terça-feira, 26 de julho de 2016

MAUL


Equipa de Portugal a festejar a conquista do 
título de Campeões da Europa de Futebol 2016 
após vitória sobre a França no Stade de France

MAUL - Lei 17.2 (f) - Um jogador não deve saltar para cima de outros jogadores participantes no maul
SANÇÃO: pontapé de penalidade.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A ESPANHA FAZ A DOBRADINHA E AS PORTUGUESAS SÃO FORMIDÁVEIS

A selecção feminina espanhola
No torneio de Repescagem Olímpico realizado no Mónaco,  o VII masculino espanhol conquistou - com alguma surpresa mas inteiro mérito - o 1º lugar e a possibilidade de estar presente nos Jogos do Rio 2016.
Agora, em Dublin, as raparigas repetiram o feito, derrotando na final a Rússia e vão estar também presentes nos Jogos do Rio 2016.
A Espanha é uma potência desportiva - tem 131 medalhas olímpicas conquistadas e encontra-se na 29º posição mundial (nós portugueses temos 23 medalhas e ocupamos o 60º lugar) - que terá tido, muito provavelmente, com a organização dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 o seu maior salto qualitativo e organizacional. Mas no rugby a coisa mantinha-se em segundo plano - eram nossos adversários directos. Com a entrada do Sevens para o programa olímpico, os países que consideram o Desporto como uma demonstração de um conjunto de qualidades passaram a olhar para a modalidade com outro cuidado. E mesmo com o curto número de países admitidos à fase final - 11 equipas a que se acrescenta o Brasil enquanto país organizador - o olhar sobre a variante modificou-se e as diversas fases de apuramento espalhadas por todo o mundo foram encaradas através de preparações específicas e especiais. E a Espanha, apesar das dificuldades intrínsecas ao seu sistema, preparou-se. Criando a união necessário em torno do que reconhece ser importante: o projecto olímpico.
Nenhuma das equipas, masculina ou feminina, conseguiu no Jamor, em Lisboa, a classificação directa para os Jogos do Rio 2016 mas enquanto país com um sistema desportivo adequado às exigências competitivas de rendimento, soube criar as condições necessárias para o sucesso. Nos masculinos, perdida que foi a sua presença no Rugby World Sevens Series em 2013/2014, foram para Fiji preparar a Repescagem - onde, aliás, os seus jogadores tiveram exemplar comportamento humanitário durante as tempestades que atingiram as ilhas. Nos femininos, a situação estava alicerçada na presença continuada no grupo de residentes World Rugby Womens Sevens Series onde esta época de 2015/2016 conseguiram a 9ª posição. Mas com cada movimento, cada decisão, sempre focados na obtenção da qualificação.
Para o rugby espanhol esta qualificação constitui um grande feito que terá, com certeza, efeitos no desenvolvimento interno da modalidade para além da repercursão internacional que terá. Muito provavelmente a Espanha deixará, rugbísticamente, de ser como a conhecemos.

Olhar, ler e adaptar
Christina Ramos de Portugal
Embora tenha terminado o seu torneio de Repescagem Olímpica na 11ª posição entre 16 equipas - disputando a 1/2 final do Challenge Trophy - a Selecção Feminina de Sevens de Portugal não deixou os seus créditos por mãos alheias. Apesar das dificuldades e exigências que a capacidade atlética de algumas adversárias - mais fortes e mais rápidas - foram criando, as raparigas portuguesas sofreram 3 derrotas [China (5ª - como passamos os nossos dias? a treinar, a comer e a descansar), Irlanda (3ª) e Ilhas Cook (9ª e vencedora do Challenge Trophy] e venceram dois jogos [Trinidad&Tobago e México], tendo marcado 102 pontos (16 ensaios e 11 transformações) contra 72 pontos sofridos (12 ensaios e 6 transformações). Uma relação positiva e demonstrativa do nível competitivo conseguido.
A equipa portuguesa, que se bateu galhardamente em qualquer dos jogos, teve momentos de grande nível técnico: placaram que se fartaram, atacaram defesas mantendo a bola jogável, passaram-em-carga, fizeram notáveis dobras no justo tempo e com a eficácia requerida, bateram-se em cada disputa no chão, foram uma equipa solidária, criativa e assertiva. Jogaram umas pelas outras! Foram dignas da camisola que vestiram e mostraram uma exemplar nobreza de carácter - perdidos os dois primeiros jogos tudo poderia ter sido deixado ao deus-dará, mas, não-senhor! bateram-se até onde lhes foi possível com a dignidade requerida.
As jogadoras portuguesas são formidáveis e bom seria que a nossa comunidade rugbística soubesse retirar as lições que a sua presença neste torneio final de apuramento para os Jogos Olímpicos do Rio 2016, traduz. Elas são mesmo formidáveis!
Mais formidáveis ainda se reconhecermos, neste país em que o Desporto, por constante ignorância dos princípios que o devem reger, é posto ao serviço dos mais variados interesses e tem no Desporto Feminino, principalmente nas modalidades colectivas, uma confrangedora organização, que o seu esforço e dedicação ultrapassaram a normalidade.
Esta vintena de jogadoras lançou uma semente exemplar - a que não é alheia a equipa técnica que as tem acompanhado - que não pode ficar por aqui ou ser abandonada. E que exige uma adequada visão de futuro.

domingo, 26 de junho de 2016

NUM NOU CAMP CHEIO MELHOR A EVASÃO DO QUE A COLISÃO

Nou Camp de Barcelona com lotação esgotada na final do Top14
foto iPhone transmissão televisiva

Em Maio, em Valladolid, foram mais de 26 500 espectadores a assistir - para além do próprio que entregou a taça aos vencedores - à final da Copa del Rey 2016 entre o Silver Storm El Salvador e o VRAC Quesos Entrepinares do nosso internacional Nuno Penha e Costa.
Na passada sexta-feira o Nou Camp de Barcelona juntou 99 354 espectadores - um recorde que supera os 84 068 de Wembley no Saracens-Harlequins de 2015 - para assistirem à final do TOP 14 francês entre o Racing 92 e o Toulon. A visão do estádio foi impressionante e a qualidade do jogo reconciliou-nos - como aliás aconteceu com as meias-finais do Final Four - com o campeonato francês e a sua qualidade competitiva, técnica e táctica. Ao contrário da maioria dos jogos vistos durante a época regular - fastidiosos, de pouco interesse, subordinados mais ao não perder do que ao ganhar - estes jogos da fase final tiveram todos os ingredientes para serem recordados: competitividade, luta pelo melhor resultado, inteligência táctica, capacidade e eficácia técnica, combate e resultados indefenidos até ao apito final.
Na final de Barcelona, entre uma equipa mais apostada na evasão e outra que colocava os seus trunfos na colisão ganhou a primeira com a curiosidade de o ter feito - para além de 50 minutos em inferioridade numérica e logo de um médio-de-formação* - com apenas 43% de posse de bola mas com 186 placagens - eficácia de 91% - contra 106 e 87% de eficácia do adversário mas também com um normal número (9) de penalidades concedidas contra o exagero de 16 cometidas pelo Toulon de que resultaram 24 pontos que permitiram a vitória final dos parisienses por 29(E,8P) - 21(2E,T,3P).
Como curiosidade dos jogos internacionais deste fim de semana temos que as equipas vencedoras foram as que menos posse de bola tiveram: a Nova Zelândia com 38%, a Inglaterra com 47%, Escócia com 41%, África do Sul com 32% e a França com 48%. No entanto estas equipas com menor posse da bola marcaram, pela mesma ordem, 6, 4, 0, 1 e 3 ensaios. Ou seja, uma média de 42% de posse de bola resultou numa média de 2,8 ensaios contra 1,4 ensaios (metade) resultantes dos restantes 58% de posse da bola.
(curioso também é o facto de que nos oitavos-de-final do futebol do Euro 2016, quer Portugal quer a Polónia ultrapassaram os seus adversários com menor posse de bola e com menos remates...)
Portanto, estes dados dizem-nos que a conquista e posse da bola não garantem a vitória. Aliás a única coisa que parece evidente em relação à posse da bola é que, tê-la, impede o adversário de marcar pontos mas não permite, necessariamente, marcá-los.
Podemos então tirar a conclusão - alicerçada nos dados e na evidência do que se viu - de que é, não a mera posse da bola, mas o seu uso eficaz e adequado que permite chegar ás vitórias. Por e para isso se treina na procura da sintonia colectiva que permita explorar as oportunidades que a leitura dos movimentos em campo nos evidencia. O que exige treinar com oposição e numa velocidade tal que nos coloque no nível de intensidade exigível pela competição.

Nota: ver os três recentes jogos dos All-Blacks com o País de Gales constitui uma óptima lição sobre o que significa uso da bola eficaz, leitura colectiva das oportunidades para além de uma demonstração de que a velocidade de deslocamento e de execução são as armas fundamentais para criar os desequilíbrios necessários ao domínio do resultado. 
* - A equipa técnica do Racing 92 decidiu não substituir qualquer jogador para fazer entrar o formação  suplente. Assim, garantia jogar com oito avançados - situação fundamental contra o poderoso pack do Toulon - e ao mesmo tempo não diminuir em defesa o número de três-quartos. Como? Colocando o argentino Juan Imhoff como improvisado formação que, nas fases estáticas, ocupava o seu lugar de ponta, deixando o seu adversário directo à-vontade. Surpreendente terá sido o facto do Toulon e nas formações-ordenadas não ter sabido tirar qualquer partido da vantagem da situação...

sexta-feira, 24 de junho de 2016

SELECÇÃO FEMININA DE SEVENS DE PORTUGAL

foto jpbessa iPhone

A selecção feminina de Sevens de Portugal já está em Dublin para disputar a Repescagem Olímpica dos Jogos do Rio 2016.

Não partiram todas no mesmo dia porque uma delas - a Catarina Antunes - tinha exame na manhã do dia seguinte à partida e foi obrigada a fazer, posteriormente, a viagem sózinha, tendo assim que suportar a enorme e negativa carga psicológica que o facto representa para uma atleta de Alto
Rendimento em vésperas de competição internacional. Mas é o normal neste quadro conjunto de iliteracia desportiva e incumprimento da Lei de que fazem gala e tem caraterizado o entendimento das nossas Universidades. E provavelmente têm teses justificativas bem pensantes... ignorando tão só que os tempos de uma e outra actividade são diferentes e pesam na vida de maneira diferente. Na urgência também.

Enfim... é o resultado de um sistema ignorante dos valores desportivos que, quase como forma de vida, são sempre substituídos por um jogo de interesses assente em conceitos de encher o olho.
Voltando às raparigas e senhoras que se encontram em Dublin.
Para o reduzido nível das modalidades colectivas do Desporto feminino português, o apuramento para esta Repescagem Olímpica - onde se juntam mais quinze equipas das mais diversas origens mundiais - é uma lança em África. Se pensarmos ainda que o rugby feminino português não ultrapassa as 200 jogadoras seniores para um total de menos de 400 jogadoras inscritas, veremos que a façanha é notável.
Classificaram-se, diria surpreendentemente, há cerca de um ano, no Jamor, depois de vencerem a Alemanha, a Dinamarca, a Itália e a Holanda. Mas classificaram-se porque se mostraram lutadoras, assertivas, de mais morrer que perecer, formando um colectivo - a mão do treinador João Mirra esteve também presente nessa construção - que ultrapassou em muito o somatório das capacidades de cada uma. Foram e são formidáveis!
Umas Guerreiras!
Como vos escrevi então de S.Jorge nos Açores, escrevo agora de Lisboa: a materialização dos vossos sonhos está nas vossas mãos, na vossa capacidade colectiva de utilizar a bola e conquistar terreno, na vossa capacidade de marcar ensaios. Fazendo-o umas pelas outras! Transformando as ideias de cada uma numa força convergente capaz de garantir a eficácia colectiva das acções ao tornar o todo muito superior à soma das suas partes.
Sei que não é fácil a tarefa da qualificação - apenas uma equipa terá acesso aos Jogos. Sei até que é muito difícil. Mas sei também da vossa determinação.
Bons jogos, bons resultados, boas vitórias!

Para a história, os nomes: Antónia Braga, Arlete Gonçalves, Catarina Antunes, Catarina Ribeiro, Christina Ramos, Inês Spínola, Isabel Osório (capitã), Leonor Amaral, Maria Heitor, Maria Lezita Guerreiro, Maria Vásquez, Sara Jéssica Silva. Treinador: João Mirra

sexta-feira, 20 de maio de 2016

VALORIZAR OS VALORES



A ideia é de Nuno Gramacho e é estrategicamente muito boa: através do tema dos Valores no Desporto introduzir o Rugby nas "escolas primárias". Ontem, no Porto e nas instalações da Câmara  Municipal do Parque da Cidade pude assistir a uma tarde rugbística com 600 raparigas e rapazes do 4º ano do Ensino Básico - "escolas primárias" - do concelho do Porto.
As vantagens são inúmeras. Por um lado, as "escolas primárias" são da responsabilidade municipal e, para além de socialmente representarem todos os estratos, permitindo um início inclusivo da modalidade, permitem também fazer um programa integrado de fácil adequação a realidades concelhias diferentes; por outro, o contacto das miúdas e miúdos com o Rugby faz-se na boa idade - ficam a conhecer a modalidade numa altura em que a actividade desportiva - e não apenas os jogos lúdicos de actividade física - pode e deve começar a ser integrada no seu quotidiano. Também são vantagens desta idade o facto de que, tratando-se da aprendizagem de gestos técnicos de grande simplicidade que são facilmente assimilados pelos própri@s professor@s que não têm qualquer dificuldade em ensiná-los, ser possível realizar actividades desportivas divertidas - o jogo como forma de aprendizagem e o ensaio como objectivo.
O programa do Nuno Gramacho - apoiado pela EDP Gás - já se encontra, para além do Porto, nos concelhos de Braga e Famalicão. Saibam os clubes aí existentes tirar todo o proveito que este  Valorizar os Valores possibilita e o seu desenvolvimento e participação competitiva sustentáveis serão uma realidade.
Na equipa deste programa participam ainda as internacionais e jogadoras do Sport Club do Porto, Daniela Correia, a Deolinda, e Catarina Ribeiro o que dá, desde logo, uma garantia de qualidade que estas jogadoras representam. Qualidade técnica e táctica e ainda qualidade valorativa: elas sabem jogar, sabem do jogo e sabem dos valores que estão envolvidos. 
Para que todo este esforço desenvolvido pelo Nuno Gramacho e sua equipa tenha o sucesso que merece é necessário que os clubes de Rugby, em cada concelho, sejam capazes de assimilar e dar condições para que estes "iniciados" possam continuar a descobrir o enorme divertimento que é jogar Rugby. Garantindo que não se trata de um desperdício de energias e financiamento, mas sim de um investimento para, como é objectivo do programa, aumentar o número de jogadores federados na modalidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

NÃO FAÇA ISSO! EU É QUE CONTROLO O JOGO!


Na final da Plate de Singapura - notável vitória e inesperada de Samoa sobre a Nova Zelândia - o árbitro, depois de uma placagem alta de um neozelandês, atribuiu "vantagem" a Samoa mas o portador da bola, lendo o jogo da forma que melhor entendeu, decidiu que não queria utilizar a vantagem, isto é, considerou que a "vantagem" atribuida pelo árbitro à sua equipa não era vantajosa. Para o demonstrar fez "adiantado" e ouviu o sermão do árbitro: "Não faça isso! Eu é que controlo o jogo!".

Muito bem! E a quem pertence a decisão sobre o uso da "vantagem"? Na situação em causa o jogador samoano entendeu que era mais vantajoso para a sua equipa realizar o "pontapé de penalidade", conquistar terreno sem esforço e ainda ter direito ao lançamento da bola no alinhamento que repõe a bola em jogo. E como estámos no domínio do jogo em que o resultado conta, como faz o jogador para demonstrar a sua decisão? Que instrumento regulamentar é possível utilizar para demonstrar que não considera a "vantagem", vantajosa?

Porque fazer um "adiantado" prepositado é ilegal, é feio, representa falta de respeito, é mais isto ou aquilo... como tenho ouvido dizer ou comentar. Então como é que o jogador deve fazer para demonstrar que não quer utilizar a considerada vantagem? Gritando?! Nem sempre se ouve e as línguas nem sempre são as mesmas. Dando saltos a ampliar gestos de desaprovação?!

O problema está, obviamente, no facto da World Rugby - e antes a IRB - não terem tido a preocupação de definir um gesto que signifique a não aceitação da proposta do árbitro. Porque é de uma proposta que se trata, procurando não beneficiar o infractor e dando ao prejudicado a possibilidade de, se o entender, explorar a situação. Mas a decisão de benefício ou não do infractor ou de explorar eventual vantagem pertence aos jogadores, não ao árbitro. Porque são razões de ordem táctica ou estratégica que determinam a decisão. Ou seja, razões do domínio dos jogadores e da sua equipa.

Ao árbitro cabe propôr a continuação do jogo através da aplicação da Lei da Vantagem - Lei 8 - mas o jogador deve ter o direito de decidir se aceita ou não a proposta. Porque o jogo pertence e faz-se de jogadores. Existe para os jogadores e só depois para os treinadores - que os ajudam a ser mais eficientes - para os árbitros - que garantem a sua segurança física e a equidade regulamentar - para os dirigentes - que proporcionam organizações que permitam as condições necessárias à melhor expressão das capacidades e talentos - e para os espectadores - apoiantes, muitas vezes pagantes, fundamentais para a expressão de alto rendimento do jogo.

O papel dos árbitros é difícil e complexo. E nem sempre compreendido. Mas, muitas vezes, pela complexidade das leis do jogo, pelo número excessivo de zonas cinzentas - quem cometeu a primeira falta no chão, resposta: aquele que o árbitro viu - pelo excesso de protagonismo ou carácter autoritário de 80 minutos de poder, tornam-se mais do que juízes e interferem, mesmo se involuntariamente, na construção da resultado.

E se a presença do árbitro, muitas vezes, se torna demasiado notada ou importante, não é preciso  comportar-se como  "dono" e considerar-se como centro absoluto do jogo. O jogo existe porque há jogadores!

E convinha que a World Rugby definisse uma forma para que os jogadores possam demonstrar a sua decisão em matéria de utilização da "vantagem". Porque, táctica e estrategicamente, essa decisão cabe aos jogadores, não ao árbitro a quem cabe apenas garantir que a exploração da situação pode ser utilizada.

domingo, 13 de março de 2016

SERAFIM MARQUES, o CORDEIRO DO VALE, faz 92 anos

Faz hoje, 13 de Março, 92 anos o Serafim Marques profissionalmente conhecido como Cordeiro do Vale - em homenagem, julgo, a um seu avô que teria usado esse nome nas também lides jornalisticas.
Jornalista do Diário Popular e da secção Desporto da Radio Televisão Portuguesa, Serafim tinha duas enormes paixões desportivas, o Atletismo e o Rugby.
No Rugby é um nome grande quer como membro de clube - iniciou-se em Agronomia mas foi no CDUL, que ajudou a singrar e a fazer o principal clube português - muitos dos dezanove títulos nacionais do clube são do seu tempo - que a sua participação como educador, formador, treinador ou dirigente se reconhece e admira, quer pelo seu papel de divulgador no Diário Popular e na RTP onde espalhou o conhecimento e o interesse pelo jogo nos seus categorizados comentários - diversas vezes ao vivo - no então Torneio das Cinco Nações. Todos os que temos idade para o ter ouvido devemos-lhe muito do conhecimento e amor pela modalidade que possámos ter. 
Conheci o Serafim - sempre o chamámos assim - depois de um jogo entre o CDUP, onde jogava e o CDUL, realizado no então Estádio 28 de Maio em Braga e onde o Xana Pinto Magalhães, então já padre, comentava de magafone na bancada, para ensinar e explicar as Leis do Jogo. Acabado o jogo, onde tive por adversário directo o meu amigo Vasco Lynce, camarada do Colégio Militar e companheiro da equipa de futebol com quem tinha ganho o campeonato lisboeta da Mocidade Portuguesa, veio ter comigo e disse-me: devias vir para o CDUL. Não satisfeito por o ter dito a mim, disse-o também aos meus pais e, um ano depois, estava na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa a continuar Arquitectura e a jogar pelo CDUL onde fiz o resto da minha carreira rugbística.
E tive, para além do engº Pinto de Magalhães, o Serafim como treinador. Tinha uma paciência infinita para nos ajudar a trabalhar a técnica individual (é verdade, há mais de quarenta anos já se preocupava com a técnica e o treino individualizado). Comigo, sempre com o seu fato-de-treino azul, gastou horas para que o pé esquerdo se aproximasse da fiabilidade do direito e que a captação da bola no ar fosse garantida - chutava dezenas de bolas para cima de mim até entender que estava melhor do que ao início.
Sabia de Rugby - era adepto do rugby de movimento - e sabia comunicar o seu conhecimento. Passaram-lhe pelas mãos centenas de jogadores e muitos deles chegaram a internacionais. Chegou aos ouvidos de milhares de portugueses que aprenderam a ver Rugby com ele. É uma figura incontornável do CDUL e do Rugby português.

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