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domingo, 9 de julho de 2017

MISSÃO CUMPRIDA NO FEMININO

Lista de jogadoras presentes na 2ª etapa do WGPS de Kazan

Apesar de todas as dificuldades atravessadas para a sua preparação, nomeadamente o fraco nível da competição interna e, praticamente, a inexistência de preparação internacional, a selecção feminina de Sevens conseguiu garantir a sua manutenção para o próximo ano na Womens Grand Prix Series.
Partindo de um fraco resultado - 11º lugar - na 1ª etapa de um Europeu que se disputa apenas em duas etapas e que despromove duas equipas à divisão inferior, a selecção feminina fez uma excelente competição de grupo em Kazan derrotando a Espanha (22-10) e a Bélgica (12-5), perdendo para a França (26-5) e conseguindo o 2º lugar que lhe garantiria, na pior das hipóteses, 6 pontos no ranking a juntar aos dois conseguidos em Malemort para um mínimo de 8 pontos finais. Com estes 8 pontos, Portugal ficaria sempre à frente da Suécia - que apenas poderia ter um máximo de 6 pontos após os resultados de sábado - e da Holanda que apenas poderia atingir os 5 pontos finais. 
Com estes resultados e dando uma demonstração de notável atitude - essa pequena coisa que faz toda a diferença como lembrava Winston Churchill - a selecção feminina de Sevens, agora em profunda remodelação por final de carreira de muitas das jogadoras após o ciclo olímpico do Rio, ao atingir o objectivo da manutenção cumpriu a missão que - numa visão realista da situação -  lhe estava atribuída pelo seu treinador/selecccionador João Mirra. 
Parabéns! Ao treinador e a todas as jogadoras. Excelente demonstração de vontade e responsabilidade face ao direito de uso da camisola de Portugal.

terça-feira, 23 de junho de 2015

MENINAS FORMIDÁVEIS



As Meninas do Rugby Sevens Português são formidáveis
As jogadoras da selecção nacional feminina de sevens têm tido prestações competitivas francamente boas. Muito boas até para quem tem as fracas bases de partida que têm as atletas portuguesas que, em todas as modalidades, representam apenas 1/3 dos federados masculinos.
Se o sistema desportivo português deixa muito a desejar, imagine-se a distância a que a parte do desporto feminino se encontra das suas adversárias europeias: em formas de competição, em possibilidades de treino, em disponibilidades de tempo, em preparação. Em adesão! 
É claro que existem algumas atletas portuguesas de enorme qualidade internacional mas - como lembrou recentemente o Comité Olímpico de Portugal - não passarão de "exemplares únicos" que não definem a qualidade da generalidade das actividades desportivas.
No mundo feminino, o desporto português das modalidades colectivas - esse conjunto que demonstra a qualidade de um sistema - é fraco. As nossas modalidades colectivas estão mal colocadas nos rankings. As Meninas do Rugby Sevens Português conseguiram classificar-se, após duas etapas, no 10º lugar europeu, deixando atrás de si a Escócia e a Alemanha e garantindo assim a permanência na divisão principal. Um feito!
Não é fácil jogar contra equipas como a França - actual campeã europeia e já qualificada para o Rio 2016 - com a Rússia, Espanha, Holanda, Irlanda, Ucrânia, Itália, Geórgia, Alemanha, Gales ou Inglaterra que, com a entrada da variante para os Jogos Olímpicos, desenvolvem programas de preparação - algumas das equipas já são profissionais - de elevado nível. Ter que defrontar, nas duas etapas e directamente, a França, a Rússia, a Itália, Gales, Escócia em três vezes ou a Alemanha por duas vezes para garantir as 3 vitórias que permitiram a manutenção não foi tarefa fácil. Mas que as portuguesas ultrapassaram com enorme sentido colectivo, coragem e determinação. Atitude tão notada que motivou elogios dos comentadores franceses da transmissão televisiva. E desta vez a conquista da Bowl, porque correspondeu a um objectivo, deve ser comemorada como um troféu.
Obrigadas a níveis de intensidade e exigência técnica para que não têm hábitos - a competição interna onde competem nada tem a ver com o nível internacional - as jogadoras portuguesas conseguiram adaptar-se tanto quanto os treinos, feitos na sua maioria no CAR do Jamor e sob o comando do treinador João Mirra, permitiram aproximar níveis.
É claro que houve dificuldades que as impediram de atingir resultados que pareciam - pareceram em momentos de alguns jogos - que iriam permitir ultrapassar as adversárias. Mas a pressão imposta ou a velocidade de execução ou decisão exigidas levaram a "erros não provocados" que fizeram perder a bola, falhar um passe ou atrasar o apoio ou a entrada num intervalo. E depois uma natural dificuldade na velocidade de corrida - para que perceba a diferença basta comparar o recorde português dos 100m femininos com o dos outros países concorrentes - criava maiores dificuldades: muitas vezes a diferença da velocidade de corrida e de velocidade da bola nos passes longos permitia que as adversárias se desdobrassem e, deslizando, conseguissem cobrir os espaços e tirar eficácia ao esforço feito pelas portuguesas. Um esforço que foi diversas vezes recompensado por recuperações de bola mas, infelizmente também, pela vontade colocada, provocador de penalidades prejudiciais. Mas o cômputo geral é muito positivo.
Não sei se existe verdadeira noção do feito das Meninas do Rugby de Sevens Português. Recém-chegadas a uma modalidade considerada até há pouco tempo como jogo de homens, sem experiência internacional suficiente - muitas das suas adversárias jogaram etapas do World Series feminino - as jogadoras portuguesas foram capazes de se superar, de ir buscar forças a uma enorme vontade competitiva e de se juntar em torno de um constante espírito de equipa e do orgulho de vestir a camisola portuguesa.
Verdadeiramente impressionantes, as jogadores portuguesas mostraram, numa elevada e constante atitude e humildade competitivas, conhecimento táctico do jogo, capacidade de adaptação em movimento, assertividade defensiva e apoio tão constante quanto a sua desmultiplicação de tarefas o permitiu. Umas lutadoras! Tão mais de elogiar quanto partiram, como já anotado, de bases muito diferentes das suas adversárias: menor cultura desportiva generalizada, menores hábitos de Alto Rendimento, maiores dificuldades de disponibilidade entre trabalhos e estudos nem sempre - ou quase nunca - facilitadores.
Estes exemplos simbolizam bem o que foi a prestação das portuguesas: a notável e belíssima placagem de Catarina Ribeiro contra uma holandesa a impedir a marcação de ensaio adversário e a demonstrar a tenacidade e atitude portuguesa de antes quebrar que torcer; a excelente demonstração técnica de entendimento táctico do jogo da Christina Ramos que, depois de uma quebra da defesa adversária com corrida de uma vintena de metros, foi placada, já próximo da área de ensaio, por uma adversária que recuperou em velocidade superior mas que com enorme presença de espírito e tirando partido da sua posição adiantada no terreno, soube largar a bola e esperar que a placadora, de acordo com as Leis do Jogo, a largasse para então se levantar, pegar na bola e marcar ensaio; ou ainda a capacidade da Catarina Antunes, placada quase em cima da linha de ensaio, de rodar no chão para entregar a bola a uma companheira e garantir assim o ensaio. Situações, bem acompanhadas por eficazes combinações e ataques a intervalos, de levantar bancadas de adeptos - e havia algumas bandeiras portuguesas...
Dentro de dias as portuguesas jogarão em Lisboa o Torneio de Repescagem Europeia que apurará três equipas para disputarem o Torneio Mundial de Repescagem que apurará a última equipa para os Jogos do Rio. Afastadas que estarão as equipas britânicas - já apuradas com a Grã-Bretanha - e ainda, por apuramento, a França e a Rússia, Portugal entra nesse torneio na sexta posição. O que obrigará, para que seja possível o apuramento, a conseguir um lugar nas oito primeiras equipas da fase de grupos para poder disputar as meias finais da Cup e da Plate - significando que o primeiro jogo do segundo dia será decisivo - obrigando ainda, no mínimo, a vencer a "pequena final" - 3º e 4º lugares. Muito difícil mas não impossível com o aproveitamento deste intervalo de tempo para tratar de acertar os pormenores técnicos necessários.
Pelo que já fizeram, pelas capacidades que já demonstraram, as Meninas do Rugby de Sevens Português merecem um enorme apoio no fim-de-semana de 18/19 de Julho próximos no Jamor. Para o que e naturalmente contarão com a comunidade portuguesa de rugby.

terça-feira, 17 de junho de 2014

AS MENINAS DO RUGBY PORTUGUÊS


Brive, 2014 - Foto de Carlos Febrero
O sexto lugar no Europeu feminino de Sevens da equipa de Portugal, depois de duas etapas com classificação de quarto e sexto, é um excelente resultado. Mais ainda se pensarmos o que significa uma sexta posição num universo competitivo de 36 países europeus conseguido por uma equipa de um país competitivamente pouco brilhante em modalidades colectivas em geral e muito menos ainda no particular do desporto feminino colectivo. Ou seja: as meninas do rugby português demonstraram capacidades comparativas notáveis no deserto do sistema desportivo onde vivem e onde o feminino não corresponde ao conceito de Igualdade de Género.
E, é sempre bom lembrá-lo, neste campeonato europeu para além da França e de três das quatro equipas britânicas - a Escócia joga na segunda divisão europeia -  onde por razões culturais qualquer mulher conhece o jogo de rugby desde que nasceu, competem países que, embora periféricos ao centro cultural da modalidade, têm um desporto feminino suficientemente desenvolvido para apresentarem as mais diversas equipas nos Jogos Olímpicos.
Conseguiram ainda um feito importante: subiram três lugares da época passada para esta!
Mais interessante ainda são as qualidades, técnicas e tácticas, demonstradas nos jogos de Moscovo e de Brive. E que proporcionaram saborosas vitórias como com a França - vencedora da etapa em Brive - a Irlanda, a Itália ou a Bélgica. E derrotas sem desistência da luta, dignas, sem entrega.
As meninas do rugby português mostraram uma característica essencial para o seu progresso e para que valha a pena apostar nelas: paixão. De facto em cada momento, com ou sem bola, percebia-se o gozo de estar ali, de estar a jogar. Em cada placagem percebia-se a preocupação de recuperação da bola; em cada utilização da bola percebia-se a preocupação de verticalização de linhas-de-corrida para atacar intervalos; em cada transporte de bola percebia-se a confiança no apoio companheiro que chegaria no tempo justo. Risco, confiança, determinação.
Falhas? Claro, porque se não as houvesse os resultados seriam - óbvio! - ainda melhores.
O primeiro problema tem a ver com a dificuldade de encontrar jogadoras com rapidez comparável ás adversárias - faça-se a comparação com os recordes femininos de 100, 200 ou 400 metros planos para perceber a dificuldade - o que exige jogar de forma mais próxima com mais dobras e mais movimento e, portanto, um pouco fora do conceito generalizado - preocupação maior das equipas profissionais (as únicas) da Rússia e da Holanda - de seis a abrirem caminho para a sprinter. E com uma maior necessidade de prolongar cada fase. Movimento, disponibilidade, velocidade de bola e resistência.
E no dia em que a qualidade do passe, a sua rapidez e precisão, melhorarem o suficiente para que a subida da defesa seja mais problemática para quem pressiona do que para quem usa a bola, a capacidade já demonstrada de atacar intervalos tornar-se-á uma terrível arma de ataque. Passes justos, dobras e alteração de ângulos das linhas de corrida podem caracterizar o jogo desta equipa se lhe for dada a oportunidade de treinar capazmente.
Se a falta de jogadoras com a rapidez que permita estabelecer a diferença após cada manobra de criação de espaço é um problema, a falta de competitividade das competições internas torna as dificuldades maiores uma vez que não permite a adaptação às formas mais adequadas para a eficácia internacional. 
E talvez por essa falta de competitividade interna é que as jogadoras cometem faltas em demasia - o grande ponto negativo da prestação nestes dois fins-de-semana - perdendo bola e terreno e sendo, muitas vezes, obrigadas a esforços suplementares, demasiados e desnecessários.
Mas as meninas - e sou, orgulhosamente, padrinho desportivo de duas delas - proporcionaram belíssimos momentos de rugby - quem viu, pela qualidade e pelo desplante e para lembrar um exemplo, não esquecerá o pontapé-de-ressalto da Daniela Correia, a Deolinda, de 28/30 metros com que Portugal venceu a França por 8-7. Ou a vontade com que perseguiam bolas ou adversárias. Ou a inteligência como ganhavam tempo nos alinhamentos que provocavam. 
Ou como placavam. Ou como se apoiavam para criar um colectivo superior à mera soma de cada uma delas.
As meninas do rugby português estão de parabéns e merecem que se encontrem condições que lhes possam proporcionar o desenvolvimento necessário para que se apresentem - daqui a um ano - no seu limite de capacidades no Europeu de 2015 onde se jogarão as qualificações para os Jogos Olímpicos do Rio 2016. A base existe e vale a pena.

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