domingo, 24 de março de 2019

UM MASSACRE DE UM OUTRO MUNDO

No passado fim‑de‑semana a República Checa perdeu pela diferença de dois pontos com a Holanda. Ontem apanhou uma abada de 93 pontos de diferença, passando assim da competição para o massacre. De facto com o nível de desequilíbrio que se viu na tarde das Caldas, o jogo não pertence ao necessário equilíbrio competitivo que deve formatar o Desporto e apenas se pode enquadrar na área do massacre. Massacre que não pode, por não ter qualquer interesse, fazer parte de uma competição que se pretende equilibrada e atractiva.
Um jogo destes não interesse a nenhuma das equipas. A uns, checos, porque ainda se devem estar a perguntar porque é que terão apanhado o avião; outros, portugueses, porque quer o jogo, quer o número de pontos ou de ensaios não servem para demonstrar qualquer capacidade ou desenvolver a confiança e coesão necessárias para o jogo mais importante da época: o play-off com a Alemanha.
Estes jogos não deviam existir, ponto. E o Desporto deve procurar manter como base das suas decisões de agrupamento das equipas o equilíbrio competitivo. Porque só assim, como aliás ensinam os americanos na formatação das suas provas desportivas, é possível criar o interesse do público e atrair patrocinadores.
Esta III Divisão europeia é a evidente demonstração de que Portugal tem que se organizar competitivamente para, de uma vez por todas, voltar à segunda divisão onde o equilíbrio competitivo exigirá um constante aperfeiçoamento técnico e táctico. E o jogo com a Alemanha tem que ser devidamente preparado... sem que se usem desfocagens desnecessárias e contraproducentes.
O jogo só teve uma história: a corrida dos jogadores portugueses em direcção à área de ensaio adversária. E pena foi que não tivessem chegado a ultrapassar os cem pontos — seriam notícia por essa Europa fora — mas os falhanços (a mostrar a habitual falta de tempo dedicado a este tipo de treino específico de pontapés aos postes) de penalidades e transformações a que se juntou uma quebra física na parte final do jogo que, retirando a frescura mental para manter a atitude resiliente que levou aos 15 ensaios, impediram a centena.
O jogo, tal o seu desequilíbrio, não permite comentários técnico-tácticos de qualquer tipo. Porque não demonstram seja o que for: as equipas apresentaram-se como são, com 17 lugares de diferença e limitaram-se a ser elas próprias. O mérito mostrou-se apenas no respeito mútuo das duas equipas que se deram, dentro das suas muito diferentes capacidades, ao jogo sem restrições.
Agora, existe um jogo – com a Alemanha — que vale, desportivamente, o futuro do rugby português. Seremos capazes de lhe apontar, desde já, o foco e o preparar em condições de êxito? É esta a responsabilidade colectiva que temos.

sexta-feira, 22 de março de 2019

PORTUGAL É, NATURALMENTE, FAVORITO

A Selecção Nacional tem, naturalmente e dadas as diferenças quer de ranking (17 lugaresj  quer de resultados (a República Checa só tem derrotas nos jogos já efectuados no Rugby Europe Trophy), a obrigação de vencer com facilidade este seu quarto jogo (sexto da época).
A pontuação do ranking diz que a vitória se cifrará por 27 pontos de jogo de diferença mas o desafio para a equipa portuguesa deverá ser o de ultrapassar esse valor, demonstrando que tem havido evolução na sua capacidade competitiva e que o jogo do play-off a disputar com a Alemanha — última classificada do grupo Championship — não seja, mais uma vez, uma miragem inalcansável.
Mas não há bela sem senão: a diferença de pontos de ranking — superior a dez — entre as duas equipas significa que, seja qual for a diferença pontual da vitória no jogo, Portugal não terá atribuídos quaisquer pontos de ranking e não poderá assim aproximar-se da Namíbia.
Mas verdadeiramente importante será que Portugal mostre consistência no seu jogo, evitando erros elementares — os ditos “não forçados” — e se mostre capaz de uma prestação competitiva atractiva e competente.

quarta-feira, 20 de março de 2019

PORTUGAL ISOLA-SE NO TOPO DA CLASSIFICAÇÃO


 Com a vitória sobre a Suíça com ponto de bónus, Portugal, com menos um jogo, coloca-se em primeiro lugar da Classificação Geral e, assim e dados os adversários que lhe faltam defrontar — R. Checa e Lituânia — amplia a sua expectativa de disputar o play-off de acesso ao Rugby Europe Championship. Play-off para o qual já está definida a Alemanha, que ficou em último lugar na tabela do Championship que já terminou.

Do jogo não vale a pena falar. Foi um jogo contra uma equipa fraca e onde os jogadores portugueses não estiveram isentos de erros e desperdícios apesar dos sete ensaios marcados. No fundo, um jogo sem qualidade competitiva e que não serve de preparação técnica, táctica ou psicológica para jogos de melhor nível.
Actual Classificação do Rugby Europe Trophy

segunda-feira, 18 de março de 2019

CARTA AOS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DA FPR

[carta enviada aos dois candidatos à presidência da FPR]

Meus Caros Amigos

Estou, como já vos transmiti, muito preocupado com a actual situação do nosso Rugby. Quer por razões desportivas — a qualidade e competitividade deixam muito a desejar como demonstra a nossa presença na 3.ª divisão europeia — quer por razões éticas — gastámo-nos na ideia propagandística dos valores que pretendemos únicos do Rugby e atingimos níveis comportamentais inadmissíveis como diversos tipos de violência dentro e fora do terreno-de-jogo ou insultos a uns e outros, comportamentos desadequados, ameaças e desrespeitos constantes a árbitros e aldrabices intoleráveis com falsos preenchimentos de documentos e trocas de identidades. Ou seja, a nossa comunidade rugbística atingiu um tal ponto desportivo negativo que é urgente alterar o rumo das coisas para que possamos encontrar novos patrocinadores, para que o respeito social pela modalidade seja real e para que resultados objectivos e visíveis surjam com a presença permanente dos valores do Desporto, garantindo assim, para além do desenvolvimento do rendimento desportivo, a construção de uma melhor integração social e adequada cidadania ás responsabilidades para que nos voluntariamos.

Na actual situação — em que a perda de posições nas instâncias internacionais não nos permite a obtenção sustentada dos apoios necessários ao nosso desenvolvimento qualitativo — e até que seja possível a organização e formatação da modalidade de acordo com os princípios da ética e competitividade desportivas, é necessário encontrar soluções que, detectando os nós da organização, permitam agir de forma a garantir um compromisso global da comunidade rugbística portuguesa que, em unidade de acção, permita articular o Rugby com os desenvolvimentos internacionais da modalidade e com as preocupações e regras do sistema desportivo nacional e internacional. 

Penso que a melhor solução para enfrentar a situação muito complicada que atravessamos consiste em não permitir o desenvolvimento de uma qualquer oposição que se possa servir do facto de haver vencedores e vencidos eleitorais, mantendo essa desunião como plataforma agregadora de meros interesses e assim impedir a construção do caminho da reabilitação.

A vossa disponibilidade para se candidatarem à direcção da FPR representa um acto de coragem e altruísmo que reconheço e agradeço e que demonstra a vossa preocupação pela melhoria da modalidade para que outros possam usufruir dos prazeres e transformações que ela possa proporcionar. 

Assim sendo, apelo à vossa vontade e à clara noção de responsabilidade que vos move para que se juntem numa mesma única lista que, para além de fazer — melhorando a imagem social do Rugby — uma demonstração pública que é possível colocar acima dos interesses distorcidos que muitas vezes surgem colados à actividade desportiva, o superior interesse da modalidade e das suas responsabilidades públicas. O Rugby português e a sua imagem ganhariam com isso.

Juntos, com a experiência federativa de um e a capacidade de inovar na área da comunicação e do marketing bem como o conhecimento do jogo do outro, poderão estabelecer as condições necessárias para que a FPR possa cumprir as obrigações desportivas de utilidade pública que lhe competem. E colocar o Rugby português no patamar que o qualifique.

A junção das vossas vontades irá, estou certo, possibilitar a união que garantirá que divergências de opinião ou ideias diferentes se mostrem com a dignidade que a 
cidadania exige e que não se acobertarão, enquanto entrave, na comodidade de uma qualquer plataforma de oposição.

Renovo o apelo: juntem-se numa mesma lista! 

O Rugby português agradecerá e todos nós que temos uma vida ligada à modalidade, vos ficaremos gratos e, não receio afirmá-lo, estaremos disponíveis para a ajuda que for entendida como necessária.

Com amizade e na esperança da vossa união numa única lista que garanta a conjugação das vontades numa missão colectiva de engrandecimento do Rugby português, um grande e oval abraço do
João Paulo Bessa

(Treinador de Rugby do III Grau e Membro da Comissão Consultiva de Treinadores do Comité Olímpico de Portugal)

GALES NUM DIA INESQUECÍVEL

Excelente vitória de Gales numa tripla de se lhe tirar o chapéu  — Torneio das 6 Nações, Grand Slam, Triple Crown a que se acrescenta a novidade do 2.º lugar no ranking da World Rugby. Cinco vitórias seguidas em cinco jogos em casa e fora é um feito que exige uma equipa coesa e consistente. Não se ganha um Grand Slam por sorte mas por eficácia defensiva e atacante.
Gales marcou 10 ensaios e sofreu 7 para conseguir uma quota de pontos marcados de 64% e garantiu que as suas capacidades ofensivas eram suficentes com as 837 placagens numa taxa de sucesso de 89%. Ou seja e como primeira lição desta tripla: os campeonatos ganham-se marcando mais pontos do que o adversário — o que tem como consequência garantir que a defesa é suficiente para garantir que o adversário marcará menos. E Gales garantiu isso, não se mostrando nada preocupado em que a sua quota de pontos marcados demonstrasse uma enorme superioridade em relação aos seus adversários. Conseguir resultados positivos, ganhar, é tudo que uma equipa precisa para ganhar campeonatos.
A segunda lição desta notável conquista diz respeito à existência de um capitão à altura às circunstâncias e Alun-Wyn Jones foi esse capitão. E um grande capitão não é apenas aquele que fala com o árbitro durante o jogo, tão pouco aquele que dirige estratégica e tacticamente a equipa, tomando decisões — postes ou maul penetrante? — que têm importância no resultado final do jogo ou que, pela sua atitude e exemplo, arrasta companheiros para conseguir a melhor e mais capaz prestação competitiva da sua equipa. Um capitão é muito mais do que isso, representa, dentro e fora do campo, antes, durante e depois do jogo a Cultura que formata a sua equipa. E o galês Alun-Wyn Jones, um exemplar guerreiro, tem essas características como mostra a fotografia abaixo. Um exemplo modelar de capitão.
Por decisão dos responsáveis irlandeses a cobertura do Principality Stadium não foi fechada. E   choveu bem em Cardiff.

Quando tocaram os hinos — emocionante um tradicional “Hen Wlad Fy Nhadau (Old Land of My Fathers)” com o coro das bancadas dirigido, do centro do campo, pelo regente da banda — chovia a bom chover. Um miúdo transportava a bola de mão dada com o capitão. Alun-Wyn Jones percebeu o seu desconforto com a chuva que caía, tirou o blusão, cobriu o rapaz e continuou a cantar o hino com o fervor de uma última vez.

Terceira lição: uma equipa técnica, formada por Warren Gatland e Shaun Edwards, que os jogadores respeitam e que é muito capaz na motivação  — “aproveitem esta oportunidade que pode não surgir outra vez” — na estratégia, na táctica e na técnica. Como ficou demonstrado no ensaio marcado e que abriu o caminho da vitória.

O rugby é um desporto colectivo de combate e deve, por isso, subordinar-se aos princípios estratégicos do combate. Sun Tzu dizia: “o desconhecimento do local de combate por parte do inimigo fá-lo preparar-se para um possível ataque em vários locais, forçando-o a distribuir as suas forças por vários pontos, enfraquecendo-se.”, Clausewitz afirmava que “a surpresa é o princípio mais eficaz para obter a vitória” a que se junta a voz do treinador defensivo galês, Edwards, para lembrar que “os grandes jogos são definidos por tácticas, não por ideais”. E assim foi...
...a partir de um maul penetrante dentro dos 22 adversários seguiram-se duas penetrações próximas para avançar e aproximar da área de ensaio irlandesa, obrigando os defensores a tomar decisões.

Assim, o formação Conor Murray teve que avançar para a linha defensiva do lado fechado — questão de igualar atacantes — e o defesa Rob Kearney teve que tomar a decisão de também subir para cobrir a introdução na linha atacante do lado aberto do defesa galês, Liam Williams. Qualquer destes dois defensores ficou assim sem possibilidades de garantir a cobertura da área de ensaio e, com estas acções e movimentos da equipa atacante, o terreno da área dos cinco metros e da área de ensaio ficou livre de defensores e o preciso pontapé curto de Ascombe permitiu ao lançado Hadleigh Parkes, apoiado por Jonathan Davies, captar a bola para fazer o ensaio. Depois foi ver uma permanente e organizada pressão defensiva, com os jogadores a avançar lançados para a corrida de conquista da linha de vantagem e impedir assim encadeamentos adversário, levando-os a cometer as oito penalidades que permitiram as seis penalidades transformadas em dezoito pontos. Em todos os casos o resultado de um treino objectivo e adequado aos propósitos estratégicos previamente determinados. Um dia inesquecível para os galeses e seus adeptos.


Em Roma, a França não deu qualquer espaço para melhorar a desconfiança dos seus adeptos num Mundial vitorioso enquanto que a Itália, mostrando uma enorme falta de maturidade, deixou fugir a vitória que lhe retiraria a Colher de Pau.

Em Twickenham, a enorme surpresa. Chegando ao intervalo a vencer por 31-7, a Inglaterra apanhou o susto da época ao ver os escoceses marcarem mais cinco ensaios para, se colocarem, a cinco minutos do fim, a vencer 38-31. Valeu para diminuir o embaraço inglês um ensaio de George Ford aos 83’ para acabar num inesperado empate de 38-38. Uma festa de onze ensaios.

Daqui para a frente e em termos de jogos-teste, restam-nos um Championship do outro lado do mundo e alguns jogos de preparação para alimentar as expectativas do Mundial do Japão.







sexta-feira, 15 de março de 2019

PORTUGAL FAVORITO CONTRA A SUIÇA



Neste jogo contra a Suiça e apesar de ser fora, Portugal é favorito. E é favorito porque sim — porque tem mais experiência, porque tem hábitos competitivos internacionais mais elevados, porque
 tem melhores resultados — e porque o histórico o coloca em posição superior do ranking da World Rugby — 9 lugares de diferença. De acordo com o histórico, sabendo-se que estas previsões valem o que valem, Portugal ganhará por 7 pontos de diferença.Vitória que não lhe permitirá ainda, seja por que margem for, subir no ranking e ultrapassar a Namíbia.
A Suíça, com uma derrota (Holanda) e uma vitória (R. Checa), está a procurar organizar o seu rugby — com cerca de 5000 federados —de forma a torná-lo internacionalmente mais competitivo. Para já tem nos 23 seleccionados, 14 jogadores habituados ao rugby francês dos campeonatos de nível secundário  — o que obrigará a atenções redobradas por parte dos seleccionados portugueses. Concentração, disciplina  e empenho são os ingredientes necessários para juntar uma décima vitória às anteriores — tantas quantos os jogos disputados  — nove vitórias. Vitória que é, naturalmente, necessária para as pretensões portuguesas de acesso à divisão superior do Championship europeu.


quinta-feira, 14 de março de 2019

6NAÇÕES - PREVISÕES PARA A ÚLTIMA JORNADA

Tudo se vai decidir na última jornada: vencedor do Torneio, vencedor do Grand Slam, vencedor da Triple Crown e Colher de Pau. E só Gales tem a possibilidade — para o que lhe basta vencer o jogo, em Cardiff, contra a Irlanda — de conseguir a tripla. A Itália tem, em Roma e se derrotar a França, a  possibilidade, embora mantendo o último lugar, de evitar a Colher de Pau.
As probabilidades, como se pode ver no quadro, são muito pouco assertivas para o jogo de Gales — a australiana QBE e o seu super computador consideram que as probabilidades são de 50%, acabando por considerar que os irlandeses terão vantagem final. Nos outros dois jogos, ingleses e franceses carregam todo o favoritismo.
Com estas expectativas todas pela definição do vencedor final, o próximo sábado vai ser de sofá. E o Gales-Irlanda será de primeira escolha. 
Como se comportará a defesa galesa perante as simples mas muito eficazes combinações irlandesas? E qual das duas equipas melhor aproveitará o jogo ao pé? — a excelente novidade galesa de que Liam Williams poderá jogar, poderá também fazer a diferença. E nos maul-penetrantes quem levará a melhor: a excelente organização defensiva do bloco avançado de Gales ou as poderosas combinações do bloco irlandês? Jogo de todas as apostas e a não perder.
Em Twickenham, na tradicional Calcuta Cup, a Inglaterra que já saberá o resultado do Principality Stadium, dará uma demonstração daquilo que realmente vale o seu colectivo se o jogo for apenas para cumprir calendário. Mesmo estando sempre em jogo o prestígio da taça em disputa anual com os escoceses, se Gales tiver vencido em Cardiff, os jogadores ingleses demonstrarão, pelo grau de atitude posta em campo, o nível qualitativo da coesão da sua equipa e, portanto, o grau de pretensões objectivas para o próximo Mundial.
Como se vê pelo quadro abaixo, a vitória no Torneio está dependente dos resultados. Se Gales ganhar, fica o caso arrumado; se perder, a vitória no Torneio dependerá do resultado que Irlanda e Inglaterra tenham conseguido — o que dá uma voz à Escócia que tem neste jogo a possibilidade de demonstrar que não pretende continuar a ser mero figurante do mais alto nível internacional e, assim, marcar posição nas mudanças que se discutem para o futuro da modalidade.
Um fim‑de‑semana rugbísticamente em cheio!
QPM- quota de pontos marcados; %V- percentagem de vitórias





Arquivo do blogue

Quem sou

Seguidores