sexta-feira, 12 de julho de 2024

NAMÍBIA-PORTUGAL

Com um novo seleccionador — o neozelandês e AllBlack, Simon Mannix, que há mutos anos está radicado em França — os Lobos estão numa digressão pelo sul de África onde defrontarão a Namíbia — amanhã, sábado 13 de Julho, com transmissão na RugbyTV pelas 14:00 horas — e  a os campeões do Mundo, África do Sul, no próximo fim‑de‑semana.

Neste primeiro jogo contra a Namíbia, Portugal, apesar de ser um primeiro jogo com um novo seleccionador, é favorito — o algoritmo prevê uma vitória por 13 pontos de diferença. E se a vitória fôr uma realidade será um bom início para o objectivo da presença no próximo Mundial da Austrália


PREVISÕES DA DIFERENÇA DE PONTOS DE ALGUNS DOS JOGOS DA JANELA DE  JULHO 2024


quarta-feira, 22 de maio de 2024

BELENENSES CAMPEÃO 2024

 Ao vencer no Estádio do Restelo a Agronomia por 19-18 com a conversão de uma penalidade no último momento do jogo, o Belenenses conquistou o título de Campeão Nacional de 2024. Parabéns!

O jogo da final foi fraco táctica e tecnicamente — um ensaio, uma transformação e onze penalidades fizeram o resultado — e se valeu foi-o especialmente para quem é adepto de uma das equipas porque qualquer uma delas poderia ter ganho — antes da última penalidade aos 80+7’, Agronomia vencia por 18-16. Enfim, uma fraca demonstração de qualquer das equipas de capacidade de adaptação ao que o jogo proporcionava e incapacidade de utilizar as suas próprias capacidades para impôr os ataques às defesas. E faltas não faltaram…

E o pior, numa final do mais importante campeonato do rugby português, foi — neste costume absurdo de entendimento de que o árbitro é o gestor do jogo… — a arbitragem. E o mais importante não terão sido os erros técnicos cometidos mas sim a ideia de gerir o jogo. Gestor do jogo, o árbitro? NÃO!!! Os gestores do jogo são os jogadores que têm o papel de lêr o que o jogo proporciona, de se adaptarem e tomarem as decisões eficazes aos propósitos que os regem, fazendo com que as suas propostas lhes proporcionem ganhar num dos dois sentidos possíveis: vitória por mais pontos; vitória pela evidente melhoria da equipa.

E durante todo o tempo se ouvia a fala do árbitro: “Larga!”,”Aí não!” “Sai daí!” a terminar com um “Obrigado” como se o jogo fosse sua pertença — não é!!! o jogo pertence a quem o joga, aos jogadores! 

O jogo, hoje em dia e com a capacidade de organização das defesas, necessita — considera-se em 2 a 3 segundos o intervalo de tempo eficaz — de rapidez na disponibilidade de bola para que o desequilíbrio anteriormente conseguindo não seja recuperado pela defesa. O uso ilegal das mãos, dos corpos, dos pés nos reagrupamentos atrasa a saída da bola e prejudica o ataque. Ou seja se em vez de considerar de imediato a falta e assinalar por gesto e, aqui sim, por voz a vantagem que está a considerar, o árbitro utilizar os avisos vocais para que tudo continue com o atraso já conseguido está, pura e simplesmente, a “favorecer o infractor” e, portanto, a interferir na sequência do jogo e, muito provavelmente, no seu resultado. Porque como dizia o irlandês Sexton ao árbitro no último Mundial: “Eu não quero ouvir os seus avisos, eu quero é a penalidade porque quero ganhar 40 metros!”

O árbitro não tem qualquer responsabilidade por marcar demasiadas penalidades se os jogadores são demasiados faltosos e obriguem a muitas paragens de jogo — essa responsabilidade é dos jogadores e dos seus treinadores. E se os abusos às Leis de Jogo são demasiados tem ainda a possibilidade de recorrer aos cartões para penalizar os abusadores…porque o papel do árbitro é garantir que o jogo é disputado equitativamente de acordo com as Leis do Jogo, penalisando quem o não faça.

O árbitro não deve falar? Deve! Fazendo, por exemplo, avisos como “Placagem!” — nem sempre todos os jogadores envolvidos numa formação espontânea percebem o seu início, evitando assim faltas involuntárias — ou “Vantagem!” a que juntarão o gesto de braço para que os espectadores também percebam o que se passa. E também fazem bem em falar para explicar o porquê da interrupção do jogo ou que tipo de falta acabaram de marcar. Ou para e em certas circunstâncias, dar indicações aos capitães sobre questões interpretativas do jogo. Falar portanto a propósito e não a despropósito como será o caso de fechar os olhos a faltas que já estão cometidas ou que irão ser cometidas mas que já prejudicaram a capacidade de decisão do portador da bola.

Acabem, por favor, com este pseudo-pedagogismo! Não falem, arbitrem e deixem o jogo construir-se por si e pelos jogadores que o interpretam. Porque se o não fizerem e para além de serem muito responsáveis pelo exagero do número de faltas com que os jogadores portugueses, mal habituados pela falta de custo, são penalizados nos jogos internacionais, serão ainda, voluntaria ou involuntariamente, construtores de resultados.

E o que se pede é simples: aplicação equitativa das Leis de Jogo para garantir que o jogo resulta das capacidades e eficácia das equipas em confronto. E se à necessidade de nada dizer para não interferir no processo do jogo se juntar uma atenção rigorosa aos foras-de-jogo que diminuem o espaço de manobra, os árbitros criarão, na área que lhes compete — a de garantir o cumprimento das Leis de Jogo — condições para a melhoria do jogo. Que é o que se pretende.

sexta-feira, 10 de maio de 2024

NOVAS LEIS

 A partir do próximo 1 de Julho — e isso significa nos jogos de Portugal contra a África do Sul e Namíbia — irão ser efectivas alterações às Leis do Jogo nos seguintes pontos: a) Lei 10 - Fora-de-jogo após pontapé; b) Lei 9.20 e Lei 14.8 - Eliminação do designado “Crocodile roll”; c) Lei 20 - Uma formação-ordenada não será mais opção para um pontapé-livre.

a) A eliminação das diversas cláusulas que colocavam em jogo o jogador na frente do seu companheiro pontapeador tais como se o receptor corresse 5 metros transportando a bola ou se a passasse deixam — finalmernte! e para bem do jogo — de ser consideradas. Ou seja, os companheiros do pontapeador que se encontram mais avançados em direcção da área-de-ensaio adversário não podem manter-se  — com o famigerado gesto de braços no ar… — quietos e passarão a ter que recuar efectivamente até serem ultrapassados pelo próprio pontapeador ou por outro companheiro que tenha partido de posição-em-jogo. Mantém-se no entanto em vigor a colocação em jogo logo que o receptor ou um seu companheiro chutem a bola ou a toquem intencionalmente sem garantir a sua posse — como pode acontecer numa carga falhada. Ou seja e na realidade: um jogador em fora-de-jogo não pode beneficiar do facto de ter sido posto em jogo por uma acção do adversário — este conceito deveria ser sempre aplicado quando um jogador em fora-de-jogo se dirige imediatamente para o local de um alinhamento, impedindo assim o recurso a um alinhamento-rápido 

b) Embora não seja muito perceptível o que significa a imagem de “rotação do crocodilo”* — não haveria outras formas para a designação do gesto no que não parece ser mais do que uma simpatia de linguagem para com sul-africanos e australianos (como é que se explica o gesto a uma criança que nunca viu um crocodilo?!) — e por isso proponho o termo “rotação da presa” — o facto é que o afastamento do “chacal” (outra utilização de belo efeito…) que designaremos como “1º recuperador” na luta de um ruck, pode ser feito (incluindo agarrando joelhos ou pernas) empurrando-o para trás mas sem o torcer, puxar ou rolar e desde que não projecte o seu peso sobre ele ou atinja os seus membros inferiores.  Com a mesma preocupação de garantir a segurança dos jogadores, também não é permitido rolar, puxar ou torcer para o chão um adversário que esteja envolvido numa placagem.

c) Não sendo mais possível escolher uma formação-ordenada para substituir um pontapé-livre resta à equipa que obteve esse pontapé-livre num alinhamento escolher entre o repetir ou jogar esse mesmo castigo. 

* Definição de“rotação da presa”(rotação de crocodilo): Acção proibida em que um jogador roda, torce ou puxa um adversário para o chão e que está apoiado nos seus pés e na área de placagem. Esta acção termina normalmente sobre os membros inferiores do adversário.

Não sendo a redacção realizada e agora apresentada pela World Rugby de uma clareza exemplar, teremos que esperar pela redacção final e respectivos diagramas para perceber totalmente de que forma se deve agir para que não se cometa falta.

Mais alterações — consideradas como experimentais — aparecerão até ao final do ano para serem aplicadas nas competições integradas na World Rugby e que dirão respeito a:

    - Revisão do processo de sanções fora e dentro do campo, nomeadamente com inclusão da substituição, pós-20 minutos, de um jogador sujeito a cartão vermelho;

    - Introdução do limite de 30 segundos para a realização de alinhamentos ou formações-ordenadas;

    - Protecção do formação (Nº9) nas formações-ordenadas, rucks ou mauls;

    - Possibilidade de recorrer ao marco dentro do 22 depois de um recomeço;

    - Obrigação de jogar a bola logo depois da primeira paragem do maul;

    - Continuação do jogo num alinhamento onde a bola tenha sido “lançada torta” desde que a oposição não tenha contestado a sua conquista.

Na próxima reunião de Novembro outra série de Leis serão apreciadas e existe a intenção de criar um laboratório — jogos reais com aplicação de leis experimentais — que possam permitir a análise de dados e da percepção dos jogadores para as futuras alterações a realizar, procurando assim o justo equilíbrio entre a diversão de jogar e o agrado de assistir estabelecido no Código do Jogo.



quarta-feira, 1 de maio de 2024

COMPETITIVIDADE EXISTE NO EQUILÍBRIO

Terminou a fase de Apuramento da Divisão de Honra e fica claro que com estas dez equipas não é possível um campeonato competitivo e com a intensidade que possa aproximar os jogadores portugueses das necessidades dos jogos internacionais, ficando a Selecção Nacional cativa da disponibilidade de jogadores que, em França, a possam representar. O que significa dependência do que não controlamos e eventual futura distância dos adeptos. Porque, verdadeiramente, a Selecção Nacional deve ser formada, joguem onde jogarem, por uma maioria de jogadores formados em Portugal. Porque assim terão uma base comum sócio-cultural que lhes permitirá um melhor entrosamento e entendimento como é exigência deste desporto altamente colectivo e como o mundo — espera-se — não acaba amanhã… a nossa preocupação deve ser a do desenvolvimento rugbístico dos jogadores que aqui começam a sua actividade.

Para além de um valor do Ìndice de Competitividade Noll-Scully demonstrativo da falta de competitividade — bem demonstrada nos 54% dos jogos que terminaram com diferenças superiores a 15 pontos de jogo (na última jornada 4 dos 5 jogos realizados tiveram diferenças superiores a esses pontos) 51% dos jogos tiveram Bónus Ofensivos e apenas 18% conseguiram obter Bónus Defensivos. E bastará, para perceber que não há competitividade, olhar para a tabela da classificação geral para ver a diferença entre o 6º e o 7º classificados a ficar em 16 pontos e a Lousã chegar às 2 vitórias com 297 pontos marcados e 766 sofridos e o CDUP apenas com 1 vitória, tendo marcado 210 pontos contra 1018 sofridos.

É assim bom de ver que, neste tempo actual, o ideal para uma competição competitiva sustentável — “Sem competitividade não há rendimentos sustentáveis”, António Saraiva, antigo Presidente da CIP — seria o de comportar seis equipas — o limite nunca poderia ser mais de oito. E a proposta de um campeonato para seis equipas seria de dois grupos — Honra e 1ª Divisão — com uma prova a três voltas — o último jogo seria realizado no campo do Clube com melhor resultado entre os adversários conseguido nas duas voltas anteriores — num total de 15 jogos a determinar o Campeão Nacional pela regularidade demonstrada durante a sua disputa.

Definido pela Direcção da Federação um próximo campeonato com 12 equipas — que afirmam, ao contrário do que possa parecer, ser mais competitivo. Mais competitivo?! Como? — com um começo de 3 grupos de 4 equipas — que formados como quer que sejam, determinarão sempre grupos desequilibrados, produzindo uma 1ª fase de poucos motivos de interesse. Porque o essencial para a melhoria do rugby nacional, é permitir que as melhores equipas se defrontem muitas vezes e que as outras, mais fracas e com mais dificuldades de se organizarem em níveis de rendimento superiores, possam ter tempo para se desenvolverem.

Muito bem, pretende-se um campeonato com 12 equipas… e como será possível torná-lo competitivo levando a que mais do que as seis/sete equipas habituais possam ter atractivos competitivos que as obriguem a desenvolver-se, podendo preparar-se e organizar-se e preparar o caminho do sucesso? Assim e reconhecendo que é o equilíbrio que traduz uma maior competitividade, aqui vai uma proposta:

PROPOSTA PARA UM CAMPEONATO COM 12 EQUIPAS

1ª FASE DE APURAMENTO:

    - 12 EQUIPAS A 1 VOLTA  (11 JORNADAS), CLASSIFICANDO AS 6 PRIMEIRAS EQUIPAS PARA DISPUTAR A DIVISÃO DE HONRA E AS SEIS SEGUINTES PARA DISPUTAR A I DIVISÃO

2ª FASE 

    - 6 EQUIPAS NA DIVISÃO DE HONRA + 6 EQUIPAS NA 1ª DIVISÃO 

    - ESTES GRUPOS DISPUTARÃO UMA COMPETIÇÃO A DUAS VOLTAS (10 JORNADAS — PERFAZENDO UM TOTAL DE 21 JORNADAS)

    - O CAMPEÃO NACIONAL SERÁ O CLUBE QUE MAIS PONTOS OBTENHA NA 2ª FASE DA DIVISÃO DE HONRA. O ÚLTIMO CLASSIFICADO DA  I DIVISÃO DESCERÁ À II DIVISÃO —  CASO HAJA ACORDO QUE, DE UM PONTO DE VISTA DE EQUILIBRIO COMPETITIVO COMPETITIVO, ESSA “TROCA” SEJA POSSÍVEL DESDE A PRIMEIRA ÉPOCA DE UTILIZAÇÃO DESTA FORMA DE DISPUTA. 

sábado, 27 de abril de 2024

UMA CAMISOLA DE MEMÓRIAS

Há 50 anos o MFA fez a Revolução do 25 de Abril que abriu a Portugal os caminhos da Liberdade e da Democracia em que hoje vivemos. 

A Selecção Nacional tinha um jogo internacional marcado contra a Checoslováquia para o dia 27 de Abril de 1974 e o Seleccionador Nacional, Pedro Lynce, tinha-me convocado para o lugar de médio-de-formação — ainda tenho a camisola nº 9, que nunca utilizei, guardada, espero, na gaveta.

Com a Revolução do 25 de Abril o aeroporto, bem como o espaço aéreo, foram encerrados e a nossa viagem foi anulada.

Portanto, com a melhor prenda de anos — nasci às 4 da manhã de 25 de Abril de 1947 — que tive até então, o fecho do aeroporto foi a única coisa desagradável — antes de ter tido a certeza que iria haver uma formidável mudança —  porque não permitiria a viagem para Praga. Jogo internacional perdido mas com a vantagem, permitindo-me juntar às formidáveis multidões que apoiavam nas ruas o MFA, de presenciar situações decisivas da Revolução como, por exemplo, Rádio Clube Português, Carmo e a libertação dos presos políticos de Caxias — só de camisa e com o frio da noite terminou em gripe… — num conjunto de momentos inesquecíveis que a memória guarda e guardará.

Para juntar às recordações desses dias cá guardo a camisola não utilizada e que tem um número que resultou do facto de, no CDUL, por ser o capitão e por falta de jogadores mais capazes para o lugar, ter tido de jogar no lugar de formação. E esse não-jogo acabou por ser a minha última convocatória para jogos internacionais que só voltaram em 1981.

E pena verdadeira só tenho deste facto: o de os responsáveis federativos se terem mostrado incapazes da organização necessária para garantir a continuidade da participação internacional. Porque, de não ter jogado em Praga, não tenho pena nenhuma. A impossibilidade valeu a pena e garantiu-nos a Liberdade e a Democracia, numa mudança inesquecível para os que, como eu, tiveram a oportunidade de viver aqueles tempos.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

DE INVENÇÃO EM INVENÇÃO…

 A Fase de Apuramento da Divisão de Honra disputada por 10 clubes a duas voltas, atingiu a 18ª Jornada e portanto terminou. No entanto não foi isso que se passou — a dois clubes falta um jogo, aos outros oito faltam dois jogos para completar a prova num total de 9 jogos em atraso. E assim o campeonato continua e, pode ler-se no site federativo, irá disputar-se a 19ª jornada nas 20 que querem atingir. Um disparate absoluto e que subverte as regras normais de uma competição de regularidade pela introdução — vá lá saber-se porquê e com que vantagens competitivas — de um jogo de folga para duas equipas quase jornada a jornada.

E o rigor manda dizer que não há 19ª ou 20ª jornadas mas sim que existem jogos em atraso que, aliás, deviam ter sido — por razões de ética desportiva — resolvidos antes de se atingir a 18ª jornada final. Os campeonatos de todos-contra-todos têm como regra que os seus jogos que compõem a mesma jornada, sejam disputados com grande proximidade temporária entre eles. E as consequências resultantes desta invenção não são brilhantes com folgas que fizeram parar equipas em situações que podem criar vantagens indevidas a uma ou outra das equipas, ao se conhecerem posicionamentos que não seria suposto conhecer-se se o jogo fosse disputado na altura certa.

Com esta organização, um campeonato que já não era competitivo ter nas condições de desenvolvimento do rugby português um campeonato com dez clubes —  a diferença de pontos entre o 6º (último a apurar) e 7º classificados é de 12 pontos a dois jogos do fim… —significa que existirão jogos que não terão qualquer proximidade competitiva como se pode ver analisando os resultados globais — tornou-se ainda menos competitivo. E veja-se o resultado…


Faltando ainda disputar 9 jogos, já existem, num evidente desequilíbrio, 17% dos jogos realizados que permitiram Bónus Defensivos e 51% dos jogos disputados obtiveram Bónus Ofensivos que se atribuem à equipa que marcou 4 ensaios, garantindo uma diferença de 3 ensaios em relação ao resultado do adversário. Noutra demonstração do desequilíbrio competitivo desta competição da Divisão de Honra está no facto de que 54% dos jogos efectuados tiveram resultados com diferença de 15 pontos — valor que o ranking da World Rugby considera elevado e que, por isso, é premiado com aumento de pontos.

Este desequilíbrio é demonstrado pelo factor Índice de Competitividade traduzido pelo algoritmo Noll-Scully que, tendo o valor de 1 como equilíbrio da competição, vê a competição portuguesa atingir o desequilibrado valor de 2,26 ao atingir a 18ª jornada. 

E o problema maior é que este valor de 2,26 é o pior resultado dos resultados europeus entre nossos adversários directos e adversários que são referências.

Relação entre o Índice de Competitividade e a diferença para o Equilíbrio Competitivo. Como se pode verificar o campeonato português é o mais desequilibrado dos analisados. Repare-se na valorização do campeonato de Espanha com a passagem de 12 clubes da fase inicial para 6 na fase final

Com os objectivos que estão definidos — subir no ranking e participar no Mundial da Austrália de 2027 — é óbvio que não podemos continuar a ter um campeonato que  não prepara minimamente os jogadores portugueses para o nível internacional. Porque é decisivo e elementar, por todas as razões organizacionáveis e competitivas, que os jogadores portugueses que jogam no nosso campeonato interno, possam aproximar as suas capacidades às dos jogadores portugueses que jogam no estrangeiro. E há formas de organizar campeonatos internos competitivos. Que permitirão a aproximação.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

QUE RAIO DE IDEIA!…


E se a decisão da FPRugby de realizar um mesmo jogo a contar para duas competições distintas — Campeonato da Divisão de Honra e Supertaça — fosse considerada como vanguardista e aberta ao futuro, os jogos Benfica-Sporting de ontem (2 de Abril) e de sábado (6 de Abril) , pertencentes à disputa da Taça de Portugal e da Liga, poderiam ser os dois realizados num dos dias e em campo neutro. Até havia a boa desculpa da poupança de jogadores para um Europeu que aí vem. Mas mesmo com essa intenção, o que aconteceria? Cairia o Carmo e a Trindade a que se juntaria, muito provávelmente, o Terreiro do Paço. 

Considerar, como decidiu a Federação Portuguesa de Rugby, que duas competições com regulamentos competitivos distintos e em que o resultado se entende de formas diferentes  — se num campeonato o resultado de cada jogo se relaciona com todas as outras equipas que o disputam, numa Taça, realizada por norma no regime de eliminatórias, duplas ou singulares, o resultado só diz directamente respeito às duas equipas em jogo — e que pode ser resolvido num mesmo jogo, representa uma clara violação dos valores que caracterizam o Desporto para além de uma demonstração de falta de respeito pelos atletas. Pela simples razão que um e outro jogo se preparam com diferentes abordagens estratégicas que se traduzirão em diferentes tácticas conceptuais. E é bom de ver que as duas equipas podem ter propósitos diferentes traduzidos em vencer a Taça ou consolidar o campeonato… O que pode pressupôr atitudes diferentes… e não basta dizer que “ambas, o que querem é ganhar”, porque o ganho numa competição não é igual ao da outra. E, manda o bom costume que não chega ser, é preciso parecer…

Veja-se: o Rugby, caracterizando-se de forma muito diferente de outras modalidades, tem 5 formas de marcar pontos com 4 valores diferentes — ensaios (5), transformações (2), penalidades (3), ressaltos (3), ensaios de penalidade (7) — e ainda tem, no caso de campeonatos e não de eliminatórias, “pontos de bónus” ofensivos — que se conseguem pela relação diferencial de 3 entre ensaios marcados e sofridos — e defensivos que dependem, no caso da equipa derrotada, da relação inferior a 8 pontos entre pontos Marcados e Sofridos no resultado final. Ora estas características tornam impossível a equidade entre um jogo de Campeonato e de Taça. . No caso da Supertaça o objectivo é o de ganhar nem que seja pela diferença de um ponto — o que pode levar, pela evolução do resultado, a tácticas defensivas de limitar o uso da bola. No caso do Campeonato a vitória, como a derrota, podem ter mais interesses para além do superior número de pontos de jogo— o interesse de uma das equipas poderá estar na necessidade de conquistar, como vencedora ou como derrotada, 1 ponto de bónus, o que levará apenas a eventual derrotada à posição de segurança de limitação do uso da bola se o final estiver próximo e o resultado tiver uma diferença menor do que 8 pontos de jogo — na evidência de perspectivas e propósitos distintos e próprios a cada competição. Diferentes, portanto. Com a possibilidade de um — o do Campeonato — terminar no final dos 80 minutos regulamentares e o outro — Supertaça — prosseguir para um prolongamento e, eventualmente, para um desempate por pontapés. Com os mesmos jogadores e no mesmo campo… 

Com esta mistura de jogos de características e objectivos diferentes, colocam-se os jogadores — os elementos centrais  e fundamentais do jogo — numa situação de vulnerabilidade: pelo andamento do resultado do jogo, mesmo se disfarçado numa vitória final da Supertaça, podem ser levantadas especulativas suspeitas sobre a sua integridade porque a aparência de jogos de interesses exteriores ao jogo, pode resssaltar. E o respeito devido aos jogadores não permite que se criem, por negligência de princípios, situações que permitam ou levantem possíveis dúvidas, sequer suspeitas, sobre a integridade de quem participa no jogo. Isso é, simplesmente, inadmissível! E a maneira reconhecida para evitar suspeições é garantir organizações que o impeçam — por isso o Mundial de Rugby não mais será disputado em grupos com um número ímpar de equipas.

Princípios e Respeito que caraterizam o Desporto, nomeadamente na igualdade de propósitos entre adversários, não autorizam esta facilidade  — seja por que razões fôr e menos ainda por meras razões burocrático-administrativas — de realizar um mesmo jogo de diferentes componentes desportivas. Cada competição vale por si e não se mistura no mesmo espaço e tempo simultâneos. E a irresponsabilidade negligente não é compatível com as exigências éticas do Desporto. 

Que raio de ideia esta! e se a moda pega…

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