O 6 Nações de 2024, depois desta 1ª jornada com jogos de grande competitividade e de resultado muito próximo — com excepção do França-Irlanda que teve um resultado com uma diferença (um jogaço) inesperada — dá-nos esperança para uma série de jogos de grande qualidade. Repare-se que nos 3 primeiros jogos foram marcados 19 ensaios que permitiram 4 pontos de bónus. O que mostra a dimensão táctica em que as equipas se estão a colocar. Com um segredo prioritário: rapidez na reciclagem da bola nos reagrupamentos no solo — o que exige enorme qualidade técnica no transporte da bola nas situações de colisão.
A segunda curiosidade, para além do facto de todas as vitórias terem sido conseguidas em casa dos adversários, foi também o facto de Gales ter conseguido a raridade de 2 pontos de bónus — um por ter marcado 4 ensaios e o segundo por ter sido derrotado por menos de 8 pontos de diferença.
Com a qualidade dos jogos que se tem visto em demonstrações sucessivas das expressões tácticas que ultrapassam os problemas que as defesas colocam, o 6 Nações 2024 promete… e representa um factor importante de análise para o rugby português. Porque aí se pode perceber as formas de encurtamento das defesas, variando com a extensão da defesa que abre espaços no meio-campo como nos mostra a Irlanda, percebendo-se, cada vez mais, como o jogo-ao-pé pode ser efectivo na conquista de terreno e ainda como os grupos das equipas se devem organizar em movimento, fazendo um apoio eficaz, adaptando-se às diferentes formas defensivas e utilizando bem o lançamento em velocidade dos receptores da bola para aproveitamento dos intervalos e ultrapassar a linha-de-vantagem e conseguir desequilibrar a defesa. E continua a ser verdade a visão do grande Graham Henry: “o rugby é isto: ganhar a linha-de-vantagem” a que Spiro Zavos, jornalista neozelandês, dá a expressão total: “Uma das maiores verdades do rugby é que a equipa que ganhar a batalha da linha-de-vantagem é a equipa que ganhará o jogo.”