sexta-feira, 28 de agosto de 2026

CONFIRMAÇÃO OU EMPATE?


Este 2º jogo-teste entre os Sprinboks e os AllBlacks, depois de uma vitória dos neozelandeses pouco esperada mas muito convincente, está envolvido num enorme suspense. O resultado final dependerá de muita coisa e não há certezas, só expectativas. A África do Sul percebeu no último teste que o seu modelo de colisão não perturba suficientemente os neozelandeses e visto o jogo dos Lions mais certeza fica que o objectivo será possível se houver uma boa adaptação ao jogo-de-movimento. Por outro lado os AllBlacks, pelo que mostraram, melhoraram — porque o treinaram! — na captação e utilização do jogo-aéreo. Assim os sul-africanos estarão confrontados com a diminuição da eficácia de uma das suas armas preferidas. Por outro lado os AllBlacks têm que perceber, alterando-os, os erros ou incapacidades que permitiram os 5 ensaios dos Lions — não esquecendo que, sendo a equipa neozelandesa mais fraca do que aquela que jogará neste sábado, também a equipa Springbok será mais poderosa do que dos Lions. O que acontecerá nas formações-ordenadas? Como conseguirão os neozelandeses contrariar os mauls-penetrantes sul-africanos? Como irão os sul-africanos proteger a bola nas placagens para evitar que lhes seja roubada? Como se adaptarão defensivamente ao movimento e organização do apoio neozelandês. 

Tacticamente o ponto-chave criador de vantagem neste jogo bem poderá ser a capacidade de libertação rápida da bola no jogo no chão, os turnovers conseguidos a que se acrescentam as vantagens directas do confronto individual.

Espera-se que o árbitro — que será o inglês Angus Gardner e não o georgiano Nika Amashukeli que adoeceu — esteja à altura, impedindo o jogo de faltas — que prejudicam a clara continuidade do movimento (o que é bastante mais importante do que o evitar de interrupções) — quer sejam os fora-de-jogo nas formações-ordenadas ou expontâneas ou obstruções ou usos abusivos dos braços sobre jogadores em apoio. Para que nada disto seja uma constante do jogo espera-se que Angus Gardner tenha visionado o jogo Lions-AllBlacks que arbitrou e se prepare convenientemente.






quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PARECER PARECIA, MAS…


 Só aos 62’ é que os AllBlacks passaram para a frente do marcador contra uns Lions que surpreenderam. E a sua maior surpresa foi o facto de se mostrarem uma equipa muito diferente do habitual modelo de jogo sul-africano de colisão. Esta equipa mostrou uma muito eficaz e interessante capacidade de jogo-de-movimento que lhe permitiu, apesar de apenas 38% de posse, garantir 50% de controlo territorial para, provavelmente pela surpresa criada, chegar ao intervalo a comandar o marcador por 21-17 com 3 ensaios marcados por ambas as partes. E cada vez mais pairava nos ares elevados do mesmo estádio Elis Park que  assistiu a uma perspectiva de possibilidade de vitória deste surpreendente clube que tendo atingido os quartos-de-final da URC mas, ao perder por 59-10 com o Leinster, ficou-se pelo 7º lugar no United Rugby Championship mas venceu o South African Shield ficando à frente dos Sharks, Stormers e Bulls.

E o jogo mostrou essa capacidade dos Lions e algumas melhorias desta equipa reservista dos AllBacks.
Sucesso de 74% nas placagem de ambos mas com os neozelandeses a conseguiram não perder nenhuma das FO de sua responsabilidade, conseguindo ainda conquistar 3 delas da responsabilidade sul-africana (estatísticas Ultimate Rugby). 

Apesar da arbitragem de Angus Gardner, ignorando muitas obstruções e uso de braços para impedir apoios em tempo útil, não ter sido exemplar, as penalidades marcadas não atingiram o valor médio estatístico de 8-12 considerado como aceitável em jogos deste nível — os Lions foram penalizados por 6 vezes e os AllBlacks por 8 vezes num total de 14 o que nos mostra um jogo disciplinado. E não houve tentativas de pontapés aos postes…

Este jogo para além de deixar uma marca na história dos Lions, mostrou também que o abertura Richie Mo’unga, está ainda muito longe do que nos mostrava no seu passado e não será solução para o próximo encontro com os Springboks. E, claro e por aquilo que demonstrou — o movimento e continuidade dos Lions permitiu 5 ensaios — aumentou as expectativas para o jogo-teste do próximo sábado.

De facto terá passado pela cabeça de muitos espectadores, apoiantes ou não dos Lions, que a vitória da franquia sul-africana seria uma hipótese real, E parecia que podia ser assim. Parecer, parecia mas, apesar da altitude do Elis Park, os neozelandeses souberam impor-se no último quarto com a marcação de 3 ensaios.e recuperando assim da diferença de 18 pontos que se verificava desde os quarenta-e-oito minutos do jogo.

VAREIRO É PRIMEIRA PÁGINA DO MIDI OLYMPIQUE


 Manuel Vareiro, internacional português e jogador do clube francês Provence Rugby que é dado, pelos treinadores da ProD2, como o principal favorito — 14 votos em 16 — à vitória final deste campeonato do segundo nível do rugby francês, é a figura da 1ª página do Midi Olympique a ilustrar o favoritismo do clube provençal sendo dado como a sua pepita num meio da elevada capacidade competitiva que o maior orçamento — cerca de 20 milhões de euros — de todo o conjunto de equipas desta divisão permite estabelecer.

Ser a imagem positiva da 1ª página de um jornal com o prestígio do Midi Olympique só pode engrandecer o internacional português que começa a ter um belo prestígio em França. Agora e para nós portugueses esperámos que o ProD2 permita um bom desenvolvimento das suas capacidades para que, ao serviço da Selecção Nacional, possa ajudar aos esperados bons resultados no Mundial.

Parabéns, Manuel Vareiro!

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

ALLBLACKS VOLTAM AO 1º LUGAR DO RANKING

GREATEST RIVALRY’26

1º TESTE - RESULTADOS E CONSEQUÊNCIAS


Composição da responsabilidade da transmissão directa televisiva

Para além dos neozelandeses mais optimistas, poucos adeptos do Rugby admitiam que a vitória no jogo não fosse dos Springboks, bi-campeões mundiais e número-um do Ranking Mundial . No entanto e depois de assistirmos a cerca de uma hora de domínio sul-africano— incapaz no entanto de o traduzir em pontos de jogo —  a capacidade defensiva e o jogo de movimento dos AllBlacks inverteram o sentido do jogo. À entrada do último quarto do jogo — os célebres 20-minutos-finais em que se temia que a altitude prejudicasse os jogadores neozelandeses — o resultado estava em 16-19 com apenas 1 ensaio para sul-africanos contra os 4 ensaios neozelandeses. E o jogo virou para o domínio neozelandês com a marca do ensaio de Luke Jacobson.

Aparentemente as formações-ordenadas seriam o trunfo essencial da vantagem Springbok, factor demonstrado quando conseguiu — num exemplo da eficácia da sua estratégia de “obrigar” o adversário à falta — 6 penalidades  — mas perdeu-o quando não soube lidar, como diz, segundo o jornal francês L’Équipe,  o seu responsável Rassie Erasmus : “Foi sem dúvida a pressão que eles nos colocaram nomeadamente nas placagens, nos rucks e no jogo em geral. Os AllBlacks tiveram uma táctica muito inteligente e 100% legal. Eles arrancavam a bola na placagem… A nossa derrota é devida em grande parte ao muito bom trabalho da Nova Zelândia” As placagens dos AllBlacks foram muito eficazes —132 placagens com Jordie Barrett a somar 15.

Nesta fotografia de combate colectivo que as duas equipas mostraram, pode afirmar-se que a inteligência — movimento, manobra, análise, tomada de decisão, determinação dos intervalos — foi superior à força física. A ponto tal que o aumento das dificuldades que se sentiam mais duras com a passagem do tempo, levaram a dois amarelos (Van Staden, 69’ e Reinach, 70’). E com treze jogadores a recuperação era uma impossibilidade…

Com este resultado a Nova Zelândia, ao conquistar 1,75 pontos de ranking, atingiu de novo o 1ª lugar do Ranking Mundial com uma vantagem de 1,82 pontos sobre a África do Sul. 

No próximo sábado disputar-se-á o 2º teste com perspectivas de um novo combate sem folgas e com o interesse de verificar, para além do resultado final e da sua construção, como irão os AllBlacks melhorar o seu comportamento nas formações-ordenadas e na capacidade de (re)conquista da bola no jogo-aéreo. Por sua vez terá todo o interesse em perceber se os sul-africanos encontram forma de impedir a perda da bola no contacto — seja através de uma ida mais rápida para o chão com colocação imediata da bola em situação de disponibilidade ou pela realização de passes de proximidade imediatamente antes da efectividade da colisão (o que, diga-se, não são propriamente hábitos do modelo Springbok) para garantir a continuidade. Falta também saber da atenção e rigor da equipa de arbitragem comandada pelo georgiano Nika Amashukeli, para impedir os habituais truques de fora-de-jogo nas fases ordenadas ou espontâneas e os corpos no chão a impedir a saída rápida (o tempo eficaz é até 3 segundos) da bola nas disputas no chão.

Seja como fôr, o jogo, por tudo que o rodeia, é de não perder.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

1º TESTE GREATESTE RIVALRY’26



Neste Sábado será jogado o 1º jogo-teste (dos 4 em disputa) da digressão dos AllBlacks à África do Sul — a designada Greatest Rivalry’6 — num jogo que está a criar enormes expectativas, não só pelo potencial equilíbrio  competitivo que são admite vencedores antecipados — são as duas melhores equipas do Mundo rugbístico  — mas também pelo facto de se tratar de um confronto de dois modelos de jogo distintos baseados em diferentes interpretações dos Princípios Fundamentais do Jogo — desde logo visíveis na forma escolhida para a ultrapassagem da linha-de-vantagem: a colisão sul-africana contra a manobra neozelandesa.

Os AllBlacks, na sua preparação, já fizeram três jogos com três vitórias sobre as franquias sul-africanas dos Stormers, Sharks e Bulls conseguidas com a marcação de 22 ensaios. Mas para além das necessidades de adaptações para contrariar o jogo-de-colisão sul-africano, os AllBlacks  têm ainda que garantir a difícil adaptação à altitude — o estádio Elis Park onde se disputará este teste, situa-se a 1753 metros acima do nível do mar provocando, aos não habituados, sintomas de falta de ar (menos de 10 a 15% de oxigénio) e recuperação mais lenta entre os esforços. E embora tenham jogado contra os Bulls no estádio Loftus Versfeld que se localiza a 1350 metros acima do nível do mar, portanto numa altitude onde os problemas de difícil adaptação existem em bastante menor grau do que as que se irão apresentar no Elis Park. E aqui vai, portanto, haver um ponto de interesse específico: saber como se aguentarão os AllBlacks no último quarto do jogo — os ditos 20 minutos finais. Seja como for, valendo ainda a percepção de qual dos grupos será mais rápido a disponibilizar a bola no pós-ruck e o que construirão com essa vantagem. 

Um jogo a não perder!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

VAREIRO E MARTA NO MIDI OLYMPIQUE

 


Os internacionais portugueses Manuel Vareiro — sob o título de “confirmação esperada”— e Rodrigo Marta — sob o título “ultrapassagem do Rubicão” — são considerados, numa bela homenagem e pelo jornal francês especialista de Rugby, Midi Olympique, como jogadores a ter em atenção neste próximo campeonato na rubrica  “le jouer à suivre”.

Se Manuel Vareiro, que ganhou a confiança de técnicos e companheiros para se tornar o chutador-aos-postes  no Provence Rugby, continua no ProD2, Marta assinou pelo Pau do Top14 e leva o jornalista a, depois de referir a  consideração de Quentin Put que afirma que “Rodrigo Marta é um factor X de excelência, utilizando nomeadamente a sua aceleração fulgurante e a sua capacidade de atacar intervalos.”, deixando no ar que a certeza da confirmação desta frase será conhecida nos próximos meses depois dos jogos do Top14 ou da Taça dos Campeões. 

 



domingo, 16 de agosto de 2026

A PREPARAR JOGOS-TESTE


Com uma segunda parte de grande superioridade — marcaram 5 ensaios sem sofrer nenhum — os australianos venceram o Japão — que só se “aguentaram” na 1ª parte — por uma diferença de 39 pontos, muito superior à previsão que o seu posicionamento no ranking da World Rugby fazia prever.

Os Estados Unidos, ao vencerem por um ponto de diferença uma segunda equipa da Argentina, conseguiram um bom resultado com o curioso factor dos PumasB terem marcado mais um ensaios do que os americanos — o que denota alguma indisciplina argentina.


No seu terceiro jogo da digressão por terras sul-africanas, os AllBlacks voltaram a vencer com o mesmo número de oito ensaios do jogo anterior. Com algumas experiências os AllBlacks demostraram uma cada vez melhor capacidade de movimento através de um muito interessante e assertivo jogo de passes  sejam passes-em-carga, passes longos ou mera libertação da bola para um apoio que se sabe que aparecerá. Esta eficaz capacidade demonstra que os seus treinos são feitos, em grande parte, com oposição, permitindo uma adequada e eficaz leitura do jogo para descobrir caminhos a seguir e intervalos para explorar — e sempre bonito de ver!

Com a preparação destes 3 jogos, os AllBlacks preparam, da melhor maneira, as necessárias adaptações para os próximos  jogos-teste contra os Springboks.


 

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