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segunda-feira, 18 de março de 2019

GALES NUM DIA INESQUECÍVEL

Excelente vitória de Gales numa tripla de se lhe tirar o chapéu  — Torneio das 6 Nações, Grand Slam, Triple Crown a que se acrescenta a novidade do 2.º lugar no ranking da World Rugby. Cinco vitórias seguidas em cinco jogos em casa e fora é um feito que exige uma equipa coesa e consistente. Não se ganha um Grand Slam por sorte mas por eficácia defensiva e atacante.
Gales marcou 10 ensaios e sofreu 7 para conseguir uma quota de pontos marcados de 64% e garantiu que as suas capacidades ofensivas eram suficentes com as 837 placagens numa taxa de sucesso de 89%. Ou seja e como primeira lição desta tripla: os campeonatos ganham-se marcando mais pontos do que o adversário — o que tem como consequência garantir que a defesa é suficiente para garantir que o adversário marcará menos. E Gales garantiu isso, não se mostrando nada preocupado em que a sua quota de pontos marcados demonstrasse uma enorme superioridade em relação aos seus adversários. Conseguir resultados positivos, ganhar, é tudo que uma equipa precisa para ganhar campeonatos.
A segunda lição desta notável conquista diz respeito à existência de um capitão à altura às circunstâncias e Alun-Wyn Jones foi esse capitão. E um grande capitão não é apenas aquele que fala com o árbitro durante o jogo, tão pouco aquele que dirige estratégica e tacticamente a equipa, tomando decisões — postes ou maul penetrante? — que têm importância no resultado final do jogo ou que, pela sua atitude e exemplo, arrasta companheiros para conseguir a melhor e mais capaz prestação competitiva da sua equipa. Um capitão é muito mais do que isso, representa, dentro e fora do campo, antes, durante e depois do jogo a Cultura que formata a sua equipa. E o galês Alun-Wyn Jones, um exemplar guerreiro, tem essas características como mostra a fotografia abaixo. Um exemplo modelar de capitão.
Por decisão dos responsáveis irlandeses a cobertura do Principality Stadium não foi fechada. E   choveu bem em Cardiff.

Quando tocaram os hinos — emocionante um tradicional “Hen Wlad Fy Nhadau (Old Land of My Fathers)” com o coro das bancadas dirigido, do centro do campo, pelo regente da banda — chovia a bom chover. Um miúdo transportava a bola de mão dada com o capitão. Alun-Wyn Jones percebeu o seu desconforto com a chuva que caía, tirou o blusão, cobriu o rapaz e continuou a cantar o hino com o fervor de uma última vez.

Terceira lição: uma equipa técnica, formada por Warren Gatland e Shaun Edwards, que os jogadores respeitam e que é muito capaz na motivação  — “aproveitem esta oportunidade que pode não surgir outra vez” — na estratégia, na táctica e na técnica. Como ficou demonstrado no ensaio marcado e que abriu o caminho da vitória.

O rugby é um desporto colectivo de combate e deve, por isso, subordinar-se aos princípios estratégicos do combate. Sun Tzu dizia: “o desconhecimento do local de combate por parte do inimigo fá-lo preparar-se para um possível ataque em vários locais, forçando-o a distribuir as suas forças por vários pontos, enfraquecendo-se.”, Clausewitz afirmava que “a surpresa é o princípio mais eficaz para obter a vitória” a que se junta a voz do treinador defensivo galês, Edwards, para lembrar que “os grandes jogos são definidos por tácticas, não por ideais”. E assim foi...
...a partir de um maul penetrante dentro dos 22 adversários seguiram-se duas penetrações próximas para avançar e aproximar da área de ensaio irlandesa, obrigando os defensores a tomar decisões.

Assim, o formação Conor Murray teve que avançar para a linha defensiva do lado fechado — questão de igualar atacantes — e o defesa Rob Kearney teve que tomar a decisão de também subir para cobrir a introdução na linha atacante do lado aberto do defesa galês, Liam Williams. Qualquer destes dois defensores ficou assim sem possibilidades de garantir a cobertura da área de ensaio e, com estas acções e movimentos da equipa atacante, o terreno da área dos cinco metros e da área de ensaio ficou livre de defensores e o preciso pontapé curto de Ascombe permitiu ao lançado Hadleigh Parkes, apoiado por Jonathan Davies, captar a bola para fazer o ensaio. Depois foi ver uma permanente e organizada pressão defensiva, com os jogadores a avançar lançados para a corrida de conquista da linha de vantagem e impedir assim encadeamentos adversário, levando-os a cometer as oito penalidades que permitiram as seis penalidades transformadas em dezoito pontos. Em todos os casos o resultado de um treino objectivo e adequado aos propósitos estratégicos previamente determinados. Um dia inesquecível para os galeses e seus adeptos.


Em Roma, a França não deu qualquer espaço para melhorar a desconfiança dos seus adeptos num Mundial vitorioso enquanto que a Itália, mostrando uma enorme falta de maturidade, deixou fugir a vitória que lhe retiraria a Colher de Pau.

Em Twickenham, a enorme surpresa. Chegando ao intervalo a vencer por 31-7, a Inglaterra apanhou o susto da época ao ver os escoceses marcarem mais cinco ensaios para, se colocarem, a cinco minutos do fim, a vencer 38-31. Valeu para diminuir o embaraço inglês um ensaio de George Ford aos 83’ para acabar num inesperado empate de 38-38. Uma festa de onze ensaios.

Daqui para a frente e em termos de jogos-teste, restam-nos um Championship do outro lado do mundo e alguns jogos de preparação para alimentar as expectativas do Mundial do Japão.







quinta-feira, 14 de março de 2019

6NAÇÕES - PREVISÕES PARA A ÚLTIMA JORNADA

Tudo se vai decidir na última jornada: vencedor do Torneio, vencedor do Grand Slam, vencedor da Triple Crown e Colher de Pau. E só Gales tem a possibilidade — para o que lhe basta vencer o jogo, em Cardiff, contra a Irlanda — de conseguir a tripla. A Itália tem, em Roma e se derrotar a França, a  possibilidade, embora mantendo o último lugar, de evitar a Colher de Pau.
As probabilidades, como se pode ver no quadro, são muito pouco assertivas para o jogo de Gales — a australiana QBE e o seu super computador consideram que as probabilidades são de 50%, acabando por considerar que os irlandeses terão vantagem final. Nos outros dois jogos, ingleses e franceses carregam todo o favoritismo.
Com estas expectativas todas pela definição do vencedor final, o próximo sábado vai ser de sofá. E o Gales-Irlanda será de primeira escolha. 
Como se comportará a defesa galesa perante as simples mas muito eficazes combinações irlandesas? E qual das duas equipas melhor aproveitará o jogo ao pé? — a excelente novidade galesa de que Liam Williams poderá jogar, poderá também fazer a diferença. E nos maul-penetrantes quem levará a melhor: a excelente organização defensiva do bloco avançado de Gales ou as poderosas combinações do bloco irlandês? Jogo de todas as apostas e a não perder.
Em Twickenham, na tradicional Calcuta Cup, a Inglaterra que já saberá o resultado do Principality Stadium, dará uma demonstração daquilo que realmente vale o seu colectivo se o jogo for apenas para cumprir calendário. Mesmo estando sempre em jogo o prestígio da taça em disputa anual com os escoceses, se Gales tiver vencido em Cardiff, os jogadores ingleses demonstrarão, pelo grau de atitude posta em campo, o nível qualitativo da coesão da sua equipa e, portanto, o grau de pretensões objectivas para o próximo Mundial.
Como se vê pelo quadro abaixo, a vitória no Torneio está dependente dos resultados. Se Gales ganhar, fica o caso arrumado; se perder, a vitória no Torneio dependerá do resultado que Irlanda e Inglaterra tenham conseguido — o que dá uma voz à Escócia que tem neste jogo a possibilidade de demonstrar que não pretende continuar a ser mero figurante do mais alto nível internacional e, assim, marcar posição nas mudanças que se discutem para o futuro da modalidade.
Um fim‑de‑semana rugbísticamente em cheio!
QPM- quota de pontos marcados; %V- percentagem de vitórias





terça-feira, 12 de março de 2019

6NAÇÕES - RESULTADOS DA 4.ª JORNADA

As vitórias da 4ª jornada do 6Nações foram as esperadas e vão proporcionar uma última jornada de grande expectativa.

Se Gales ganhar o jogo em Cardiff contra na Irlanda, consegue um três em um: vencedor do Torneio com Grande Cheléme e a Triple Crown. Se perder, Inglaterra ou mesmo a Irlanda — tudo dependendo dos resultados conseguidos — podem ser vencedores do Torneio. No jogo de Roma a luta entre franceses e italianos para evitarem a “colher de pau” — último lugar só com derrotas. Três jogos decisivos e todos em sequência a partir do meio-dia-e-meia de sábado.

O Escócia-Gales teve duas partes distintas, a primeira de absoluto domínio dos galeses, a segunda com a Escócia a plantar-se no meio-campo galês e a obrigá-los a elevadas 160 placagens para defender o seu castelo. Mas o jogo deixou marcas e os galeses não poderão agora contar com a segurança da rectaguarda de Liam Williams para o jogo de sábado — e s irlandeses sabem usar o jogo ao pé. Para Gales uma primeira parte a demonstrar poder e precisão e uma segunda a mostrar a capacidade de Edwards na organização e preparação defensiva galesa — uma bom exame para sábado.

Os ingleses não tiveram dificuldades em derrotar os italianos. Pode até considerar-se que depois dos treinos controlados de Oxford com a Geórgia tiveram outro treino mais próximo do jogo para preparar o jogo da Calcuta Cup contra escoceses.

Contra uma equipa francesa que parece ter desaprendido de jogar, a Irlanda — que nunca tentou qualquer penalidade aos postes —marcou dois ensaios de se lhes tirar o chapéu. No segundo da uma dobra — com que Saxton gosta de desequilibrar defesas — mas que o facto de Ringrose lhe ter entregue a bola, rodando-a pela sua frente e mostrando-a ao adversário, fez com dois defensores franceses chocassem entre si e deixassem aberta uma avenida por onde Sexton circulou até ao ensaio.

Tão bonito de ver que a sua vista aérea o transformou numa obra-prima. No quarto a garantir ponto de bónus, uma elaboração superior com a magia de Joe Schmidt que colocou o ponta Earls no início de um alinhamento para receber, por dentro, um passe de uma espécie de peel-off e explorar o intervalo que os defensores franceses deixavam ao partirem demasiado cedo e rápido sobre o abertura irlandês. Uma maravilha de análise, de preparação e execução. E os franceses, por mais que jornalistas e antigos jogadores falassem de uma hipótese de estratégia que iria permitiria surprender os irlandeses, não conseguiram mais do que o disfarce de dois ensaios nos cinco minutos finais, mantendo no ar a mesma dúvida: com que capacidade competitiva se irão apresentar no Mundial do Japão?

Neste mesmo fim-de-semana as series dos Sevens continuaram em Vancouver, no Canadá. E não correram nada bem para as pretensões portuguesas: os espanhóis jogaram o suficiente para vencer a Nova Zelândia — são agora os 11º do ranking das World Rugby Sevens Series e nossos concorrentes à qualificação europeia para os Jogos de Tóquio. Por outro lado, a Inglaterra perdeu uma posição para os vencedores do Torneio de Vancouver, a África do Sul, e está fora dos quatro primeiros lugares o que poderá vir a colocar a Grã-Bretanha como mais um concorrente ao lugar europeu juntamente ainda com a França, a Irlanda, a Rússia, a Itália e a Alemanha...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EUROPEAN TROPHY: PORTUGAL-POLÓNIA


De acordo com os valores da pontuação do ranking da World Rugby, Portugal vencerá este jogo, em casa e a contar para o Rugby Europe Trophy, contra a Polónia por 16 pontos de jogo de diferença. O que lhe garantirá e se assim for, subir um lugar no ranking, ultrapassando a Alemanha que, apesar de pertencer à divisão superior, irá jogar fora, contra a Roménia e não deverá conseguir pontos positivos.
As vantagens de Portugal para este jogo são óbvias - nos resultados desde 2017 e no mesmo nível competitivo, tem 67% de vitórias contra 33% do seu adversário bem como 57% de quota de pontos marcados no conjunto de marcados e sofridos enquanto a Polónia tem o saldo negativo de apenas 37%.
Não se reconhecendo qualquer qualidade competitiva ao campeonato polaco, os jogadores portugueses não devem ter, técnica ou tacticamente, confronto problemático. E mesmo com uma competição interna que não se situa em plano elevado — como se pode verificar no gráfico abaixo, com dez jornadas completas, apenas três equipas podem ganhar o campeonato — os hábitos competitivos dos portugueses devem chegar para garantir a vitória.
Vitória que o passado das duas equipas determina e por números que não deixam margem para dúvidas sobre a diferença entre elas mas... no último jogo disputado também em casa, Portugal passou dificuldades e apenas venceu por uns acanhados dois pontos de diferença. 

 
Como curiosidade veja-se no gráfico acima a distribuição dos jogadores seleccionados pelos clubes da Divisão de Honra e as pontuações classificativas correspondentes. O maior número de jogadores — 5 —nos 23 que constituem a equipa pertencem a Agronomia e ao CDUL. O “capitão” será o Salvador Vassalo do Cascais.

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