Tenho uma enorme dificuldade em perceber a organização do rugby mundial. A World Rugby, a principal responsável pelo rugby mundial, criou uma regra — que pode ser consultada na Rugby World em “Colour Blindness and Rugby - Guidelines for selecting Team Kit Colours, July 2024” em defesa dos espectadores daltónicos que, pagando bilhetes ou assinaturas televisivas como quaisquer outros, têm todo o direito em assistir aos jogos, ao vivo ou em transmissão televisiva, nas melhores condições visuais possíveis. A mesma criação de capacidade de distinção através do uso de equipamentos com as cores adequadas permite que daltónicos possam ser jogadores e atingir mesmo os níveis internacionais de Alto Rendimento. Nesse sentido foram definidas cores de equipamentos que, juntas, não permitem a diferenciação pelos daltónicos E aí está definido que os equipamentos das duas equipas em confronto têm que garantir que os daltónicos as distinguem claramente.
É portanto conhecido, como aliás a World Rugby mostra em exemplo fotográfico, que as camisolas vermelhas e verdes convergem, na visão dos daltónicos, para tons muito semelhantes e dificilmente distinguíveis
No entanto e apesar de toda a informação, a Rugby Europe pouco se preocupou que, na final de sua responsabilidade da Rugby Europe Super Cup 2025/2026 entre os Iberians e os Lusitanos (os portugueses perderam por 42-17 com 6-2 em ensaios) e “deixou” — numa absoluta falta de respeito pelos valores que dizemos defender —que o jogo se realizasse com os espanhóis a equipar com camisola vermelha e os portugueses com camisola verde. Como dizia o outro: “quem biu,biu, quem num biu, bisse”. Sigaaaaaa.
Aliás também não percebi a organização competitiva que a Federação estabeleceu para a elite do rugby português que, aliás e como os resultados demonstraram não teve o equilíbrio que uma elite exige (nota: vale a pena estudar o designado Sistema Suiço para perceber como se podem desenvolver competições equilibradas e de grande intensidade e que permitam a aproximação às necessidades da competição internacional). Feita uma competição desequilibrada, junta-se um calendário que estabeleceu aberturas prejudiciais à boa forma dos jogadores e equipas — porque há, em Fevereiro, o internacional Europe Championship, o intervalo para as equipas portuguesas será de mês-e-meio. Ou seja, assim feito, os clubes passarão a sentir-se prejudicados ao terem que libertar os seus jogadores para a selecção (como exemplo tivemos os Lusitanos que não puderam contar com alguns jogadores pretendidos porque os seus clubes não os “libertaram”, ou seja: houve jogadores que podem ter ou vir a ter a sua carreira internacional actual ou futura, prejudicada por falha organizativa que envolve federação e clubes.)
No entanto e apesar daquilo que pode ser considerado como erro organizativo por falha de princípios, surgiu uma acção federativa que merece aplauso: a Federação decidiu, tendo em atenção a meteorologia que se adivinha, anular a jornada das diversas categorias que se desenrolaria este fim‑de‑semana. Embora possa parecer uma contradição com a demonstrada necessidade de continuidade das competições não o é pelo simples facto de se tratar de uma medida de protecção, salvaguarda e integridade da segurança de jogadores e agentes da modalidade. E a segurança de praticantes e agentes constitui um valor fundamental do Rugby.
Portanto acertar a coerência de princípios e valores que norteiam a nossa modalidade Rugby com a organização competitiva é decisivo para o seu desenvolvimento e expansão.Continuemos pois com esta atenção.
