quarta-feira, 20 de março de 2019

PORTUGAL ISOLA-SE NO TOPO DA CLASSIFICAÇÃO


 Com a vitória sobre a Suíça com ponto de bónus, Portugal, com menos um jogo, coloca-se em primeiro lugar da Classificação Geral e, assim e dados os adversários que lhe faltam defrontar — R. Checa e Lituânia — amplia a sua expectativa de disputar o play-off de acesso ao Rugby Europe Championship. Play-off para o qual já está definida a Alemanha, que ficou em último lugar na tabela do Championship que já terminou.

Do jogo não vale a pena falar. Foi um jogo contra uma equipa fraca e onde os jogadores portugueses não estiveram isentos de erros e desperdícios apesar dos sete ensaios marcados. No fundo, um jogo sem qualidade competitiva e que não serve de preparação técnica, táctica ou psicológica para jogos de melhor nível.
Actual Classificação do Rugby Europe Trophy

segunda-feira, 18 de março de 2019

CARTA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA FPR

[carta enviada aos dois candidatos à presidência da FPR]

Meus Caros Amigos

Estou, como já vos transmiti, muito preocupado com a actual situação do nosso Rugby. Quer por razões desportivas — a qualidade e competitividade deixam muito a desejar como demonstra a nossa presença na 3.ª divisão europeia — quer por razões éticas — gastámo-nos na ideia propagandística dos valores que pretendemos únicos do Rugby e atingimos níveis comportamentais inadmissíveis como diversos tipos de violência dentro e fora do terreno-de-jogo ou insultos a uns e outros, comportamentos desadequados, ameaças e desrespeitos constantes a árbitros e aldrabices intoleráveis com falsos preenchimentos de documentos e trocas de identidades. Ou seja, a nossa comunidade rugbística atingiu um tal ponto desportivo negativo que é urgente alterar o rumo das coisas para que possamos encontrar novos patrocinadores, para que o respeito social pela modalidade seja real e para que resultados objectivos e visíveis surjam com a presença permanente dos valores do Desporto, garantindo assim, para além do desenvolvimento do rendimento desportivo, a construção de uma melhor integração social e adequada cidadania ás responsabilidades para que nos voluntariamos.

Na actual situação — em que a perda de posições nas instâncias internacionais não nos permite a obtenção sustentada dos apoios necessários ao nosso desenvolvimento qualitativo — e até que seja possível a organização e formatação da modalidade de acordo com os princípios da ética e competitividade desportivas, é necessário encontrar soluções que, detectando os nós da organização, permitam agir de forma a garantir um compromisso global da comunidade rugbística portuguesa que, em unidade de acção, permita articular o Rugby com os desenvolvimentos internacionais da modalidade e com as preocupações e regras do sistema desportivo nacional e internacional. 

Penso que a melhor solução para enfrentar a situação muito complicada que atravessamos consiste em não permitir o desenvolvimento de uma qualquer oposição que se possa servir do facto de haver vencedores e vencidos eleitorais, mantendo essa desunião como plataforma agregadora de meros interesses e assim impedir a construção do caminho da reabilitação.

A vossa disponibilidade para se candidatarem à direcção da FPR representa um acto de coragem e altruísmo que reconheço e agradeço e que demonstra a vossa preocupação pela melhoria da modalidade para que outros possam usufruir dos prazeres e transformações que ela possa proporcionar. 

Assim sendo, apelo à vossa vontade e à clara noção de responsabilidade que vos move para que se juntem numa mesma única lista que, para além de fazer — melhorando a imagem social do Rugby — uma demonstração pública que é possível colocar acima dos interesses distorcidos que muitas vezes surgem colados à actividade desportiva, o superior interesse da modalidade e das suas responsabilidades públicas. O Rugby português e a sua imagem ganhariam com isso.

Juntos, com a experiência federativa de um e a capacidade de inovar na área da comunicação e do marketing bem como o conhecimento do jogo do outro, poderão estabelecer as condições necessárias para que a FPR possa cumprir as obrigações desportivas de utilidade pública que lhe competem. E colocar o Rugby português no patamar que o qualifique.

A junção das vossas vontades irá, estou certo, possibilitar a união que garantirá que divergências de opinião ou ideias diferentes se mostrem com a dignidade que a 
cidadania exige e que não se acobertarão, enquanto entrave, na comodidade de uma qualquer plataforma de oposição.

Renovo o apelo: juntem-se numa mesma lista! 

O Rugby português agradecerá e todos nós que temos uma vida ligada à modalidade, vos ficaremos gratos e, não receio afirmá-lo, estaremos disponíveis para a ajuda que for entendida como necessária.

Com amizade e na esperança da vossa união numa única lista que garanta a conjugação das vontades numa missão colectiva de engrandecimento do Rugby português, um grande e oval abraço do
João Paulo Bessa

(Treinador de Rugby do III Grau e Membro da Comissão Consultiva de Treinadores do Comité Olímpico de Portugal)

GALES NUM DIA INESQUECÍVEL

Excelente vitória de Gales numa tripla de se lhe tirar o chapéu  — Torneio das 6 Nações, Grand Slam, Triple Crown a que se acrescenta a novidade do 2.º lugar no ranking da World Rugby. Cinco vitórias seguidas em cinco jogos em casa e fora é um feito que exige uma equipa coesa e consistente. Não se ganha um Grand Slam por sorte mas por eficácia defensiva e atacante.
Gales marcou 10 ensaios e sofreu 7 para conseguir uma quota de pontos marcados de 64% e garantiu que as suas capacidades ofensivas eram suficentes com as 837 placagens numa taxa de sucesso de 89%. Ou seja e como primeira lição desta tripla: os campeonatos ganham-se marcando mais pontos do que o adversário — o que tem como consequência garantir que a defesa é suficiente para garantir que o adversário marcará menos. E Gales garantiu isso, não se mostrando nada preocupado em que a sua quota de pontos marcados demonstrasse uma enorme superioridade em relação aos seus adversários. Conseguir resultados positivos, ganhar, é tudo que uma equipa precisa para ganhar campeonatos.
A segunda lição desta notável conquista diz respeito à existência de um capitão à altura às circunstâncias e Alun-Wyn Jones foi esse capitão. E um grande capitão não é apenas aquele que fala com o árbitro durante o jogo, tão pouco aquele que dirige estratégica e tacticamente a equipa, tomando decisões — postes ou maul penetrante? — que têm importância no resultado final do jogo ou que, pela sua atitude e exemplo, arrasta companheiros para conseguir a melhor e mais capaz prestação competitiva da sua equipa. Um capitão é muito mais do que isso, representa, dentro e fora do campo, antes, durante e depois do jogo a Cultura que formata a sua equipa. E o galês Alun-Wyn Jones, um exemplar guerreiro, tem essas características como mostra a fotografia abaixo. Um exemplo modelar de capitão.
Por decisão dos responsáveis irlandeses a cobertura do Principality Stadium não foi fechada. E   choveu bem em Cardiff.

Quando tocaram os hinos — emocionante um tradicional “Hen Wlad Fy Nhadau (Old Land of My Fathers)” com o coro das bancadas dirigido, do centro do campo, pelo regente da banda — chovia a bom chover. Um miúdo transportava a bola de mão dada com o capitão. Alun-Wyn Jones percebeu o seu desconforto com a chuva que caía, tirou o blusão, cobriu o rapaz e continuou a cantar o hino com o fervor de uma última vez.

Terceira lição: uma equipa técnica, formada por Warren Gatland e Shaun Edwards, que os jogadores respeitam e que é muito capaz na motivação  — “aproveitem esta oportunidade que pode não surgir outra vez” — na estratégia, na táctica e na técnica. Como ficou demonstrado no ensaio marcado e que abriu o caminho da vitória.

O rugby é um desporto colectivo de combate e deve, por isso, subordinar-se aos princípios estratégicos do combate. Sun Tzu dizia: “o desconhecimento do local de combate por parte do inimigo fá-lo preparar-se para um possível ataque em vários locais, forçando-o a distribuir as suas forças por vários pontos, enfraquecendo-se.”, Clausewitz afirmava que “a surpresa é o princípio mais eficaz para obter a vitória” a que se junta a voz do treinador defensivo galês, Edwards, para lembrar que “os grandes jogos são definidos por tácticas, não por ideais”. E assim foi...
...a partir de um maul penetrante dentro dos 22 adversários seguiram-se duas penetrações próximas para avançar e aproximar da área de ensaio irlandesa, obrigando os defensores a tomar decisões.

Assim, o formação Conor Murray teve que avançar para a linha defensiva do lado fechado — questão de igualar atacantes — e o defesa Rob Kearney teve que tomar a decisão de também subir para cobrir a introdução na linha atacante do lado aberto do defesa galês, Liam Williams. Qualquer destes dois defensores ficou assim sem possibilidades de garantir a cobertura da área de ensaio e, com estas acções e movimentos da equipa atacante, o terreno da área dos cinco metros e da área de ensaio ficou livre de defensores e o preciso pontapé curto de Ascombe permitiu ao lançado Hadleigh Parkes, apoiado por Jonathan Davies, captar a bola para fazer o ensaio. Depois foi ver uma permanente e organizada pressão defensiva, com os jogadores a avançar lançados para a corrida de conquista da linha de vantagem e impedir assim encadeamentos adversário, levando-os a cometer as oito penalidades que permitiram as seis penalidades transformadas em dezoito pontos. Em todos os casos o resultado de um treino objectivo e adequado aos propósitos estratégicos previamente determinados. Um dia inesquecível para os galeses e seus adeptos.


Em Roma, a França não deu qualquer espaço para melhorar a desconfiança dos seus adeptos num Mundial vitorioso enquanto que a Itália, mostrando uma enorme falta de maturidade, deixou fugir a vitória que lhe retiraria a Colher de Pau.

Em Twickenham, a enorme surpresa. Chegando ao intervalo a vencer por 31-7, a Inglaterra apanhou o susto da época ao ver os escoceses marcarem mais cinco ensaios para, se colocarem, a cinco minutos do fim, a vencer 38-31. Valeu para diminuir o embaraço inglês um ensaio de George Ford aos 83’ para acabar num inesperado empate de 38-38. Uma festa de onze ensaios.

Daqui para a frente e em termos de jogos-teste, restam-nos um Championship do outro lado do mundo e alguns jogos de preparação para alimentar as expectativas do Mundial do Japão.







sexta-feira, 15 de março de 2019

PORTUGAL FAVORITO CONTRA A SUIÇA



Neste jogo contra a Suiça e apesar de ser fora, Portugal é favorito. E é favorito porque sim — porque tem mais experiência, porque tem hábitos competitivos internacionais mais elevados, porque
 tem melhores resultados — e porque o histórico o coloca em posição superior do ranking da World Rugby — 9 lugares de diferença. De acordo com o histórico, sabendo-se que estas previsões valem o que valem, Portugal ganhará por 7 pontos de diferença.Vitória que não lhe permitirá ainda, seja por que margem for, subir no ranking e ultrapassar a Namíbia.
A Suíça, com uma derrota (Holanda) e uma vitória (R. Checa), está a procurar organizar o seu rugby — com cerca de 5000 federados —de forma a torná-lo internacionalmente mais competitivo. Para já tem nos 23 seleccionados, 14 jogadores habituados ao rugby francês dos campeonatos de nível secundário  — o que obrigará a atenções redobradas por parte dos seleccionados portugueses. Concentração, disciplina  e empenho são os ingredientes necessários para juntar uma décima vitória às anteriores — tantas quantos os jogos disputados  — nove vitórias. Vitória que é, naturalmente, necessária para as pretensões portuguesas de acesso à divisão superior do Championship europeu.


quinta-feira, 14 de março de 2019

6NAÇÕES - PREVISÕES PARA A ÚLTIMA JORNADA

Tudo se vai decidir na última jornada: vencedor do Torneio, vencedor do Grand Slam, vencedor da Triple Crown e Colher de Pau. E só Gales tem a possibilidade — para o que lhe basta vencer o jogo, em Cardiff, contra a Irlanda — de conseguir a tripla. A Itália tem, em Roma e se derrotar a França, a  possibilidade, embora mantendo o último lugar, de evitar a Colher de Pau.
As probabilidades, como se pode ver no quadro, são muito pouco assertivas para o jogo de Gales — a australiana QBE e o seu super computador consideram que as probabilidades são de 50%, acabando por considerar que os irlandeses terão vantagem final. Nos outros dois jogos, ingleses e franceses carregam todo o favoritismo.
Com estas expectativas todas pela definição do vencedor final, o próximo sábado vai ser de sofá. E o Gales-Irlanda será de primeira escolha. 
Como se comportará a defesa galesa perante as simples mas muito eficazes combinações irlandesas? E qual das duas equipas melhor aproveitará o jogo ao pé? — a excelente novidade galesa de que Liam Williams poderá jogar, poderá também fazer a diferença. E nos maul-penetrantes quem levará a melhor: a excelente organização defensiva do bloco avançado de Gales ou as poderosas combinações do bloco irlandês? Jogo de todas as apostas e a não perder.
Em Twickenham, na tradicional Calcuta Cup, a Inglaterra que já saberá o resultado do Principality Stadium, dará uma demonstração daquilo que realmente vale o seu colectivo se o jogo for apenas para cumprir calendário. Mesmo estando sempre em jogo o prestígio da taça em disputa anual com os escoceses, se Gales tiver vencido em Cardiff, os jogadores ingleses demonstrarão, pelo grau de atitude posta em campo, o nível qualitativo da coesão da sua equipa e, portanto, o grau de pretensões objectivas para o próximo Mundial.
Como se vê pelo quadro abaixo, a vitória no Torneio está dependente dos resultados. Se Gales ganhar, fica o caso arrumado; se perder, a vitória no Torneio dependerá do resultado que Irlanda e Inglaterra tenham conseguido — o que dá uma voz à Escócia que tem neste jogo a possibilidade de demonstrar que não pretende continuar a ser mero figurante do mais alto nível internacional e, assim, marcar posição nas mudanças que se discutem para o futuro da modalidade.
Um fim‑de‑semana rugbísticamente em cheio!
QPM- quota de pontos marcados; %V- percentagem de vitórias





terça-feira, 12 de março de 2019

6NAÇÕES - RESULTADOS DA 4.ª JORNADA

As vitórias da 4ª jornada do 6Nações foram as esperadas e vão proporcionar uma última jornada de grande expectativa.

Se Gales ganhar o jogo em Cardiff contra na Irlanda, consegue um três em um: vencedor do Torneio com Grande Cheléme e a Triple Crown. Se perder, Inglaterra ou mesmo a Irlanda — tudo dependendo dos resultados conseguidos — podem ser vencedores do Torneio. No jogo de Roma a luta entre franceses e italianos para evitarem a “colher de pau” — último lugar só com derrotas. Três jogos decisivos e todos em sequência a partir do meio-dia-e-meia de sábado.

O Escócia-Gales teve duas partes distintas, a primeira de absoluto domínio dos galeses, a segunda com a Escócia a plantar-se no meio-campo galês e a obrigá-los a elevadas 160 placagens para defender o seu castelo. Mas o jogo deixou marcas e os galeses não poderão agora contar com a segurança da rectaguarda de Liam Williams para o jogo de sábado — e s irlandeses sabem usar o jogo ao pé. Para Gales uma primeira parte a demonstrar poder e precisão e uma segunda a mostrar a capacidade de Edwards na organização e preparação defensiva galesa — uma bom exame para sábado.

Os ingleses não tiveram dificuldades em derrotar os italianos. Pode até considerar-se que depois dos treinos controlados de Oxford com a Geórgia tiveram outro treino mais próximo do jogo para preparar o jogo da Calcuta Cup contra escoceses.

Contra uma equipa francesa que parece ter desaprendido de jogar, a Irlanda — que nunca tentou qualquer penalidade aos postes —marcou dois ensaios de se lhes tirar o chapéu. No segundo da uma dobra — com que Saxton gosta de desequilibrar defesas — mas que o facto de Ringrose lhe ter entregue a bola, rodando-a pela sua frente e mostrando-a ao adversário, fez com dois defensores franceses chocassem entre si e deixassem aberta uma avenida por onde Sexton circulou até ao ensaio.

Tão bonito de ver que a sua vista aérea o transformou numa obra-prima. No quarto a garantir ponto de bónus, uma elaboração superior com a magia de Joe Schmidt que colocou o ponta Earls no início de um alinhamento para receber, por dentro, um passe de uma espécie de peel-off e explorar o intervalo que os defensores franceses deixavam ao partirem demasiado cedo e rápido sobre o abertura irlandês. Uma maravilha de análise, de preparação e execução. E os franceses, por mais que jornalistas e antigos jogadores falassem de uma hipótese de estratégia que iria permitiria surprender os irlandeses, não conseguiram mais do que o disfarce de dois ensaios nos cinco minutos finais, mantendo no ar a mesma dúvida: com que capacidade competitiva se irão apresentar no Mundial do Japão?

Neste mesmo fim-de-semana as series dos Sevens continuaram em Vancouver, no Canadá. E não correram nada bem para as pretensões portuguesas: os espanhóis jogaram o suficiente para vencer a Nova Zelândia — são agora os 11º do ranking das World Rugby Sevens Series e nossos concorrentes à qualificação europeia para os Jogos de Tóquio. Por outro lado, a Inglaterra perdeu uma posição para os vencedores do Torneio de Vancouver, a África do Sul, e está fora dos quatro primeiros lugares o que poderá vir a colocar a Grã-Bretanha como mais um concorrente ao lugar europeu juntamente ainda com a França, a Irlanda, a Rússia, a Itália e a Alemanha...

domingo, 10 de março de 2019

GANHOU-SE E PRONTO: ESTÁ FEITO!


Ganhou-se e pronto: está feita a obrigação!... e subimos uns lugares no ranking.
Mas é bom que não nos deixemos enganar, a Holanda é apenas uma típica equipa da III divisão europeia a quem faltam conhecimentos tácticos, capacidades técnicas e que tem demasiados balofos no pack que, naturalmente, não duram o jogo todo. No final, o seu treinador mostrava-se contristado com a falta de aproveitamento das oportunidades mas satisfeito com a actuação dos seus jogadores...
Pode perguntar-se: se a equipa holandesa é assim tão fraca como a considero, como é que estava 3 lugares acima de Portugal? Porque nesta matéria o ranking é neutro e preocupa-se apenas com a tradução em pontos dos resultados obtidos entre duas equipas que não estejam separadas por um intervalo superior a 10 pontos. E Portugal jogou, perdendo e por isso diminuindo os seus pontos de ranking, contra duas equipas superiores (a Roménia no play-off da Championship e a Namíbia na janela de Novembro) enquanto que a Holanda se limitou a acumular pontos nos jogos da sua III divisão. Situação que se pode verificar com o facto de, no início da época, Portugal se encontrar no 24.º lugar com com 58,30 pontos enquanto que a Holanda estava no 27.º lugar com 56,52 pontos — diferença que não alteraria a previsão, embora por dois pontos de jogo, da derrota de Portugal a jogar em Amsterdam. Ou seja, o ranking tem um óbvio significado permitindo relacionar o histórico comparativo entre equipas mas está longe de ser a melhor das bases para prever um resultado.
Voltando ao jogo...
A selecção portuguesa começou a jogar com um forte vento pelas costas. O que recomendava — para mais com áreas de ensaio de 22 metros de profundidade — o uso do jogo-ao-pé para conquistar terreno e criar a pressão suplementar sobre o três-de-trás adversário (e é preciso qualidade elevada para que não haja erros) pela proximidade da linha-de-ensaio. Nada disso se viu trocado que foi pelo jogo de passes sem adaptação ás condições atmosféricas, num erro táctico indesculpável a que se juntaram erros técnicos na relação passador/receptor que fizeram perder dois ensaios feitos. Ao intervalo, em vez de um jogo resolvido, um 6-0 demasiado curto e perigoso para enfrentar uma equipa com o vento a favor. Valeu que a equipa holandesa não mostrou as competências para o fazer e, também e por erros tácticos evidentes, não conseguiu marcar no início da segunda-parte quando teve uma série de sequências a palmos da linha-de-ensaio portuguesa mas que se limitaram, numa situação de mais fácil defesa, ao pick-and-go resvés do agrupamento. E pelo menos mais um ensaio feito para Portugal, foi deitado fora por incapacidade técnico-táctica.
De bom para Portugal o primeiro ensaio — de Rodrigo Marta — que demonstrou na prática aquilo que se sabe: a aceleração para receber o passe com alteração do ângulo de corrida é a situação que melhor permite explorar qualquer intervalo entre os defensores. E assim foi feito, explorando mas sem continuidade, a fragilidade defensiva holandesa com os defensores a apresentarem-se demasiadas vezes com a linha-de-ancas orientada para fora.
A vitória portuguesa — e o ranking não tem a ver com a qualidade do jogo mas, repete-se, com o resultado — permitiu arrecadar 1,40 pontos e conquistar 4 lugares, passando para o 23.º lugar e colocando a Holanda no 27.º lugar. Mas podia ter sido melhor não fora uma disparatada e desnecessária indisciplina de Rebelo de Andrade que, já no final do jogo (82’), levou cartão amarelo e na falta subsequente viu a Holanda marcar o ensaio que diminuiu a diferença para menos de 15 pontos de jogo com a consequente perda de 0,70 pontos que nos colocaria em cima da Namíbia. 
Mas não vale embandeirar em arco e considerar que os resultados são muito bons e que traduzem um extraordinário trabalho de desenvolvimento. Porque o jogo demonstrou bem as dificuldades e incapacidades do rugby português. Impõe-se, portanto, reserva.
A experiência demonstra que vencer todos os jogos da Trophy — como tem a ontecido nos últimos anos — não garante coisa alguma para o jogo mais importante da época, o play-off de acesso ao Championship. A subida, para que o rugby português possa singrar e desenvolver-se competitivamente, é necessária e decisiva — sem resultados capazes, sem um programa competitivo ascendente, não haverá apoios. E o jogo de rugby em Portugal tenderá ao apagamento. Pelo que haverá que rever competições e conceitos: conceitos técnicos e tácticos, composições, comandos e responsabilidades.
No início de Abril haverá eleições e exige-se à nova direcção eleita que coloque e desde logo a sua preocupação na Selecção Nacional, dando-lhe condições para poder encarar o play-off com condições de êxito.

[nota: o jogo Holanda-Portugal foi realizado num terreno-de-jogo em de relva artificial. Ao contrário do que se passa na ignorância caseira, a nenhum jogador foi proibida a utilização de pitões de alumínio. Porque desde que de acordo com os regulamentos da World Rugby estão autorizados em tido o mundo.]

sábado, 9 de março de 2019

PORTUGAL JOGA A 1.ª ETAPA DA SUBIDA NA HOLANDA

De acordo com o histórico dos jogos efectuados e dos adversários defrontados ao longo dos anos de que resulta o ranking da World Rugby a Holanda terá, no final do jogo deste desafio a contar para o European Trophy e a disputar em Amsterdão em campo de relva artificial, a vantagem de oito pontos de jogo e, portanto e se assim for, será a vencedora. Previsões, portanto.

E se a Holanda vencer Portugal adiará por mais uma época, porque não se prevê, nos adversários que os holandeses ainda terão, qualquer possibilidade de derrota, o acesso ao Championship da divisão europeia principal, tão desejado como necessário, ficará mais uma vez adiado.

Significa que o XV de Portugal não tem hipóteses de vencer o jogo? Não, significa que, para vencer, os internacionais portugueses terão que “fazer das tripas coração” e ter “alma até Almeida”. Porque os holandeses com vitórias sobre a Polónia (49-0) e a Suiça (36-15) não serão presa fácil. Apesar de um campeonato desequilibrado com 12 equipas e com uma diferença pontual de 43 pontos entre o 1.º e o último classificados, estão rodados e apresentam jogadores nascidos em países de nível cultural rugbístico elevado.

A nossa selecção é jovem e não utiliza os portugueses que jogam em clubes estrangeiros e que são de reconhecida categoria — só Lima, castigado por razões conhecidas, não está objectivamente disponível. Sendo o que é, jovem e sem hábitos competitivos que lhe garantam a coesão competitiva necessária para encarar a cena internacional, entrega ao seu adversário principal uma possibilidade de vantagem que de outra forma não teria. E agindo assim o rugby português parece colocar-se à espera de um qualquer milagre que o coloque no caminho que já conheceu, isto é, de resultados e importância desportiva reconhecidos. O que exige, mais do que nada, vitórias. Lutemos portanto, dentro e fora do campo, por elas.

O XV inicial (com os números para que sejam reconhecíveis na transmissão que se poderá ver no site da Rugby Europe pelas 12:15 de hoje) será o seguinte:
1. João Vasco Côrte-Real (CDUP); 2. Nuno Mascarenhas (Cascais); 3. Francisco Bruno (Direito); 4. José D’Alte (Agronomia), 5. Jean Sousa (Montauban); 6. Salvador Vassalo © (Cascais); 7. João Granate (Direito); 8. Vasco Baptista (CDUL); 9. João Belo (CDUL); 10. Jorge Abecasis (CDUL); 11. António Cortes Monteiro (Agronomia); 12. Tomás Appleton (CDUL); 13. Rodrigo Freudenthal (Belenenses); 14. Rodrigo Marta (Belenenses); 15. Manuel Cardoso Pinto (Diock).
e terá como suplentes: 
16. Filipe Granja (CDUP); 17. João Moreira (Agronomia); 18. José Rebelo de Andrade (Agronomia);19. Sebastião Villax (CDUL); 20. Martim Cardoso (Agronomia); 21. Vasco Ribeiro (Agronomia); 22. Manuel Marta (Belenenses); 23. José Conde (Alcobendas).

No quadro que se apresenta em baixo mostra-se a origem clubística — em números — destes jogadores que formam a Selecção Portuguesa de Rugby e a sua relação com a pontuação classificativa do principal campeonato português.

sexta-feira, 8 de março de 2019

6 NAÇÕES: AS PREVISÕES DA 4.ª JORNADA


Nesta 4ª jornada do 6 Nações as previsões que habitualmente são citadas neste XV CONTRA XV — como se pode ver no quadro que acima se apresenta — são concordantes: Gales, Inglaterra e Irlanda, as duas últimas fora-de-casa, vão ganhar os jogos. Com maior, como se prevê no caso de Gales, ou menor, como se prevê no caso da Inglaterra, dificuldade.

Para além do jogo de Murrayfield que se espera capaz de bons momentos de jogo e onde Gales mostrará a sua maior capacidade de jogo no chão para criar as sequências necessárias ao encurtamento da linha defensiva, colocando-a na dificuldade de ocorrer ao fecho de espaços ou a defender-se do jogo ao pé sobre as diagonais do campo ou mesmo na verticalização do jogo-ao pé.

Em Dublin, o mais interessante será saber se existe algum progresso da França e se o seu sistema 1-3-3-1 começa a mostrar-se mais automático. E pode haver momentos tácticos interessantes na tentativa francesa de atacar os corredores laterais — a defesa irlandesa do meio-campo é normalmente próxima e rápida — através do jogo de passes ao largo, recorrendo para isso à cedência imediata da linha de vantagem mas colocando ao “3-de-trás” irlandês um problema de complicada solução: ou sobem e deixam apenas um homem para se aguentar com os pontapés que surgirão apoiados em 3 ou 4 perseguidores ou verão a ultrapassagem dav”linha de vantagem” ser feita e cujo êxito dependerá da rapidez de formação do apoio francês. Mas o sistema francês com Picamoles e Iturria como avançados-pontas! ajuda. A ver...

A Inglaterra deverá aproveitar o adversário mais fraco do Torneio para continuar a consolidar o seu modelo de jogo a que deverá acrescentar uma ou outra novidade que permita o recurso a um plano B quando necessário. Mas procurará também um ponto-de-bónus para poder, cada vez mais e como a Rugby Vision do neozelandês — mas investigador do americano instituto MIT — Niven Winchester e o site australiano da QBE consideram, ser a futura vencedora do Torneio. Situação para a qual se apresenta com  a percentagem, respectivamente de 63,5 % e 49% de probabilidades. Mas para Gales e apesar de ser a única equipa com hipóteses de conquistar o Grand Slam, apresentam probabilidades menores do que 40%.

Ou seja e de acordo com as previsões, temos um vencedor geral mas não teremos conquistas quer do Grand Slam quer da Triple Crown. O que sugnifica equilíbrio competitivo a meses de um Mundial...

terça-feira, 5 de março de 2019

“RUGBY COM PARTILHA” EM VALE DE JUDEUS

Os voluntários do “Rugby Com Partilha” no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus: Francisco Mendes Correia, Miguel Morgado, Manuel Cortes, João Paulo Bessa e António Abreu

Nunca imaginei que por ser treinador iria parar a uma prisão. Mas foi o que aconteceu.
Por convite do Manuel Cortes, fundador com António Abreu da Associação Rugby Com Partilha, fui dar um treino ao Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus.
Foi uma interessante experiência que leva a pensar nas metodologias a utilizar neste caso e que nos podem dar novas pistas para as situações habituais de treino.
Os reclusos são adultos e embora quase todos aqueles que participam nos treinos de rugby tenham algum conhecimento de uma ou outra modalidade desportiva, a grande maioria, senão mesmo a maioria, nunca tinha visto rugby. Portanto um treino para adultos sem referências anteriores da modalidade.
E com uma dificuldade acrescida: não têm acesso a jogos por via directa ou indirecta. O que impede o recurso à visualização de situações que possam permitir a imitação. A que se junta uma outra dificuldade maior: o pouco tempo de treino possível.
O quadro é este: adultos, sem referências da modalidade e sem a possibilidade de visualisar as acções globais que formatam o jogo. Então como transmitir os conceitos básicos que possam permitir, ultrapassando a falta de conhecimentos e experiência, praticar o jogo? Porque, seja qual for a situação, é a prática do jogo que interessa.
Se definirmos que o objectivo do jogo é a marcação de ensaios, ou seja, levar a bola até lá ao fundo e colocá-la dentro do castelo adversário, alguns princípios estratégicos e tácticos mostram-se intuitivos. E um dos jogadores, o Mauro, percebeu isso perfeitamente quando advertiu um companheiro: ”Tens que andar para a frente, senão está a jogar pela equipa adversária!”. Estava, numa clareza absoluta, expresso o primeiro princípio estratégico do jogo: Avançar sempre!
Alguns conceitos devem estar presentes em permanência em cada momento da aprendizagem, nomeadamente a simultaneidade dos parametros técnicos, tácticos, mentais e físicos. O que significa que a intensidade dos exercícios deve ser uma constante, partindo da apreensão do gesto a velocidades muito lentas para, compreendido, passar de imediato à execução em alta intensidade. E sempre com o conceito de “game sense” presente desenvolvendo outro princípio básico de velocidade no passe e na recepção. 
Assim amplia-se a fluidez dos gestos no cumprimento das exigências tácticas básicas sem esquecer, porque a sensação de melhoria constante e progressiva é essencial para a adesão ao projecto e sua continuidade. Aproveitando para implementar a noção da grande responsabilidade do receptor - que, apoiando e abrindo linhas de passe claras e tão fáceis quanto possíveis - no êxito e eficácia dos passes, possibilitando a continuidade do jogo numa clara preferência pela evasão sobre a colisão.
Nas condições possíveis deste programa de treino, o domínio da relação passe/recepção constitui o factor-chave para a manutenção da sua atractividade, interesse e continuidade.
A atracção deste desporto colectivo de combate, com as suas regras comportamentais e com a fisicalidade que exige, é, naturalmente — é evidente a verificação — bem recebida pelos reclusos que resolvem aderir ao programa. Que se mostram claramente abertos, num claro comportamento de esponjas, ao conhecimento e aprendizagem. O que coloca — para evitar qualquer tipo de desilusão — uma enorme exigência de conhecimentos de treino e domínio das técnicas gestuais a que se acrescenta a capacidade de comunicação nos voluntários participantes.
Nas condições do programa — pelo menos nas condições que conheço de Vale de Judeus — parece que o objectivo deve estar confinado ao jogo das variantes reduzidas do jogo: Sevens ou Tens. Quer pela maior facilidade de compreensão colectiva, quer por razões de segurança física dos intervenientes. No XV, para além de uma complexidade técnico-táctica superior, acresce as formações-ordenadas com disputa pela posse da bola que exigem recursos técnico-físicos que não são atingíveis num programa desta natureza. Ora essa impossibilidade colocará, pela falta de treino adequado, as primeiras-linhas em situação de risco da sua integridade física.
Nos Sevens ou Tens, para além de não ser comparável o risco inerente às formações-
ordenadas, tem ainda a vantagem de uma superior participação de movimentos com bola 
— isto é, possibiltam um maior contacto de cada jogador com a bola e portanto mais passes e recepções e mais decisões por jogador.
O programa é muito interessante e projecta para um domínio diferente do habitual onde — e para além dos aspectos sociais de abertura e inserção — é necessário reflectir sobre as metodologias de treino e adaptá-las a estas condições objectivas que diferem das correntemente conhecidas. O que pode significar a descoberta de novos processos. Isto é o programa serve ambos os lados: quem aprende e quem ensina.
Foi uma tarde muito interessante e recompensadora na adesão demonstrada pelos reclusos participantes e já fui desafiado para realizar uma outra sessão com a dominante da explicação do jogo, dos seus princípios e da sua geometria. Lá estarei.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

6 NAÇÕES - RESULTADOS DA 3.ª JORNADA

Ponto comum dos jogos desta 3.ª jornada do Torneio das 6 Nações 2019: a incapacidade dos árbitros e da sua equipa para controlar os fora-de-jogo nos reagrupamentos (breakdowns). A continuar assim, impossibilitando o espaço necessário ao desenvolvimento e continuidade do jogo, os árbitros e a sua equipa tornar-se-ão primeiros responsáveis pelo estádio de colisão permanente que o jogo aparenta.
A França ganhou mas, apesar de um estádio pleno e cheio de vibrantes bandeiras, não terá mostrado os argumentos necessários a fazer-nos pensar que os problemas da equipa estão resolvidos e que uma nova corrente do “french flair” estará encontrada — não está e muito falta ainda trabalhar para conseguir retirar do Top14 os ingredientes de uma boa equipa. A Irlanda, não sem um valente susto, cumpriu o seu papel derrotando a Itália com ponto de bónus - mas mostrou-se longe da equipa de Novembro passado.
O jogo da jornada foi o Gales-Inglaterra. De resultado imprevisível não fugiu ao esperado — no início a Inglaterra parecia que poderia vencer mas à medida que o jogo se desenrolava, Gales mostrava um crescente controlo. Bem análisadas as coisas ou para os mais atentos, Gales fez, desde o início e com uma lição muito bem estudada, figura do mais provável vencedor.
Impedindo o desenrolar do modelo inglês das anteriores jornadas ao não permitir, com uma defesa muito acertada, que os “transportadores” ingleses ultrapassassem a “linha de vantagem” e encurtassem a linha de defesa, não teve que empenhar o seu “três-de-trás” na defesa próxima para tapar os espaços laterais, não deixando assim grande espaço livre nas suas costas para que o “jogo-ao-pé” inglês tivesse eficácia. Não existiu, portanto, uma verticalização inicial que possibilitasse o lançamento da segunda verticalização. E com a superior capacidade do jogo aéreo do seu ”três-de-trás” não houve — para além da “paragem cerebral” à espera de um apito no 1º ensaio — oportunidades que diminuissem a atitude permanente de confiança na vitória desejada, mais do que qualquer outra, por todo o lado onde houvesse um galês. Que vem de longe — Gareth Edwards conta que, em miúdo e no parque, jogava sempre pelos vermelhos contra os brancos que eram os ingleses e que, obviamente, perdiam.
E com a entrada de Biggar, o verde do campo foi dominado pelo Dragão Vermelho.

Os galeses ao obrigarem os ingleses a realizar 63% (227) das placagens do jogo pela utilização de 64% das bolas disponíveis com 368 metros de terreno conquistado em 167 transportes, criaram as  condições para que no quarto final do jogo os ingleses se mostrassem incapazes de se imporem. O cansaço pesa, retira confiança e provoca faltas (9 contra 3 galesas) e a procura de Eddie Jones do acerto na combinação de “mais intensidade e menos volume” para definir um plano físico dominador 
terá que continuar — descoberta que pode colocar esta derrota, com vista ao Mundial, como um 
atempado aliado.

Porque a capacidade defensiva galesa veio pôr a nu o que sempre se desconfia da cultura rugbística inglesa: um bom plano inicial sem outras soluções quando contrariado e que tem sempre o seu retorno na velha escola da colisão directa a ver se alguém quebra. E Clive Woodward já veio dizer dos seus receios para o Mundial...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

PREVISÕES PARA A 3.ª JORNADA DO 6 NAÇÕES 2019

 A 3.ª jornada do 6Nações tem, para além de um prognóstico que não precisa dos cuidados do João Pinto — ninguém acredita numa vitória italiana sobre os irlandeses — dois outros jogos sem qualquer certeza nos resultados finais como se pode perceber pelo quadro acima.
Em Paris, a França — com uma parelha de médios, Dupont e Ntamack (ambos do Stade Toulousain), muito jovem — tem que demonstrar aos seus adeptos que a sua passagem pelo Mundial do Japão não será um desastre que exija toda uma série de mudanças internas na organização do rugby francês para garantir uma presença competitiva condigna no Mundial de França de 2023. O título da primeira página do conhecido Midi Olympique não engana sobre o que querem os franceses da sua equipa: LEVANTEM-SE!, escrevem.
Mas o jogo que está a levantar o maior interesse é o Gales-Inglaterra. Quer pelas dúvidas sobre o resultado final ou pela possibilidade de vitória com Grand Slam (só vitórias sobre todos os adversários) ou do tradicional troféu britânico designado por Triple Crown (vitórias sobre os outros adversários britânicos), mas principalmente pelo interesses táctico que o jogo propõe: como vão responder os galeses ao bem oleado sistema inglês de “dupla verticalização”? Qual será o processo que Gatland utilizará?
Os ingleses derrotaram Irlanda e França com um sistema simples a que chamo “dupla verticalização”: penetrações em passes, normalmente baseadas num esquema 1-3-3-1, para ultrapassar a “linha de vantagem” e obrigar o três-de-trás a subir, deixando terreno livre atrás que vai possibilitar o jogo-ao-pé com perseguições eficazes porque sempre mais velozes do que os defensores obrigados a uma volta atrasadora. Mas se o “três-de-trás” não subir, os atacantes, sem o problema de jogar “entre-linhas” podem organizar a continuidade do seu movimento a que os defensores terão significativas dificuldades em parar. No fundo este sistema apresenta-se como uma espécie do cobertor que, se tapado de um lado, destapa-se no outro. Como resolver? Que estratégia? Que táctica?
Parece evidente que a melhor opção galesa será a de procurar travar o início do movimento penetrante. O que significa a necessidade de dificultar as conquistas de bola seja nas fases estáticas, seja nas fases dinâmicas. Depois existe a óbvia necessidade, de acordo com a linguagem estratégica militar de combate, de decapitar a liderança — o que será papel da terceira-linha galesa dos excelentes Navidi, Tipuric e Moriarty que não deixará um centímetro de terreno para a dupla de médios inglesa, Youngs e Farrell. A reacção inglesa para garantir o seu modelo de jogo passará então pelo recurso imediato ao bloco de avançados num jogo de colisão que prenderá a mobilidade galesa. E se a defesa galesa do jogo ao pé parece, pela qualidade do seu três-de-trás e pelo facto da habituação do seu formação à defesa de cobertura, ter capacidades de oposição eficaz, o jogo deverá decidir-se pela melhor eficácia nos “breakdows” onde rapidez de reutilização de bola será o factor essencial. Barry John não põe qualquer dúvida sobre a vitória galesa e considera que a escolha de Gatland por Anscombe em vez de Biggar para o lugar de “abertura” é a correcta pela sua maior eficácia no jogo-ao-pé e pela imprevisibilidade da sua distribuição.
Mas o jogo será mais complexo do que isto e terá muito a ver com as vantagens que as unidades da primeira-linha, terceira-linha ou três-de-trás possam estabelecer. Estas unidades são de grande categoria — o seu perfil neste 6Nações pode ser visto no quadro abaixo — e têm enorme experiência internacional. A forma como se poderão impôr aos seus adversários directos, terá toda a importância na construção do resultado final.

Um jogo a não perder.
No quadro seguinte podem  ler-se os prognósticos para os resultados finais do Torneio.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

PORTUGAL DEU UMA ABADA

Que abada...
O Rugby Europe Trophy é um torneio competitivamente desequilibrado — a Polónia já venceu dois jogos... — que dificulta a possibilidade de subida para o escalão acima e a Polónia, fraca até dizer basta!, veio demonstrar que a sua derrota em casa com a Holanda (46-0) não foi uma casualidade mas uma tendência. A questão é simples: para que servem estes jogos? O que ganha cada uma das equipas nesta disputa sem oposição?
Portugal fez o que devia — vencer! — mas não foi verdadeiramente, tal as fragilidades adversárias, posto à prova. E para que este jogo possa servir para alguma coisa é necessária ter uma atitude colectiva muito pró-activa, analisando cada situação com muita clareza e não embandeirando em arco com um resultado cujo volume não tem significado competitivo relevante.
Vencer, para quem pretende melhorar e atingir níveis superiores, exige a resiliência de uma crítica tão objectiva quanto a que se faz sobre a derrota. Achar que após a vitória está tudo maravilha – em equipa que ganha não se mexe, gosta-se de dizer — é preparar um futuro de mau caminho — em equipa que ganha mexe-se o necessário para garantir que se continua a ganhar, tem que se dizer.
O jogo foi muito fácil mas houve erros pouco admissíveis com perdas de bola (18) principalmente por maus passes. E tendo em atenção a pouca pressão feita pelos polacos, a relação passe-recepção tem que ser muito trabalhada para que, em jogos mais difíceis e com menos facilidade de bolas disponíveis, possa existir uma maior eficácia na construção e aproveitamento de oportunidades.
As deficiências, resultantes de uma competição interna em que estes aspectos são pouco cuidados, no ataque à linha de vantagem (LV) continuam, com recepção das bolas a utilizar suficentemente longe da LV para colocar, por uma equipa com mais experiência, a linha de placagem completamente dentro do campo atacante com todas as consequências negativas que daí resultam: bola atrás dos avançados e inferioridade numérica.

Daqui resultam percentagens muito baixas na eficácia atacante - 39% — e elevadas, 23%, nas perdas ou desperdícios de bola.
Deste jogo, para além da subida de um lugar — por troca com a Alemanha — no ranking da World Rugby, resulta claramente a necessidade de atento e focado trabalho durante a semana para que não haja surpresas desagradáveis no jogo, fora, contra a Holanda.



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EUROPEAN TROPHY: PORTUGAL-POLÓNIA


De acordo com os valores da pontuação do ranking da World Rugby, Portugal vencerá este jogo, em casa e a contar para o Rugby Europe Trophy, contra a Polónia por 16 pontos de jogo de diferença. O que lhe garantirá e se assim for, subir um lugar no ranking, ultrapassando a Alemanha que, apesar de pertencer à divisão superior, irá jogar fora, contra a Roménia e não deverá conseguir pontos positivos.
As vantagens de Portugal para este jogo são óbvias - nos resultados desde 2017 e no mesmo nível competitivo, tem 67% de vitórias contra 33% do seu adversário bem como 57% de quota de pontos marcados no conjunto de marcados e sofridos enquanto a Polónia tem o saldo negativo de apenas 37%.
Não se reconhecendo qualquer qualidade competitiva ao campeonato polaco, os jogadores portugueses não devem ter, técnica ou tacticamente, confronto problemático. E mesmo com uma competição interna que não se situa em plano elevado — como se pode verificar no gráfico abaixo, com dez jornadas completas, apenas três equipas podem ganhar o campeonato — os hábitos competitivos dos portugueses devem chegar para garantir a vitória.
Vitória que o passado das duas equipas determina e por números que não deixam margem para dúvidas sobre a diferença entre elas mas... no último jogo disputado também em casa, Portugal passou dificuldades e apenas venceu por uns acanhados dois pontos de diferença. 

 
Como curiosidade veja-se no gráfico acima a distribuição dos jogadores seleccionados pelos clubes da Divisão de Honra e as pontuações classificativas correspondentes. O maior número de jogadores — 5 —nos 23 que constituem a equipa pertencem a Agronomia e ao CDUL. O “capitão” será o Salvador Vassalo do Cascais.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

6 NAÇÕES - RESULTADOS DA 2.ª JORNADA


Já se percebeu: a Inglaterra tem um sistema. Sistema que verticaliza o jogo sempre que se oferece a oportunidade: em jogo-de-passe e jogo-ao-pé. Por isso o designo por “dupla verticalização”: procura de perfurações pelo processo tradicional do jogo-de-passes (intervalos, passes-em-carga) para, quando se vê entre linhas, evitar a ida ao chão e procurar ao pé colocar a bola no terreno livre que o “três-de-trás”, obrigado a subir para impedir a continuidade do transporte de bola controlado, foi obrigado a deixar.
E a França, que cada vez faz mais dores de cabeça aos seus adeptos, nunca se mostrou capaz de contrariar o sistema inglês. Para além das dificuldades físicas, porque a sua subida defensiva não era suficientemente “ofensiva” e rápida. E agora a interrogação no hexágono situa-se apenas nesta preocupação: assim, que vamos fazer ao Mundial? E fala-se na mudança: de treinador, de métodos e ainda se acusa a forma de disputa do campeonato interno com o seu numeroso contingente de estrangeiros que não deixam os jovens franceses amadurecer.
Gales fez, apesar da alteração de 10 jogadores em relação aos habituais titulares, fez o que lhe competia: ganhar! Quanto à Itália mostra-se cada vez como equipa acessível aos Georgianos que usam todas as suas influências para garantir que o “sobe-desce” será uma realidade no Torneio das 6 Nações. E já esteve mais longe... apesar de que, continuando a jogar assim, a França irá opôr-se à ideia não vá o diabo tecê-las.
A Irlanda, com a vitória obtida contra a Escócia — equipa que se dizia estar a subir — em Murrayfield veio demonstrar o plano em que se encontra a Inglaterra. Afinal não são os irlandeses que enfraqueceram mas sim os ingleses que cresceram. E cresceram tanto que já são dados, com mais de oitenta por cento de hipóteses, como vencedores do Torneio de 2019. E com os entusiastas a esfregarem as mãos com a possibilidade — que pelo desenho do quadro pode perfeitamente acontecer — de uma final mundial entre a Inglaterra e a Nova Zelândia.
Na Europa começaram os jogos: a Espanha venceu a Rússia por 16-14, a Bélgica derrotou a Alemanha por 29-22 enquanto que a Geórgia não deixou os seus créditos por mãos alheias e derrotou, em Cluj, a Roménia por 18-9.
E este próximo fim‑de‑semana começamos nós...

“TENS FEMININO” - SPORTING CAMPEÃS 2019


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

PREVISÕES DA 2.ª JORNADA DO 6 NAÇÕES 2019


Os favoritos desta 2.ª Jornada — Irlanda, Gales e Inglaterra — são os mesmos para os responsáveis — XV contra XV, Rugby Vision, QBE e Sports Tron — dos prognósticos utilizados neste texto.
No entanto e como afirma um director executivo da QBE e “como dissemos anteriormente muitas vezes” por mais ciência que se utilize nos vaticínios sobre o futuro “nunca poderemos estar 100% seguros” como, aliás, a recente vitória da Inglaterra em Dublin, lembra, demonstra.
Se o caso de Gales com a Itália, mesmo com as dez alterações de jogadores numa óbvia preocupação com a constituição do grupo que estará presente no Mundial do Japão, parece resolvido por recurso, acreditam, a um velho conceito de que “as camisolas ainda ganham jogos”, já a Irlanda em Murrayfield, pesem embora as muito maiores dificuldades, deve apresentar-se com a consistência competitiva suficiente para não aceitar duas derrotas seguidas e mostrar que se posiciona verdadeiramente como candidata ao Mundial. Como maior interesse do Itália-Gales, para além da incógnita da resistência italiana, a análise da prestação dos “novos” jogadores galeses e das suas possibilidades de acesso à equipa principal.
Em Twickenham e depois da demonstração de capacidades dada em Dublin e apesar de alguns bons momentos dos franceses contra Gales, ninguém, excepto os indefectíveis adeptos do “XV do galo”, acredita numa surpresa. A maior curiosidade deste jogo estará em verificar se a dupla verticalização do jogo-de-passes e jogo-ao-pé apresentada pelos ingleses no jogo anterior, corresponderá a um sistema de jogo ou se resultou apenas das circunstâncias.

Com os resultados da 1.ª jornada e as naturais alterações provocadas nos prognósticos, a Inglaterra aparece agora como a grande favorita à vitória final no Torneio deste ano de 2019. 
Veremos o que nos reserva este fim-de-semana.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

NÚMEROS DA 1.ª JORNADA DOS 6 NAÇÕES

Algumas evidências ressaltam dos jogos da 1.ª Jornada do 6 Nações:

  1. Não é preciso ter maior posse de bola para vencer o jogo;
  2. Também não é verdade que ter o domínio territorial signifique a vitória;
De facto, nos três jogos, os vencedores não tiveram uma maior posse de bola. Mas em Murrayfield, a Itália teve mais posse de bola mas a sua menor ocupação territorial não permitiu equilibrar o jogo ficando apenas, com três ensaios nos dez minutos finais, uma aparência de equilíbrio competitivo.
As equipas ganharam os jogos porque marcaram mais ensaios, mostrando assim que é a eficácia da utilização da bola e da sua verticalização que tem a maior importância para garantir a vantagem. A que se tem de juntar a capacidade de placagem que atinge, por jogo, números impressionantes na zona das trezentas por jogo.
Interessante é também verificar a relação entre o número de rucks (entre 175 e 200) e o número de formações ordenadas que não ultrapassam as dezasseis.
Ou seja e afinal a importância das Formações Ordenadas e Alinhamentos, sendo qualitativa, tem um peso reduzido na percentagem de esforço físico do jogo. O que coloca as necessidades de treino, sem significar que o treino da conquista directa de formações e alinhamentos não sejam necessários, mais na zona de movimento — daí a necessidade do domínio completo da relação recepção-passe e da manutenção-recuperação no jogo-do-chão — do que nos momentos estáticos numa exigência de adequação do treino à realidade do jogo.
Veremos, com a continuação das jornadas e com as estatísticas que resultem do próximo Mundial, quais serão as tendências que determinarão o jogo do futuro.
Por cá, sem estatísticas públicas — tão pouco dos jogos da nossa selecção nacional e cujos dados, embora determinados, são mantidos em segredo — não é possível perceber com rigor a nossa situação comparativa. Quantas formações ordenadas, quantos rucks, quantos alinhamentos, quantas placagens existem em média nos jogos da nossa divisão principal? A que distância nos encontramos dos nossos adversários? Em que áreas do jogo somos mais deficitários? que áreas do jogo temos que desenvolver mais? em que aspectos de treino devemos focar uma maior atenção? As estatísticas ajudam muito para encontrar respostas e seria bom que a cobertura desta área fosse uma breve realidade.

domingo, 3 de fevereiro de 2019

6 NAÇÕES. RESULTADOS DA 1.ª JORNADA


Uma evidência ressalta desta jornada: os resultados do jogo de rugby são imprevisíveis como se pode ver pelas previsões apresentadas. Imprevisibilidade que resulta da complexidade do jogo sempre que existe proximidade competitiva entre as equipas em disputa — por isso no ranking da World Rugby sempre que existe uma diferença de pontos de ranking igual ou superior a 10, não há qualquer vantagem para o vencedor previsível.
Se parece ser possível, na maioria dos jogos, prever a equipa vencedora por qualquer dos meios utilizados, ás vezes a realidade prega partidas. O que só é bom para o jogo e para o seu interesse.
Repare-se que são utilizados inúmeros resultados anteriores e computadores de enorme capacidade para prever o resultado final dos jogos — veja-se a complexidade do algoritmo utilizado pela seguradora QBE que com ele e com o seu super computador conseguiu, reconheça-se, a melhor aproximação aos resultados com 19 pontos de diferença.

Se a pontuação do ranking da World Rugby raramente permite uma previsão acertada ou próxima do resultado final, permite, no entanto, determinar as novas pontuação e posição de cada equipa no ranking mundial.
A vencedora deste fim‑de‑semana foi, sem qualquer dúvida, a Inglaterra com a sua vitória em Dublin. Dada por derrotada nos prognósticos, a equipa inglesa conseguiu, num jogo muito determinado e com uma estratégia adequada, vencer sem apelo nem agravo a melhor equipa de 2018, subindo para o 3.º lugar do ranking. De facto, os ingleses decidiram-se, para além de uma pressão defensiva muito apertada (87% de eficácia nas 209 placagens) e que permitiu atrasar a disponibilidade de utilização da bola no jogo no chão pelos irlandeses, por uma táctica simples: conquista e ocupação do terreno adversário — de facto é lá ao fundo que está a terra dourada que proporciona pontos. Aproveitando a necessidade de subida do três-de-trás adversário para cobrir terreno lateral que as penetrações inglesas impunham (34 ultrapassagens da Linha de Vantagem para 6 rupturas da defesa), o jogo-ao-pé (33 pontapés para 2 ensaios de perseguição) foi a escolha inteligente. De certa maneira pode dizer-se que a Inglaterra procurou duplamente a verticalização do jogo: à mão para preparar as penetrações centrais e ao pé para explorar o seu sucesso. Com esta vitória, a Inglaterra mostra-se senhora de um sistema de jogo eficaz, colocando-se como séria candidata ao Mundial do Japão — objectivo aliás que Eddie Jones nunca escondeu.
O segundo vencedor do fim‑de‑semana, embora descendo ao 4.º lugar do ranking, foi Gales. Jogando em Paris, os galeses começaram mal o jogo e num instante se viram a perder por 16-0. E não deixa de ser curioso que essa inicial desadaptação contrarie as preocupações da equipa técnica dos galeses no que refere aos processo de adaptação a hábitos diferentes face ao pouco habitual horário do jogo. Depois do intervalo, recolocadas as situações, o domínio da França decresceu apesar do pack mais pesado de sempre do rugby internacional. A estratégia francesa baseada num bloco de avançados conquistador e concentrador de defensores e numas linhas atrasadas capazes de movimento, foi diminuindo à medida do desgaste do pack, permitindo um aumento da eficácia da defesa galesa que, com a distância à Linha de Vantagem a que os três-quartos franceses começaram a jogar, pôde defender em cunha com a certeza da cobertura dos seus espaços interiores e, assim, cortar a ligação com o exterior. Esta pressão retirou confiança às linhas atrasadas francesas e levou-as a cometer erros. Como base da vitória esteve de facto a capacidade de pressão defensiva dos galeses — a sua 3.ª linha constituída pelos excelentes Josh Navidi, Justin Tipuric e Ross Moriarty fez 55 (17+18+20) placagens!
No outro jogo em que a Escócia fazia figura de favorita sem reticências, o jogo até ao seu auto-adormecimento, nada permitiu de contestação italiana que, só então e dada a diminuição do ritmo e da pressão, se mostrou uma equipa capaz. Embora ficasse, mais uma vez, a ideia de que a Itália não pertence ao mundo das tradicionais...
A possibilidade de atingir a vitória com menor percentagem de posse de bola e ocupação territorial — a Inglaterra teve 40% de posse de bola e 47% de ocupação territorial e Gales teve, respectivamente, 43% e 37% — foi a principal característica dos táctica dos jogos mais equilibrados. O que significa que a qualidade do uso e a capacidade colectiva de reagir e interpretar as oportunidades são o definidor essencial da diferença. E cada vez mais a vitória num jogo de rugby depende do seu domínio.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

6 NAÇÕES 2019


Em ano de Mundial — o que lhe aumenta a intensidade competitiva — vai iniciar-se o 6 Nações de 2019 e logo com dois jogos do maior interesse. Em Paris com um França-Gales e em Dublin com um Irlanda-Inglaterra que poderá decidir desde logo o provável vencedor do Torneio.
A previsão de resultados não deixa grande margem — embora com diferenças de resultados distintas — para dúvidas. Gales ganha fora excepto para o site  de apostas Sports Punter que atribui a vitória, por um ponto, aos franceses. O algoritmo utizado com os dados da World Rugby prevê a vitória mais dilatada dos galeses bem como a seguradora australiana QBE que também considera a certeza da vitória enquanto que a Rugby Vision da equipa do neozelandês Niven Winchester, investigador principal do MIT, pese a vitória que atribui a Gales, com 54,9% de probabilidades (contra 69% da QBE e 44,21% da Sports Punter), mas por apenas 2 pontos.
No Escócia-Itália não existem dúvidas sobre a designação do provável vencedor e no Irlanda-Inglaterra, se a aposta na vitória irlandesa é global, a previsão da QBE com 56% de hipóteses favoráveis à Irlanda — contra a probabilidade de 79,72% da Sports Punter e de 71,7% da Rugby Vision— coloca o resultado ao nível de uma tripla. O que, no fundo, é o que prevêm estes especialistas para o França-Irlanda: um jogo de tripla. O que, se pensarmos na brutalidade dos 960 kgs de peso do pack francês - deve ser o grupo mais pesado de sempre num jogo internacional — não deve andar longe da verdade. Mas, para bem do jogo de rugby em geral. espero que a força bruta não seja a vencedora.
Quer a Rugby Vision, quer a QBE e o seu suoercomputador já apresentaram as suas previsões para o vencedor final do Torneio. Ambos colocam a Irlanda como principal favorita com quase vinte pontos percentuais de vantagem. Mas também consideram que a margem para uma superioridade absoluta com vitória sobre todos os adversários — Grand Slam — é muito curta e de pouca probabilidade. O mesmo parece passar-se com a Triple Crown.
Como alguém disse, este Torneio vai ser, com a disputa entre as três melhores equipas dos primeiros cinco do Ranking mundial, mais difícil de ganhar  do que o próximo Mundial. Que seja, mas que o equilíbrio resulte do bem jogar.


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