terça-feira, 31 de maio de 2011

WHAT A SCORE!

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England-Barbarians, Maio 2011, Twickenham

Procura do espaço livre, linhas de corrida de chamariz, mudança de ângulos, apoio, passes heterodoxos (off-loads), cultura táctica:

ensaio!Great Stuff! Brilliant! What a Score!*
* homenagem a Cliff Morgan, voz do ensaio de sempre do Barbarians-All Blacks de 1973 ver aqui

domingo, 29 de maio de 2011

A EUROPA A JOGAR, NÓS A VER

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            Ça c'est du Rugby! Primeiro ensaio do Toulouse

Fim-de-semana europeu de grandes jogos de rugby. Em França na sexta-feira, o Toulouse classificou-se para a final ao vencer sem margem para dúvidas o Clermont Auvergne, campeão da época passada, por 29-6; ontem, o Montpellier conseguiu uma vitória de rés-vés - um ponto conseguido de penalidade no minuto final e quando os parisiences do Racing já se viam na final após uma excelente recuperação feita a partir de dois erros infantis - um pontapé sem sentido de Matadigo (que permitiu o contra para o ensaio de Bobo) e o disparate do amarelo de Trinh-Duc (que reduziu a equipa a catorze numa altura crucial do jogo). Com estas duas vitórias teremos uma final do Campeonato de França de movimento contra movimento - característica essencial do jogo de ambas as equipas, ambas terríveis na utilização de bolas recuperadas e, porque não mostram receios de correr riscos, em lançamentos de ataques de qualquer parte do terreno. Expectativas excelentes, portanto.

Em Inglaterra, os Sarracenos vencem o campeonato pela primeira vez na sua história - derrotando o Leicester Tigers por 22-18 - depois de terem suportado minutos finais de uma sequência de 32 fases. Um sufoco para adeptos, um regalo para os olhos.

Na Magners Ligue, a liga céltica de irlandeses, galeses e escoceses, os vermelhos do Munster venceram os recentes campeões europeus do Leinster por 19-9 num jogo de grande intensidade e qualidade - mais do que se viu em França, o ataque aos intervalos, a conquista da linha de vantagem foi uma permanência conseguida pela notável velocidade de libertação da bola no jogo no chão e pelo jogo lançado dos três-quartos. Não estando muito distantes das melhores equipas australianas e neozelandesas, os irlandeses parecem preparar-se para ter uma palavra a dizer no Mundial.

A Europa, no final de Maio, fecha a época rugbística dos seus campeonatos internos para começar a pensar na preparação das suas selecções. Portugal fechou as portas em Janeiro...  

sábado, 28 de maio de 2011

40 ANOS DEPOIS

Há quarenta anos atrás, no princípio de Janeiro e jogando já no CDUL, fui convidado pelos meus amigos do CDUP – clube onde tinha jogado a aventura inicial – para partir com eles numa digressão a França e Itália. Saímos do Porto em carros – cinco? seis? – e arrancamos península fora. Primeira dormida por terras de Espanha. O meu irmão Luís ia com a filada de comprar umas botas de rugby – por cá não havia nada capaz – e foi trocar dinheiro (não havia euros…). No quarto, dou com ele aos gritos: estou rico! estou rico! O simpático trocador tinha feito mal as contas e tinha-lhe dado zeros a mais. De manhã com o rato a roer a consciência foi lá, para espanto geral, entregar-lhes o pesetame sobrante.

Horas depois de aperto de carro, chegámos a Narbonne onde pontificavam rugbisticamente os enormes irmãos Spanghero. O nosso adversário era o Cuxanaise, equipa das divisões regionais onde jogava o internacional francês Quillis que tinha sido, por razões ideológico-partidárias, afastado da selecção. Levamos um banho de jogo – não fazíamos ideia que o jogo podia ser tão rápido – e perdemos por 28-0.

Com passagem por Nice – e copos no então único bar de rugby da cidade com algumas cenas caricatas que me abstenho de contar mas que o Campilho se lembrará – chegámos a Milão. O nosso adversário era o congénere Centro Sportivo Universitário Milano. Recepção pelo presidente – um cromo que ou tinha duas esposas ou duas amantes, nunca percebemos bem: indistintamente aparecia com uma delas nas cerimónias oficiais.

No jogo – que ganhámos 35-20 (o meu irmão e eu a dividimos a maior parte dos pontos) – o Chico Marramaque partiu uma perna e ficou bem entregue: foi parar a um hospital com excelente treino – de dois em dois minutos chegava uma ambulância com um estropiado do sky…

O CUS tinha na equipa um finguelas malandreco – a jogar a ponta – cheio de truques que, sempre que podia, arreava à socapa. O árbitro marcou uma penalidade e eu preparava-me para chutar para fora – naquele tempo bola fora era sempre lançamento adversário – quando ouvi o Bé Costa Pereira: diz-me onde é que está o gajo – o Bé via mal e também era o tempo em que não havia artifícios para jogar e era a natureza que garantia a acuidade. Apontei-lhe o safado e ele, a sorrir: já vejo a mancha… chuta-me altinha para cima do gajo. O pontapé saiu bem e o Bé entrou-lhe melhor: o malandreco – diz-me a memória – acabou ali a tarde.

Na volta  encontramos neve. Bolas uns contra os outros e fosse pelo que fosse a janela do catita Volksporche do Pinto de Sousa esfrangalhou-se: vieram a rapar frio até casa.

No carro do Nuno Campilho vinha, para além dos sacos a apertar, com o meu irmão e o Bé – o que guiou mais que eu nem carta tinha. Na entrada catalã de Espanha os guardia, ao verem a juventude, resolveram agir como caso. E pior ficaram quando encontraram uma latinha: que é isto? és para las chicas, diz o Campilho em espanholês característico. Caldo entornado: drogas sofisticadas? ter-se-ão interrogado e mandaram tirar tudo do carro. Era só o que nos faltava, mala cheia de lama dos equipamentos, interior do carro com água no fundo, dissemos-lhes que não, que não tirávamos e sentámo-nos no passeio. Os civiles tiraram tudo de dentro do carro e espalharam na rua. Trabalhinho feito disseram buenas, puseram-se a andar com sorrisinho trocista e não tivemos outro remédio que não fosse arrumar o impossível.

De volta á estrada, contávamos os trocos todos para ver se dava – precisávamos ainda de dormida para uma noite – e foi com algum credo na boca que chegámos ao Porto.

A viagem, a equipa, o espírito foi notável. Inesquecível.

Hoje os que nela participaram estão juntos a almoçar em casa do Pinto de Sousa. Por razões familiares não estou presente. Com pena! Mas aqui fica um grande e amigo abraço e a demonstração que não vos esqueço: até sempre!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O MUNDO MEXE-SE

Este sábado jogou-se a final da principal taça europeia de rugby entre a equipa irlandesa do Leinster - onde jogam Brian O'Driscoll, Sexton e D'Arcy - e os Saints de Northampton recheado de internacionais ingleses. Ganharam os irlandeses por 33-22 depois de estarem a perder ao intervalo por 6-22. Diz quem viu que foi um excelente jogo e que a recuperação dos irlandeses foi extraordinária. O derrotado inglês Ben Foden - defesa internacional - dizia no fim do jogo: "para um espectador neutro, deve ter sido um espectáculo incrível..."

Por cá não dei por notícias nos jornais, tão pouco naquele que cobre semanalmente a modalidade com uma página, mas pude ler todas as notícias das mais diversas modalidades e sobre jogos ou actividades sem qualquer interesse. Da equivalente à Champions de futebol, nem o resultado. Mas do rugby pude ler extensas prosas sobre as derrotas do sete português em Londres e da vitória no campeonato dos jovens de sub-16 e sub-18...Como se o mundo acabasse ali.

É o habitual, o mundo para nós tem a fronteira do interesse imediato - ainda agora estou à espera das finais do Sevens de Londres, esperando que o F.C. Porto (excelente vitória numa época notável) mostra a Taça na varanda do Dragão (julguei que o facto de pagar teria como contrapartida o cumprimento dos programas anteriormente estabelecidos)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

CONTINUIDADE E GOZO

Há uma enorme diferença na forma de encarar o jogo entre o Sul e o Norte.

No Sul, com aquela forma de jogar, basta ser-se adepto para se ir ao estádio e gozar o espectáculo; do lado de cá, porque o jogo é mais do que aborrecido, só o clubismo é que nos chama ao estádio. Pelo menos esta é a ideia com que fiquei depois de ter visto o Montpellier – a equipa de que faz parte o Gonçalo Uva – ganhar, contra o Castres, o acesso, numa única mão, às meias-finais do campeonato de França e o jogo entre os dois primeiros, Blues e Reds, do Super 15.

Do lado de lá a bola está viva, as equipas procuram atacar os espaços; do lado de cá, num combate permanente, a bola move-se pouco, o ataque ao muro é a constante, as faltas uma permanência e as paragens uma imagem de marca. 

A maior diferença está na capacidade sulista de garantir a continuidade do jogo e o avanço no terreno para desequilibrar defesas. A continuidade é garantida dando prioridade ao movimento da bola, ao passe, e evitando passar pelo chão – a panóplia de passes é enorme e na cabeça de cada um existe o objectivo de fazer chegar a bola ao companheiro que se aproxima. Quando a ida ao chão é inevitável a preocupação de garantir uma utilização rápida da bola é a finalidade do contacto. E a partir daí surge uma outra lição: o passe de ligação com as linhas atrasadas – rápido, tenso e na linha.

E aí, Will Genia, o formação australiano dos Reds, deu uma enorme lição do que é um médio-de-formação contemporâneo: a variedade das decisões, a velocidade de passe, o ângulo – lançando o companheiro no corredor aberto da linha defensiva - fazem dele um interesse particular para os jogos do Mundial

terça-feira, 10 de maio de 2011

LOBAS?!

O novo centro de treino do Real de Madrid assenta, na sua estrutura física, numa escadaria atravessada por três portas que dão acesso aos espaços de balneários, treino e apoios e cuja subida permite um primeiro acesso aos amarelos, um segundo aos azuis e um terceiro aos brancos, o topo das equipas - simbolizando assim o muito que os miúdos de catorze, quinze anos, têm ainda que trabalhar para chegarem à primeira equipa… e os cartões de cada um só o deixam atingir o patamar que lhe corresponde, a porta seguinte só abre com outro cartão.

Reconheço o mérito deste simbolismo e sempre manifestei a opinião que as selecções nacionais não deveriam ter equipamentos idênticos para utilização pelos diferentes escalões etários. Propus, por diversas vezes, que a única camisola “limpa” deveria ser a da selecção principal. As outras, as dos escalões etários, deveriam ter elementos que se iam retirando – como riscas, por exemplo – à medida da subida. O que evitaria o sentimento de que é tudo igual – uma presença num jogo internacional de juniores ou na selecção principal – e que a carreira está feita e que não há qualquer percurso – exigente e trabalhoso – para chegar ao topo. Feito uma vez está feito para a vida. Evitava-se assim quer o erro de posicionamento, quer o abuso de camisolas a passear pela cidade...

Ao que parece as raparigas portuguesas da selecção de sevens irão usar o nome de Lobas numa cópia, aparentemente honrosa dos masculinos, mas, de facto, infeliz e desajustada.

Lobos só há uns: a selecção principal de Portugal. Os outros serão outra coisa qualquer, mas não Lobinhos, Lobitos ou sequer Lobachos – quem ainda nada fez de especial, não tem direito a usar o nome principal (vejam-se os All Blacks: o nome só é utilizado pela selecção principal). E a selecção de sevens, a utilizar nome de guerra deve utilizar outro qualquer – que personalize e distinga.

Pelas mesmas razões, as raparigas – de sevens ou de quinze – devem utilizar um qualquer outro nome (que não faltarão, por exemplo, entre a flora da Arrábida ou entre as aves que voam em Portugal) que as autonomize e caracterize. Mas com outra razão ainda: para que – ao contrário do que tem sido a mostra do europeu feminino – se sintam cada vez menos obrigadas a copiar o rugby masculino e possam procurar e desenvolver uma forma de jogar mais adequada à sua personalidade e características próprias.

O Rugby ganhava. 

sábado, 7 de maio de 2011

ONDE JOGAM?

Pela Europa fora o rugby, nos diversos campeonatos, nas taças europeias, está muito próximo dos momentos decisivos da época desportiva numa também preparação - e procura de um lugar - para os jogos de afinamento para o Mundial de Setembro. Por cá, pese também a participação na janela internacional de Junho, o rugby anda de braço dado com a discrição absoluta. Não existe. Valham o Super 15, as transmissões televisivas e os bocadinhos do YouTube para não deixar esquecer os fundamentos do jogo mesmo que seja só no sofá de casa. A dúvida: assim vamos jogar melhor? perceber melhor o jogo? preparamo-nos melhor?

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