Com ele aprendi as regras, as estratégias, as tácticas do jogo. E, principalmente, aprendi o espírito do jogo, os valores, a ética. E aprendi, sob a sua discreta vigilância e notável capacidade de delegar caminhos de descoberta, a construção de uma equipa com a solidariedade das normas e respeito pelos mais velhos simbolizado nos lugares fixos do balneário ou do autocarro. E fizemos uma grande equipa, sempre lutadora até ao limite da imposição adversária, com jogos memoráveis no velho Estádio do Lima contra a Académica, F.C. do Porto ou Regentes de Coimbra para terminar, quando os resultados deixavam, em jogos contra os de Lisboa depois de viagens intermináveis.
Com Valdemar Caetano, antigo jogador e nosso treinador, aprendi o suficiente do jogo para ficar dentro dele até hoje.

19 de Março 2014
(Texto escrito a-propósito de um desafio 
da P3/Râguebi/Público/Alexandra Couto 
sobre "Um pai para o rugby")

quinta-feira, 2 de maio de 2013

DE ESTACA!

Esta fotografia, tirada de uma qualquer gaveta,  retrata a Selecção Nacional - de que eu era responsável com a ajuda e apoio do Raul Patrício e António Coelho - que em Abril de 1998 venceu, no Estádio Universitário de Lisboa, a Alemanha por 32-6.



Esta Selecção Nacional tem uma particularidade curiosa: a maior parte destes internacionais (treze sendo onze teinadores) continuam activamente e com responsabilidades ligados ao Rugby. São eles:

Na primeira linha:
- Rui Barata, comentador televisivo de Rugby
- João Pedro Varela, treinador do CDUP seniores e da Selecção Nacional de Sub-16
- Rohan Hoffman, árbitro do quadro do Super 15
- Nuno Mourão, treinador do CDUL Sub-18
- Luis Pissarra (Lois), treinador de Agronomia e das Selecções Nacionais Universitária e Sub-19 de Sevens
- Francisco Rocha
- Salvador Ferreira do Amaral, treinador do CDUL seniores
- Sérgio Azevedo
- Ricardo Nunes, vice-presidente da Federação Portuguesa de Rugby
- Gonçalo Neto (Gato), treinador da Selecção Nacional de Sub-16

Na segunda fila:
- Joaquim Ferreira (Xixa), treinador do CDUP seniores
- Paulo Silva, treinador do CDUL Sub-18
- Paulo Marques
- Pedro Rogério
- Manuel Sommer Ribeiro (Manu), treinador do CDUL seniores
- Pedro Melo e Castro, antigo treinador do CDUL e membro actual da Comissão de Arbitragem
- Rui Chança
- Marcelo d'Orey, treinador do CDUP seniores
- Diogo Amorim

Pode dizer-se: pegaram de estaca!

sábado, 23 de março de 2013

CARVALHO: UM AMIGO (194../2013)

Morreu o Manuel Carvalho, enfermeiro/fisioterapeuta e meu parceiro da equipa que, com o Raul Patrício, constituímos no Dramático de Cascais e, com outros como o António Coelho, o Caleia, o Fritz, o Granate e o Graça Gordo constituímos em alturas da Selecção Nacional. Era uma pessoa muito particular, profissional de excelência ajudava qualquer um sem ver a cor da camisola - larga o gajo, vem-te embora, gritava o Nicha; e para nós: ando eu a pagar as pomadas e as ligaduras e o gajo a gastá-las no adversário... Mas gostava dos nossos como de mais ninguém... a festa que fazia por cada vitória, a confiança que no balneário distribuía pelos que sabia estarem mais impressionados, era uma mais-valia para a coesão e eficácia da equipa. Era o amor ao Dramático, o amor aos seus meninos, a falar. A fazer crescer as capacidades de cada um.

Era uma jóia de um tipo, em quem se podia confiar sem hesitações. Sempre presente, sempre atento. Conhecedor das capacidades do corpo e do espírito sabia avisar-nos quando percebia algo a correr mal em alguém. Era, conforme os momentos, um pai, um irmão, um amigo dos jogadores que não receavam contar-lhe receios, dúvidas, preocupações - para todos eles tinha uma palavra que os fazia sair das salas de fisioterapia, quase sempre improvisadas, muito melhor do que tinham entrado. Mais capazes, mais libertos, mais decididos.

Excelente contador de estórias, vernáculo na expressão, era a memória viva dos tempos que passamos desportivamente juntos. Só conseguiu fazer amigos, dizia-se hoje no cemitério.

Apesar de ter dado o melhor do seu tempo às variadas modalidades do Dramático encontrou no Rugby - ouso dizê-lo - a sua âncora preferida. Os títulos que então conseguimos - jogadores e equipa de treinadores - têm uma parte sua. Uma parte importante.

O Manuel Carvalho é um amigo. A sua partida é uma perda grande: para o nós, para o Dramático, para o Rugby. Honremos-lhe a memória.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

LEMBRANÇAS DO BERNARDO

Hoje, num almoço no Estádio Universitário - restaurante do Pedro Cabral - entreguei à Teresa a Medalha de Serviços Distintos da Federação Portuguesa de Rugby que recebi em nome do Bernardo Marques Pinto. Num espaço de amizade, os momentos passados tiveram o rugby como ponto notável e o Bernardo tornado vivo nas memórias de cada um dos seus amigos presentes.

Boas estórias, boas lembranças, desde a batalha pelo retorno da Taça Ibérica - lembrado pelo Carlos Moita ligando a vontade do Bernardo ao que o Lourenço conseguiu fazer realizar esta época - até à última formação ordenada contra o Belenenses quando o CDUL ganhou o campeonato antes do interregno de mais de vinte anos e só interrompido na época passada com a conquista do 18º campeonato e que o Frederico Valsassina lembrou: "Faltavam dois ou três minutos para acabar o jogo que tinha sido muito duro e o Bernardo dá a ordem para mim e para o Macieira: não é agora que nos vamos abaixo! Não fomos, cumprimos e ganhamos. Era assim o Bernardo, a liderar mesmo quando estavamos todos no limite".

O Quim Pereira lembrou a sua personalidade capaz e cativante, eu lembrei as muitas vivências rugbísticas que tive com ele na consolidação de uma amizade que ainda hoje perdura, o Lourenço falou, com grande emoção, do seu padrinho de casamento. Do almoço - agradável, excelente convívio da veterania - uma certeza: cada um de nós guarda do Bernardo uma lembrança muito viva. E todos gostamos de falar dele.

Foi um agradável almoço.

sábado, 22 de dezembro de 2012

RECORDAÇÕES

Foi muito agradável para mim ver que Vasco Lynce, Bernardo Marques Pinto - foi um momento particularmente significativo poder receber a sua medalha - e José Carlos Pires, três grandes capitães de selecções nacionais pelas quais fui responsável, foram também agraciados pela Federação Portuguesa de Rugby na I Cerimónia de Entrega de Prémios com medalhas demonstrativas do seu reconhecimento pela marca que deixaram e pelo seu contributo para o desenvolvimento do rugby português.


E gostei também de ver outros jogadores agraciados e que também pertenceram a selecções que treinei como o Faustino Pires, o Dídio Aguiar, o Manuel Costa, o António da Cunha, o Joaquim Ferreira (Xixa), o Tomaz Morais, o Luís Pissarra (Lóis), o Miguel Portela, o Carlos Jorge Reis (Cájó), o João Queimado, o Rohan Hoffman - todos jogadores que, em tempos muito diferentes dos actuais, prestaram grandes serviços à Selecção Nacional - e companheiros de equipa como Raul Martins - e meu capitão de equipa na selecção - António Cabral Fernandes, César Pegado, Carlos Nobre, Arnaldo Neto, João Pedro Pinto de Sousa, Manuel Saraiva e, claro, essa figura legendária do rugby português que é o Quim Pereira com quem joguei, por quem fui treinado e a quem treinei, num raríssimo caso de longevidade. Um grupo notável!

Estes momentos de reencontro com a memória trazem-nos recordações formidáveis, fazendo esquecer as dificuldades dos esforços ou de momentos menos bons e dão-nos a certeza das enormes vantagens, qualidades e solidariedades da vida desportiva.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MEDALHA DE SERVIÇOS DISTINTOS

No mesmo dia 15 de Dezembro em que apadrinhei a equipa feminina de rugby de Sport Clube do Porto, recebi da Federação Portuguesa de Rugby a Medalha de Serviços Distintos. Aproveitei o momento para lembrar e agradecer a pessoas que foram importantes na minha carreira de jogador e treinador. Disse assim:


"Uma carreira não se faz sózinho, faz-se com o apoio de muita gente. E eu tenho muitas pessoas a quem agradecer. Começo por aqueles que foram meus treinadores:

VALDEMAR LUCAS CAETANO
VASCO PINTO DE MAGALHÃES
SERAFIM MARQUES
LUÍS MIRAMOM
PEDRO CABRITA
JOAQUIM PEREIRA, um caso notável
de longevidade desportiva activa: foi meu treinador no CDUL e a quem treinei depois na selecção nacional.
[e que me dizia depois da cerimónia: podias ter contado que me disseste "preciso de ti, da tua experiência, para o jogo com a Espanha; no jogo seguinte, o teu lugar será ocupado por um dos jovens pilares". Se não fosse assim, se não me dissesses que era o meu último jogo internacional, ainda lá estava hoje" e riu-se numa boa gargalhada.]

Agradeço a todos os jogadores, meus companheiros de equipa no CDUP, no CDUL e na Selecção, com quem joguei.
Agradeço a todos os jogadores que tive oportunidade de treinar no GD Direito, no Dramático de Cascais, no CDUL e nas selecções nacionais de juniores e seniores.

Agradeço também aos treinadores com quem colaborei e que comigo colaboraram:

PEDRO LYNCE de quem fui treinador-adjunto
OLGÁRIO BORGES meu companheiro na construção dos Garraios
VASCO LYNCE
BERNARDO MARQUES PINTO
LUÍS BESSA
RAUL PATRÍCIO
ANTÓNIO COELHO

Agradeço também aos dirigentes que me acompanharam nas equipas que treinei:

MIGUEL FERREIRA
ANTÓNIO TRINDADE
DUARTE LEAL
ALBANO RODRIGUES
JOÃO ATAÍDE
NICHA VILAR GOMES
RAÚL MARTINS
ARMANDO FERNANDES
ANTÓNIO FAÍM
JOÃO MEGRE

E agradeço ainda aos colaboradores muito próximos:

DÍDIO AGUIAR
PEDRO GRANATE
HENRIQUE CALEIA RODRIGUES
GRAÇA GORDO
MANUEL CARVALHO
MÁRIO FERREIRA, o FRITZ
e FERNANDA ASSIS.

Esta medalha que recebi e que muito me honra tem partes de cada um de vocês. Muito obrigado a todos."





sábado, 13 de outubro de 2012

O RETORNO DE UM HISTÓRICO

O Sporting Clube de Portugal voltou ao rugby. Hoje, 13 de Outubro e 48 anos depois de um último jogo na final da Taça de Portugal de 1964 contra o Belenenses, o XV do Sporting apresentou-se, no campo 2 do Estádio Universitário de Lisboa, para disputar, contra o Técnico B, o jogo da primeira jornada do campeonato da II divisão que venceu, marcando o seu primeiro ensaio aos 35 minutos (13:05 horas) da 1ª parte.

Este retorno do Sporting é bom - por razões tão óbvias que me dispenso de as referir - para o rugby português. O voto aqui fica: que possa corresponder às expectativas que a sua presença provoca.



domingo, 1 de julho de 2012

LUIS CALDAS UM NOME DO DESPORTO PORTUGUÊS

Luis Caldas fez nome no Desporto português. Esteve por quatro vezes em Jogos Olímpicos: primeiro como atleta em 1960 - em Roma e onde obteve o 21º lugar - e mais tarde como árbitro e como dirigente. Sempre com a sua modalidade de Luta. Em 1976, em Montreal, foi Chefe de Missão. Também jogou rugby e foi internacional, contra a Espanha em 1954 e no terceiro jogo internacional de Portugal. Foi um pioneiro e um apaixonado da modalidade.

Encontrávamo-nos muitas vezes e a conversa passeava entre o Desporto em geral e a particularidade do Rugby. Ainda recentemente e enquanto ocupei o cargo de vice-presidente do ex-Instituto do Desporto de Portugal, sempre que nos encontrávamos - o café era comum - a sua curiosidade sobre as questões relacionadas com o Desporto português mantinha o tempo de interessantes conversas. Mantinha-se atento, interessado e participante com as suas opiniões. Os valores do Desporto marcavam-lhe a vida.

Para além de nos encontrarmos em diversos momentos do Desporto nacional, estive com ele em diversos momentos rugbísticos, desde o Uruguai nos primórdios da nossa globalização e na tentativa de encontrar forma de apuramento para o Mundial de 1999, passando por encontros em Paris a caminho - ele era um habitué - de jogos das Cinco Nações - daí veio um autorizado tratamento particular em homenagem ao à-vontade parisiense: M'ssiê Caldásse - até aos jogos caseiros onde trocávamos opiniões técnico-tácticas como gostávamos de dizer. Gostei sempre dele e também pude saber que gostava de mim - éramos amigos. Dávamo-nos bem.

É por isso, com profundo pesar que sei do seu falecimento. À sua família, aos seus amigos, os meus respeitos. E a certeza que a sua experiência e conhecimentos desportivos nos farão falta e darão saudades.


sábado, 30 de junho de 2012

MORREU O ZÉ VARANDAS

Morreu o Zé Varandas, foi assim que recebi, num sms do amigo comum Cesár Pegado, a brutal notícia.

Jogamos um contra o outro diversas vezes. Algumas, no mesmo canal. Demo-nos sempre bem, muito bem mesmo. Apesar da vida nos manter em sítios diferentes - como quando jogávamos - mantínhamos uma boa amizade. As recordações comuns faziam do tempo um intervalo curto. Tinha sido sempre anteontem.

O Varandas era tremendo dentro da campo, era capaz de meter a cabeça onde outros tinham dificuldades em meter os pés e tinha da placagem um conceito de colisão - exigia uma atenção absoluta. E como não se importava nada de placar já fora de tempo (sem exageros mas já depois da bola ir no ar e como aviso - bom truque - para que não jogassemos demasiado em cima da linha defensiva) era preciso uma atenção constante. Redobrada mesmo para evitar colisões de cortar a respiração.

Um dia - lembro-me tão bem - num qualquer jogo para o Nacional, em Coimbra e no secundário do Universitário, eu, pelo CDUL, atacava e ele, pela Académica, defendia. Eu tentava fixar a defesa, procurando passar tão tarde quanto possível e ele, lançado, já filado, queria fazer-me pagar a ousadia numa placagem que daria gargalhadas mais tarde, à volta de uma cerveja. Soltei a bola e, naturalmente e a defender-me, deixei o cotovelo; a cabeça dele bateu-lhe em cheio. Ficou meio sentado, meio deitado, com as mãos a esfregar a cabeça. Então, menino? Que te aconteceu? perguntei-lhe quando me aproximei. ****-se, partiste-me a cabeça... respondeu a olhar-me com o sorriso traquina habitual.

Era um duro mas leal, solidário e amigo. Um jogador de Rugby. Foi sempre bom conviver com ele, foi sempre altura de boas gargalhadas. Guardá-lo-ei no lado bom da minha memória.


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