quarta-feira, 6 de março de 2024

UF!!!…


 Uf!!!… que susto… 
Enquanto que a Geórgia fez mais do que lhe competia, ultrapassando com os 38 pontos de diferença conseguida os 26 que lhe eram exigidos, Portugal ficou muito longe da exigência dos 22 pontos que a relação da sua qualificação para com a espanhola estabelecia e justificava. E a exigência a ambas as equipas de uma diferença superior a 20 pontos vem do facto de ser tal a diferença entre os resultados anteriores de ambas as equipas — mesmo com a derrota portuguesa contra a Bélgica e que nos custou 2 pontos — que nenhuma delas somaria, como não somaram, pontos de ranking pela vitória. E se assim era e por se tratar de uma eliminatória sem pontos de bónus, tanto faria ganhar por 22 como por 3 — o que sendo objectivamente verdade mas esquece a necessária demonstração da qualidade que pretendemos ter e que elas se fazem-se em campo. Ou seja: de pouco serve pensarmo-nos formidáveis quando o não conseguimos ser quando devemos.
E a dita juventude da equipa não serve de desculpa… porque o que foi evidente, foi que, para os objectivos estratégicos pretendidos, utilizamos tácticas desadequadas. Que primaram pela invariabilidade, esquecendo que assim não é possível surpreender o adversário que passa a ter uma defesa muito facilitada pela nula necessidade de recorrer à adaptação constante que possibilita erros defensivos que com a previsibilidade mostrada pelos portugueses pouco apareceram — e quando apareceram, deram ensaio: um duplo salto para Lucas Martins — embora levantando dúvidas provocadas por uma infantil comemoração antes do tempo — uma falsa dobra com linha de corrida convergente para José Lima marcar, um falso cruzamento com penetração e um 3x2 para Cardoso Pinto marcar. De resto uma permanente repetição de bloco em colisão curta, directa e esperada e que, por falta de diversidade — há séculos atrás que Nuno Álvares Pereira ensinou que “a manobra deve preceder a colisão” —  não permitiram mais do que 6 rupturas apesar de 29 defesas batidos, em 147 passes e 13 passes-em-carga. Mas, para além da falta de variedade, continua a existir um mau transporte de bola na ida ao contacto, o que faz com que todo o eventual desequilíbrio conseguido, se perca na demora de disponibilidade da bola que permite a reorganização defensiva e assim foram perdidos 15 agrupamentos no chão.

E embora não tenha acesso a estatísticas que o garantam, julgo termos passado demasiado tempo no nosso meio-campo — durante a 1ª parte foi desastroso, mas mesmo no final do jogo voltámos a entregar terreno, não tendo o cuidado de garantir terreno suficiente nas costas para dificultar o ataque espanhol. E sabe-se que o primeiro objectivo no jogo de rugby diz respeito à conquista de território, aproximando-nos da área de ensaio adversária para dificultar a defesa adversária que, ao mínimo erro, se pode ver ultrapassada com elevado custo.

O nosso ataque foi mau! Onde estão as variantes da convergência e divergência de linhas de corrida ou as “dobras” que muito dificultam a adaptação da defesa — muitos passes, muitos passes mas poucas ultrapassagens da linha-de-vantagem também um objectivo imediato da construção em posse da continuidade. E não houve nenhuma dinâmica na conservação — conservar sim, mas cumprindo o princípio fundamental de avançar no terreno — o que deu a aparência de que a defesa espanhola era boa. E não era — apenas 79% de sucesso contra o 93% dos portugueses. Embora com boa percentagem defensiva estivemos muito tempo em “defesa de espera”, não subindo, ao contrário dos espanhóis, com a rapidez necessária à realização de uma pressão efectiva — valeu-nos a incapacidade e a quebra física (o último quarto é a prova-dos-noves) do ataque espanhol. Que, mesmo assim, nos levaram a cometer um enorme erro que possibilitou o 2º ensaio espanhol — a troca defensiva do “abertura” não teve a organização devida a uma formação-ordenada rodada e Camacho ficou contra um 1x2 numa auto-estrada que permitiu um fácil passe-interior e o acesso ao ensaio do ponta espanhol.

E também no jogo ao pé houve enormes erros para além de alguma lentidão do Aubry de que resultaram intercepções, felizmente sem custos. Mas o que mais importa foram os ineficazes pontapés-de-ocupação que cairam sempre nas mãos espanholas e só uma vez representaram algum perigo. E porquê? Por falta de variedade: chuta-se comprido se os últimos defensores estão subidos, chuta-se para o intervalo das duas linhas se os defensores defendem o fundo do campo — isto é, o curto e comprido jogam-se em oposição ao posicionamento da última linha de defesa. E se a inexperiência de Aubry juntamente com a pressão a que está sujeito não lhe permitem aperceber-se da colocação defensiva, que lhe seja transmitida a situação. Porque ele tem pontapé — olá se tem! — para as duas situações. Só precisa de saber variar. Também o jovem e talentoso Hugo Camacho tem que ser ensinado a decidir quando deve correr com a bola antes do passe ou quando deve passar a bola imediatamente do chão. A regra de base é simples: bola rápida, passe rápido; bola lenta, hipótese de corrida para dar espaço aos receptores.

Enfim e apesar da vitória final, um fraco jogo que não impôs a nossa teórica superioridade. E agora são 15 dias para adequar as tácticas à estratégia.

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