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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

PERCEBO MAL

Tenho uma enorme dificuldade em perceber a organização do rugby mundial. A World Rugby, a principal responsável pelo rugby mundial, criou uma regra — que pode ser consultada na Rugby World em “Colour Blindness and Rugby - Guidelines for selecting Team Kit Colours, July 2024” em defesa dos espectadores daltónicos que, pagando bilhetes ou assinaturas televisivas como quaisquer outros, têm todo o direito em assistir aos jogos, ao vivo ou em transmissão televisiva, nas melhores condições visuais possíveis. A mesma criação de capacidade de distinção através do uso de equipamentos com as cores adequadas permite que daltónicos possam ser jogadores e atingir mesmo os níveis internacionais de Alto Rendimento.  Nesse sentido foram definidas cores de equipamentos que, juntas, não permitem a diferenciação pelos daltónicos E aí está definido que os equipamentos das duas equipas em confronto têm que garantir que os daltónicos as distinguem claramente.

É portanto conhecido, como aliás a World Rugby mostra em exemplo fotográfico, que as camisolas vermelhas e verdes convergem, na visão dos daltónicos, para tons muito semelhantes e dificilmente distinguíveis

No entanto e apesar de toda a informação, a Rugby Europe pouco se preocupou que, na final de sua responsabilidade da Rugby Europe Super Cup 2025/2026 entre os Iberians e os Lusitanos (os portugueses perderam por 42-17 com 6-2 em ensaios) e “deixou” — numa absoluta falta de respeito pelos valores que dizemos defender —que o jogo se realizasse com os espanhóis a equipar com camisola vermelha e os portugueses com camisola verde. Como dizia o outro: “quem biu,biu, quem num biu, bisse”. Sigaaaaaa.

Aliás também não percebi a organização competitiva que a Federação estabeleceu para a elite do rugby português que, aliás e como os resultados demonstraram não teve o equilíbrio que uma elite exige (nota: vale a pena estudar o designado Sistema Suiço para perceber como se podem desenvolver competições equilibradas e de grande intensidade e que permitam a aproximação às necessidades da competição internacional). Feita uma competição desequilibrada, junta-se um calendário que estabeleceu aberturas prejudiciais à boa forma dos jogadores e equipas — porque há, em Fevereiro, o internacional Europe Championship, o intervalo para as equipas portuguesas será de mês-e-meio. Ou seja, assim feito, os clubes passarão a sentir-se prejudicados ao terem que libertar os seus jogadores para a selecção (como exemplo tivemos os Lusitanos que não puderam contar com alguns jogadores pretendidos porque os seus clubes não os “libertaram”, ou seja: houve jogadores que podem ter ou vir a ter a sua carreira internacional actual ou futura, prejudicada por falha organizativa que envolve federação e clubes.)

No entanto e apesar daquilo que pode ser considerado como erro organizativo por falha de princípios, surgiu uma acção federativa que merece aplauso: a Federação decidiu, tendo em atenção a meteorologia que se adivinha, anular a jornada das diversas categorias que se desenrolaria este fim‑de‑semana. Embora possa parecer uma contradição com a demonstrada necessidade de continuidade das competições não o é pelo simples facto de se tratar de uma medida de protecção, salvaguarda e integridade da segurança de jogadores e agentes da modalidade. E a segurança de praticantes e agentes constitui um valor fundamental do Rugby.

Portanto acertar a coerência de princípios e valores que norteiam a nossa modalidade Rugby com a organização competitiva é decisivo para o seu desenvolvimento e expansão.Continuemos pois com esta atenção.


quinta-feira, 19 de junho de 2025

EQUILÍBRIO COMPETITIVO

Para uma Federação desportiva o objectivo do seu principal campeonato deverá ser o de proporcionar aos seus jogadores de maior qualidade uma aproximação técnica, táctica, estratégica ao nível internacional que frequentarão nas competições internacionais em que participarão. Isto quer dizer que a intensidade, a velocidade dos jogos, acções de disputa — formações ordenadas e expontâneas, alinhamentos, placagens — devem ser tão próximos quanto possível dos que caracterizam os jogos internacionais do nível da competição a disputar.

O Grupo Campeão da Divisão de Honra ao definir-se com um Índice de Competitividade (1,89) quase duas vezes superior ao valor do Equilíbrio Competitivo (valor ideal=1,00) mostra-se um grupo sem interesse competitivo no qual a maior parte dos jogos tem vencedor previsivelmente antecipado. E a demonstração dessa má qualidade pode ver-se no facto de os valoresque o Grupo Manutenção apresenta serem competitivamente  superiores com o Índice de Competitividade (1,74) mais próximo do valor de Equilíbrio Competitivo e com 20% dos jogos com Bónus Defensivos.

Compare-se estes valores do Grupo Título com os nossos adversários directos, Geórgia e Espanha e veja-se a que distância estamos  dos seus valores  o que significa que os jogadores nossos adversários de apresentam mais habituados a prestações de nível próximo das exigências internacionais. O que, naturalmente se traduzirá nos resultados dos jogos entre ambos.

Mas existe ainda um outro problema com os valores que o nosso campeonato principal apresenta: a diferença para os valores do PROD2 (1,30 de IC e 32% de jogos com bónus Defensivo) onde jogam a maior parte dos nossos internacionais.

Ou seja: os jogadores portugueses que jogam o campeonato português vão jogar ao lado de jogadores habituados a outros ritmos e intensidades. O que significa o aparecimento de desequilíbrios contantes nos movimentos adaptativos da equipa.

Tendo Portugal sido apurado —  graças às novas decisões da World Rugby, diga-se em abono da realidade — para o Mundial da Austrália de 2027, a Selecção Nacional não pode preparar-se apenas entre si. É preciso que os jogadores que jogam em Portugal aproximem as suas capacidades daqueles que jogam em França. E isso só se consegue com a realização de um campeonato muito mais competitivo que o anterior e onde em cada jogo os participantes sintam a possibilidade de o vencer. Porque, de outra maneira dependeremos dos favores dos deuses — e não vale a pena usar a máscara de uns pretendidos resultados que demonstraram isto, aquilo e aqueloutro e que, viu-se agora no jogo contra a Irlanda, tiveram o seu quê de circunstanciais. E não vale a pena enganarmo-nos: ou modificámos o que está errado e nos adaptámos às necessidades que os vinte primeiros lugares do ranking da World Rugby exige, ou veremos adversários que nos habituámos a considerar como mais fracos, a ultrapassarem-nos.




sexta-feira, 19 de abril de 2024

DE INVENÇÃO EM INVENÇÃO…

 A Fase de Apuramento da Divisão de Honra disputada por 10 clubes a duas voltas, atingiu a 18ª Jornada e portanto terminou. No entanto não foi isso que se passou — a dois clubes falta um jogo, aos outros oito faltam dois jogos para completar a prova num total de 9 jogos em atraso. E assim o campeonato continua e, pode ler-se no site federativo, irá disputar-se a 19ª jornada nas 20 que querem atingir. Um disparate absoluto e que subverte as regras normais de uma competição de regularidade pela introdução — vá lá saber-se porquê e com que vantagens competitivas — de um jogo de folga para duas equipas quase jornada a jornada.

E o rigor manda dizer que não há 19ª ou 20ª jornadas mas sim que existem jogos em atraso que, aliás, deviam ter sido — por razões de ética desportiva — resolvidos antes de se atingir a 18ª jornada final. Os campeonatos de todos-contra-todos têm como regra que os seus jogos que compõem a mesma jornada, sejam disputados com grande proximidade temporária entre eles. E as consequências resultantes desta invenção não são brilhantes com folgas que fizeram parar equipas em situações que podem criar vantagens indevidas a uma ou outra das equipas, ao se conhecerem posicionamentos que não seria suposto conhecer-se se o jogo fosse disputado na altura certa.

Com esta organização, um campeonato que já não era competitivo ter nas condições de desenvolvimento do rugby português um campeonato com dez clubes —  a diferença de pontos entre o 6º (último a apurar) e 7º classificados é de 12 pontos a dois jogos do fim… significa que existirão jogos que não terão qualquer proximidade competitiva como se pode ver analisando os resultados globais — tornou-se ainda menos competitivo. E veja-se o resultado…


Faltando ainda disputar 9 jogos, já existem, num evidente desequilíbrio, 17% dos jogos realizados que permitiram Bónus Defensivos e 51% dos jogos disputados obtiveram Bónus Ofensivos que se atribuem à equipa que marcou 4 ensaios, garantindo uma diferença de 3 ensaios em relação ao resultado do adversário. Noutra demonstração do desequilíbrio competitivo desta competição da Divisão de Honra está no facto de que 54% dos jogos efectuados tiveram resultados com diferença de 15 pontos valor que o ranking da World Rugby considera elevado e que, por isso, é premiado com aumento de pontos.

Este desequilíbrio é demonstrado pelo factor Índice de Competitividade traduzido pelo algoritmo Noll-Scully que, tendo o valor de 1 como equilíbrio da competição, vê a competição portuguesa atingir o desequilibrado valor de 2,26 ao atingir a 18ª jornada. 

E o problema maior é que este valor de 2,26 é o pior resultado dos resultados europeus entre nossos adversários directos e adversários que são referências.

Relação entre o Índice de Competitividade e a diferença para o Equilíbrio Competitivo. Como se pode verificar o campeonato português é o mais desequilibrado dos analisados. Repare-se na valorização do campeonato de Espanha com a passagem de 12 clubes da fase inicial para 6 na fase final

Com os objectivos que estão definidos — subir no ranking e participar no Mundial da Austrália de 2027 — é óbvio que não podemos continuar a ter um campeonato que  não prepara minimamente os jogadores portugueses para o nível internacional. Porque é decisivo e elementar, por todas as razões organizacionáveis e competitivas, que os jogadores portugueses que jogam no nosso campeonato interno, possam aproximar as suas capacidades às dos jogadores portugueses que jogam no estrangeiro. E há formas de organizar campeonatos internos competitivos. Que permitirão a aproximação.

sábado, 13 de maio de 2023

NEM REGULAR NEM COMPETITIVA (II)

Estamos presentes no Mundial 2023. O que é bom embora o acesso tenha sido obtido com mais sorte do que mérito… mesmo o empate obtido contra os USA e que nos permitiu a classificação, não foi coisa extraordinária ou inesperada — a previsão com base na dimensão do ranking da World Rugby e realizada neste blogue (clicar aqui) prognosticava uma diferença de zero pontos, isto é, um empate entre as duas equipas. Assim, não devemos tapar os olhos com esta peneira. Correu bem, óptimo! Lá estaremos. 

Agora temos que olhar para o futuro para preparar — e a aposta da nova direcção o diz —  a qualificação para o Mundial de 2027 na Austrália. E para que esta vontade seja possível precisámos de  uma grande reflexão de que resultem alterações na nossa organização competitiva e envolvente. O que temos, apesar das aparências que o 16º lugar do ranking e a ida a França podem ampliar, não chega, é curto e desajustado. Ou mudámos, ou vemos as outras selecções — que pertencem a federações preocupadas com as adaptações aos tempos de hoje — a ultrapassarem-nos. O tempo para a nossa mudança, é agora!

Actualmente a nossa competição é de muito baixo nível — desequilibrada e técnica e tacticamente muito desarticulada — e, mantendo-se o actual modelo — não se vê chegar a um patamar superior que nos garanta as prestações competitivas necessárias à obtenção dos resultados pretendidos. Veja-se o gráfico!




No gráfico acima que equipara competições recorrendo ao algoritmo de Noll-Scully para determinar o Índice de Competitividade, o campeonato português, atingindo o valor de 2,18, apresenta o pior resultado do conjunto onde se integram os campeonatos de adversários directos — a Espanha e a Geórgia — da França (TOP14 que, com 1,00 — o valor do Equilíbrio Competitivo — é o campeonato europeu mais competitivo e PROD2) e Ilhas Britânicas (Premiership e URC). Mas pior, as competições da RE em que participa a selecção nacional têm baixos índices, ficando-se por um jogo-a-sério enquanto os outros têm vencedores antecipados  — veja-se que até a série de classificação em que participaram os Lusitanos têm um Índice Competitivo muito inferior ao outro grupo equivalente. Ou seja, os jogadores portugueses, embora conquistem pontos e possam, pelo desequilíbrio criado, desenvolver aparências de boas capacidades, não têm grandes possibilidades de adquirirem um nível equiparável ao que se designa por nível internacional.

Portanto a principal competição nacional não prepara minimamente os jogadores portugueses para as tarefas internacionais — mas não tem necessariamente que continuar assim: uma diminuição do número de equipas, equilibrando a capacidade competitiva, criará as condições para a melhoria da intensidade dos jogos. E se a isto juntarmos uma melhoria dos árbitros, aproximando as suas interpretações às da arbitragem internacional de primeiro nível, os nossos jogadores crescerão tecnica e tacticamente. E os treinadores serão obrigados a estudar mais e melhor.

Necessário é — não ficando preso ao sonho de que os portugueses que jogam em França  — e há uma substancial diferença de entendimento táctico entre os que tiveram a sua formação em Portugal e os jogadores formados em França — serão os salvadores da Pátria — elevar o nível da competição interna para que se possa inverter a constituição do XV de Portugal que deve ser formado por um núcleo de jogadores que se conheçam bem, que tenham a mesma aprendizagem e a que se juntarão dois ou três trunfos vindos de outras realidades. Criando assim um grupo coeso.

E isto terá de ser assim uma vez que não é possível jogar ao nível internacional sem uma equipa coesa e não é coesa uma equipa que joga com elementos de 11 clubes diferentes (clicar aqui) — que se conhecem mal, que treinam de forma diferente e que têm diferentes aproximações ao jogo. E uma selecção nacional não tem o tempo disponível para que os seus jogadores possam interligar-se de forma a que haja compreensão mútua na análise dos momentos decisivos do jogo.  

A coesão — essa mistura de experiências do mesmo tipo com tempo comum — é vital para o sucesso pelo impacto que produz ao possibilitar sustentabilidade temporal e criando a necessária confiança para expressão eficaz do talento de cada um. Mas não chega limitar-se ao interior da equipa: é preciso que a coesão se estenda á organização envolvente — tudo tem que estar alinhado pelos mesmos objectivos e princípios, formando uma visão integrada.

E se o nosso campeonato não possibilita grande competitividade, a organização envolvente também não ajuda. Os resultados chegam tarde e a más horas ao conhecimento público, o acesso a regulamentos e calendários é limitado aos conhecedores dos caminhos das pedras, a memória não é consultável de forma amigável e a informação não tem critério — para saber como deve ser basta consultar o site da federação espanhola…. 

Mas há pior! Não existe qualquer acesso a estatísticas, nem directas e elementares, nem às mais complexas. As estaísticas dos jogos são instrumentos  que ajudam os treinadores e os responsáveis das equipas a melhorar a sua prestação, no entanto em Portugal ninguém sabe o número de formações ordenadas, alinhamentos, penalidades que se realizam por jogo muito menos a estatísticas mais elaboradas como o número de bolas disponíveis, ultrapassagens da linha da vantagem, número de sequências e reagrupamentos, bem como do tempo de libertação da bola ou o tempo útil de cada jogo — tão pouco quem é o melhor marcador de ensaios ou de pontapés… Ora estes valores estatísticos são absolutamente necessários para sabermos onde nos posicionámos e quais as acções que devemos empreender para melhorar. Curiosamente qualquer de nós tem acesso aos valores estatísticos de outros campeonatos, até dos que se realizam do outro lado do mundo quase em simultâneo com os acontecimentos, mas por cá continuámos a ignorar a sua necessidade.

Para que, repete-se, Portugal possa consolidar a sua posição internacional de acordo com o 16º lugar  do ranking mundial que ocupa, necessitámos de uma nova estratégia que, baseada no rigor da análise desportiva-competitiva, possibilite a adaptação aos padrões vigentes das equipas de maior sucesso, apostando que a prata da casa que pode ser coesa se bem orientada sob bons princípios competitivos e alinhada por objectivos claros e reconhecendo que o campo é maior dos que as linhas que o limitam, conseguirá os pretendidos bons resultados.

Mudemos para progredir!


sexta-feira, 12 de maio de 2023

NEM REGULAR NEM COMPETITIVA (I)

Terminou a fase regular da Divisão de Honra — a nossa divisão de élite e onde jogam os jogadores portugueses que podem integrar a Selecção Nacional. Terminou mas não foi nem regular, nem competitiva.

Não foi regular porque sofreu alterações sem sentido e que não se coadunam com o conceito desportivo de regularidade — que exige que as equipas estejam, na disputa dos jogos que fazem, tão equitativamente próximas umas das outras quanto possível. E não estiveram porque, sem se perceber o porquê ou a necessidade, duas das equipas folgavam em cada jornada — colocando pela alteração do calendário as equipas em diferente situação competitiva, levando até que não fosse cumprida a norma definida para provas a duas voltas — compare-se a 10ª com a 1ª Jornada e verificar-se-à que não correspondem… e pense-se no que é uma prova com 10 equipas que tem, conforme mostram, aliás, as normas publicadas nos regulamentos, 18 jornadas, terminar com 20… E pior — como a Federação utiliza a dimensão temporal (nunca percebi porquê)  para o cumprimento dos castigos aplicados a jogadores, as folgas realizadas permitiam, se houvesse sobreposição temporal, que o cumprimento dos castigos pudesse não ter consequências — que, como situação incontrolável por depender de factores alietórios, pode proporcionar o eventual favorecimento de uns quantos e assim, desvirtuar o resultado final. E, portanto, podendo viciar a prova! O que só por si põe em causa a integridade da prova.

E também não foi competitiva!


Veja-se a diferença — nos quatro factores que definem a sequência do desempate na classificação geral— entre a equipa que ficou em 6º lugar — último lugar de acesso ao play-off — com a equipa que ficou classificada no 7º lugar. Deixando de fora as diferenças de pontos marcados/sofridos que são larguíssimas, o 6º classificado consegue o dobro dos valores no que se refere a pontos classificação, vitórias conseguidas e ensaios marcados, o que demonstra que não existe qualquer equilíbrio competitivo — o valor do Índice Competitivo obtido pelo algoritmo Noll-Scully de 2,18 é muito mau e, como veremos em próximo post, corresponde ao pior resultado europeu. 

E a diferença de pontos da última jornada entre duas equipas que procuravam resultados positivos para garantirem a manutenção — 53 pontos num caso e 41 num outro a que se juntam, em outros jogos que oponham equipas do sexteto da frente ao quarteto dos últimos lugares, as diferenças de 30 e 40 pontos — mostra bem que as distâncias de capacidade competitiva não são recuperáveis. No gráfico seguinte fica claro que existe uma  diferença — veja-se o valor das médias: mais do dobro das seis primeira equipas sobre as quatro restantes… — inconciliável. Ou seja: não é possível, para as pretensões internacionais que o nosso rugby apresenta, manter uma futura estrutura competitiva idêntica à actual. Porque quando o equilíbrio aparenta, significa apenas que a equipa mais forte se desfocou…


A falta de equilíbrio competitivo reduz o campeonato a uma prova sem interesse e onde os atletas não atingem os níveis de intensidade que obriguem a gestos técnicos e decisões tácticas de elevado rigor e, por outro lado,  o baixo nível e a probabilidade de resultados evidentes — as surpresas são quase nulas — reduz a atenção ao pequeno grupo dos directamente empenhados — como aliás se pode ver no desintereesse demonstrado na desatenção quase absoluta da comunicação social — sem que daí possa haver qualquer desenvolvimento ou aumento de patrocínios Aliás esse desinteresse é também provocado pela falta de publicitação de resultados em tempo útil — para se saber a composição dos resultados é, na maior parte dos casos, necessário esperar pelo Boletim Informativo que chega na 6ª feira seguinte à realização dos jogos.

O Rugby, como o Voleibol, têm uma característica particular: utilizam pontos-de-bónus. Com uma diferença: enquanto que no Voleibol a conquista de ponto-de-bónus é verificável pelo conhecimento do resultado absoluto, no Rugby um dos bónus depende do conhecimento do número de ensaios marcados. Ora o conhecimento do resultado absoluto não permite conhecer a consequência em termos de pontuação classificativa — e por esta falta de informação são frequentes os erros publicados nos meios que ainda o fazem. E seria muito fácil colocar os resultados após a realização de cada jogo: telemóvel, fotografia do ponto de descrição da construção do resultado, envio de mensagem para o centro de controlo com imediata publicação no site federativo…

Acabada a época regular é altura de pensar numa alteração organizativa da competição principal do rugby português. E para a necessária preparação interna dos jogadores para responder ao nível internacional é necessário que desde já e com vista à próxima época se estabeleçam as alterações que elevem o nível competitivo — é bom lembrar que na próxima época se começa a preparar o acesso ao Mundial de 2027.

(continua)

 

quinta-feira, 26 de maio de 2022

UMA FINAL FRACA

A final da Divisão de Honra do rugby português que terminou com a vitória do Belenenses sobre o Direito não teve nada de surpreendente: ganhou a equipa favorita e a qualidade do jogo, de acordo com o que se previa do já conhecido pela falta de competitividade da fase de apuramento, teve pouca qualidade táctica e fraca intensidade competitiva.

O vento, que é o pior inimigo que um jogo de rugby tem e que soprou fortemente no Campo do Vale da Rosa em Setúbal, também não ajudou, mostrando que qualquer das equipas — com maior incidência no caso do Direito — não era tacticamente suficientemente conhecedora ou preparada para se adaptar às condições a que estiveram sujeitas.

No meu tempo de jogador, em que o vento — por poucas preocupações de criação de barreiras nos campos utilizados — era uma quase constante, tínhamos a preocupação de nos adaptar a um jogo que tendia a ser jogado quase só — se vento lateral — num dos lados do campo ou —se vento ao longo — num dos meios-campos. Dizia-se então que a diferença de pontos ao intervalo para que a equipa que tinha jogado contra o vento tivesse hipóteses de ganhar o jogo, não poderia ser mais de 6 — hoje dir-se-ia que o limite estaria nos 8 pontos de diferença. E jogávamos tendo esses valores em atenção. Com uma preocupação fundamental: utilizar o jogo pelas costas para nos aproximarmos da área-de-ensaio adversária e marcar pontos da maneira que nos fosse possível. O que obrigava a adaptações técnicas e tácticas no jogo-ao-pé e na forma e distância dos passes.


Se a favor do vento o recurso principal era o jogo-ao-pé, obrigando ao distanciamento entre o 3-de-trás do meio-campo adversários, perseguindo organizadamente a bola para impedir contra-ataques e obrigar os defensores a chutar — naturalmente curto por incidência do vento — então aí e de acordo com o posicionamento adversário, analisava-se a possibilidade de jogar à mão em apoio próximo e com movimento suficiente. Mas nunca desprezando uma hipótese de marcar pontos, não trocando penalidades com postes acessíveis por qualquer outra possibilidade. 


E foi isso que o Direito não soube fazer. Por razões tacticamente incompreensíveis (para mais numa final) nas condições atmosféricas então existentes, o Direito optou por jogar formações-ordenadas ou alinhamentos em vez de chutar aos postes, deitando fora possibilidades de marcar pontos e chegando assim ao intervalo a perder — com vento favorável, note-se! — por 12-8. Ou seja, a inexistência dos tais 8 pontos de vantagem com que deveriam chegar ao intervalo, já indiciava, no mínimo, uma difícil hipótese de vitória e, muito provavelmente, uma  derrota. E mesmo que a marcação de um ensaio no final dos 40’, aparentasse uma boa resposta ao ensaio de oportuna interceção do Belenenses, foi promessa de pouca dura… Para mais se era ainda possibilitada outra interceção na 2ª parte…


E se uma interceção ainda pode ser tida como um acaso, duas já se integram no conceito de Churchill que, embora detestanto Desporto, sabia — felizmente! — muito de estratégia. E que dizia: “A sorte não existe. Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores”.


E foi esse cuidado, durante o tempo que jogou contra o vento, que o Belenenses teve, subindo muito bem na defesa, placando bem e provocando sérias dificuldades ao ataque de Direito que, jogando na comodidade da distância à linha defensiva adversária a que somou enorme lentidão na disponibilização da bola dos reagrupamentos — menos de 3 segundos é o tempo de libertação que permite manter os desequilíbrios conseguidos — raras vezes conseguiu ultrapassar a linha-de-vantagem e assim criar movimentos eficazes que colocassem a defesa adversária em dificuldade.


E se a estas ineficiências — que não permitiram a marcação de pontos na 2ª parte — juntarmos o facto do jogo-ao-pé ser pouco incisivo e com entrega fácil aos bem posicionados defensores adversários, percebe-se que a vitória do Belenenses — já favorito pelo demonstrado na fase de apuramento — foi inteiramente justa. 


Mas o pior que o jogo nos trouxe foi o facto, para além de 3 cartões amarelos, do somatório de penalidades ter chegado às 32 (15 de responsabilidade do Belenenses e 17 do Direito). Nesta  demasiado elevada demonstração de indisciplina, as duas equipas mostraram um verdadeiro problema do rugby português: a ignorância das Leis do Jogo.


A árbitra, a ex-jogadora internacional (campeã nacional portuguesa e francesa) e actual árbitra internacional, Maria Heitor — que mostrou à evidência com a sua actuação que está no topo da arbitragem portuguesa — limitou-se a cumprir o papel que se exige ao árbitro: garantir, a ambas as equipas, a equidade da aplicação das Leis do Jogo, não acrescentando qualquer outra preocupação (essa ideia de que o árbitro não deve apitar demasiado para que o jogo não pare tanto, é uma falácia! Tanto quanto o é também um errado conceito de “arbitragem preventiva” que, feita quase sempre, depois da falta, só dá vantagem ao prevaricador… O árbitro deve apitar as faltas existentes, não prejudicando assim a equipa mais disciplinada. E se um jogo, como foi o caso, tem demasiadas faltas, a culpa será dos jogadores e dos seus treinadores, não do árbitro!).


Portanto, justa vitória do Belenenses, com boa arbitragem de Maria Heitor e sem qualquer responsabilidade na construção do resultado num jogo infelizmente de fraca qualidade e fraco teor competitivo. em que, fosse contra ou a favor do vento, qualquer das equipas — e tratam-se das duas melhores equipas portuguesas da época… — mostrou incapacidades na adaptação e utilização eficaz da posse da bola.


Esta final foi de novo exemplo de que a organização competitiva do rugby português necessita de alterações que garantam a elevação do padrões técnicos, tácticos e de intensidade para níveis que aproximem esta principal competição dos níveis internacionais. Para que o sonho da participação em Mundiais seja uma realidade que ultrapasse ou sonho ou a sorte.



quinta-feira, 19 de maio de 2022

FRACAS MEIA-FINAIS DA DIVISÃO DE HONRA

 As meias-finais da Divisão de Honra estiveram ao nível da sua fraca fase de apuramento: foram de má qualidade e de baixa intensidade.

No Cascais-Direito houve uma disputa — para além de um inadmissível incidente crítico provocado pelo equipa de arbitragem e que teve óbvia influência no resultado final mas que, por também óbvia ignorância das Leis do Jogo, não motivou nenhum protesto — duas partes distintas: na primeira, dominou o Cascais com, ao intervalo, 17 pontos com a marcação de 2 ensaios, contra 3 pontos do Direito. De certa maneira, com esta diferença de 14 pontos e com os processos utilizados, tudo levava a crer que o finalista estaria encontrado… mas nem por sombras.

Com alguma melhoria na utilização da bola — embora o jogo ao pé, pouco incisivo e desperdiçado, continuasse a entregar bolas fáceis à defesa adversária — e, principalmente, com algum aumento da pressão defensiva, o Direito, na 2ª parte, levou o Cascais a cometer 8 penalidades (num exagerado total de 20 distribuídos, 13/7, pelas duas equipas) que permitiram reverter (Direito converteu 5 penalidades) o resultado com a marcação de 24 pontos de jogo para no final somar 27 e garantir uma vitória por 3 pontos de diferença. Se o Direito melhorou alguma coisa, a notória quebra física dos jogadores do Cascais facilitou em muito a reviravolta. E como é muito difícil ganhar um jogo, cometendo 13 penalidades a entregar ou terreno ou pontos… o Direito aproveitou e, embora não fosse o favorito declarado — 3º lugar com 80 pontos de classificação e 17 vitórias contra o Cascais, 2º com 93 pontos e 20 vitórias — apurou-se para a final.

Na outra meia-final, entre o Belenenses e o CDUL, a superioridade da equipa da casa foi notória embora não tivesse, enquanto os cdulistas mostraram capacidade física para resistir, mostrado capacidade de perfuração ou envolvimento durante a 1ª parte em que só conseguiu 1 ensaio — ao intervalo ganhavam por 8-0. Mas na 2ª parte, as facilidades foram enormes e bastava um ou outro jogo de passes para lançar finalizadores para a área-de-ensaio cdulista — marcaram assim 6 ensaios a somar ao marcado no 1º tempo. Com grande esforço o CDUL conseguiu, na última jogada do encontro, a marcação do ensaio-de-honra e, assim, colocar o resultado desfavorável em 48-5.

Se no primeiro jogo o resultado final pode transmitir uma ideia — falsa — de equilíbrio competitivo, a segunda meia-final demonstrou uma enorme diferença de capacidade entre as duas equipas. O que transmite uma imagem da necessidade de alterar o campeonato principal de Portugal e garantir o equilíbrio competitivo com a intensidade necessária para aproximar a capacidade dos jogadores portugueses das caraterísticas do jogo internacional onde estamos integrados. E lembre-se que, na próxima época, há a possibilidade do XV de Portugal disputar a Repescagem que apurará o último qualificado para disputar a World Cup 2023. O que exigirá uma preparação cuidada dos jogadores portugueses. 

Como se sabe e numa adaptação dos conceitos de gestão: sem competitividade não há rendimento sustentável. Ou seja… não há resultados… 

sexta-feira, 13 de maio de 2022

DIVISÃO DE HONRA: DESEQUILIBRADA E SEM INTENSIDADE

Terminou a fase de apuramento do Campeonato Nacional da Divisão de Honra que se integrou essencialmente no velho conceito de que “quem torto nasce, tarde ou nunca se endireita”. Motivado por um erro estratégico inicial — o exagerado número de clubes para a dimensão portuguesa — e um erro de previsão — a qualidade da Super Cup europeia, o campeonato da Divisão de Honra não forneceu aos jogadores e equipas participantes o equilíbrio competitvo necessário quer ao interesse da sua disputa — só muito raros jogos se disputaram sem evidência de um previsível vencedor — quer com a criação de condições para o seu desenvolvimento competitivo.

De facto, recorrer a 12 clubes para compôr a divisão principal — aquela onde se encontra o maior número de jogadores que integrarão a Selecção Nacional — constitui um caminho directo para a criação de condições que vão reduzir o equilíbrio competitivo e diminuir a sua intensidade, afastando os jogadores dos hábitos necessários à competição internacional. A este erro inicial juntou-se um outro que se supunha poder minorar o baixo rendimento competitivo que se podia antever da disputa do campeonato nacional: a participação de uma franquia portuguesa na Super Cup Europeia. Acontece que esta previsão saiu furada porque o controlo da prova estava longe dos interesses portugueses e a prova, alinhada por princípios geográficos, foi de uma evidente mediocridade competitiva. E isto — e não um optimismo sobre o que se desconhecia e que não seria possível controlar — devia ter sido levado em conta na construção da principal competição portuguesa.


Quanto maior o valor menor a competitividade


E a realidade, como se mostra no gráfico anterior, é que o campeonato português da Divisão de Honra foi de uma competitividade confrangedora (2,48 — pior valor europeu de campeonatos principais) a que se junta a Super Cup (2,11) que está longe da competitividade que resulta da RE Championship (1,69). Ou seja, os jogadores portugueses viveram uma decisiva época — aquela que definiria o apuramento para a Rugby World Cup de 2023 — com hábitos competitivos muito longe das exigências da competição internacional onde lhes eram necessários resultados positivos (como exemplo, o valor do campeonato espanhol situa-se em 1,50). E o resultado viu-se…(talvez — e espera-se que não só na aparência — mitigado por um erro inacreditável — mais um — da Federação espanhola).



Este novo gráfico sobre a diferença de Pontos de Jogo e a soma de Pontos de Bónus, constitui uma clara demonstração do desequilíbrio da competição principal portuguesa onde a diferença, em pontos de jogo, dos resultados superiores a 15 pontos de diferença (valor a partir do qual a World Rugby considera o resultado como desequilibrado) atinge 54% da totalidade de resultados com o pormenor de 8 deles serem de diferença superior a 51 pontos de jogo.


Se olharmos para a relação do número de ensaios marcados e sofridos, poderemos apercebermo-nos do fosso que diferencia as equipas nas suas capacidades atacantes e defensivas. E o resultado não é brilhante quando vemos a diferença entre os marcados e sofridos — algumas equipas tiveram a maior parte dos jogos como passeios outras terão passado a maioria dos seus jogos encostadas às suas área-de-ensaio… em jogos que não possibilitavam o mínimo exigível de competição desportiva que, como se deverá saber, se rege pelo equilíbrio e, consequentemente, com a maior hipótese possível de inexistência de vencedores antecipados. 



E se o campeonato genericamente desequilibrado, pouco intenso e com muitos erros tácticos — as nossas formações-ordenadas parecem que realizam pactos-de-não-agressão (principalmente nas primeiras-linhas) — temos também uma gritante indisciplina — para já não falar da indisciplina protagonizada pelo clube AEIS Técnico — com um total de mais de 26 jogos em que uma das equipas ficou reduzida a 14 jogadores. A realização de inúmeras faltas que provocam — por desconhecimento das Leis de Jogo e desacerto entre árbitros, jogadores e treinadores — um exagerado número de penalidades, têm consequências graves — como, aliás, se viu — nos jogos internacionais…


Sendo possível obter os dados que se apresentaram, não é possível obter as estatísticas dos jogos — que deviam ser públicas (como é possível saber-se com facilidade as estatísticas dos jogos dos mais diversos campeonatos e nada se saber em Portugal?) — e assim não nos é permitido saber a relação que nos distancia do nível dos jogos internacionais nem, tão pouco, perceber os sectores que devem ser mais trabalhos ou onde iremos ter maiores dificuldades — quantas formações-ordenadas temos por jogo interno? e alinhamentos? e rucks? e penalidades ou passes? e placagens? E pontapés que não sejam a mera entrega de bola ao adversário?
Uma equipa que pretende ir ao campeonato do Mundo não pode ter uma organização competitiva que não seja equilibrada e que não publicite, semana-a-semana, o acesso aos elementos essenciais que permitem análises concretas da situação em que o jogo dos seus jogadores se encontra. E, quer para consulta quer para memória futura, os Boletins de Jogo devem também ser publicamente acessíveis (como acontece noutras federações, incluindo a federação europeia).


E agora? Agora, aprender com os erros cometidos, perceber o que significa a competição eo seu equilíbrio e quais são as características que permitem o seu desenvolvimento, estabelecendo uma estratégia, definindo objectivos e criando as acções  — como formações actualizadas e articuladas de acordo com os níveis competitivos para jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes — que possam transformar o rugby português num espaço de qualidade internacional… elevando e qualificando o foco da pequena vitória caseira e colocando a missão num nível de exigência internacional. Porque uma visão sem organização adequada fica-se apenas pelo sonho.





sexta-feira, 8 de abril de 2022

LIÇÃO DA TAÇA IBÉRICA

 Terminada e vista a Taça Ibérica entre o Técnico e o Vrac, fiquei com esta dúvida:

Como é que a equipa em 9º lugar do campeonato espanhol derrota por 44-8 a equipa portuguesa que se encontra no 4º lugar do campeonato português?”. Que diferenças e que vantagens?

Como imediata análise, veja-se que o campeonato espanhol tem como Índice de Competitividade o valor de 1,39 enquanto que o de Portugal é — à altura do jogo — de 2,29 para um valor de 1 como Equilíbrio de Competitividade (quanto maior o valor, pior a competitividade).

Talvez comece a ser altura de olharmos com objectividade a organização do nosso campeonato…

terça-feira, 2 de novembro de 2021

UM CAMPEONATO COM POUCO EQUILÍBRIO

Com seis jogos já disputados — o primeiro-terço da prova termina na próxima jornada — o Campeonato Nacional da Divisão de Honra apresenta já desequilíbrios significativos como se pode ver no gráfico "Capacidade Competitiva" estabelecida através da média da Quota de Pontos de Jogo — percentagem dos pontos marcados por uma equipa sobre o total de pontos de cada jogo e que demonstra o domínio da equipa nos jogos efectuados — da Quota de Sucesso — percentagem do número de vitórias conseguidas nos jogos disputados, demonstrando, conjuntamente com a quota seguinte, a sua qualidade e eficácia —  e a Quota de Pontos de Classificação correspondente à percentagem de pontos de classificação conseguidos no total dos pontos possíveis. 
Pode reconhecer-se neste gráfico, a formação de 4 grupos distintos em face dos resultados conseguidos: um primeiro — o dos três primeiros classificados, Direito, Belenenses e Cascais que variam a sua capacidade entre 86% e 80%; um segundo que comporta Agronomia, CDUL, Académica e Técnico, variando entre 59% e 46%; um terceiro, comportando CDUP, Benfica, e Évora, variando a sua competitividade entre 36% e 29%; um grupo final constituído pelo S.Miguel e Montemor que tem os índices de competitividade entre, respectivamente, os 21% e os 8%.
Com estes dados factuais pode dizer-se que este campeonato tem o seu maior interesse também dividido por zonas: quais dos três se apurará directamente para as meias-finais e quem, de entre os quatro clubes seguintes, atingirá o final-four. Ficando uma dúvida que poderá aumentar o interesse pelos jogos entre os clubes intermédios: será que alguma equipa do terceiro grupo conseguirá um dos lugares de apuramento? Lembre-se que ainda há um jogo — entre Évora e Benfica — adiado que pode fazer um dos clubes aproximar-se, ou mesmo integrar — caso do Benfica — o grupo de manutenção. E lembre-se também que faltam 16 jornadas para o final e estas visões não passam de especulações ao dia de hoje — mas que mostram tendências...
Comparando os gráficos dos "Ensaios Marcados e Sofridos" com o dos resultados finais de cada jogo, percebemos que também estes dados nos aproximam da definição dos 4 grupos anteriormente referidos. E podemos ver também que existe, por parte de algumas equipas, enormes dificuldades atacantes a que se junta a fragilidade defensiva pouco adequada a uma prova principal da modalidade — o que aparentará uma muito provável impossibilidade de alterar posições. É, aliás, o que se pode presumir da relação negativa das seis equipas pior classificadas. 
O desequilíbrio, apesar de um dos jogos ter terminado empatado (0-0), é ainda visível no gráfico seguinte onde se pode verificar que dos 35 jogos realizados, treze — 37% — terminaram com uma diferença de pontos no resultado superior a 21 pontos (e 6 com diferenças superiores a 28 pontos!) para 16 dos jogos — 46% — que terminaram com uma diferença menor do que 15 pontos mas, dos quais, apenas 8 dos jogos permitiram a conquista de pontos de bónus defensivos (note-se que no Ranking da World Rugby qualquer resultado com diferença superior a 15 pontos tem uma majoração.).
Aliás, a relação entre os pontos de bónus ofensivos e defensivos — o dobro — é uma boa demonstração do desequilíbrio existente entre as equipas nos jogos que efectuados.    
Procurando encontrar uma forma de análise mais precisa, mais prática e que ajude à demonstração das hipóteses colocadas, utilizou-se o algoritmo resultante dos conceitos da dupla Noll-Scully habitualmente utilizada no desporto norte-americano que tem a noção muito clara da importância da competitividade — mantendo a indefinição do vencedor final — na atractividade pública das modalidades.
Embora com poucas jornadas ainda realizadas para se ter uma percepção mais independente do calendário e do seu grau de aleatoriedade entre adversários na distribuição de jogos e considerando que os valores acima de 1 — o ponto de equilíbrio competitivo — demonstram a existência de resultados menos equilibrados do que o esperado, a demonstração do desequilíbrio competitivo é uma realidade.
Obviamente que este desequilíbrio é essencialmente motivado pelo aumento da Divisão de Honra para 12 equipas que, como demonstram os resultados dos últimos anos, serão demasiadas para garantir o necessário equilíbrio competitivo — é fácil perceber que 6 equipas farão o campeonato ideal e que o limite para uma competição minimamente equilibrada, estará em 8 equipas.
Qual será então a vantagem — num ano de enorme importância para o rugby português — em diminuir a competitividade interna? A única explicação que encontro possível para justificar esta situação é a de que com a introdução de mais uma prova de nível internacional como a SuperCup e na qual os jogadores que têm capacidades para integrar uma selecção nacional farão um mínimo de 6 jogos e um máximo de 8 num nível competitivo superior ao nível interno — daí a sua importância — e aos quais se juntarão 2 jogos da janela internacional de Novembro e ainda 5 jogos internacionais de importância capital no pretendido acesso ao Mundial de França, a existência das 12 equipas permitirá que o campeonato nacional não seja frequentemente interrompido — como não tem sido e com boas vantagens para os jogadores não-internacionais — uma vez que a diferença de nível competitivo entre as equipas é tal que quase garante, independentemente de poderem ou não contar com todos os seus jogadores, que as melhores seis equipas dos últimos anos se apurarão para as meias-finais ou para o final-four. Ou seja: ninguém se sentirá prejudicado... e os melhores jogadores estarão sempre disponíveis para representar quer os Lusitanos, quer os Lobos, com vantagem para o importante posicionamento internacional — actualmente no 19º lugar do Ranking da World Rugby — do rugby português.
E com a cada vez maior aposta — como terá ficado estabelecido na última reunião alargada da Rugby Europe — neste tipo de prova, é bom que nos habituemos à necessidade de disponibilização dos melhores jogadores de cada clube durante cerca de uma dezena de jogos por ano.  

Nota: a derrota recente do Toulouse no TOP 14 contra o Racing 92 aconteceu em jogo onde a equipa campeã de França e da Europa não pode contar com 11 jogadores que se encontravam em Marcoussis na preparação dos jogos internacionais de Novembro da sua Selecção Nacional.   







quarta-feira, 7 de outubro de 2020

DE DESEQUÍLIBRIO EM DESÍQUILIBRIO ATÉ...


Não ficou completa a 2ª jornada da fase de Grupos da Divisão de Honra por uma louvável e responsável decisão motivada pela existência do caso de um jogador do Rugby Clube de Montemor infectado pelo Covid-19. Embora um adiamento seja sempre desagradável, principalmente para os jogadores, neste caso especial a não realização do jogo só veio demonstrar a responsabilidade que o Rugby tem e mostra-se como evidência do seu compromisso de que a saúde está acima de qualquer interesse desportivo. Situação concordante aliás com o que expressam os seus valores e regulamentos.
Como se pode ver no quadro superior - onde as equipas não estão separadas por Grupos mas sim como se estivessem a competir todas-contra-todas - o equilíbrio desta Divisão de Honra não tem sido - como já se saberia iria acontecer - a nota dominante. Basta ver as colunas de pontos-de-jogo e de ensaios marcados... E não vale a pena utilizar o argumento de que é a jogar com os melhores que se aprende. Não é! Essa falácia escamoteia a realidade: numa competição deequilibrada, os melhores baixam a sua capacidade competitiva e os mais fracos limitam-se a ter a prova das suas fragilidades. Ninguém ganha ou progride...
Neste segundo gráfico pode ver-se a diferença de pontos-de-jogo nos jogos realizados e que demonstram a enorme diferença de capacidades competitivas entre as equipas desta Divisão de Honra. Quatro dos sete jogos já realizados terminaram com diferenças pontuais superiores a 30 pontos - com direito a pontos de bónus - a que se acrescenta um quinto com uma diferença superior a 15 pontos. Apenas dois jogos se mostraram suficientemente equilíbrados para permitir pontos de bónus defensivos aos derrotados.
Portanto esta forma competitiva será tudo menos isso - os números vêm mostrando que a divisão superior tem como limite o máximo de 7 equipas - e este modelo, mesmo que se considere a pandemia como seu principal responsável, não serve para colocar os jogadores ao nível das necessidades dos jogos internacionais. E é essa a principal responsabilidade da competiçao da principal divisão que deve, por isso, juntar apenas os clubes com condições de equilibrar cada um dos jogos. Porque ninguém se interessa por competições sem equilíbrio e de vencedores antecipados e o Rugby, neste desinteresse, perde na sua globalidade. 
Perceber que são os resultados internacionais que definem a imagem - o tempo perdido na 3ª divisão europeia deixou visíveis marcas - é absolutamente necessário para o desenvolvimento do Rugby português. Só assim se aumentará a adesão e a atractividade. A que se acrescenta patrocínios e apoios. É bom que se perceba: é o interesse competitivo da divisão principal e a qualidade dos resultados internacionais que cria a atractividade do nosso Rugby. E que permitirá, por isso, o alargamento da sua prática.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

A IMPORTÂNCIA DE JOGAR EM CASA OU FORA

DIVISÃO DE HONRA
Pontos de classificação em casa e fora
Pontos de bónus ofensivos e defensivos em casa e fora
Enquanto que o Grupo Título tem 12 vitórias em casa, o Grupo Despromoção tem 8 vitórias. O que demonstra uma maior dificuldade de vencer fora no grupo dos melhores classificados — mais equilíbrio — do que no grupo secundário que é, reconhecidamente, competitivamente mais desequilibrado.

domingo, 19 de janeiro de 2020

ANTES DO INTERVALO


As vitórias fora de casa de Agronomia e do CDUL - que finalmente mostraram a qualidade de “viajantes” — vieram dar razão aos números que diziam que as vitórias de qualquer equipa seriam possíveis e assim o equilíbrio competitivo aumenta e os lugares das meias-finais do play-off  — com excepção do Belenenses, vencedor por margem significativa (mais de 30 pontos de diferença) do Técnico e que parece suportado por pedra e cal num dos lugares cimeiros finais — parecem ainda acessíveis a qualquer das equipas. Fazendo um intervalo até 4 de Abril para disputa do internacional Championship Europeu, veremos como reagirão as equipas e como se apresentarão para a fase final com vista à conquista do título do campeonato.


Com a derrota em casa do CDUP a favor do Benfica, a Académica passou a ocupar o 1.º lugar da 
classificação que mostra equilíbrio entre as três primeiras equipas, uma posição aparentemente confortável do Montemor e uma luta para fugir ao último lugar entre o CRAV - que se mostra melhor posicionado para evitar a descida directa — e a Lousã. Veremos também como é que as equipas suportarão a paragem mas, dada a estrutura de disputa do campeonato, pouca alteração competitiva deverá haver.

A situação comparativa entre os dois grupos demonstrativa dos equilíbrios internos de cada grupo



quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

JOGADA A 1.ª VOLTA, ONDE ESTAMOS


Terminada a 1.ª volta dos dois grupos da Divisão de Honra verifica-se um equilíbrio competitivo de 70 pontos no Grupo Título — que embora não seja extraordinário e sendo referente apenas à 1.ª volta, é o melhor índice dos campeonatos desde 2002/2003 (ver aqui) — enquanto que o Grupo Despromoção apenas atinge o valor de 56. E a diferença entre um grupo e outro verifica-se na relação das tipologias das vitórias em que vitórias por mais de 30 pontos de diferença atingem 1/5 dos resultados no Grupo Despromoção mas também na demonstração através da percentagem de vitórias em casa, 73%, do Grupo Título que vaticina que, pelo menos em teoria, qualquer das equipas é capaz de, jogando em casa, vencer qualquer dos seus adversários. Já no Grupo Despromoção as percentagens de 53% de Vitórias Casa e de 47% de Vitórias Fora indiciam que há equipas que não têm qualquer capacidade de derrotar os seus adversários melhor colocados. Aliás o intervalo entre o número de pontos de bónus, com tendência convergente no Grupo Título e tendência divergente no Grupo Despromoção, constitui um outro factor indicador desse desequilíbrio.
O problema maior no Grupo Título e por isso não se mostrar tão equilibrado quanto poderia, está no facto de haver equipas como Agronomia (3 derrotas em 3 jogos), Cascais (3 derrotas em 3 jogos) e CDUL (2 derrotas em dois jogos) que não conseguem vitórias fora de casa — “maus viajantes” dir-se-ia... mas de viagens sem percurso por tudo acontecer porque no interior do distrito de Lisboa e, como tal, as razões serão outras... e não se enquadram nos árbitros como quase sempre se desculpam mas na estrutura e métodos das equipas.



Analisando a constituição dos resultados pelos clubes dos dois grupos uma realidade salta à vista:
ambos os grupos se dividem em dois núcleos de três equipas cada. O que mostra, quando ainda faltam 15 jogos para cada grupo, uma competição desequilibrada, embora diferente: no Grupo Título a luta parece apenas vir a cingir-se ao 4° lugar que, ainda assim, dará acesso às meias-finais da Final Four; no Grupo Despromoção e para além da vivência competitiva que não desiste da vitória fica apenas, veja-se a diferença entre a média da Capacidade Competitiva entre o primeiro e último, pela  questão da atribuição do último lugar. Se ao CRAV, se à Lousã.
Aproximando-nos a passos largos da época internacional quer no XV, quer no Sevens,  apenas se
jogará, antes da janela internacional, a 6.ª jornada desta Divisão de Honra. Veremos mais tarde como terão sabido as equipas aproveitar este período para refazerem processos e melhorarem capacidades.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

EQUILÍBRIO NÃO É SUFICIENTE


Mantém-se a tendência para um maior equilíbrio competitivo no Grupo Título em relação ao Grupo Despromoção que se mostra bastante mais desequilibrado como se pode verificar com os dois resultados por diferença de 30 pontos e a relação entre pontos de bónus ofensivos (6) e bónus defensivos (2) que é, praticamente, a inversa da existente no Grupo Título — 3 pontos de bónus ofensivos para 5 de bónus defensivos.

Portanto e juntando ainda os dados retiráveis dos quadros seguintes, no Grupo Título mantêm-se a totalidade das expectativas na luta pelo título enquanto que no Grupo Despromoção a expectativa parece focar-se apenas e desde já em qual das duas equipas — Lousã ou CRAV — será directamente despromovida uma vez que o intervalo começa a alargar-se de forma tal que a recuperação se mostra de enorme dificuldade. E como, num erro enorme dos clubes que aprovaram a prova, nada mais há em disputa para além da fuga aos dois últimos lugares a expectativa competitiva parece muito reduzida quando ainda não se atingiu o final da primeira volta.




Na sequência do demonstrado no quadro superior, o equilíbrio competitivo — veja-se a diferença entre as médias do primeiro e do último classificados e a capacidade de marcação de ensaios em cada um dos quadros sobre a capacidade competitiva — é mas acentuado no Grupo Título.

Exposta esta factualidade da competitividade do Campeonato da Divisão de Honra será importante fazer notar que a maior competitividade está relacionada com o equilíbrio entre as capacidades das equipas mas nada garantindo em relação à qualidade do jogo. Tão pouco em relação à intensidade. Aspectos que, diga-se, têm deixado bastante a desejar e que estão longe do que sabemos serem as exigências dos jogos internacionais E o jogo decisivo da época internacional — contra a Bélgica, adversário a quem teremos de vencer para garantir a permanência e poder encarar os outros jogos como forma de crescimento e habituação — está a pouco mais de um mês com festas pelo meio...

domingo, 15 de dezembro de 2019

ASSIM VAI O CAMPEONATO DA “DIVISÃO DE HONRA”


No Grupo do Título foram conquistados 2 pontos de Bónus Ofensivos e 4 pontos pontos de Bónus Defensivos. No Grupo de Despromoção foram conquistados 3 pontos de Bónus Ofensivos e 3 Defensivos.







sábado, 14 de dezembro de 2019

SINAIS DE EQUILÍBRIO NO GRUPO DO TÍTULO



Nesta composição de pontos de jogo quatro factos interessantes:
a) o maior número de ensaios pertenceu ao CDUL que, com espanto, não conseguiu mostrar, na 1.ª jornada do Grupo do Título e contra o GD Direito (perdendo por 44-16) qualquer capacidade atacante digna de nota mesmo se jogou na Fase de Apuramento no grupo de maior equilíbrio competitivo o que lhe deveria ter proporcionado uma preparação suficiente;
b) A incapacidade atacante da Lousã que apenas marcou 1 ensaio nos seis jogos realizados na fase de apuramento;
c)  Serem pontapés de penalidade (6) que constroem, com 64% da totalidade dos 28 pontos conseguidos, o volume dos pontos conseguidos pela mesma Lousã.
d) A pouca capacidade atacante — a segunda pior — demonstrada pelo CRAV com apenas 22 pontos e 3 ensaios nos seis jogos efectuados.
A Capacidade Competitiva das equipas na Fase de Apuramento é formada pela média da Taxa de Sucesso (vitórias/totalidade de jogos), Quota de Pontos de Classificação (pontos conseguidos/totalidade de pontos possíveis) e Quota de Pontos de Jogo (pontos de jogo marcados/ sobre a totalidade dos pontos marcados e sofridos que a maior ou menor facilidade da vitória ou dificuldade imposta na derrota).
No quadro verifica-se que o Belenenses foi a equipa — 84% — com maior demonstração de Capacidade Competitiva na Fase de Apuramento e, no entanto, foi perder, na 1.ª jornada do Grupo do Título com o Técnico que apenas conseguiu a 6.ª média de Capacidade. Por outro lado o CDUL, com uma média muito próxima do Direito, deveria ter usado o “factor casa” para vencer. Estes dois resultados podem ser um sinal de construção de um elevado Índice de Competitividade do Grupo, mantendo a indecisão classificativa até final, obrigando as equipas a trabalhar mais e melhor e elevando a incerteza.
No Grupo da Despromoção, o CDUP, com uma média de 47% de Capacidade Competitiva foi vencer, mesmo fora de casa, o Benfica com menos 14% de média. O que pode ser um indício, como aconteceu na temporada 2017/2018, que o equilíbrio competitivo deste Grupo vai ser baixo.
Com os jogos da 2.ª jornada veremos, entre consistência e instabilidade, o que nos podem trazer estas relações: equilíbrio ou desequilíbrio competitivo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O ELOGIO DO DESEQUILÍBRIO

O Desporto tem características próprias que o definem e enquadram. O Desporto federado, enquadrando-se no domínio do Rendimento, afina mais ainda características próprias que vão definir a Competição Desportiva dando-lhe um enquadramento de princípios e valores que são únicos e que, como tal, devem ser garantidos e respeitados. 


Um dos princípios fundamentais da Competição Desportiva é o EQUILÍBRIO. Expressão que vai estabelecer que a competição — para que seja atractiva para actores e espectadores e se conforme aos princípios e valores defendidos — não tem vencedor antecipado e que todos os seus intervenientes poderão vencê-la. Mas sempre sem recorrer ao eufemismo de conceitos que mais não representam que facilidades administrativas para ultrapassar equipas de superior mérito desportivo. É, de facto, por necessidade de garantir o necessário equilíbrio que no Desporto Rendimento existem divisões. Ou número limitado de equipas para cada competição. Quadros que se estabelecem por razões desportivas e não por quaisquer outras por mais que as aparências das boas falas nos pretendam iludir. O Desporto rege-se por regras e valores que lhe são próprios e o caracterizam e as decisões sobre a sua organização devem, inequivocamente, respeitá-los!
Este equilíbrio que é necessário e se evoca, não é um mero conceito retórico baseado numa qualquer “fezada”. Para o determinar existem os resultados — esse parâmetro determinante do domínio do rendimento desportivo — que demonstram, recorrendo aos algoritmos aplicáveis, quão equilibrada é, por mais complexo que possa parecer, uma competição.
Atribuindo o estatuto de primeiro nível a 12 equipas para a disputa da principal competição, os clubes e a própria Federação não tiveram presente nem a real capacidade que clubes e as suas equipas têm demonstrado, nem a experiência recente. Tão pouco os seus dirigentes — com uma ou outra pequena excepção que terá sido assimilada — foram capazes de reconhecer a evidência. E a verdade é esta: mais vale competir num nível abaixo onde as capacidades colectivas e individuais dos praticantes se aproximam e equilibram do que noutro mais elevado e onde o jogo se torna absurdo. 
E, se não for assim, teremos resultados como o que está transposto no primeiro quadro! Um verdadeiro elogio ao desequilíbrio e, portanto, à não-competição.
Embora não se podendo fazer rigorosas comparações entre as diferentes equipas por, tratando-se de 
competição por grupos,  não ter havido confrontos entre muitas delas, é possível ter uma visão geral 
do profundo desequilíbrio gerado. E assim houve jogos, pela distância de capacidades conhecida das oposições, que pouco ou nenhum interesse competitivo demonstraram. Prejudicando, naturalmente, praticantes e o seu desenvolvimento técnico e táctico como se pode perceber pelo ridículo valor do Índice de Competitividade atingido.  
Com 15 jogos — 42% dos 36 realizados — de resultados distanciados por mais de 30 pontos numa clara demonstração de “vitórias fáceis” a que se juntaram mais 6 jogos, estabelecendo um valor global de 58% de resultados com diferenças superiores a 15 pontos (o valor estabelecido pela WC para que os pontos de ranking sejam multiplicados), esta fase de apuramento não pode ser considerada como suficientemente competitiva para proporcionar qualquer adesão aos objectivos que o Desporto Federado deve prosseguir. E, muito provavelmente, a decisão que a impôs ou aceitou é 
responsável — pela falta de capacidade competitiva que proporcionou — pela derrota contra o Brasil num jogo que, cá ou lá, deveríamos ganhar e não, como aconteceu, perder pontos e posicionamento de ranking.

Como se pode ver pelo segundo quadro que aqui se apresenta os níveis da competição mais elevados são atingidos com competições com 6 equipas — e não vale a pena começar a época com 12 clubes para definir dois grupos posteriores de 6. A evidência está nos resultados conseguidos quer na época de 2017/18, quer no conseguido na abertura desta época.
Se é fácil verificar pelos dados expostos que o melhor nível competitivo está limitado a 6 equipas, a possibilidade de competição com superior número de participantes não pode ultrapassar 8 equipas (IC=40 em 2018/19). Porque a realidade dos números limita, hoje em dia e sem que haja qualquer alteração sistémica de processos e métodos na composição e treino das equipas mais fracas, a sete o conjunto de equipas com capacidades de se mostrarem minimamente competitivas.
É bom não esquecer que à “simpatia de 10 clubes”,  correspondeu também o “passeio” pela 3.ª divisão europeia sem qualquer vantagem fosse para quem fosse.
Os resultados deste passado fim‑de‑semana alertam, com as duas vitórias com bónus defensivo no Grupo do Título e as duas vitórias por mais de trinta pontos no Grupo da Despromoção, para uma situação próxima (ver 2º quadro) daquela que se passou na época 2017/18  com um IC=51 para o Grupo A e um IC=6 para o Grupo B. Ou seja e claramente existem duas distintas divisões. Atentos, devíamos tomar nota.  




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