segunda-feira, 20 de outubro de 2014

QUEREM GANHAR? ATAQUEM!

Excelente jogo este entre a Austrália e a Nova Zelândia. Excelente para ver como espectáculo e excelente para - desde que se queira - aprender.
Embora num jogo que não contava para mais do que o prestígio e para pontos no ranking - isto é, não havia nem pontos nem sequer a Bledisloe Cup em disputa - os jogadores deram uma óptima demonstração do verdadeiro espírito do jogo: um combate pelo terreno, pela bola e pelos pontos durante a totalidade dos oitenta minutos de duração do jogo. E a primeira lição vem daqui: nenhum jogo está perdido até que o árbitro apite o seu final. Os All-Blacks acreditam que assim é e procuram a vitória até ela não ser mais possível. Como colocou em título de livro o seu antigo capitão Sean Fitzpatrick: Winning matters.
A segunda lição: a bola é para jogar. Pouco importa a vantagem da posse da bola se a equipa não fôr capaz de a utilizar eficazmente. A estória de se dar conta das inúmeras sequências conseguidas por uma equipa sem conseguir marcar pontos não qualifica uma qualidade e só tem um significado: incapacidade atacante perante a qualidade de uma defesa. E isso significa, na maior parte dos casos, que a equipa na posse da bola nunca conseguiu criar - por isto ou aquilo e em qualidades que devemos atribuir à equipa defensora - os desequilíbrios necessários e não conseguira montar os apoios capazes de permitir jogar entre-linhas e ultrapassar a barreira defensiva para atingir a área de ensaio. E foi destas preocupações que o jogo nos falou: de usar a bola, atacar a linha de vantagem e criar os apoios capazes de permitir a continuidade. 
A terceira lição foi sobre a continuidade. Um dos princípios fundamentais do jogo, a continuidade é essencial ao jogo mas, demasiadas vezes e apesar dos avisos constantes de Pierre Villepreux na construção do seu jogo de movimento, confundida com manutenção da posse da bola. A continuidade de que falámos no jogo deve ser entendida como continuidade do movimento, evitando paragens que permitam a reorganização defensiva e para que esse objectivo do movimento - num jogo de avanço e entrega permanentes da bola - seja uma constante é preciso por um lado, que se ataque os intervalos entre defensores - atacar a porta e não a parede - para criar indecisão e, por outro, que se construa uma sociedade secreta entre o portador da bola a caminho do chão e o apoiador axial para que o passe se faça sem demora e com a eficácia adequada. E a demonstração de como isso se faz, foi uma outra lição do jogo.
Existe a necessidade de criar uma ligação - daí a ideia da sociedade secreta -, uma espécie de pacto para que o portador, na zona de contacto, oriente o corpo de tal forma que possibilite o tempo necessário a uma entrega tão precisa quanto possível, sendo o papel do apoiador axial o de se posicionar pelo lado que maior facilidade dê ao portador. Assim o movimento continua e a defesa vê aumentar as suas dificuldades. E umas de duas, ou o portador ao atacar o intervalo atrai dois defensores e o apoiador axial tem caminho aberto ou será este a interessar o defensor, abrindo o espaço para outro companheiro. Simples mas exigente: exige que se jogue em cima dos defensores, a uma distância reduzida, em velocidade e com a preocupação de servir companheiros.
Mas as defesas também estiveram bem e mostraram, como deve ser, que o seu objectivo maior é recuperar a bola - o que exige passar da mera placagem à colisão: placagem derrubante, penetrante e efectiva. E disso se viu muito.
Ou seja, a base do jogo foi construída por ambas as equipas de acordo com a ideia de que a bola é para usar, a bola é para recuperar. Ou seja, um hino ao conceito de sempre de que o rugby é um jogo de ataque. De facto, com a bola tudo pode acontecer mas sem a bola o que se pode fazer não ultrapassa o adiamento da derrota.
Por outro lado o jogo no chão foi também um combate de bom nível, mesmo com a existência de algumas faltas - foi provavelmente o sector do jogo com mais faltas. Tratando-se de uma área onde os turnovers são meio caminho andado para conquistar terreno ou mesmo conseguir pontos, as equipas têm os seus jogadores suficientemente treinados para tomar decisões de acordo com a circunstância momentânea: atacar a quebra, o ponto da placagem, só pela certa, atrasar a saída da bola não deixando a vida fácil aos adversários e não implicar demasiados jogadores. O que exige conhecimento táctico do jogo para proporcionar adequada leitura a suportar a conveniente decisão.
Um jogo em cheio, com bons ensaios e com o didatismo da constante representação dos princípios fundamentais do jogo e pleno de bons exemplos. Aumentando assim a curiosidade para os jogos de Novembro com as selecções europeias.

Nota: Não tive oportunidade de felicitar publicamente o Daniel Hourcade e os seus guerreiros pela notável vitória sobre a Austrália. De facto a Argentina para além de prometer - como escrevi -, cumpre. E mostrou excelentes capacidades que farão dela e cada vez mais, uma equipa com que se deve contar para o Mundial. E o mais impressivo - trata-se de uma equipa jovem - é a sua margem de melhoria. Como reconhece Hourcade há ainda demasiados erros que só o aumento de jogos de nível mais elevado como estes - onde se ganha e se perde por um erro explorado ou cometido - pode permitir diminuir. Para Hourcade é o reconhecimento mundial da sua aposta, das suas ideias - o jogo-ao-pé argentino caminha cada vez mais para ser uma arma táctica e não uma constante aliviadora como resultou do passado - da sua forma de encarar o jogo. E que diabo, quem inventou o Tango não se pode ficar por um jogo pouco interessante. Hourcade dá ao jogo argentino a frescura da dança porteña. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CARTA DE UN RUGBIER A CRISTIANO

Estimado Cristiano:
Te escribo esta carta en calidad de jugador de rugby. El pasado miércoles realizaste, a mi parecer, unas desafortunadas declaraciones al advertir tras la conclusión de un partido, "que en lugar de fútbol parecía rugby" porque un rival te dio una patada por detrás sin posibilidad de jugar al balón. Quería aclararte que en el rugby está terminantemente prohibido patear a un rival y que cualquier tipo de agresión está sancionada con la expulsión directa. También te diría que el jugador expulsado, además de ser sancionado por su club y por el comité reglamentario, pide disculpas en el vestuario a sus compañeros al finalizar el encuentro por dejarlos en inferioridad e hipotecar el trabajo de toda la semana. Para nosotros los partidos se juegan entre semana (en los entrenamientos) y el fin de semana se posan los ensayos.
El rugby es un deporte de contacto, duro y agresivo, pero nunca violento. En el rugby existen unos códigos de conducta honorable que todos respetamos escrupulosamente, por lo que nunca verás a un jugador de rugby simular una falta o una agresión. Se suele decir que la única mentira que está permitida a un jugador de rugby es la que se dice al médico para seguir en el campo. Este fin de semana un jugador recibió un golpe en la cara, le partieron el pómulo y siguió jugando durante una hora para que su equipo no quedase en inferioridad.
Habrás visto que nuestras camisetas llevan dorsales, que indican la posición en el campo, pero no el nombre, porque no es importante quien vista esa camiseta. Lo importante es que quien la vista "haga su trabajo, sólo su trabajo, pero todo su trabajo". Por eso cuando anotamos un ensayo nadie lo celebra señalando su nombre, lo festejamos con los compañeros, los culpables de que el balón nos llegue siempre en las mejores condiciones. Por eso no entregamos Balones de Oro ni tenemos pichichis. Además nos dirigimos al árbitro llamándole «señor», sólo hablan con él los capitanes y nunca le culpamos de la derrota porque somos conscientes de que nos equivocamos más veces que ellos.
Te diré que en el rugby impera la continuidad, que la filosofía de juego incide en que la pelota siempre esté viva. Por eso cuando ves un placaje, el placador suelta al placado al caer y el placado deja la pelota en el suelo para liberarla. En el rugby la pelota siempre tiene que estar en juego para que al final del partido se cumpla el primer mandamiento de nuestro deporte: siempre gana el mejor. Se persigue severamente el anti-juego y se castiga con ejemplaridad, por lo que nunca verás jugadores de rugby perdiendo tiempo o simulando lesiones. De hecho, existe la figura del cambio de sangre, porque el lesionado, una vez atendido, vuelve al campo por muy aparatosa que sea la herida, para seguir ayudando a sus compañeros.
En el rugby el rival es adversario en el campo y compañero fuera de él. Nunca enemigo porque tenemos en común una pasión y un código de conducta que respetamos más allá del campo. De ahí que en el rugby hagamos pasillo al rival, ganemos o perdamos, y compartamos unas cervezas en el tercer tiempo después de dejarnos la piel en el campo. Por todo esto, Cristiano creo que tu declaración fue desafortunada, entiendo que por desconocimiento de nuestro deporte. Desde aquí te invito a acudir a un partido de rugby dónde y cuándo quieras. Serás siempre bienvenido, tú y cualquiera. Y, por supuesto, estás invitado a disfrutar con nosotros de unas cervezas en el tercer tiempo. Sin más, salud y rugby.
Fermín de la Calle
6 oct 2014 in https://es.eurosport.yahoo.com/blogs/parada-a-seguir/carta-de-un-rugbier-a-cristiano-223841623.html

(Fermín de la Calle, jornalista espanhol)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A ARGENTINA PROMETE


Dois dos "nossos" no melhor nível do rugby mundial
O Nova Zelândia-Argentina era uma jogo imperdível. Por diversas razões: porque vale sempre a pena ver a melhor e mais estimulante equipa do rugby mundial; porque havia uma enorme curiosidade sobre as reais capacidades argentinas; porque ainda - um ponto nada despiciendo -  neste jogo participavam dois dos "nossos", Daniel Hourcade - treinador principal dos Pumas e o único dos treinadores estrangeiros que deixou um verdadeiro legado ao rugby português - e Rohan Hoffman, jogador internacional por Portugal - excelente e de enorme carácter (tive a sorte de contar com ele nas selecções da minha responsabilidade) - e que, começando cá a sua carreira de árbitro, era um dos árbitros auxiliares do jogo.

O jogo não desmereceu. A Argentina - e quem conhece Hourcade sabe que as suas equipas se formam com guerreiros - demonstrou, com a sua capacidade de luta e organização táctica, o que já se suspeitava: a ideia de que será uma equipa a ter em contínua conta no panorama internacional - para Hourcade o "seu" Campeonato do Mundo será o de 2019. 

Apesar da chuva, os AllBlacks demonstraram a suas enormes capacidades na circulação da bola - o tempo de passe e de posicionamento do receptor são simplesmente notáveis e obrigam a repensar em métodos e processos de treino. Mas desta vez o conceito de que o uso do jogo-ao-pé - que Hansen frisou ter melhorado muito, quer na técnica, quer na oportunidade - foi uma realidade. Por um lado pela estrutura defensiva argentina que obrigou a muito jogo-ao-pé por parte dos neozelandeses, por outro porque existe uma confiança enorme na técnica de cada um e no cumprimento da regra-chave: a qualidade de um pontapé ofensivo depende da eficácia da perseguição. Daí a exigência da colocação dos pontapés - que possibilita a perseguição - e, nisso, os neozelandeses são tremendos. Veja-se o primeiro ensaio: pontapé-rasteiro de Beauden Barrett para Retallick captar e passe em pontapé-rasteiro de Conrad Smith para Savea marcar. Tudo feito com o propósito adequado: usar a posse da bola da forma mais eficaz possível. E não me lembro que algum dos muitos pontapés-na-caixa de Aaron Smith tenha permitido algum contra-ataque argentino.

Os argentinos conseguiram uma coisa notável: no final da primeira parte eram a equipa com mais posse de bola e superior ocupação territorial. O que, contra AllBlacks, representa um feito! Que só foi insuficiente porque do outro lado estava a equipa que sabe explorar como ninguém as oportunidades que o jogo lhe oferece. Na segunda-parte o segundo-empurrão dos Pumas nas formações-ordenadas foi formidável - apesar do segundo ensaio neozelandês, ainda na primeira-parte, ter nascido de uma conquista - "bola de ouro" na gíria - de formação-ordenada de introdução argentina com exploração imediata da colocação das linhas atrasadas. Provavelmente a maior dificuldade dos Pumas nestes jogos de primeiro nível, estará na ultrapassagem da linha-de-vantagem após a conquista nas fases ordenadas, onde dão demasiado campo com passe em ângulo muito aberto e facilitando a vida à defesa adversária - curiosamente nas fases espontâneas o ataque à LV é muito mais eficaz. 

Interessante, para além de algumas novas combinações neozelandesas - o seu quarto ensaio, próximo da área-de-ensaio argentina e sobre uma formação-ordenada numa divisão 4-2 dos três-quartos (os argentinos responderam com um inevitável e perdível  3-3) seguida de um desequilibrador 89, é uma demonstração da forma de colocar problemas, diria insolúveis, à defesa - as combinações de ambas as equipas nos alinhamentos, variando o suficiente para garantir a conquista da bola sem grande perturbação -  dos 31 lançamentos apenas 3 foram captados pelos saltadores adversários.

Com 4-0 em ensaios a vitória da Nova Zelândia não deixou dúvidas mas a Argentina começa a atingir um nível qualitativo internacionalmente muito interessante. E Daniel Hourcade tem na sua cabeça as ideias e conceitos para ainda lhe elevar mais o actual nível. Uma boa surpresa e, talvez finalmente, encontremos um sustentável desmancha-prazeres no rugby mundial... 

Preocupante é, no entanto e a um ano do próximo Mundial, o que se vai passando nas arbitragens. Depois do enorme disparate, com benefício evidente do infractor, da exigência do comando do árbitro na introdução da bola nas formações-ordenadas, parece haver de novo a tendência para os árbitros definirem os resultados dos jogos. Na final do Super XV a decisão sobre uma falta inexistente de Mc Caw, ditou o vencedor; no Argentina-África do Sul não consegui - eu e muitos outros - ver a falta do pilar direito argentino que determinou a vitória sul-africana.

Neste fim-de-semana o árbitro, o francês Pascal Gauzere, tirou um ensaio à Argentina sem que possa haver qualquer razão para o facto - carga sobre um pontapé, captação da bola do chão e corrida para o ensaio. No outro jogo - Austrália-África do Sul com dois excelentes ensaios australianos - a atribuição muito duvidosa - foi apenas falta por placagem alta mas que não se aproximou de jogo perigoso - de um cartão amarelo aos 65' a Bryan Habana - que cumpria o seu 100º jogo internacional - deu toda a possibilidade de vitória aos australianos (Curiosidade: Habana só não entrou em jogo antes do ensaio australiano porque o seu companheiro Morne Steyn falhou a saída da bola num pontapé de penalidade e, por isso, não houve paragem do jogo).

Como nota positiva destes erros - graves! - de arbitragem, a ética do comportamento de treinadores e jogadores. Desde "o árbitro tem sempre razão" até ao "não estou aqui para falar dessas coisas", nenhum dos intervenientes criticou publicamente os árbitros. Mais razão ainda para haver uma maior atenção - porque jogadores que respeitam o código do fair-play merecem todo o respeito - por parte dos árbitros e, principalmente, uma maior coerência global nas suas interpretações das Leis do Jogo.     

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A VINGANÇA DOS MESTRES


... e a Bledisloe Cup continua na Nova Zelândia
Meia centena de pontos marcados, trinta-e-um pontos de diferença e seis-dois em ensaios marcados, demonstram a diferença da capacidade de jogo entre AllBlacks e Wallabies. Derrotados na final do Super 15 e com o empate concedido em Sidney, os neozelandeses, como campeões do mundo e primeiros do ranking IRB tinham qualquer coisa para demonstrar. E demonstraram-no sem margem para dúvidas: na conquista e na utilização.
A entrada em cena dos neozelandeses teve um ritmo demolidor - pese o facto de terem sido punidos com penalidade convertida na primeira vez (Conrad Smith) que tocaram na bola - e fez australianos pagarem-no caro ao longo do jogo.
Qualquer das defesas esteve em geral bem, determinada e agressiva, subindo, diminuindo o tempo da decisão, criando uma pressão permanente. Mas os AllBlacks dominam completamente a necessidade de jogarem na cara do adversário - a tal distância de 1 metro a que se devem tomar as decisões - fixando adversários directos e garantindo os espaços de penetração.   
O treinador principal, Steve Hansen, já o tinha dito no início da época internacional: estamos a utilizar mais e melhor o jogo ao pé. E de facto os AllBlacks chutam mais do que as outras equipas como o demonstram as estatísticas - chutaram 23 vezes contra apenas oito dos australianos. É assim natural que tenham menos percentagem de posse de bola do que os adversários mas isso não os torna menos eficazes. Apenas transformaram o velho conceito "se podes correr e passar  não penses em chutar" num outro, de resultado mais objectivo e com base numa regra d'ouro: a utilização da bola serve para criar o maior número de dificuldades ao adversário. O que exige conhecimento do jogo e, para além da técnica necessária ao bem fazer, o domínio da cultura táctica que permita decidir sobre a melhor forma - para cada momento de confrontação - de complicar a vida defensiva adversária. O que, naturalmente, tem uma enorme vantagem: sujeito ao jogo-ao-pé atacante (chamemos-lhe assim por oposição ao jogo ao pé de alívio) o adversário tem que dividir as suas atenções defensivas por um maior, como na velha estória do lençol sempre curto nos pés ou no pescoço, espaço territorial. E esta possível e constante alteração, se permite aliviar pressões, permite ainda - com a boa organização perseguidora que sempre demonstram - conquistar terreno efectivo que, colocando problemas aos defensores, os leva a cometer erros. Tudo junto num benefício que se traduz em pontos.
Alguns dos jogadores - o capitão Richie McCaw, o nº8 Kieran Read e o segundo-centro Conrad Smith - têm sido dados como "acabados" por apressados comentadores. Viu-se o acabamento... os dois terceiras-linhas marcaram 3 ensaios e Smith mostrou-se sempre uma mais valia para os companheiros transportadores da bola: aparece no momento exacto para receber o passe e ainda conquistar terreno, avançando até deixar, se vai ao chão, a bola em perfeitas condições de utilização para companheiros. Um notável jogador que hoje - tendo dividido as preferências com Brian O'Driscoll - é o melhor segundo-centro mundial.
Na ida ao chão enquanto portadores, todos os jogadores AllBlacks mostraram o mesmo entendimento: se soltos, a preocupação de passar a bola a um companheiro que possa continuar o movimento; se presos, a preocupação de mergulhar, qual marcador de ensaio, atirando o corpo para lá da linha dos defensores, dando, desde logo, vantagem ao apoio e dificultando a vida aos defensores que se tocam na bola podem também ser considerados em fora-de-jogo (não há placadores mas pode chegar a haver ruck), ou seja e seguindo a regra que pretendem impor, criando mais uma dificuldade aos defensores. E assim podem jogar ao largo com uma enganadora facilidade que desnorteia as defesas e alarga espaços de passagem.
A panóplia técnico-táctica neozelandesa é imensa e daí o facto de continuarem a ser a melhor equipa do mundo - há quanto tempo são Número Um do ranking IRB? Porque são estes conhecimentos das questões tácticas do jogo e a capacidade - repetida vezes sem conta - técnica dos gestos tornados mais rápidos e mais precisos que faz do XV da Nova Zelândia uma equipa soberba. E que tem traduções evidentes na forma como a equipa actua.
Sempre admirei a capacidade dos jogadores neozelandeses reconhecerem colectivamente uma oportunidade: num repente os jogadores parecem mordidos pelo mesmo bicho e adaptam-se à situação que reconheceram - num gesto de um companheiro, num erro adversário - para conquistar terreno, bola ou pontos. Parece que, comandados por um clique exterior, todos respondem em simultâneo. Com um "mais": cada um responde de forma diferente mas colectivamente articulada para transformar o aparente caos numa força organizada. O que mostra um cuidado especial que vem, com certeza, das etapas de formação.
Ver com atenção o jogo neozelandês permite sempre descobrir qualquer nova exploração mesmo se de procedimentos conhecidos. Desta vez nos alinhamentos: na maior parte dos casos a bola captada nas alturas pelo saltador era, daí, passada imediatamente para as mãos do formação. Com vantagens evidentes: a primeira por não permitir que o cerra-fila e seus últimos companheiros, por falta de tempo, se posicionem para sair sobre as linhas atrasadas atacantes, obrigando-os a correr em perseguição; a segunda porque permite sempre surpreender, utilizando outro tempo de execução como aconteceu nos ensaios de McCaw. 
Se este jogo Nova Zelândia-Austrália só teve como surpresa o volume do resultado, a verdadeira surpresa do fim-de-semana internacional ia sendo a Argentina do nosso Daniel Hourcade que, embora perdendo por 31-33 e tendo tido uma vantagem de 12 pontos aos 55' e ainda de 1 ponto até aos 76', demonstrou a mão-cheia de razões que lhe assistem na preocupação do incremento da velocidade no jogo argentino e nas alterações da composição da equipa. Com objectivos muito elevados para 2019, Hourcade está a mostrar uma interessante via e a conquistar o respeito dos adeptos dos Pumas. A curiosidade pela continuação é muita e os Pumas, ao passaram para um superior patamar de interesse, centram em si os olhares mundiais. O que, para começo, não é nada mau... E a aposta de Hourcade merece.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

INGLATERRA CAMPEÃ MUNDIAL FEMININA


As palavras de balneário ou da capitã devem ser restritas a quem é de cena.
Foto Sky Sports
O fim-de-semana rugbístico tinha começado mal: as enormes expectativas criadas, por causa da formidável final do Super XV, para o Austrália-Nova Zelândia caíram como a água da chuva que molhou a bola e não abriu os espíritos - o jogo esteve muito abaixo da qualidade que os actores prometiam, a Austrália devia ter sabido ganhar (teve tudo para isso, excepto a capacidade de o fazer) e a Nova Zelândia, embora saindo de Sydney sem o recorde das 18 vitórias seguidas, leva a quase certeza, com o resultado de 12-12, de que a Bledisloe Cup vai ficar na ilha da Grande Nuvem Branca. Veremos já no próximo sábado, no neozelandês Eden Park em Auckland.

Valeu então para transformar este mau início num bom final, a final de domingo do Mundial Feminino entre a Inglaterra e o Canadá. Excelente jogo!
De um lado e do outro a predisposição para um combate de oitenta minutos numa luta de não virar a cara e procurar a vitória e o titulo. Venceu a Inglaterra (21-9) e com dois ensaios contra nenhum, não deixou qualquer margem para dúvidas sobre o seu merecimento.
O jogo foi bom e espectacular. Ambas as equipas fizeram uma boa apresentação do domínio dos Princípios Fundamentais do Jogo: em cada utilização, em cada tentativa de recuperação da bola, as diversas jogadoras cumpriam o essencial que carateriza o jogo, numa demonstração permanente de conhecimento táctico e capacidade técnica. É disto - o resto são lérias de quem não sabe para mais - que o jogo de rugby trata: reduzir a complexidade aparente a decisões eficazes por meio da aplicação dos Princípios Fundamentais. O que significa treino, muito treino, organização competitiva, conhecimento do jogo, preparação e inovação programadas, objectivos claros e sentimento colectivo de cada uma se disponibilizar pelas outras. Para que o conjunto de jogadoras possa encontrar-se como equipa num triângulo de propósitos definidos, perspectivas alinhadas e movimentos sincronizados. 
A Inglaterra apresentou-se muito bem - com uma primeira linha de categoria invejável capaz de garantir o pé-da-frente, uma segunda-linha conquistadora e capaz de participar nas diversas fases do jogo, uma terceira-linha móvel e transportadora, uma parelha de médios de decisões acertadas e criadores de surpresa na exploração dos espaços, umas centros - excelente a Emily Scarratt como utilizadora e chutadora - de boa capacidade de circulação e ataque aos intervalos e um três-de-trás capaz de interpretar eficazmente, com adequado movimento pendular, o papel que o visionamento vídeo lhes indicou para impedir qualquer veleidade às atacantes canadianas. E estas capacidades que formam uma equipa de XV de qualidade, notaram-se durante todo o jogo: uma equipa preparada para jogar e ganhar uma final mundial. Num jogo que é uma boa lição sobre o desenvolvimento necessário para atingir níveis competitivos elevados.
O primeiro ensaio inglês foi um portento, um tratado de bem jogar: formação-ordenada no lado direito do campo e saída pela direita - também lado-fechado - a ultrapassar a Linha de Vantagem e a obrigar à intervenção e levar à fixação da terceira-linha canadiana; passagem rápida pelo chão, circulação de bola para a esquerda com perfuração central da segunda-linha Tamara Taylor a desequilibrar a linha defensiva e nova passagem rápida pelo chão com continuidade do movimento no mesmo sentido a alargar o perímetro de jogo de forma a criar os intervalos necessários às perfurações ofensivas. Na sequência dos passes, um excelente cruzamento na ponta da linha a avançar mais metros e retornando de novo para a zona central, novo ruck e bola a sair tão rápido que as defensoras canadianas, apanhadas em contra-pé, aumentaram a inutilidade da sua concentração numérica; bola de novo - segunda vez na mesma jogada - em Taylor para nova perfuração, agora com finta de passe de excelência e fixação perfeita da segunda defensora para entrega em tempo justo à asa Alphonsi que só teve que manobrar um 2x1 para entregar a bola para Danielle Waterman, a defesa, marcar - e ainda com a ponta Merchant para o que desse e viesse. Um excelente ensaio colectivo, com três amplas mudanças de sentido e todas as jogadoras empenhadas, a mostrar a beleza do rugby como jogo de equipa. E a demonstração do merecimento do título de Campeã Mundial.
O Canadá jogou bem mas e apesar da excelência da sua circulação de bola, do ataque aos intervalos e da muito boa coordenação defensiva, perdeu. Por natural falta de experiência.
Não pertencendo a nenhuma das "major" - onde o jogo e as suas tácticas se aprendem quase no berço - às canadianas faltou-lhes a experiência que só muitos jogos neste nível lhes podem dar. Exemplo disso foi o desgaste que a vivacidade das suas jogadoras, na vontade de atacar de qualquer lado, circulando a bola e procurando servir as suas "terríveis" finalizadoras, lhes provocou. Se mais experientes teriam jogado ao pé mais vezes, conquistando terreno e preparando novos ataques em posição territorialmente mais favorável, controlando o ritmo e impondo momentos fortes sobre fraquezas adversárias momentâneas. Ficou-lhes o lugar de finalistas - o que, diga-se, constitui uma verdadeira proeza - e o prémio de Melhor Jogadora do Ano para a sua finalizadora e chutadora - e autora do melhor ensaio do Mundial! - Magali Harvey.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SURPRESAS EM BONS JOGOS


Se há equipa a quem se tem que tirar o chapéu neste Mundial Feminino de 2014, essa equipa é o Canadá. Depois de um empate com as inglesas - e que pareceu (na impressão imediata) mais consentido que conseguido - as canadianas venceram na meia-final a França que, até então se mostrava como potencial candidata ao título mundial. Apoiando-se numa notável capacidade colectiva de movimento, as canadianas marcaram os primeiros ensaios - e foram dois - que a França sofreu. E que ensaios! 
Se o primeiro consiste numa exploração brilhante pela então formação, Elissa Alarie - antes defesa - que, lendo muito bem a maior preocupação defensiva francesa de "subir e deslizar" para evitar o bom e perigoso jogo das linhas atrasadas canadianas, acelerou por uma brecha que uma finta de passe amplia para porta aberta para quarenta metros de corrida e ensaio transformável, já o segundo é uma obra-prima de coragem, confiança e saber jogar, táctica e tecnicamente. Um tratado de rugby de movimento: formação ordenada francesa a 10/15 metros da linha de ensaio do Canadá, bola conquistada pelas canadianas e de novo Elissa Alarie a ler a possibilidade de criar superioridade numérica ao ver a colocação da ponta defensora para ensaiar ligeira corrida lateral a fixar a abertura Sandrine Agricole, seguida de circulação por passes certeiros cara-a-cara com as defensoras para soltar Magali Harvei - ponta de boa velocidade e também chutadora aos postes - para, num sprint de mais de oitenta metros, bater duas defensoras laterais e ser determinante finalizadora com 13 pontos no jogo. Um formidável ensaio costa-a-costa a marcar a estória destes mundiais. E a confirmar Alarie como a grande aceleradora dos momentos cruciais da utilização da bola. E se a capacidade atacante canadiana ampliou o nível do espectáculo, a sua defesa limitou as opções francesas, obrigando-as a optar por um limitado jogo-ao-pé para o qual havia organização definida e capaz numa demonstração clara das vantagens da boa análise vídeo.
As francesas, puxadas por um público que aos 60' e perdendo por 18-6 aquecia as almas com o cântico de La Marseillaise, marcaram também dois ensaios, ambos por maul penetrante. O primeiro conseguido pela super Nº8, Safy N'Diaye - a tal que na sua ficha de focalização e para não desviar capacidades, tem como lema: "Não te preocupes em passar a bola, preocupa-te em massacrar" - e o segundo, já em cima do final do jogo e que ainda deixou esperanças de um prolongamento nas bancadas do magnífico Jean-Bouin esfumadas na transformação falhada de Agricole.
As canadianas mereceram a vitória - foi a vitória do rugby do movimento, do jogo de passes na procura da criação de intervalos, da confiança nas capacidades globais da equipa numa boa relação táctica conquista/utilização contra o mais limitado conceito - embora com diversos mauls tecnicamente muito bem conseguidos - de imposição da força que a defesa canadiana conseguiu combater até ao limite das suas forças. No fundo o que se viu foi a plenitude do jogo global de um lado contra o limite do maul do outro, numa provável demonstração de que o problema do jogo francês a que temos assistido ultimamente e aos mais diversos níveis é conceptual e não conjuntural. Ou seja, que virá da formação e não do exagero - embora ajudando - de estrangeiros em cada clube. Como curiosidade: o treinador do Canadá, François Ratier, é francês, antigo três-quartos ponta e é treinador no Canadá desde 2003... anos fora suficientes para ter mantido a visão do french flair que procura - vê-se - implementar no jogo canadiano.
Se o Canadá foi a surpresa agradável, a Irlanda foi a surpresa negativa. Vencedoras com grande mérito das poderosíssimas Black Ferns, as Irlandesas foram derrotadas pelas inglesas por um duro 40-7. Duraram meia-hora em que ainda mostraram capacidades para passar por candidatas. Depois acabaram-se ... 
A lição das inglesas estava bem estudada, como contou a sua capitã, Katy McLean: tínhamos de jogar no pé-da-frente e as nossas avançadas conquistaram-nos bolas de grande qualidade para nos permitir aumentar a pressão sobre o campo irlandês. E assim foi: o domínio físico do bloco avançado inglês impôs-se e permitiu quer a possibilidade de definir o alvo atacante que impossibilitaria as temidas combinações irlandesas, quer placagens mais ofensivas que criavam constantes dificuldades à continuidade dos ataques da Irlanda ou ainda construir movimentos ofensivos a atrapalharem cada vez mais uma sempre atrasada defesa irlandesa. Ou seja, o XV da Inglaterra feminino ao dominar, como recomendam os livros, a conquista da Linha de Vantagem, ganhou. E neste controlo procurado desde o balneário, ressaltou a capacidade de condução da bola nas formações-ordenadas da Nº8, Sarah Hunter, que permitiu transformar o avanço conseguido num ponto de desequilíbrio de brutal eficácia. Com 5-1 em ensaios - um deles num tratado táctico ao lançar a bola ao pé para a zona dos postes sempre vazia de defensoras - a Inglaterra mostrou-se claramente superior, podendo ainda contar com o acerto da chutadora aos postes, a 2º centro Emily Sacarrat, muito precisa e com a particularidade de um estilo próprio que, não tardará, irá ter imitadoras e imitadores pelo mundo fora.
No final do jogo e pela forma como ainda se bateram, ficam a lembrança do legado ao rugby irlandês na extraordinária vitória sobre a Nova Zelândia deixado por esta equipa feminina e a mais que meritória passagem à final da Inglaterra.
E a vitória da Irlanda sobre as Blacks Ferns é tão mais espantosa quanto foi ver a real categoria  neozelandesa na vitória (63-7) sobre o País de Gales com 11-1 em diferença de ensaios. Numa demonstração de jogo global, com mudanças constantes de ritmo e direcção, em permanente alternância de jogo-penetrante com jogo-envolvente ou jogo-ao-pé, as neozelandesas deram uma tal demonstração de categoria que a vitória da Irlanda será celebrada por muitos e bons anos. Como ainda hoje se fala da vitória do Munster sobre os All-Blacks acontecida há 36 anos (12-0 em 31/10/1978).

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O MUNDIAL FEMININO


A defesa francesa, Caroline Ladagnous. Foto IRB 
O Mundial feminino de XV que se está a disputar em França - "J'ai deux amours, le Rugby et Paris", é o slogan - tem sido muito interessante de seguir.
Jogos de bom nível e com meia-dúzia de equipas de grande valia e com algumas jogadoras a mostrarem pormenores técnicos ou tácticos a fazer inveja a muito bom jogador.
O jogo no chão parece, qualquer que seja a equipa, pertencer ao seu domínio técnico-táctico, mostrando preocupações sobre as necessidades do movimento avançar ou da libertação rápida da bola: se a bola está lenta, se não há já qualquer avanço, sabem muito bem recorrer ao pick and go para o reiniciar. E se a velocidade do jogo é mais lenta e o jogo ao pé não tem o comprimento do jogo masculino - aqui há a mesma diferença na relação feminino/masculino que existe nos outros desportos - o confronto não perde o carácter de combate pela bola e pelo terreno. E alguns dos movimentos de fixação/envolvimento - cadrage/débordement, como dizem os franceses - quer no um-contra-um na ponta da linha de três-quartos quer na zona central, mostram-nos a vantagem que a recuperação deste gesto técnico - quantas vezes esquecido e abandonado pelo embate - representa. Pode ser que, ao vê-las, os jogadores que pretendam singrar na modalidade se entusiasmem para lhes seguir as pisadas.
Até agora a equipa mais impressionante foi o XV da Irlanda que conseguiu uma inesperada mas justa vitória sobre as tetra-campeãs mundiais, as  Black Ferns da Nova Zelândia. A capacidade de luta - um fighting spirit tão valioso quanto o dos seus companheiros masculinos - traduzida numa capacidade defensiva de grande espírito de organização e confiança colectiva, colocaram problemas suficientes para que as neozelandesas não conseguissem impor o seu jogo. E se a esta capacidade de combate colectivo juntarmos algumas variações tácticas como o recurso a diferentes "aberturas" - a 10, a 12 ou a 15 - conforme ditavam as necessidades do jogo, vemos que estamos em presença de um rugby evoluído, pensado e melhor treinado. Um saber jogar a colocar no bom caminho as que, como dizem, querem chegar ao topo.
Em mais do que uma equipa também se pode perceber a preocupação de atacar "a zona da Dez", procurando, pelo ataque a essa zona tida por ponto fraco, criar os desequilíbrios que, obrigando a equipa adversária a readaptar-se defensivamente, permitem espaços exploráveis para o ataque. E não se pense que o "apoio" é palavra vã - existe uma preocupação absoluta de seguir a líder portadora da bola com grande disponibilidade para continuar o movimento. Curiosamente - descoberta que me surpreendeu - há neste "jogar" uma particularidade feminina, uma forma de ser solidária especial que transforma os seus movimentos, o seu combate ou os seus avanços em momentos de verdadeira emoção. Dentro e fora do campo.
A Inglaterra é também uma equipa forte e com capacidades tácticas suficientes para transformar o jogo das meias-finais com a Irlanda num excelente momento de rugby.  Para além do mais têm na sua centro, Emily Scarratt, a melhor marcadora já com 43 pontos. Por outro lado o Canadá que se qualificou - de facto e numericamente foram as canadianas que "eliminaram" as neozelandesas - ao empatar com a Inglaterra, embora parecendo a mais fraca das quatro finalistas não deixará de obrigar as francesas a demonstrarem todas as suas capacidades. 
A França, a jogar em casa e sempre com grande apoio e a única equipa em prova que não sofreu qualquer ensaio, mostra-se como uma das fortes candidatas ao título mundial. Com um bloco avançado muito forte - a Nº8 é fortíssima e formidável como transportadora, conquistando metros de terreno que permitem ás suas linhas atrasadas - muito móveis e com boa capacidade para procurar a "evasão" em vez do "embate" - atacar o espaço e conquistar terreno. Mas mostraram outras novidades: contra a Austrália e num alinhamento próximo da linha de ensaio utilizaram a "leve" primeiro-centro para captar o lançamento com maior velocidade do que o habitual - pelo menor peso a ser levantado - e com a ajuda ainda da "defesa" encadear um maul que só acabou no ensaio!  Eficazmente diferente e, muito provavelmente, com mais surpresas guardadas.
Os jogos das meias-finais da próxima quarta-feira - Irlanda-Inglaterra e França-Canadá - a serem jogados no parisiense Stade Jean Bouin, merecem ser vistos. O mesmo para o jogo das Black Ferns que, embora lutando apenas pelo quinto lugar, irão mostrar a excelência do seu jogo e a sua capacidade para marcar ensaios - são neste momento a equipa melhor marcadora com 20 ensaios em três jogos. O Livestream do site da IRB transmite-os em directo e serão um bom prelúdio para o Rugby Championship que começa no sábado. 

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