Este jogo entre as duas equipas melhor classificadas do ranking mundial mostrou conceitos interessantes: a África do Sul, lendo bem o jogo produzido anteriormente pelos Lions, percebeu que o jogo permanente de colisão não é mais eficaz para este nível e voltou-se para os básicos que fazem do rugby um jogo exigente de inteligência e de adaptação — o que, com a capacidade física que os caracteriza, permite, como permitiu, a eficácia do movimento com base no recurso à manobra procurando o intervalo e não a colisão directa. E conseguiram um 6-2 em turnovers.
No rugby o intervalo cria-se com a manobra de um grupo de jogadores — portador mais apoiantes directos numa organização dita losango que permite várias soluções adaptativas ao portador. Nomeadamente quando existem corridas de grande perpendicularidade que permitam a continuidade depois da ultrapassagem da linha-de-vantagem. Também na defesa e na sua organização os Springboks melhoraram passando de 89 do 1º teste a 186 placagens com um aumento de 6% de eficácia.
Portanto a África do Sul mostrou-se diferente tacticamente com uma enorme vantagem para o jogo e para nós espectadores.
No entanto o uso e abuso de situações faltosas continua (a sensação que nos fica é a de que são preparadas) e os árbitros não marcam nada. Nas formações-ordenadas (acusação de Dave Rennie e visível por qualquer de nós) entram em contacto inicial a empurrar, no chão atrasam as saídas da bola com um faz-de-conta de impossibilidade de saída e, sempre que dá jeito, usam a obstrução — veja-se o ensaio de De Allende — para impedir o apoio quer atacante como defensivo.
Os AllBlacks, provavelmente surpreendidos com este movimento sul-africano andaram demasiado tempo à procura das adaptações necessárias o que levou o resultado a 30-14 aos 50 minutos. Mas a partir daí o jogo pertenceu aos neozelandeses que voltaram então a mostrar as suas capacidades, terminando o jogo aproximando o resultado para uma diferença de 7 pontos. E a sensação que ficou é que a vitória do jogo tinha sido possível se têm conseguido começar a mudança mais cedo — mas as penalidades concedidas tiraram essa hipótese — e tiveram também muita entrada lateral nos rucks não penalizadas … Mas tudo se prepara para um jogo de excelência — esperando que a arbitragem, que agora será da responsabilidade do georgiano Nika Amashukeli, atinja um bom nível, obrigando os jogadores a jogar dentro do espírito das Leis do Jogo — que desempatará o conjunto de resultados, neste próximo sábado.
A Austrália conseguiu uma saborosa e inesperada vitória em terras argentinas, dominando a posse e o domínio do território. Os argentinos, com valores estatísticos inferiores (62 contra 73 ultrapassagens da linha-de-vantagem) terão, provavelmente e para além das dificuldades de conquista da bola nas fases ordenadas (formações-ordenadas e alinhamentos), entregue o resultado pela indisciplina que demonstraram ao conceder 14 penalidades que contrariaram a boa percentagem - 92% - de placagens conseguidas. Este próximo sábado haverá mais…

