quarta-feira, 4 de novembro de 2026

A COMUNICAÇÃO DO SUPERXV É MÁ

O Rugby, modalidade desportiva colectiva de combate, tem características peculiares que fazem dele um jogo muito próprio e, até, com a sua obrigatoriedade de tomada de decisões e necessidade de permanente adaptação, uma forma de treino— como acontece desde 1965 na Academia Militar americana de West Point — dos oficiais para a organização do combate militar.


Começando por ter que passar a bola para trás quando a marcação de pontos está lá na frente, autoriza também, através da placagem, a agarrar e/ou derrubar o adversário portador da bola. Bola essa que, sendo oval, pode ser transportada, passada ou chutada com o objectivo de marcar pontos através de quatro formas de obtenção com diferentes exigências técnicas de o fazer: ensaio, pontapé de transformação, pontapé de penalidade ou pontapé de ressalto.Um jogo diferente, portanto, das outras modalidades desportivas colectivas. 


Ora estas diferenças exigem formas de comunicação próprias e que devem ter expressões distintas de outras modalidades. Ou seja: rugby não é andebol ou futebol que marcam golos e onde basta a relação numérica entre os dois para se perceber algo do acontecido no jogo. No rugby não. Exemplo: o jogo da última jornada entre o GDDireito e o GDSCascais que terminou com o resultado de 46-27 numa vantagem de 19 pontos favorável aos cascalenses. E com a apresentação do resultado desta maneira e com esta diferença quem é que, a uma primeira vista, pode perceber o que se passou no campo: domínio absoluto do Cascais?! não, ambas as equipas, num equilíbrio insuspeitado pela leitura apresentada, marcaram 4 ensaios e, portanto, a derrota só pode ter sido ditada pela indisciplina e desconhecimento das Leis do Jogo por parte dos jogadores de Direito. É isto que não nos é mostrado na comunicação do SuperXV, seria reconhecível se a linguagem comunicacional utilizada fosse a que pertence ao rugby, dando a ler o número de ensaios, de transformações, de penalidade ou de ressaltos (que, aliás, não se encontram em lado algum…). E para sabermos que nenhuma das equipas teve pontos de bónus ofensivos, teremos que ter acesso, logo no domingo à noite, ao jornal francês MIdi Olympique…




Aliás os Pontos de Bónus, ao utilizarem na classificação geral que apresentam o somatório de diferentes consequências, também não nos informam convenientemente. Veja-se: Agronomia tem um total de 4 pontos de bónus e o CDUL tem uma soma 3 pontos de bónus. Mas Agronomia soma 4 derrotas — são portanto pontos de bónus defensivos — enquanto que o CDUL tem apenas uma derrota e três vitórias com dois bónus ofensivos e um bónus defensivo. O que significa uma diferença de 11 pontos na classificação…


… e nada disto se percebe olhando para a página de resultados e classificação geral apresentada pelo SuperXV.


A folha oficial de resultados do SuperXV deveria apresentar, comunicando adequadamente, a composição de resultados, a existência dos diferentes pontos de bónus de forma simples e clara. Para que leitores possam ter acesso ao desenvolvimento da competição e à capacidade que as equipas vão apresentando ao longo da prova, permitindo assim aumentar o interesse pela competição e pela modalidade. 


E é urgente que essas alterações sejam feitas — a que se deveriam juntar os marcadores de ensaios e de pontapés, bem como os cartões sofridos e o resultado ao intervalo. Para além da importância da apresentação das estatísticas que definam o jogo e que nos permitam fazer comparações quer internas, quer internacionais. Porque é bom lembrar que uma competição não se afirma apenas pela qualidade do jogo que nos possa proporcionar. Afirma-se também — e muito — pela qualidade da informação que produz, organiza e disponibiliza!


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