segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

BOAS ENTRADAS...



Desenhado em iPad

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

JOSÉ RICARDO SEQUEIRA

Faleceu o José Ricardo Sequeira.

Tenho ideia que me lembro dele desde sempre. O seu Pai, Luis Sequeira foi oficial no Colégio Militar e meu treinador de futebol - fui seu "capitão de equipa" e fomos bi-campeões de Lisboa nos campeonatos da Mocidade Portuguesa - e antes de o conhecer já ouvia falar dele.

Conheci-o bem como treinador de rugby e sempre gostei do seu carácter: era um desportista. Era leal e era um conhecedor.

Numa das últimas vezes que estivemos juntos, num jogo de Agronomia numa final no Estádio de Honra do Jamor pude lembrar-lhe: foi há 50 anos que, com o teu Pai, fomos aqui campeões de Lisboa e que aqui recebemos a Taça. Olhou para mim, sério e respondeu: só tu me poderias comover. E trocámos um longo abraço.

À família, ao seu irmão Luís, a expressão da minha tristeza.

domingo, 23 de dezembro de 2012

NATAL 2012

Desenhado em iPad

sábado, 22 de dezembro de 2012

RECORDAÇÕES

Foi muito agradável para mim ver que Vasco Lynce, Bernardo Marques Pinto - foi um momento particularmente significativo poder receber a sua medalha - e José Carlos Pires, três grandes capitães de selecções nacionais pelas quais fui responsável, foram também agraciados pela Federação Portuguesa de Rugby na I Cerimónia de Entrega de Prémios com medalhas demonstrativas do seu reconhecimento pela marca que deixaram e pelo seu contributo para o desenvolvimento do rugby português.


E gostei também de ver outros jogadores agraciados e que também pertenceram a selecções que treinei como o Faustino Pires, o Dídio Aguiar, o Manuel Costa, o António da Cunha, o Joaquim Ferreira (Xixa), o Tomaz Morais, o Luís Pissarra (Lóis), o Miguel Portela, o Carlos Jorge Reis (Cájó), o João Queimado, o Rohan Hoffman - todos jogadores que, em tempos muito diferentes dos actuais, prestaram grandes serviços à Selecção Nacional - e companheiros de equipa como Raul Martins - e meu capitão de equipa na selecção - António Cabral Fernandes, César Pegado, Carlos Nobre, Arnaldo Neto, João Pedro Pinto de Sousa, Manuel Saraiva e, claro, essa figura legendária do rugby português que é o Quim Pereira com quem joguei, por quem fui treinado e a quem treinei, num raríssimo caso de longevidade. Um grupo notável!

Estes momentos de reencontro com a memória trazem-nos recordações formidáveis, fazendo esquecer as dificuldades dos esforços ou de momentos menos bons e dão-nos a certeza das enormes vantagens, qualidades e solidariedades da vida desportiva.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MEDALHA DE SERVIÇOS DISTINTOS

No mesmo dia 15 de Dezembro em que apadrinhei a equipa feminina de rugby de Sport Clube do Porto, recebi da Federação Portuguesa de Rugby a Medalha de Serviços Distintos. Aproveitei o momento para lembrar e agradecer a pessoas que foram importantes na minha carreira de jogador e treinador. Disse assim:


"Uma carreira não se faz sózinho, faz-se com o apoio de muita gente. E eu tenho muitas pessoas a quem agradecer. Começo por aqueles que foram meus treinadores:

VALDEMAR LUCAS CAETANO
VASCO PINTO DE MAGALHÃES
SERAFIM MARQUES
LUÍS MIRAMOM
PEDRO CABRITA
JOAQUIM PEREIRA, um caso notável
de longevidade desportiva activa: foi meu treinador no CDUL e a quem treinei depois na selecção nacional.
[e que me dizia depois da cerimónia: podias ter contado que me disseste "preciso de ti, da tua experiência, para o jogo com a Espanha; no jogo seguinte, o teu lugar será ocupado por um dos jovens pilares". Se não fosse assim, se não me dissesses que era o meu último jogo internacional, ainda lá estava hoje" e riu-se numa boa gargalhada.]

Agradeço a todos os jogadores, meus companheiros de equipa no CDUP, no CDUL e na Selecção, com quem joguei.
Agradeço a todos os jogadores que tive oportunidade de treinar no GD Direito, no Dramático de Cascais, no CDUL e nas selecções nacionais de juniores e seniores.

Agradeço também aos treinadores com quem colaborei e que comigo colaboraram:

PEDRO LYNCE de quem fui treinador-adjunto
OLGÁRIO BORGES meu companheiro na construção dos Garraios
VASCO LYNCE
BERNARDO MARQUES PINTO
LUÍS BESSA
RAUL PATRÍCIO
ANTÓNIO COELHO

Agradeço também aos dirigentes que me acompanharam nas equipas que treinei:

MIGUEL FERREIRA
ANTÓNIO TRINDADE
DUARTE LEAL
ALBANO RODRIGUES
JOÃO ATAÍDE
NICHA VILAR GOMES
RAÚL MARTINS
ARMANDO FERNANDES
ANTÓNIO FAÍM
JOÃO MEGRE

E agradeço ainda aos colaboradores muito próximos:

DÍDIO AGUIAR
PEDRO GRANATE
HENRIQUE CALEIA RODRIGUES
GRAÇA GORDO
MANUEL CARVALHO
MÁRIO FERREIRA, o FRITZ
e FERNANDA ASSIS.

Esta medalha que recebi e que muito me honra tem partes de cada um de vocês. Muito obrigado a todos."





segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SER PADRINHO

Como prometido estive no Porto a apadrinhar a equipa feminina do Sport Clube do Porto. Numa cerimónia onde foi possível recordar um pouco da história do centenário clube e com a presença do presidente, Barros Vale, e de outros membros da direcção do clube bem como patrocinadores, chegou a minha vez.

Contei das minhas ligações ao clube e falei da honra que sentia ao ser escolhido para padrinho da equipa, ainda mais pelos conceitos que sustentaram o convite. Falei-lhes também da importância - não sendo o mais importante, mas tendo toda a importância - da vitória. Porque aumenta a auto-confiança, atrai mais jogadoras e permite desenvolver a equipa e o clube. E porque ganhar - desde que não seja "a todo o custo" - sabe bem.

Propus-lhes a assumpção de três propósitos de diferentes treinadores, dois americanos (Dean Smith e Bill Parcels) e eu próprio, que podem ajudar à construção de uma equipa cada vez melhor. Assim:

JOGUEM COM DETERMINAÇÃO
JOGUEM JUNTAS
JOGUEM COM INTELIGÊNCIA
Dean Smith 

NÃO ACUSEM NINGUÉM
NÃO ESPEREM NADA
FAÇAM-NO!
Bill Parcels 

SEJAM LEAIS!
SEJAM LEAIS A VOCÊS PRÓPRIAS
SEJAM LEAIS À CAMISOLA QUE VESTEM E AOS VALORES DO CENTENÁRIO SPORT CLUBE DO PORTO
SEJAM LEAIS AOS VALORES DO RUGBY
BOA SORTE, JOGUEM BEM, DIVIRTAM-SE!

E do que vi, acho que o grupo vale a pena: é formado por raparigas muito determinadas, que gostam de jogar e de melhorar. Logo que seja possível vou vê-las jogar.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SPORT CLUBE DO PORTO




A equipa de rugby feminino do Sport Clube do Porto convidou-me para ser seu padrinho. 

Consideram, muito simpaticamente, que sou um bom exemplo dos valores que envolvem a modalidade. Fico muito contente pela distinção que um clube centenário e cheio de tradições desportivas e sociais me atribui, fazendo votos para que as meninas do Sport - clube onde o meu pai jogou Andebol de 11 e que vi, no campo da Belavista, a jogar diversas vezes - possam, num enquadramento de ética desportiva como pretendem, divertir-se a jogar e atingir um nível de jogo que as satisfaça. 

No sábado, 15 de Dezembro, lá estarei nas novas instalações da Circunvalação.

domingo, 9 de dezembro de 2012

A CRESCER LÁ CHEGARÃO

Desportivamente falando percebe-se bem a diferença entre a experiência e o crescimento: a equipa experiente mantém, sejam quais forem as circunstâncias, o seu modelo de jogo, a sua forma de jogar mais adequada e mais eficaz para o conjunto dos seus jogadores, até que, por imposições do jogo do adversário, decide ir buscar as soluções de reserva que melhor se adaptem à situação que enfrenta; pelo contrário, a equipa em crescimento tende, quando a pressão parece sufocar, a "deslaçar" a forma de jogar sem a substituir pela estrutura de outra.

Foi um pouco isso que sucedeu a Portugal no jogo com a França. Pelo conjunto da pressão da circunstância e do adversário, deixou de utilizar o seu modelo de jogo - como Frederico de Sousa bem acentuou ao intervalo - desuniu-se e passou a tentar resolver o jogo individualmente. O modelo habitual de ataque central para, caso não haja perfuração eficaz, manter abertas duas alternativas de ataque, viu-se substituído por um "cada um por si" previsível nas faixas laterais do terreno. Na 2ª parte, Portugal melhorou e a França teve a sorte dos deuses pelo seu lado - terá sido talvez o finalista mais afortunado dos Torneios. Já contra Fiji, equipa com outra rapidez e comprimento de passe, com mudanças de ângulos e linhas de corrida de grande facilidade, as possibilidades são diferentes - veremos as melhorias em Fevereiro no nosso Grupo D de Wellington.

Embora não ganhando na segunda jornada, Portugal mostra crescer no bom caminho e tem agora 21 pontos e encontra-se no 9º lugar da classificação. O que significa que o objectivo principal da época - manter-se entre as doze equipas residentes do World Series. A Espanha e a Escócia estão mais longe mas é ainda necessário colocar outra das residentes - a Inglaterra e a Austrália podem acordar a qualquer momento... - atrás de nós. Tarefa difícil mas não impossível.

Os "miúdos" estão uns bravos.

(nota: no Se7ens só há duas Taças que contam, a Cup e a Plate. As outras taças são para ser disputadas por aqueles que não se qualificam para a taça principal e que não passaram do terceiro lugar nos grupos. Embora possa não parecer é melhor chegar à Cup e perder aí nos quartos-de-final e passar para a Plate, mesmo perdendo a meia-final, do que vencer qualquer das outras taças que são disputadas. Estas alterações são recentes e são agora muito mais justas e colocaram o devido valor das taças: são para inglês ver. Agradáveis de vencer para quem não conseguiu mais. Uma consolação.)

sábado, 8 de dezembro de 2012

SE7E A CRESCER

O Se7e de Portugal fez o que devia: aproveitou muito bem, sem dar facilidades, a sorte do sorteio. E fez aquilo que mostram as grandes equipas: não desaproveitam qualquer oportunidade que lhes surja. Não lhe tendo calhado nenhuma "fera", souberam, eles próprios, tornar-se nas "feras" do seu grupo. Vencer três jogos neste nível e no mesmo dia é qualquer coisa...

O que significa que estes jovens recém-lançados na alta roda do SEVEN7 estão a crescer muito bem, permitindo muito boas perspectivas para o futuro.

Com esta vitória na sua série, Portugal qualifica-se de novo para a Cup - julgo ser a primeira vez que há esta sequência de qualificação - e garante um minímo de 10 pontos que o afastarão mais de adversários directos da sobrevivência quando chegar o torneio de Hong-Kong. Canadá, Espanha e Escócia ficarão, quaisquer que sejam os resultados de amanhã, mais afastados de Portugal. O que é bom.

E sendo a França o próximo adversário, o se7e português não tem de deitar qualquer toalha ao chão - pode muito bem, vencer. Bastará que mantenha a concentração e o sentido colectivo dos melhores momentos a que junte a perspicácia do espaço livre - a distribuição ao pé de Pedro Leal tem sido, como de costume, excelente - e o ataque aos intervalos que estabelecem uma interdependência de difícil defesa. Não esquecendo a confiança necessária ao risco que procurar vencer exige.

Amanhã veremos a continuidade do crescimento.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

MUNDIAL 2015

Mundial 2015: Grupos

AINDA A VITÓRIA DA INGLATERRA


"Colocaram-nos no pé de trás e sob pressão e quando voltamos a entrar no resultado a Inglaterra não entrou em panico. Fiquei impressionado pela forma como jogaram." Richie McCaw ao Sunday Times, 02.12.12, a explicar razões da derrota por 38-21 frente aos ingleses.
Claro e sem evasivas: os ingleses ganharam porque foram melhores. Porque jogaram mais, ponto.

JANELA DE NOVEMBRO: PERDAS E GANHOS


Dos doze já qualificados para o Mundial de 2015 já se sabe quem fica em cada Jarro. Gales terá o maior sofrimento até saber se fica nalgum "grupo de morte":  terá sempre defrontar duas feras para defrontar.
Neste mês de Novembro houve quem ganhasse e perdesse posições no ranking da IRB. Uns perderam posição, outros pontos e outros ganharam uns e outros.Vejamos quais:

Perda de Posição:
- Inglaterra - era 4º no início de Novembro, terminou em 5º com a consequência de ter perdido o 1ºjarro;
- Gales - era 6º e hoje está em 9º com entrada apenas no 3º jarro;
- Escócia - era 9º e encontra-se em 12ª lugar

Perda de Pontos
- Nova Zelândia - tinha 92,91 pontos e com a derrota contra a Inglaterra passou para 90,08 sem perda da 1ªposição; 
- Escócia - tinha 77,97 pontos e hoje encontra-se com 75,83 pontos

Ganho de Lugares
- África do Sul que de 3º se encontra agora em 2º lugar;
- França que passou de 5º para 4º lugar e conseguiu ser cabeça-de-série para o sorteio de hoje;
- Irlanda colocada em 6º lugar quando era 7º no princípio do mês;
- Samoa com um belíssimo salto de 10º para 7º e lugar no 2º jarro do sorteio;
- Itália de 11º para 10º;
- Tonga de 12º para 11º.

Ganho de Pontos
- África do Sul de 84,69 para 86,94
- Austrália de 86,37 para 86,87
- França de 83,03 para 85,07
- Inglaterra de 83,09 para 83,90
- Irlanda de 79,85 para 80,22
- Samoa de 76,23 para 78,71
- Argentina de 78,63 para 78,71
- Itália de 76,03 para 76,24
- Tonga de 74,79 para 76,10

Agora resta, esperar o sorteio.   

sábado, 1 de dezembro de 2012

HÁ FESTA EM INGLATERRA

Não há com certeza pub inglês que não esteja ainda cheio de gargalhadas a comentar o jogo de uma notável e inesperada vitória do quinze de Inglaterra contra os campeões do Mundo, os All-Blacks. E por 38-21: com ensaios e a jogar-se rugby. Bom rugby. Uma festa.

E foi pena que os portugueses que gostam de rugby não pudessem ver este magnífico jogo. Como foi possível a vitória dos ingleses? Como resposta, a primeira que me lembro pertence a António Oliveira, jogador e treinador internacional de futebol, que rematou assim a explicação para um golo inexplicável: quem viu, viu; quem não viu, não viu. Não há explicações, devia ser visto.

E sobre o resultado quanto tudo apontava para a vitória, com folga dos All-Blacks? Há muito que outra grande figura do futebol português, o lateral direito do F.C. do Porto e da Selecção Nacional, João Pinto, avisou: Prognósticos?! Só no fim do jogo!. E foi o caso: dados antes, falharam rotundamente; dados depois, acertariam em cheio. É este o sortilégio do Desporto, podem haver sempre cisnes negros enquanto enormes surpresas que depois toda a gente é capaz de explicar. E é a sorte das casas de apostas: a imprevisibilidade do desporto. Um jogo, portanto.

A Inglaterra preparou-se para o jogo da sua vida. E fê-lo.

Criando uma enorme pressão - o que lhe permitiu ter a maior percentagem de posse de bola - levou os neozelandeses a cometerem faltas em zonas críticas que permitiram o dominío do marcador - chegaram a 15-0 - pelo pontapé do abertura Farrell. E quanto a volta parecia perdida com os dois bons ensaios dos All-Blacks a colocarem o resultado em 15-14, o quinze inglês teve uma estupenda reacção: acreditou, jogou e ganhou! E notável foi ver, do lado neozelandês já se sabe que assim é, os jogadores ingleses a atacarem intervalos com a preocupação de dominarem a linha de vantagem. É avançar, minha gente! conquistando o terreno profundo, depois do bom trabalho de conquista da bola e da sua parte de terreno por parte dos avançados, para perfurar ou explorar o espaço lateral já então livre - e a defesa neozelandesa viu-se em palpos de aranha para fazer frente a estas cavalgadas: defendo o de dentro e deixo o de fora à vida ou ao contrário? (pergunte-se a Conrad tSmith que se viu mais do que uma vez metido nesta embrulhada); preocupo-me com o passe interior ou defendo a passagem pelo corredor exterior? (pergunte-se a Dan Carter que se viu, mais do que uma vez, ultrapassado por fora). Erros defensivos? Não, decisões que resultaram erradas na escolha múltipla que foram obrigados a fazer. Qualidade do ataque inglês portanto: que, conquistando a linha de vantagem criou a superioridade numérica necessária para que a defesa neozelandesa tivesse de se desmultiplicar a tapar buracos.

Gales perdeu (14-12) na última jogada do desafio contra a Austrália que marcou um ensaio - o único do jogo - por Kurtley Beale. E assim passou para a terceira jarra do sorteio - ultrapassado por Samoa e Argentina que ficam na segunda jarra - e começou mal o vizinho Mundial de 2015. Do outro lado deste espelho, a alegria de Samoa que hoje festejou a entrada nos oito primeiros lugares do ranking da IRB e a vitória do Seven7 do Dubai ao vencer a Nova Zelândia na final. Grande dia!

Portugal, não vencendo - como esperado - qualquer jogo do segundo dia contra os melhores, os da Cup, subiu quatro lugares - é agora 11º com os mesmos onze pontos que a Austrália - na classificação geral do World Series. Para a semana haverá mais, em Port Elisabeth, no estádio - que honra! - Nelson Mandela. Esperamos com curiosidade o que nos trará a experiência agora ganha por estes promissores miúdos.

FECHO DA JANELA



Para fecho da janela internacional de Novembro e já um pouco à margem do habitual - três jogos em digressão é, para a IRB, o ideal - faltam apenas dois jogos: Inglaterra-Nova Zelândia e Gales-Austrália.

Em teoria o prognóstico é simples; ganham os visitantes. A Nova Zelândia ganhará por uma diferença de cerca de 18 pontos; a Austrália vencerá por cerca de 11 pontos. Na prática se verá.

A Inglaterra, depois de apenas uma vitória contra Fiji, joga apenas pelo prestígio: qualquer que seja o resultado não sairá da 5ª posição do ranking IRB e, portanto, ninguém a tira da segunda jarra do sorteio do Mundial. Já Gales, para além do prestígio, joga a sua posição ns segunda jarra - se perder será ultrapassado por Samoa que brilhará na sétima posição do ranking.No entanto, ganhando, ultrapassará a Irlanda.

Este risco que Gales corre está a provocar algumas tensões na imprensa galesa: preferiram o dinheiro à posição para o sorteio, afirmam. E não se importaram - por pura ganância, dizem - de defrontarem duas feras no próximo Mundial. Dir-se-á: o dinheirinho já cá canta e o sonho da vitória da equipa está sempre vivo. Veremos se compensa. Mas em princípio só a alma ou a crença não ganham jogos. E Gales esteve longe do brilhantismo da época passada...

Por seu lado a Nova Zelândia tem a oportunidade de, finalmente e após três vitórias, marcar pontos no ranking IRB. Até agora a diferença entre as equipas, mesmo jogando em casa, era tal que, por maior que a vitória fosse, os All-Blacks, de acordo com as regras do ranking, não acumulariam pontos evitando assim a abertura de falsos fossos entre as equipas. Como escreve, num exagero engraçado, um jornalista britânico (cito de cor): ninguém percebe como funcionam as regras do ranking mas funcionam bem. E o que é facto é que a sua aplicação se mostra capaz de definir os posicionamentos de acordo com as capacidades de cada equipa traduzida pelos seus resultados. E funciona muito melhor do que outros, desencorajando a procura de jogos de desequilíbrio evidente porque aí o mais forte corre riscos e o mais fraco nada tem a perder. E ninguém aparece nos dez primeiros sem resultados capazes.

Em relação ao sorteio do Mundial da próxima segunda-feira um jogo apenas - o de Cardiff - pode provocar mudanças na colocação nas jarras. E Samoa, descansada e a ver os seus jogadores de Seven7 no Dubai, à espera.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SEVEN7 EM GRANDE!

Excelente Se7e de Portugal no Dubai com duas grandes vitórias - África do Sul e Inglaterra - e um rés-vés contra Samoa. De duas coisas gostei muito: do excelente comportamento dos jovens - o gosto pelo risco com controlo táctico inteligente dá uma dimensão competitiva superior ao grupo - e do cumprimento (muito pouco habitual na variante) dos Princípios Fundamentais do jogo: avançar, apoio, continuidade e pressão.

De facto o Se7e português avançou sempre - a "táctica de espera" terá ficado na Portela - quer em ataque, quer em defesa, com o apoio bem organizado a permitir uma continuidade - atacante e defensiva - que cria a pressão suficiente para impedir a reorganização da defesa adversária. A capacidade permanente de atacar os intervalos pelos jovens recém-chegados - Vareta (se não houver deslumbramentos estaremos na presença do futuro 10 do XV nacional) foi um constante exemplo dessa procura do intervalo para colocar enormes dificuldades à defesa adversária - abre novas perspectivas para as dificuldades competitivas que o Se7e português terá de defrontar neste caminho de Olimpíadas do Rio como pano de fundo.

A melhoria táctica e técnica também é evidente e o excelente passe-em-carga (off-load) de Pedro Bettencourt -  a fazer justiça ao nome rugbístico da família - para o ensaio final contra a África do Sul é demonstrativa desse progresso. Ressalte-se ainda o aparente discreto trabalho de Francisco Vieira de Almeida - presente sempre que preciso, capaz de tomar decisões que pesam nas sequências do jogo, mostra-se um verdadeiro e importante jogador de equipa. Depois ainda o peso da experiência de Pedro Leal (apesar do susto que pregou no último segundo do jogo com a Inglaterra) e de Gonçalo Foro enquadra muito bem este grupo de "miúdos" que Frederico de Sousa está - pelo que se vê - a trabalhar muito bem.

O acesso à Cup - taça principal - conseguido é um boa ressalva para uma medíocre participação no torneio anterior de Gold Coast (Austrália) e um bom presságio para uma época de grande dificuldade competitiva. A confiança é sempre boa conselheira.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ALINHAMENTO COM MUITOS




Naquele que foi, provavelmente, o único momento de satisfação de todos os adeptos que encheram o estádio de Cardiff ou que estavam pelo mundo fora a vê-los na televisão, Gales marcou um ensaio a partir dum pouco usual alinhamento com 13 jogadores.

Surpreendidos, os All-Blacks não souberam responder e ficaram - para alguns deles é literal - a ver que ideia seria aquela... Mais divertido ainda foi a expressão dos galeses na bancada - delirantes com a partida pregada aos campeões do mundo.

Há anos também usamos, na selecção nacional de que fui responsável, uma jogada parecida. Tinha uma vantagem sobre esta dos galeses: tinha um plano B. A jogada que Gales fez, utilizando 13 jogadores em linha, um lançador e um formação, tem dificuldades de saída eficaz - embora a distância à linha de ensaio dê poucas hipóteses aos defensores - se a resposta dos defensores seguir a lei do espelho - pessoalmente e se houvesse a desconfiança antecipada que o adversário poderia utilizar esta jogada a defesa seria montada com 12 jogadores em linha, um no corredor, outro no final do alinhamento e dentro da área de ensaio, caso a distância fosse menor que sete metros porque se maior seria integrado como cerra-fila, e outro ainda como formação para ocorrer a qualquer perfuração ou queda da bola.


A jogada que então fazíamos colocava 12 jogadores em linha e exteriores um lançador, um formação e dois jogadores nas linhas atrasadas - um abertura capaz de agarrar qualquer bola que viesse e um poderoso sprinter capaz de garantir, se necessário, a vitória da corrida na diagonal dos 50 e tal metros que poderia ter que correr. As alternativas dependiam do adversário: se este respondia com a lei do espelho a bola era para abrir e jogar pelos dois três-quartos; se o adversário se preocupava com o espaço livre e colocava menos jogadores no alinhamento, a entrada seria em força e em maul. Estas duas soluções permitiam que a jogada pudesse ser realizada dentro dos 22 sem que fosse necessário muita proximidade da linha de ensaio. Era divertido e eficaz.
  

Lição a reter deste momento de Cardiff: a surpresa é uma arma terrível - para o bem e para o mal - para uma equipa de rugby. E tendo o jogo começado com a inovação do menino William, a inventiva passou a ser característica integrante deste nosso jogo: use-se, portanto!

domingo, 25 de novembro de 2012

QUATRO PRIMEIROS ENCONTRADOS


Com os resultados deste fim-de-semana e quaisquer que sejam os resultados do próximo, a primeira jarra dos cabeças-de-série para o Mundial de 2015 está preenchida com Nova Zelândia, África do Sul, Austrália e França.

A grande surpresa - "Rugby is the soul of Tonga and it's going to bring our people together." foi conseguida por Tonga - a jogar mais de 20 minutos com catorze jogadores para além dos últimos minutos apenas com treze e marcando os dois únicos ensaios do jogo - que venceu, em Aberdeen, a Escócia (21-15), ajudando sobremaneira a colocar a pergunta que esta janela internacional de Novembro obriga: o que se passa com o rugby do hemisfério norte?. Derrotas de Gales, Itália - ambas previsíveis - e da Inglaterra com apenas vitória da Irlanda sobre a Argentina - por números inesperados (46-24) - deram algum alento ao rugby europeu - a vitória da França era esperada e, diga-se, naturalmente obrigatória.

Em termos de ranking e em relação ao anterior, veremos a Irlanda a subir ao sexto lugar e a Argentina a voltar ao início da digressão: 8º lugar, se o acerto das milésimas não vier dizer que foi ainda ultrapassada por Samoa - nas minhas contas terão a mesma pontuação arredondada de 78,71. Veremos segunda-feira se tudo bate certo.

Para a confiança dos nossos adversários de Fevereiro os resultados não foram os melhores: derrota da Geórgia (19-24) frente a Fiji e derrota da Roménia (3-34) com os Estados Unidos.

sábado, 24 de novembro de 2012

MUDANÇAS?


Se a lógica imperar, as mudanças serão muito reduzidas neste penúltimo dia da janela internacional de Novembro: haverá apenas uma troca entre a Irlanda, se vencer o jogo entre ambos, e a Argentina. A França, tudo o leva a crer, consolidará a procura do quarto lugar (a Inglaterra não se tem mostrado capaz de bons resultados a este nível mais elevado) e Gales manterá - a mais que provável derrota contra os All-Blacks, dada a diferença de posicionamento, não lhe custará pontos no ranking - o oitavo lugar.

Pena, pena é que não vamos ter a visão dos melhores jogos deste fim-de-semana, o Inglaterra-África do Sul e o Gales-Nova Zelândia - deixando já de fora um Irlanda-Argentina - só serão acessíveis em canais estrangeiros. O nosso acesso, embora a três outros jogos, fica-se por jogos de menor importância e dimensão. Sinto-me como um pobre: dão-me só parte do que preciso mas devo ficar agradecido...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PORTUGAL NO 21º LUGAR

Por uma distracção imperdoável - erro de não ter considerado que a Geórgia, ao perder o jogo com o Japão, desceria um lugar e seria 17º do ranking e não 16º como ficou considerado no quadro que publiquei - coloquei Portugal no vigésimo lugar e não no correcto lugar de 21º. As minhas desculpas.

Portugal, com os resultados desta digressão à America do Sul, subiu 6 lugares - uma das selecções que mais lugares subiu nesta janela de Novembro - no ranking da IRB. Um feito nada negligenciável tendo em vista, repete-se, o apuramento para o Mundial de 2015.

Aqui fica o gráfico certo com a qualificação actual. Nesta área que nos importa e no próximo sábado os jogos Roménia-USA e Geórgia-Fiji vão concerteza alterar ainda os posicionamentos hoje oficializados.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

QUARTO LUGAR COM DONO?

A luta pelo 4º lugar parece pender definitivamente para a França - a Inglaterra, perdendo em casa com a Austrália, pode ter deitado fora a hipótese a que só a combinação de duas vitórias contra África do Sul e Nova Zelândia e a derrota da França contra Samoa poderá ressuscitar.

Para além da derrota de Gales - o que poderão fazer no próximo sábado contra os All-Blacks da Nova Zelândia? - a outra surpresa foi a derrota inglesa contra a Austrália que assim se redimiu dos trinta pontos que sofreu em Paris e ganhou uma nova confiança que o jogo em Itália poderá ainda ajudar para um fecho de digressão em Cardiff de acordo com os seus pergaminhos - este jogo, no 1 de Dezembro, deverá ser de não perder; para Gales pode ser a última oportunidade de uma vitória...

Como curiosidade, o facto do França-Argentina, ter tido apenas 9 formações ordenadas durante todo o jogo, sendo a primeira com 39' de jogo já decorrido - alguma coisa anda a mexer, a mudar. O jogo de passes melhora, as decisões do passar ou penetrar são mais eficazes, o apoio está lá à disposição do portador. E o movimento parece estar a ganhar uma importância cada vez maior. Assim seja.

domingo, 18 de novembro de 2012

NOVA VITÓRIA DE PORTUGAL

Se não me enganei nas contas, Portugal, com esta segunda vitória contra o Chile (28-22) na digressão pela América Latina e tendo em conta os restantes resultados deste sábado, colocou-se em 20º lugar do ranking da IRB com 59,63 pontos, ultrapassando Rússia, Namíbia, Bélgica e Uruguai.


À frente de Portugal e dos seus adversários do 6 Nações B continuam a Geórgia - 16º lugar com 66,74 pontos; a Espanha - 18º lugar com 65,04 pontos; e a Roménia - 19º lugar com 63,58 pontos. Mas as vitórias deram já - e mais ainda se se confirmar o salto de sete lugares - uma boa confiança para os confrontos de Fevereiro na disputa pela desejada presença no Mundial de 2015.

Excelente digressão, excelentes resultados a deixar uma boa imagem do rugby português num também excelente aproveitamento da oportunidade para nos colocar num lugar mais adequado do ranking internacional. Muito bem!

Esperemos pela confirmação oficial (isto é: que as minhas contas estejam certas) da posição e pontos amanhã pelas 12 horas.

sábado, 17 de novembro de 2012

NOVEMBRO QUENTE

Ao perder em casa com Samoa, Gales dever ter - a não ser que consiga duas improváveis vitórias sobre a Austrália e Nova Zelândia por quinze ou mais pontos - arrumado as botas em relação ao quarto lugar do ranking. Ao contrário, Samoa aparece ao assalto do 8º lugar para garantir entrada no segundo pote mundialista.

Esta janela de Novembro promete - a meio da semana a Espanha conseguiu uma boa vitória, na Namíbia, sobre o Zimbabué, dando novo salto no ranking e preparando-se para trocar de posição com a própria Namíbia - e o jogo França-Argentina será de não perder com qualquer dos dois a querer marcar pontos de ranking para posicionamento nos potes do sorteios de 3 de Dezembro.


Em Londres, um Inglaterra-Austrália também terá o interesse de permitir saber o real valor da equipa inglesa que, lembre-se também sonha com o 4º lugar do ranking. A Escócia bate-se com a àfrica do Sul e a Nova Zelandia vai ter tarde fácil contra a Itália. Por muito que os italianos se batam no campo não vão conseguir parar a máquina de jogar que são os All-Blacks - o jogo vai valer pelo mostra da capacidade neozelandesa, pelos seus movimentos e técnicas. Que irão acontecer da melhor forma, num à-vontade pouco habitual nestas andanças de alto nível.

Portugal jogará em Santiago do Chile, contra o XV da casa, procurando a segunda vitória da digressão que permitirá culminar num salto - embora necessitando dos favores de terceiros - de cinco a seis lugares no ranking da IRB. Mostrando os dentes, se assim for, para o Seis Nações B de Fevereiro no caminho de uma pretendida nova presença no Mundial de 2015. Por aquilo que se foi sabendo do jogo contra o Uruguai, se a atitude dos jogadores portugueses for idêntica, as probabilidades da vitória serão efectivas. Á vitória, portanto!


Nos gráficos que se publicam pode ver-se o que pode mudar caso as equipas que jogam em casa - com excepção dos jogos de Portugal, da Itália e da Espanha onde se espera vitórias dos visitantes - façam a obrigação de vencer. É, naturalmente, uma previsão como outra qualquer e, como se sabe, prognósticos só no fim do jogo... Vamos a ver o que dá.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

PORTUGAL VENCE O URUGUAI

Juntamente com a França e a Argentina, Portugal foi uma das surpresas - a mais agradável, diga-se - desta jornada da janela internacional de Novembro. Foram estas as três equipas que venceram adversários colocados em lugar superior do ranking IRB e que permitiu a cada uma delas subir alguns lugares.

De um ponto de vista de importância a melhor vitória  pertenceu à França (33-6) que se colocou em posição privilegiada para ser cabeça-de-série no sorteio do Mundial do próximo 3 de Dezembro. Já está em 4ª lugar e com hipóteses ainda - embora dependendo de terceiros - de poder incomodar a Austrália. Para já e no próximo sábado o adversário è a Argentina que, em Gales, se mostrou excelente vencendo com o relativo à-vontade de 26-12. Surpreendente e primeiro passo para garantir lugar no segundo jarro do sorteio. Quem, com derrota em casa contra adversário pior qualificado, parece ter ficado afastado definitivamente do primeiro jarro do sorteio é Gales - perdeu para a França quase 4 pontos, praticamente irrecuperáveis.

A França fez um jogo excelente contra os australianos - mesmo se favorecida no ensaio de Picamoles (uma saída directa pela esquerda da formação ordenada com conquista de terreno leva sempre a desconfiar da falta que o permitiu - e foram duas evidentes...) - numa demonstração de que o ataque e conquista da linha de vantagem constitui a chave do sucesso atacante e defensivo. Em ataque, o domínio da LV fixa os defensores não os deixando deslizar e obriga-os a subir mais lentamente, criando espaço de manobra que permite a utilização da superioridade numérica conseguida - e as linhas de corrida dos franceses foram tacticamente muito eficazes. Defensivamente e pela criação de superioridade numérica que a conquista da LV permite, os franceses puderam náo se deixar "consumir em demasia" sobre cada atacante e ter sempre jogadores disponíveis para intervir. O jogo França-Austrália foi muito interessante de ver, permitindo perceber a procura actual da criação de jogo com uma utilização da bola mais constante.  


Ranking IRB dos nove primeiros lugares a 12 de Novembro
Não deixa de ser interessante notar que muitos dos resultados deste fim-de-semana foram de números elevados para ambas as equipas mostrando uma interessante preocupação de utilização eficaz da bola. O que transforma o jogo num interessante espectáculo quer pela expressão da forma quer pela alteração de resultados.

O jogo dos All-Blacks com a Escócia foi uma maravilha de expressão da beleza do rugby. Se ao ataque e domínio da linha de vantagem - que já são bastante eficazes para impôr a capacidade de uma equipa - juntarmos, como o fazem os neozelandeses, a mudança de ângulos de corrida dos apoiantes garantindo que não existe paralelismo nas linhas de corrida, temos um luxo de utilização da bola. Para além da velocidade com que se apresentam para receber o passe... Mesmo se os riscos a correr de passes no limite do tempo ou passagens ligeiramente adiantadas junto ao portador da bola podem trazer alguns percalços. Mas quando a difícil sincronização existe, o movimento é imparável. Como se viu hoje de novo.     


Ranking IRB para as equipas próximas de Portugal a 12 de Novembro

Com a vitória sobre o Uruguai (32-25) - excelente num campo sempre muito difícil - Portugal conquistou pontos e lugares no ranking IRB e elevou os níveis de confiança para o jogo contra o Chile - que já ultrapassamos no ranking - do próximo sábado. Trazendo duas vitórias da América Latina a selecção nacional, para além de se aproximar do lugar que lhe compete - próximo do vigésimo lugar mundial - ainda transportará consigo uma outra forma de encarar os jogos de Fevereiro que contarão para o apuramento do Mundial. As reais possibilidades portuguesas de segunda vitória - o mais difícil está feito - parecem existir. Bastará - para impedir que algum diabo as possa tecer - que os internacionais portugueses mantenham a atitude competitiva de que hoje terão dado mostras. 

sábado, 10 de novembro de 2012

JANELA DE NOVEMBRO

Começam dentro de horas os diversos jogos internacionais da agitada janela de Novembro. Desta vez - embora pareça demasiado cedo por muito próximo do anterior campeonato do mundo e demasiado longe do próximo (consolida-se primeiro posições e depois renovam-se os quinzes?) - com o aliciante do posicionamento no ranking IRB do final de Novembro definir os quatro cabeças das séries do Mundial de 2015. Portanto este conjunto de jogos internacionais - há trinta (ou mais) equipas envolvidas nos mais diversos sítios do mundo - que constituem a janela de Novembro não contam apenas e como habitualmente para o prestígio e posicionamento no ranking IRB. Desta vez há um campeonato particular pela quarta posição no ranking e que - admitindo que os gigantes do hemisfério sul estão consolidados nas três primeiras posições - é protagonizado pela Inglaterra e França com Gales à espreita (ver quadro). 


A França - em 5º lugar no ranking - defronta hoje a Austrália num jogo que tem que vencer para garantir que se mantém como candidata a cabeça-de-série. Os pontos que conseguirá por vencer um adversário melhor qualificado permitir-lhe-ão ultrapassar a Inglaterra (ver linha branca no quadro) e ficar - porque terá adversários teoricamente mais acessíveis como Argentina e Samoa - à espera dos resultados ingleses que terão uma sequência muito difícil - abertura de aquecimento com Fiji com o maior risco de, se derrotada, perder o quarto lugar de vista (ver linha verde) a que se seguem Austrália, África do Sul e Nova Zelândia - mas que, com uma vitória num dos últimos três jogos, consolidará quase definitivamente o seu actual 4º lugar. As combinações são muitas e este campeonato particular concentrará as atenções gerais. A comunidade rugbística internacional agradece, naturalmente, esta agitação competitiva.

Portugal também participa nesta janela internacional e amanhã defrontará o Uruguai em Montevideu  a que se seguirá, no próximo fim-de-semana, o Chile. Duas vitórias seriam ouro sobre azul com uma boa subida de lugares no ranking e uma moral elevada para disputar, em Fevereiro, a qualificação para o Mundial 2015. Os jogos não serão fáceis - principalmente o primeiro, sempre difícil contra uma equipa que se transcende em casa com o apoio do seu público - e exigirão a melhor prestação dos jogadores portugueses. Conscientes das dificuldades, aguardemos com esperança.  

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A QUEM POSSA INTERESSAR

Aceitei o convite do Presidente, Carlos Amado da Silva, e estou agora como Consultor da Federação Portuguesa de Rugby.

domingo, 4 de novembro de 2012

CORAGEM PARA VENCER

A vitória da selecção nacional de sub-19 com a sua qualificação para o IRB Junior Trophy - o Mundial B de sub-20 que se disputará no Chile no próximo ano - representa um excelente momento para o rugby português. Não só pela vitória e pelas portas que pode abrir - desde a previsão de uma continuidade capazmente garantida da selecção principal até à possibilidade de uma candidatura credível para a realização do Junior Trophy em 2014 - mas, principalmente, pela qualidade como foi obtida.

De início é o costume: eles são grandes, muito mais fortes, não temos hipóteses. Ou seja: a Geórgia como fantasma aterrador. Mas a criação de uma estratégia inteligente e suportada em tácticas adequadas transformou a primeira ideia, proporcionou a confiança necessária, estabeleceu a atitude de conquista e abriu o caminho para uma incontestada vitória. Foi muito agradável ver uma selecção portuguesa produzir um jogo eficaz, colocando em campo a execução dos Princípios Estratégicos Fundamentais do Jogo. Estão de parabéns os treinadores da equipa, Henrique Rocha e João Luís Pinto, pelo resultado, pela qualidade da expressão colectiva e pelo exemplo de inteligência e criatividade competitiva demonstrados.

Tudo começou na montagem da estratégia que teve como elemento motor a procura do domínio da Linha de Vantagem. E aqui começou, com excelente interpretação dos jogadores, o princípio da vitória: na maior parte do tempo os portugueses, em defesa e ataque, jogaram com superioridade numérica com as consequências da vantagem daí resultante.

Sempre que uma equipa domina, ultrapassando, a Linha de Vantagem - a linha imaginária que, passando pelo ponto de libertação ou colocação em jogo da bola, define os dois campos - tem a vantagem da superioridade numérica no confronto directo, possibilitando portanto a assumpção de riscos menos arriscados (porque o Apoio existe em situação de complemento à distância eficaz). E assim uma equipa deve, com bola ou sem bola, cumprir o primeiro Princípio Estratégico Fundamental de Avançar Sempre. Mas se são tão evidentes as vantagens porque não o faz sempre qualquer equipa? Porque é preciso coragem e organização, para além do domínio da cultura táctica. E nem todas as equipas o têm em simultâneo. Ou são treinadas para isso.

Foi essa coragem que os treinadores deram mostras e souberam transmitir aos seus jogadores, dando-lhes a confiança necessária para que subissem em defesa - ao contrário da habitual espera - e avançassem em ataque - ao contrário da habitual lateralização - criando assim a Pressão necessária para provocar erros ao adversário. E aqui, nas diversas expressões tácticas desta estratégia, esteve, ao limitar os pontos fortes da Geórgia e desorganizando o seu modelo, a base da vitória.

Mas a coragem dos responsáveis foi mais longe: decidiram apostar - numa final que apenas apurava o vencedor - em Nuno Sousa Guedes - que não joga na posição - para médio-de-formação - e que mostrou logo ao que vinha no tratado do trabalho feito para abrir caminho ao seu antigo companheiro de clube, José Vareta, no primeiro ensaio da selecção. Esta aposta, demonstrando conhecimento das capacidades dos jogadores, transformou um perdido por cem em ganho por mil. Decisão que mostrou, para além da confiança que transmitiu à equipa, um formação com futuro internacional.

O jogo da final mostrou ainda que podemos, com boa programação para ampliar as suas capacidades técnicas e tácticas e mantendo níveis de exigência competitiva elevados, contar com estes jogadores - a base existe - para a continuidade e mesmo melhoria competitiva da selecção principal.

Parabéns aos jogadores e aos responsáveis destes sub-19! Foi, para além duma boa vitória, um bom jogo com expressões tácticas que já não via há muito no confronto internacional de equipas portuguesas. Bom exemplo a seguir.





sábado, 3 de novembro de 2012

NÃO HÁ RUCK

Foto de Miguel Rodrigues
Para que haja ruck é necessário a simultaneidade de 3 situações:
- bola no chão;
- jogadores adversários em contacto (pelo menos um de cada lado) e que envolvam a bola;
- que os jogadores estejam de pé, isto é, apenas apoiados nos seus próprios pés sem contacto com o chão de joelhos ou cotovelos.
Na fotografia publicada (que respeita ao último CDUL-Direito disputado no Estádio Universitário de Lisboa e que me foi simpaticamente cedida pelo Miguel Rodrigues), admitindo que não há "tapagem" da bola - sealing - e não é, por inexistência de ruck, considerada falta a colocação da linha de ombros mais baixa do que a linha de ancas por parte do jogador do CDUL mais próximo do chão, estão apenas realizadas duas das três acções exigidas para a realização de um ruck: a bola está no chão e há jogadores de pé a envolvê-la. Mas não há o essencial e definitivo contacto. Logo, não há ruck!
E não havendo ruck, não há linhas de fora-de-jogo. E a única obrigação - para além de se manterem apoiados apenas nos seus próprios pés - que os jogadores têm para poder disputar a bola, tentando apanhá-la, é a de virem do seu próprio campo.
Na situação fotograficamente referida o jogador A de Direito para poder disputar a bola tem que vir até ao seu próprio campo e só então procurar disputar a bola mas, quanto ao jogador B de Direito - o pilar internacional Jorge Segurado -  e outros no seu próprio meio-campo, podem ir, desde que de pé, disputar a bola e tentar conquistá-la, apanhando-a ou chutando-a.
Imaginem o que seria se B e os seus companheiros fossem ao "outro lado" buscar a bola e o jogo continuasse sem, como as leis mandam, qualquer apito do árbitro. O Carmo e a Trindade não resistiriam... 
Complicado?! Muito. E agora pensem na situação do árbitro que tem que ter atenção a todos estes aspectos ao mesmo tempo. Não é nada fácil arbitrar...
Como resolver situações deste tipo? Isto é, como devemos agir para que, no pós-placagem, sejamos suficientemente eficazes para que não nos vejamos confrontados com um adversário a rodear-nos e a vir buscar a bola e continuar o jogo? Essencialmente com treino e com um tipo de treino que "obrigue" os jogadores a tomar a decisão eficaz, decidindo de acordo com o posicionamento dos adversários: vou à bola ou preparo-me para o ruck? 
O que significa neste aspecto que o treino deve ser conduzido no sentido dos jogadores envolvidos reconhecerem e qualificarem as ameaças que enfrentam. Decidindo de acordo com o desafio que enfrentam.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

PLACAGEM E RUCK

Há tempos Pierre Villepreux alertava para o facto que se estava a ver, nomeadamente em jogos do campeonato francês, demasiados falsos rucks - ou seja, momentos de formação expontânea, normalmente após situações de placagem, que não se enquadram nas Leis do Jogo - que, no entanto, os árbitros vão considerando como se definissem linhas de fora-de-jogo, como se o "jogo corrente" tivesse terminado e "obrigando" à divisão estratégica dos campos.

Dias depois pude ver um jogo televisivo da Currie Cup onde os falsos rucks foram uma constante: 4/5 jogadores da equipa portadora da bola a "cobrir" o jogador placado sem que exista qualquer contacto entre jogadores adversários. E a lei é clara:
Lei 16. Definições: Um ruck é uma fase do jogo em que um ou mais jogadores de cada equipa que, não estando no chão, estão em contacto físico e a rodear cerradamente a bola que está no chão. Quando tem lugar um ruck o jogo corrente termina."
Existe portanto uma simultaneidade de três acções: bola no chão, jogadores adversários em contacto e a "cobrir" a bola e sem estarem no chão (cf. Lei 15.6 (a)). Sem o seu cumprimento simultâneo não haverá qualquer paragem no "jogo corrente": não há ruck.

A maior parte das vezes o ruck acontece após uma placagem, mas uma placagem não constitui por si um ruck nem tão pouco define linhas de fora-de-jogo. Apenas exige que os jogadores - com excepção do placador que, logo que em pé, pode jogar a bola vindo de qulquer direcção - que pretendam disputar a bola não estejam no chão e "entrem" pelo lado do seu campo. E só a partir do momento que haja um ruck formado é que a entrada dos jogadores em apoio se terá de fazer através da "porta" definida pela linha dos pés do "último jogador" - a linha de fora-de-jogo - e pela largura da formação. Para que não seja em falta esta entrada exige, no entanto, ligação imediata a um companheiro.


É portanto uma área - a placagem, o pós-placagem e o ruck - de muito difícil arbitragem e cujo análise depende de um excelente "golpe de vista" e muita presença de espírito.

E é, claro, uma área muito polémica. Que está a mostrar-se em jornais e blogues da área anglo-saxónica com muito boas análises mas também - poderia lá ser de outra maneira - com a habitual polémica McCaw vilão/ McCaw herói.

Factos, factos, são estes: McCaw pode fazer - faz com certeza - faltas nesta área da pós-placagem onde é normalmente o primeiro apoio; mas - e por isso é o notável jogador que reconhecemos - a sua capacidade de leitura de jogo e antecipação (veja-se a exemplaridade das suas linhas de corrida) permitem-lhe chegar antes da realização do ruck. E aí não há entradas de lado ou obrigação de se ligar a um companheiro, apenas a necessidade de entrar pelo lado do seu campo. Ou seja: não há qualquer falta na maioria das entradas de McCaw - a fama é mais por "dor de cotovelo" do que pelo abuso ou complacência dos árbitros.

Mas lá que estes centésimos de segundo são difíceis de arbitrar, são. E a tomada de decisão dos jogadores - vou à bola ou "limpo a vitrina"?; posso "entrar" ou tenho que procurar a "porta"? - também não é simples na pressão do momento e deve ser convenientemente treinada.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O COSTUME E O CONTEXTO

No último África do Sul-Austrália do Four Nations os últimos minutos foram jogados com formações-ordenadas sem oposição. O árbitro, o irlandês Alain Rolland, considerou que, tendo já havido sete substituições, não poderia haver nenhuma mais. Mesmo tratando-se de uma substituição de um jogador da primeira-linha.

A IRB veio posteriormente, embora disfarçando ao nomear a equipa de arbitragem, considerar que o árbitro - um dos mais categorizados internacionalmente - se tinha equivocado e que deveria ter aplicado a Excepção 2 da Lei 3.12 e não a Lei 3.4 como referiu, argumentando com a já realização de sete substituições.

Fazendo sentido que seja como afirma a IRB - o espírito do jogo está em coerência com esta interpretação - não me parece que a letra da lei permita a sua aplicação. E penso portanto que o árbitro Rollands tinha razão na decisão que tomou.

O sucedido tem muito a ver com um problema tradicional do rugby: sendo um jogo dominado pelo espírito anglo-saxónico e pelo seu tradicional fundamento no costume, cria enormes problemas a quem tem que reger o jogo pela interpretação integrada das leis. Sempre tive discussões com britânicos - árbitros ou antigos jogadores (a mais recente foi com Bill Beaumont) - na interpretação das situações de jogo: aquilo é falta, dizem; pois, mas não é isso que dizem as Leis do Jogo, respondo - e, quantas vezes, mostrando, no telemóvel, as leis em versão inglesa.

Existe um óbvio problema nas interpretações e no encontro de duas culturas que têm prismas diferentes de analisar o mundo. E, com a tradição anglo-saxónica que a reveste, a IRB tem uma enorme dificuldade em lidar com a globalização da modalidade: esquecendo que o Outro - que não conhece o rugby desde os finais do século dezanove - só pode compreender o jogo e as suas leis pela clareza da sua exposição e articulação.

É a Lei 3 - já de si de redacção bastante confusa - que se aplica no caso vertente. E o seu ponto 3.4 diz que, sendo o limite de sete jogadores substitutos/suplentes, uma equipa pode substituir dois jogadores da primeira-linha e cinco dos restantes - e a única excepção que preconiza, 3.14, não tem interesse para o caso. Continuámos assim no domínio do número sete para substituições.

Diz a IRB que deveria ter sido aplicada a Excepção 2 do ponto 3.12. Não percebo bem como. Nem a Lei 3.12, nem a Excepção 2 excepcionam o limite da substituição de sete jogadores estabelecido no ponto 3.4. E como para nós - continental poor fellows - o articulado não deve ser interpretado desincerido do seu contexto, a interpretação da IRB parece, julgo mesmo que será, abusiva. Porque a IRB valeu-se de um conceito não escrito e com ele fez regra. Impondo o seu poder. E desvalorizando a decisão de um árbitro capaz.

Porque não alterando a redacção do ponto 3.4, a única interpretação possível no contexto da Lei 3 - Número de Jogadores - A Equipa é a de que podem, tratando-se de primeiras-linhas e quando lesionados, ser substituídos por jogadores já anteriormente substituídos por razões tácticas até ao total dos dois referidos como limite - a Clarification 5-2009 sobre esta matéria nada acrescenta.

Com este comunicado da IRB fica a perceber-se que entendem como possível a existência, no somatório de três tácticas e mais três por lesão, de seis substituições na primeira-linha. Será? Mas onde está escrito que o limite de substituições na primeira-linha pode ser superior ás duas que a Lei 3.4 limita ou ás três que a Lei 3.14 permite quando houver 23 jogadores? Onde está a coerência do articulado?

Não faltam - basta ler as Clarifications in Law - zonas cinzentas nas Leis do Jogo. Demasiadas até para a pretendida extensão do jogo de XV. Umas serão assim, porque a tradição do hábito faz delas uma prática interpretativa que julgam não obrigar á sua passagem a escrita clara e articulada; outras, porque parecem ser escritas por diferentes pessoas que nunca se encontraram para juntar as partes. Em qualquer das situações salva-se o jogo pela imposição da tradição interpretativa que permite guardar no bolso o livro das Leis do Jogo e viver do costume. Até que a globalização do jogo e o seu crescimento exijam a abertura da quinta à transparência universal. Popularizando a extensão da percepção do jogo pela simplicidade das suas regras a populações de cultura não britânica.


Lei 3 - NÚMERO DE JOGADORES: A EQUIPA
Definições
[…]
Substituto: um jogador que substitui um companheiro de equipa lesionado.
Suplente: um jogador que substitui um companheiro de equipa por opção táctica

Lei 3.4 JOGADORES NOMEADOS COMO SUBSTITUTOS/SUPLENTES
Em jogos internacionais uma Federação pode designar até sete substitutos/suplentes
[...]
Uma equipa pode substituir até dois jogadores da primeira-linha (subordinado à Lei 3.14 em que podem ser três) e até cinco dos outros jogadores. As substituições só podem fazer-se quando a bola estiver morta e com autorização do árbitro.

Lei 3.12 JOGADORES SUBSTITUÍDOS QUE VOLTAM AO JOGO
(a) se um jogador é substituído, esse jogador não pode voltar ao jogo, nem mesmo para substituir um jogador lesionado.
Excepção 1: um jogador que tenha sido substituído por razões tácticas pode substituir um jogador com uma ferida aberta ou sangrenta.
Excepção 2: um jogador que tenha sido substituído por razões tácticas pode substituir um jogador da primeira-linha lesionado, suspenso temporariamente ou expulso, excepto se o árbitro, antes da situação que provocou a saída de campo do referido primeira-linha, tiver ordenado formações-ordenadas sem oposição e a sua equipa tiver já utilizado todos os seus substitutos e suplentes autorizados.
(b) [...]


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

QUE SE PASSA?

Os resultados conseguidos pela selecção nacional de sevens no recente torneio do Quénia terão constituído um visível aviso - a coisa não se mostrava no melhor dos caminhos.

A prestação no World Series australiano - com derrota nos cinco jogos - mostrou que o anterior aviso pode avançar, caso não haja a necessária transformação, para uma ameaça insuperável e indesejável.

Portugal defendeu mal - quer na readaptação colectiva, quer na placagem individual. As falhas de placagem, para além - de acordo com a distância da visão televisiva - da falta de atitude conquistadora adequada, pareceram-me assentar muito na distância demasiado grande entre os apoios dos defensores portugueses e os apoios do adversário portador da bola, anulando eficácia ao gesto e facilitando assim a continuação do movimento adversário. Ou em preocupações tácticas de manter o adversário de pé - erradas na relação homem-a-homem e só adequadas com superioridade defensiva de um tackling gang - para tentar a posse da bola por intervenção do árbitro.

E se as questões defensivas são problemáticas, mais preocupante - porque as questões defensivas ainda são de razoável solução - foi a enorme inoperância atacante como o demonstram os três jogos em que Portugal não marcou um único ponto. O que se passa? O que está por trás desta incapacidade de utilização da bola, das decisões erradas, do atraso no apoio, dos passes lentos e sem acutilância?

Numa época que terminará no campeonato do Mundo da variante, a presença do se7e de Portugal na World Series é essencial, pela experiência que permitirá, para a esperança de um bom comportamento desportivo nessa prova. Por outro lado, com a visão colocada nos Jogos Olímpicos de 2016, a continuidade da presença no World Series é decisiva: não é crível a hipótese de qualificação sem jogar ao mais alto nível. Porque faltará a experiência, o ritmo, a adaptação, a confiança. Há assim, para jogadores e técnicos, uma responsabilidade acrescida que exige uma atenção particular.

Que fazer então perante esta situação? Fazer como mandam as regras para os campeões: quando as coisas não correm bem, a solução está em voltar - técnica e tácticamente - à prática das noções básicas.

O que exige a inteligência da humildade dos intervenientes.

Nota: Neste World Series australiano houve uma novidade: a colocação - pela segunda vez, creio - de uma marca comercial na camisola das selecções da Nova Zelândia. Circunstância que terá sido aproveitada pela federação neozelandesa para autorizar a utilização do nome All-Blacks - até aqui destinado apenas à selecção principal - pela selecção de se7e que passa a designar-se como All-Blacks Sevens. Esta extensão da designação, a não ser que seja uma imposição contratual, terá concerteza o objectivo da presença da marca - a mais importante marca do rugby mundial - nos Jogos Olímpicos de 2006. Independentemente das razões, gostaria de pensar que se trata de uma excelente homenagem ao eterno e notável treinador Gordon Tietjens que, mais do que ninguém e pelo trabalho realizado em prol do rugby neozelandês, terá direito ao uso do título All-Black.



sábado, 13 de outubro de 2012

O RETORNO DE UM HISTÓRICO

O Sporting Clube de Portugal voltou ao rugby. Hoje, 13 de Outubro e 48 anos depois de um último jogo na final da Taça de Portugal de 1964 contra o Belenenses, o XV do Sporting apresentou-se, no campo 2 do Estádio Universitário de Lisboa, para disputar, contra o Técnico B, o jogo da primeira jornada do campeonato da II divisão que venceu, marcando o seu primeiro ensaio aos 35 minutos (13:05 horas) da 1ª parte.

Este retorno do Sporting é bom - por razões tão óbvias que me dispenso de as referir - para o rugby português. O voto aqui fica: que possa corresponder às expectativas que a sua presença provoca.



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ATAQUES EM 1ª FASE

The creative coach invites his players to make mistakes. Adventure and error go together. Carwyn James, treinador


Fico sempre admirado quando vejo espanto por uso eficaz de ataques em 1ª fase. Seja de uma formação-ordenada ou de um alinhamento ouve-se sempre: impossível! grande erro defensivo! se não mesmo, frango defensivo!. Não penso que assim seja, tão pouco que haja demérito defensivo mas, na maioria dos casos, mérito ofensivo pelas técnicas utilizadas e coragem de enfrentar riscos.

Vejamos: fala-se de 1ª fase quando se trata de um reinício de jogo - no caso e normalmente quando se realizam formações-ordenadas ou alinhamentos. E que significam tacticamente estas formações? uma mão-beijada de um trunfo que procuramos durante grande parte do jogo: a concentração de jogadores. Ou seja, sem grande trabalho e sem grande dispêndio de energia, as Leis do Jogo oferecem-nos uma concentração, em área localizada do terreno-de-jogo, de um grupo de 18 jogadores - formação ordenada - ou entre oito até aos mesmos dezoito - alinhamento - deixando o restante espaço à imaginação e capacidade de 6 atacantes contra outros seis defensores. Não é um bónus?

Há anos (bastantes já...) um dos responsáveis de um dos curso que frequentei em Inglaterra definia o rugby como "um jogo de concentrações e dispersões". Aplicando à situação de primeira fase, pode dizer-se que à concentração da FO, ou do alinhamento, deve corresponder uma dispersão das linhas atrasadas - garantindo, pela exploração da largura, que existem intervalos e espaço de manobra suficientes na defesa adversária.

Ora este conforto de que dão mostras é uma questão de treino: treino dos gestos, treino das técnicas, treino do apoio, treino da continuidade, treino da atitude. Mas passa também pela tremenda atitude dos seus responsáveis que sabem que o ataque exige a capacidade e a liberdade de correr riscos e tomar decisões - tal como o grande treinador galês Carwyn James, citado no início, o sabia.

O ataque é a base do jogo de rugby - por isso se define Avançar sempre! como o seu primeiro princípio estratégico fundamental. Se fosse a defesa a sua base de jogo, a primeira preocupação seria, provavelmente, Aguentar! E não é! Para além de que a posse da bola, se utilizada competentemente, dá uma maior vantagem temporal - só a equipa que a usa sabe o que vai fazer, os defensores apenas tentam adivinhar... - que pode criar nos defensores uma constância de Cisnes Negros desvastadores.

Claro que uma equipa para ser de bom nível tem que saber defender. E bem! Mas não faz disso a essência do seu jogo. Citando Pierre Villepreux: a defesa não é um fim em si mesmo mas a base de uma estratégia que visa recuperar a bola para a utilizar ofensivamente.

... e não há equipa que consiga grande resultados desportivos quando assenta o seu jogo e a sua atitude numa estratégia defensiva. Como se diz popularmente, o ataque é sempre a melhor defesa e embora seja mais difícil treinar as capacidades atacantes de uma equipa e mais longo o trajecto da sua eficácia, é o ataque que faz do jogo a alegria que lhe reconhecemos. Ataquemos então!

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