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sexta-feira, 12 de março de 2021

AS POSSIBILIDADES DOS LOBOS SÃO REAIS


Não será fácil a tarefa dos nossos Lobos contra a Roménia neste sábado. Como indicam as contas feitas com base nos pontos do ranking da World Rugby das duas equipas: a vantagem de um ponto dada a Portugal indica o enorme combate com que terão de se confrontar. Mas a lembrança da vitória das Caldas da Rainha de Fevereiro de 2020 dará, com certeza, o ânimo necessário para atingir a importante vitória que manterá assim intactas as perspectivas de apuramento para o Mundial 2023. 

Se as vantagens da história dos jogos entre as duas equipas pertencem à Roménia com as suas 21 vitórias em 25 jogos, os últimos cinco jogos de ambas as equipas no âmbito do Rugby Europe Championship (REC) mostram também vanatagem romena: 40% de quota de sucesso e 56% de quota de pontos marcados contra 20% de quota de sucesso e 43% de quota de pontos marcados do lado português. Mas na capacidade de marcação de ensaios as equipas estão muito próximas com uma curta vantagem de 2 décimas para os romenos. E contas feitas com os pontos do ranking, a vitória é portuguesa por um ponto de avanço! 


Ou seja, como nas Caldas, a vitória é possivel — tanto mais que o bloco de avançados português com um peso de 884 kilos e com a correcção devida das fragilidades mostradas contra a Geórgia não deverá ter problemas para, no mínimo, impedir o domínio adversário. Necessário, para que a vitória aconteça, será o controlo mental das situações de combate pincipalmente no jogo no chão — isto é: disciplina precisa-se! — para que não se entregue de mão-beijada ao adversário qualquer oportunidade que lhe permita folga no resultado.



E que o movimento com a continuidade do apoio, permitindo explorar os corredores laterais em desequilíbio defensivo, faça o resto. Isto é: que nos permita a vantagem do resultado, obrigando os romenos a correr atrás do prejuízo... e sem deixar que qualquer indisciplina lhes proporcione o alimento da sobrevivência.


É claro que nos falta o apoio directo do público, perdendo-se assim algo da vantagem casa — na actual situação, os três jogos em casa da 1ª volta trazem pouca vantagem para Portugal — mas só há uma maneira de enfrentar a situação: atitude ganhadora, não cedendo um palmo, lutando por cada centímetro e aproveitando eficazmente todas as oportunidades... e os gritos de incitamento de cada casa chegarão ao Jamor. 


Numa temporada muito difícil para manter os hábitos competitivos, só uma vontade colectiva coesa e perspectivada nos mesmos objectivos imediatos de cada jogada e nos objectivos estratégicos globais, pode garantir a vitória. Vamos a eles, Lobos! Não é nada que não tenha sido já feito... exige determinação e carácter!


Na 4ª jornada do 6 Nações, dois jogos — não parece a ninguèm que Gales, comandado pelo actual Príncipe de Gales, Alun Wyn Jones, vá ter problemas em Roma, limitando-se a usar o jogo como acerto para Paris — de grande expectativa: Inglaterra-França, no sábado e Escócia-Irlanda no domingo. Dois jogaços! 


Em ambos os jogos se disputam lugares — as equipas de ambos os jogos estão encostadas uma à outra — e, no caso da França, que já pode contar com o formação Dupont, e que disputa a possibilidade de se manter na corrida pela vitória final do 6 Nações que já não vence desde 2010. De acordo com o posicionamento nao ranking de ingleses e franceses, o factor casa atribui a vitória, por 4 pontos que nada significam, à Inglaterra — o Rugby Vision confia mais e atribui 9 pontos para a vitória inglesa. 


O Escócia-Irlanda, num jogo teoricamente muito equilibrado — os 3 pontos e 1 ponto de vitória que se prognosticam garantem todos os condimentos para um grande jogo de combate ao milimetro de terreno: a Escócia está a jogar bem e a Irlanda quer mostrar que nada perdeu das suas capacidades. Uma boa tarde de domingo para acabar o confinamento...


No Championship da Rugby Europe, a Espanha recebe a Geórgia que com o seu 12º lugar no ranking — a Espanha está em 17º — faz figura de favorita (e para Portugal seria bom que o fosse efectivamente) com um prognóstico de vitória por 4 pontos. O que significa que o jogo não tem vencedor antecipado e todos os resultados são possíveis.Aguardemos por domingo.


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

HERÓIS DO JOGO

No passado fim-de-semana dois heróis ressaltaram dos jogos. O irlandês - professor doutor de campos de rugby - Brian O' Driscoll e o francês Jacques Brunel, treinador da Itália. E Bardy - apesar do "amarelo" - e Penha e Costa - apesar de ter trocado uma negociação de um 2x1 por um inócuo pontapé - poderiam também fazer parte desta galeria, pelo que jogaram e fizeram jogar, se Portugal não tivesse perdido.

O irlandês BOD deu mais uma lição quer como centro - passes e placagens de grande nível, antecipações de grande conhecimento táctico, comando estratégico de influente capitão - quer como elemento da equipa ao passar para médio de formação, jogando reputações ou, como se gosta de dizer, "a sua imagem". O treinador francês veio demonstrar - embora neste campo também se deva lembrar o trabalho anterior desenvolvido por outro francês, Pierre Berbizier - as vantagens, a juntar aos conhecimentos técnicos e tácticos do jogo, o conhecimento da cultura das gentes e da adaptação da forma de jogar.

Se a vitória da Irlanda em Gales fez do sábado passado uma festa irlandesa - uma enorme tristeza para todos os apoiantes de Gales, entre os quais me incluo - imaginem o que terá sido no mundo "tiffosi" do rugby italiano. E houve muitas coisas que mudaram na "squadra". Começando pela saída de jogadores e continuar no novo lema italiano que se sentiu no estádio e que motivou espectadores e principalmente jogadores: "Siamo piú che compagni di squadra, siamo fratelli!" (somos mais do que companheiros de equipa, somos uma irmandade!). E viu-se no campo, na defesa e no ataque, no apoio permanente na capacidade de resistir ao assalto final do XV francês, como a transformação de uma equipa de quinze jogadores numa irmandade pode influenciar resultados neste desporto colectivo de combate que é o rugby.

De todos os jogos da primeira jornada do 6 Nações ressalta, por um lado, a expressão do valor estratégico da Linha da Vantagem e o entendimento das equipas para as consequências que implica a sua compreensão e uso táctico e, por outro, a noção clara de que a placagem, sendo necessária não é suficiente para garantir a eficácia da defesa. Factores a analisar em próximos posts.

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