Jogar por uma equipa representativa de Portugal é sempre uma HONRA, mas uma honra que, por não ser acessível a todos, tem que ser encarada por cada um com grande responsabilidade e respeito — não sendo admissíveis indisciplinas levianas ou desfocagens motivadoras de óbvios prejuízos colectivos. O Rugby tem LEIS DE JOGO quer devem e têm de ser cumpridas ao pé da letra — para o que há a exigência de as conhecer e, ainda mais, de as perceber. Se a bola é para ser disputada, existem formas legalizadas de o fazer em casa conquista; se jogo é de contacto muito constante, o choque entre os corpos tem regras que limitam a sua insegurança e não pode ser feito como se de uma luta de rua se tratasse. O Rugby — jogo colectivo de combate — não admite nem violência nem agressão, bem pelo contrário — no Rugby o RESPEITO MÚTUO pelas Leis do Jogo e pelos adversários é um VALOR FUNDAMENTAL dos seus PRINCÍPIOS, sendo um factor essencial para que o ESPÍRITO DO JOGO envolva todos nós — treinadores, capitães, jogadores e árbitros. E é dentro deste espaço que, correcta e lealmente, o jogo deve ser jogado para nos garantir o prazer e o divertimento a que a sua prática nos transporta.
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| USA-PORTUGAL, NATIONS CUP (com base num esquema da World Rugby) |
A equipa de Portugal começou muito bem o jogo de Dallas contra os Estados Unidos: dois ensaios em 9 minutos abriam perspectivas para um grande jogo com uma boa vitória. Mais um ensaio a aproveitar a inferioridade numérica americana e a colocar, aos 25 minutos de jogo o resultado em 17-9. Tudo parecia bem encaminhado. Mas num repente…
… a indisciplina dos jogadores portugueses tomou conta do campo e o desconhecimento das Leis do Jogo e da sua aplicação em tempos de jogo começaram a ditar leis: um cartão amarelo com redução a 14 jogadores na equipa, quase de imediato seguida por uma expulsão que reduziu durante 6 minutos a uma luta de 13 contra 15 e que prolongou para lá do intervalo a inferioridade numérica que permitiu a marcação de 2 ensaios americanos. E o bom resultado inicial transformou-se, com a chegada do intervalo, num negativo de dois pontos…
E a indisciplina com faltas técnicas sobre faltas técnicas a entregar, nas 13 penalidades cometidas (contra 4 americanas), a possibilidade de marcação de pontos, entregou o jogo a uma equipa americana que, para além deste campo, nada mostrou de especial capacidade. E para terminar numa espécie de rendição, mais uma expulsão para perfazer mais do que uma metade de jogo em inferioridade numérica. E assim não há jogo que se ganhe…
Como é possível o desconhecimento das Leis do Jogo demonstrado por grande parte dos jogadores? Como é possível a ignorância da reorganização técnico-táctica de fases em que a bola se perde. E pior, este não é um caso especial desta equipa — é um caso que está prejudicar o rugby português em geral. Veja-se a derrota de Sevens contra a Bélgica — a Bélgica?! — quando ao intervalo se vencia por 19-0… também aqui e num repente se esqueceram das regras tácticas básicas de um jogo que tem o dobro do espaço de manobra para cada um dos jogadores do que tem o XV — com a obrigatoriedade evidente da adaptação de gestos e movimentos.
Ou seja: o nosso campeonato pouco competitivo nada prepara para o nível internacional. As técnicas são fracas porque nada obriga a que sejam melhores; o conhecimento das Leis do Jogo é desastroso porque não existe a preocupação quer por parte de treinadores quer dos próprios jogadores de perceberem o enquadramento das leis e como tirar a melhor eficácia da sua boa utilização — demorámos tempo de mais a disponibilizar a bola nos reagrupamentos que, porque a técnica no contacto não a prepara e porque a ultrapassagem da linha-de-vantagem é comprometida na constante lateralização do movimento, deixando que assim a defesa adversária tenha tempo de reorganização; fazemos faltas nas placagens porque “atacámos” o adversário com o tronco levantado (essa preocupação de “placar a bola” para impedir o passe, ajuda muito ao erro). E a pergunta fundamental, mantém.se: como se perde um jogo em que se marcam mais ensaios do que o adversário? E se uma das razões se deveu à perda colectiva do “nós”, há também erros técnicos e tácticos que não permitiram o domínio do jogo — sendo a negligente indisciplina, a mãe que ligou as fases de todo o jogo português levando até ao esquecimento de um momento raro protagonizado por um jogador, Manuel Cardoso Pinto, que marcou os 4 ensaios. Não foram acidentes que nos levaram à derrota, mas o resultado do rugby que temos e praticámos. E não vejo, a continuarmos assim demasiado contentes com o que vemos, que haja qualquer possibilidade de construção do progresso.
Para progredirmos é preciso que dirigentes, treinadores e jogadores. isto é a envolvência do jogo, de uma vez por todas se preocupem em exigir melhorias ao enquadramento e a cada uma das suas equipas na prática do seu jogo colectivo. O Rugby é para ser divertido! — divertido a jogar e a ver jogar — então que o seja, mostrando uma maior eficácia de conhecimento e uso das possibilidades que o jogo nos possibilita.
Estas duas derrotas em XV e VII exigem uma reflexão analítica da comunidade rugbística portuguesa: como aprender, como treinar, como jogar? Como organizar?
